quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Circo de Westminster

O anglicanismo ligado à Cantuária não passa de uma grande caricatura do que um dia foi a Igreja da Inglaterra. Isso, sem dúvida alguma, é uma prova inconteste das terríveis conseqüências oriundas do cisma e da heresia. A Abadia de Westminster, que já foi o lar dos beneditinos, se tornou a encarnação do espírito da reforma anglicana. Atualmente, essa belíssima construção sintetiza o ethos modernista fortemente presente na Igreja da Inglaterra. Num dos pórticos de entrada foram colocadas imagens dos mártires do séc. XX. Até então nada demais, se não fosse o fato de que cristãos não-anglicanos foram homenageados e honrados.

Dos 10 "mártires" apenas 3 são anglicanos.
Grã-Duquesa Elisabete da Rússia, piedosa cristã "ortodoxa" convertida, renegou o protestantismo. Sem dúvida alguma acharia demoníaco esse relativismo eclesiológico.

Manche Masemola, catecumeno anglicano da África do Sul.

Maximilian Kolbe, santo católico, martirizado pelos nazistas, fidelíssimo ao Santo Padre e aos ensinamentos da Igreja. Assim, considerava o anglicanismo como um cisma propagador de falsas doutrinas.

Lucian Tapiede, anglicano de Papua Nova Guiné.

Dietrich Bonhoeffer, pastor luterano assassinado pelos nazistas. O fato de ser protestante não quer dizer absolutamente nada, afinal, dentro de uma perspectiva teológica, não há comunhão entre luteranos e anglicanos.

Esther John, evangelizador presbiteriano. Vale lembrar que a teologia calvinista foi um dos grandes problemas internos da confissão anglicana. Os prebisterianos foram perseguidos pela Igreja da Inglaterra.

Martin Luther King, pastor batista, de uma confissão cristã que, partindo de uma honesta postura teológica, condenaria muitas das doutrinas anglicanas.

Wang Zhiming, pastor.

Janani Luwum, Arcebispo da Igreja de Uganda, de confissão anglicana.

Oscar Romero, Arcebispo católico de San Salvador. Mesmo tendo sua memória "sequestrada" pelos adeptos da Teologia da Libertação, era conhecido pelo seu conservadorismo.

Como colocar imagens de "santos" que, mui provavelmente, se estivessem vivos, jamais compactuariam com tamanho absurdo relativista? O ecumenismo - não o falso ecumenismo irenista - deve ter como norte a fidelidade à Verdade. Como invocar como santo alguém que renegou e condenou, por exemplo, crenças basilares da confissão anglicana? Enfim, a Comunhão da Cantuária se tornou o circo dos horrores de qualquer cristão sensato...

Um comentário:

Rodrigo Motα disse...

Pedro, não sabia que Oscar Romero era conservador!