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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Chesterton neles!

Não sei até que ponto seria leviano dizer que o homem moderno não é comprometido com a Verdade. Alguém poderia alegar dizendo que eu, sendo um homem moderno, também estaria abarcado nessa generalização. Entretanto, quero fazer uma distinção entre homem moderno e homem na modernidade.

Ora, a expressão "homem moderno", em sua gênese conceitual, como usada pela intelectualidade atual, pressupõe não apenas uma questão temporal mas sim - e principalmente - a redefinição da humanidade e do sentido da própria existência. Dentro dessa perspectiva progressista o homem não é mais tomado pela coerência do ser, mas pela vontade do ter. Ainda que os arautos da sociedade igualitária advoguem que o materialismo capitalista é o responsável pelos males do mundo, o fato concreto é que as teses marxistas se fundamentam num materialismo muito mais profundo - ainda que essencialmente contraditório, mas isso é tema para outro artigo.

Gosto muito das inteligentes e irônicas intervenções chestertonianas. O grande autor inglês, que comentara a respeito da "explosão" de vícios e virtudes depois da Reforma, afirmou que o homem fora concebido para duvidar de si mesmo, não no sentido de depreciar a própria existência, mas de fiar-se na Verdade objetiva. Não obstante, o homem moderno é aquele que não só crê em si mesmo e no seu caráter absoluto como duvida da razão divina. Nessa dupla dinâmica, de soerguimento do homem e do repúdio ao conhecimento verdadeiro, surge o reino do relativismo.

"Estamos em vias de produzir uma raça de homens mentalmente modestos demais para acreditar na tabuada. "
A filosofia do "acreditar em si mesmo", como relatada por Chesterton, em nada se diferencia do "seguir a consciência" - verdadeiro veneno para a consciência como mostra a teologia moral - tão em voga na atualidade. Sem dúvida, uma crença deveras supersticiosa como esta é "uma das marcas mais comuns de um patife", até porque "Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos."

Se continuarmos assim iremos conviver com homens que sequer se reconhecem diante do espelho!