
Pedro Ravazzano
O facebook vem se tornando no potencializador de todos os fracassos que, no mundo concreto, seriam levados pela correnteza. Tornou-se incrivelmente comum encontrar com doutores em todos os assuntos e temáticas. Depois que surgiu o Google e as redes sociais ninguém – eu disse ninguém – pode ser dar o direito de não ter a resposta na ponta da língua.
Entretanto, ainda que João, Maricota, Alfredo e Américo dêem pitacos sobre a política nacional, a crise no Egito ou as tensões entre Israel-Palestina, outros indivíduos se especializaram numa arte mais refinada e complexa. Não é um pitaco mundano, mas contextualizado, recheado de autoridade e embebido num tom pontifical que deixaria o Beato Pio IX tímido.
Quase sempre essas figuras seguem a mesma cartilha. Vejamos os passos. Normalmente escolhem um autor ou uma figura na qual vão se “especializar”. Pode ser alguma entidade do panteão tradicionalista, como algum Bispo desobediente, ou quem sabe um filósofo de renome, mas que seja de difícil compreensão ou menosprezado por grande parte do mainstream ordinário. O importante é a distinção – ah, Girard!
Depois de se “especializar”, ler alguma coisa no Google – mormente a Wikipédia – já pode iniciar as polêmicas com muito ar combativo nas redes sociais. Para ser mais verdadeiro, para encarnar melhor o personagem, é indicado uma caracterização fidedigna; um português arcaico sempre cai bem, gosto pelo exótico do “in illo tempore” está em alta e um grupo de amigos – isso é essencial – que não apenas acredita na sua farsa como alimente o seu ego intelectual é importante. Vale destacar que nesse grupo o papel de líder do indivíduo em questão é indiscutível. Junto aos iniciados ele tem a função de estipular os limites do "conhecimento", isto é, os chavões que vão ser repetidos. De certa forma é uma missão relevante, tendo em vista que tais seguidores não teriam outra forma de saber a não ser por meio do simplório conteúdo proferido pelo mestre.
Ora, chegará o momento em que você, verdadeiramente, acreditará que sabe o que não sabia e que acha que passou a saber. Talvez, quem sabe, você realmente se interesse por saber, mas o fato é que não sabe!
Obviamente, e tenho a clara intuição – intuição é coisa de fenomenólogo modernista, hein? - que alguém não vai entender, não estou dizendo que defender, gostar desses autores, apreciar um bom cachimbo, incentivar o uso do véu, interessar-se pelo estudo do latim, ser contra o endeusamento do estado etc, sejam sempre facetas dessas seqüestradores. Não, de forma alguma! Ao contrário! O maior perigo é, justamente, quando os expoentes do pensamento austríaco, do tomismo, dos [bons e equilibrados] defensores da Tradição etc, não são os que, de fato, o são, mas apenas essas figuras horrendas e montadas.





