quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Brasil positivista

Pedro Ravazzano

O estado brasileiro faz jus às suas origens mais positivistas. O lema “Ordem e Progresso” não é outra coisa senão a construção da sociedade política que se impõe antes de converter. Destarte, o positivismo religioso transformou a sociologia na sociolatria sociocrática. Nessa nova realidade não há espaço para Deus, mas apenas para a “Humanidade” e seus novos sacerdotes.

Atualmente vivemos um cenário político bem peculiar. Se outrora parecia que as propostas revolucionárias precisavam, necessariamente, de jogadas constitucionais para galgar espaço institucional, hoje a carta magna se simplificou a uma idéia vaga, rarefeita e difusa de lei, bem-estar, bem comum, sociedade etc, que existem nas cabeças dos nossos legisladores. Assim, a liberação de “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, ainda que seja claramente inconstitucional, torna-se constitucional se parte dos axiomas recorrentes da jurisprudência tipicamente fundada em pressupostos positivistas.

O positivismo, como pensado por Augusto Comte, tem uma metodologia muito peculiar e estruturada. Acredita que a melhor forma para conquistar seus fins é empregar uma disciplina brutal que passa pela tomada do governo e, só em seguida, a conquista dos sujeitos. O novo sistema, como disse o pensador francês, persegue, acima de tudo, a aquisição do poder.

O rechaço de Comte à democracia é reflexo da sua mentalidade totalitária. Contudo, se buscava sequazes entre as classes inferiores era unicamente por acreditar que eram menos infectados pela “cultura escolástica”. Ainda proclamando que a solução positivista geraria maior bem-estar aos trabalhadores que o comunismo, pede dos trabalhadores apenas submissão, tendo em vista que estes não gozariam de nenhum espaço nos negócios públicos. Desta forma defende que o melhor governo é o governo dos fortes – positivistas – contra os débeis, regidos pela razão positivista “que se apresenta de modo exclusivista e não é capaz de perceber algo para além do que é funcional, assemelha-se aos edifícios de cimento armado sem janelas, nos quais nos damos o clima e a luz por nós mesmos e já não queremos receber estes dois elementos do amplo mundo de Deus” (Bento XVI, Discurso ao Parlamento Federal, Berlim, 22 de Setembro de 2011).

Dentro dos devaneios positivistas, com sua religião, seu culto como um decalque mal feito do culto católico, com a adoração do seu triunvirato religioso – “Espaço, Terra e Humanidade” - e do rebaixamento diante da deusa razão, Comte pensava no indivíduo como mera abstração, uma emanação do “Grande Ser”, dirigido pelo “papado positivista”.

Hoje o Brasil não destoa muito das pretensões delirantes comteanas. De fato, há uma inegável influência da mentalidade marxista, entretanto, a forte carga positivista se faz presente na construção do espírito que permeia os fundamentos do estado em todos os seus âmbitos. De tal sorte que os cidadãos se transformam em sujeitos dirigidos pelos homens que já transcenderam – dentro desta ótica particular – e que se consagram ao serviço da “Sociedade”, isto é, uma idéia pouco definida e objetiva da comunidade que forma a nação.

Destarte, o estado não mais se entende, em suas bases, como servidor, mas sim como o sumo condutor que aponta a via pela qual todos os homens devem passar. A inversão da função essencial do estado é a virada positivista que enxerga no governo a missão profética de criar, por meio dessa “metafísica social” e fundamentalmente tirânica, a humanidade sem pessoas, ou seja, homens sem liberdade, sem uma alma feita à imagem e semelhança de Deus.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O acontecimento cristão no mundo moderno

Pedro Ravazzano

Como fazer com que o cristianismo volte a ser o evento fundante do homem inserido na modernidade? A urgência da Igreja hoje é fazer com que o evento cristão retorne à sua condição de princípio fundante da cultura, da sociedade, do homem. Não obstante, sofremos atualmente, além de toda a complexa realidade moderna, com uma forte carga interna em certos setores eclesiais que buscam ou reduzir o cristianismo a certo moralismo ou, então, ao espírito que vai além dos caminhos da Igreja. A solução passa, primeiramente e antes de tudo, pela adesão e experiência do eu na pessoa de Jesus Cristo.

O cristianismo corre o risco, no tempo atual, de engessar-se na lei, isto é, num simples aparato normativo que regula as relações do homem consigo, com outros homens e com a Igreja. Ademais, do mesmo modo, existe uma carga ideológica que pretende fazer uma dissociação entre a religião enquanto instituição e o cristianismo pensado como uma mensagem difusa, rarefeita, individual e horizontal. Assim, configuram-se duas facetas das discussões internas; o tradicionalismo e o progressismo. O então Cardeal Ratzinger afirmou que “o cristianismo não é teoria, nem moralismo, nem ritualismo, mas um acontecimento, encontro com uma presença, com um Deus que entrou na história e nela entra continuamente.”

Primeiramente, devemos pensar que a resposta para a "crise" não se encontra em devaneios "contra-revolucionários", projetos de poder “de direita” ou "de esquerda", na mística puritana, muito menos no tradicionalismo, arquelogismo, modernismo etc, mas sim no fazer com que o homem reconheça-se como homem inserido no real e onde, ao se enxergar enquanto um ser fundamentando em, redescobre a este Deus que Se encontra presente na realidade. Aquilo que Henri de Lubac entende como "o problema humano total.” Quanto menos “homem”, quanto mais afastado de Deus, mais desesperadora e angustiante se torna a vida. Chegamos, então, à degradação anunciada por Dostoievski, ao Kirilov que na sua lógica racional niilista descobre no suicídio a verdadeira libertação e divinização do homem, na revolta existencialista de Raskolnikoff, no delírio utópico de Vierkhoviénski etc.

A urgência atual, ou seja, esse redescobrimento da humanidade e, conseqüentemente, do cristianismo, é recolocar Cristo no lugar em que Ele ocupa, de fato, no mais profundo das consciências, da natureza, da realidade. Derrubar a muralha de ilusões onde parece que as "grandes almas" só são grandes quando desprezam a condição humana. O cristianismo precisa voltar a ser vivente. O que Soren Kierkegaard disse - "Que se prepare a estar atento ao Cristianismo não pela leitura de livros nem pelas perspectivas histórico-mundiais, senão pelo aprofundamento na existência." – pode ser entendido dentro da visão de Mons. Luigi Giussani; “o acontecimento cristão faz aflorar e acende toda a dramaticidade da nossa existência” e, assim, por meio do “acontecimento cristão” é possível “um encontro humano no qual Jesus Cristo se revela significativo para o coração da vida e desvela o eu.”

Bento XVI, na sua encíclica Deus Caritas Est, afirmou que “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.” Nesse sentido, as duas posições acima colocadas aparecem como distorcidas, fragmentadas e, muitas vezes, além das fronteiras dos ensinamentos cristãos. Não obstante, entender o cristianismo como acontecimento não deve ser visto como sinônimo de subjetivismo, isto é, antípoda à Igreja institucional. Obviamente, as leis e a doutrina são conseqüências do evento fundante, da encarnação do Verbo.

O risco que corremos ao esquecer o caráter novo e atual do cristianismo, que dá início a um novo processo, é cair em percepções bem reduzidas. Ao passo que o tradicionalismo pretende colocar a lei acima de Cristo – ainda que a primeira seja, obviamente, uma emanação do evento cristão – o progressismo insiste em desconstruir o fundamento histórico da pessoa de Jesus e a sua validade enquanto acontecimento. Mediante essa derrocada, torna-se possível a equiparação da fé cristã com qualquer outra religião, já que a encarnação do Verbo é única, inclusive do ponto de vista da estrutura fenomenológica se confrontada com outras percepções do sagrado.

Destarte, “O homem de hoje, dotado de possibilidades operativas como nunca antes na história, tem grande dificuldade em perceber Cristo como resposta clara e certa para o significado do seu próprio engenho.”, como disse Giussani. Entretanto, o homem, unido ao evento cristão, deve redescobrir-se como dependente e consciente da sua necessidade humana e, a partir da constatação da realidade, miserável da graça de Deus. Apenas nessa experiência pessoal com Cristo é possível construir a “Civilização do Amor”, anunciada pelo Servo de Deus Paulo VI, em plena modernidade.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A epopéia do homem e a “Árvore da Vida”

Pedro Ravazzano

O filme “Árvore da Vida” se mostrou uma grata surpresa. De fato, sempre tive certa desconfiança com filmes “cults”, até porque não sabia onde começava o real conteúdo e onde acabavam os devaneios delirantes dos seus diretores. Entretanto, o filme de Terrence Malick se destaca pela marcada coesão da abordagem, pela estética profunda e pela visão perspicaz acerca da condição humana.

A obra pode ser dividida em três partes centralizadas em momentos específicos. O primeiro questionamento lançado ao início; “Senhor, onde estavas?” tem como resposta a epopéia da criação, o ato de amor de Deus ao pensar o mundo, as criaturas e o homem. Não obstante, a vida do ser humano, a sua condição enquanto inserido na realidade, como colocado pelo enredo, é, do mesmo modo, uma clara alusão ao amor de Deus. E, por que não como um contínuo ato de criação? O amor do Senhor, destarte, encarna-se na gênese do mundo e do homem. Creio que, nessa visão, o filme se aproxima muito da percepção zubiriana a respeito da presença de Deus na realidade, isto é, enquanto modo fundante das coisas reais. Assim, toda coisa real é realidade justamente por ser fundada em Deus. Do mesmo modo, o homem sustenta-se nesse princípio fundante. A busca do fundamento não se inicia a partir de uma saída de si, mas sim de acatar desde onde viemos no que se refere à aceitação da realidade humana. A deidade, o poder do real, é poder “transcendente”, abarca todas as coisas e as transcende. Assim diz Zubiri; “El descubrimiento de la deidad no es el resultado de una experiencia determinada del hombre, sea histórica, social o psicológica, sino que es el principio mismo de toda esa posible experiencia.”

Em seguida, refletindo sobre a angústia da alma, na retrospectiva da vida e da história, o garoto encontra-se confrontado com um estado polarizado, a luta entre a natureza – o pai – e a graça – a mãe. O filme coloca na boca do rapaz uma passagem quase literal de São Paulo. Diz o Apóstolo dos Gentios; “Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço.” (Rom 7, 15) enquanto a personagem “O que gosto não faço, mas faço o que odeio”. A angústia é a antípoda do amor conhecido por meio da graça e apenas amando a vida se torna plena no sentido de que, assim, realiza-se a vocação do homem; “Para quem não ama a vida passa como um raio.”

Uma das últimas falas do filme é um convite à eternidade; “Siga-me”. O encontro com Deus passa pela compreensão da história, aquilo que Mons. Luigi Giussani colocara do seguinte modo; “Tudo o que Deus permite é para um desenvolvimento, para uma vida, para uma história, para um destino; das Suas mãos tudo sai como semente, como promessa.”. A promessa do homem é, então, a sua vocação à existência absoluta com o Senhor. A epopéia da vida, paralela à epopéia da criação, é onde o homem, enxergando os sinais divinos na realidade, entende a sua condição e, portanto, necessitado da graça. O filme faz uma reflexão pertinente, lançando mão de um belo jogo de imagens, emolduradas com composições pontuais que elevam o espírito, mostrando a presença de Deus nas consciências e na natureza. Nesse sentido, levando em consideração não apenas o enredo em si, mas até o modo como Terrence Malick contextualiza e apresenta, fica-se clara a incursão em prol da apresentação da alma que descansa e encontra o seu alento unicamente junto ao Senhor.

domingo, 16 de outubro de 2011

O cristianismo hoje

Pedro Ravazzano

O mundo atual vive a grave crise do espírito, uma decadência que impossibilita o homem de exprimir aquilo que, de fato, é. Obviamente, a religião é afetada justamente por ser o ápice da vocação transcendental da humanidade, entretanto, todas as marcas características da sua condição também são atingidas. Nesse sentido, o acontecimento cristão, isto é, o conhecimento do homem da sua natureza mais profunda, é o meio pelo qual ele pode alçar os altos vôos do espírito.

A gênese da crise remonta ao Renascimento, passando pela Reforma Protestante e pela luta anti-metafísica da filosofia moderna. A desconstrução da capacidade de conhecimento do homem, atrelado às querelas ontológicas e ao triunfo do indivíduo saído do protestantismo forjaram aquilo que deu forma a muitos dos axiomas da modernidade. Assim, na realidade atual, encontramos homens indiferentes ao transcendente, fechados em si e incapacitados de conhecer. A solidão contemporânea é, então, fruto do vazio interior, do desconhecimento do eu e da impossibilidade de considerar a sua condição radical, totalmente oposta ao amor que fundamenta a relação trinitária e a vivência cristã. Bento XVI, na celebração ecumênica em Erfurt, disse; "A unidade suprema não é solidão duma mónada, mas unidade através do amor. Acreditamos em Deus, no Deus concreto. Acreditamos no facto que Deus nos falou e Se fez um de nós. Dar testemunho deste Deus vivo é a nossa tarefa comum no momento actual."

Nesse sentido, é importante se afastar de dois pólos diametralmente opostos. Por um lado corre-se o risco de cair num certo saudosismo tradicionalista, onde o passado deixa de ser a memória da qual o homem no presente se inspira para se transformar na realidade almejada no hoje. Justamente por se fundamentar no passado, os que assim pensam vivem num constante pessimismo e melancolia já que o pretérito nunca se tornará atual. E, por outro lado, existem os entusiastas do futuro, onde o presente é apenas a ante-sala do que poderá vir a ser e o passado um rascunho mal feito da tão almejada utopia.

Entretanto, o homem deve, partindo da experiência do passado – não só pessoal, mas enquanto homem inserido na história, na cultura, na Civilização – realizar o presente, através da realidade na qual está submergido e, assim, edificar o futuro. Não obstante, encontramos na modernidade “indivíduos” que, omitindo a sua condição vertical, vivem numa constante indiferença e alienação. O cristianismo e a sua perene atualidade e atualização, afinal o mistério de Jesus Cristo se coloca aos homens de todas as eras, abre, justamente, essa dinâmica interna do nosso estado. Assim, possibilita a intimidade com Deus e, como resultado imediato dessa experiência, a relação transformada na história. Como disse o Santo Padre no encontro com os representantes do conselho da Igreja Evangélica da Alemanha; "Naturalmente, a fé deve ser repensada e sobretudo vivida hoje de um modo novo, para se tornar uma realidade que pertença ao presente." Destarte, o cristianismo, nos tempos modernos, fulgura como o único meio pelo qual pode o homem reconhecer o seu reflexo e compreender a mais profunda vocação da sua natureza.

sábado, 1 de outubro de 2011

Uma em cada três paróquias episcopalianas desaparecerá antes de cinco anos, prevê um relatório



Clero casado, anticoncepção, divórcio, aborto, homossexualidade... os episcopalianos aceitam tudo. E, entretanto, não deixam de perder fiéis. O mesmo acontece com outros protestantes "progressistas": luteranos, presbiterianos e unitaristas.

A teologia "progressista" esvazia as paróquias. E a prova mais evidente é a Igreja Episcopal, os anglicanos do EUA, antigamente uma comunidade em crescimento, e agora em um declive tão grave que um terço de suas paróquias fecharão nos próximos cinco anos, segundo um recente relatório do portal anglicano conservador VirtueOnline que analisa os dados oficiais desta igreja.

A deriva "progressista”

Os episcopalianos aprovaram tudo o que os "progressistas" exigiam e mais. Mas isso não atraiu fiéis. No século XVI, o anglicanismo aceitou o clero casado. Em 1930, aceitaram a anticoncepção. Em 1976, os episcopalianos aprovaram o clero feminino. Em 1989, ordenou-se a primeira bispa episcopaliana. Em 1994, proibiu toda terapia para deixar a homossexualidade. Em 2000, aceitou-se o sexo fora do matrimônio. Em 2003 ordenaram como bispo a Gene Robinson, um senhor divorciado, com dois filhos, que vivia «maritalmente» com outro homem (este ano 2011 deixou o cargo). Em 2006 o episcopalianismo admitia o matrimônio homossexual. Em 2010 presumia ordenar em Los Anjos uma bispa lésbica. Em 1 de janeiro de 2011 um bispo episcopaliano casava com pompa midiático a duas sacerdotisas lésbicas episcopalianas, uma delas a famosa militante pro-aborto, Katherine Ragsdale.

Nada disso atraiu gente à sua igreja. Nesta deriva liberal, o episcopalianismo perdeu mais de 30 por cento de seus fiéis. Se em 2001 tinham 3,4 milhões de fiéis autodeclarados, em 2009 só eram 2 milhões. Trata-se, sobretudo, de que os velhos morrem e ninguém os substitui, e de que muitos outros deixam de ir à Igreja. Alguns vão para igrejas conservadoras.

As cifras que analisa o relatório do VirtueOnline são ainda mais terminantes. Mede a "assistência média dominical" (o número de fiéis que se podem contar um domingo dado nos serviços religiosos desse dia em cada templo). É um dado muito concreto. Pois bem, em 2010 eram apenas 683.000 os episcopalianos que podiam ser encontrados um domingo em suas igrejas. Em 2009 eram 705.000 e em 2008 eram 727.000. Perdem 20.000 paroquianos praticantes, reais, cada ano.

O relatório mostra, por exemplo, que há sete diocese com menos de mil fiéis praticantes reais, e outras sete que não chegam aos 2.000. Não dá para manter a cúria nem o bispo.

Uma de cada três paróquias (sobre um total de 6.800) não chega nem aos 40 assistentes dominicais, o qual faz que seja insustentável demográfica e economicamente e fechará antes de cinco anos, segundo o relatório. Além disso há 2.380 paróquias que têm entre 40 e 100 paroquianos dominicais... e terão que fechar devido ao envelhecimento: sua idade média é de sessenta anos. E há outras 1.450 paróquias, com entre 100 e 200 paroquianos de assistência dominical real, que poderiam manter-se se houvesse uma geração jovem de fiéis para sustentá-la, mas isso não se dá. Inclusive há 36 catedrais episcopalianas que não conseguem ver nem duzentos fiéis no domingo.

Os episcopalianos tentam dissimular suas cifras com suas missões no estrangeiro. Por exemplo, no muito pobre Haiti mantêm 99 paróquias com 16.000 fiéis praticantes, que provavelmente não sabem nada de bispas lésbicas. Isso significa que no Haiti há mais "episcopalianos" que somando 14 diocese do EUA (mais que somando Dakota do Norte, Alaska, Montana, Idaho, Utah, Kansas Ocidental, etc...). Em Honduras mantêm 140 comunidades (11.500 fiéis), 58 na República Dominicana (3.000 fiéis), 48 em Porto Rico (2.400 fiéis), etc... Num total, 40.000 fora dos Estados Unidos.

Cresce o anglicanismo conservador

As pessoas de tradição anglicana e moral conservadora fartas da deriva liberal do episcopalianismo têm várias opções. Por um lado, em 2008 se criou a Igreja Anglicana da América do Norte (ACNA), com uns cem mil fiéis e quase 700 paróquias. São conservadores em moral, pró-vida e pró-família, de estilo evangélico, fartos da perseguição ao que lhes submetiam desde 1997 as autoridades episcopalianas "progressistas".

Outra opção para os episcopalianos e anglicanos conservadores é somar-se aos "ordinariatos" católicos que o Papa tem proposto e que vão se criar a partir de grupos anglocatólicos, mantendo parte de sua liturgia e costumes.

"Progressistas" luteranos, presbiterianos e unitaristas... igual

A aliança de luteranos liberais dos Estados Unidos (a ELCA) permite oficialmente o aborto desde 1991. 50% de seus clérigos acreditam que o aborto deve ser legal na maior parte dos casos, 14% pensam que deve ser legal sempre e só 3% acreditam que deve ser ilegal. Nas suas paróquias ia o especialista em abortar casos de seis meses George Tiller, assassinado faz um par de anos. Em 1991 a ELCA tinha 5,2 milhões de paroquianos; em 2009 só ficavam 4,5 milhões de "batizados" e deles apenas 2,5 milhões de "membros ativos".

Os presbiterianos (PCUSA), que no ano 2000 contavam com 2,5 milhões de membros, em 2010 já só tinham 2 milhões. De 2006 a 2009 60 de suas paróquias partiram a outras denominações, enquanto que só 5 comunidades se uniram à PCUSA atraídas por sua deriva liberal. Hoje outras 200 paróquias e comunidades conservadoras pretendem criar a sua própria igreja, desde que este mesmo ano o sínodo presbiteriano decidisse que "as pessoas em relações do mesmo sexo podem ser candidatas à ordenação ou designação como diáconos, anciões ou ministros", sem lhes pedir nenhum compromisso, nem monogamia, nem heterossexualidade nem exclusividade.

A igreja mais liberal dos Estados Unidos é a unitarista (UCC, United Church of Christ), a que assistia Barack Obama até mudar-se a Washington. Segundo o relatório «Clergy Voices 2008», 79 por cento dos clérigos unitaristas acreditam que o aborto deve ser legal sempre ou quase sempre, 83 por cento está a favor de entregar meninos em adoção a casais homossexuais e 74 por cento destes eclesiásticos se define como «politicamente liberal» (nos EUA se chama «liberal» ao que na Europa chamamos «progressista»). A UCC, nascida em 1957, conta em Dallas com uma «catedral» dirigida especialmente a homossexuais com 3.500 fiéis. Em 2001, os unitaristas eram 1,3 milhões de norte-americanos; em 2008 só eram 736.000.
E na Inglaterra, o mesmo

No Reino Unido, de 50 milhões de habitantes, apenas 13,4 milhões se declaram anglicanos, e só 1 milhão vai ao serviço dominical. Segundo o relatório «Cost of Conscience» de 2002 que entrevistou a 2.000 clérigos anglicanos só uma de cada três sacerdotisas acredita na maternidade virginal da María, quase a metade nega que Jesus ressuscitou, 30% nega a Trindade e uma de cada quatro não acredita em «Deus Pai Todo-poderoso» nem em «Deus Espírito Santo».

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A angústia moderna em “Os Demônios”

Pedro Ravazzano

O mundo moderno é tão febril e perdido no próprio devaneio quanto o pedantismo liberal de Stiepan Trofimovicth. Entretanto, para o leitor atento de Os Demônios, a mão do escritor-de-nenhum-livro tocou direta ou indiretamente todas as personagens que deram forma não apenas ao pensamento, mas à práxis niilista, anarquista etc. Caminhamos, isto sim, para formação da futura geração insana como Piotr Vierkhoviénski e angustiada como Nikolai Stavróguin.

Qual o fruto da geração liberal, bon-vivant, utópica em seus objetivos e em sua soberba magistral? O vazio das crianças. Stiepan Trofimovicth, encarna a caricatura mais emblemática do intelectual-poeta-revolucionário afogado em seus delírios liberais, junto a alguma obra do iluminismo francês e na mão a pena do livro que jamais escreveu. A típica modernidade líquida. Esse idealismo doentio, com ares internacionalistas, forma a primeira geração perdida, isto é, rarefeita no que se refere ao entendimento da Civilização. O estereótipo importado, mediante a acentuada crítica a tudo que seja tipicamente russo, ao espírito eslavo, é marca da destruição gradual das raízes fundamentais que, na próxima geração, será radicalizada.
“Quanto mais a vida é dura para o homem, quanto mais é um povo oprimido e miserável, tanto mais se obstina em sonhar compensações no paraíso; e se cem mil padres se põem a encorajá-lo nas suas ilusões e a especular sobre elas, então...”
Destarte, Stiepan Trofimovicth forma os seus “filhos” no vazio interior que dará margem a um relativismo feroz, esculpindo nas almas o niilismo e o anarquismo. Os seus critérios flutuantes serão rapidamente rechaçados e substituídos pelo ardor revolucionário objetivo. Assim, o que a próxima geração sonha é, simplesmente, a concretização dos frágeis e confusos ideais por ele ostentados.

Do devaneio vacilante de Stiepan Trofimovicth vamos ao delírio revolucionário de Piotr Vierkhoviénski, numa paixão ideológica que cega, que se forma primitivamente no nada interior, na falta de critérios, parâmetros, de intimidade consigo.
“Os espíritos superiores são naturalmente despóticos e sempre causaram mais mal que bem. Será preciso bani-los ou condená-los à morte. Arrancar a língua a Cícero, furar os olhos de Copérnico, lapidar Shakespeare, eis o chigalievismo! Os escravos devem ser iguais: sem despotismo jamais houve rebanho, eis o chigalievismo! Ah! Ah! Ah! Isto parece-lhe estranho? Eu sou pelo chigalievismo.”
A sua devoção pela revolução, quando “o mundo será revirado como ainda não o foi”, quando “a noite descerá sobre a Rússia” e “a terra chorará seus antigos deuses” é o sonho da nova ordem, iniciada a partir da tibieza moral e espiritual dos seus pais. Sem embargo, trata-se de uma dinâmica de desconstrução da tradição, mediante a ostentação da razão, com o triunfo do nada. Piotr Vierkhoviénski simplesmente desperta para o caráter fraco e escorregadio de seu genitor. Simplesmente realiza o mal o externalizando.
“Mas uma ou duas gerações de costumes corrompidos é coisas indispensável; corrupção desenfreada, monstruosa, em que o homem será transformado num réptil lamacento, abjeto, cruel, imundo! Eis o que nos falta!”
Nikolai Stavróguin, por sua vez, na angústia e desespero que norteiam as suas ações, apresenta uma dimensão interna em oposição às facetas práticas de Piotr. Ele é o príncipe emblemático sonhado pelas senhoritas e alvo das fofocas da cidade. Contudo, carrega na alma o peso do coração esmagado pela inquietude. Nesse sentido é pesaroso ler o apêndice de Os Demônios, onde se encontra o seu diálogo com o Bispo Tíkhon – não fora colocado na versão publicada por Dostoiévski por temer alguma retaliação pelo caráter próprio do trecho -, e pensar que, caso cumprisse o conselho do sábio religioso talvez o seu fim não seria com a corda no pescoço, com o testamento reduzido a um bilhete suicida. Em certa altura do diálogo Tíkhon o diz:
“O perfeito ateísmo situa-se no alto da escada, no antepenúltimo degrau que leva à fé perfeita (toda a questão está em saber se o galgará ou não), ao passo que o indiferente não tem fé nenhuma, a não ser o medo vil, e somente por vezes, se é homem pecador”
Parece-me que Nikolai Stavróguin, no sofrimento dilacerante da alma, ao invés de buscar a Deus que habita no mais profundo do ser, lançou-se do alto da escada num salto que não teria outro fim senão a morte. Não que ele tenha se convertido ao ideal de Kirilov - “Haverá liberdade completa, quando for totalmente indiferente viver ou não viver. Tal é o fim universal” e “Aquele que se matar unicamente para matar o temor, tornar-se-á na mesma hora um Deus.”. Não. O seu suicídio não foi um ato de “coragem” diante da coerência com o ideal defendido, mas sim uma ação da mais profunda angústia. Stiepan Trofimovicth, no seu discurso derradeiro, com característica quase delirante, diferentemente de Stavróguin, parece despertar, ao menos em parte, ao reconhecimento do caráter transcendental da existência humana
"Se se viesse a privar os humanos desse infinitamente grande, eles não quereriam mais viver e morreriam de desespero. O incomensurável e infinito são tão necessários ao homem quanto o pequeno planeta sobre o qual ele se move... Meus amigos, todos, todos, viva o grande Pensamento, o Pensamento eterno, infinito! Todo homem! Até mesmo o homem mais estúpido tem necessidade de alguma coisa de grande. Pietrucka! Oh! Como desejaria revê-los todos... Eles ignoram, sim, eles ignoram, que também eles encerram em si aquele mesmo grande Pensamento eterno.”
O questionamento lançado por Stavróguin ao estudante Chátov – “Mas em Deus, crê em Deus?” – ecoa por toda a obra. A resposta enigmática – “Eu...acreditarei em Deus.” – é a marca da alma que, ainda lutando contra a existência no vazio, é incapaz, por conta das marcas deixadas pelos traumas do sofrimento, de chegar à experiência com Deus.

Resta apenas, em meio a essa gênese da história do espírito moderno, repetir como o Bispo Tíkhon que, num murmúrio apaixonado, diante do “demoníaco” Strávoguin, afirmou; “Senhor, não terei vergonha de tua cruz”

sábado, 24 de setembro de 2011

Batalha de Iwo Jima e o heroísmo católico, detalhes desconhecidos sobre a famosa foto



Escrevi este artigo depois de pesquisar em fontes norte-americanas, pois não encontrei dados - mesmo irrelevantes - em nenhum site ou blog de língua portuguesa. Talvez até – pode ser uma pura pretensão minha - seja a primeira vez que ela é contada, ao menos na internet, em nosso idioma. Submeto-a para apreciação de nossos leitores.


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A foto famosa ao lado, intitulada Raising the flag on Iwo Jima, registrou o momento em que os marines conquistaram, no dia 23 de fevereiro de 1945, o cume do vulcão Suribachi (foto acima), ponto mais alto da ilha de Iwo Jima. Esta foto foi tirada por Joe Rosenthal na segunda vez em que a bandeira norte-americana foi levantada.

Mas o que não é muito conhecido é lado da bravura profundamente católica que envolveu o primeiro hasteamento da bandeira.

O livro do padre jesuíta Donald Crosby, Battlefield Chaplains: Catholic Priests in World War II, narra os feitos dos padres católicos que participaram da segunda Guerra Mundial. Entre eles, Pe. Crosby conta a história do sacerdote jesuíta Charles F. Suver, com então 38 anos de idade, pertencente ao 5ª Divisão de Fuzileiros Navais. Ele era um dos 19 capelães que ministravam os sacramentos para as três divisões marines que participaram da mais sangrenta batalha no Pacífico.

Localização da ilha vulcânica de Iwo Jima.
Pe. Suver nasceu em Ellensburg, Washington, no ano de 1907. Formou-se na faculdade de Seattle, em 1924, e foi ordenado padre em 1937. Pouco depois do ataque japonês em Pearl Harbor, ele entrou para a marinha como capelão e foi designado para acompanhar os soldados na batalha de Iwo Jima.

Um dia antes do desembarque na ilha, a tensão aumentava entre os soldados que sentiam a morte se aproximar na medida em que o navio ficava mais perto de seu destino. Eles sabiam que teriam que enfrentar, em breve, mais de 23.000 japoneses liderados por um dos mais capazes generais do Japão. A coragem dos marines seria testada ao máximo.

Alguns fuzileiros foram, então, após o jantar, até a cabine do Pe. Charles Suver para conversar sobre a invasão que ocorreria ao amanhecer. Em certo momento, um jovem oficial disse que se ele tivesse uma bandeira americana, a levaria até o alto do monte e talvez alguém a hasteasse lá em cima.

O tenente Haynes, desafiando o oficial, imediatamente respondeu: "Certo, você leva a bandeira que eu a coloco lá em cima". Com uma santa ousadia, Pe. Suver acrescentou: "Vocês colocam ela lá em cima e eu celebro uma missa embaixo dela!"

Às 5:30 da manhã do dia seguinte, 19 de fevereiro, ainda a bordo do navio (LST 684), o Pe. Suver celebrou uma missa para os fuzileiros navais. Logo após, alguns marines fizeram várias perguntas a ele, especialmente sobre coragem. Então, o sacerdote jesuíta respondeu: "Um homem corajoso cumpre o seu dever, apesar do medo atroz. Muitos homens têm medo, por muitas razões diferentes, mas poucos são corajosos".

Padre Suver desembarcou naquele dia às 9:40 da manhã, na mais perigosa de todas as praias, a Green Beach. Sob o fogo de metralhadoras que começaram de repente a disparar, ele foi forçando a se atirar no chão. Mais tarde soube que tinha estado atrás das linhas japonesas e no território controlado por cinco metralhadoras.

Ele se arrastou imediatamente para o próximo trincheira. Apesar destas situações enervantes, padre Suver não abandonou a ideia de rezar uma missa no Monte Suribachi assim que a bandeira americana fosse hasteada lá. Sua vida esteve em risco diversas vezes durante a batalha, mas ele conseguiu sempre manter o domínio de si mesmo e continuou a exercer sua função.

Cinco dias de combates sangrentos se passaram. Pe. Suver estava trabalhando em um posto de socorro com seu ajudante Jim Fisk (durante a batalha foram designados assistentes para transportar os equipamentos dos capelães) quando percebeu que os marines cautelosamente escalavam o Monte Suribachi. Embora a situação fosse extremamente perigosa, ele decidiu que este era o momento. Convocou seu ajudante, pegou sua mala com o material necessário para celebrar a Missa e correu em direção do vulcão.

Enquanto subiam, viu a bandeira tremulando no cume do monte. Uma onda de entusiasmo tomou conta de todos os marines, alguns até choraram de alegria quando viram a bandeira americana balançando ao sabor do vento. "Todos nós experimentamos uma emoção que nenhum de nós nunca vai ser capaz de descrever", disse o padre Suver.

Infelizmente, o tenente Haynes, que tinha se prontificado a hastear a bandeira no alto do monte, foi baleado nas costas momentos antes e ficou paralisado até o fim de sua vida

Foto: Primeira missa em Iwo Jima, celebrada pelo padre jesuíta Charles Suver no
cume do monte Suribachi. Autor: Louis Burmeister.
Pe. Suver chegou ao topo e, com a aprovação do comandante, preparou-se para celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Dois tambores de gás vazio com uma placa colocada em cima eram tudo o que podiam encontrar para servir de altar. Mais ou menos vinte soldados vieram assistir à Missa com suas armas em riste, pois a resistência japonesa ainda estava muito acirrada.

Para proteger o sacerdote e os utensílios sagrados, dois marines segurava um manto contra o vento feroz. Os fuzileiros navais protegiam o sacerdote não só do vento, mas também de um possível ataque que poderia ser eminente.

As cavernas próximas ainda abrigavam soldados japoneses e estavam tão perto que o padre Suver podia ouvir os japoneses falando sobre aquela desconhecida cerimônia religiosa. Providencialmente, os japoneses não atacaram e Pe. Suver conseguiu realizar a histórica primeira missa da ilha de Iwo Jima. 

Joe Rosenthal, judeu convertido ao
catolicismo.
Jim Fisk, o ajudante do Pe. Suver, publicou posteriormente um artigo afirmando que a missa foi celebrada durante o hasteamento da primeira bandeira, cerca das 10:30 da manhã. O segundo levantamento da bandeira - fotografada por Joe Rosenthal, vide foto no início deste artigo - ocorreu entre 12:00 e 12:30.

Sobre o momento em que a missa foi celebrada, há uma versão do padre jesuíta Jerry Chapdelaine, que foi amigo do Pe. Suver e que conviveu com ele na escola jesuíta Bellarmine, em Tacoma, Washington. Segundo ele, o padre Suver lhe disse pessoalmente que a missa foi rezada antes do hasteamento da bandeira e não depois. Pe. Chapdelaine conta que o padre Suver disse aos seus homens: "Eu vou rezar missa para vocês e, em seguida, vocês levantam a bandeira".

"Ele era um cara durão", comenta o Pe Chapdelaine sobre o Pe. Suver, "era fisicamente forte e tinha muita coragem. Mas ele era um homem muito gentil, também". Pe. Suver morreu de câncer em 1993 aos 86 anos. Era domingo de Páscoa. "Ele queria morrer na Sexta-Feira Santa - segundo ele próprio me disse", contou o padre Chapdelaine, que celebrou seu funeral na Igreja St. Joseph, em Seattle.

Sobre o papel dos capelães jesuítas, o fotógrafo Joe Rosenthal - a quem, antes de desembarcar, o tenente Haynes se gabou de que ia levantar uma bandeira no cume do Suribachi e que o padre Suver prometeu celebrar uma missa debaixo dela - comenta que  que tinha boas recordações dos sacerdotes corajosos que serviram como capelão durante a Segunda Guerra Mundial. "A maioria dos capelães foram bons (...). Os jesuítas foram admirados por todos os Marines. (...) Se eles encontravam um fuzileiro naval morrendo, eles iam até lá [correndo o risco de serem atingidos], como uma coisa natural. Eles eram tão heroicos quanto os marines".

Pe. Suver e os seus homens tinham cumprido a sua promessa, apesar do grande perigo que encontraram. Muita batalha ainda havia pela frente em Iwo Jima, mas o levantamento da bandeira e a missa encorajaram os marines para manter a luta em uma combinação sublime de bravura patriótica e fervor religioso.

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Fontes consultadas:

Something Else Sublime Happened on Mount Suribachi, Blog The America Needs Fatima, http://americaneedsfatima.blogspot.com/2008/11/something-else-sublime-happened-on.html, acessado em 22/9/2011.

Fr. Charles F. Suver, S.J. "The Jesuit of Iwo Jima", Blog Good Jesuit, Bad Jesuit, http://goodjesuitbadjesuit.blogspot.com/2011/01/fr-charles-f-suver-sj-jesuit-of-iwo.html, acessado em 22/9/2011.

The Forgotten Mass on Iwo Jima, site The Remnant Newspaper, http://www.remnantnewspaper.com/Archives/archive-2006-0831-iwo-jima.htm, acessado em 22/9/2011.

The Mass on Mount Suribachi, site The American Catholic, http://the-american-catholic.com/2009/03/30/the-mass-on-mount-suribachi/, acessado em 22/9/2011.