sexta-feira, 11 de março de 2011

Eu sigo o fundamentalismo do Papa

Nada melhor do que num dia de muita motivação entrar no site da Adital para saber das mais recentes notícias dos mais radicais grupos progressistas. Resolvi, então, ler um artigo de Eduardo Hoornaert, que se apresenta orgulhosamente como Padre casado, comentando o novo volume do livro do Santo Padre, "Jesus de Nazaré". Obviamente não esperava nada próximo de uma exposição ortodoxa, entretanto, assumo que superou as minhas expectativas.

O autor desenvolve uma crítica dura ao que considera o fundamentalismo papal ao interpretar a passagem de Mt 16, 17-19 como uma confirmação do primado petrino. Para o Pe. Eduardo a confissão de São Pedro seguida da promessa feita por Nosso Senhor não pode ser compreendida de forma institucional. Ao contrário, afirma que nos primeiros séculos os cristãos entendiam essa passagem - apenas - como um elogio de Cristo diante da fé e segurança demonstrada pelo Príncipe dos Apóstolos. Para endossar essa visão cita, espantem, a posição da igreja ortodoxa - cismática.

O mais bizarro - sim, o artigo piora - é que o autor não só afirma categoricamente que essa leitura "institucional" não é tradicional como desenvolve o argumento centrado no que ele acredita ser a usurpação e corrupção da passagem evangélica pela Sé de Roma para minar, tolher e diminuir a autonomia das igrejas locais. Não só culpa o grande São Leão Magno pela difusão dessa visão "exclusivista" e sectária como relata a gênese do que consideraria as superestruturas históricas e triunfalistas da igreja romana, tais como a idéia da "cathedra Petri" e os "pretensos" sepulcros dos Santos Pedro e Paulo, a imagem da Igreja como barca tendo o Papa ao leme, os títulos dados ao Santo Padre e, até mesmo, a mensagem paulina da Igreja enquanto Corpo Místico com o Vigário de Cristo à frente. Roma, então, nessa leitura, fora a responsável pelo distanciamento dos patriarcados gregos, embriagada com a própria supremacia de caráter opressor e artificial. Assim, em nome do diálogo, o Sacerdote recomenda; "é melhor abandonar esse embasamento do primado romano.”

De fato, é assustador perceber como o relativismo e as teologias pluralistas de índole reinocêntricas em sua maioria, incidem em argumentações falaciosas e ilógicas quando levamos em consideração a própria incoerência do argumentador. Como um Sacerdote, que só o é pela autoridade dada por Cristo à Igreja, duvida de um dos pontos fundamentais da identidade católica? De um dogma definido solenemente em Concílio? Claro que o autor não coloca em discussão a infalibilidade, mas ao discutir a legitimidade da confissão de São Pedro entra numa reflexão que abarca os pontos basilares das definições do Concílio Vaticano I. Assim, toda a idéia do primado petrino seria conseqüência das superestruturas históricas que se desenvolveram ao longo de séculos.

Ao fim do artigo o Pe. Eduardo proclama: "Ninguém pode impedi-lo de seguir o fundamentalismo do papa." Graças a Deus! Quero ser um católico pleno, ainda que indignamente, amando a Cristo e seguindo a Sua Igreja. E se a isso é o que chamam de fundamentalista, que eu seja o mais radical destes!

Um comentário:

Anônimo disse...

No critério desse colega o ser padre dele deveria ser também amplamente questionado. Pedro Ravazzano põe em evidência o problema de fundo ao mencionar a expressão "superestruturas" (penúltimo parágrafo). O marxismo é ateu e caracterizado por uma constante revolta contra o outro que se quer ser. Estaria o dito padre querendo derrubar, como tantos outros, o Papa e, consequentemente, sua infalibilidade para ter mais autoridade e infalibilidade que Sua Santidade?