
Pedro Ravazzano
A Igreja é o signo da mais clara salvação, edificada por Cristo não apenas como sinal de unidade mas como real e verdadeiro meio para se alcançar a plenitude da fé. Para os não-cristãos a Igreja tem a missão de ser intercessora, não apenas rezando, mas buscando o anúncio do Evangelho para que todos conheçam e reconheçam a Jesus como Salvador.
A visão pluralista nega a verdade da expressão ou anula o seu valor ao buscar analisar o contexto histórico no qual surgiu, desconstruindo a sua validade e justificando a sua permanência na Tradição da Igreja. Já a teologia cristocêntrica advoga uma reinterpretação do axioma fundamental, mantendo seu cerne a respeito da importância crucial da Igreja para a salvação.
Essa interpretação, partindo de uma ótica ortodoxa, destaca a necessidade da Igreja para a salvação. Cristo quis unir o seu mistério à Igreja. Todos os que crêem em Jesus necessariamente precisam pertencer ao Seu Corpo Místico, Sacramento Universal de Salvação.
Os teólogos dessa linha, buscando, inclusive, desviar-se dos ranços modernistas dos adeptos de pluralismo, propõem, então, “Sine ecclesia nula salus” – Sem a Igreja não há salvação. Deus quer que todos os homens se salvem, mas muitos estão impossibilitados de adentrar na Igreja com o anúncio evangélico. Ora, toda salvação passa por Cristo, ainda que de modo invisível.
Destarte, é o amor que move o anúncio dos missionários e não o temor da danação. Para os que não negam que a Igreja é instituída por Cristo, devem perseverar nela para conquistar a salvação. Para os que nunca tiveram contato com a Igreja, a salvação se dá por meios misteriosos que os encaminham para Cristo. Não obstante, não são vias paralelas à Igreja, mas parte integrantes desta. São Cipriano de Cartago já havia dito que não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. O contexto não se refere aos não-cristãos, mas aos hereges e cismáticos que, conhecendo-a, a rejeitaram.
A graça salvífica, até para os não-cristãos, depende de uma adesão que está orientada para Cristo e Sua Igreja. Essa adesão à Igreja, como Corpo Místico de Cristo, aos que não receberam o anúncio do Evangelho, é ignorada. Ainda que as religiões possam exercer um impulso positivo, a ação essencial e salvífica vêm do Espírito Santo e encaminha para Cristo. Obviamente, ao considerar as facetas de verdade que estão contidas em outras crenças o Magistério, como coloca o documento Dominus Iesus, afirma que tudo provém do próprio Cristo e, portanto, é parte da Sua Igreja. Ademais, se faz mister destacar as questões ligadas à consciência e ao seguimento da lei natural como pontos crucias ao refletir a respeito da salvação entre os desconhecedores involuntários da Boa Nova. Assim, a Igreja é indispensável por estar ao serviço de Cristo e, desse modo, exerce um peso implícito na salvação dos não-cristãos.





