Não passa de uma sequência inevitável: o raciocínio, externado pelo Excelentíssimo Ministro do Supremo, de que existem vidas "improváveis" ou "indesejadas", e que devem ser "discutidas", e quem sabe, eliminadas, nos permite aceitar, de início, o sacrifício de células-tronco embrionárias, depois, o aborto de anencéfalos, depois o aborto por "conveniência"; depois, a eutanásia. Por fim, chegaremos ao raciocínio final: não existiriam, também, características de comportamento, criminais, sociais, políticas, que sejam igualmente "inconvenientes" ou "indesejadas" à sociedade? Por que não eliminá-las?Na prática, a liberação aparentemente bem-intencionada de sacrificar embriões em prol da pesquisa científica (qualquer semelhança com o sacrifício de bebês aos deuses da antiguidade não é mera coincidência: nesse caso, ao deus Ciência) não passava do início planejado de uma cadeia de decisões judiciais (que, na prática, são novas leis, e que deveriam, por isso, estar sendo discutidas no plenário, e não em tribunais) que culminará, se não for interrompida, na legalização da eugenia: só os fortes, saudáveis, "completos", "desejáveis", sobreviverão.
Adilson Boson
Salvador - Bahia
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