
Detalhe de "O Rapto de Proserpina", de Bernini, obra exposta na Galleria Borghese, local construído pelo Cardeal Scipione Caffarelli-Borghese que reúne a sua coleção de arte
O poderoso Zeus, vencedor da guerra contra os Titãs e vingador do ódio de seu pai Cronos, só foi destronado de sua fortaleza olímpica quando galileus incultos aportaram nas grandes cidades da Grécia. A queda olimpiana foi proporcional ao empenho dos cristãos em proclamar e testemunhar o Evangelho de Nosso Senhor. Ao mesmo tempo, o amor pela verdade, beleza e bondade, como ensinado pela Igreja a mando de Cristo, fez com que no cristianismo as heranças helênicas não sobrevivessem como velharias antigas, mas, isto sim, tivessem um espaço importante na formação do homem presente. Destarte, reconhecendo que só somos no hoje quando nos reconhecemos como membros de uma continuidade histórica, cultural, civilizacional, a Igreja é e sempre foi a grande protetora e promotora do legado clássico.
O que isso tem a ver com Semana Santa? Aparentemente quase nada, mas devemos pensar que tudo aquilo que somos, temos, sabemos, desde as obras de Hesíodo, passando pelas composições de Mozart, pelas telas de Rembrandt e, porque também não, até pelos escritos de Marx, Sartre e Nietzsche, se deve a força da experiência profunda que os primeiros discípulos de Cristo tiveram com a Sua morte e gloriosa Ressurreição! A Igreja conservou e construiu a Civilização não porque considerava o mundo antigo "feio" e "imoral", ou porque se sentia impelida por algum ideal utópico. Nós somos filhos da Ressurreição e foi esse evento que permitiu que os homens fossem plenamente homens!
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