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| São Pedro Chanel Missionário cristão e inimigo da pluralidade |
O relativismo religioso sempre me pareceu uma posição extremamente ilógica, principalmente para um crente. Desde os meus tempos de ateísmo sempre julguei essa postura muito pueril, quase sempre acompanhada de uma leitura romântica e sentimental da religião. O relativismo se tornou num grito de desespero do homem religioso, na tentativa de coadunar a sua crença com as pautas da modernidade. Contudo, não apenas vai na contramão dos ensinamentos da Igreja, como também gera um rompimento total com a história do cristianismo.
A Igreja já se pronunciou algumas vezes sobre a problemática do relativismo religioso. Diversos documentos tratam dessa questão – “Redemptoris Missio”, “Dominus Iesus” etc. Entretanto, o relativismo religioso se opõe não apenas aos escritos magisteriais, mas às noções basilares do cristianismo e ao modo como a fé cristã se difundiu pelo mundo. Ser um relativista religioso é se opor ao mandato missionário de Cristo e a tudo aquilo que se seguiu depois da Sua Ascensão.
Se o relativismo fosse admitido como princípio, o cristianismo simplesmente se restringiria ao próprio Cristo. Só Ele poderia crer na Sua divindade e na Sua mensagem salvífica. Os Apóstolos e os discípulos deveriam buscar viver a sua fé judaica. O mandado missionário perderia a sua coesão lógica, afinal qual a razão de anunciar uma mensagem que não é universal e converter crentes de outras religiões que também são “verdadeiras”? O relativismo destrói justamente o caráter eterno do Evangelho, transformando a fé cristã numa mera conveniência de aspecto pessoal.
Entretanto, o relativismo desponta apenas na década de 50 e ganha força na década de 70. Uma posição relativista, além das graves consequências teológicas, acaba desmerecendo toda a história da Igreja. Os mártires se tornam nas pessoas mais estúpidas do cristianismo, morrendo em nome de uma crença que era tão verdadeira quanto aquela dos seus perseguidores, e os missionários em inimigos da diversidade, por anunciarem aquilo que acreditavam ser a plenitude da verdade. São Pedro Chanel, martirizado com golpes de machado na ilha de Futuna depois de testemunhar Cristo e batizar o filho do rei, de herói da fé torna-se, sob o olhar relativista, num inimigo da pluralidade. Pe. Remigius McCoy M.Afr., que por amor encabeçou a missão no norte do Gana, sendo o responsável pelo batismo de milhares de habitantes locais, transforma-se em artífice da opressão cristã.
O cristianismo é uma religião desprovida de caráter étnico, sendo uma crença de convertidos e que cresceu graças ao empenho da missão. Se o relativismo religioso é admitido como principio, deveríamos retornar às nossas crenças primitivas, aquelas que professávamos antes do advento dos missionários cristãos ostentando “opressivamente” o Evangelho. Negaríamos o que somos e o que fomos e nos envergonharíamos ao falar da história dos santos. A religião do relativismo é a religião querida pelo mundo contemporâneo. Uma fé que se torna em algo tão banal quanto a roupa que escolhemos para sair, quase como um analgésico para consciência cansada da modernidade vazia. Nessa nova crença a história de São Pedro Chanel é apenas um passado negro que deve ser esquecido.

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