quinta-feira, 19 de maio de 2011

Uma rápida exposição sobre a teologia das religiões

Pedro Ravazzano

As religiões são portadoras de elementos que atestam o desígnio universal de Deus – sementes do Verbo. Esses elementos de graça apontam para Cristo. Romano Guardini diz que ainda que Buda tenha sido o precursor oriental maior de Cristo tornou-se o obstáculo maior para pregação desse mesmo cristianismo no Oriente.

A teologia das religiões parte de toda essa problemática em relação ao fenômeno religioso e, especialmente, na veracidade da fé cristã, da sua unidade e da universalidade do desígnio salvífico de Deus. Dentro desse cenário encontram-se posições diversas; o exclusivismo – extra ecclesiam nulla salus – , o inclusivismo em duas vertentes – teologia do cumprimento e teologia da presença de Cristo nas religiões - , o pluralismo – Cristologia normativa e Cristologia não-normativa.

Os teólogos inclusivistas – Danielou, Lubac, Balthasar, da primeira linha, e Rahner, Schilebeckx, Kung, da segunda linha – partem da singularidade e universalidade do evento de Jesus Cristo. O inclusivismo é de faceta cristocêntrica – o exclusivismo é eclesiocêntrico – e reflete a respeito do Salvador constitutivo. Assim, a salvação fora da Igreja seria fundada no mistério do Verbo encarnado, na fidelidade da consciência e na fidelidade dos ritos e tradições religiosas. Não obstante, não existiria uma autonomia salvífica, como se esta fosse conquistada pelo simples esforço do homem. Os elementos de graça e verdade são os sinais do não abandono de Deus aos homens.

No inclusivismo a centralidade de Cristo é afirmada, entretanto, as duas linhas se diferenciam na compreensão do modo como esta chega aos homens. A tendência Danielou prega que o homem se salva apesar da religião, pela fidelidade objetiva de consciência. O mistério de Cristo alcançaria os homens de outras religiões como extensão da graça de Deus. Destarte, o inclusivismo da primeira linha entende que o movimento do homem para a salvação não vem de si mesmo, mas brota da graça de Deus. As religiões não cristãs são, então, preparações evangélicas para a salvação. O cristianismo, como cumprimento de todas as religiões, tem a plenitude da salvação. Resumidamente pode-se colocar que enquanto a teologia do cumprimento parte da idéia de que o melhor das religiões leva a Cristo, a teologia da presença de Cristo nas religiões considera que Cristo está nas religiões não-cristãs.

Karl Rahner fora o teólogo que mais se destacara nessa linha. Para ele a oferta da graça alcança a todos os homens e todos os homens têm a consciência certa desta graça oferecida. O seu Existencial-Transcendental é a estrutura que o deixa aberto à graça. Realidade intermédia na natureza como uma disposição à graça. Orienta até Deus. Assim, aceitar a si mesmo é aceitar a Cristo e implicitamente o Evangelho, portanto cristãos anônimos.

Já a teologia do pluralismo religioso é seguida por todas as teologias contextuais; teologia negra, teologia feminista, teologia ecológica, teologia da libertação. Para os seus pensadores o pluralismo é de fato de iure. Deus positivamente há querido comunicar sua graça através das religiões em sua diversidade e até contradições. Conseqüentemente incide em dois grandes erros; a oposição entre a economia do Verbo Encarnado e a economia do Espírito Santo, assim os livros sagrados seriam emanações do próprio Espírito Santo e veículos válidos da experiência religiosa, e a distinção entre o Verbo Encarnado e o Logos Asarkós. Ou seja, o Logos não está definitivamente vinculado com Cristo, toda a mediação humana – inclusa a humanidade de Cristo – é insuficiente para abraçar a plenitude de Deus. Raymond Panikkar, desse modo, definiu Cristo como totum Dei e não totos Deus.

O mistério de Cristo é explícito na fé cristã, mas seria implícito nas demais religiões, ou seja, caminhos alternativos de salvação. Haveria uma dialética entre a experiência implícita do mistério de Cristo e o reconhecimento de Jesus de Nazaré, privilégio dos cristãos. Para os adeptos dessa linha a Igreja – sociedade e não Corpo Místico - não é critério para a salvação dos não-cristãos. O Concílio Vaticano II teria sido medroso em romper com a visão eclesiocêntria e cristocêntrica, alegam.

Obviamente os teólogos pluralistas se perdem nos próprios devaneios. O valor das religiões não só é real e pleno como há uma distinção entre Cristo e o que os Evangelhos falam de Cristo. A ação de Jesus vai além do anunciado nas Escrituras, não se restringe, mas também se faz presente nas outras crenças. Alguns dizem, inclusive, que com a condição kenótica de Cristo, este tomou uma consciência restrita pela natureza humana e, conseqüentemente, incapacitado de abarcar a totalidade do mistério de Deus.

A teologia do pluralismo – normativa e não-normativa – incide em heresias formais. Cristo não mais é o centro da salvação e as religiões são vias alternativas e complementares. Para a linha normativa Cristo ainda é a Revelação definitiva, mas não seria a causa constitutiva da graça salvífica. Ademais, não seria possível um conhecimento transcendente de Deus, o conhecimento das realidade transcendentes. O homem como ser metafísico mas impossibilitado de fazer metafísica. Surgem, então, o Reinocentrismo – Reino de Paz e Justiça e o Soteriocentrismo – ereção do paraíso mediante a transformação das estruturas.

Ainda que a teologia do pluralismo normativa incida em heresias formais, a não-normativa consegue ir além ao colocar Cristo como apenas mais um mediador da salvação. Com uma forte influência ideológica, a religião passa a ser vista como mais um instrumento de destruição e submissão cultural. A união das religiões, então, teria como fim a construção do bem, da paz e da justiça mundial. Do cristocentrismo eles migram para o teocentrismo, onde as religiões são multiformes manifestações do divino.

O diálogo, então, tem como pressuposto fundamental a não-pretensão da verdade e ter em vista que os valores das religiões, e seu próprio fim, é promover o bem da humanidade. Para Paul Knitter a Encarnação é uma metáfora da vida em fidelidade a Deus e do amor ao próximo, e John Hick, grande expoente do relativismo religioso, a religião é passar do centrar em si mesmo para o centrar na realidade, viver para o próximo. Destarte, as contradições claríssimas das religiões são revolvidas mediante a ética e pela lei moral.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A salvação e a opção pela racionalidade no cristianismo

Pedro Ravazzano

O homem é, verdadeiramente, religioso, não só afirma a realidade do que não vê como considera aquilo que não vê como mais real do que o que se vê. Ademais, fundamentado a sua crença naquilo que não é ratificado pela empiria, o homem religioso tornou-se alvo da crítica moderna que se levanta contra a religião numa multiplicidade de argumentos.

L. Feurbach considera a religião como conseqüência da ignorância e da alienação, nada mais do que a projeção do homem em Deus como plenitude dos anseios humanos – homo hominis Deus. Destarte, a derrocada de “Deus” é o meio para o rompimento dos grilhões que aprisionam a capacidade do homem. K. Marx já relaciona a religião com a opressão, o ópio do povo que anestesia a consciência da classe explorada, assim, criação burguesa. S. Freud, por sua vez, referencia a crença religiosa com a neurose coletiva. Entretanto, ainda que exista a possibilidade da demonstração racional da existência de Deus – cinco vias de Santo Tomás – o fundamento filosófico da experiência religiosa vem apenas depois da crença.

O ordo ad Deum – orientado até Deus – do homem é reflexo da sua condição de ser espiritual. Não obstante, a religião é muito contextual, tem todos os condicionamentos da natureza humana e a imagem que temos de Deus é dependente das nossas experiências.

A sociedade religiosa, composta por pessoas unidas por um fim que supera as capacidades individuais, é composta pelos atos religiosos, objetos religiosos – com um valor atribuído pela comunidade e separado do uso profano – e, fundamentalmente, a consciência religiosa. A experiência fenomenológica, religiosa, que gera o sentimento religioso, leva em conta a dimensão histórica, psicológica, interpessoal, material, da religião.

Ainda que, por natureza, o homem busque a Verdade, não necessariamente a conhece. A religião pode, então, ser compreendida como a disposição da vontade na qual é dado livremente culto e honra a Deus, ainda que a ordenação natural do homem a Deus nem sempre seja reconhecida pelo próprio homem. Desse modo, a negação da religião é conseqüência do rechaço moral. Ao ter a disposição de render culto a Deus o homem exerce a virtude da “Religião”. Destarte, a religião ajuda o homem na medida em que fomenta a sua liberdade, um influxo que respeita a liberdade e encaminha para a Verdade.

Entretanto, o cristianismo ainda que parta dessa visão geral do fenômeno religioso tem em suas notas fundamentais uma radical distinção com todas as manifestações religiosas, do Deus que rompe o seu isolamento transcendental e fala aos homens como homem. Para a fé cristã todos os seres humanos são chamados à salvação – desde já se destaca o contra-senso da heresia da predestinação negativa dos calvinistas. Não obstante, existe a necessidade da conciliação entre essa vontade universal salvífica de Deus e a necessidade da Igreja.

Pontuamos, outrossim, a importância de diferenciar o cristianismo, em sua real compreensão, do cristianismo débil, isto é, uma crença que não tem noção forte da Verdade, que nega a objetividade da Revelação, fundamentado numa experiência sem conteúdo - o reino da experiência em detrimento da objetividade da fé. A heresia do bem-estar rechaça a exatidão dogmática substituindo-a pelo subjetivismo radical da experiência individual. Não se deve, em hipótese alguma, confundir a vida espiritual com a psicologia, afinal o estado de graça não necessariamente está unido ao bem estar que é de caráter emocional.

O cristianismo tornou-se catalisador de realidades culturais diferentes, dando origem a uma nova cultura – "Majestosa, a princesa real vem chegando, vestida de ricos brocados de ouro". O concílio Vaticano II inaugurou uma leitura teológica que, ainda que não rompa com a Tradição, mudou a perspectiva em relação à teologia das religiões.

Antes de tudo devemos partir de algumas premissas fundamentais: o reconhecimento da capacidade do intelecto humano de conhecer a Verdade, a Revelação de Deus como critério último de verificação, e recursos para compreender a Verdade revelada. Ademais, tanto a vontade salvífica universal e a necessidade da Igreja na salvação devem também ser entendidas como verdade.

No tocante à reflexão da teologia das religiões o Magistério – que não faz teologia, mas testemunha a fé e a defende – impõe os limites. O documento Dominus Iesus, por exemplo, coloca alguns pontos basilares nessa análise: a plenitude e definitividade da verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a unidade indissolúvel entre a economia do Logos e do Espírito Santo, a unidade e universalidade do mistério salvífico de Cristo, a unidade e unicidade da Igreja de Cristo, prolongação da ação de Cristo no mundo.

Apenas o cristianismo realiza de modo completo e definitivo a relação do homem com Deus. A definitividade absoluta da fé cristã vem da sua opção pela racionalidade, por isso a crise da verdade leva à crise do cristianismo. Do mesmo modo, a crise da metafísica – "A crise do mundo moderno é uma crise metafísica" Pe. Leonel Franca – também problematiza a realidade da Civilização Ocidental atual.

O cristianismo rompe com o mito do eterno retorno fundamental nas religiões tradicionais. O in illo tempore não é mais o tempo mítico, mas sim o hoje já que Cristo é manifestação de Deus na história que se prolonga no tempo nos sacramentos e na Igreja. O cristianismo fez a opção preferencial pela racionalidade, confiança na capacidade do homem de alcançar a Verdade por meio do pensamento, harmonia entre fé e razão rompida por Guilherme de Ockham.

Santo Tomás coloca que só na Igreja há os sacramentos e a fé necessárias para a salvação. Esta, por sua vez, pode ser conquistada por duas vias: a fé explícita; confessar a fé em Cristo, e a fé implícita; a salvação pelos méritos dos sacramentos, confiança na Providência de Deus e indiretamente confiança no amor encarnado e de sua ação na história. Ademais, a infidelidade se configura junto àqueles que se obstinam em ir contra a fé previamente anunciada e aos que nunca ouviram, que vivem em ignorância. Os primeiros são passíveis de culpa enquanto os segundos são inculpáveis e, caso sejam fiéis à sua consciência, seguindo a lei natural, gozam da fé implícita.

Francisco de Vitória dissera que os pagãos eram condenados pelos seus pecados mortais e pela idolatria, mas seguindo a lei natural eram iluminados por Cristo. Domingo de Soto afirmara o mesmo em relação aos judeus e muçulmanos. A Revelação final é Cristo, mas ainda que o seu anúncio dependa, obviamente, da linguagem, dos símbolos e da forma, não se pode aceitar o pluralismo de iure, como vias alternativas à fé cristã queridas por Deus. Ainda que os confins visíveis da Igreja não sejam sinônimos dos confins espirituais, como colocara Joseph Ratzinger.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Introdução aos principais conceitos usados por René Girard

Pedro Ravazzano

Desejo Mimético - “A expressão ‘desejo mimético’ refere-se apenas ao desejo que é sugerido por um modelo. Para mim, o desejo mimético é o desejo ‘real’ (…) a presença do modelo é o elemento decisivo na decisão do desejo mimético” . Ainda que o desejo seja potencialmente o provocador da crise, ele não é em si mesmo mal. O desejo mimético, particularidade do ser humano, é o desejo ele mesmo. Assim, é próprio do desejo que não seja próprio. Caso o desejo não fosse mimético – desejar o desejo dos outro – o homem estaria preso fixamente a objetos predeterminados.

Rivalidade Mimética – Na mediação interna, quando o modelo do desejo se encontra próximo o bastante do sujeito - imitador, o objeto do desejo torna-se motivo de um conflito, ambos desejam o mesmo objeto, criando uma reciprocidade violenta. O desejo transcende a posse do objeto. Os duplos surgem quando existe a indiferenciação. O objeto some e os rivais tornam-se idênticos. O modelo passa a imitar seu próprio desejo por meio do discípulo ao descobrir no objeto o alvo da tensão mimética. Assim, se o discípulo passa a ser o modelo do desejo do seu modelo, este se transforma em discípulo do seu discípulo. O modelo é transformado em antimodelo e cria-se um ciclo de imitação e ódio retroalimentado.

Crise Mimética – O modelo torna-se rival automaticamente e cada rival toma o outro como modelo de seus desejos. O objeto disputado na rivalidade mimética passa a ser alvo da cobiça e da atratividade mimética por parte da comunidade de indivíduos. O objeto é dilacerado em meio ao conflito mimético generalizado, quando o contágio já está alastrado. Cria-se uma tensão de antagonismo que apenas se acumula como numa febre que se alastra rapidamente.

Bode Expiatório – O bode expiatório é a canalização da violência social contra um único membro da comunidade escolhido arbitrariamente. A vítima inocente se transforma no inimigo comum que encarna todos os males, tensões e problemas emanados durante a crise mimética

Ordem Cultural – Com a morte do bode expiatório - a vítima sacrificial escolhida arbitrariamente - a paz é instaurada. Ainda que seja vista como encarnação do mal, as conseqüências positivas do sacrifício da vítima acabam por divinizá-la na estrutura mítica. Desse sacrifício nasce a ordem cultural: mitos, interditos, ritos, instituições.

A morte do bode expiatório apazigua as tensões que, caso se prolongassem, causariam o fim da comunidade - “Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada! Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação.” (São João 11, 49-50)

O cristianismo subverte essa ordem mitológica por revelar o que “estava oculto desde a fundação do mundo”. Jesus Cristo, o bode expiatório por excelência – Cordeiro de Deus – é a vítima escolhida em meio a uma tensão mimética generalizada onde até os seus discípulos o negam e fogem - “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.” (São João 1, 5). Entretanto, se na estrutura mítica a inocência da vítima é acobertada e inconscientemente desconhecida e a vitimização dos acusadores compreendida como real, nos Evangelhos a inocência da vítima é anunciada assim como o verdadeiro teor da febre odiosa dos acusadores. O cristianismo revela o funcionamento dos mitos e a Cruz escancara o sentido real do sacrifício - “Ai de vós, que edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram [Referência às estruturas brotadas do sacrifício da vítima expiatório aqui representadas e perpetuadas pelas figuras do fariseus] .Vós servis assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros. [Referência ao primeiro sacrifício com o conseqüente desenvolvimento das instituições, interditos e ritos. Numa realidade mítica o ato de revelar essa estrutura cultural é impensável. Apenas Jesus Cristo arranca o véu que encobre a morte inocente e vitimaria e revela o verdadeiro sentido do sacrifício] Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte a uns e perseguirão a outros. E assim se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo.” (São Lucas 11, 47-50)

Mediação Externa – Quando há uma distância no espaço, no tempo, na ordem social e no prestígio entre o sujeito e o modelo mediador. Os objetos são desejados porque antes são desejados pelo modelo, assumindo propriedades que não possuem. Essa mediação não necessariamente gera conflito mimético pela distância do mediador. Ocorre, apenas, a transfiguração dos objetos pela mão do mediador. Cristo para os cristãos, Amadis de Gaula para Dom Quixote.

Medição Interna – A mediação não mais se encontra separado do seu imitador seja no tempo ou no espaço. Logo, ao desejar o mesmo, ambos criam uma identidade de desejos tornando-se rivais, duplos. Nesse esforço de obter o objeto desejado o outro é visto como o único obstáculo para a concretização da posse. Assim, diferentemente da mediação externa, a mediação interna sempre se destina ao confronto por se basear numa mímesis conflitiva.Os sistemas sociais e a ordem cultural brotam daí.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Beato João Paulo II que poucos querem conhecer...

Com a beatificação de João Paulo II muitos foram os críticos que usaram como argumento o dito desleixo e descaso do Papa com a sã doutrina da Igreja. Seria ele, dizem, mais interessado no trabalho ad extra do que ad intra. Ademais, não satisfeitos em fazer tal afirmação, consideram que a falta de comprometimento seria fruto da proximidade do Santo Padre com as teologias imprecisas e com percepções da fé tipicamente progressistas.

Esse apanhado de fatos comprovam que o Papa não apenas estava engajado no anúncio externo do Evangelho como na proteção do Depósito da Fé. Não obstante, com discrição, cautela e caridade.

O que a imprensa nunca difundiu acerca do pontificado de João Paulo II - O trabalho de João Paulo II para a guarda do depósito da fé e a preservação da disciplina eclesiástica

Autor: Lucrecia Rego de Planas/ Fonte: Vatican.va/Vários

Tradução: Wagner Marchiori

Durante o pontificado de João Paulo II a imprensa fez uma grande difusão de suas viagens apostólicas e diplomáticas e de suas formosas fotografias com crianças, anciões. enfermos, governantes e pessoas com trajes folclóricos.

Mas, houve uma parte muito importante do pontificado de João Paulo II que os meios de divulgação deixaram na mais completa obscuridade. Não houve a mais mínima divulgação, não sei se por ignorância ou omissão voluntária. É o "lado obscuro" do pontificado de João Paulo II, não por ser tenebros, mas porque permaneceu apenas na escuridão dos arquivos vaticanos.

Por esta razão e porque há muitas pessoas convencidas que João Paulo II se dedicou a viajar e se descuidou do 'interior' da Igreja, quis fazer uma lista ( certamente não exaustiva) de algumas coisas que, ano após ano, foram feitas durante o pontificado de João Paulo II para defender a fé e a disciplina dentro da Igreja.

1979

- Janeiro - Puebla. João Paulo II (JPII) condena a "Teologia da Libertação", heresia de teor marxista que confunde a libertação política econômica e social com a salvação de Jesus Cristo.

- Fevereiro. A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) admoesta o Pe. Bernard Haring, sacerdote redentorista, por sua aberta oposição aos ensinamentos da Humanae Vitae.

- A CDF admoesta o dominicano francês Jacques Pohier e proíbe-lhe presidir assembléias litúrgicas e ensinar publicamente por causa de sua visão ambígua e enganosa acerca de Deus e da Eucaristia.

- Nos EUA reitera à representante das religiosas americanas o ensinamento da Igreja o ensinamento da Igreja em relação ao sacerdócio feminino.

- Outubro. Lembra às religiosas a importância de manifestar sua consagração também externamente mediante o uso de um hábito religioso simples e adequado.

- Dezembro. A CDF admoesta o teólogo holandês Edward Schillebeekx por suas proposições ambíguas em matéria cristológica que ele se nega a ratificar.

- Em 15 de dezembro a CDF declara que "o professor Hans Kung (suíço-alemão) prejudicou em seus escritos a integridade da verdade da fé católica e, portanto, já não pode ser considerado um teólogo católico e não pode, como tal, levar a cabo a tarefa de ensinar".

1980

- Janeiro. O Papa corrige, na Holanda, algumas ambiguidades e exageros do chamado "Conselho Pastoral dos Países-Baixos" no tangente à Eucaristia, a confissão, o sacerdócio, a catequese e o ecumenismo.

- Outubro, 14. A CDF restabelece, e, uma Carta-Circular, as normas para a dispensa do celibato sacerdotal e a redução ao estado laical de sacerdotes que deixaram o Ministério.

- Novembro, 20. A CDF volta a admoestar o Pe. Edward Schillebeekx mostrando-lhe que não retificou suas ambiguidades cristológicas.

1981

- Fevereiro, 17. A CDF corrige os erros difundidos na "Declaração da Conferência dos Bispos da Alemanha" no que diz respeito à filiação de católicos em organizações maçônicas e ratificando a pena de excomunhão aos mesmos.

-Outubro, 6. O Cardeal Casaroli (Secretário de Estado) entrega uma carta do Papa ao Pe. Pedro Arrupe, Geral dos Jesuítas, que não foi aceita a nomeação do Pe.O'Keefe e que, em seu lugar, nomeia um delegado de sua confiança, o Pe. Paolo Dezza, S.J., para governar a Companhia de Jesus e socorrê-la no discernimento para que, deixando os desvios, regresse ao seguimento de seu carisma original. Os jesuítas franceses aceitaram bem a intervenção do Papa, mas, no resto do mundo, muitos jesuítas se rebelaram, ocasionando uma diminuição de 25% dos membros da Ordem.

- Novembro. Na exortação apostólica "Familiaris Consortio" confirma os ensinamentos da "Humanae Vitae" em relação à imoralidade da contracepção e ratifica que os divorciados que voltaram a se casar não podem ter acesso à Eucaristia, a menos que decidam viver como irmãos.

1982

- Março, 27. A CDF corrige ambiguidades e lacunas em matéria de ecumenismo que estavam no "Informe Final da Conferência Internacional Anglicana-Católica Romana".

- Junho, 29. O Papa escreve aos bispos da Nicarágua para condenar a chamada 'Igreja Popular', ligada às comunidades de base e fortemente impregnada pela Teologia da Libertação.

- Agosto, 23. É erigida a Prelazia Pessoal da Santa Cruz e Opus Dei.

1983

- Janeiro, 25. Promulga o novo Código de Direito Canônico impregnado de uma renovada misericórdia disciplinar.

- Março - Manágua. Reprova publicamente o Pe. Ernesto Cardenal que havia se filiado ao governo sandinista (feroz regime socialista). Resiste impávido aos gritos da "Mães da Revolução" durante a Missa e, valentemente, reitera sua firme condenação à 'Igreja Popular' e o falso ecumenismo dos cristãos que se compromenteram no processo revolucionário.

- A CDF consegue que a Sor Agnes Mary Mansour abandone a congregação das Irmãs da Misericórdia devido seu ativismo favorável ao aborto. Será o primeiro de uma longa série de abandonos da vida religiosa de freiras comprometidas com o espírito modernista.

- Envia ao Arcebispo de Washington, como seu representante, a fazer uma visita apostólica a Mons. Raymond Hunthausen, Arcebispo de Seattle, para verificar sua errônea posição ante o desarmamento e a evasão fiscal.

- Novembro, 26. A CDF , devido a algumas interpretações mal intencionadas do novo Código de Direito Canônico, que já não contém a palavra 'maçonaria', responde confirmando que a fé católica e a maçonaria são incompatíveis e que os cristãos que pertençam às Lojas maçônicas estão em pecado grave e excomungados.

1984

- A CDF revisa a aobra do teólog da libertação peruano Gustavo Gutierrez por estar fortemente influenciada pelo marxismo.

- Junho, 13. A CDF pede, uma vez mais, a Edward Shillebeekx sua adesão à doutrina católica do sacerdócio.

- Agosto, 6. Com a Instrução Pastoral "Libertatis Nuntius", a CDF condena uma vez mais a Teologia da Libertação de teor marxista.

- Setembro, 7. A CDF convoca o teólogo da libertação brasileiro, Leonardo Boff, para chamar-lhe a atenção por sua adesão à ideologia marxista.

- Os bispos peruanos são chamados a Roma para advertir-lhes dos danos da Teologia da Libertação.

- Dezembro. O Geral dos Jesuítas, Pe Peter Hans Kolvenbach, expulsa da Ordem o Pe. Fernando Cardenal (irmão de Ernesto Cardenal) por participar do governo socialista nicaraguense como ministro da educação.

- Dezembro, 2. Com a exortação apostólica "Reconciliatio et Paenitentia" o Papa recorda a práxis correta do sacramento da penitência e condena absolutamente o abuso da confissão comunitária como meio ordinário da confissão.

1985

- A CDF chama o Pe. Gyorgy Bulany, sacerdote hungáro, membro das comunidades de base, para repreender-lo por sua postura favorável à objeção de consciência ante o serviço militar, que ele considera mau em si. Os escritos do Pe. Bulany já haviam sido vetados pela CDF.

- Março, 11. A CDF publica uma notificação para afirmar que as opções do Pe. Leonardo Boff em seu livro "Igreja, Carisma e Poder" estão tão errados que podem por em perigo a sã doutrina da fé.

- Alguma congregações católicas, fiéis à ortodoxia cristã, reportam à CDF alguns desvios dos Carmelitas Descalços.

- O polêmico bispo brasileiro, D. Hélder Câmara, é substituido por Mons. Cardoso Sobrinho, que teve de fazer uma profunda reestruturação da diocese enfrentando rebeliões por parte de professores, sacerdotes e religiosas fortemente influenciados pela teologia da libertação.

- Abril, 9 a 13 - Congresso de Loreto da Igreja Italiana. A intervenção do Papa marca o início de um caminho de renovação profunda da Igreja da Itália para adequá-la às necessidades de uma nova evangelização.

(Continua...)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Por que 2 bilhões de pessoas assistiram ao casamento do Príncipe William?


O fato de as mídias divulgarem escândalos cometidos por membros das famílias reais comprova que, conscientemente ou não, para a opinião pública a nobreza deve ser integra em sua apresentação e em suas ações e ser exemplo para as demais famílias do país.

Uma família real é, antes de tudo e simplesmente, uma família. Mas não qualquer família, é a família por excelência da Nação. Aquela que tem por vocação ser modelo e arquétipo do trato familiar em seu país. Os povos tendem a querer que, o que há de bom e saudável em seus lares, exista de maneira ainda mais excelente naquela residência que os representa: a casa real.

Uma nação é um conjunto de famílias, e, por isso, o modelo monárquico naturalmente o de todos os povos, desde que se tem notícia na História da Humanidade, até a Revolução Francesa de 1789. Antes disso houve algumas repúblicas, é certo, como entre os gregos da Antiguidade e, na Idade Média, as repúblicas aristocráticas, como as de Veneza e Gênova. Mas todas elas tinham por base a desigualdade de classes sociais. Entre os gregos antigos, essa desigualdade admitia até a escravidão. Na Idade Média, sob o maternal bafejo da Igreja Católica, o relacionamento entre as classes era de harmonia e cooperação. Seja como for, o fato é que a regra absolutamente generalizada era a monarquia.

A recente proliferação de repúblicas – estamos falando de séculos, portanto, é recente - foi algo imposto por minorias ideológicas fanatizadas pelo princípio da igualdade social, elevado à categoria de dogma absoluto. Surgiram então as repúblicas revolucionárias, nascidas das convulsões do final do século XVIII, sob o impulso das seitas iluministas na França, carbonárias na Itália e outras do gênero.

No Brasil, o golpe militar de Deodoro, que destituiu D. Pedro II e exilou a família imperial, não se deveu à aclamação do povo. O próprio Aristides Lobo, considerado um dos “pais” da República brasileira, confessou em suas memórias que “o povo assistiu bestificado a proclamação da República”.

Em uma república moderna revolucionária, o líder máximo é muitas vezes um simples qualquer – como eu, às vezes pior, acredite – que nada tem de representativo das das qualidades de um povo. Ele exerce legitimamente a Suprema Magistratura do país, mas não é representativo de suas qualidades, de seus sonhos, em suma de sua alma. É um simples gerente.

E é justamente essa ausência sistemática de representatividade familiar em numerosos governos do mundo moderno, um dos elementos - acredito eu - que fez com que 2.000.000.000 de pessoas voltassem ansiosas e comprazidas suas atenções para o casamento do herdeiro do trono da Inglaterra, país que ainda conserva algo dessa autenticidade monárquica, ao menos simbolicamente, independente de escândalos e decepções que membros da família real possam dar e que a mídia esquerdista habilmente explora.






terça-feira, 3 de maio de 2011

Para meditar!

Caso alguém precise de pontos para meditação, recomendo a contemplação dessa oração que, ainda sendo antiga, é certamente inspiradora!
Oração da 32 Romaria da Terra - 2009

"Senhor, Deus da vida, nós te louvamos e agradecemos porque criastes as águas. Elas são para nós fonte de graça e vida. Nós as vemos nas fontes e nascentes, nos mares e rios, nas várzeas e vales. Por onde passam elas regam as plantações, são bebidas pelos pássaros e animais, lavam, refrescam, reconfortam. Obrigado, ó Deus, pela água e pelo Espírito de nosso batismo, pois nos fizeram nascer de novo, para uma vida nova em Jesus Cristo. Ensina-nos a não jogar nas águas o lixo e os venenos. Dá-nos força profética para denunciar aqueles que poluem as águas com dejetos industriais, agrotóxicos e o não saneamento básico. Ajuda-nos a cuidar da terra e da água. Faz crescer em nós o respeito pelas fontes e nascentes, pelos rios e mares, pelas florestas e o meio ambiente. Compromete-nos a defender a mãe terra e a irmã água das mãos gananciosas do lucro. Que esta Romaria da Terra nos conscientize a cuidar da terra e da água, como bens preciosos aos teus olhos. Que os Santos Mártires, Sepé Tiaraju e Zumbi dos Palmares, com Iemanjá, Oxum e o Negrinho do Pastoreio, nos animem na luta por uma terra sem males.

Assim seja. Amém, Axé, Awere, Aleluia."