No dia 3 de Novembro de 2008, publiquei nesse blog um artigo intitulado "Apelo em favor da visibilidade do nascituro", no qual explico a artimanha que se usa para esmorecer nas pessoas a preocupação com o ser presente no ventre da gestante e aumentar a aceitação do aborto, e como essa tática pode ser obstaculizada, ou, ao menos, como isso me parece com muita clareza. Espero que, nas atuais circunstâncias de ofensiva pública contra clérigos que se levantaram contra o aborto de supostos gêmeos de uma garota de nove anos, estuprada pelo padrasto (poderia ser isso a parte trágica de um conto de fadas real, caso nesses contos os padrastos tivessem se consagrado também, como aconteceu com as madrastas, e caso o final tivesse sido feliz), apelos como o que eu fiz sejam ouvidos e cogitados, e, se possível, aplicados. Pois, embora os pró-vida nos vangloriemos de que "a maioria do povo brasileiro é contra o aborto", a última pesquisa que conheci mostrou que a maioria das pessoas são favoráveis ao aborto em casos de estupro e risco de vida para a gestante.[1]
Peço a alguém que providencie a tradução de dois importantes livros: "Aborted Women: Silent No More", de Julie Makimaa e Dave Readon, e "The Missing Piece", de Lee Ezeel. Julie e Ezeel foram concebidas por estupro e suas mães deixaram-nas viver; tornaram-se militantes, cada uma criou uma ong para persuadir as mulheres americanas estupradas a conceberem os filhos, mostrando a elas o porquê de tomar esta decisão. Essas obras mostram o resultado de anos de vivências, observações e acompanhamentos de mulheres. O caso delas foi divulgado num belíssimo artigo do Mídia Sem Máscara, “A criança “indesejada””, que eu até transcreveria aqui, mas o site atualmente está em manutenção. É preciso que os pró-vida tratem mais especificamente desse caso, pois é nesse ponto que muitos que se consideram contra o aborto vacilam.[2]
Não estou pedindo aos outros algo que eu mesmo posso fazer, ao menos fazer bem. Pessoas mais importantes e articuladas da Igreja e de movimentos pró-vida têm muito mais condições de fazer um evento como o que eu defendi em relação à visibilização do nascituro. E, quanto à tradução, eu leio inglês muito mal, e não vejo por quê caberia a mim tal trabalho. No entanto, tentei arranjar um tradutor e procurei o Pe. Lodi, do Pró-Vida Anápolis, mas que me informou estar muito ocupado em estudos de Bioética. Tentei também o bispo Dom Petrini, a quem tenho como amigo, mas por intermédio de nosso colega Vinícius M. de Oliveira, e ainda tenho de me informar sobre como foi a conv
ersa. Se eu não conseguir alguém, ficará registrada aqui minha tentativa de fazer algo quanto a esse assunto tão delicado.
Espero não viver o mesmo que o dedicado mestre Olavo de Carvalho, que não conseguiu realizar coisas importantes pelo Brasil por não ter conseguido o apoio necessário. Presumo que tal não irá ocorrer, pois, ao menos no que tange a luta contra o aborto, tem muita gente mobilizada nesse país. Se acontecer, não deixará de ser surpreendentemente chocante.
Imagem: a bela Makimaa, que teve a oportunidade de nascer, em participação especial na March to life.
[1] Lembram da pesquisa anunciada quando a Folha de São Paulo publicou um dossiê sobre o jovem brasileiro? Se a estatística não se referia à população total, ao menos se referia a essa parcela, o que não é bom augúrio.
[2] Não direi que eu também não tenho meu recuo em certos casos sensíveis. Embora seja contrário ao aborto de indivíduo concebido por estupro, vacilo quando o objetivo é salvar a vida da mulher em quadros clínicos complicados (o que é muito raro devido à medicina, e que inclusive não foi o caso dessa garota de Alagoinha), quando a intenção dela é se proteger. É natural que alguém queira salvar a própria vida, e é por isso que num acidente de carro o motorista instintivamente joga o carro para a esquerda, de forma que o impacto maior acaba se concentrando no carona, que é quem geralmente morre. Não me sinto capaz de exigir da mulher que se sacrifique, pois não sei se eu teria coragem de me sacrificar; admito que esse meu pensamento talvez seja resultado da corrupção social que abordei no meu artigo precedente, que enfraquece a coragem e a moral das pessoas, fazendo com que estas não sejam capazes de fazer o que aparentemente seja o pior para si. Mas, independentemente das origens, essa é a minha atitude em relação a esses casos fatais que, felizmente, a medicina fez o favor de escassear e que, oxalá, irá reduzir quase ao ponto do risco de uma gravidez convencional, se já não o fez.

Nossa querida Julie M. Não é linda?
Peço a alguém que providencie a tradução de dois importantes livros: "Aborted Women: Silent No More", de Julie Makimaa e Dave Readon, e "The Missing Piece", de Lee Ezeel. Julie e Ezeel foram concebidas por estupro e suas mães deixaram-nas viver; tornaram-se militantes, cada uma criou uma ong para persuadir as mulheres americanas estupradas a conceberem os filhos, mostrando a elas o porquê de tomar esta decisão. Essas obras mostram o resultado de anos de vivências, observações e acompanhamentos de mulheres. O caso delas foi divulgado num belíssimo artigo do Mídia Sem Máscara, “A criança “indesejada””, que eu até transcreveria aqui, mas o site atualmente está em manutenção. É preciso que os pró-vida tratem mais especificamente desse caso, pois é nesse ponto que muitos que se consideram contra o aborto vacilam.[2]
Não estou pedindo aos outros algo que eu mesmo posso fazer, ao menos fazer bem. Pessoas mais importantes e articuladas da Igreja e de movimentos pró-vida têm muito mais condições de fazer um evento como o que eu defendi em relação à visibilização do nascituro. E, quanto à tradução, eu leio inglês muito mal, e não vejo por quê caberia a mim tal trabalho. No entanto, tentei arranjar um tradutor e procurei o Pe. Lodi, do Pró-Vida Anápolis, mas que me informou estar muito ocupado em estudos de Bioética. Tentei também o bispo Dom Petrini, a quem tenho como amigo, mas por intermédio de nosso colega Vinícius M. de Oliveira, e ainda tenho de me informar sobre como foi a conv
ersa. Se eu não conseguir alguém, ficará registrada aqui minha tentativa de fazer algo quanto a esse assunto tão delicado.Espero não viver o mesmo que o dedicado mestre Olavo de Carvalho, que não conseguiu realizar coisas importantes pelo Brasil por não ter conseguido o apoio necessário. Presumo que tal não irá ocorrer, pois, ao menos no que tange a luta contra o aborto, tem muita gente mobilizada nesse país. Se acontecer, não deixará de ser surpreendentemente chocante.
Imagem: a bela Makimaa, que teve a oportunidade de nascer, em participação especial na March to life.
[1] Lembram da pesquisa anunciada quando a Folha de São Paulo publicou um dossiê sobre o jovem brasileiro? Se a estatística não se referia à população total, ao menos se referia a essa parcela, o que não é bom augúrio.
[2] Não direi que eu também não tenho meu recuo em certos casos sensíveis. Embora seja contrário ao aborto de indivíduo concebido por estupro, vacilo quando o objetivo é salvar a vida da mulher em quadros clínicos complicados (o que é muito raro devido à medicina, e que inclusive não foi o caso dessa garota de Alagoinha), quando a intenção dela é se proteger. É natural que alguém queira salvar a própria vida, e é por isso que num acidente de carro o motorista instintivamente joga o carro para a esquerda, de forma que o impacto maior acaba se concentrando no carona, que é quem geralmente morre. Não me sinto capaz de exigir da mulher que se sacrifique, pois não sei se eu teria coragem de me sacrificar; admito que esse meu pensamento talvez seja resultado da corrupção social que abordei no meu artigo precedente, que enfraquece a coragem e a moral das pessoas, fazendo com que estas não sejam capazes de fazer o que aparentemente seja o pior para si. Mas, independentemente das origens, essa é a minha atitude em relação a esses casos fatais que, felizmente, a medicina fez o favor de escassear e que, oxalá, irá reduzir quase ao ponto do risco de uma gravidez convencional, se já não o fez.

Nossa querida Julie M. Não é linda?
3 comentários:
Por Favor Alguém poderia estabelecer uma relação entre "Guerra Justa" e Aborto, dois temas amplamente tratados aqui.
Ps:Excelente Site (embora discorde de algumas posições).
O artigo sobre Makimaa e Ezeel está neste site:
http://www.portaldafamilia.org.br/artigos/artigo418.shtml
Demorei a entender a proposta do primiero comentário; relacionar guerra justa e aborto? Acho que você poderia ser mais claro. Por acaso você quer uma discussão sobre se o mal do aborto é maior que o mal de não abortar? Se, assim como a guerra pode ser justa para enfrentar um mal maior, o aborto também pode ser devido às circunstâncias? É por aí?
Talvez fosse o caso de você abrir um tópico em nossa comunidade, isso poderia ser discutido melhor lá, talvez.
Abraços
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