quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Era São Josemaria Escrivá franquista?

Quantas vezes ouvimos acusações contra o Fundador do Opus Dei? Uma das mais comuns é aquela que o acusa de ter compactuando com o governo do Generalíssimo Franco e toda a incursão nacionalista contra a República espanhola. Como todas as críticas feitas ao Opus Dei, esta não passa de uma velha falácia sem o mínimo sentido histórico. Vejamos!

A aversão que São Josemaria Escrivá nutria ao Regime Republicano Revolucionário era reflexo não de um sentimento ideológico, mas de um conhecimento empírico acerca do caráter totalitário do sistema comunista. Não é de estranhar que os religiosos espanhóis tivessem uma natural e espontânea aproximação com os tradicionalistas, falangistas e nacionalistas. Enquanto igrejas eram destruídas, vasos sagrados profanados e religiosos assassinados, na Espanha Vermelha, conventos eram protegidos, missas eram celebradas e Sacerdotes reverenciados no meio das ruas com continência e aplausos, na Espanha Azul.


São Josemaria Escrivá nunca favoreceu ao regime nacionalista por uma simpatia político-ideológica. Ao contrário, sempre mostrou uma distância de discussões partidárias, o que até gerava a estranheza em seus filhos. Nesse tocante, é interessante pontuar que mesmo quando morava na Madri comunista, trocando de residência, forjando documentos, vivendo num cubículo no Consulado de Honduras, apenas por ser Sacerdote católico, jamais proferiu nenhuma crítica ao Governo Republicano.

Obviamente, o Fundador do Opus Dei era afeiçoado a muitos homens, políticos e intelectuais que comungavam da mesma fé e piedade que a sua e que militavam sob as bandeiras de direita. O Santo celebrou, inclusive, uma Missa pela alma do falecido amigo Victor Pradera, destacado tradicionalista espanhol, junto a sua viúva e família. Ademais, entre os seus primeiros seguidores estava Pedro Casciaro, filho de um importante membro madrilenho da Frente Popular, composta pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), a União Geral dos Trabalhadores (UGT), o Partido Comunista da Espanha (PCE), o Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), a Izquierda Republicana (IR), a União Republicana (UR) e apoiado pelos nacionalistas catalães da Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) e galegos do Partido Galeguista (PG). Não obstante, quando da permanência de São Josemaria Escrivá e os seus na região nacionalista, na cidade de Burgos, – depois da complexa e perigosa saída da zona vermelha, pelos Pirineus – Pedro Casciaro foi acusado de espionagem comunista, mesmo não compactuando com a ideologia do seu pai.

Cobrar de Sacerdotes que eram perseguidos pelo governo republicano uma postura de inércia frente à liberdade religiosa promovida pelos nacionalistas seria surreal. Um Sacerdote vive para celebrar a Missa, a fonte primordial de sustentação da fé, e dar assistência ao povo de Deus, santificando os homens e salvando as almas. Nas regiões dominadas pelos comunistas/socialistas/anarquistas estes não só tinham seu trabalho tolhido como sequer gozavam de autonomia para celebrar a Liturgia. São Josemaria nunca favoreceu ao regime franquista, como muitas vezes é acusado. Mesmo nos piores momentos de perseguição jamais alimentou uma crítica política aos revolucionários comunistas. Como foi pontuada, a sua aversão era fruto da própria experiência em zonas vermelhas.

O Fundador do Opus Dei não era falangista, nacionalista, direitista, ou qualquer outra definição partidária, era apenas um Padre, verdadeiramente Sacerdote, que sofrendo as perseguições incitadas pelos bolcheviques se tornou anti-comunista, justamente por ser...católico.

3 comentários:

Anônimo disse...

Admiro este blog e creio q seja um dos melhores blogs católicos existentes, porém, este post é lamentável, há nele uma tentativa de desvirtuar a luta dos católicos contra o comunismo na Espanha, o branquamento das obras vermelhas é lastimável!
Foram feitos centenas de padres e freiras mártires, a Igreja foi ofendida de toda forma, n houve apenas uma repressão, tratada aqui como se fosse uma espécie de corrente de mails contra qualquer coisa.
Se Escriva era franquista, não fazia mais que a obrigaçâo, tendo inclusive o dever, assim como muitos religiosos o fizeram, de pegar em armas contra os vermelhos.

Antonio Amaro, SP;

Karla disse...

Mas a questão não é discutir se os falangistas ou nacionalistas estavam certos. A questão do tópico é apenas se S. Josemaría fazia ou não parte deles. Não e ponto.

Chevalier disse...

ora, não entendi, franco, os carlistas, a falange, por mais que fosse facistas, salvaram a santa igreja na espanha!

se escrivá fosse, qual o mal? ele deixaria de ser santo?

os que morreram pela espanha nacionalista são martires, defenderam a igreja e a tradição, os requetes carlistas, monaquistas, defenderam até a morte a igreja e venceram, a falange fascista foi alterada por franco, tirando o elemento republicano desta e a força do nacional sindicalismo, algo comum no facismo, franco por si, não era facista, era um conservador, monarquista, tanto é que ele se considerou regente e no final, colocou o atual rei espanhol no trono.

sem esta luta, talvez veriamos uma espanha comunista hoje!