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terça-feira, 27 de outubro de 2009

O verdadeiro sentido da missão

Pedro Ravazzano

A Teologia da Libertação é responsável direta pela destruição de séculos de trabalho missionário. A naturalização do sobrenatural, somada a uma análise materialista da fé, propicia a corrupção do sentido da conversão. Tamanho relativismo reduz todo o cristianismo a um mero assistencialismo onde não há necessidade de oração, penitência e mortificação. Cristo, dentro dessa leitura, não pediu a conversão e a crença evangélica, mas sim uma luta pelo bem e justiça social. Como disse o folheto “O Domingo”;
"A páscoa de Jesus se realiza nos grupos e pessoas que, independentemente de credos, se doam em favor dos pequenos e procuram realizar o bem em meio à sociedade."


O trabalho missionário parte de uma compreensão honesta da fé, um entendimento sensato dos ensinamentos de Cristo, do amor ao próximo e no cumprimento do pedido de Nosso Senhor; “Ide e anunciai o evangelho a toda criatura.” A Teologia da Libertação (TL) reduz o anuncio do evangelho a uma ótica materialista, enxergando na religião a ferramenta de libertação social, daí que a “justiça social” e “fazer o bem” sejam os dogmas absolutos da fé. Obviamente, para uma noção tão simplória da crença, Cristo não precisaria da Encarnação, Crucificação e Ressurreição, muito menos fundado uma Igreja. Ademais, toda a religião católica parte da premissa básica de que perpetua os ensinamentos de Nosso Senhor – seria estupidez máxima crer em algo que sabe não ser de Deus, mas dos homens. Assim, a Eucaristia, o Papa, a Virgem SS etc, não são simples realidades doutrinárias acidentais, mas frutos diretos da mensagem deixada por Jesus.

Em concreto, o amor de Deus é misericordioso, e essa misericórdia se encarna na doutrina, justamente por ser esta um caminho objetivo de salvação. Seguir Jesus é seguir tudo aquilo que Ele nos deixou, afinal, é no Seu legado que entendemos a Sua mensagem. Ora, se cremos que a doutrina católica veio de Cristo e reconhecemos a necessidade de seguir a Cristo nos Seus ensinamentos, como colocar em terceiro plano a importância da fé na Igreja Católica? Podemos ir além. A prática maior do amor ao próximo se faz na pregação da Verdade, já que é o gesto máximo de caridade ao homem; mostrá-lo a Cristo. Se reconhecemos os ensinamentos católicos como originados diretamente do coração de Jesus, e sabemos que a comprovação do nosso amor ao próximo se faz na apresentação da Verdade, como, então, desmerecer a necessidade da conversão? Ou nós não amamos, de fato, o próximo - portanto não queremos apresentá-lo a Cristo – ou, então, não cremos na doutrina católica como originada no Senhor – logo, como nos consideramos crentes?

A redução feita pela TL é total e absoluta. A Eucaristia, a Virgem SS, o Papado etc, são pontos secundários da fé se comparados com a necessidade de praticar a “justiça social”. Além da verdadeira justiça se originar em Cristo e na Sua mensagem, toda a doutrina não se contrapõe ao amor de Deus. Tamanha falácia parte de uma compreensão relativista onde doutrina - e até mesmo a simples palavra “doutrina” – é interpretada como uma imposição férrea e fundamentalista da fé. Ora, não seria, justamente, o contrário? A doutrina é fruto da caridade de Cristo, um guia prático de salvação, muito mais edificante do que a ótica subjetivista que impera, onde ninguém sabe ao certo como viver o Evangelho, onde cada indivíduo segue uma fé particular e pessoal, distante da universalidade pretendida por Deus.

Dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira, afirmou, em reportagem ao Jornal Nacional, que “São os índios que estão vivendo como viviam os primeiros cristãos que tinham tudo em comum, nós é que temos que nos converter a eles”. Agora é a Cruz que deve ser submetida aos chocalhos e flautas de Tupã? Esse é o relativismo em grandes proporções, não mais a conversão é desnecessária como agora somos nós, cristãos, que devemos nos paganizar. Ademais, vale frisar que, como destacou Jorge Ferrar no Deus lo Vult!, “Para afastar os maus espíritos, Sua Excelência parece preferir o Yaigê às orações católicas; para ser coroado no dia de sua sagração, Sua Excelência parece preferir um cocar indígena a uma mitra católica. Parece preferir o paganismo ao Evangelho”

Obviamente, o Bispo tem pleno entendimento acerca do caráter relativista e herético de tais afirmações. De fato, a sua insistência no modernismo é consciente e intencional. Dom Edson, mui provavelmente, deve conhecer a brilhante explanação feita por S.S João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio; “uma das razões mais graves para o escasso interesse pelo empenhamento missionário é a mentalidade do indiferentismo, hoje muito difundida, infelizmente também entre os cristãos, freqüentemente radicada em concepções teológicas incorretas, e geradora de um relativismo religioso, que leva a pensar que « tanto vale uma religião como outra »...”

Além dos graves problemas doutrinais oriundos dessa postura relativista, que, logicamente, subentende um demérito a toda a crença católica, ainda há o choque com a própria história da Igreja e a vida espiritual. Gostaria de pontuar, nesse tocante, o testemunho da Sociedade de São Francisco de Sales no empenho do trabalho missionário. A diocese de São Gabriel da Cachoeira, por exemplo, foi fundada e erigida por Sacerdotes filhos de Dom Bosco. Dom Edson, o Bispo do Cocar, é o primeiro não-salesiano feito Pastor daquelas terras. Desde cedo o Santo fundador alimentava o desejo de partir, para terras inóspitas, na pregação do Evangelho. Dom Bosco sonhava em poder caminhar com alguns missionários, apenas sustentados na fé em Cristo, mas a sua saúde e os enormes afazeres na Europa, com uma Congregação recém fundada, o impedia. Entretanto, logo tendo oportunidade enviou para a América aqueles que se tornariam peças fundamentais na propagação da fé nos países do Novo Mundo. Vejamos o relato feito por Dom Bosco do seu profético sonho:
"Pareceu-me, disse, encontrar-me numa região inóspita e totalmente desconhecida. Era uma imensa planície toda inculta, em que não se avistavam colinas nem montes. Mas nas extremidades, muitíssimo ao longe, perfilavam-se em toda a volta escarpadas montanhas. Vi nela multidões de homens que a percorriam. Andavam quase nus, eram muito altos, de aspecto feroz, de cabelo comprido e em desalinho, de cor bronzeada e escura, vestidos apenas com grandes mantos de peles de animais, que lhes desciam dos ombros. Andavam armados com uma espécie de lança comprida e com uma funda.
Estas multidões de homens, espalhados por todo o lado, ofereciam ao espectador cenas diversas: uns corriam à caça das feras; outros levavam na ponta das lanças pedaços de carne a deitar sangue. Outros ainda combatiam entre si, outros traziam presos soldados vestidos à europeia, e o terreno estava cheio de cadáveres. Eu tremia perante aquele espectáculo; e eis que despontam na extremidade da planície muitos personagens, que, pela forma de vestir e de se comportar, descobri que eram missionários de várias Ordens.
Estes aproximavam-se para pregar àqueles bárbaros a religião de Jesus Cristo. Fixei-os bem, mas não conheci nenhum deles. Foram para o meio daqueles selvagens; mas os bárbaros, mal os viram, com um furor diabólico, com uma alegria infernal, assaltavam-nos, matavam-nos, esquartejavam-nos com ferocidade, cortavam-nos aos pedaços e espetavam os pedaços daquelas carnes com a ponta das lanças.
Depois de observar aqueles horríveis massacres, disse para mim próprio:

− Como fazer para converter esta gente tão brutal?

Entretanto, vejo ao longe um grupo de outros missionários que se aproximavam dos selvagens de rosto muito alegre, precedidos por uma turba de jovenzinhos.

Eu tremia pensando:

− Vêm cá para ser mortos.

E aproximei-me deles: eram clérigos e padres. Fixei-os com atenção e vi que eram os nossos Salesianos. Os primeiros eram meus conhecidos, e embora não tenha podido conhecer pessoalmente muitos outros que seguiam os primeiros, dei-me conta de que eram também Missionários Salesianos, mesmo dos nossos.

− Como vai isso − exclamei.

Não queria deixá-los passar e pus-me à frente deles para os parar.

Receava que de um momento para o outro tivessem a mesma sorte dos antigos Missionários. Queria fazê-los voltar para trás, quando vi que a sua aparição encheu de alegria todas aquelas multidões de bárbaros, que baixaram as armas, puseram de parte a ferocidade e acolheram os nossos Missionários com todos os sinais de cortesia.

Maravilhado com isto, disse para mim próprio:

− Vamos ver como é que isto vai terminar!

E vi que os nossos Missionários avançavam em direcção àquelas hordas de selvagens; instruíam-nos e eles escutavam-nos de bom grado; ensinavam e eles punham em prática as suas instruções. Parei a observar, e dei-me conta que os Missionários rezavam o santo Terço, enquanto os selvagens, correndo de todos os lados, abriam alas à sua passagem e respondiam com gosto àquela oração.

Passado algum tempo, os salesianos dispersaram-se pelo meio daquela multidão que os rodeava e ajoelharam-se. Os selvagens, tendo deposto as armas por terra aos pés dos Missionários, ajoelharam também. E eis que um dos salesianos entoa: “Louvemos Maria…”, e todas aquelas turbas, a uma só voz, continuaram o cântico, tão em uníssono e com voz tão forte, que eu, quase assustado, acordei.
Este sonho fez-me muita impressão, pensando tratar-se de um aviso celeste"
Esse sonho confirmou aquela misteriosa vontade que o Santo já nutria no coração. Assim, depois de alguns acasos da Providência, os salesianos foram enviados para a Patagônia, inclusive o futuro Cardeal Cagliero, Vigário Apostólico da Patagônia, confessor da Beata Laura Vicuña e amigo de Beato Zeferino Namuncurá. Os filhos de Dom Bosco logo chegaram ao Brasil. No Mato Grosso evangelizaram a tribo dos Bororos e, mais tarde, constituíram uma prelazia, a Prelazia do Registro do Araguaia. Entraram corajosamente na floresta amazônica, construindo verdadeiros oásis da fé. Desde 1908, Dom Frederico Costa, Bispo do Amazonas, queria a presença dos salesianos na região do Rio Negro. Em 1910 a Prefeitura Apostólica do Rio Negro foi criada e, posteriormente, confiada aos filhos de Dom Bosco – atualmente Diocese de São Gabriel da Cachoeira. Na região trabalharam junto aos Tucanos e outros tribos, tudo para a glória de Deus.


Os sonhos de Dom Bosco profetizavam o esplendor da sua Congregação. Ademais, eram sinais claros da origem Divina dos anseios mais profundos da Sociedade de São Francisco de Sales. Afirmar, como é comum hoje em dia, que o trabalho missionário é desnecessário e inoportuno – falo de verdadeiro trabalho missionário que visa à conversão – se choca com a doutrina da Igreja e com a ação do Senhor na história. Os sonhos de Dom Bosco seriam falsas criações de mentes ultramontanas, refletindo apenas uma realidade temporal? Então a Virgem Santíssima se enganaria nas suas promessas feitas ao Santo?

Vejamos o teor de outro sonho, relatado por A. Auffray SDB na biografia de Dom Bosco, “A divina Pastora que aos nove anos lhe tinha feito ver com clareza a sua futura missão, mostrou-lhe nessa noite os pontos principais do caminho que iriam percorrer os seus missionários. Num instante sua fantasia foi transportada ao pé das Cordilheiras, a Santiago e a Valparaiso; de ai ao coração mesmo das matas da África; finalmente a Pequim, a capital do Celeste Império! Por mais robusta que fosse a fé de Dom Bosco, era difícil acreditar tais maravilhas. Evangelizar extensões tão grandes! Vencer tantos obstáculos! Percorrer espaços enormes! e com um exército tão exíguo e com meios tão. escassos! Não! Era um sonho apenas e nada mais! Porém a Dama misteriosa acalmou-lhe os receios: "Não temas disse-lhe ela. Não sómente os teus filhos, mas os filhos de teus filhos realizarão estes prodígios" Nesse sonho a Virgem mostra ao Santo os belíssimos frutos da sua Congregação; a conversão dos povos e das raças. Ainda promete que tais “prodígios” seriam perpetuados por todos os seus filhos.

Comparemos, nesse instante, a doutrina da Igreja e os sonhos de Dom Bosco com o posicionamento da Teologia da Libertação e o seu relativismo. Se somos católicos – e somos livremente – é porque cremos que a Igreja, enquanto instituição fundada por Cristo, reflete os ensinamentos deixados por Nosso Senhor. Entretanto, mesmo as revelações privadas não sendo de crença obrigatória, exprimem um caráter sobrenatural. Assim, se as experiências de Dom Bosco foram originadas em Cristo – e assim a Igreja acredita – reproduzem a imutabilidade inerente a Deus. Ou será que alguém crê que o Senhor transmite ensinamentos mutáveis e falíveis, escravos do tempo?

De um lado temos o Evangelho e a Igreja e, do outro, Bispos e religiosos relativistas. De um lado uma conversão sincera, com prática de oração e vida sacramental, do outro lado a práxis “evangélica” perpetuada na manutenção de crenças pagãs e no discurso assistencialista.

Quando Monsenhor Cagliero voltou da Patagônia, levou consigo uma jovem indígena convertida. No leito de morte, Dom Bosco experimentou uma sublime alegria. Não podendo ir até as terras de missão, o seu filho trouxe um fruto dos trabalhos salesianos em solo argentino. A jovenzinha, ajoelhada aos pés do Santo, falando um italiano carregado de sotaque, disse; "Pai, eu vos agradeço por terdes mandado vossos missionários para salvar a mim e a meus irmãos" Dom Bosco, extremamente comovido, verteu lágrimas de regozijo, lágrimas de caridade e de puro amor! Ele sabia que havia cumprido a sua tarefa na terra!

Infelizmente, essa é uma experiência que D. Edson Damian nunca vai passar! Afinal, para que converter?

domingo, 30 de agosto de 2009

Sou católico: posso apoiar o Criança Esperança?

Vladimir Lachance
***
Aviso: Este texto leva em consideração a moral católica. Para muitos, os projetos apoiados pelo CE não representarão qualquer afronta à dignidade da pessoa humana, mas não é para estes que o texto se direciona.

Este texto é um esclarecimento sobre alguns fatos relacionados à campanha “Criança Esperança”. Depois de ver inúmeros católicos perguntando se esta campanha da Rede Globo seria uma boa iniciativa, se haveria problema em doar, etc., decidi pontuar algumas coisas que encontrei numa rápida pesquisa pela internet. Minha fonte foi o próprio site da campanha: http://criancaesperanca.globo.com/. A partir daí, simplesmente fui clicando e copiando algumas informações relevantes. Reproduzirei trechos do material colhido e farei breves comentários.

No site da campanha há uma seção chamada “Projetos Apoiados”; nesta área encontrei o Projeto Amazona, que é um projeto de Prevenção à AIDS. Vejamos alguns dos objetivos deste projeto:

1. Prevenção junto aos Profissionais do Sexo, seus Parceiros, Caminhoneiros e Portuários - contribui para a redução da transmissão do vírus HIV e das DST junto aos profissionais do sexo e seus parceiros na região metropolitana de João Pessoa e em Campina Grande. (1)

2. Adolescentes e jovens - Objetiva informar, sensibilizar e influenciar comportamentos preventivos em relação às DST/HIV/AIDS, promover atividades de formação humana e qualificação profissional para o primeiro emprego. (1)

Prostitutas, pervertidos, caminhoneiros(!), portuários(!!), adolescentes e jovens... E as crianças? Só consigo vê-las na seguinte situação: A) Abortadas pelas prostitutas, que, vez ou outra, acabam engravidando e logo tratam de tirar aquele “incomodo” do útero para voltar a “trabalhar”; B) Sendo elas mesmas as prostitutas, pois é coisa já muita noticiada que inúmeros caminhoneiros praticam pedofilia pelas estradas do Brasil, e não só eles, já que praticamente todas as pessoas envolvidas com prostituição costumam não se importar com o fato de ser uma criança, homem ou mulher, etc. Há duas coisas ainda a serem frisadas: “comportamentos preventivos em relação às DST/HIV/AIDS” entre adolescentes e jovens, vem a ser, de acordo com o projeto, a distribuição de camisinhas, que, entre outras coisas, “pode ser usada como método contraceptivo”. Ou seja, a ajuda que eles dão às crianças é impedi-las de nascer e também incentivá-las à iniciação sexual precoce.

Outro projeto apoiado pelo Criança Esperança é o Instituto Caruanas do Marajó. Trata-se de uma escola que ensina rituais tribais às crianças: pajeísmo! Leiam a citação:

O Pajeísmo, segundo Zeneida, é o encontro do homem com as energias da Natureza, os Encantados ou Caruanas. O Pajé nada mais é que um instrumento para a manifestação dos Caruanas, energias viventes sob as águas. É ele que propicia a vinda dos Encantados em Terra para auxiliar os viventes em suas doenças ou dificuldades.A iniciação de Zeneida no Pajeísmo se deu pelo Pajé Mestre Mundico do Maruacá, região do município de Salvaterra, na Ilha de Marajó, e durou um ano e 17 dias para que todos os rituais e preceitos antigos fossem cumpridos. Ela aprendeu sobre o Mundo Encantado e seus mistérios, como as Sete Cidades Encantadas que existe sob o mar e onde vivem os Caruanas. Disse-lhe Mestre Mundico que tais cidades são formadas por elementos mágicos que só os Pajés podem conhecer. Explicou que Zeneida seria conduzida para esse mundo pelo Peixe de Sete Asas Coloridas.” (2)

Zeneida Lima: A pajé educadora! A foto fala por si.
Para os que vivem de acordo com o mundo, pode ser que não haja problema algum no fato de uma escola ser dirigida por um pajé que professe este tipo de doutrina, mas para um católico isto é heresia, impossível de ser aceita em qualquer circunstância. Pobre Pedro Álvares Cabral! Pobres jesuítas! Tanto trabalho para converter os indígenas para agora estarmos nesta situação.

Ainda no site do Porjeto Amazona, clicando no tópico “Links”, encontramos a Sociedade Viva Cazuza, do Rio de Janeiro: no site desta sociedade há uma seção chamada “Fórum Científico”; cliquei nele. O texto em destaque é: “A SEXUALIDADE HUMANA - UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!“. Nele lemos:

O que é CAMISINHA? Usá-la ou não? O que é sexo oral? É pecado? Faz mal para a saúde? O que é masturbação? É certo ou é errado? É normal ou é um desvio? O que ato sexual? É proibido? É bom? É necessário? Quando? E a homossexualidade, o que vem a ser isso? É errado? É um direito de a pessoa escolher o seu sexo comportamental? (...) A sexualidade humana é uma fonte de energia psicossomática (alma e corpo), que integra a personalidade no seu sentido mais amplo de liberdade e capacidade de amar. Consegue-se a felicidade quando há uma unidade, uma integração do corpo e da alma, direcionada pela capacidade e pela liberdade de amar. (...)

O autor deste texto parte de uma série de perguntas, que em si já são tendenciosas, bombardeando o leitor com questões confusas, misturando moral, medicina, etc., terminando com uma definição de sexualidade humana que provavelmente foi tirada de algum livro de lunáticos como Wilhelm Reich. Seguindo esta definição, parece que o ser humano só se completa através do ato sexual: quanto mais ligado à sexualidade mais feliz o homem se torna! Agora o autor começa a responder as questões que formulou acima:

“- A masturbação - Sabe-se, e é normal, que o despertar sexual do adolescente, principalmente no menino, se faz sob a forma individual, egoísta, solitária. Isso, dentro de um limite, não é pecado, não está errado, não faz mal para a saúde. Não pode interferir nas outras atividades do adolescente. Faz parte da auto-descoberta.”

Primeiro: sabe-se? Quem sabe? Qual é a fonte desta informação? Imagino que a fonte seja a mente pervertida e viciada do próprio autor do texto. Segundo: e é normal? Desde quando é normal um adolescente pecar contra o sexto mandamento? Terceiro: não é pecado? Este tipo de resposta é dada exatamente para confundir os cristãos despreparados, que lendo qualquer coisa se convencem. Vendo aqui a palavra “pecado” o cristão inclinado a este tipo de perversão logo se força a aceitar a sentença como verdadeira para justificar o vício. Quarto: o que uma Sociedade com o nome de um homossexual praticante, promíscuo, nada cristão, tem haver com pecado? Fico somente nas perguntas, para não me estender demais. Quem ainda tem bom senso pode responder sozinho.
Continua o texto:

“· Virgindade - Há que se diferenciar a virgindade biológica (presença do hímem) e a virgindade moral (integridade mental e emocional da menina). Santo Agostinho já afirmava, no século IV, que a virgindade não é um estado físico e sim um fato moral.”

Quanta malícia utilizar as palavras de um Doutor da Igreja para justificar a promiscuidade. Pelo argumento deste texto: Santo Agostinho fez diferença entre as duas virgindades; a virgindade não é um estado físico, mas moral; logo, não é necessário manter o corpo na virgindade!!!

Bom, pensemos um minuto: a virgindade física só pode ser perdida se o indivíduo pratica o ato sexual; para praticá-lo é preciso desejá-lo; se o indivíduo desejou tal coisa, já não tem virgindade moral! (Subentende-se aqui que se fala do ato sexual fora do casamento) O que Santo Agostinho quis dizer foi que, para aquelas pessoas que pecaram contra a castidade e depois descobriram se tratar de um pecado gravíssimo, e realmente se arrependeram (e pretendem não mais pecar), já que não possuem mais a virgindade do corpo, resgataram a pureza no sentido da moral.

Continuando o texto da Sociedade Viva Cazuza:

“·Homossexualismo - Alguma relação HOMOSSEXUAL acidentais na adolescência não autoriza se concluir que se trata de uma pessoa HOMOSSEXUAL. A definição da "preferência" sexual do nosso filho pode passar por experimentações sem que isso exerça papel definitivo no seu futuro.” (3)

Incentivo à sodomia! Só não vê quem não quer. Não é necessário fazer comentários.

Para ver a ligação do Criança Esperança com o financiamento do aborto no mundo, ver o texto do prof. Felipe Aquino: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2008/05/15/a-unicef-financia-o-aborto-de-meninas-na-africa/

Abaixo do texto do professor há um comentário que diz: “A reiterada participação da Unicef em programas de redução dos nascimentos levou a Santa Sé a retirar em 1996 a simbólica contribuição anual que efetuava e que pretendia alentar a generosidade dos católicos.

“O anúncio teve lugar depois de um comunicado de imprensa da Unicef ter anunciado que tinha distribuído substâncias abortivas no Ruanda e no Zaire.“

Aí está! Este é apenas um pequeno recorte dos grupos apoiados e de suas propostas. Para uma vista mais geral sugiro que os leitores vão diretamente ao site da campanha Criança Esperança que está no início do texto e façam a pesquisa vocês mesmos.

Mas, com o que pontuamos aqui, já podemos responder sem qualquer medo de errar:

Um bom católico não deve, em hipótese alguma, apoiar uma campanha como esta.

Vejam que estarrecedor: Prêmio Luiz Mott: http://www.vivacazuza.org.br/sec_noticias.php?page=1&id=37

(1) http://www.amazona.org.br/ppal.htm
(2) http://www.caruanasdomarajo.com.br/apajelanca.php
(3) http://www.vivacazuza.org.br/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sobre a privatização da universidade pela esquerda, com considerações sobre o Vestibular 2009 da UFBA e um apelo sobre o futuro

O domínio da Esquerda sobre os meios de educação em geral, e sobre a universidade em particular e em especial -se não conseguiram expropriar os de produção, ao menos expropriaram os de ensino - é tão patente, consumado e costumeiro que as pessoas lidam com isto como se fosse um fato natural, imanente à ordem do Universo e das coisas, talvez até estabelecido por Deus.

Os esquerdistas - comunistas, socialistas, anarquistas, "politicamente corretos" etc - se sentem donos (hum, donos) da universidade, ao menos das faculdades de ciências humanas, que existem para refletir e sustentar suas ideologias, suas "visões" de mundo, segunda sua concepção. Essa atitude mental é tão estabelecida que é fácil citar vários exemplos que são consequências desse status quo, status quo estabelecido para favorecer o predomínio de certas correntes sobre a sociedade.

Ex.1. Na lista de emails dos estudantes de meu curso, me cansei de ver gente, com a intenção de contestar algumas coisas que lá eram escritas, dizer: "o que você tá dizendo é uma idéeia conservadora", "isso é de direita" etc etc. Ou seja, não é mais necessário se discutir a verdade/mentira das proposições: a distinção entre esquerda/direita substitui todas as outras tradicionalmente usadas nos debates filosóficos, teológicos, científicos, e a militância substituiu a intelectualidade, entendida esta no seu verdadeiro sentido. O sinônimo de bom, belo e verdadeiro é "esquerda"; é óbvio que essa não é uma forma séria de pensar, mas um método de manipulação que consiste em manejar preconceitos (não no sentido deformado por eles: me refiro ao "pré-conceito" de papagaios que repetem discursos que viraram senso comum no meio universitário antes de avaliar seriamente a realidade) para desacreditar uma posição sem ter de correr os riscos de discutir seu centeúdo; uma proposição "conservadora"/"direitista" está previamente errada, e segue-se utilizando de rotulações para "provar" que o outro lado está equivocado.

E mais: não é surpreendente que apareça um dizendo: "Como pode um estudante universitário ter idéias tão conservadoras?!" Ou seja, demonstram que acreditam que na Universidade só deveria haver eles! Desenvolverei esse ponto mais adiante.

Ex.2. A primeira eleição que ocorreu quando saí da esquerda foi a passada (estou escrevendo a continuação do meu artigo anterior, explicarei esse período nela). Quando uma pessoa querida perguntou em quem eu ia votar, eu respondi "em Imbassahy", e, por esse e outros momentos mais significativos, ela me disse: "Como pode, você acabou de se formar em História, devia ter outra cabeça, ser mais avançado", "devia votar em Pinheiro ou Hilton", "ser mais consciente". Só que não acredito mais que muitas dessas coisas que nos são ensinadas são "consciência", mas sim vícios que, pela repetição e pelo fato de imperarem nos meios letrados, amealham (suprema)autoridade.

Ex.3. Há, no orkut uma comunidade "Sou Historiador! Não comunista", que, na sua descrição, demonstra eloqüentemente o que estou dizendo: "Esta comunidade não foi criada para falar mal da linha comunista e socialista de pensamento. Afinal, somos pessoas civilizadas que sabem respeitar as tendências e maneiras de ver o mundo.Mas não aguento mais ser rotulado de comunista, socialista, quando falo que fiz faculdade de História." ( vejam http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1157812 )

Ex.4. Numa vez em que visitei a escola onde estudei, hábito que mantenho para sempre reencontrar professores, funcionários e outras pessoas com quem convivi por anos, conversei com uma ex-professora que perguntou algo como: "E aí, como está, muito revolucionário??", ao que respondi "Não, não, eu saí disso!", ao que redarguiu com algo como "Os estudantes de sua área são muito revolucionários". "É verdade, mas eu não, eu deixei isso!"

O quinto exemplo que abordarei, terá um tratamento especial.



Manipulação acintosa no Vestibular UFBA 2009


Farei primeiramente um balanço sobre as provas de humanidades desse vestibular para mostrar, antes de apontar a manipulação a que me refiro, algumas tendências gerais do que nosso meio acadêmico considera relevante, sem pretensão de fazer um relatório.

Na prova de Português da 1º fase caiu um trecho de Eni Orlandi e duas letras de música, de Caetano Veloso e Chico Buarque, além de mais uma daquele na prova de Redação da 2ªfase. Quatro questões (40% da prova) tratam desses três textos, cujos conteúdos são, de alguma maneira, ralativos à cidade, ao espaço urbano. A primeira procura analisar seu objeto pela perspactiva do "discurso", tema que interessa nossa academia de uma maneira muito forte, como se, julgando não ser possível compreender a realidade das coisas, se desejasse simplesmente compreender o que as pessoas falam das coisas. E a literatura erudita, da "alta cultura", quase desaparece em provas que se preocupam majoritariamente com o "popular" e o etnológico.

Na prova de Ciências Naturais, a questão 17 diz, em seu enunciado, que "A obtenção de células especializadas a partir de células-tronco embrionárias pode permitir a recuperação de tecidos comprometidos, relacionados a diferentes danos - inclusive no sistema nervoso - até então considerados irreversíveis." Ora, o que significa "pode permitir"? Pois as pesquisas de sucesso nesse campo foram feitas a partir de células-tronco somáticas, ou seja, do corpo do indivíduo; ainda não se conseguiu curar enfermidades com técnicas advindas de pesquisas com células-tronco embrionárias. A expressão "pode permitir" está aí como substituto de "pode vir a permitir"? É, no mínimo, uma frase que induz ao erro, e que foi colocada para favorecer a posição dos que defendem tais pesquisas com seres humanos. Tendo isso em mente, interpreto as entrelinhas da alternativa (16), correta, que diz "As discussões éticas relacionadas ao estudo de células-tronco decorrem, entre outros aspectos, do uso das células-tronco embrionárias que, sob determinada explicação, se contrapõe a uma proteção à vida humana em seus diferentes estágios." Prestem atenção em "sob determinada explicação" e como a expressão produz uma sensação de rejeição à explicação referida. Os avaliadores reproduziram de forma íntegra tal argumento, que diz que certo tipo de pesquisa "se contrapõe a uma proteção à vida humana em seus diferentes estágios" e não que isso é feio e Papai do Céu não gosta; não obstante isso me deixe feliz, a justa referência ao argumento propeiamente ético, a frase "sob determinada explicação" produz na mente do leitor a idéia da oposição religiosa, usada para desqualificar a posição dos que se opõem ao uso de embriões HUMANOS em laboratório.

Na 2ª fase, a prova de Português não cobrou gramática diretamente, tais conhecimentos serão avaliados de acordo com o uso da língua que o candidato faz para responder às 6 questões, que perguntam sobre conhecimentos linguísticos, literários e de interpretação textual. Prevalece nestas questões um interesse sobre temáticas sociais e cotidianas, seja devido às obras literárias, que não são selecionadas de acordo com estilos e períodos literários, como a UFBA deixa bem claro, mas de acordo com temas considerados de atualidade e de relevância. Esse tipo de foco negligencia assuntos mais elevados, em termos civilizacionais (vide seção 11 da Parte I, sobre Otto Maria Carpeaux, em "O futuro do pensamento brasileiro", de Olavo de Carvalho, aliás, livro que deveria ser lido por todo estudante brasileiro, ao menos os que desejam se dedicar às humanidades, para que se conheça as perspectivas que há para as nossas áreas e para nossa cultura, e para que se possa traçar conscientemente os percursos para uma vida intelectual proveitosa, também para o Brasil e para a humanidade; uma observação: "humanidades" não designa a mesma coisa que se classifica por "ciências humanas", sendo mais ampla e incluindo o estudo de Letras, por exemplo).

A prova de Redação foi sobre as diferentes realidades da família brasileira, tema sempre oportuno. Dentre os textos apresentados como base para reflexão, não havia nenhum que louvasse qualidades da família, sendo eles, nos melhores casos, de tom neutro.

Não há, quanto à prova de Geografia, considerações a fazer quanto à presença de ideologia. Mas, na de História, a questão 06, a última, dizia: "Em relação a atitudes preconceituosas e discriminatórias contra as chamadas "minorias" étnicas, de gênero, portadores de necessidades especiais, entre outras, aponte duas medidas tomadas, no Brasil, para combater essas atitudes." Essa questão, que parte do pressuposto de que o repúdio a essa "diversidade de gênero" é puro preconceito, vale 20 pontos, a pontuação máxima de uma questão da prova, contra o menor valor de 10. Sem dúvida, trata-se de uma questão muito importante, mais até do que a queda de Roma ou a Revolução Francesa.

Enfim, a parte principal, que deixei para o final. Na prova de Ciências Humanas, na 1ª fase(Questões de 11 a 28), diz a primeira:

"A análise do texto ( um trecho de M. Chauí e Oliveira que diz que a Filosofia exprime as questões colocadas pelo homem em cada época, que "procura enfrentar essa novidade", sobretudo "propondo novas perguntas") e os conhecimentos sobre o pensamento filosófico (grifo deles, mesmo) nas diversas fases da História permitem afirmar que a Filosofia:

(01) proposta por Santo Agostinho expressou a busca da conciliação entre as crenças do cristianismo - uma nova religião - e o pensamento filosófico greco-romano, introduzindo o conceito de dogma para impedir o avanço do pensamento crítico."

Além da ênfase de valor duvidoso sobre o enfoque da Filosofia sobre a novidade, essa questão traz uma agressão absurda, estupidamente inconsequente e preconceituosa ao pensamento agostiniano, fundamental para o pensamento religioso de muitas pessoas devido a sua importância para a Igreja e até para os luteranos, pelo menos. Segundo ela, Sto. Agostinho introduziu "o conceito de dogma para impedir o avanço do pensamento crítico." O(s) resposável(eis) por isso não merece(m) respeito, pois abdicou de toda seriedade e cientificidade para exigir apenas conhecimentos objetivos, e cobrou a adesão a uma opinião sem comprovação, anti-cristã e anti-católica, para que o candidato recebesse a pontuação correspondente.

A questão 13 traz uma porcaria de trecho dizendo "Considerada por uns um direito inviolável do ser humano e, por outros, um patrimônio que deve ser utilizado produtivamente pelas diversas gerações, a idéia de propriedade privada da terra segue sendo interpretada como conquista adquirida, seja ela política ou econômica."

A partir das informações do texto e com base nos conhecimentos sobre propriedade privada, pode-se afirmar:

(16) O direito à propriedade privada, praticado na sociedade industrial capitalista, aprofundou as desigualdades sociais.

(64) A permanência da concentração da propriedade da terra e a expansão do agronegócio, no Brasil dos dias atuais, contribuem para aprofundar os conflitos sociais em torno da política de assentamentos."

Primeiramente, o leitor da questão deve decidir se é a favor da propriedade enquanto "um direito inviolável do ser humano" ou "um patrimônio que deve ser utilizado produtivamente pelas diversas gerações". A vigarice intelectual do trecho de Andrioli reflete o caráter de quem formulou a questão. O confronto entre capitalismo e socialismo demonstrou que os bens são utilizados mais produtivamente no primeiro do que no segundo, ou seja, enquanto propriedade privada. E precisa concordar com as supracitadas proposições para receber a pontuação, coisa que me recusei a fazer.

Uma diz "O direito à propriedade privada, praticado na sociedade industrial capitalista, aprofundou as desigualdades sociais."; mas como se pode mensurar isso? O capitalismo trouxe novas desigualdades, sim, decorrentes de novas formas de distribuição de riqueza. Mas, sendo que nos séculos anteriores haviam formas de desigualdade fortemente estabelecidades de desde antes do nascimento da pessoa, contra a qual esta não podia fazer muita coisa, diferentemente do capitalismo que permite a competição, no caso a desigualdade do Antigo Regime que confrontava camponeses pobres com uns poucos "nobres" imersos num luxo ostentoso e plenamente reconhecida por títulos, plenamente estabelecida, como se pode dizer que "o direito à propriedade privada aprofundou as desigualdades sociais"?! O avaliador pode demonstrar que a desigualdade do capitalismo é mais profunda que a anterior? Tal questão é sem objetividade, sem base material, concreta, só servindo para despertar sentimentos anti-capitalistas nos concorrentes a uma vaga na universidade, com base no difundido preconceito contra a desigualdade.

E a que diz " A permanência da concentração da propriedade da terra e a expansão do agronegócio, no Brasil dos dias atuais, contribuem para aprofundar os conflitos sociais em torno da política de assentamentos." não é, contrariamente ao que diz o gabarito, verdadeira, mas sim, falsa. O que aprofunda tais conflitos é a ideologia esquerdista que procura semear a discórdia em todos os espaços da sociedade, inclusive no campo. Existe muita terra disponível no Brasil, para quem desejar consegui-la de forma civilizada. Num encontro da comunidade católica "Comunhão e Libertação", um casal (não lembro do nome, mas qualquer um do movimento os conhece, pois são duas pessoas muito importantes para a CL) deu seu valiosíssimo depoimento sobre como se afastaram da influência da Comissão Pastoral da Terra, dominada pela Teologia da Libertação, cujo procedimento consistia em invadir terras e exigir do governo a sua propriedade. Tal método nunca rendera fruto nenhum (nem creio que seja esta a intenção, dar a alguém uma vida boa sob o capitalismo, fazendo-o se conformar com o sitema em vez de procurar a revolução) mas quando iniciaram um novo grupo que se mobilizou para amealhar dinheiro e comprar terras à venda, conseguiram adquirir uma boa fazenda que lotearam e fizeram progredir espantosamente, de forma que cada vez mais e mais pessoas decidiram fazer parte, mesmo não sendo católicas mas muitas vezes protestantes, pois hoje há ali inclusive ensino superior. Então, os conflitos dos quais esses heróis participaram no tempo em que eram manipulados pela CPT eram causados pela concentração fundiária ou pela ideologia revolucionária? Resolve-se um problema eliminando-se a sua causa; se eles resolveram sem abolir a "concentração da propriedade da terra" é porque este não era o motivo.

A proposição também é errada pelo que diz do avanço do agronegócio como outra causa desse problema; é mais outra falácia. O agronegócio não é bom só para grandes proprietários, mas também pode ser muito útil e favorável para as propriedades familiares, como são denominadas as pequenas (não creio que as grandes não o sejam, só por causa do fato de não trabalharem pai, mãe e filhos na roça), conforme explicou uma vez um monitor numa disciplina da faculdade. Conforme ele ensinou, a família pode valorizar o produto de sua atividade ingressando no agronegócio, e há no Brasil terras disponíveis para plantio equivalentes à área dos EUA.

O que há, tanto na questão 11 quanto na 13, é simplesmente o seguinte: o avaliador está numa posição de poder, pois como explicou Foucault há na sociedade diversos poderes efetivos além dos oficiais, como os de presidentes, governadores etc. A bibliotecária que pode lhe recusar o empréstimo de um livro possui poder, numa escala micro. E o que ele faz com isso, nos casos em discussão, é simplesmente utilizar da força que possui para violentar a consciência de quem responde a prova, pois assim como um prisioneiro tem de dizer ao seu torturador o que este quer ouvir, sob pena de continuar sendo castigado, o candidato é constrangido a assentir com o que o(s) avaliador(es) deseja(m). Suas proposições são controvertidas, não unânimes nem provadas; não se trata da autoridade do conhecimento, mas do cargo.

A questão 16 traz um texto de um jornalista da Veja sobre novos índios descobertos, que nunca tiveram contato com não-silvícolas, e que diz que pelas estimativas há na Amazônia Legal quase setenta tribos de índios isolados - ou seja, que rejeitaram ou não tiveram nenhum contato com não índios. A política da FUNAI em relação a esses grupos é de não-interferência. Não foi sempre assim."

(08) "O extermínio das nações indígenas das áreas litorâneas e interioranas do país, ao longo de sua história, resultou da incapacidade de aqueles povos se adequarem às formas superiores e civilizadas da sociedade que se constituiu no Brasil."

(16) "A imagem dos "homens vermelhos", como descrita no texto, confrontada com imagens conhecidas dos índios xavantes e dos ianomâmis, indicam a existência de profunda diversidade étnica e cultural entre os povos indígenas do Brasil atual, contestando a interpretação homogênea da cultura indígena atualmente em voga no país.

O extermínio indígena aconteceu por causa da violência alheia, concordo; mas o problema é a negação embutida da idéia de formas superiores de nossa sociedade. Para mim e para muitos, a sociedade que foi constituída no Brasil sob a direção portuguesa é superior à de uma tribo onde se comem outros índios para adquirir suas qualidades, e onde se cometem outras barbaridades. E, se índios recusaram-se a adotar formas superiores de comportamento, pioraram sim as coisas para eles. Mas a formulação das questões também pecam por ambiguidade. Qual é "a interpretação homogênea da cultura indígena atualmente em voga no país"? Eu estou acostumado a ouvir repetir que os índios possuem diferenças culturais e blá blá blá etc etc. Então, há ao menos duas interpretações em vogas no país, a "homogênea" - palavra colocada de maneira equivocada, deveria ser "homogeneizadora" ou "homogenista", pois "homogênea" está sintaticamente errada. Fora isso, dizer que existem "profundas diferenças" devido ao fato de grupos de índios diferentes se pintar de tal ou qual jeito é muita "forçação de barra". O antropólogo é muito acostumado a observar as diferenças, mas muitas pessoas vêem mais semelhanças que diferenças entre índios que caçam e pescam e cultuam forças naturais. Vejo um pouco de razão nos dois lados, especialmente no segundo.

Mas algo muito importante, que não deve se deixar batido, está no texto citado no enunciado, que fala de índios "que rejeitaram ou não tiveram nenhum contato com não índios. A política da FUNAI em relação a esses grupos é de não-interferência. Não foi sempre assim." O final, "não foi sempre assim", provoca no leitor uma simpatia pela política da FUNAI ao remeter à oposição entre a política de interferência, que causou mortes e desaculturação, e a política da FUNAI, que deixa os índios no seu canto; faz parecer que resolvemos um problema, que adotamos a atitude que não foi tomada antes, mas deveria. No entanto, é triste saber que a tribos indígenas não foram dadas oportunidades de conhecer nosso modo de vida e adotar o que tiver de melhor em cada um para eles. Leiam: "que rejeitaram ou não tiveram nenhum contato com não índios". Em várias tribos na Amazônia, crianças indígenas (e não estou falando de aborto, mas de seres cuja humanidade os abortistas ainda não contestam, de seres que já nasceram, andam, falam e choram, ou, choram visivelmente) são mortas devido à política de "deixar de lado" da FUNAI. A quem não chegou a repercussão do caso de Hakani, veja http://www.midiasemmascara.org/?p=7442 ou diretamente no site Hakani.org ; reparem especialmente na reação de um ex-presidente da FUNAI, muito significativa para o que abordo.

Eliminei de minha análise outras questões que originariamente eu havia incluído nesse texto. Não pretenderei completude dessa vez, e acredito que o que foi escrito mostra, com bastante evidência, um certo espírito presente na prova do vestibular da UFBA, e que é muito lamentável mas não surpreendente, porque reflete um espírito muito forte em nosso meio acadêmico hodierno. Retorno agora para a questão do Exemplo 1, para concluí-la: a Universidade é espaço para "progressistas", para esquerdistas, os conservadores não fazem jus a ela? Há, sem dúvida, grandes nomes da intelectualidade conservadora, mas esse fato é desprezado pelos que se arrogam donos da sabedoria conferida pela academia; basta pensar em pessoas como Gilberto Freyre, Miguel Reale, François Furet, Pierre Chaunu, Allan Bloom para se dar conta disso. Serei breve em meu desfecho: cabe aos insatisfeitos com a situação denunciada lutar para garantir seu espaço e sua liberdade na academia. A esquerda tem projetos de poder, ela pensa em termos de "ocupação de espaços", de hegemonia; quem não fazer nada contra, poderá perder tudo para a intelligentsia, e talvez isto não seja oposto ao merecimento de quem se omite. Enquanto estivermos no ambiente universitário, devemos nele agir de acordo com nossas idéias, mas sempre tendo em vista o bem maior que é a verdade, a que nós e nosso pensamento deve se submeter, e nunca o contrário. E que possamos ajudar a UFBA a ser uma grande universidade, e que seu "compromisso social" seja sério e responsável, uma efetivo comprometimento com a bem comum da sociedade e com a civilização que a ampara.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Leia "Tribalismo Indígena..." e entenda o que se passa com os índios




Há 30 anos, o Brasil tomava conhecimento da existência de uma corrente de missionários contrária à catequização e à civilização dos índios. Segundo sua doutrina, os silvícolas devem manter seu primitivismo, tipo humano ideal do III milênio.

Tal revelação foi feita por Plínio Corrêa de Oliveira em sua obra Tribalismo Indígena (1977) – matéria da Parte I da presente edição – que contou com sete edições, perfazendo 76 mil exemplares de tiragem.

Hoje, uma avalanche demarcatória de terras indígenas atropela o direito de propriedade através de decretos e portarias, aliás, sem nenhum amparo constitucional. O governo Lula anunciou mais 129 áreas a ser delimitadas até 2010.

Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves, autores da Parte II, visitaram a reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, e apontaram a ameaça à soberania nacional naquela região de fronteira.

A FUNAI, num afã demarcatório acaba de delimitar no Mato Grosso do Sul – região fronteiriça com o Paraguai – novas reservas que podem alcançar 12 milhões de hectares de terras férteis e produtivas.

Tais medidas vêm despertando reações indignadas por todo o Brasil. A questão indígena acrescida à Reforma Agrária, à Revolução Quilombola e às questões ambientais forma um quadro impressionante de coletivização das terras brasileiras.

Este livro entra no âmago da questão indígena!

Vejam no mapa o tamanho da encrenca!


Quem quer essa confusão toda para o Brasil?

Aliás, já estamos nela!

Terras indígenas = amarelo
Assentamentos = vermelho
Acampamentos da Reforma Agrária = verdes
Terras de quilombolas = azuis
Não se encontram no mapa as áreas de reservas ambientais...

Fonte do mapa: IBGE, MAPA, Conab, ABRAF, NCRA, MMA. CNA

O Conselho Indigenista Missionário, a CNBB, o governo federal, governos estrangeiros e ONGs querem fragmentar e coletivizar as terras do País. Para quê?

SOLICITE SEU EXEMPLAR AGORA. Editora Artpress, 255 páginas, ilustrado:
http://www.artpress.com.br/ De: R$ 28,70 por: R$ 25,00

(fonte: Blog GPS do Agronegócio)