quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sobre a privatização da universidade pela esquerda, com considerações sobre o Vestibular 2009 da UFBA e um apelo sobre o futuro

O domínio da Esquerda sobre os meios de educação em geral, e sobre a universidade em particular e em especial -se não conseguiram expropriar os de produção, ao menos expropriaram os de ensino - é tão patente, consumado e costumeiro que as pessoas lidam com isto como se fosse um fato natural, imanente à ordem do Universo e das coisas, talvez até estabelecido por Deus.

Os esquerdistas - comunistas, socialistas, anarquistas, "politicamente corretos" etc - se sentem donos (hum, donos) da universidade, ao menos das faculdades de ciências humanas, que existem para refletir e sustentar suas ideologias, suas "visões" de mundo, segunda sua concepção. Essa atitude mental é tão estabelecida que é fácil citar vários exemplos que são consequências desse status quo, status quo estabelecido para favorecer o predomínio de certas correntes sobre a sociedade.

Ex.1. Na lista de emails dos estudantes de meu curso, me cansei de ver gente, com a intenção de contestar algumas coisas que lá eram escritas, dizer: "o que você tá dizendo é uma idéeia conservadora", "isso é de direita" etc etc. Ou seja, não é mais necessário se discutir a verdade/mentira das proposições: a distinção entre esquerda/direita substitui todas as outras tradicionalmente usadas nos debates filosóficos, teológicos, científicos, e a militância substituiu a intelectualidade, entendida esta no seu verdadeiro sentido. O sinônimo de bom, belo e verdadeiro é "esquerda"; é óbvio que essa não é uma forma séria de pensar, mas um método de manipulação que consiste em manejar preconceitos (não no sentido deformado por eles: me refiro ao "pré-conceito" de papagaios que repetem discursos que viraram senso comum no meio universitário antes de avaliar seriamente a realidade) para desacreditar uma posição sem ter de correr os riscos de discutir seu centeúdo; uma proposição "conservadora"/"direitista" está previamente errada, e segue-se utilizando de rotulações para "provar" que o outro lado está equivocado.

E mais: não é surpreendente que apareça um dizendo: "Como pode um estudante universitário ter idéias tão conservadoras?!" Ou seja, demonstram que acreditam que na Universidade só deveria haver eles! Desenvolverei esse ponto mais adiante.

Ex.2. A primeira eleição que ocorreu quando saí da esquerda foi a passada (estou escrevendo a continuação do meu artigo anterior, explicarei esse período nela). Quando uma pessoa querida perguntou em quem eu ia votar, eu respondi "em Imbassahy", e, por esse e outros momentos mais significativos, ela me disse: "Como pode, você acabou de se formar em História, devia ter outra cabeça, ser mais avançado", "devia votar em Pinheiro ou Hilton", "ser mais consciente". Só que não acredito mais que muitas dessas coisas que nos são ensinadas são "consciência", mas sim vícios que, pela repetição e pelo fato de imperarem nos meios letrados, amealham (suprema)autoridade.

Ex.3. Há, no orkut uma comunidade "Sou Historiador! Não comunista", que, na sua descrição, demonstra eloqüentemente o que estou dizendo: "Esta comunidade não foi criada para falar mal da linha comunista e socialista de pensamento. Afinal, somos pessoas civilizadas que sabem respeitar as tendências e maneiras de ver o mundo.Mas não aguento mais ser rotulado de comunista, socialista, quando falo que fiz faculdade de História." ( vejam http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1157812 )

Ex.4. Numa vez em que visitei a escola onde estudei, hábito que mantenho para sempre reencontrar professores, funcionários e outras pessoas com quem convivi por anos, conversei com uma ex-professora que perguntou algo como: "E aí, como está, muito revolucionário??", ao que respondi "Não, não, eu saí disso!", ao que redarguiu com algo como "Os estudantes de sua área são muito revolucionários". "É verdade, mas eu não, eu deixei isso!"

O quinto exemplo que abordarei, terá um tratamento especial.



Manipulação acintosa no Vestibular UFBA 2009


Farei primeiramente um balanço sobre as provas de humanidades desse vestibular para mostrar, antes de apontar a manipulação a que me refiro, algumas tendências gerais do que nosso meio acadêmico considera relevante, sem pretensão de fazer um relatório.

Na prova de Português da 1º fase caiu um trecho de Eni Orlandi e duas letras de música, de Caetano Veloso e Chico Buarque, além de mais uma daquele na prova de Redação da 2ªfase. Quatro questões (40% da prova) tratam desses três textos, cujos conteúdos são, de alguma maneira, ralativos à cidade, ao espaço urbano. A primeira procura analisar seu objeto pela perspactiva do "discurso", tema que interessa nossa academia de uma maneira muito forte, como se, julgando não ser possível compreender a realidade das coisas, se desejasse simplesmente compreender o que as pessoas falam das coisas. E a literatura erudita, da "alta cultura", quase desaparece em provas que se preocupam majoritariamente com o "popular" e o etnológico.

Na prova de Ciências Naturais, a questão 17 diz, em seu enunciado, que "A obtenção de células especializadas a partir de células-tronco embrionárias pode permitir a recuperação de tecidos comprometidos, relacionados a diferentes danos - inclusive no sistema nervoso - até então considerados irreversíveis." Ora, o que significa "pode permitir"? Pois as pesquisas de sucesso nesse campo foram feitas a partir de células-tronco somáticas, ou seja, do corpo do indivíduo; ainda não se conseguiu curar enfermidades com técnicas advindas de pesquisas com células-tronco embrionárias. A expressão "pode permitir" está aí como substituto de "pode vir a permitir"? É, no mínimo, uma frase que induz ao erro, e que foi colocada para favorecer a posição dos que defendem tais pesquisas com seres humanos. Tendo isso em mente, interpreto as entrelinhas da alternativa (16), correta, que diz "As discussões éticas relacionadas ao estudo de células-tronco decorrem, entre outros aspectos, do uso das células-tronco embrionárias que, sob determinada explicação, se contrapõe a uma proteção à vida humana em seus diferentes estágios." Prestem atenção em "sob determinada explicação" e como a expressão produz uma sensação de rejeição à explicação referida. Os avaliadores reproduziram de forma íntegra tal argumento, que diz que certo tipo de pesquisa "se contrapõe a uma proteção à vida humana em seus diferentes estágios" e não que isso é feio e Papai do Céu não gosta; não obstante isso me deixe feliz, a justa referência ao argumento propeiamente ético, a frase "sob determinada explicação" produz na mente do leitor a idéia da oposição religiosa, usada para desqualificar a posição dos que se opõem ao uso de embriões HUMANOS em laboratório.

Na 2ª fase, a prova de Português não cobrou gramática diretamente, tais conhecimentos serão avaliados de acordo com o uso da língua que o candidato faz para responder às 6 questões, que perguntam sobre conhecimentos linguísticos, literários e de interpretação textual. Prevalece nestas questões um interesse sobre temáticas sociais e cotidianas, seja devido às obras literárias, que não são selecionadas de acordo com estilos e períodos literários, como a UFBA deixa bem claro, mas de acordo com temas considerados de atualidade e de relevância. Esse tipo de foco negligencia assuntos mais elevados, em termos civilizacionais (vide seção 11 da Parte I, sobre Otto Maria Carpeaux, em "O futuro do pensamento brasileiro", de Olavo de Carvalho, aliás, livro que deveria ser lido por todo estudante brasileiro, ao menos os que desejam se dedicar às humanidades, para que se conheça as perspectivas que há para as nossas áreas e para nossa cultura, e para que se possa traçar conscientemente os percursos para uma vida intelectual proveitosa, também para o Brasil e para a humanidade; uma observação: "humanidades" não designa a mesma coisa que se classifica por "ciências humanas", sendo mais ampla e incluindo o estudo de Letras, por exemplo).

A prova de Redação foi sobre as diferentes realidades da família brasileira, tema sempre oportuno. Dentre os textos apresentados como base para reflexão, não havia nenhum que louvasse qualidades da família, sendo eles, nos melhores casos, de tom neutro.

Não há, quanto à prova de Geografia, considerações a fazer quanto à presença de ideologia. Mas, na de História, a questão 06, a última, dizia: "Em relação a atitudes preconceituosas e discriminatórias contra as chamadas "minorias" étnicas, de gênero, portadores de necessidades especiais, entre outras, aponte duas medidas tomadas, no Brasil, para combater essas atitudes." Essa questão, que parte do pressuposto de que o repúdio a essa "diversidade de gênero" é puro preconceito, vale 20 pontos, a pontuação máxima de uma questão da prova, contra o menor valor de 10. Sem dúvida, trata-se de uma questão muito importante, mais até do que a queda de Roma ou a Revolução Francesa.

Enfim, a parte principal, que deixei para o final. Na prova de Ciências Humanas, na 1ª fase(Questões de 11 a 28), diz a primeira:

"A análise do texto ( um trecho de M. Chauí e Oliveira que diz que a Filosofia exprime as questões colocadas pelo homem em cada época, que "procura enfrentar essa novidade", sobretudo "propondo novas perguntas") e os conhecimentos sobre o pensamento filosófico (grifo deles, mesmo) nas diversas fases da História permitem afirmar que a Filosofia:

(01) proposta por Santo Agostinho expressou a busca da conciliação entre as crenças do cristianismo - uma nova religião - e o pensamento filosófico greco-romano, introduzindo o conceito de dogma para impedir o avanço do pensamento crítico."

Além da ênfase de valor duvidoso sobre o enfoque da Filosofia sobre a novidade, essa questão traz uma agressão absurda, estupidamente inconsequente e preconceituosa ao pensamento agostiniano, fundamental para o pensamento religioso de muitas pessoas devido a sua importância para a Igreja e até para os luteranos, pelo menos. Segundo ela, Sto. Agostinho introduziu "o conceito de dogma para impedir o avanço do pensamento crítico." O(s) resposável(eis) por isso não merece(m) respeito, pois abdicou de toda seriedade e cientificidade para exigir apenas conhecimentos objetivos, e cobrou a adesão a uma opinião sem comprovação, anti-cristã e anti-católica, para que o candidato recebesse a pontuação correspondente.

A questão 13 traz uma porcaria de trecho dizendo "Considerada por uns um direito inviolável do ser humano e, por outros, um patrimônio que deve ser utilizado produtivamente pelas diversas gerações, a idéia de propriedade privada da terra segue sendo interpretada como conquista adquirida, seja ela política ou econômica."

A partir das informações do texto e com base nos conhecimentos sobre propriedade privada, pode-se afirmar:

(16) O direito à propriedade privada, praticado na sociedade industrial capitalista, aprofundou as desigualdades sociais.

(64) A permanência da concentração da propriedade da terra e a expansão do agronegócio, no Brasil dos dias atuais, contribuem para aprofundar os conflitos sociais em torno da política de assentamentos."

Primeiramente, o leitor da questão deve decidir se é a favor da propriedade enquanto "um direito inviolável do ser humano" ou "um patrimônio que deve ser utilizado produtivamente pelas diversas gerações". A vigarice intelectual do trecho de Andrioli reflete o caráter de quem formulou a questão. O confronto entre capitalismo e socialismo demonstrou que os bens são utilizados mais produtivamente no primeiro do que no segundo, ou seja, enquanto propriedade privada. E precisa concordar com as supracitadas proposições para receber a pontuação, coisa que me recusei a fazer.

Uma diz "O direito à propriedade privada, praticado na sociedade industrial capitalista, aprofundou as desigualdades sociais."; mas como se pode mensurar isso? O capitalismo trouxe novas desigualdades, sim, decorrentes de novas formas de distribuição de riqueza. Mas, sendo que nos séculos anteriores haviam formas de desigualdade fortemente estabelecidades de desde antes do nascimento da pessoa, contra a qual esta não podia fazer muita coisa, diferentemente do capitalismo que permite a competição, no caso a desigualdade do Antigo Regime que confrontava camponeses pobres com uns poucos "nobres" imersos num luxo ostentoso e plenamente reconhecida por títulos, plenamente estabelecida, como se pode dizer que "o direito à propriedade privada aprofundou as desigualdades sociais"?! O avaliador pode demonstrar que a desigualdade do capitalismo é mais profunda que a anterior? Tal questão é sem objetividade, sem base material, concreta, só servindo para despertar sentimentos anti-capitalistas nos concorrentes a uma vaga na universidade, com base no difundido preconceito contra a desigualdade.

E a que diz " A permanência da concentração da propriedade da terra e a expansão do agronegócio, no Brasil dos dias atuais, contribuem para aprofundar os conflitos sociais em torno da política de assentamentos." não é, contrariamente ao que diz o gabarito, verdadeira, mas sim, falsa. O que aprofunda tais conflitos é a ideologia esquerdista que procura semear a discórdia em todos os espaços da sociedade, inclusive no campo. Existe muita terra disponível no Brasil, para quem desejar consegui-la de forma civilizada. Num encontro da comunidade católica "Comunhão e Libertação", um casal (não lembro do nome, mas qualquer um do movimento os conhece, pois são duas pessoas muito importantes para a CL) deu seu valiosíssimo depoimento sobre como se afastaram da influência da Comissão Pastoral da Terra, dominada pela Teologia da Libertação, cujo procedimento consistia em invadir terras e exigir do governo a sua propriedade. Tal método nunca rendera fruto nenhum (nem creio que seja esta a intenção, dar a alguém uma vida boa sob o capitalismo, fazendo-o se conformar com o sitema em vez de procurar a revolução) mas quando iniciaram um novo grupo que se mobilizou para amealhar dinheiro e comprar terras à venda, conseguiram adquirir uma boa fazenda que lotearam e fizeram progredir espantosamente, de forma que cada vez mais e mais pessoas decidiram fazer parte, mesmo não sendo católicas mas muitas vezes protestantes, pois hoje há ali inclusive ensino superior. Então, os conflitos dos quais esses heróis participaram no tempo em que eram manipulados pela CPT eram causados pela concentração fundiária ou pela ideologia revolucionária? Resolve-se um problema eliminando-se a sua causa; se eles resolveram sem abolir a "concentração da propriedade da terra" é porque este não era o motivo.

A proposição também é errada pelo que diz do avanço do agronegócio como outra causa desse problema; é mais outra falácia. O agronegócio não é bom só para grandes proprietários, mas também pode ser muito útil e favorável para as propriedades familiares, como são denominadas as pequenas (não creio que as grandes não o sejam, só por causa do fato de não trabalharem pai, mãe e filhos na roça), conforme explicou uma vez um monitor numa disciplina da faculdade. Conforme ele ensinou, a família pode valorizar o produto de sua atividade ingressando no agronegócio, e há no Brasil terras disponíveis para plantio equivalentes à área dos EUA.

O que há, tanto na questão 11 quanto na 13, é simplesmente o seguinte: o avaliador está numa posição de poder, pois como explicou Foucault há na sociedade diversos poderes efetivos além dos oficiais, como os de presidentes, governadores etc. A bibliotecária que pode lhe recusar o empréstimo de um livro possui poder, numa escala micro. E o que ele faz com isso, nos casos em discussão, é simplesmente utilizar da força que possui para violentar a consciência de quem responde a prova, pois assim como um prisioneiro tem de dizer ao seu torturador o que este quer ouvir, sob pena de continuar sendo castigado, o candidato é constrangido a assentir com o que o(s) avaliador(es) deseja(m). Suas proposições são controvertidas, não unânimes nem provadas; não se trata da autoridade do conhecimento, mas do cargo.

A questão 16 traz um texto de um jornalista da Veja sobre novos índios descobertos, que nunca tiveram contato com não-silvícolas, e que diz que pelas estimativas há na Amazônia Legal quase setenta tribos de índios isolados - ou seja, que rejeitaram ou não tiveram nenhum contato com não índios. A política da FUNAI em relação a esses grupos é de não-interferência. Não foi sempre assim."

(08) "O extermínio das nações indígenas das áreas litorâneas e interioranas do país, ao longo de sua história, resultou da incapacidade de aqueles povos se adequarem às formas superiores e civilizadas da sociedade que se constituiu no Brasil."

(16) "A imagem dos "homens vermelhos", como descrita no texto, confrontada com imagens conhecidas dos índios xavantes e dos ianomâmis, indicam a existência de profunda diversidade étnica e cultural entre os povos indígenas do Brasil atual, contestando a interpretação homogênea da cultura indígena atualmente em voga no país.

O extermínio indígena aconteceu por causa da violência alheia, concordo; mas o problema é a negação embutida da idéia de formas superiores de nossa sociedade. Para mim e para muitos, a sociedade que foi constituída no Brasil sob a direção portuguesa é superior à de uma tribo onde se comem outros índios para adquirir suas qualidades, e onde se cometem outras barbaridades. E, se índios recusaram-se a adotar formas superiores de comportamento, pioraram sim as coisas para eles. Mas a formulação das questões também pecam por ambiguidade. Qual é "a interpretação homogênea da cultura indígena atualmente em voga no país"? Eu estou acostumado a ouvir repetir que os índios possuem diferenças culturais e blá blá blá etc etc. Então, há ao menos duas interpretações em vogas no país, a "homogênea" - palavra colocada de maneira equivocada, deveria ser "homogeneizadora" ou "homogenista", pois "homogênea" está sintaticamente errada. Fora isso, dizer que existem "profundas diferenças" devido ao fato de grupos de índios diferentes se pintar de tal ou qual jeito é muita "forçação de barra". O antropólogo é muito acostumado a observar as diferenças, mas muitas pessoas vêem mais semelhanças que diferenças entre índios que caçam e pescam e cultuam forças naturais. Vejo um pouco de razão nos dois lados, especialmente no segundo.

Mas algo muito importante, que não deve se deixar batido, está no texto citado no enunciado, que fala de índios "que rejeitaram ou não tiveram nenhum contato com não índios. A política da FUNAI em relação a esses grupos é de não-interferência. Não foi sempre assim." O final, "não foi sempre assim", provoca no leitor uma simpatia pela política da FUNAI ao remeter à oposição entre a política de interferência, que causou mortes e desaculturação, e a política da FUNAI, que deixa os índios no seu canto; faz parecer que resolvemos um problema, que adotamos a atitude que não foi tomada antes, mas deveria. No entanto, é triste saber que a tribos indígenas não foram dadas oportunidades de conhecer nosso modo de vida e adotar o que tiver de melhor em cada um para eles. Leiam: "que rejeitaram ou não tiveram nenhum contato com não índios". Em várias tribos na Amazônia, crianças indígenas (e não estou falando de aborto, mas de seres cuja humanidade os abortistas ainda não contestam, de seres que já nasceram, andam, falam e choram, ou, choram visivelmente) são mortas devido à política de "deixar de lado" da FUNAI. A quem não chegou a repercussão do caso de Hakani, veja http://www.midiasemmascara.org/?p=7442 ou diretamente no site Hakani.org ; reparem especialmente na reação de um ex-presidente da FUNAI, muito significativa para o que abordo.

Eliminei de minha análise outras questões que originariamente eu havia incluído nesse texto. Não pretenderei completude dessa vez, e acredito que o que foi escrito mostra, com bastante evidência, um certo espírito presente na prova do vestibular da UFBA, e que é muito lamentável mas não surpreendente, porque reflete um espírito muito forte em nosso meio acadêmico hodierno. Retorno agora para a questão do Exemplo 1, para concluí-la: a Universidade é espaço para "progressistas", para esquerdistas, os conservadores não fazem jus a ela? Há, sem dúvida, grandes nomes da intelectualidade conservadora, mas esse fato é desprezado pelos que se arrogam donos da sabedoria conferida pela academia; basta pensar em pessoas como Gilberto Freyre, Miguel Reale, François Furet, Pierre Chaunu, Allan Bloom para se dar conta disso. Serei breve em meu desfecho: cabe aos insatisfeitos com a situação denunciada lutar para garantir seu espaço e sua liberdade na academia. A esquerda tem projetos de poder, ela pensa em termos de "ocupação de espaços", de hegemonia; quem não fazer nada contra, poderá perder tudo para a intelligentsia, e talvez isto não seja oposto ao merecimento de quem se omite. Enquanto estivermos no ambiente universitário, devemos nele agir de acordo com nossas idéias, mas sempre tendo em vista o bem maior que é a verdade, a que nós e nosso pensamento deve se submeter, e nunca o contrário. E que possamos ajudar a UFBA a ser uma grande universidade, e que seu "compromisso social" seja sério e responsável, uma efetivo comprometimento com a bem comum da sociedade e com a civilização que a ampara.

3 comentários:

Andrea disse...

Parabéns pela análise!

A coisa está feia mesmo! Universidade no Brasil é reduto de gente desse tipo, que não quer buscar a verdade, apenas repete comportamentos baseada em sua ideologia.

Fique com Deus!

Fabrício Oliveira Soares disse...

Obrigado, Andrea!

Esse tipo de problema, a falta de sinceridade na busca pela verdade, é muito difuso, e infelizmente a universidade brasileira (não creio que seja só ela, mas prefiro falar só dela por questão de humildade e precaução) não consegue se contrapor a ele, justamente por ela ter se tornado um espaço privilegiado para as ideologias, processo que O de C explica em "Crise da universidade ou eclipse da consciência?" ( http://www.olavodecarvalho.org/textos/dines2.htm )e mostra em vários outros momentos. Isso vale tanto para ideologias consideradas de esquerda como de direita - no Brasil era comum que um universitário fosse ou socialista/comunista ou integralista, porém, tanto num caso como no outro, participante de movimentos de massa, antes de desenvolver a consciência individual.

Abraços, e tudo de bom!

PS: Ah, pessoal, na verdade essa postagem foi feita às 6h04 de ontem, 22; a data que aparece é a do começo da redação, pois escrevi diretamente no blog, contrariamente ao meu costume de escrever no word para depois publicar aqui. É só um registro...

Anônimo disse...

Sr. "Acarajé" (devia mudar o nome do seu blog, Deus vai te castigar por essa alusão à religião Afro ein!...)
Hahaha acha mesmo que está numa "forma superior de comportamento"?
Está tentando convencer quem disso?
Pois fique fique se achando a "última coca-cola do deserto"...
É tanto argumento tendencioso e falacioso neste blog que eu desacredito...
Dei por visto.