terça-feira, 8 de junho de 2010

Los kamaradas del Padre

Aproveito o início do período de provas para arejar a cabeça respondendo a um comentário tão, digamos, edificante. Não é que Pe. Fábio até hoje faz sucesso nesse blog? Que coisa boa! Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

O comentário a ser refletido foi feito num dos textos que escrevi a respeito de certas atitudes estranhas e exóticas a um Sacerdote. Como bem pontuei no artigo, a consciência de Pe. Fábio não deve - e não pode - ser julgada, não obstante, os seus atos concretos, assim como os de qualquer pessoa, são passíveis de análise, até porque, como o ex-dehoniano bem sabe, tudo que diz torna-se assunto midiático.

O nosso leitor kamarada comentou; "Olha só, Pe Fábio é pecador com qualquer pessoa no mundo incluindo aí até o Papa!" De certo! Somos indignos filhos da Cruz, pecadores, carregamos a conseqüência da ofensa dos primeiros pais ao Deus Altíssimo. A Virgem Santíssima foi a única criatura sem mancha pensada pelo Senhor. Ademais, esse tipo de argumentação parte de um princípio apaixonado e sentimental de retórica, como se criticar as atitudes do Sacerdote fosse anatemizá-lo, reflexo obrigatório de um ultamontanismo exagerado, como quis dar a entender ao citar o Papa.

Em seguida continua; "Ele vai pregar junto aos pecadores como fez Jesus, e é perseguido por pessoas que se encaixam muito bem no papel de Fariseus" Vejamos! O kamarada alega que nós nos encaixamos no papel dos fariseus por "julgarmos" o Pe. Fábio, mas ora, quando ele nos coloca como fariseus não está justamente nos julgando farisaicamente?! Rasguem as vestes!! Julgar Pe. Fábio não pode, julgar católicos-reacionários-conservadores-opressores pode!

O kamarada diz, então; “Quanto as opiniões do Padre Fábio defendo todas, veja bem: não se trata de aceitar o homossexualismo, mas se continuarmos simplesmente os tratando como escória eles NUNCA vão aceitar Jesus como salvador. Temos que manter um diálogo!” Defende todas? Até quando o Sacerdote se coloca abertamente contrário aos ensinamentos da Igreja? Justamente a Igreja que legitima o sacerdócio que o respalda para ensinar? Se você opta pelos pareceres do Padre em detrimento daqueles do Magistério está vivendo uma crise relativista, afinal, é com e na Igreja, então negada, que o presbiterado é legitimado. Mas indo ao que interessa, Pe. Fábio disse, na tal entrevista, que se não tinha como mudar a forma como a Igreja interpretava os homossexuais, poderia mudar a forma como eram tratados. Ora, a Igreja, então, interpreta o homossexualismo de forma errada? A Igreja preciso rever seu posicionamento moral acerca dos desvios sexuais? E, ainda mais, Pe. Fábio fala publicamente de sua desavença a um ensinamento autorizado da Esposa de Cristo?! E o nosso kamarada concorda!

Entretanto, para melhorar o nível da discussão, eis que o companheiro do blog afirma; “Jesus socialista: O que Jesus quiz dizer com: "é mais fácil um camelo passar numa agulha do que um rico entrar no céu"? ou João Batista quanto disse: "quem tem duas túnicas dê a outra a teu irmão"? A campanha da fraternidade esse ano tem um tema socialista que está em Mateus:"não se pode servir a Deus e ao dinheiro" Até me arrepiei! Como eu não pensei nisso antes? Como a Igreja não enxergou algo tão claro contido nas Escrituras?! Ó céus! Ainda bem que existem leitores de blogue com sabedoria e conhecimento hermenêutica para abrir os olhos da Esposa de Cristo com 2000 mil anos de existência!

Por favor! Quanta presunção achar que uma leitura ideologizada, horizontal, materialista da Escritura, rompendo com a Tradição apostólica e com toda a herança espiritual cristã, tem mais autoridade para falar de paz, justiça, do que a Igreja instituída por Cristo. Nem vou repetir pela centésima vez as condenações do Magistério ao socialismo, só basta dizer que Pio IX, Leão XIII, Pio X, Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI condenaram o socialismo, alguns de forma direta, como nas encíclicas Rerum Novarum, Quadragesimo Anno etc, outros retomando a posição dos Pontífices antecessores.

Por fim, para fechar com chave de ouro, o kamarada afirma; “Quanto ao Padre ter saído da congregação: Acha melhor ele pregar pra beatos ou para pecadores?” Eu não vou entrar no âmbito da consciência do Sacerdote, mas o nosso leitor mostra a sua falta de entendimento a respeito de algo denominado Igreja! Primeiro, um religioso não prega para “beatos”, ainda mais aqueles que têm um carisma apostólico, como é o caso dos dehonianos. Segundo, se alguém é chamado a um carisma específico é porque o Senhor o quer trabalhando nessa espiritualidade e não será nenhum “libertador” que dirá que o importante é estar junto aos “pecadores” justamente em detrimento ao convite feito por Deus.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Breve reflexão

Constatar a situação do mundo moderno é confirmar a sua vocação de cristão e arauto da Verdade. Um homem que busca vivenciar integralmente a mensagem de Nosso Senhor deve ter a obrigação de, ao enxergar a sociedade atual, constatar a decadência interna – que reflete na exterioridade – do homem. De fato, a crise atual é uma crise metafísica, espiritual, civilizacional.

Andar de metrô, ir ao sebo, comprar um remédio na farmácia, é uma verdadeira experiência antropológica. Não quero aqui parecer essencialmente pessimista – mesmo sabendo que o sou parcialmente. Concretamente, o homem é capaz de alçar vôos colossais e de, na sua grandiosidade, reduzir-se ao estado de animal. Nesse sentido, nós somos frutos das revoluções; o Renascimento absolutizou o homem, a Reforma deu a ele a autonomia espiritual e a “liberdade” definitiva e a Revolução Francesa - a Reforma no Estado, como dizia Dr. Plínio - exterminou as estruturas “medievais” e inaugurou, definitivamente, a nova sociedade do novo homem.

Lutero disse não à Igreja, Voltaire disse não a Cristo e Nietzsche, por fim, decretou a morte de Deus!

O homem está “livre”, mas na sua liberdade vive a mais profunda angústia! Inicia-se a sua auto-destruição!

sábado, 1 de maio de 2010

Lágrimas de crocodilo

A Igreja vem passando por um momento conturbado e preocupante, de ataques ferozes à instituição voltados, principalmente, à figura do Santo Padre. Tamanha violência - que me parece muito bem orquestrada - parte de um dado real e verídico; os escândalos sexuais. Entretanto, a cruzada, em sua real intenção, levantada contra a Esposa de Cristo, se origina numa motivação essencialmente revolucionária e anticlerical.

Nesse sentido, o não-crente, teoricamente, seria o primeiro, numa atitude compatível com a postura adotado por este, a pouco se interessar pelos assuntos que envolvem a Igreja Católica e a realidade religiosa. Não obstante, o empenho e esforço despendidos nas afrontas à hierarquia eclesiástica, à doutrina e aos princípios morais, refletem uma compreensão muito clara das bases civilizacionais. Sem dúvida alguma, podemos afirmar que o ataque ao Sumo Pontífice tem, como claro objetivo, macular aquele que, por direito e por tradição, tem autoridade e envergadura para falar em nome da ética, da moral e dos valores. A ânsia pela descontrução do respeito gozado pelo Papado é atestado da vontade do homem moderno de libertar a consciência da "opressão" moral tão bem representada e defendida no Trono Petrino.

Infelizmente, toda essa triste realidade reflete uma problemática mais profunda. A ascensão do liberalismo teológico, com sua terrível condescendência aos erros e a postura relativista diante da moral, fomentou o contexto no qual tomou forma um espírito diametralmente oposto ao necessário. O secularismo progressista, relativizando as estruturas formativas, assolou os seminários e a educação católica.

Ademais, não só o liberalismo propiciou o problema instaurado como também o inadequado discernimento vocacional. Jovens sem grandes expectativas de ascensão social, com problemas de índole moral e sozinhos diante do devido tratamento, buscam, infelizmente, na vida religiosa, a escapatória e o destino conveniente para os seus anseios.

Oxalá, a Igreja trata o problema de frente e busca, com sabedoria e prudência, contornar os erros que sancionam, mesmo que indiretamente, os escândalos que hoje enfrentamos!

domingo, 18 de abril de 2010

Mudanças em Los Angeles

O sucessor de Cardeal Mahony, Arcebispo de Los Angeles, nos Estados Unidos, já foi definido; o então Arcebispo de San Antonio, no Texas, José Horacio Gómez. Ironicamente, mesmo depois de um episcopado turbulento, com queda esmagadora no número de vocações, proliferação de escândalos sexuais envolvendo Sacerdotes, o Cardeal se engajou para fazer triunfar um nome tão progressista quanto ele na sucessão. Ora, seria para colocar a última pá de terra na Igreja de Los Angeles terrivelmente doente?

José Horacio Gómez é um Bispo conhecido pela suas posições claras e coesas; combate o lobby homossexual no país, não permite que vozes rebeldes ganhem espaço junto ao povo de Deus - como na vez que proibiu uma freira de discursar em favor da ordenação feminina na St. Mary's University - e de extrema fidelidade ao Papa recebendo, por exemplo, com grande estima o Summorum Pontificum, afirmando que preserva uma "rica herança e legado da Igreja". Ademais, é ligado ao Opus Dei.

Cardeal Mahony se preocupa com o quê? A Igreja de Los Angeles vive uma verdadeira crise, com escândalos no clero, números irrisórios de vida sacramental, índices baixos de vocações, mas ainda defende o modelo que destinou a sua diocese ao fracasso espiritual?

A Catedral de Los Angeles, com um custo de 250 milhões de doláres, sintetiza esse espírito! Ao lado dela a Catedral de Brasília é uma igreja gótica.

A reação de Cardeal Mahony quando soube da sucessão:

http://www.youtube.com/watch?v=fCJPmvfU4Ow

terça-feira, 13 de abril de 2010

Deixe sua assinatura em solidariedade ao Papa


Os perseguidores da Santa Igreja estão contando com nossa omissão.

Nas últimas semanas, Sua Santidade Bento XVI tem sido alvo de uma violenta onda de ataques contra sua Sagrada Pessoa. Com o apoio pernicioso de certos setores da imprensa e de grupos que se arvoram em atacar tudo que diz respeito a Deus e à Santa Igreja, este verdadeiro “tsunami publicitário” visa atingir a dignidade e a santidade da Cátedra de Pedro, com a intenção de minar o papel da Santa Igreja em nossa sociedade.

Por isso, convidamos a você, amigo católico, a enviar sua assinatura de apoio ao Papa, neste abaixo-assinado que será encaminhado ao Vaticano, por iniciativa do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Leia a carta que será enviada e confira como você pode assinar este abaixo-assinado de solidariedade a Bento XVI diante dos ataques e calúnias das últimas semanas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mundo moderno e seus valores "ad aeternum"

Há uma mania da mentalidade do homem dos nossos dias de transformar em valores eternos invenções recentissimas, estabelecendo com estas invenções uma relação de necessidade forçosa, como se não fosse possível conceber uma humanidade, uma idéia de mundo, em que não houvessem tais coisas. Itens completamente desconhecidos por mais de vinte séculos de ocidente, são tomados como realidades que não só se aplicam aos dias correntes, mas servem para explicar porque nas épocas anteriores as pessoas se comportavam de determinada maneira. Um exemplo muito claro disto se dá com a televisão: item de primeira necessidade na maior parte dos lares brasileiros, ao qual se ainda não se prestam cultos públicos, parece não está muito distante o dia em que irá acontecer. Certos comentários, que costumamos encarar levianamente demonstram este vício do "ad aeternum".
Por certo, a maioria de nós já ouviu a explicação de que antes, as pessoas tinham muitos filhos por que não havia televisão para distraí-las; na falta do que fazer, elas procriavam... Sim, a explicação pode ser encarada como uma brincadeirinha, um dito que se repete para distender os animos; mas, não se pode deixar de notar a presença da tendência que descrevemos acima. Há uma projeção exagerada de uma realidade que não chega a ter nem 100 anos e que acaba sendo estendida para uma interpretação das realidades familiares de mais de 2000 anos. A singela análise sociológica que deveria ser utilizada num sentido inverso, é utilizada para absolutizar aquilo que é efêmero: no caso, a televisão. Ou seja, a explicação poderia relacionar o fato da brusca diminuição da prole com o fenômeno recente da televisão, e não o contrário: dizer que pela falta dele, as famílias eram numerosas. E mesmo esta relação entre tv e diminuição do número de filhos não poderia explicar-se simplesmente pela idéia de que surgiu uma "distração", como se a união dos conjuges só se desse como forma de entretenimento, idéia esta também que só ganha corpo nos nossos tempos - de onde se vê mais uma vez esta tendência de "ad aeternum" do homem moderno.

Outra reivindicação moderna nos leva ao assunto da moral e Igreja: o uso de preservativo. É costumeiro ouvir protestos do tipo: "É absurdo que a Igreja queira impor seus valores morais para o mundo, ainda mais impedindo que as pessoas usem preservativo, como se vivessemos no séc. XIX!". E o argumento se repete. O mundo desconheceu o preservativo por séculos e séculos; a Igreja nunca precisou condenar tal uso pois ele nem sequer existia. Ela limitou-se a condenar uma invenção que também não chega aos 100 anos, provando que o mundo passou muito bem sem os preservativos por um longo período. O que, para os indignados com a postura da Igreja, é absurdo ser imposto, na verdade é o que sempre existiu. Eles pensam: "é impossível viver sem eles (os preservativos)!", voltando a eternizar aquilo que só é caro e afeito à sua própria mentalidade.

É este homem moderno que não se apega a dogmas, é ele que não tem preconceitos, é ele que grita aos quatro cantos que não se pode impor nenhuma regra moral, cultura e religião; este homem não consegue entender a moral, cultura e religião que forjou a ele mesmo; não consegue respeitar a tradição da qual ele é fruto (maldito, mas não deixa de ser fruto). Pedindo para os outros (índios, africanos, etc.), tirando de si mesmo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sabe por que a Bolsa de Valores de Paris não abre na Sexta-Feira Santa?

(O Beijo de Judas, Giotto)

"Tradicionalmente hoje [Sexta-Feira Santa] a Bolsa [de Paris] esta fechada, em desaprovação da vergonhosa tratação de Judas, o qual vendeu seu Mestre por 30 moedas".

Em francês:
"Traditionnellement aujourd'hui la Bourse est fermée, réprouvant la honteuse tractation de Judas qui vend son Maître pour 30 deniers"
Fonte: In "Saint du Jour" Direct Matin n° 651 - 2 avril 2010