Depois que li o artigo tive uma impressão muito nítida; a mesma Polônia que vem se tornando um bastião de racionalidade econômica - racionalidade nada neoclássica, diga-se de passagem, rsrs - e do free-market numa Europa submersa nos princípios politicamente corretos, com países embriagados com a estatolatria moderna, é a mesma Polônia que já é uma das poucas nações do continente que resiste às pressões do Parlamento Europeu que tenta, a todo custo, transformar o valente país polaco numa sucursal eslava da Holanda.
Mas essa "coincidência" não é nada estranha, ao contrário, muito natural. Nos países em que o Estado regula a economia, tolhe a criatividade do mercado e renega o princípio da subsidiariedade, o mesmo Estado, incensado e entronizado como dono das almas e dos corpos, legisla, até mesmo, sobre o direito natural, define a moral e a relativiza.
O partido responsável pelo progresso polonês, a Plataforma Cívica (PO), defende iniciativas econômicas liberais, próximas aos modelos austríacos, e, ao mesmo tempo, adota posições conservadoras na defesa da família e da sadia moralidade. Alguém pode questionar que, assim como as nações estatólatras, o Estado polonês também vai além dos seus poderes quando tolhe o direito dos homossexuais ao casamento ou das mulheres ao aborto, por exemplo. Entretanto, o que o Estado polaco faz é, simplesmente, resguardar o jusnaturalismo e, justamente por zelar por esse direito, é que não intervém para reformular leis permitindo, assim, o aborto ou a união entre homossexuais.
Um partido fundado em 2001 hoje tem 209 cadeiras das 460 do Sejm e 60 cadeiras das 100 do Senado além, é claro, de Donald Tusk, presidente da PO, ser o atual Primeiro-Ministro da Polônia. Ademais, a presidência da república polonesa é encabeça por Lech Kasczinski, um homem de grande fé, conservador convicto e ativo na defesa da família. O seu partido, Lei e Justiça (PiS), a atual segunda força política do país, também fundado em 2001, é muito importante na manutenção dos princípios no governo da PO, numa saudável tensão partidária.
A Polônia moderna é a junção de três grandes fatores; uma nação vigorosamente católica, um país com uma história nacional gloriosa e um povo traumatizado com as atrocidades comunistas.