segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Apelo em favor da visibilidade do nascituro

A esquerda fez-se especialista em estudar as relações de domínio, opressão, acatamento de autoridade ( a “hegemonia”), enfim, tudo que tem a ver com poder, na sociedade. (Para o leitor que não estiver familiarizado, aviso que uso “esquerda” aqui no mesmo sentido em que a usa Olavo de Carvalho, ou seja, de classe revolucionária; quem for de esquerda e ver que o que escrevo adiante não se lhe aplica é, nesse sentido, um esquerdista mais moderado.) Tal estudo é menos útil para entender a natureza ou legitimidade/ilegitimidade dessa autoridade do que para desenvolver táticas e estratégias de luta; a legitimidade dessa luta é tomada como pressuposto quase inqüestionável (às vezes, nem tão “quase”...). Essas premissas levam à conclusão fatídica de que a esquerda não observa a violência e opressão para extingui-las, mas para manipular a sociedade, moldando-a a seu bel-prazer.

Tive a idéia que trago para esse artigo há poucos dias; consiste numa formulação súbita a partir de informações que eu já carregava na mente. Acho que quase sempre - no mínimo- quando temos uma idéia repentina, o que fizemos foi tirar do que sabíamos a conclusão que não havíamos explicitado com clareza. Explico a tal idéia.
A esquerda sempre reclama da opressão, da violência (não da violência enquanto criminalidade, mas a violência “burguesa”, do patrão etc etc) e afins. E essa esquerda, depois da Escola de Frankfurt, de Gramsci, Foucault e certamente muitos outros, (chamada às vezes “esquerda-cultural”) tornou-se muito sutil nas suas observações sobre representação, sobre simbologias, sobre sentimentos e ideologias – não a ideologia enquanto um corpo de idéias exposto por um ideólogo que o defenda, mas aquela que não raro é muito mais relevante e que se refere à idéias internalizadas que o indivíduo reproduz e difunde diariamente, muitas vezes, sem perceber. Isso aconteceu porque a esquerda não conseguiu realizar seus projetos apenas por meio de ações político-econômico-institucionais, e as pessoas, inclusive seus militantes, costumavam carregar consigo certos sentimentos e opiniões favoráveis ao que o movimento procurava combater. E aquela referida sutileza é muito superior à de seus adversários, e geralmente não encontra reação proporcional. Vou citar só um exemplo; lembrem-se de que o que me interessa no momento, para explicar o que escrevo, não é o que a esquerda está combatendo, que às vezes pode mesmo ser algo mau; interessa-me o modo pelo qual ela o faz.

O movimento negro, para combater o racismo contra os negros, lutou para que houvesse lei garantindo que haveria uma cota mínima de pessoas
escuras em comerciais de TV, por exemplo. Por um motivo simples: o que é visto habitualmente desperta cada vez menos estranheza. A presença esmagadora de brancos na televisão teria o efeito de fazer com que as próprias pessoas negras preferissem ver pessoas brancas, introjetando, assimilando assim, uma atitude que lhe seria desfavorável. Racionalmente, as pessoas buscam o que é melhor para si, mas esse poderoso mecanismo supera o racional e não chama a atenção da maioria dos indivíduos, e consiste em visibilizar ou invizibilizar, sendo aplicado para conteúdos diferentes para os quais é transposto: é o “beijaço” para atacar a repulsa ao homossexualismo, o dia da visibilidade lésbica (29 de agosto, bem no meu aniversário), o “fora do armário” etc. Mas o que me interessa aqui é uma aplicação transversa dessa tática; o artigo é, na verdade, para ela, tudo o anterior é introdução.
Você já ouviu isso: “a mulher tem direito ao seu próprio corpo”? Sim, é isso mesmo. O embrião, feto, ou simplesmente, nascituro, não aparece no discurso (esta palavra é muito cara à esquerda a que me refiro, e consiste numa arma de luta ideológica). Quando se diz “a mulher tem direito ao seu próprio corpo”, tenta-se fazer com que o interlocutor não dirija sua atenção àquele ser inocente e indefeso que já é um ser vivo particular, embora dependente; insinua-se que a questão só interessa á mulher, e que só ela está envolvida. Não há terceiros – há, sim, mas se forem bem ocultados, é como se não houvessem. E, melhor, até deixarão de haver mesmo. Eu escrevi “terceiros”. Refiro-me também ao pai, ainda menos mencionado na discussão (ou melhor, “invizibilizado”). A mulher não engravida só pelo “seu próprio corpo”; foi necessário o sêmen do homem, do qual o útero foi repositório. A mulher pode fazer o que bem quiser com o que carrega dentro do seu ventre (sim tem “algo” lá, mesmo que os abortistas evitem evidenciar isso)? E o banco, pode dar cabo do dinheiro que guarda, que recebeu dos clientes? Essa analogia é bem conhecida, e procede. O ser que há dentro da gestante tem um pai. Mas isso é secundário, e só usei para ilustrar a tática retórica e argumentativa da invizibilização, para mostrar como é ampla e não oculta somente (se esforça horrendamente por ocultar) o principal envolvido.

Um dos principais responsáveis pela pioneira legalização do aborto nos EUA foi o médico Bernard Nathanson – isso, um homem. Ele, como líder do movimento pró-aborto, participou da criação de uma argumentação fraudulenta para defender a legalização, e admitiu que estes foram exportados para a legalização do abortamento nos outros países. Ele foi sócio, ou dono, de um clínica de abortos nos EUA após a vitória judicial, onde se realizava uns cem procedimentos por dia. (Procure “Eu fiz mais de 5000 abortos”, no site do Pró-Vida Anápolis). Médicos, enfermeiros e funcionários passaram a sofrer de pesadelos, e o próprio Dr.Nathanson inclusive; infelizmente, eles viam os fetos que eram abortados, viam os pedaços destes que eram jogados ao lixo, e aquilo ficava na cabeça deles. Às vezes o feto não morre no procedimento, e então é morto depois. Para quem tem um resto de consciência ainda...

Depois, Dr.Nathanson foi trabalhar num hospital onde tornou-se responsável por uma seção na qual lidou com algo chamado... fetologia. Com tecnologias modernas, era possível fazer não só exames, mas cirurgias em fetos dentro da barriga das mães. Para isso, o feto teve de ser visível para ele, para que pudesse tornar-se seu paciente. E o doutor concluiu, depois de conhecer o feto, que não se pode dizer que não são seres humanos. Vejam o caso desse sujeito (“ver”, que verbo verdadeiramente fundamental!), para quem tornou-se absurdo algum cientista dizer que o feto não é gente. Arrependido, ele confessou todas suas maldades, e advertiu que a retórica enganadora engendrada nos EUA estava servindo para defender o aborto mundo afora. ( Vale ressaltar que um dos truques foi convencer a opinião pública americana de que a proibição do aborto era uma manipulação da Igreja Católica no país – tinha que ser, né?)

Alguns projetos de leis atuais prevêem que a mulher que queira abortar, nos casos em que a prática é liberada, tenha que assistir a um vídeo que mostre como é esse procedimento. Na lista de discussões por emails de História, não se fez ausente a oposição a essa idéia. Assim fica menos fácil para a mulher optar pelo aborto, o que é, evidentemente, uma coisa muito má, um constrangimento nojento. A mulher não deve saber o que está acontecendo ao ser que ajudou a gerar; óbvio que isso só pode demonstrar que o aborto é uma coisa medonha, feia, ruim, triste. A verdade tem de vir à tona, pois a arma histórica dos feministas abortistas é a mentira. Para isso, peço a cada leitor, a cada leitora que conheça um homem de igreja, um empresário, um médico ou profissional da saúde, que conheça alguém que possa dar sua influência benéfica, que ajude a construir um dia da visibilidade do nascituro, no qual especialistas mostrem para as pessoas as características que o nascituro possui nos diferentes estágios da gestação, que mostre o desenvolvimento desde à fecundação ao nascimento e crescimento; que pensariam as pessoas se pudessem ver um vídeo que lhes mostrasse um feto sendo sugado e despedaçado por uma máquina abortífera, e que amplificasse a sonoridade para mostrar às pessoas que o feto emite um grito quando está sendo destruído?! Que pensariam ao vê-lo tentando resistir à sucção da máquina?! Ao ver que o feto esforça-se por sobreviver, desde o primeiro momento em que libera sinais que fazem com que o corpo da mulher reconheça a sua presença e não o aborte por meio de certos hormânios?! Sim, o corpo da mulher “vê” o feto! Mulher, enxergue também o feto no seu corpo, é o seu filho, ou sua filha! Vez em quando, descobre-se que o feto á capaz de algo; vejam a foto que mostro do feto que agarrou o dedo do médico. Emocionante era uma vinheta do Animal Planet que mostrava um feto mamando numa seringa! As pessoas precisam ver essas coisas. Não se enganem: o povo brasileiro vai tornando-se cada vez mais favorável ao aborto.

A outra imagem foi retirado do site O Globo.

6 comentários:

Vladimir Lachance disse...

Excelente texto Fabrício. O argumento de que somente a mulher pode decidir sobre o aborto transforma mais uma questão que toca a toda a sociedade em uma posição pessoal, assim como no caso de "ser negro no Brasil": cabe ao indivíduo decidir se é negro ou não. Essas pessoas, ou não tem nenhuma noção de como funciona a vida em sociedade, ou sabem e querem fundar uma nova sociedade, fundamentada no caos.

Patricia Barboza disse...

Bravo!!Ótimo texto meu caro.
O buscar melhor para si se torna completamente ruim quando esse melhor prejudica o outro, é uma atitude extremamente egoista da mesm forma quando muitos querem decidir pela vida de alguém que não tem como se defender... eu fico pensando onde vamos parar com tanta atitude egoista, nem a mulher nem ninguem tem o direito de decidir pela vida que por Deus foi concedida, e me entristece cada vez mais quando pessoas q se dizem Cristãs toma atitudes assim, como segue a reportagem nesse link: http://www.folhauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=981&cod=139848&edicao=865

Deus o abençoe, e que esse seu texto sirva de exemplo para muitos.
Graça e Paz!

Fabrício Oliveira Soares disse...

Olá, obrigado meninas! Obrigado pelos dois comentários, elogiosos e incentivadores. É enormemente constrangedor quando, em certas situações, tenho de enfrentar esse tema do aborto diante de defensoras, e até defensores da legalização e, ao meu lado, só tem homens. É muito significativo que os dois comentários que meu artigo recebeu venham de duas moças. E, querida Patrícia, a IURD é nojenta, não tem nem como ter algum respeito por essa entidade traiçoeira, li esse artigo que você enviou, é chocante ver como citam feministas, Temporão e outros bem dignos de serem citados por cristãos, para atacar a Igreja. Vergonhoso. Mas eu quero chamar a atenção para uma coisa, que talvez eu não tenha dado o devido destaque, e que está no parágrafo final do texto: esse artigo tem uma finalidade prática, que é servir de base para a organização de algum seminário, ou algo do tipo, onde se mostre informações sobre o feto e o desenvolvimento fetal. Conversem sobre isso com pessoas que possam se engajar nisso, ok?
Abraços!

Vladimir Lachance disse...

Fabrício, só pra lembrar: o primeiro comentário foi meu, hehehe. Você colocou que os dois comentários foram de meninas, mas não foram. Sim, eu entendi o sentido do texto, por sinal, aqui em Salvador tem uma organização pró-vida. Se não me engano é na Pituba. Podemos marcar um dia pra conhecer, pq eu nunca fui. Se estiver disposto podemos ir!

Diogo disse...

Olá Fabrício! Sou aquele seu colega de Daniel Lisboa/Barra-R2! rsrs
Grande texto! O argumento abortista é de uma fajuteza tão grande que o que realmente me amedronta é o que o ainda lhe dá voz.

Fabrício Oliveira Soares disse...

Ôpa, Vladimir, me desculpe! Que fora que eu dei dessa vez, hehehe! Pensei que foi Luciana que tinha comentado, foi por causa das postagens anteriores! Que loucura a minha,hahahaha, mas essa foi engraçada, kkkkkk!!!
Olá Diogo, fico muito feliz com o seu comentário! Não tinha conversado com você sobre esse assunto antes, fico muito feliz por ler esse seu comentário, por saber que essa é a sua opinião.
Grande abraço!