quarta-feira, 27 de abril de 2011

Perseguição religiosa no Paquistão



No Paquistão, num mar de 167 milhões de habitantes, os cristãos somam menos de 3% da população. Nesse país dominado por fundamentalistas mulçumanos, criticas ao islamismo são punidas severamente e certas leis facilitam a perseguição religiosa.

O caso de Asia Bibi Noreen

Atualmente, um caso está comovendo o mundo. Asia Bibi Noreen, paquistanesa de 45 anos, casada e mãe de várias filhas, foi condenada à morte por “crime de blasfêmia” em novembro do ano passado e será enforcada se a Alta Corte apoiar a sentença.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A ética é cristã?!


O artigo ““Se Deus não existe, tudo é permitido? NÃO”, de Renato Janine Ribeiro, faz uma exposição do desenvolvimento da idéia da ética “atéia”. O autor coloca como centro da reflexão o surgimento da um princípio de valores que transcende ao Deus punitivo que, para ele, seria o sentido fundamental da ética religiosa.

Não obstante, o autor – como o mesmo coloca no último parágrafo do artigo -, ao enfocar toda a sua exposição no pressuposto de que o medo e o inferno seriam o “vínculo preferencial” de Deus com o homem, mostra uma visão incompleta e distorcida do verdadeiro sentido da ação de Deus na história e do seu atributo de justiça.

Ainda que a ética utilitarista dos ateus perpasse pela edificação de uma sociedade justa, o princípio basilar é de faceta egoística e individualista. Claro que é passível de discussão a validade dessa ação humana que parte da busca do benefício próprio. Ademais, por ter como fundamento a liberdade e autonomia do homem, esse princípio também endossaria, outrossim, os mais atrozes feitos destes. Por isso, se faz mister constituir uma sociedade na qual, por mais autônomo que seja o indivíduo diante do outro, exista uma tênue linha que abarque a totalidade da comunidade humana. Essa ética laica, dita racional – como se a ética “religiosa” fosse fantasiosa e mítica – sustenta-se na lei natural ou numa estrutura radical da subjetividade humana que se supõe a todos os homens.

Obviamente que sem Deus há a possibilidade de ética. Entretanto, o sentido da Revelação e da mensagem cristã endossa talvez o valor mais estrutural da Civilização Ocidental: a caridade. Ademais, o autor do artigo enfoca, ao considerar a relevância do inferno, numa percepção que incidiria na idéia de que a crença em Deus alienaria os homens e que seria muito mais fruto das mãos humanas do que da sincera ação divina na história, por isso a citação do tal John Bramhall.

A Civilização Ocidental foi criada sob a égide do cristianismo. A idéia de justiça, amor, paz, ordem, como hoje compreendemos passou pelo crivo e pela transformação da fé cristã. Destarte, por mais humana que seja a ética – leia-se quanto menos “religiosa” – não há como desvencilhar desses pressupostos que, ainda que hoje entendamos como naturais aos homens, foram enfocados e exaltados apenas com o advento da mensagem de Jesus Cristo e da sua Igreja.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A silenciosa atração ao cristianismo - A história de uma conversão

A silenciosa atração ao cristianismo

A minha história de conversão inicia-se, paradoxalmente, com a minha descrença. Ainda sendo formado numa família católica, educado em colégios confessionais, a figura de Cristo sempre fora a mera simbolização de uma estrutura meramente moral e social. De fato, o cristianismo, por mais fundamental que fosse na minha edificação enquanto homem, jamais havia conseguido romper a apatia diante da abertura a Deus.

O grande estopim para a busca incansável pelo conhecimento de Deus começou quando da minha adesão às mais estapafúrdias perspectivas agnósticas da realidade. Entretanto, se faz mister pontuar que essa não-crença só foi desperta a partir do momento em que, espantado diante do mudo, estruturei um mínimo de reflexão a respeito das coisas. Antes, era apenas mais um jovem que, embebido nos grandes axiomas da modernidade, vivia a sua vida ignorando qualquer capacidade do espírito. Esse acordar me levou a constatar a situação antitética na qual me colocava; professava – teoricamente – uma fé, na prática, não acreditava.

Entretanto, ao abraçar o agnosticismo imediatamente iniciei uma busca pessoal por esse Deus desconhecido. Diferentemente do que poderiam esperar, a minha oposição à Igreja Católica não deu, fundamentalmente, por causa dos velhos chavões anticlericais repetidos à exaustão nas escolas e universidades. Constatava isto sim, uma crise espiritual grave no catolicismo que não só obstruía a relação estreita com Deus como desconstruía a credibilidade da fé. Assim, em busca da religião verdadeira, debrucei-me ao estudo. Inicialmente, até como reflexo do fascínio visual, aproximei-me do hinduísmo e das religiões orientais. Não obstante, foi no islamismo, num primeiro momento, e em segunda na ortodoxia, onde mais me aprofundei.

A fé islâmica que conheci, primeiramente, por meio de uma reflexão histórica, abriu-me um vasto campo de potenciais filosóficos, teológicos, estéticos, tradicionais. Parecia, então, que aquilo que eu buscava encontrava na religião de Maomé. Assim, iniciei um estudo minucioso e rigoroso que me encaminhasse objetivamente à constatação a respeito da veracidade do islamismo.

A abertura ao transcendente, com um viés místico, fascinou-me. A espiritualidade oriental fora para mim impactante e decisiva, até mesmo, no meu retorno ao cristianismo. Ao deparar-me com esse forte estudo espiritual fui confrontado com as minhas próprias origens e identidade como homem formado sobre a égide da fé cristã. Analisando, então, as razões da decadência espiritual no Ocidente eu tinha como fim refletir acerca dos pressupostos dessa Civilização então em crise. Assim, com o propósito de endossar e confirmar a minha busca e proximidade com o islamismo, aproximei-me da fé cristã como objeto de estudo.

Nesse patamar da caminhada eu me encontrei com uma gama de autores que foram fundamentais no meu regresso: Santo Tomás de Aquino, Olavo de Carvalho, René Guénon, René Girard, Santos Padres, Ortega y Gasset, Eric Voegelin, Chesterton, Mircea Eliade, São Paulo, Mário Ferreira dos Santos etc. Com alguns tive rápidos e decisivos contatos, já outros marcaram fortemente o trilhar. O interessante que, partindo da premissa de que o Ocidente não só se encontrava em crise como deficitário de uma verdadeira tradição espiritual, eu me vi confrontado com um prédio gloriosamente colossal dessa incrível cultura ocidental.

Por mais que o islamismo e a tradição oriental me fascinassem eu não encontrava o Deus então desconhecido. O meu agnosticismo havia deixado de ser propriamente uma posição. Acreditava em Deus, mas enquanto não O achava o agnosticismo continuava sendo o lugar comum do meu conforto (ir)religioso.

A Igreja Católica, como havia marcado a minha juventude, aparentava ser uma caricatura do que, no passado, fora. Os parâmetros que usara para me não mais me considerar católico anos antes eram totalmente distintos dos parâmetros que hoje usava para continuar na mesma posição. Se outrora os fundamentos eram concepções superficiais, ainda que com certo ar pontifical, o argumento, depois dessa caminhada, saíra do raso e ganhara em coesão. Os pontos essenciais eram mais robustos e o meu olhar direcionado à Igreja, ainda que a visse de forma negativa, buscava encontrar aquela herança espiritual que eu sabia que existia, mas que parecia oculta.

A fascinação com a mística oriental e, ao mesmo tempo, a mirada crítica diante do catolicismo me fizeram, então, tender para uma proximidade com a Igreja Ortodoxa. Basicamente esse passo foi dado depois de não apenas refletir a respeito das incoerências internas do islamismo – por mais bela que fosse a mística islâmica – como do conhecimento do grande legado dos Santos Padres, totalmente desconhecidos para mim. Ainda que a fé cristã católica permeasse a realidade na qual me inseria, o anticatolicismo havia brotado quase como uma raiz ideológica. Se o cristianismo era verdadeiro, com certeza não encontrava a sua plenitude na Igreja Católica, pensava. Desse modo, o meu olhar foi lançado sobre a Ortodoxia. Sem dúvida alguma essa fase foi de um grande crescimento espiritual e intelectual. Não só pude conhecer mais estreitamente a beleza da fé cristã como deparar-me com uma realidade que, ainda que fosse vivida no seio familiar e social, não era objeto da minha contemplação pessoal: a caridade.

A proximidade com as riquezas espirituais do Oriente cristão me levou, naturalmente, ao meu mundo ocidental e latino. Envolvido, então, em debates apologéticos com católicos, vi-me moralmente obrigado a iniciar uma cruzada pela desconstrução dos mitos “papistas” dos “romanos”. No fundo esse anseio era reflexo da busca de auto-afirmar a minha identidade enquanto anticatólico e voltado para a Ortodoxia. Entretanto, nessa saga pessoal, com leituras, traduções, artigos, fui me deparando com afirmações muito fortes que não só endossavam as posições contrárias como desfaziam categoricamente as minhas – tênues – crenças.

Analisando, outrossim, a minha aversão ao catolicismo descobri-me diante não daquilo que era, em concreto, a Igreja Católica, mas o que eu, em minha experiência, havia conhecido. Comparar, então, a tradição oriental com as corrupções progressistas da fé passou a me parecer o sintoma de um arraigado sentimento passional e pouquíssimo fiel à Verdade, que sempre foi o fim último da minha corrida.

Digo, com muita humildade, que, nesse instante, conhecer o catolicismo foi não apenas a melhor experiência da minha vida como o meio mais eficaz de compreender-me enquanto homem e crente. Descobrir o Cristo na Sua Santa Igreja foi um processo longo, de muita angústia, sofrimento, mas de crescimento não apenas intelectual, mas espiritual. Talvez as minhas imperfeitas preces direcionadas ao então Deus desconhecido tenham chegado até Ele, Compassivo e Misericordioso, e que, assim, guiou-me não apenas até a Casa da qual nunca deveria ter saído como, num convite muito corajoso, chamou-me para o precioso e santo Sacerdócio do qual todos são indignos.

Analisando os caminhos pelos quais eu passei me vejo diante de uma dupla constatação; a tristeza do homem distante de Deus e, ao mesmo tempo, a Misericórdia divina que o guia pelas veredas desconhecidas. Ainda quando eu não acreditava nEle, Ele acreditava em mim. Eu já havia desistido de Cristo, mas Cristo jamais desistira de mim. O chamado ao Sacerdócio foi a conseqüência dessa busca que se formava no mais profundo das entranhas. Talvez, tenho a audácia de dizer, que o meu agnosticismo fora um sinal da minha vocação. A busca pela Verdade era a grande motivação da corrida e, acreditava, dos anseios pessoais. Procurava, simplesmente, onde repousar o meu coração. Não obstante, Deus me impulsionara a subir todo o monte e, com a mesma inquietação que me levou a virar o mundo ao avesso, eu busquei o meu lugar dentro da vontade Cristo depois de plenamente e conscientemente católico.

A vocação sacerdotal, na minha experiência, é indissociável da minha vida de convertido. O fôlego que dinamizava a minha busca por Deus foi o fôlego que, quando membro da Igreja, usei para ouvir o chamado de Deus e para viver de forma plena a Sua vontade.

Sou católico, graças a Deus!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Um hijab incomoda muita gente, um niqab incomoda muito mais!


Mais um episódio da epopéia moderna. O aparente paradoxo do novo ato é meramente ilusório. A França desde ontem começou a fazer valer a lei aprovada pelo Congresso que proíbe o uso do niqab – vestimenta que cobre todo o corpo da muçulmana – em lugares públicos. Algum “direitista” pode considerar essa ação do estado como uma vitória contra o terror “islâmico”, mas passa longe disso.

Obviamente essa postura dos “conservadores clichê” é totalmente criticável e, para agravar, inocente. O islamismo pode até ser alvo da simpatia da esquerda festiva, não obstante, a oposição que esta nutre ao Sagrado e à fé coloca não apenas o cristianismo mas como qualquer expressão religiosa no alvo do ódio relativista-secularizante da modernidade.

Essa proibição totalmente infundada parte de dois axiomas do mundo moderno: o ódio à fé e a deturpação do real sentido de liberdade. O niqab é proibido por ser um testemunho de coerência com a fé professada. Vale pontuar, por sua vez, que de acordo com a lei islâmica a mulher é obrigada a usar apenas o hijab – o véu que cobre os cabelos. No Irã, por exemplo, por mais condenável que seja a presença de uma polícia da moral, boa parte das mulheres opta pelo uso do niqab, que é facultativo. Ademais, ainda que o uso dessa veste completa seja expressão de uma imposição “machista”, não faz parte da responsabilidade do estado legislar sobre a vivência da religiosidade e dos sinais culturais. Claro que o poder estatal deve resguardar pelo bem comum, pela ordem, pela paz, pela manutenção dos valores e leis naturais, porém, quando se considera livre para intrometer-se numa perspectiva familiar e individual, é porque a sombra do totalitarismo já desponta no horizonte.

A França já havia proibido o uso do hijab nas escolas públicas por defini-lo como um símbolo religioso e, portanto, vetado no ambiente laico – assim como o crucifixo. O problema em questão, e se faz importante que os verdadeiros conservadores não incidam numa visão romântica da realidade, não é o islamismo ou o cristianismo, mas sim a mentalidade moderna e a guerra contra a religião. Não está em discussão a veracidade ou não desses sinais da fé, mas sim a sua expressão fenomenológica.

Com essa lei, que ainda tem como complemento, para as muçulmanas pegas em flagrante, a doutrinação com uma cartilha de civismo – leia-se formação politicamente correta e ateísta – a França não apenas corrompe qualquer noção de liberdade individual como conquista mais uma vitória na guerra que iniciou contra a religião.

O pior é saber que no meio desse caldeirão esta situação é seqüestrada por certos grupos da esquerda - a mesma esquerda que em outra frente de batalha sustenta todo o discurso secularizante - que a transforma, com a linguagem marxista, em mais uma apologia panfletária contra a "opressão" conservadora. O niqab será transmutado em proletário do novo milênio, em sinal não do Sagrado, mas da revolução.

terça-feira, 5 de abril de 2011

“Deus abençoe os húngaros!”

Eis a frase que inicia o preâmbulo da nova constituição hungara planejada pelo governo do primeiro-ministro Victor Orban, que visa professar claramente a identidade cristã da Hungria: “Deus abençoe os húngaros!”

Segundo o site alemão Kath.net (30/3/2011), a apresentação do projeto de reforma constitucional deixou a oposição esquerdista preocupada – o que em geral é bom sinal -, pois o novo texto dará proteção à vida desde sua concepção e definirá o matrimônio como uma instituição composta entre um homem e uma mulher.

As intenções do governo húngaro não agradaram também a União Europeia, cuja agenda laicista e imoral visa impor o oposto em todos os países integrantes.

“Somos orgulhosos pelo fato de nosso rei Santo Estevão ter criado o Estado húngaro e colocado nossa pátria como parte da Europa Cristã”, lê-se na redação do preâmbulo.

Além de professar diversas vezes sua adesão à Cristandade, a Constituição se refere à “Santa Coroa” (foto acima), que pertenceu a Santo Estevão e com a qual cerca de outros 55 reis foram coroados, como símbolo da nacionalidade.

Com uma maioria de dois terços no Parlamento, o governo pretende implementar a nova constituição a partir da próxima Páscoa.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Eu sigo o fundamentalismo do Papa

Nada melhor do que num dia de muita motivação entrar no site da Adital para saber das mais recentes notícias dos mais radicais grupos progressistas. Resolvi, então, ler um artigo de Eduardo Hoornaert, que se apresenta orgulhosamente como Padre casado, comentando o novo volume do livro do Santo Padre, "Jesus de Nazaré". Obviamente não esperava nada próximo de uma exposição ortodoxa, entretanto, assumo que superou as minhas expectativas.

O autor desenvolve uma crítica dura ao que considera o fundamentalismo papal ao interpretar a passagem de Mt 16, 17-19 como uma confirmação do primado petrino. Para o Pe. Eduardo a confissão de São Pedro seguida da promessa feita por Nosso Senhor não pode ser compreendida de forma institucional. Ao contrário, afirma que nos primeiros séculos os cristãos entendiam essa passagem - apenas - como um elogio de Cristo diante da fé e segurança demonstrada pelo Príncipe dos Apóstolos. Para endossar essa visão cita, espantem, a posição da igreja ortodoxa - cismática.

O mais bizarro - sim, o artigo piora - é que o autor não só afirma categoricamente que essa leitura "institucional" não é tradicional como desenvolve o argumento centrado no que ele acredita ser a usurpação e corrupção da passagem evangélica pela Sé de Roma para minar, tolher e diminuir a autonomia das igrejas locais. Não só culpa o grande São Leão Magno pela difusão dessa visão "exclusivista" e sectária como relata a gênese do que consideraria as superestruturas históricas e triunfalistas da igreja romana, tais como a idéia da "cathedra Petri" e os "pretensos" sepulcros dos Santos Pedro e Paulo, a imagem da Igreja como barca tendo o Papa ao leme, os títulos dados ao Santo Padre e, até mesmo, a mensagem paulina da Igreja enquanto Corpo Místico com o Vigário de Cristo à frente. Roma, então, nessa leitura, fora a responsável pelo distanciamento dos patriarcados gregos, embriagada com a própria supremacia de caráter opressor e artificial. Assim, em nome do diálogo, o Sacerdote recomenda; "é melhor abandonar esse embasamento do primado romano.”

De fato, é assustador perceber como o relativismo e as teologias pluralistas de índole reinocêntricas em sua maioria, incidem em argumentações falaciosas e ilógicas quando levamos em consideração a própria incoerência do argumentador. Como um Sacerdote, que só o é pela autoridade dada por Cristo à Igreja, duvida de um dos pontos fundamentais da identidade católica? De um dogma definido solenemente em Concílio? Claro que o autor não coloca em discussão a infalibilidade, mas ao discutir a legitimidade da confissão de São Pedro entra numa reflexão que abarca os pontos basilares das definições do Concílio Vaticano I. Assim, toda a idéia do primado petrino seria conseqüência das superestruturas históricas que se desenvolveram ao longo de séculos.

Ao fim do artigo o Pe. Eduardo proclama: "Ninguém pode impedi-lo de seguir o fundamentalismo do papa." Graças a Deus! Quero ser um católico pleno, ainda que indignamente, amando a Cristo e seguindo a Sua Igreja. E se a isso é o que chamam de fundamentalista, que eu seja o mais radical destes!