sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quando o monstro sai da tela - Um alerta para os pais que deixam seus filhos irem sozinhos ao cinema.

por Luciana Lachance

Quando eu era criança, os cinemas da cidade costumavam funcionar assim: você pagava uma entrada e podia assistir quantas sessões quisesse – mesmo que isso durasse o dia todo. Assisti desse modo a vários filmes, a maioria dos clássicos satânicos da Disney e filmes como Mudança de Hábito. Meus pais saíam para resolver as coisas deles, e minha irmã e eu chegávamos a assistir quatro sessões seguidas do mesmo filme. No final do dia, eles iam nos buscar e pronto. Era bom pra todo mundo.

Hoje não existe um cinema que funcione dessa maneira, e embora eu não esteja certa se acontecia com freqüência o que eu vou relatar agora, posso dizer pelo menos que atualmente é dessa forma. Há uns anos - pra ser mais precisa, desde 2003 - eu comecei a observar algo diferente nas sessões de filmes infantis (que costumo assistir bastante): a constante presença de homens solitários. No começo eu achei isso muito legal, pensava que no fundo ninguém crescia mesmo, e eu, que geralmente só ia nesses filmes para levar as crianças aqui de casa [afilhados e primos], ria dizendo que não teria coragem de entrar em High School Musical sem alguém de pelo menos 6 anos do lado. Com o tempo fui prestando um pouco mais de atenção nessas pessoas, que não me pareciam divertidas de maneira alguma. Foi um processo longo, porque no começo, você acha que está ficando paranóico. Ou que é muito errado julgar as pessoas pela aparência – digamos, pessoas de meia-idade com mochila nas costas assistem sozinhas O diário da Princesa? E quanto a um homem de uns 24 anos, com o corpo de Paulo Zulu, iria mesmo ver Ella Encantada? (pra se ter uma idéia exata do que estou falando, dêem um Google nesse filme) Por que esse pós-adolescente com a camisa de Cannibal Corpse estaria, sem a “galera”, num filme como Quatro Amigas e um jeans viajante? – a menos, é claro, que ele fosse explodir o local. A menina e seu porquinho realmente atrai os caras que eu vi lá dentro? Eu perdi alguma coisa, ou Camp Rock está fazendo sucesso também entre os cinquentões solitários? No último filme que assisti deste tipo, High School Musical 3, tinham tantos deles que eu mudei de lugar duas vezes: são os pedófilos do cinema, que costumam se aproximar de crianças desacompanhadas dos pais, geralmente para “puxar papo”, e assim conquistar a confiança e algum contato (telefone, orkut), ou para se masturbar e até mesmo assediar algumas delas. Confirmei alguns casos e alerto aos pais para que não deixem seus filhos sozinhos no cinema (na verdade, se possível, não os deixem sozinhos de jeito algum, pois estamos lembrados dos casos de estupro com garotas de doze anos no Aeroclube, e tantos outros casos que podemos citar). Esse tipo de ocorrência geralmente não tem denúncia, pois o crime propriamente dito (estupro) não acontece no cinema, e muitas vezes as vítimas nem se dão conta do que está acontecendo. Ás vezes os pais, a exemplo dos meus, acham que ganham tempo deixando os filhos fazerem seus programas sozinhos, e assim ficam com tempo livre para as suas próprias coisas, ou simplesmente seguem a tendência moderna de que crianças de 10 anos precisam de liberdade e que acompanhá-las, no meio de outros amiguinhos, é embaraçoso. Digo que os pedófilos sabem dessa tendência – celular próprio, orkut, msn, computador privado, meninas e meninos que saem em duplinhas e trios -, e se aproveitam desses espaços para agir com tranqüilidade. Eu não pude denunciar os homens que conversavam com as meninas de onze anos quando a sessão acabava, mas apenas interferir de maneira quase louca e dar conselhos do tipo “não fale com estranhos” ou “não venha sem seus pais”. Todos têm que ficar atentos e evitar que nossos filhos estejam expostos a situações semelhantes, pois os monstros são muitos e agem em todo lugar, das piores maneiras possíveis.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Beijaço Gay e Apologia ao Homossexualismo para crianças de 12 anos

por Luciana Lachance

Há alguns dias um casal gay foi convidado a se retirar do Shopping Iguatemi [de Salvador] porque a sua conduta [eles estavam se beijando em público] causou constrangimento ás demais pessoas. Em resposta a isso, o movimento homossexual da cidade resolveu invadir o mesmo shopping com faixas e bandeiras de protesto: já que as pessoas não podiam agüentar um casal de homens se beijando, agora teriam de ver dezenas deles fazendo o mesmo. Inconformados com o fato de que a maioria das pessoas se sente bastante desconfortável vendo tais cenas, os gays alegam que tal desaprovação é “homofobia” (termo inventado, não vou nem me dar o trabalho de comentar a controvérsia), que eles sofrem o “preconceito” da sociedade machista e hipócrita. Outro caso recente foi o do professor Márcio Bagrios, que alega ter sido afastado da escola em que ensinava depois de fazer apologia ao homossexualismo para crianças entre 12 e 14 anos, passando, entre tantas músicas capazes de ensinar a forma verbal do passado no inglês, “I kissed a girl”, sobre uma garota bêbada que resolve beijar uma outra garota. Com a maior cara-de-pau, ele ainda deu entrevistas tentando argumentar que, de fato, a canção tem vários verbos no passado, o que seria uma forma bastante didática de ensinar os alunos – e mais uma vez, a exemplo de tantos outros, explica que foi “vítima” de preconceito por parte da escola, que, segundo ele, “ria pelas costas” quando ele ia trabalhar com os cabelos coloridos e “roupas modernas”.

Que fique bem claro que o interesse dessas pessoas envolvidas nos dois casos não é proteger o segmento homossexual de uma suposta perseguição, a exemplo do que eles alegam, como se toda morte de gays fosse causada por pessoas motivadas pelo ódio a eles, ou por grupos organizados – e não em conseqüência do próprio estilo de vida dos gays, geralmente bastante violento e suscetível a mais riscos, especialmente com relação à saúde. Os homossexuais não querem proteção contra espancamento de “homofóbicos” ou qualquer situação semelhante. O que eles querem é que o seu desvio seja aceito como uma “opção” - tão normal quanto a atração natural entre homens e mulheres - e que apenas ocorreria em bem menor escala (algo entre 3% da população mundial). Eles querem proteção para atitudes como a do professor Márcio, para assim promover esse tipo de comportamento – e que todas as outras pessoas fiquem caladas, já que eles terão várias instâncias para recorrer. E a pior proteção que eles podem ter, sem dúvida, é o pensamento politicamente correto de hoje que não admite qualquer crítica a alguns segmentos sociais e outras ideologias. O que essas pessoas precisam entender é que o homossexualismo não pode ser simplesmente empurrado como um comportamento natural, pois tal premissa é uma arbitrariedade que limita a liberdade religiosa e constrange as pessoas, impedindo-as de manifestar a sua fé, cuja expressão deveria ser livre. Querer que todas as pessoas da sociedade deixem de criticar o homossexualismo ou querer “educar” os filhos dos outros (sim, porque não poderiam ser deles) para isso é impor não apenas um estilo de vida do qual apenas eles compartilham, mas também negar o direito que as pessoas têm de viver de acordo com a sua religião – e eu poderia citar várias que condenam a prática homossexual. Portanto, o que o movimento gay quer assegurar é que todas as demais pessoas concordem com o que eles próprios teorizaram sobre si mesmos: que não existe nada de errado quanto a uma pessoa se relacionar com outra do mesmo sexo. Como eles não podem fazer isso mostrando as conseqüências desta escolha (e de maneira mais justa, servindo como exemplo), precisam de algum instrumento repressor: a lei que eles pretendem aprovar contra a homofobia – e que em algumas cidades do país já está funcionando – servirá apenas para que este tipo de opinião seja levada como consenso e direito natural, e para que qualquer acusação contra algum gay seja dificultada, já que eles tratam a questão como o preconceito racial, e a simples menção pode ser enquadrada como ofensa. Não concordar com o ato homossexual (e condená-lo) virou crime, ou virará, a julgar pelos passos. A liberdade de expressão permite que se faça apologia ao comunismo, ao aborto e outros crimes, permite ridicularizar a religião das outras pessoas, mas não pode mais permitir discordar do que se faz na cama - e quando isso estiver bem delimitado, já não poderá mais se questionar o quê ou quem esteja nela, independente se humano ou animal, ou da idade que tenha.

O fato é que o comportamento homossexual recebe críticas não apenas das pessoas cuja religião ensine que isso seja condenável, mas de outros setores aparentemente desinteressados nesse viés, quer o estude do ponto de vista físico-mental (sobretudo as pesquisas científicas que procuram entender o comportamento dessas pessoas) ou do ponto de vista dos efeitos práticos resultantes desse estilo de vida: tendência à promiscuidade, alta ocorrência de pedofilia, redução na expectativa de vida e distúrbios emocionais variados. Tentando escapar de tudo isso, o movimento gay tenta lançar a imagem do homossexual monogâmico, interessado em união civil estável e adoção de crianças - mas aí vem um filho da mãe como Elton John dando declarações de que nada disso combina com ele ou seus amigos, e que estão tentando dar uma imagem falsa e conservadora dos gays, o que, para o cantor, é uma contradição. Em número, os homossexuais são poucos, e mesmo para defender a própria causa teriam de esperar que todos eles fossem militantes e engajados; mas o pior é saber que mesmo alguns deles (digamos, um Foucault da vida, que após contaminado com o vírus da Aids o espalhou propositalmente para muita gente, entre amigos e inimigos) não servem como exemplo. E é por isso que eles contam comigo e com você, de preferência com emprego e filhos, para endossar a moção de apoio. Eles precisam subverter a opinião alheia, e geralmente são as pessoas que terão mais medo de serem taxadas como preconceituosas, e falam, como um amigo deste blog escreveu num texto, “em pleno século 21”...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os dez novos santos da Igreja

Pedro Ravazzano
***
Foi com grande alegria que nós, católicos de todo o mundo, recebemos a notícia da canonização de dez Beatos. Sempre é motivo de festa na Igreja a constatação da santidade de homens e mulheres que viveram de forma piedosa e integral, com uma sadia radicalidade, a mensagem cristã. O Magistério, com o poder dado pelo próprio Cristo, confirma a santidade quando se comprova, por meio da ciência, que os milagres obtidos pela intercessão desses Beatos não tem qualquer explicação racional.


A data da canonização será marcada no próximo Sábado, dia 21 de Faveiro, quando ocorrerá o consistório público dos cardeais. Os dez Beatos, e futuros Santos, são:
Zygmunt Szcesny Felinski, Prelado polaco, foi Arcebispo de Varsóvia e Conselheiro do Estado. Lutou vigorosamente para que o governo russo livrasse os poloneses mandados para a Sibéria. Foi preso na fortaleza de Yaroslavl. Fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria.
Arcangelo Tadini, Sacerdote italiano. Sempre buscou aprofundar seu amor à Eucaristia e a Maria Santíssima, do mesmo modo valorizava a constante fidelidade à Igreja e aos seus ensinamentos. Foi um homem de extrema caridade; fundou a Associação operária de mútuo socorro, com seu patrimônio construiu uma fábrica de tecidos para proporcionar às mulheres melhores condições de vida e, para fechar com chave de ouro, fundou a Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré.Francisco Coll y Guitart, Sacerdote Dominicano espanhol. Homem de grande entusiasmo, ficou conhecido por suas pregações espirituais e missões populares. Seu fervor evangélico era muito requisitado em meio a uma época de guerras e descrenças. Também se destacou na difusão da devoção ao Rosário. Ademais, ao comprovar a ignorância religiosa e o enfraquecimento da fé cristã em meio ao povo, pediu a Deus a graça necessária para enxergar uma solução para essa triste realidade. Desse modo, através da intercessão da Virgem do Rosário e de São Domingos, percebeu que os principais serviços que devia prestar ao povo de Deus e a sociedade era fundar uma Congregação dominicana com o claro objetivo de formar e estruturar a fé, do mesmo modo que se colocaria a disposição para formar jovens sem recursos econômicos, para que não ficassem na ignorância da doutrina, o que Francisco considerava um dos principais males do seu tempo. Assim nasceu a Congregação das Irmãs Dominicanas da Anunciação da Beata Virgem Maria.Damião de Molocai, Sacerdote holandês da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento do Altar. Ao concluir seus estudos teológicos em Paris ouviu os discursos proferidos pelo Bispo do Havaí que clamava a necessidade de trabalhos missionários no arquipélago, especialmente na ilha de Molokai, onde viviam os leprosos totalmente renegados pelo mundo. Escreveu uma carta ao Superior da Congregação e partiu rumo as ilhas havaianas. Chegando na ilha dos leprosos fez um cemitério, uma igreja, um hospital e o aqueduto. Passou dez anos com os doentes sem qualquer sintoma, até o dia em que pisou numa bacia com água quente e não sentiu dor alguma. Morreu em 1889.Bernardo Tolomei, monge italiano, adotou o nome Bernardo em honra ao Abade de Claraval. Queria seguir a vida religiosa mas foi impedido pelo seu pai. Estudou matemática, filosofia, direito civil e canônico e teologia. Foi feito pelos cidadãos de Siena um dos principais nomes da política municipal. Depois de ter uma cegueira curada graças a intercessão da Virgem Maria resolveu se isolar do mundo, vivendo com grande austeridade, penitência e mortificação. Sua fama de homem virtuoso e santo fez de sua ermida local de grande peregrinação, o que logo foi acompanhado pela acusação de heresia. Foi para Avignon e se submeteu ao Papa, para que não houvesse dúvida quanto a sua fidelidade e ortodoxia. Posteriormente fundou a congregação da Santíssima Virgem do Monte Oliveto sob a Regra de São Bento. Era um carisma essencialmente beneditino e essencialmente mariano. Com a propagação da praga em Arezzo D. Bernardo e seus filhos rapidamente se prontificaram a ajudar o povo doente, sua caridade o marcou com a morte; sucumbiu com a doença aos 76 anos.
Rafael Arnáiz Barón, monge cisterciense espanhol, nasceu numa família com grande poder aquisitivo e extremamente católica. Seu pai era engenheiro e sua mãe escrevia sobre a sociedade em periódicos. Sua paixão pela ciência e pela arte o levou ao estudo da Arquitetura, mas tudo mudou quando visitou o Mosteiro de São Isidoro de Dueñas. Ali acendeu nele a semente monástica, o que se concretizou em 1934, quando finalmente entrou em La Trapa. No mesmo Mosteiro, em 1938, com apenas 27 anos, morreu Rafael Arturo Alvaro José de la Inmaculada Concepción y San Luis Gonzaga Arnáiz BarónNuno de Santa Maria Álvares Pereira, monge carmelita português. Foi um grande general, lutou bravamente pela autonomia do seu país frente a Castela. D. Nuno Pereira, Condestável de Portugal era o 2.º conde de Arraiolos, 7.º conde de Barcelos e 3.º conde de Ourém e tinha uma das maiores fortunas de toda a Península Ibérica. Seu gênio militar fez com que 6.000 portugueses vencessem o exército castelhano com 30.000 homens. Sua filha, Beatriz Pereira de Alvim, que teve no seu casamento com D. Leonor Alvim, se casou com Afonso I de Bragança. Esse casamento deu origem à Casa de Bragança que reinará em Portugal três séculos depois e cinco séculos depois no Brasil . Depois da morte de sua esposa entrou na Ordem do Carmo, construindo o Convento de Lisboa, adotou o nome de Nuno de Santa Maria e deixou todos os prazeres do mundo. O seu epitáfio dizia: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."Gertrude Comensoli, religiosa italiana, ingressou na Companhia de Santa Ângela Merici, depois foi trabalhar como doméstica e acabou se tornando dama de companhia de senhoras da nobreza italiana. Sua preocupação a respeito da formação da juventude feminina católica a levou a pensar na fundação de uma família religiosa que se focasse na instrução de moças. Sua forte devoção eucarística, o amor a Jesus-Hóstia, se concretizou no Instituto das Irmãs do Santíssimo Sacramento.Joana Maria da Cruz, religiosa francesa, recusou pedidos de casamento para viver unicamente com Cristo. Trabalhou como enfermeira no Hospital de Sano Estevão. Posteriormente, junto com seu amiga Francisca Aubert, alugou um apartamento onde acolhia idosos, pobres e doentes. Com o crescimento da força espiritual daquele pequeno cômodo mais moças se uniram a Joana Maria. Com isso surgiu uma simples Associação para os pobres. Com o crescimento dessa Associação, e com a ajuda de um rico comerciante, Joana transferiu os trabalhos para um pequeno convento que, no futuro, se tornou a casa mãe da Congregação das Irmãzinhas dos Pobres.Catarina Volpicelli, religiosa italiana, nasceu numa família com grande poder econômico, teve uma educação clássica, uma formação humana exemplar, indo além ao dominar línguas e até mesmo a música. Inspirada por Deus se distanciou de todos esses prazeres mundanos que a cercavam. Com o apoio espiritual do Bem Aventurado Ludovico da Casoria caminhou na sua estrada rumo a fundação do Instituto das Servas do Sagrado Coração, de imediato aprovado pelo então Arcebispo de Napólis, o Servo de Deus Sisto Riario Cardeal Sforza. Posteriormente S.S Leão XIII elevou o Instituto a Congregação.

A podridão da China

Essa é a China que o mundo reverencia, a China que teve sua glória consolidada com os Jogos Olímpicos. O mesmo país, o mesmo governo, o mesmo espírito desumano e em radical oposição a todos os valores intrínsecos a existência. A Rev. Chinesa conseguiu não só destruir as estruturas políticas e sociais da nação, mas aniquilou qualquer remoto princípio de dignidade humana, instaurando um ethos de total desumanidade e imoralidade. Enquanto o mundo continuar se recusando a enxergar o que, de fato, existe dentro da China, mais homens, mulheres, crianças e idosos serão mortos sem qualquer motivo, mortos unicamente por existir!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O falacioso protestantismo

"Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica". Santo Agostinho

Pedro Ravazzano
***

O protestantismo vive num círculo vicioso. Vejamos, se hoje os Pais da Reforma ressuscitassem milagrosamente cairiam para trás ao ver a situação das igrejas por eles criadas e, muito provavelmente, seriam chamados de idólatras e pagãos por seus irmãos e filhos. Na verdade não precisamos ir tão longe na imaginação; comparem uma igreja metodista, anglicana, calvinista, luterana dos EUA, da Europa e do Brasil! Os metodistas ingleses e americanos usam imagens – ou ao menos usá-las não é motivo de discussão -, fazem igrejas em estilos góticos, gostam de cantos sacros e apreciam a piedosa devoção. Anglicanos invocam os santos, usam turibulo, seus líderes se paramentam como os Sacerdotes e Bispos católicos, constroem igrejas extremamente belas, usam velas, incensos etc. Já a Catedral Calvinista de Genebra honra a São Pedro, era lá onde Calvino pregava, fica ao lado do Museu da Reforma, quase um Vaticano protestante. Os luteranos do hemisfério norte também seguem diversas tradições católicas que eram respeitadas até mesmo pelos reformadores, se assemelham aos anglicanos quanto a isso. Eu apenas abordei pontos externos, se fosse fazer uma análise teológica as diferenças entre as denominações seriam gritantes. Os Pais da Reforma eram homens, em sua maioria, doutos e cultos, tinham acesso a obras de grande peso na cristandade, dominavam línguas, tinham uma cultura destacada; Lutero era um teólogo com relevo no cenário alemão, Calvino tinha uma formação clássica, Wesley, que apareceu séculos mais tarde, se educou na prestigiosa Universidade de Oxford. A questão que aparece é a seguinte, se esses homens estavam errados na sua hermenêutica bíblica, na compreensão do tal cristianismo primitivo, por que raios um pastor qualquer em pleno mundo moderno se colocaria como o descobridor da verdade cristã? Qual a autoridade que ele usa? Os Pais da Reforma se diziam inspirados pelo Espírito Santo, iluminados por Deus, o mesmo Espírito Santo e o mesmo Deus que "inspira" e "ilumina" os homens que hoje fazem interpretações e chegam a conclusões diferentes das obtidas pelos Luteros e Calvinos da vida - conclusões essas que na época da reforma já não eram nada parecidas! E, muito provavelmente, esses mesmos pastores serão refutados no futuro por outros irmãos seus que enxergaram diferentes verdades na Sagrada Escritura. O mais irônico de tudo isso é que uma das bases fundamentais usadas por eles para endossar essas novas compreensões a respeito do cristianismo e da Bíblia são conhecimentos científicos, ou seja, um respaldo extra-bíblico que influencia no estudo e na hermenêutica dos textos da Sagrada Escritura. Onde foi parar a Sola Scriptura?

Os protestantes consideram a Bíblia auto-sustentável, ou seja, a chave da correta hermenêutica se encontra na própria Escritura. Pois bem, isso deveria confirmar que a hermenêutica bíblica, seja lá de qual tempo, é contínua e inerrante, já que interpreta um Livro eterno e também inerrante, mas não é isso que enxergamos dentro do protestantismo. Existe uma diversidade de análises, uma grande confusão na exegese, na forma de compreender a formação do texto, uma miscelânea de doutrinas oriundas de interpretações bem distintas. Se a Bíblia é auto-sustentável as descobertas históricas e arqueológicas, usadas pelos protestantes atuais como base para um novo olhar – como a defesa do tal cristianismo primitivo -, não se mantém, afinal a ortodoxa hermenêutica independe de fatores externos, se encontra na própria Escritura (Sola Scriptura). Com isso pouco importa se os Pais da Reforma viviam no séc. XVI e hoje vivemos no séc. XXI. Se a Bíblia é de inspiração divina, um Livro Sobrenatural, sua mensagem é para sempre, sua correta interpretação é a mesma ao longo dos séculos, afinal o que muda não é eterno, e o que não é eterno não é divino. Ou seja, um livro escrito por Deus só pode ser compreendido com a assistência de Deus, a ciência humana não seria capaz de entender a riqueza contida nas suas linhas. Ora, sem essa inspiração interpretar a Bíblia é quase como um jogo de sorte. Aí entra um ponto crucial; como conciliar, dentro do protestantismo, diversas interpretações de um único texto? Se a Escritura é divina ela não erra nem se contradiz – ou se descansa no sábado ou no domingo, ou se batiza crianças ou não, ou se usa imagens ou as considera idolatria, ou acredita nos santos ou acha que são deuses pagãos etc etc etc. Não pode haver uma diversidade hermenêutica para uma mesma frase contida no texto bíblico!

Percebam que no protestantismo não há uma continuidade na vivência da mensagem cristã interpretada pelos seus pastores, bispos, reverendos, missionários, apostólos e "bispas", a todo o momento há ruptura e o surgimento de novas óticas, óticas essas que, como já foi dito, lançam mão de conteúdos extra-bíblicos, colocando de lado um dos pontos essenciais da Reforma Protestante; Somente a Escritura.

Talvez a saída mais natural do protestantismo tenha sido o desenvolvimento de doutrinas liberais, que depois deram origem ao modernismo. Considerar a Escritura um livro Sobrenatural pede, da mesma forma, uma interpretação sobrenatural, ou seja, uma interpretação inspirada. Como haver inspiração quando pululam o número de hermenêuticas tão diferentes e contraditórias? Esse foi o motivo que ajudou, entre alguns outros, na consolidação da corrente liberal dentro do pensamento reformado; se baseiam num arcabouço histórico, arqueológico, literário e filológico para compreender o texto bíblico, execrando tudo que seja contrário ao entendimento da razão humana. De uma maneira ou de outra esse método cria uma hermenêutica mais homogênea, já que acaba com a argumentação de inspiração divina; a medida é a ciência, se passou dela não serve. Entretanto dois problemas surgem; a destruição da origem Divina do texto – ele fica preso aos conhecimentos humanos – e a oposição a Sola Scriptura – na verdade não é lá da preocupação desses protestantes a fidelidade a nada. Ademais, a ciência nessa caso ocupa o espaço que todas as igrejas de origem apostólica dão ao que se chama Tradição, de origem divina e em plena sintonia com a Revelação contida na Escritura.

Um dos fundamentos básicos, quiçá o maior, que distancia o protestantismo da verdadeira religião é a não-aceitação da Sagrada Tradição. Os "reformados" acreditam que a Sagrada Escritura é a única regra da fé, não sendo necessária nenhum outra para viver de forma plena os ensinamentos cristãos, conhecer todo o legado deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Antes de algum Evangelista pensar em escrever, sob a inspiração do Espírito Santo, os Apóstolos já pregavam e difundiam a Boa Nova. Foram necessárias décadas, depois do Pentecostes, para se iniciar a redação dos livros do Novo Testamento! Como havia comunidades cristãs num período onde não havia a Bíblia? Simples, por meio da pregação oral que trazia consigo a Tradição cristã. Como disse David Goldstein, judeu convertido ao catolicismo "S. Pedro converteu 3000 judeus; o Concílio de Jerusalém foi reunido e a lei judaica foi ab-rogada, antes que uma única linha do Novo Testamento fosse escrita. Antes que S. João escrevesse seu Evangelho, a Igreja católica celebrou seu jubileu de ouro; e S. Paulo poderia dizer que a fé de Cristo tinha sido proclamada por toda parte no mundo"

A primeira referência ao cânon bíblico, como o temos hoje, foi em 367 d.C, numa epístola de Santo Atanásio de Alexandria; santo que escreveu o credo que leva seu nome - credo atanasiano - reconhecido até mesmo por Lutero como grande autoridade doutrinal e incluído pela Igreja Anglicana no 'Livro de Oração Comum'. Até o séc. IV não havia a mínima concordância de quais seriam os Livros inspirados. Os verdadeiros Evangelhos dividiam espaço com textos gnósticos e heréticos. Além disso raras eram as comunidades que tinham acesso a esses documentos. Todos se confirmavam na fé por meio da adesão oral, conheciam a doutrina cristã através dos ensinamentos proferidos pelos Apóstolos e seus sucessores. Quais os livros eram legitimamente cristãos? Dependiam de onde estivessem. As localidades divergiam na definição das escrituras, algumas acreditavam em livros que depois foram vistos como apócrifos, outras sequer tinham textos dos livros hoje considerados canônicos. Quem duvidaria da apostolicidade e inspiração divina do Pastor de Hermas, Epístola de Barnabé e da Didaché? A leitura desses livros, e de vários outros não-canônicos, era muito comum nas assembléias e nas pregações.

Ora, como então se definiu, se atestou, quais livros eram, de fato, inspirados? Foi uma autoridade externa e extra-bíblica. A lista definitiva dos livros canônicos apareceu no Concílio de Roma (382) e, posteriormente, confirmada nos Concílios de Hipona (393) e Cartago (397). A Sagrada Escritura não veio com um índice, nem o surgimento do seu cânon foi um ato de milagre divino. Os Padres conciliares apenas lançaram mão da Tradição apostólica, aquela que já confirmava os cristãos na fé, a usando como a medida para que assim pudessem endossar a inspiração dos escritos, ao mesmo tempo em que rechaçavam aqueles livros que contradiziam os ensinamentos orais. O próprio Lutero confirmou: "Somos obrigados a reconhecer muitas coisas aos católicos - (como por exemplo), que eles possuem a Palavra de Deus, que nós recebemos deles; de outro modo, não saberíamos nada sobre ela." [1] Nosso Senhor nos ensinou "Ide, e pregai o Evangelho a toda criatura" (cf. Mt 28,19-20) e não "Ide e difundi as Escrituras".

Prof. Alessandro Lima, no seu livro Cânon Bíblico, falou que a "atribuição de autoridade divina a um livro, isto é, a definição de sua canonicidade sempre dependeu da autoridade de algo que é exterior ao livro: a Tradição que lhe deu origem (e que portanto lhe é anterior) e o Magistério legitimamente estabelecido por Deus, reconhecido como seu legítimo guardião e difusor." [2] De fato, o que os protestantes esquecem é que a Sagrada Escritura não fez o cristianismo, foi a Igreja, inspirada pelo Espírito Santo, que criou a Sagrada Escritura. Assim como os israelitas escreviam os textos sagrados quando já viviam a fé monoteísta, os cristãos escreveram os Evangelhos quando já eram crentes. Corinto e Tessalônica já eram cristãs quando São Paulo escreveu suas cartas, Teófilo já professava a fé em Nosso Senhor quando São Lucas o endereçou o Evangelho. A equação feita pelos protestantes é contrária; não foi a Bíblia que criou o cristianismo – afinal quando ainda não havia Escritura já havia fé cristã – mas foi o cristianismo, iluminado com as bençãos do Senhor, que escreveu a Bíblia. A Bíblia não caiu do céu; os livros do Novo Testamento foram escolhidos num Concílio da Igreja Católica, poder magisterial, composto por Padres que acreditavam na Tradição. Os protestantes aceitam esse cânon do Novo Testamento e seguem o cânon do Antigo Testamento definido por um sínodo de fariseus depois da morte de Cristo.

Existem dois grandes intervalos nos primórdios do cristianismo que devem ser levados em conta:

1 – Da ascensão de Cristo aos Céus até o fim da redação da Escritura

2 – Do fim da redação da Escritura até a estruturação do cânon bíblico

No primeiro momento transcorreram 65 anos para que o último livro da Bíblia fosse acabado em meados do ano 100 d.C. Cristo morreu e ressuscitou por volta do ano 30, já os livros do Novo Testamento foram escritos bem depois; o Evangelho de São Marcos no ano 64; o Evangelho de São Lucas e de São Mateus entre os anos 65 e 80; as cartas de São Paulo entre os anos 51 e 67; o Apocalipse entre os anos 70 e 95. Como os cristãos teriam se mantido até lá? Ademais, mesmo que houvesse Evangelho seria humanante impossível, dentro da realidade tecnológica da época, fazer com que todas as comunidades cristãs – que já existiam mesmo sem Bíblia – tivessem acesso aos textos. O que manteve a fé desse povo senão a Tradição oral?

A outra lacuna ainda é maior. Se trata de uma período de séculos onde textos inspirados dividiam espaço com outros que eram produtos da gnose e da heresia. Até mesmo pensadores do quilate de Santo Atanásio (297-373), São Jerônimo (342-420) e Santo Agostinho (354-430) se fiavam em listas de canonicidade que partiam das crenças especificas de suas localidades – claro que até a definição magisterial. Ou seja, houve uma confusão instaurada na Igreja primordial a respeito da inspiração dos textos. Se a Sagrada Escritura se mantém por si mesma por que a disputa, por que a definição do cânon não ocorreu logo no início, desde que o último texto inspirado foi escrito? Simples, a Sagrada Escritura não era auto-autenticável! Não havia nada nela que sancionasse quais os livros que eram inspirados ou não. Nem mesmo havia assinatura nos Evangelhos. Por exemplo, como saber que foi São Mateus quem escreveu o seu Evangelho? Para nós católicos a Tradição sempre nos informou dessa verdade, por isso sempre acreditamos. Protestantes não só rejeitam a Tradição como acreditam na Sola Scriptura. Ora, apenas a Tradição ou o estudo bíblico-histórico poderiam afirmar que Mateus foi o redator do Evangelho que leva seu nome. As duas formas tratam de conclusões extra-bíblicas e, logicamente, se opõe a doutrina da Sola Scriptura.

O fato é que, na ausência da Tradição e do Magistério, simplesmente não há limites para a imaginação no que concerne à interpretação da Bíblia. Se não existe nenhuma autoridade, para além do indivíduo, que estabeleça qual o verdadeiro sentido e qual a verdadeira interpretação da Escritura Sagrada, então é instaurado o "vale tudo". Em outras palavras, a teologia liberal (da qual o maior expoente foi o alemão Rudolf Bultmann) é uma conseqüência natural do Sola Scriptura. A pessoa, diante do texto bíblico, na prática se sente à vontade para seguir a interpretação que mais lhe aprouver. E quando perguntamos, por exemplo, a um calvinista "por que é assim e não assado, como ensinam os luteranos?", ficamos sem resposta... Mas nós podemos dizer, como S. Agostinho diria: "É assim porque a Igreja Católica, com a autoridade que recebeu de Seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, nos ensina que é assim!". Não é a minha interpretação, nem a de fulano, nem a de beltrano que importa. É a interpretação da Igreja!

Como foi dito no começo do texto, a Sola Scriptura descamba para a teologia liberal, afinal a diversidade de interpretações e compreensões do texto bíblico é incompatível com o caráter inerrante e eterno da própria Escritura. Ora, o relevo que hoje os protestantes dão a ciência é o resultado da incapacidade de estipular uma hermenêutica comum. E por que? Simplesmente a Sagrada Escritura não se sustenta sozinha, a Tradição é essencial para o conhecimento pleno da revelação cristã e para a compreensão dos verdadeiros e perenes ensinos contidos no texto sagrado. O Magistério, por sua vez, tem a incumbência de, sustentado na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição, indicar a única e infalível interpretação da Bíblia. Sem a Tradição a Escritura fica confusa e sem o Magistério seu entendimento é impossível. O protestantismo acreditou na Sola Scriptura como forma de renegar a Tradição, colocaram no lugar desses valiosos e preciosos ensinamentos de Cristo o entendimento humano, com isso carrega em seu âmago um princípio genuinamente subjetivo e individual, desde já fadado ao erro e a confusão. A teologia liberal, se sustentando na ciência e renegando a sobrenaturalidade da Bíblia, apenas surge por ser fruto da Sola Scriptura! Com isso concluímos que o protestantismo, desde as suas origens, fincou as bases do relativismo hermenêutico, relativismo esse que é incompatível com um Livro de caráter Divino e, conseqüentemente, eterno e imutável; o triunfo da interpretação individual, no pensamento reformado, se opõe drasticamente a perenidade da mensagem cristã. O que cremos hoje é o que foi crido ontem e é o que será crido amanhã! No protestantismo o que é crido hoje é diferente do que foi crido ontem e é diferente do que será crido amanhã – além, é claro, das diversas formas de se entender o que crê e no que se crê.

[1] 21. Commentary on John, cap. 16, como citado em Paul Stenhouse, Catholic Ansewrs to "Bible" Christians (Kensington: Chevalier Press, 1993), p. 31.

[2] LIMA, Alessandro. O Cânon Bíblico - A Origem da Lista dos Livros Sagrados. São José dos Campos-SP: Editora COMDEUS, 2007, p. 17

Catedral Metodista de São Paulo - Houston, Estados Unidos
Imagem de Cristo
Visão externa
Catedral Luterana de São Nicolau - Helsinque, Finlândia
Altar
Detalhe das imagens dos Apóstolos
Visão externa
Imagem de Lutero
Catedral de São Egídio Igreja Mãe do Presbiterianismo - Edimburgo, Escócia
Imagem de John Knox
Imagens de santos (incluindo os reformadores)
Mais imagens
E mais imagens
Visão externa
Imagem de um anjo segurando uma jarra com água benta
Igreja Calvinista de São Pedro - Genebra, Suíça
Altar com vitrais de santos
Visão externa
Nave
Igreja Anglicana de Cristo e da Bem-Aventurada Virgem Maria - Liverpool, Inglaterra
Detalhe do altar
Visão externa
Nave
Altar principal
Qual é o verdadeiro protestantismo vindo da verdadeira hermenêutica bíblica? O protestantismo que usa imagens ou o que as considera idolatria? O protestantismo que venera os santos ou o que acha que são deuses pagãos? O protestantismo que celebra a Ceia - mesmo que simbólica - ou o que acredita que não passa de invenção romana? O protestantismo que valoriza algumas tradições ou aquele que diz vivenciar o tal cristianismo primitivo? São muitos protestantismos originados de um mesmo Livro, um Livro eterno e inerrante que não pode ser interpretado, em hipótese alguma, de diversas maneiras. A Verdade é única, se é contraditória não é Verdade, e se não é Verdade não é Deus!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A Congregação de Nossa Senhora de Sion e os Judeus

IN SION FIRMATA SUM
Pedro Ravazzano

"A Congregação foi fundada "para ser, na Igreja e no mundo, testemunha da fidelidade de Deus ao seu amor pelo povo judeu e para apressar o cumprimento das promessas referentes aos judeus e aos gentios". (Constituições art.2)

Podemos dizer que esse artigo é o cerne do carisma da Congregação de Nossa Senhora de Sion, um carisma mariológico e essencialmente sustentado no Amor, exatamente, no Amor. Afinal o que mais pode ser a busca fraterna pela conversão dos judeus ao único “Caminho”, “Verdade” e “Vida”? Orar pela conversão dos israelitas, “apressar o cumprimento das promessas referentes aos judeus”, é orar para que conheçam a glória da vida eterna, o Cristo que, em Sua Encarnação, Se doou para a salvação dos homens. Rezar pela conversão dos judeus é levá-los a Jesus, e o que é Nosso Senhor senão o Amor? "Os diversos sentimentos de Jesus Cristo estão sempre vivos na Igreja. Dentre eles, há um do qual sois depositárias, quero falar do Amor de Jesus Cristo pelo Povo de Israel" (Père Theodore)

A história da Congregação se encontra, em sua r
aiz, baseada na Virgem Maria! Quem por acaso não se assusta ao descobrir a história de Père Alphonse Ratisbonne? Um judeu libertino nos seus costumes e ferrenhamente anti-católico – sentimento que aumentou depois da conversão do seu irmão Theodore – que carregando no peito a Medalha Milagrosa e rezando o Memorare, sem qualquer aparente devoção, obteve a graça que nem mesmo os mais piedosos dos católicos conseguiram; viu a Virgem Maria em toda a sua beleza e formosura! Quando mostraram a ele o quadro pintado da Madonna del Miracolo disse que apenas vagamente descrevia a maravilha da Aparição – Père Alphonse chegou a chorar ao descrever a Virgem para suas filhas. Após ver a Santíssima Maria na Igreja de Sant’Andrea delle Frate o judeu, em prantos, clamou o batismo! Depois de convertido foi estudar com os jesuítas, ordenou-se Sacerdote e, posteriormente, juntamente com seu irmão, fundou a Congregação de Nossa Senhora de Sion, com todo o apreço de S.S Pio IX. Disse Père Alphonse; “Ela não me disse nada, mas eu compreendi tudo.” Desse modo Sion foi pensado, saiu do âmago dos desejos mariológicos! Graças a ação da Virgem Maria, com as bençãos de Cristo, um rico judeu, imoral e anti-clerical, tornou-se meio para que Deus, através da Sua Igreja, pregasse o Seu amor ao povo israelita, amor que de tão forte se concretizava nessa Congregação.

Sem dúvida alguma a Aparição em Roma representou um grande benefício para a alma de Alphonse Ratisbonne, entretanto foi muito além, os seus bons frutos se estenderam na mesma proporção em que os raios que emanavam da Virgem abençoavam o mundo. Todo o orbe foi agraciado com a fundação da Congregação de Sion, com sua especial, mariológica e filial, missão de trabalhar para a conversão dos judeus. O clamor pela conversão não vinha de um grito de ódio ao povo israelita, ao contrário, era uma atitude de puro amor. Ademais, Sion teve um papel importante já que, desde o séc. XIX, a Igreja vinha sendo alvo comum de ataques de judeus liberais. Quem melhor para proteger a Esposa de Cristo do que dois judeus convertidos? Além disso Sion sempre orou para que aquele povo escolhido, que sempre gozou, junto a Deus, de um apreço todo especial, continuasse na Verdade por meio da Igreja Católica, a continuação natural e divinamente pensada da religião hebraica.

Père Alphonse Ratisbonne era um homem de ação. Em 1855 se mudou para a Palestina onde passou o resto da sua vida. Na Terra Santa comprou terrenos e imóveis; em 1858 estabeleceu o Convento do Ecce Homo, na Antiga Cidade de Jerusalém, para
as Irmãs de Sion, que servia de escola e orfanato. Em 1860 eregiu o Convento de São João nas montanhas de Ein Karem, junto com uma Igreja e outro orfanato. Para os meninos Alphonse construiu o orfanato de São Pedro, perto de Jaffa, fora de Jerusalém. Todo esse seu zelo a juventude, digno de um cristão, era reflexo da sua incessante busca de fazer triunfar a Verdade!

Père Theodore Ratisbonne também tem sua importância. Ele se distinguiu por ser um excelente escritor e pregador. Assim como seu irmão, foi criado no luxo, educado no Colégio Real na sua cidade natal. Depois da conversão de Samson Libermann, Theodore foi escolhido para substituí-lo como líder. Com a conversão de mais dois amigos; EmigDreyfus e Alfred Mayer, Ratisbonne resolveu estudar a Sagrada Escritura e a História da Igreja. Após dois anos, em meio a um processo de descoberta e de graça – isso me remete automaticamente a história da conversão de Card. Newman –, Theodore, finalmente, pediu o batismo. Assim foi feito em 1826, para a glória de Deus. Posteriormente entrou no seminário e recebeu as santas ordens em 1830.

Theodore vivia e trabalhava na sua diocese nativa, até que tornou-se subdiretor da Confraria de Nossa Senhora da Vitória, em Paris. Estava na capital francesa quando, em 1842, seu irmão Alphonse, que nutri
a um tenro ódio ao cristianismo, se converteu ao ver a Virgem Maria, na Aparição em Roma. Como já foi dito acima, posteriormente, depois do batismo, Alphonse tornou-se jesuíta e, em seguida, juntamente com seu irmão, fundou a Congregação de Sion.

Père Theodore Ratisbonne foi condecorado como Cavaleiro de
São Silvestre por S.S Gregório XVI, que foi presenteado com a “Vida de São Bernardo”, obra de grande profundidade escrita por Theodore. O Papa ainda aprovou o seu pedido de trabalhar para a conversão dos judeus. A partir daí os irmãos começaram a difundir o carisma da nova Congregação, essa espiritualidade tão mariana. Sion era muito bem quista pelo Beato Pio IX, inclusive Theodore foi nomeado protonotário apostólico por S.S Leão XIII. Antes de sua morte recebeu os últimos sacramentos do Arcebispo de Paris e a última benção de S.S Leão XIII.

Como disse Père Theodore:

Não se deve combater objeções racionais, antes há
de se apazigüar as angústias da consciência judaica. Não era eu assaz instruído para compreender a identidade entre judaísmo e cristianismo. Acreditava que eram duas religiões diferentes, o Deus de Abraão não era o Deus dos cristãos. Tinha medo de aprofundar a questão.

Ou seja, até então Theodore não percebia que a religião judaica, a Revelação no Antigo Testamento, naturalmente, por meio dos planos de Deus, desaguava na fé cristã através da plenitude dos tempos, com a Encarnação de Jesus Cristo, que já existia desde sempre junto ao Pai. Mais adiante Theodore diz:

Li com atenção nossa história, e concluí que a cessação do culto e a ruína do templo, a destruição da Cidade Santa, a confusão entre as tribos e diáspora da nação judia – que todos os fatos coincidem com o estabelecimento do cristianismo no mundo. [...] Vislumbro a situação, e isso me dói: eu daria a vida para tirar meus irmãos dessa situação... mas não posso mais viver entre eles, nem invocar o Deus de meus pais na mes
ma casa de oração [...].

Depois de compreender os planos do Senhor, o triunfo da Palavra
que se fez Homem, a evolução, por meio do fim da Revelação que é Jesus Cristo – afinal depois Dele nada mais precisa ser dito -, do judaísmo pré-cristão na religião católica, pensada pelo Pai, ele percebeu a triste situação em que se encontravam seus irmãos israelitas; rejeitando ao Seu Deus e Seu Salvador, repetindo aquilo que fizeram quando preferiram Barrabás a Jesus Cristo. Assim, por exemplo, entendeu as profecias do capítulo 28 do Deuteronômio que descrevia os horrores sofridos pelos judeus depois que não quiseram “escutar a voz do Senhor teu Deus”.

Por fim, Theodore disse ao seu pai:

Sou cristão. [...] Sou cristão, mas adoro ao mesmo Deus que meus pais, o Deus três vezes santo, o Deus de Abrãao, de Isaque e de Jacó, e reconheço Jesus Cristo como o Messias, o Redentor de Israel.

Desse modo, Père Theodore Ratisbonne, declara seu amor a Cristo, Nosso Senhor, vendo que a fé cristã nada mais é do que a plenitude da Revelação, a última Palavra do Deus de Israel, o mesmo Deus que aos poucos transmitia ao Seu povo a Sua men
sagem mas, que no momento oportuno, Se fez homem para viver com os homens e pelos homens morrer para salvá-los!

Por fim, nada melhor do que as palavras de Père Theodor
e, presentes na sua grande obra Migalhas Evangélicas:

Mas o milagre que ultrapassa todos os outros, milagre permanente, é a cegueira dos próprios judeus, depositários dos livros sacros, que não viram, não compreenderam, não admitiram a realização deslumbrante das profecias. Oremos para que essa cegueira milagrosa seja milagrosamente curada. Oremos para que a nação de onde jorrou a luz saia das trevas do erro e das sombras da morte

Père Alphonse e Père Theodore

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Uma nova proposta para 2009 - informe para quem ainda não participa do GEPC

Um caro membro da nossa comunidade nos orkut nos perguntou sobre a retomada das atividades nesse ano. Essa é parte da resposta, que prometi publicar aqui, embora o faça com certo atraso. Abaixo vai a sugestão que eu e Vladimir Lachance enviamos à lista de emails do grupo, conhecida portanto só pelos atuais membros, e que obteve unanimidade até o momento, adaptada para publicação neste blog.

Fabrício Soares, 8 de fevereiro


Consideramos precisa a formação de subdivisões que estudem mais algum aspecto específico relacionado ao assunto geral do "pensamento conservador". Nós continuaríamos com as reuniões de quinta-feira, 14 horas, mas formaríamos pequenos grupos (duplas ou trios) de estudo/pesquisa que focasse algum aspecto do conservadorismo, que poderia se encontrar outro dia da semana, ou que trabalhasse mais virtualmente mesmo (isso dependeria mais de cada grupo, que escolheria uma forma de trabalhar).

Não haveria uma quantidade limite de subgrupos em que cada um poderia contribuir; isto ficaria a cargo de cada pessoa, de acordo com sua possibilidade e afinidade com o tema de estudo. Mas a pessoa que assumir a responsabilidade com mais de uma equipe deve procurar honrar com os compromissos propostos por ela (a equipe), e não relaxar, pois do contrário as atividades não poderão ser realizadas com êxito. Que cada um participe de quantos grupos lhe agradar, mas sem "mangueação". Nas reuniões de quinta-feira, do "grupão", cada subgrupo – lembrem-se, não devemos nos fragmentar* ao adotarmos esse novo funcionamento, que esperamos que adotemos – coordenará a discussão de vez em quando, de forma que todos apresentem e debatam o resultado de seus estudos. Se não ficou bem explicado, por favor perguntem. E dêem sugestões também. Que façamos as emendas necessárias. Esperamos que não se recuse a proposta inteira. Também podemos explicar mais porque achamos necessário fazer isso. Enfim, nós estamos aqui para explicar melhor, pra justificar, pra discutir qualquer aspecto relativo ao que estamos lhes enviando.

* No sentido de encararmos as outras subdivisões como algo que não nos diz respeito, ou diminuirmos nosso intento de aproximarmos-nos uns dos outros. Pois o maior sentido deste grupo de estudos, para nós, é principalmente formar laços com os outros membros, podendo encontrar nas pessoas do grupo verdadeiros amigos a quem possamos recorrer.

Imaginamos alguns temas possíveis para servirem como exemplos:

A) Estudo geral sobre o que é conservadorismo – a que se refere "conservar", tendências e pensadores, sociologia (para saber como o "conservadorismo" se desenvolve na sociedade, comportamento e reação das classes, relação com as circunstâncias históricas – ou seja, não é estudar se as idéias são verdadeiras ou não, mas sim um estudo sociológico do conservadorismo ou conservantismo), grandes expoentes, obras e o que mais caiba neste tópico.

B) Economia e conservadorismo – pode-se estudar como os conservadores aderem às correntes econômicas, como conservadores-liberais, a Nova Direita, ou a condenação que outros conservadores fazem do capitalismo como inimigo das tradições e dos valores, ou um recorte que interesse mais, como o conservadorismo e o liberalismo econômico apenas.


C) As tradições no sentido perenialista, metafísica etc.


D) Conservadorismo x revolução – gnosticismo, messianismo, modernidade, Eric Voegelin


E) A Universidade e o pensamento de Esquerda.


F) Catolicismo e conservadorismo.


São algumas propostas, podemos criar outras, dependerá de nossos interesses.Bom, reunimos aí a maior parte do que pensamos até agora. Caso lembremos-nos de algo mais, acrescentaremos. (Acrescento algo evidente: quando estivermos executando a proposta, certamente aparecerá coisas que não pensamos ao formulá-la)
Abraço a todos, Fabrício e Vladimir.

Estamos à disposição!