terça-feira, 2 de novembro de 2010

Nova e verdadeira oposição?

A vitória acachapante de Dilma e todo a tensão das eleições presidenciais mostraram, com muita clareza, o descrédito na oposição tucana no cenário político nacional. Sem dúvida alguma - e as estatísticas comprovam - o momento mais oportuno para a ascensão de José Serra nas pesquisas deu-se com as discussões que saiam do campo instrumental e técnico e entravam na esfera dos princípios e da moral. Não obstante, certas alas do PSDB, ainda com o ranço socializante, não viram com bons olhos a polarização da campanha em assuntos considerados polêmicos. O Brasil, muito diferente de outras nações, não tem um forte setor político definido como conservador e/ou liberal. Ainda que a esquerda aponte partidos PSDB, DEM como baluartes da direita, é fato que não há nenhum posicionamento oficial em sintonia com o "direitismo" por parte da cúpula das siglas, no máximo algumas facções internas. Entretanto, essas eleições talvez tenham despertado a oposição para uma realidade muito factual. A falta do discurso conservador e/ou liberal e a semelhança entre a perspectiva política do Partido dos Trabalhadores e do PSDB no tocante às medidas econômicas, sociais e públicas, tiram qualquer crédito por parte dos tucanos em sua incursão contra a febre petista do país. Justamente quando os discursos se distanciaram e se opuseram, como, por exemplo, na discussão sobre o aborto, José Serra viu a sua candidatura tomar um novo fôlego e uma nova esperança.Ainda que Dilma Roussef, a nossa nova Presidente, tenha sido eleita, essa campanha serviu para despertar as lideranças partidárias de que a concepção socializante e estatista de FHC e companhia em nada difere dos instrumentos utilizados pelo próprio PT, portanto desfavorece qualquer proposta tucana. No discurso conservador, na defesa das privatizações, na valorização da vida, exemplificando, a oposição mostra a sua diferença em relação aos petistas e se aproxima da própria visão de mundo que é compartida por grande parte da população brasileira. Não obstante, a paixão ideológica impede a percepção do real. Para que o PSDB, DEM e PP adotem a bandeira conservadora é necessário o surgimento de lideranças internas que encarnem os valores da nova oposição. Ainda que já existam nomes como Kátia Abreu, no DEM, Geraldo Alckmin, no PSDB, e o PP gaúcho, romper com a mentalidade ideológica e a ânsia estatista é difícil, entretanto, confiamos que a radicalização do governo petista e a crescente reação dos setores atacados, como imprensa e Igreja, obrigarão numa reavaliação das estratégias políticas.

3 comentários:

Rafael Evangelista disse...

Meu caro, acho que agora os brasileiros anti-petistas deixarão de ser insatisfeitos para se tornarem inconformados. O que vou falar é sobre eleitores jovens e claramente liberais, portanto não representa a maioria dos eleitores do Serra. Mas creio que este eleitorado ainda vai mudar muito a forma de se fazer oposição ao petismo.

Uma coisa que percebi é que o PSDB, por causa de sua covardia e similaridade ao petismo nas questões econômicas, não contará com o apoio deste eleitorado. A insatisfação com o PSDB 4 anos atrás se tornou revolta este ano.

Outra coisa que acho até mais importante do que a primeira é que este eleitorado (do qual faço parte) sente que é necessário fazer política durante os 4 anos do governo Dilma. Uma mudança na mentalidade estatista brasileira não virá somente nos meses das eleições. E lideranças conservadoras não podem surgir só em cima da hora. Elas tem que existir sempre.

Enfim, não gostei da eleição de Dilma, claro. Ainda mais que tenho o péssimo presentimento que isso pode significar muitas reeleições consecutivas do PT. Mas a direita jovem (liberal somente, ou conservadora) parece estar mais disposta a sair da Internet. Glória a Deus por isso.

Anônimo disse...

O Nome do site: Acarajé...lembra nordeste, por culpa de vocês Dilma venceu a eleição....Basta!!!

Anônimo disse...

Parabéns pelo site e pelo seu texto!