domingo, 7 de dezembro de 2008

A Festa na Sefaz

Quem mora em Salvador possivelmente tem acompanhado, mesmo que por alto, o embate que anda ocorrendo entre os Agentes de Tributos e os Auditores Fiscais. Muitas pessoas não sabem, mas não é apenas um projeto, inconstitucional vale frisar, de reestruturação da carreira do fisco, mas sim uma minuciosa estratégia de ideologização do governo e partidarização das estruturais estatais.

De forma sucinta, o Secretário Estadual da Fazenda, Carlos Martins, aquele que foi tesoureiro da campanha de Wagner, defende uma proposta que desconstrói a função de Auditor Fiscal, dando poderes e incumbências próprias para os Agentes de Tributos de nível médio. Dessa forma esse projeto se coloca em total oposição àquilo que foi recomendado formalmente pelo Ministério Público Estadual.

Os Auditores Fiscais se uniram em defesa dos seus cargos e funções. Não é para menos. Estamos quase vivendo um conto de fadas. Aqui na Bahia 1.224 pessoas vão dormir Agentes de Tributos ou Auxiliares de Fiscalização de Auditores Fiscais e vão acordar Auditores Fiscais. Na verdade não vão se tornar Auditores Fiscais essencialmente, já que não passaram pelo único método legal e lícito de aprovação; o concurso, entretanto, de fato, em terras petistas o poder do Estado e a necessidade basilar de absolutizar um projeto ideológico de governo se colocam a frente de leis, normas, éditos, funções.

A tentativa do PT de partidarizar a Sefaz é clara. Na verdade esse projeto do governo Wagner não é nada assustador para aqueles que já conhecem os métodos do atual Partidão. A invasão das estruturais estatais, a partidarização do serviço público, a criação de um exército de devedores ao PT, entre outras estratégias, massificam um projeto ideológico, possibilitam uma soberania política. Quem precisa da maioria na Assembléia, por exemplo, se justamente os órgãos, secretarias, os braços do Estado estão tomados por agentes petistas?

Com esse projeto sorrateiro o PT instaurou um clima de tensão na Sefaz. Onde antes havia eficiência, rapidez, serviço de qualidade, hoje reina a discussão política, picuinha partidária, divisão, retrocesso. Uma Divisão de Classes? Não, uma "Divisão de Cargos", entretanto, pelo jeito, o PT, relembrando seu passado escancaradamente socialista, ainda sabe a eficiência da ideologização e disseminação da "paixão panfletária". Se a Divisão de Classes era associada à divisão do trabalho, com a burguesia representando seus interesses no modo de produção por ela criado, hoje já se ouve nas ruas o discurso de que os Auditores Fiscais são ricos-esbanjadores-egoístas que querem impedir o acesso dos Agentes de Tributos a melhores cargos e salários. Esse embate não é um choque de classes, não se trata de um problema social, mas, para o PT, é interessante estimular o fogo politiqueiro já que desse modo inflama as massas por ele controladas; os bons e velhos “idiotas úteis”. Não por menos (ironia do destino?) o sindicato dos Agentes de Tributos é coordenado pelo PC do B, aliado do PT na eleição de Wagner.

Que eles estudem, façam concurso e ganhem um salário proporcional ao esforço que tiveram. Entretanto, como estamos falando de um governo petista, nada melhor do que coroá-los com prerrogativas, sem motivo algum, com uma simples alteração de lei.

Mostre sua indignação:

http://www.lutepeloseudireito.com.br/

Pedro Ravazzano

2 comentários:

Bill disse...

Muito bom o texto... Esse governo de Wagareza tá difícil de aguentar. Metade do tempo não faz nada, na outra metade faz besteira.

Qual será o interesse do PT em aparelhar a máquina de arrecadação? São bilhões passando por ali todos os meses. Eu tenho é medo...

Marco Aurélio disse...

Parabéns pelo texto, muito inteligente. O PT e o PCdoB estão querendo, com esse projeto da SEFAZ é criar uma massa de subordinados aos seus projetos políticos.