sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Terreiros e Agulhas

Quando eu soube do caso do menino das agulhas na mesma hora me perguntei; será que o candomblé tem alguma coisa a ver com isso? A dúvida ficou! Não obstante, outro dia, vendo uma reportagem do caso, vi que se referia ao padrasto e duas mulheres envolvidos com "magia negra". Caríssimos leitores, desde já saibam que "magia negra" é a versão politicamente correta de chamar "religiões afro-brasileiras". Obviamente, descobriram que o ritual com as agulhas fora orquestrado por uma mãe-de-santo.

A glamourização das religiões afro-brasileiras é assustadora. Aqui na Bahia o candomblé já virou quase religião oficial. Claro que das três vertentes; candomblé, umbanda e quimbanda, a primeira é a mais “leve”, talvez por ser mais mitológica e tradicional, entretanto, não necessariamente menos obscura. Com a supervalorização do candomblé - aqui na Bahia quase não existe umbanda ou quimbanda - os terreiros se tornaram baluartes da cultura "afro". Justamente por isso, esta religião se tornou menos "religiosa" e mais "cultural". De forma prática podemos dizer que existe o candomblé para o povo reverenciar - e o governo financiar - e o candomblé de verdade, oculto, reservado aos iniciados, onde mata-se bodes e bebe-se sangue de galinha.

No meu bairro, que não tem terreiro de macumba, com uma população cristã, considerado de classe média, encontraram, certa vez, o corpo de uma criança recém nascida, sem as mãos, com marcas de esfaqueamento, ainda com o cordal umbilical, jogado numa lata de lixo e, perto dali, um carro com aparentes pais-de-santos. Salvador precisa de uma nova evangelização! Que Deus nos conceda um Arcebispo com espírito missionário!

Achei engraçado quando depois da reportagem, num jornal local, falando do envolvimento da mãe-de-santo no caso, passaram uma outra sobre certa exposição com fotos de várias matriarcas dos terreiros daqui de Salvador. Ou ninguém percebe o óbvio ou a ditadura do politicamente correto, com a intolerância dos tolerantes, impede uma análise sensata dos fatos.

OBS: Se fosse um Padre o autor desse terrível crime, vixe, já teria sido capa de não sei quantas revistas, com alguma montagem se referindo às agulhas e à Cruz na capa. Algum historiador iria aparecer falando da relação da Santa Inquisição com a técnica das agulhas e todos canais de televisão abordariam o caráter opressivo e abusivo do Catolicismo.

6 comentários:

Antipríncipe disse...

Eu imagino, caro amigo, que para um cristão católico o ambiente sincrético da Bahia deva ser sufocante.

Giovani Rodrigues disse...

Foi o que pensei também ao ver a notícia pela primeira vez, Pedro.

No Jornal Hoje, após a reportagem, Evaristo Costa disse que haviam conversado, em off, nos estúdios com um pai de santo que afirmou desconhecer sacrifícios humanos na sua religião.

Como disse:é a vigência da ditadura do politicamente correto imperando...

Morg Ana disse...

Hoje fui obrigada a ver Ana Maria Braga, pois tive que ir ao hospital, e no programa ela pedia desculpas aos pais-de-santo pela reportagem que teria passado no dia anterior. Ela recebeu cartas indignadas de gente da umbanda dizendo que tais crimes não são coisa de pai-de-santo sério... Ora, e quem fiscaliza essa gente? Tem um Papa para eles? Então como saber quem é "legítimo" e quem não é? O politicamente correto impera!

Anônimo disse...

A existência de alguns padres pedófilos não torna a prática da pedofilia algo comum, aceito e incentivado pela Igreja. Eu não posso confundir padre pedófilo com Catolicismo. Só tenho isso a dizer.

Pedro Ravazzano disse...

Jerry,

Só que no Catolicismo não existem ritos que se aproximem da pedofilia. Eu não acredito que todos os terreiros pratiquem sacrifícios humanos ou barbaridades similares, mas que promovem rituais grotescos, com a morte de animais, isso é inconteste.

Unknown disse...

Claro, como se religião fosse salvação pra alguma coisa....