sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Imagem modernosa de Cristo crucificado assustava as crianças

De acordo com a reportagem da BBCBrasil.com, a igreja anglicana de St. John (foto ao lado), em Broadbridge Heath, Inglaterra, teve que retirar da frente do templo uma grande imagem de arte moderna de Cristo crucificado porque, segundo o pastor Ewen Souter, ela "assustava as crianças".

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Essa imagem grotesca (foto ao lado), tão ao gosto de católicos progressistas, diga-se de passagem, assusta até adultos, pelo menos os que ainda não perderam o bom senso e o zelo pela imagem sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo no momento da rendenção do gênero humano.

A mencionada falta de bom senso levou o pastor a se perguntar: "Como um importante símbolo exterior para nós, estava afastando as pessoas ao invés de dar um sentimento de esperança e vida e do poder da ressurreição?".

Conflito na Palestina; Sangue, Fé e Ideologia

Pedro Ravazzano
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Eu não sei se sou eu que ando me impressionando com facilidade, ou se é o mundo que não mais se impressiona com nada. Acho que é a segunda opção! É engraçado como em todas as marchas em protesto contra a ofensiva israelense a Gaza sempre encontramos, tremulando com força, bandeiras com a Foice e Martelo, a flor socialista, até mesmo a bandeira do movimento homossexual. Isso, desde já, atesta o fato de que essa causa, dita humanitária, já se inebriou com a passional ideologia. Ou seja, não há fidelidade para com a verdade, não há a mínima sintonia ou concordância. Vejamos!

Em países como o Irã, tradicionalmente islâmico – diferentemente de nações moderninhas como Jordânia e Turquia -, os grupos comunistas locais são perseguidos, não tem participação no cenário político nacional. A pouco tempo houve uma comemoração, na Universidade de Teerã, onde foi celebrado o 40º aniversário da morte de Che Guevara, além do "brinde" pelo aumento das relações entre o regime iraniano e o socialismo bolivariano de Chavez. O mais engraçado desse irônico festejo foi o discurso de Hajj Saeed Qassemi, coordenador da Associação dos Voluntários Mártires-Suicidas, que afirmou que Ernesto Guevara era um homem religioso, submerso no sublime amor de Deus. Os filhos do Carniceiro de La Cabaña, que estavam presentes, imediatamente se opuseram a essa, mentirosa, afirmação; “Ele nunca conheceu Deus”, protestou Aleida Guevara com razão, onde já se viu um revolucionário comunista teísta? Resultado? Rapidamente foram deixados de lado pela organização do encontro, saindo do estrelato para o total anonimato em pleno evento dedicado ao seu pai.

Até mesmo nas nações islâmicas modernas, para não dizer modernistas, como a Turquia, os grupos esquerdistas locais sofrem com entraves, não gozam de uma total autonomia política. Inclusive Atatürk, o fundador da República Turca, aquele que proibiu os trajes típicos e perseguiu as mulheres que usavam véu, o responsável pela mudança do alfabeto de caracteres árabes para latinos, o promotor da aproximação da Turquia com a política e cultura européia, até mesmo ele passou a rechaçar os comunistas depois do florescimento da progressista nação turca.

A amistosa relação entre o esquerdismo e a causa Palestina, no Ocidente, nasce de uma identificação de Israel com os EUA e com o capitalismo, além do mais, com muita força, o desenvolvimento do conflito na região criou um cenário muito propício para análises desde socialistas panfletárias até marxistas mais puras. De todo o modo essa aliança não se fundamenta apenas numa experiência ocidental. Muitos palestinos, líderes das causas nacionais, eram comunistas e lançavam mão de um discurso dialético para identificar em Israel a personificação não só da opressão religiosa e cultural, mas também econômica e política. O Fatah, a maior facção da OLP, sempre nutriu características seculares, nacionalistas e centro-esquerdistas; é membro consultor da Internacional Socialista. Gozou de amplo apoio das frentes comunistas, recebendo armas e treinamento da URSS e dos países do Leste europeu. Ademais, vale frisar, dentro da Organização pela Libertação da Palestina, que tem o Fatah como maior denominação, se encontram diversos grupos de clara formação marxista e socialista, inclusive alguns com um histórico de terrorismo; Frente Popular pela Libertação da Palestina (segunda maior facção da OLP) – assassinou o Ministro do Turismo de Israel, em 2001, além de reivindicar três atentados -, Frente Democrática para a Libertação da Palestina (terceira maior facção da OLP) – responsável pelo Massacre de Ma'alot onde crianças e professores secundaristas foram seqüestrados e assassinados -, Partido do Povo Palestino – antigo Partido Comunista Palestino, comparsa da URSS no financiamento armado de militantes na região -, União Democrática Palestina, Frente de Luta Popular Palestina, Frente de Libertação da Palestina – responsável pelo ataque ao cruzeiro Achille Lauro e as praias israelenses de Nitzanim e Eliat. Além dessas ainda existem facções que faziam parte da OLP e que, como as outras sobreditas, partem dos mesmos princípios; Frente Popular pela Libertação da Palestina-Comando Geral – responsável por ataques suicidas contra civis e militares, ainda coopera com o Hezbollah em ataques a Israel, no sul do Líbano -, Frente Revolucionária Popular pela Libertação da Palestina – formada pela ala mais esquerdista da Frente Popular pela Libertação da Palestina. Hoje é insignificante.

O mais perigoso é que esse ethos socializante, com uma tradicional presença em certos núcleos judaicos liberais – os judeus ateus foram peças fundamentais na revolução bolchevique -, atinge de forma direta a identidade do Estado de Israel. Se Karl Marx concebia o Estado como reflexo da sociedade civil, ou seja, da contradição de classes, sendo um poder opressor da classe dominante, o Estado de Israel vai além, ele é a identificação imediata de um povo, ao menos surgiu com esse destacado objetivo; era o representante dos israelitas fugidos da Europa pós-guerra, a esmagadora maioria formada por judeus errantes, sem propriedade e espoliados pelos nazistas, não haviam, a priori, interesses de classe – por isso muitos judeus marxistas eram sionistas. O Estado de Israel surgiu, assim, com uma clara função paternalista, para não dizer salvífica; a esperança de liberdade para os judeus de todo o mundo.

Judeus embriagados com o discurso esquerdista, ao difundir essa argumentação, colocam em questão a existência do Estado de Israel porque, até então, sua nação esteve atrelada aos interesses do povo judaico. Desse modo, separado do seu objetivo basilar, com a deformação do sentido histórico da nação israelense, se possibilita uma nova leitura; Israel seria apenas mais um Estado onde os interesses da burguesia, classe economicamente privilegiada, reinam de forma absoluta. Ou seja, dentro de uma ótica marxista, se instaura uma hermenêutica dialética; a burguesia, representada nos judeus israelenses, e o proletariado, com a função revolucionária, na figura do palestino oprimido. Vamos além, essa interpretação se encaixa como uma luva dentro da análise histórica marxista, não necessariamente ortodoxa. A existência do Estado de Israel estimulou o crescimento dos meios de produção, o aprimoramento das forças produtivas – É só ver os índices de crescimento de Israel, além do mais, a Terra Santa se tornou um pólo de diversas indústrias, como a de informática e de tecnologia -, os conflitos e as guerras travadas acentuaram as contradições; a riqueza e progresso de um lado, a miséria e pobreza do outro. Os palestinos estavam privados de tudo; terra, bens, identidade, nacionalidade, estavam e estão alienados. Desse modo, se pensando como etnia explorada, se organizando enquanto tal, se pensa com vontade revolucionária, assim, por um processo dialético, os que estavam privados de tudo, de tudo poderão se apropriar; Israel e sua riqueza. Nessa inversão, a classe despojada de toda a humanidade particular, destruída pela alienação, carrega a missão de, através da revolução, resgatar a humanidade da humanidade, perdida às custas do progresso do capitalismo. Claro que Marx identificava o proletariado como apátridas, cidadãos do mundo, e aqui falamos de uma causa étnica, nacional. Para tanto, dentro de uma ótica heterodoxa, seguindo uma linha marxiana, é possível fazer essa leitura do conflito Israel-Palestino.

Entretanto, é importante lembrar, a ofensiva israelense contra Gaza se fundamenta nos contínuos ataques do Hamas contra as cidades do sul do país, mesmo durante o período de trégua. Nada justifica a morte de civis, palestinos e israelenses, mas devemos constatar que a incursão israelense é legítima e justa. O Estado de Israel tem o direito de existir, assim como os palestinos tem o direito de construir uma nação sólida e institucionalmente estruturada. A Palestina é uma realidade histórica, mesmo que certos pró-Israel insistam em sustentar uma argumentação falaciosa pautada em critérios políticos e econômicos – quando na verdade deve-se usar bases antropológicas -, como se a falta de uma moeda ou capital palestina, no período anterior a criação da Israel – um Estado, de fato, artificial -, atestasse a inexistência de identidade entre os Philistines.

Os palestinos estão sufocados no próprio sangue; em Gaza são governados pelo Hamas, uma organização que conseguiu desbancar a supremacia da OLP, com suas diversas facções internas, tomando a frente num espaço que era controlado por denominações politicamente ativas e ideologicamente formadas. Os grupos terroristas islâmicos ficavam a margem, servindo apenas para incitar o terror psicológico. Já o Fatah, que governa a Cisjordânia, experiente no cenário diplomático e político, se vê enfraquecido com a ascensão do Hamas, sem sustentação na população palestina, apenas servindo como um braço mais capacitado para negociações e acordos. Ademais, ambas as regiões se encontram isoladas e esquecidas; o bloqueio de segurança israelense, ao mesmo tempo que impede o acesso de armas e explosivos, assim como a entrada de palestinos em Israel (essas políticas, de fato, diminuíram radicalmente os atentados no país), impossibilita a entrada de alimentos, medicamentos, nas regiões. Alem disso, tanto a Cisjordânia quanto a Faixa de Gaza, sofrem com a falta de um Estado organizado, o que prejudica mortalmente o desenvolvimento do serviço público; é a barbárie instaurada, não há ordem. Entretanto, o que diferencia as ofensivas israelenses e os ataques do Hamas é que no primeiro caso existe o sincero interesse de minar a organização terrorista e suas bases, enquanto que os foguetes palestinos se dirigem propositalmente aos centros urbanos, alvos civis.

Israel, quer queira quer não, tem um nome a zelar se quiser o respeito internacional, ainda mais quando percebe a expansão do espírito pró-palestino.

Israel precisa se justificar perante todos os países da ONU, o Hamas não...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Estudos Marxológicos

Para quem se interessar aí vai uma lista de livros indicados para o estudo de Marx. Vale frisar que não são obras anti-marxistas, ao contrário, algumas são marxistas e marxianas, outras foram escritas por anti e não-marxistas, entretanto, isso não influencia na exposição do pensamento de Karl Marx, que é o ponto em questão.

Karl Wittfogel - Le Despotisme Oriental - Editora: Les Éditions de Minuit

Jean-Yves Calvez - O Pensamento de Karl Marx 2 Volumes - Editora: Tavares Martins

Karl Korsch - Marxismo e Filosofia - Editora: UFRJ

Maxmilien Rubel - Crônica de Marx - Editora: Ensaio/Sociologia e Filosofia Social de Karl Marx - Editora: Zahar

Gustav A. Wetter - El Materialismo Dialectico Sovietico - Editora: Editorial Difusion

George Lichtheim - Los Origenes del Socialismo - Editora: Editorial Anagrama/Breve Historia del Socialismo - Editora: Alianza

Joan Robinson - Economia Marxista - Editora: Fundo de Cultura

Raymond Aron - O Marxismo de Marx - Editora: Arx

Jean Hyppolite - Introdução a Filosofia da História de Hegel - Editora: Edições 70

Joseph Schumpeter - Capitalismo, socialismo e democracia - Editora: Fundo de Cultura

(Subentende-se que as obras de Marx - O Capital, A Ideologia Alemã, Manuscritos econômico-filosóficos, Miséria da filosofia etc - são naturalmente recomendadas)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Oremus et pro Iudaeis: A Nova Aliança e os Judeus

Pedro Ravazzano
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Nos tempos atuais existe uma grande confusão a respeito da Antiga Aliança e o caráter salvífico do judaísmo pós-cristão. Sem dúvida essa dificuldade no conhecimento de uma ótica ortodoxa, pautada nos perenes ensinos da Igreja, é devido a má vontade de religiosos que preterem a Tradição, o Magistério e a interpretação correta da Sagrada Escritura por opiniões pessoais, tendências teológicas particulares e, como sempre, uma hermenêutica obtusa de documentos eclesiásticos.

O Catecismo da Igreja diz que “Ao invés das outras religiões não cristãs, a fé judaica é já uma resposta à Revelação de Deus na Antiga Aliança”, assim como repete uma antiga máxima cristã “Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet (o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é desvendado no Novo)”, como interpretar tais afirmações à luz da Tradição? A Igreja realmente assegura que a Antiga Aliança é válida, mas se guiando na perenidade do Antigo Testamento, dos ensinamentos ali contidos e revelados por Deus através dos Profetas. Ademais, a religião judaica tem em sua continuidade a Igreja Católica que, desse modo, passou a exercer o papel que o judaísmo tinha antes da Encarnação. O Catecismo ensina que “§69 Deus revelou-se ao homem, comunicando-lhe gradualmente seu próprio Mistério por meio de ações e de palavras.”, ou seja, a revelação retilínea do Antigo Testamento desaguou naturalmente no cristianismo, fruto das vontades do Pai, da encarnação do Verbo, na plenitude dos Tempos, já que o “O Filho é a Palavra definitiva do Pai”. A novidade em caracterizar a Antiga Aliança como eterna e completa nos tempos de Cristo é um erro de grandes conseqüências. Existe a impressão de que a revelação de Deus no Antigo Testamento se sustenta sem o Verbo. Ora, Cristo é o Filho Unigênito e, desde o momento em que o Senhor agiu junto a Abraão, a Encarnação da Palavra e a consumação da revelação na Nova e Eterna Aliança estava traçada.

Na vanguarda dessa novidade doutrinal se encontra Franz Mussner, um teólogo alemão que escreveu um livro chamado “Tratado sobre os Judeus”, onde, entre outras coisas, afirma que o judaísmo é meio de salvação e que a Igreja não é a Nova Israel, que é a "extensão do povo de Deus, que junto com Israel forma o único povo de Deus". E nessa Israel inclui, obviamente, os judeus que rejeitaram Cristo que, para ele, são salvos por um "caminho especial". Diz que a Igreja e a sinagoga tem "tarefas e objetivos em comum" que poderão ajudar na "shalomitização do mundo". Ainda afirma que era o tempo dos cristãos trocarem os tratados dos tempos medievais e patrísticos contra os judeus por um tratado para os judeus. Claro que tudo isso é embebido em interpretações pessoais da Sagrada Escritura e desvencilhamento dos ensinamentos da Igreja.

Quando Mussner afirma que “Atrás deste livro (Tratado sobre os judeus) está um processo de aprendizagem de muitos anos, uma verdadeira mudança de mentalidade", ele esquece que essa transformação não modifica apenas uma forma de pensar, mas ataca de forma violenta a Tradição da Igreja e seu Magistério. Teólogos da mesma linha afirmam que a Igreja não substituiu Israel, mas passou a compartilhar dos seus privilégios. Concluem, então, que existe a Nova Israel e a Velha Israel, a Antiga Aliança e a Nova Aliança, e mesmo a Nova Aliança completando o que se iniciou na Antiga Aliança, com a Plenitude dos Tempos na Encarnação do Verbo, dizem que a Antiga Aliança e a Velha Israel continuaram com o mesmo grau de comunhão com Deus, mesmo depois do fim da Revelação. Nesse pensamento a Nova Israel não é vista como desenvolvimento da mesma religião, Igreja hebraica, que com a vinda do Verbo originou a Igreja de Cristo, mas como distinta da Velha Israel.

Eles esquecem do fato de que Israel é uma prefigura da Igreja. Desde o Logos, Jesus Cristo, que tinha com Deus desde a Criação, a Igreja teve a sua origem na mente divina, e foi revelada pelas ações de Cristo uma vez Encarnado. Deus criou Israel pela Sua promessa feita pelos anjos na tenda e logo confirmada a Abraão em Moriá, no sacrifico de Isaque. Deus primeiro revelou a Israel, onde Ele criou pela Sua promessa a Abraão. Então, na plenitude dos tempos, Ele revelou a Igreja. E, de acordo com os Padres, a Nova Aliança foi renovada e fora da Igreja, a Nova Israel e continuação da religião hebraica, nenhuma aliança passou a existir. São João Crisóstomo diversas vezes usou o termo "Arca de Noé" como referência à Igreja.

No Sermão 4 de Santo Agostinho ele diz; “Agora por Igreja, irmãos, vocês devem entender não só aqueles que começaram a ser santos depois do Advento do Senhor e natividade, mas todos que foram santos pertencem a mesma Igreja. Você não pode dizer que o nosso o pai Abraão não nos pertence, somente porque ele viveu antes de Cristo ser carregado pela Virgem. ”

Karl Rahner e J. N. D. Kelly atestam respectivamente; "A Igreja está consciente que vive em continuidade com Israel, cuja história foi interpretada na luz do evento central da.....morte e ressurreição de Jesus Cristo." Encyclopedia of Theology. p.217, "A Igreja é considerada como a nova, a autêntica Israel, que herdou as promessas que Deus fez a Velha." Christian Doctrines, p.190

A imagem de Moisés com um véu por cima de seu rosto quando ele volta do Sinai é uma alegoria do véu suspenso sobre o Antigo Testamento. Ele contém verdades veladas que não podem ser apreciadas sem conhecimento de Cristo. "Enquanto Moisés era lido, o véu estava sob seu coração? Pois o véu não foi removido, porque Cristo ainda não veio" (Tratado de Agostinho 24,5 em João)

Quando o Evangelho de São Mateus versa que o véu do Templo se rasgou em dois após a morte de Jesus, isso pareceu, para alguns leitores patrísticos, significar que a obscuridade acerca do verdadeiro sentido do Antigo Testamento fora removida. "A Escritura era fechada? Ninguém a entendeu? O Senhor foi crucificado, e Escritura se derreteu como cera, para que assim todos os fracos pudessem entendê-la" (Augustine Enerr in Psalmos 21, II, 15)

Tertuliano também ensinou; "E, de fato, primeiro devemos perguntar se é esperado um Doador da Nova Lei, e um herdeiro do Novo Testamento, e um sacerdote dos novos sacrifícios, e um purificador da nova circuncisão, e um observador do sábado eterno, para suprimir a Velha Lei, e instituir o Novo Testamento, e ofertar os novos sacrifícios, e reprimir as cerimônias antigas, e suprimir a velha circuncisão em conjunto com o próprio sábado, e anunciar o novo reino que não é corruptível.

Digo, se o Doador da nova lei, o observador do sábado espiritual, o sacerdote dos sacrifícios eternos, o eterno soberano do eterno reino, já veio ou não: isto é, se ele já veio, o serviço deveria ser dado a ele; se ele ainda não veio, ele deveria ser esperado, e pelo seu advento onde será manifesto, os preceitos da velha Lei serão suprimidos, e o começo da nova lei deve surgir. E, principalmente, temos que deixar a opinião de que, com a Sua vinda, a lei antiga e os profetas não podiam ter cessado, aquele que foi constantemente anunciado através da mesma Lei e dos mesmos profetas, para vir.

(...)

Portanto, já que as propiciações da primeira aliança eram obscurecidas por figuras secundárias, e contaminadas de toda desonra, a segunda (que fora profetizada) manifestou a dignidade de Deus, e resultou como conseqüência a obrigação de acreditarmos e entendermos que a primeira (isto é, a segunda em honra e glória) foi desmerecida com ainda mais obscuridade – todos os seus acontecimentos feitos ainda mais indignos – por causa da primeira em honra e glória. E então até o presente momento eles afirmam que Cristo não veio, pois Ele não veio em majestade, enquanto são ignorantes do fato d’Ele ter vindo primeiro em humildade."

Na carta de Teodoreto aos Monges de Eufratensian, Orshoene, Síria, Fenícia e Silícia, ele diz; “Ó Senhor, não conhecemos nada além de Ti. Clamamos pelo Teu nome, ‘Faça-nos unos e inquebráveis dentre a parede de divisão’, chamada de iniqüidade que tem aumentado. Reúna-nos um a um, a Tua Nova Israel, construindo a Jerusalém e reunindo os renegados de Israel. Faça-nos cada vez mais Teu rebanho alimentado por Ti: pois Tu és o Bom Pastor ‘que dá a vida pelo rebanho’. Despertai, porque dormes Senhor, levanta-se, não nos abandone para sempre. Apascente os ventos e mar, dê a Tua Igreja tranqüilidade e segurança das ondas.”

Recordando que essa teoria, ao sustentar a Velha Israel e a Antiga Aliança com funções perenes e eternas, mesmo fora de Cristo, fornece validade aos sacramentos da antiga Lei, beirando a uma equiparação com os sacramentos da Nova e Eterna Aliança, idéia essa já condenada pelo Concílio de Trento: "Se alguém disser que estes sacramentos da nova lei, não são diferentes da lei antiga, senão nos ritos cerimoniais externos, seja excomungado" (D 845). É claro que no conteúdo patrístico, doutrinário, Tradicional, não há nada, nenhuma possibilidade da aliança com os judeus ter continuado e persistido fora da Igreja de Cristo.

Tamanhas invencionices se sustentam na má compreensão do fato de que a religião de Deus é una e, sua origem, é uma evolução em consonância com a Revelação. Assim como na Antiga Aliança era o judaísmo o herdeiro das promessas do Pai, com a importância de preparar a comunidade para a chegada do Messias, com a plenitude dos tempos, a realização das profecias, a Encarnação do Verbo, naturalmente do judaísmo floresceu o cristianismo que, sustentado no Antigo e Novo Testamento, gozou da graça de seguir a totalidade da revelação do Senhor. Os judeus que aderiram a Cristo continuaram na promessa, os que repudiaram saíram dela, o fato de persistirem na Antiga Aliança não caracterizou certeza alguma. O Antigo Testamento foi revelado preparando os homens para a encarnação da Palavra (“Pelos profetas preparou este povo a acolher a salvação destinada à humanidade inteira.”), e com a consumação desta (“Cristo Senhor, em quem se consuma a revelação do Sumo Deus”), o seu seguimento sem a luz da plenitude tornou-se inócuo, porque “Deus "quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4), isto é, de Jesus Cristo.”

O Servo de Deus João Paulo II, numa alocução à comunidade judaica de Mainz, na Alemanha, disse que a Antiga Aliança nunca tinha sido “revogada por Deus”, mas, numa audiência em 1999, o próprio Santo Padre esclareceu essa questão que, infelizmente, foi interpretada como a abertura para um relativismo religioso. O Pontífice Romano ao repetir essa afirmação continuou: “embora este adquira o seu sentido pleno à luz do Novo Testamento e contenha promessas que se cumprem em Jesus.”

Ademais, no passado os judeus viviam as revelações dos Profetas preparando-se para a chegada do Messias, enquanto hoje, a Esposa de Cristo, zela pela plenitude do conteúdo dado por Deus aos homens, em sua totalidade, tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento e a herança deixada por Nosso Senhor.

O Concílio de Florença ensinou que; "A sacrossanta Igreja Romana ... crê firmemente, professa, e ensina que a matéria pertencente ao Velho Testamento, da Lei Mosaica, dividida em cerimônias, ritos sagrados, sacrifícios e sacramentos, porque foram estabelecidos para significar algo no futuro, embora fossem adequados ao culto divino naquele tempo, depois da vinda de Nosso Senhor, que eles significavam, cessaram, e os sacramentos do Novo Testamento começaram; ... Todos aqueles, portanto, que a partir desta altura observam a circuncisão e o dia de Sábado e as demais obrigações da lei, [a Igreja Romana] declara-os afastados da Fé Cristã e de modo algum capazes de participar na salvação eterna, a não ser que um dia abandonem estes erros." (D.S. 1348) Ora, como entender a atual visão de certos religiosos relativistas com a compreensão que a Igreja sempre teve e tem de si mesma? Como encaixar tamanhas novidades teológicas na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição? Sem dúvida é através da interpretação da ruptura do Vaticano II que tentam endossar suas novas teorias. Dessa forma eles chegam a uma conclusão infantil ao acreditar que a Igreja até 1964 considerava os judeus fora da Aliança com Deus e que, ao final do Concílio, em 1965, os judeus já gozavam da comunhão com o Pai, não necessitando de contrição e conversão. Ora, nem se Cristo aparecesse em pleno Vaticano II os Padres Conciliares modificariam com tanta radicalidade a doutrina da Igreja. Transformar um ponto tão importante da nossa fé, afinal envolve a plenitude dos tempos e a consolidação da Nova e Eterna Aliança, seria atacar a Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério, os séculos de vivência no depósito da fé.

A tentativa de modificar essa compreensão que a Igreja sempre teve a respeito da Revelação de tão radical não encontra sustentação nos ensinamentos cristãos. Para tanto, se baseiam em interpretações erradas de pronunciamentos papais e conciliares, assim como numa hermenêutica pessoal da Tradição e da Bíblia. Considerar que tais religiosos estão certos é afirmar que a Igreja errou durante mais de mil anos ao ensinar o contrário, conseqüentemente, ao cogitar essa possibilidade de defetibilidade, estamos dizendo que o Depósito da Fé foi mal utilizado pelo Magistério. Isso sem levar em consideração os graves problemas teológicos causados por estas afirmações

Quem coloca tanto coisa em risco para endossar tamanhos erros doutrinários?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Altamente recomendável

The Soviet Story - A História Soviética
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=e5VvUmPhypE
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=-QH-drp_rYA
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=O8wvyS2BMsE
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=KDnRUrcA1ug
Parte 5 - http://www.youtube.com/watch?v=LcOGiQ_RPxk
Parte 6 - http://www.youtube.com/watch?v=Dp_anfQqwBU
Parte 7 - http://www.youtube.com/watch?v=J8U0D9hQus8
Parte 8 - http://www.youtube.com/watch?v=yZImT7o-s1M
Parte 9 - http://www.youtube.com/watch?v=y196FKb6N9I
Parte 10 - http://www.youtube.com/watch?v=XqaS8M7ZXRg
Parte 11 -
http://www.youtube.com/watch?v=UA1wMphgMkM
Parte 12 - http://www.youtube.com/watch?v=b9fw4l1Zeis
Parte 13 - http://www.youtube.com/watch?v=boJx2UYJZQU

domingo, 4 de janeiro de 2009

Conferência de Roberto De Mattei sobre Plinio Corrêa de Oliveira

Por ocasião do centenário de nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), em 26 novembro 2008, em Roma, no Palazzo della Cancelleria, o professor Roberto De Mattei deu um conferência muito interessante sobre esse importante pensador e homem de ação:



Link para as outras partes

Parte II:
http://it.gloria.tv/?video=pzo6fx12rrkvls7ymogn

Final:
http://it.gloria.tv/?video=dlan98oqvk0sq2vshxe5

O século de Plinio Corrêa de Oliveira

O título deste post foi retirado do artigo de Marco Respinti que assim intitulou sua reportagem sobre o centenário de nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira (1908 - 1995) publicada no semanário italiano, muito influente nesse país, "Il Dominicale".

(Figura acima: símbolo do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira)

O mesmo título serviu de inspiração para a publicação do artigo de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Princípe Imperial do Brasil, sobre o mesmo tema, na Folha de São Paulo (12/12/2008). (Clique aqui para ler)

O tema também foi abordado pelo deputado Lael Varella (DEM-MG) em discurso na Câmara dos Deputados (17/12/2008). (Clique aqui para ler)

Junto com essas ilustres homenagens, nos dias 11 a 14 de dezembro, ocorreram em São Paulo eventos promovidos pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira para comemorar os 100 anos de nascimento de, nas palavras do Dep. Lael Varella, "um dos maiores, senão o maior líder católico da Terra de Santa Cruz de todos os tempos".


(Foto acima: Jockey Club de São Paulo. Entre os participantes do envento, convém mencionar a presença do bispo lituano da cidade de Siauliai, D. Eugenius Bartulis, Mons. Gilles Wach, fundador e prior-geral do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, Príncipe D. Luiz e de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil, D. Bertrand de Orleans e Bragança e do duque Paul von Oldenburg.)

Conforme a revista Catolicismo (Janeiro/2009):

O bispo lituano da cidade de Siauliai, D. Eugenius Bartulis, celebrou a solene Missa, em rito tradicional, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em São Paulo (foto abaixo).

Atuou como presbítero assistente Mons. Gilles Wach, fundador e prior-geral do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, como diácono Frei Tiago de São José, e como subdiácono Pe. David Francisquini.

Diversos outros sacerdotes estiveram presentes.

No sermão, assim se expressou D. Bartulis:

“Hoje a Igreja celebra a solenidade de Santa Luzia. Devemos rezar e nos regozijar nesta magnífica data em que celebramos o centenário de nascimento de Dr. Plinio.

“Nesta maravilhosa igreja ele recebeu a primeira Comunhão, e nesta igreja rezou também sua mãe, que queria que seu filho fosse um bom homem no futuro. E quando Dr. Plínio tinha mais ou menos nove anos, foi nesta igreja, no altar de Nossa Senhora Auxiliadora, que ele rezou pelo seu futuro.

“No dia de hoje, nós todos agradecemos a Deus por Dr. Plinio e rezamos para que o apostolado dele esteja no coração de todos nós, para desenvolvê-lo cada vez mais. Eu rezo para que vossa organização dê muitos frutos no futuro. Deo gratias”.

Com a presença da imagem de Nossa Senhora de Fátima, peregrina internacional que chorou em Nova Orleans, em 1972, que veio a São Paulo para as cerimônias dos cem anos do nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira, no dia 14 de dezembro, foram realizadas várias conferências no Hotel Renaissance como encerramento dos eventos.

A abertura desse último ato foi feita pelo Dr. Adolpho Lindenberg (Foto ao lado), presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Entre as excelentes conferências, menciono a que mais me chamou a atenção. Ela foi proferida pelo Prof. Roberto de Mattei, presidente da Fondazione Lepanto, professor de História Moderna naUniversidade de Cassino (Itália) e vice-presidente do Conselho Nacionalde Pesquisado governo italiano. Segue um trecho:

"Plinio Corrêa de Oliveira conheceu e amou a História da Igreja desde as suas origens. Se tivesse vivido nos primeiros séculos da Igreja, teria enfrentado, com coragem indômita, as feras nas arenas do circo. Se tivesse vivido na época de Constantino, teria ocupado um lugar de destaque no combate pela pureza da fé.

(Foto ao lado: discurso do Prof. Roberto de Mattei)

"Seu coração teria exultado de alegria na noite de Natal do ano 800, ocasião em que Carlos Magno foi coroado em Roma, dando origem ao Sacro Império Romano.

"Plinio Corrêa de Oliveira, que proclamou a Cruzada do século XX, teria sido um dos primeiros a responder ao apelo do Beato Urbano II e a levar a cruz. Na perda do espírito de cruzada, ele leu o início da decadência da Idade Média.

"Não teria tido nenhuma compaixão pelos revoltosos do espírito, teria combatido contra os protestantes. Ninguém estudou ou conheceu, como ele, a história da Revolução Francesa.

"Quis a Providência que ele não fosse nada disso, mas que fosse, mais até em sua pessoa que em suas obras, o eco fidelíssimo de todas essas posições no século XX. As palavras vir catholicus, totus apostolicus, plene romanus, que hoje lemos na lápide de seu túmulo em São Paulo, resumem a sua vocação.

"Roma, Itália e a Europa retomam a herança de Plinio Corrêa de Oliveira e renovam hoje, através das minhas palavras, o empenho de fazer de sua vida e de sua obra o nosso futuro.

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O autor deste post teve a honra de poder participar destas comemorações inesquecíveis. Para maiores detalhes, recomendo a leitura do relatório dos enventos publicado no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. (Clique aqui)

(Foto ao lado: Depois da sessão solene no auditório do Hotel Renaissance. Duque Paul von Oldenburg — descendente do Kaiser Guilherme II e da família dos czares da Rússia — membro da TFP alemã, portando a respectiva capa, e eu, tendo ao fundo o medalhão do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, com a efígie do homenageado.)