Não deixem de ver esse documentário. Foi produzido por protestantes americanos e aborda de forma muito pertinente a defesa da vida. Nos Estados Unidos alcançou grande repercussão e teve 1,2 milhão de acessos no YouTube, apenas no primeiro mês. O filme faz um paralelo entre o aborto o e o holocausto dos judeus na Alemanha. O nome é uma metáfora que representa uma mudança completa e radical de opinião.
domingo, 13 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
USP: Um amor pela sabedoria em terras universitárias
Até quando a esquerda estudantil vai continuar dominando toda a estrutura universitária do Brasil? O que ocorreu na USP é uma realidade possível e presente em grande parte das instituições públicas de ensino superior. Entretanto, enquanto os jovens se encontram embriagados com as mais estapafúrdias ideologias, os seus pais preferem acreditar que tudo não passa de um momento da juventude, de que é inexistente em nosso país o espírito marxista revolucionário de outrora.
Os jovens vivem ideologias, isto é, a segunda realidade que pressupõe a deformação do mundo concreto e real. Obviamente falar de “mundo” e “realidade” é quase um contra-senso se sabemos que, em sua grande maioria, estes estudantes bebem da fonte dos clichês e chavões repetidos ad infinitum. Qualquer brasileiro semi-alfabetizado pode em menos de três minutos reproduzir uma sentença “revolucionária” apenas com a montagem de alguma oração que contenha palavras como “opressão”, “burguesia”, “estruturas de poder”, “alienação”, “repressão”, “elites” e, obviamente, muitos adjetivos bem degradantes. Não há necessidade de lógica e nem de coesão, afinal estes parâmetros emanam de concepções filosóficas produzidas pelas classes dominantes.
Como bem sabia Popper o marxismo chega ao ápice da impossibilidade de ser falsificado, já que tudo se encontra dentro da dinâmica interna que, como também compreendeu Von Mises, parte da bizarra idéia polilógica. Se tudo é fruto da estrutura burguesa, desde instituições até a razão e a realidade, tudo é passível de ser destruído. O que aconteceu na USP é extremamente normal se olhamos o contexto completo, ou seja, a influência de pensamentos nefastos, a crise da razão, a ascensão da mentalidade positivista e dos princípios marxistas etc.
Entretanto o circo uspiano já ultrapassou o limite da ridicularidade dos próprios esquerdistas. Se alguém aparecesse com a idéia de que tudo fora orquestrado pelos “tucanos golpistas” para debochar da esquerda estudantil eu até acharia mais lógico e sensato. Mas tendo em vista que a lógica e a sensatez faltam aos montes por essas bandas, é realmente um verdadeiro estudante indignado aquele que aparece na televisão dizendo que quer o direito de fumar o seu “cigarrinho” e que a PM – que reduziu o índice de criminalidade na Cidade Universitária – é o cão da “elite”. E, do mesmo modo, tais jovens de fato apelam para as leis do estado democrático de direito – sim, o mesmo estado “burguês e elitista” que mantém a “satânica” polícia militar – buscando resguardar os seus direitos de cidadãos.
Os jovens vivem ideologias, isto é, a segunda realidade que pressupõe a deformação do mundo concreto e real. Obviamente falar de “mundo” e “realidade” é quase um contra-senso se sabemos que, em sua grande maioria, estes estudantes bebem da fonte dos clichês e chavões repetidos ad infinitum. Qualquer brasileiro semi-alfabetizado pode em menos de três minutos reproduzir uma sentença “revolucionária” apenas com a montagem de alguma oração que contenha palavras como “opressão”, “burguesia”, “estruturas de poder”, “alienação”, “repressão”, “elites” e, obviamente, muitos adjetivos bem degradantes. Não há necessidade de lógica e nem de coesão, afinal estes parâmetros emanam de concepções filosóficas produzidas pelas classes dominantes.
Como bem sabia Popper o marxismo chega ao ápice da impossibilidade de ser falsificado, já que tudo se encontra dentro da dinâmica interna que, como também compreendeu Von Mises, parte da bizarra idéia polilógica. Se tudo é fruto da estrutura burguesa, desde instituições até a razão e a realidade, tudo é passível de ser destruído. O que aconteceu na USP é extremamente normal se olhamos o contexto completo, ou seja, a influência de pensamentos nefastos, a crise da razão, a ascensão da mentalidade positivista e dos princípios marxistas etc.
Entretanto o circo uspiano já ultrapassou o limite da ridicularidade dos próprios esquerdistas. Se alguém aparecesse com a idéia de que tudo fora orquestrado pelos “tucanos golpistas” para debochar da esquerda estudantil eu até acharia mais lógico e sensato. Mas tendo em vista que a lógica e a sensatez faltam aos montes por essas bandas, é realmente um verdadeiro estudante indignado aquele que aparece na televisão dizendo que quer o direito de fumar o seu “cigarrinho” e que a PM – que reduziu o índice de criminalidade na Cidade Universitária – é o cão da “elite”. E, do mesmo modo, tais jovens de fato apelam para as leis do estado democrático de direito – sim, o mesmo estado “burguês e elitista” que mantém a “satânica” polícia militar – buscando resguardar os seus direitos de cidadãos.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
"Os dois pilares humanos", por Dom Luigi Giussani

Coloco a seguir um trecho muito interessante do livro "El atractivo de Jesucristo", de Dom Luigi Giussani, que transcrevi e traduzi:
Os dois pilares humanos de qualquer relação são, por um lado e antes de tudo, a admiração e, por outro, o sacrifico.
A admiração sempre remete a uma presença, mas uma presença que é algo excepcional. A admiração te remete não à presença da pessoa como tal é, senão a algo excepcional que há nela, que vibra no ar dessa pessoa. Essa pessoa, de fato, há sido e é “criada”, se fez Outro, te manda a Outro, há algo que está antes dela.
Este “algo que está antes dela” se há feito homem e você já conhece a história: por ela tem fé e amor a Ele. Mas essa Presença que é anterior à presença que te impressionou tem que fazer com que entre nela. A memória dAquele que a fez, dAquele que a faz, de Cristo, deve penetrar na presença que te há impressionado.
E isto implica um sacrifício contra tudo o que quereria te deter na surpresa, que ficasse na admiração. Portanto, é mediante a admiração e o sacrifício como se afirma a Deus, perdão, como se afirma a Cristo, porque Deus se há feito Cristo.
Em resumo, podemos identificar três momentos:
- A você algo te impressiona. Mas algo te impressionou verdadeiramente quando diz: “Que grande é Deus” Como minha mãe com as estrelas do céu: “Deus, que grande és!”
- Então o assombro que experimento se deve a algo que está “antes” que essa estrela. Agora bem, isso que é anterior a essa estrela se fez homem. Esta é a graça, a graça que foi dada, a fonte da graça: a fé.
- Mas é então quando começa a tua tarefa: você deve fazer passar a isso que vimos antes, que está antes, a Deus que fez essa estrela, que se fez homem; tem que deixar entrar a este homem dentro do aspecto que te impressiona. Então esse aspecto se volta verdadeiro, mais verdadeiro, cada vez mais verdadeiro, e te completa cada vez mais, porque é o Eterno quem penetra nele. Mas para que deixe entrar ao “que está antes” do que te impressionou e que Ele há feito, requer-se a cruz, o sacrifício: o sacrifício e a cruz, quer dizer, separar-se de tudo o que faria deter-se na simples admiração. Se você para nela não dará espaço a tudo o que a coisa tem; se para na admiração à estrela não verá todo o espaço a que pertence, todo o espaço que a estrela te sugere, não verá todo o céu, todas as outras estrelas. É mais verdadeiro separar-se disto e dizer, como disse minha mãe: “Que grande é Deus!”: faz com que a estrela resulte mais verdadeira. Já não a pode perder. Depois de 50 anos, que vá, depois de 60 anos, já não a perderei.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
O Brasil positivista

Pedro Ravazzano
O estado brasileiro faz jus às suas origens mais positivistas. O lema “Ordem e Progresso” não é outra coisa senão a construção da sociedade política que se impõe antes de converter. Destarte, o positivismo religioso transformou a sociologia na sociolatria sociocrática. Nessa nova realidade não há espaço para Deus, mas apenas para a “Humanidade” e seus novos sacerdotes.
Atualmente vivemos um cenário político bem peculiar. Se outrora parecia que as propostas revolucionárias precisavam, necessariamente, de jogadas constitucionais para galgar espaço institucional, hoje a carta magna se simplificou a uma idéia vaga, rarefeita e difusa de lei, bem-estar, bem comum, sociedade etc, que existem nas cabeças dos nossos legisladores. Assim, a liberação de “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, ainda que seja claramente inconstitucional, torna-se constitucional se parte dos axiomas recorrentes da jurisprudência tipicamente fundada em pressupostos positivistas.
O positivismo, como pensado por Augusto Comte, tem uma metodologia muito peculiar e estruturada. Acredita que a melhor forma para conquistar seus fins é empregar uma disciplina brutal que passa pela tomada do governo e, só em seguida, a conquista dos sujeitos. O novo sistema, como disse o pensador francês, persegue, acima de tudo, a aquisição do poder.
O rechaço de Comte à democracia é reflexo da sua mentalidade totalitária. Contudo, se buscava sequazes entre as classes inferiores era unicamente por acreditar que eram menos infectados pela “cultura escolástica”. Ainda proclamando que a solução positivista geraria maior bem-estar aos trabalhadores que o comunismo, pede dos trabalhadores apenas submissão, tendo em vista que estes não gozariam de nenhum espaço nos negócios públicos. Desta forma defende que o melhor governo é o governo dos fortes – positivistas – contra os débeis, regidos pela razão positivista “que se apresenta de modo exclusivista e não é capaz de perceber algo para além do que é funcional, assemelha-se aos edifícios de cimento armado sem janelas, nos quais nos damos o clima e a luz por nós mesmos e já não queremos receber estes dois elementos do amplo mundo de Deus” (Bento XVI, Discurso ao Parlamento Federal, Berlim, 22 de Setembro de 2011).
Dentro dos devaneios positivistas, com sua religião, seu culto como um decalque mal feito do culto católico, com a adoração do seu triunvirato religioso – “Espaço, Terra e Humanidade” - e do rebaixamento diante da deusa razão, Comte pensava no indivíduo como mera abstração, uma emanação do “Grande Ser”, dirigido pelo “papado positivista”.
Hoje o Brasil não destoa muito das pretensões delirantes comteanas. De fato, há uma inegável influência da mentalidade marxista, entretanto, a forte carga positivista se faz presente na construção do espírito que permeia os fundamentos do estado em todos os seus âmbitos. De tal sorte que os cidadãos se transformam em sujeitos dirigidos pelos homens que já transcenderam – dentro desta ótica particular – e que se consagram ao serviço da “Sociedade”, isto é, uma idéia pouco definida e objetiva da comunidade que forma a nação.
Destarte, o estado não mais se entende, em suas bases, como servidor, mas sim como o sumo condutor que aponta a via pela qual todos os homens devem passar. A inversão da função essencial do estado é a virada positivista que enxerga no governo a missão profética de criar, por meio dessa “metafísica social” e fundamentalmente tirânica, a humanidade sem pessoas, ou seja, homens sem liberdade, sem uma alma feita à imagem e semelhança de Deus.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
O acontecimento cristão no mundo moderno

Pedro Ravazzano
Como fazer com que o cristianismo volte a ser o evento fundante do homem inserido na modernidade? A urgência da Igreja hoje é fazer com que o evento cristão retorne à sua condição de princípio fundante da cultura, da sociedade, do homem. Não obstante, sofremos atualmente, além de toda a complexa realidade moderna, com uma forte carga interna em certos setores eclesiais que buscam ou reduzir o cristianismo a certo moralismo ou, então, ao espírito que vai além dos caminhos da Igreja. A solução passa, primeiramente e antes de tudo, pela adesão e experiência do eu na pessoa de Jesus Cristo.
O cristianismo corre o risco, no tempo atual, de engessar-se na lei, isto é, num simples aparato normativo que regula as relações do homem consigo, com outros homens e com a Igreja. Ademais, do mesmo modo, existe uma carga ideológica que pretende fazer uma dissociação entre a religião enquanto instituição e o cristianismo pensado como uma mensagem difusa, rarefeita, individual e horizontal. Assim, configuram-se duas facetas das discussões internas; o tradicionalismo e o progressismo. O então Cardeal Ratzinger afirmou que “o cristianismo não é teoria, nem moralismo, nem ritualismo, mas um acontecimento, encontro com uma presença, com um Deus que entrou na história e nela entra continuamente.”
Primeiramente, devemos pensar que a resposta para a "crise" não se encontra em devaneios "contra-revolucionários", projetos de poder “de direita” ou "de esquerda", na mística puritana, muito menos no tradicionalismo, arquelogismo, modernismo etc, mas sim no fazer com que o homem reconheça-se como homem inserido no real e onde, ao se enxergar enquanto um ser fundamentando em, redescobre a este Deus que Se encontra presente na realidade. Aquilo que Henri de Lubac entende como "o problema humano total.” Quanto menos “homem”, quanto mais afastado de Deus, mais desesperadora e angustiante se torna a vida. Chegamos, então, à degradação anunciada por Dostoievski, ao Kirilov que na sua lógica racional niilista descobre no suicídio a verdadeira libertação e divinização do homem, na revolta existencialista de Raskolnikoff, no delírio utópico de Vierkhoviénski etc.
A urgência atual, ou seja, esse redescobrimento da humanidade e, conseqüentemente, do cristianismo, é recolocar Cristo no lugar em que Ele ocupa, de fato, no mais profundo das consciências, da natureza, da realidade. Derrubar a muralha de ilusões onde parece que as "grandes almas" só são grandes quando desprezam a condição humana. O cristianismo precisa voltar a ser vivente. O que Soren Kierkegaard disse - "Que se prepare a estar atento ao Cristianismo não pela leitura de livros nem pelas perspectivas histórico-mundiais, senão pelo aprofundamento na existência." – pode ser entendido dentro da visão de Mons. Luigi Giussani; “o acontecimento cristão faz aflorar e acende toda a dramaticidade da nossa existência” e, assim, por meio do “acontecimento cristão” é possível “um encontro humano no qual Jesus Cristo se revela significativo para o coração da vida e desvela o eu.”
Bento XVI, na sua encíclica Deus Caritas Est, afirmou que “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.” Nesse sentido, as duas posições acima colocadas aparecem como distorcidas, fragmentadas e, muitas vezes, além das fronteiras dos ensinamentos cristãos. Não obstante, entender o cristianismo como acontecimento não deve ser visto como sinônimo de subjetivismo, isto é, antípoda à Igreja institucional. Obviamente, as leis e a doutrina são conseqüências do evento fundante, da encarnação do Verbo.
O risco que corremos ao esquecer o caráter novo e atual do cristianismo, que dá início a um novo processo, é cair em percepções bem reduzidas. Ao passo que o tradicionalismo pretende colocar a lei acima de Cristo – ainda que a primeira seja, obviamente, uma emanação do evento cristão – o progressismo insiste em desconstruir o fundamento histórico da pessoa de Jesus e a sua validade enquanto acontecimento. Mediante essa derrocada, torna-se possível a equiparação da fé cristã com qualquer outra religião, já que a encarnação do Verbo é única, inclusive do ponto de vista da estrutura fenomenológica se confrontada com outras percepções do sagrado.
Destarte, “O homem de hoje, dotado de possibilidades operativas como nunca antes na história, tem grande dificuldade em perceber Cristo como resposta clara e certa para o significado do seu próprio engenho.”, como disse Giussani. Entretanto, o homem, unido ao evento cristão, deve redescobrir-se como dependente e consciente da sua necessidade humana e, a partir da constatação da realidade, miserável da graça de Deus. Apenas nessa experiência pessoal com Cristo é possível construir a “Civilização do Amor”, anunciada pelo Servo de Deus Paulo VI, em plena modernidade.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A epopéia do homem e a “Árvore da Vida”

Pedro Ravazzano
O filme “Árvore da Vida” se mostrou uma grata surpresa. De fato, sempre tive certa desconfiança com filmes “cults”, até porque não sabia onde começava o real conteúdo e onde acabavam os devaneios delirantes dos seus diretores. Entretanto, o filme de Terrence Malick se destaca pela marcada coesão da abordagem, pela estética profunda e pela visão perspicaz acerca da condição humana.
A obra pode ser dividida em três partes centralizadas em momentos específicos. O primeiro questionamento lançado ao início; “Senhor, onde estavas?” tem como resposta a epopéia da criação, o ato de amor de Deus ao pensar o mundo, as criaturas e o homem. Não obstante, a vida do ser humano, a sua condição enquanto inserido na realidade, como colocado pelo enredo, é, do mesmo modo, uma clara alusão ao amor de Deus. E, por que não como um contínuo ato de criação? O amor do Senhor, destarte, encarna-se na gênese do mundo e do homem. Creio que, nessa visão, o filme se aproxima muito da percepção zubiriana a respeito da presença de Deus na realidade, isto é, enquanto modo fundante das coisas reais. Assim, toda coisa real é realidade justamente por ser fundada em Deus. Do mesmo modo, o homem sustenta-se nesse princípio fundante. A busca do fundamento não se inicia a partir de uma saída de si, mas sim de acatar desde onde viemos no que se refere à aceitação da realidade humana. A deidade, o poder do real, é poder “transcendente”, abarca todas as coisas e as transcende. Assim diz Zubiri; “El descubrimiento de la deidad no es el resultado de una experiencia determinada del hombre, sea histórica, social o psicológica, sino que es el principio mismo de toda esa posible experiencia.”
Em seguida, refletindo sobre a angústia da alma, na retrospectiva da vida e da história, o garoto encontra-se confrontado com um estado polarizado, a luta entre a natureza – o pai – e a graça – a mãe. O filme coloca na boca do rapaz uma passagem quase literal de São Paulo. Diz o Apóstolo dos Gentios; “Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço.” (Rom 7, 15) enquanto a personagem “O que gosto não faço, mas faço o que odeio”. A angústia é a antípoda do amor conhecido por meio da graça e apenas amando a vida se torna plena no sentido de que, assim, realiza-se a vocação do homem; “Para quem não ama a vida passa como um raio.”
Uma das últimas falas do filme é um convite à eternidade; “Siga-me”. O encontro com Deus passa pela compreensão da história, aquilo que Mons. Luigi Giussani colocara do seguinte modo; “Tudo o que Deus permite é para um desenvolvimento, para uma vida, para uma história, para um destino; das Suas mãos tudo sai como semente, como promessa.”. A promessa do homem é, então, a sua vocação à existência absoluta com o Senhor. A epopéia da vida, paralela à epopéia da criação, é onde o homem, enxergando os sinais divinos na realidade, entende a sua condição e, portanto, necessitado da graça. O filme faz uma reflexão pertinente, lançando mão de um belo jogo de imagens, emolduradas com composições pontuais que elevam o espírito, mostrando a presença de Deus nas consciências e na natureza. Nesse sentido, levando em consideração não apenas o enredo em si, mas até o modo como Terrence Malick contextualiza e apresenta, fica-se clara a incursão em prol da apresentação da alma que descansa e encontra o seu alento unicamente junto ao Senhor.
domingo, 16 de outubro de 2011
O cristianismo hoje

Pedro Ravazzano
O mundo atual vive a grave crise do espírito, uma decadência que impossibilita o homem de exprimir aquilo que, de fato, é. Obviamente, a religião é afetada justamente por ser o ápice da vocação transcendental da humanidade, entretanto, todas as marcas características da sua condição também são atingidas. Nesse sentido, o acontecimento cristão, isto é, o conhecimento do homem da sua natureza mais profunda, é o meio pelo qual ele pode alçar os altos vôos do espírito.
A gênese da crise remonta ao Renascimento, passando pela Reforma Protestante e pela luta anti-metafísica da filosofia moderna. A desconstrução da capacidade de conhecimento do homem, atrelado às querelas ontológicas e ao triunfo do indivíduo saído do protestantismo forjaram aquilo que deu forma a muitos dos axiomas da modernidade. Assim, na realidade atual, encontramos homens indiferentes ao transcendente, fechados em si e incapacitados de conhecer. A solidão contemporânea é, então, fruto do vazio interior, do desconhecimento do eu e da impossibilidade de considerar a sua condição radical, totalmente oposta ao amor que fundamenta a relação trinitária e a vivência cristã. Bento XVI, na celebração ecumênica em Erfurt, disse; "A unidade suprema não é solidão duma mónada, mas unidade através do amor. Acreditamos em Deus, no Deus concreto. Acreditamos no facto que Deus nos falou e Se fez um de nós. Dar testemunho deste Deus vivo é a nossa tarefa comum no momento actual."
Nesse sentido, é importante se afastar de dois pólos diametralmente opostos. Por um lado corre-se o risco de cair num certo saudosismo tradicionalista, onde o passado deixa de ser a memória da qual o homem no presente se inspira para se transformar na realidade almejada no hoje. Justamente por se fundamentar no passado, os que assim pensam vivem num constante pessimismo e melancolia já que o pretérito nunca se tornará atual. E, por outro lado, existem os entusiastas do futuro, onde o presente é apenas a ante-sala do que poderá vir a ser e o passado um rascunho mal feito da tão almejada utopia.
Entretanto, o homem deve, partindo da experiência do passado – não só pessoal, mas enquanto homem inserido na história, na cultura, na Civilização – realizar o presente, através da realidade na qual está submergido e, assim, edificar o futuro. Não obstante, encontramos na modernidade “indivíduos” que, omitindo a sua condição vertical, vivem numa constante indiferença e alienação. O cristianismo e a sua perene atualidade e atualização, afinal o mistério de Jesus Cristo se coloca aos homens de todas as eras, abre, justamente, essa dinâmica interna do nosso estado. Assim, possibilita a intimidade com Deus e, como resultado imediato dessa experiência, a relação transformada na história. Como disse o Santo Padre no encontro com os representantes do conselho da Igreja Evangélica da Alemanha; "Naturalmente, a fé deve ser repensada e sobretudo vivida hoje de um modo novo, para se tornar uma realidade que pertença ao presente." Destarte, o cristianismo, nos tempos modernos, fulgura como o único meio pelo qual pode o homem reconhecer o seu reflexo e compreender a mais profunda vocação da sua natureza.
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