quarta-feira, 2 de março de 2011

Reflexão Árabe-Islâmica

A crise nas nações do norte da África tem ampliado o debate a respeito da democratização nos países árabes. De fato, dentro da perspectiva ocidental o regime de governo adotado por muitos desses estados coloca-se na antípoda de qualquer noção de liberdade, justiça e democracia. Vale destacar, outrossim, que não necessariamente os modelos totalitários em questão se fundamentam em princípios islâmicos, como a sharia. Egito, Líbia, Tunísia, viram a ascensão de regimes duros seja por ingerência direta ou indireta das nações do Ocidente.

Os países árabes estiveram, por muito tempo, sob influência dos paradigmas pensados pelas nações ocidentais. A influência tanto do poderio econômico americano como da ideologia soviética salpicaram em meio aos governos uma onda de projetos revolucionários alinhados com todas as vertentes até então pensadas.

Entretanto, o que quero destacar é a crítica positiva aos atuais levantes populares. Claro que, se comparado com regimes totalitários, a famigerada democracia surge como a mais justa proposta política. Não obstante, o que deve ser levado em consideração é o forte teor ideológico que sustenta o edifício ocidental que, ao que tudo indica, será construído no coração de tais nações árabes. Vale destacar que seria um absurdo considerar, como foi dito, os estados então vigentes como particularidades semitas. Líbia, Egito, Tunísia, Bahrein etc, são países que estão inseridos no mercado mundial, com economias - mal ou bem - estruturadas e que também são cobertos pelo manto da globalização.

O grande perigo é idealizar o atual modelo de sociedade ocidental como o mais apropriado para o progresso humano, destacando aqui a técnica em seu estado mais pujante. Ademais, a crença de que na supervalorização democrática-republicana os princípios fundamentais da humanidade são concretizados. Essa discussão não deve abarcar a lógica interna da mentalidade islâmica, mas sim o perigo objetivo de que a onda secularizante formada no Ocidente estenda-se até as fronteiras dos países maometanos. De fato, as nações mais ocidentalizadas, como Turquia e Marrocos, já enfrentam situações paradoxais, como o Supremo Tribunal de Justiça turco que pretendera abolir o uso do hijab (o véu islâmico).

Outro ponto que deve ser alvo de reflexão é o perigo concreto do despertar do fundamentalismo islâmico, de origem wahabita. A implantação de modelos políticos externos com a ajuda direta das potências ocidentais constrói o contexto adequado para a escalada do discurso radical contrário ao espírito do decadente Ocidente. Como ocorrera no caso da Turquia, a liberalização das ações políticas alimentou o discurso extremista.

O movimento wahabita, surgido no séc XVIII, tem essa marca; o retorno radical às tradições dos tempos do Profeta Muhammad como pensada pelo reformador Mohammad ibn Abd-al-Wahhab. Assim, se auto-proclamam salafis, como eram chamado os primeiros companheiros de Maomé. O espírito do wahabismo é muito similar com a reforma protestante seja na deformação da tradição oral - muito forte no islã - como na corrupção da acertada hermenêutica corânica, vide, por exemplo, a ojeriza ao saber reflexivo filosófico e à estética, marcas bem características do islamismo medieval, e a liberação do takfir (julgamento objetivo da fé alheia). Da junção do radicalismo anti-tradicional wahabita com os projetos da família Saud nasceu, então, a Arábia Saudita com o poderio dos petrodólares.

Outro perigo considerável que incorremos é o de abraçar a utopia neoconservadora ao acreditar na missão profética do Ocidente - não o verdadeiro, mas aquilo que se tornou depois do alvorecer revolucionário -, e aqui surge a figura imponente dos EUA, como defensor da liberdade num mundo submerso nas sombras da religiosidade fideísta e do totalitarismo. Por mais honrosa que seja essa utopia é inegável que parte de um pressuposto ideológico: tanto a deformação do real sentido de liberdade como o taxativo repúdio a qualquer sentimento religioso.

Prefiro esperar o desenrolar dos acontecimentos a apostar na crença de que, através da estruturação do modelo ocidental, essas nações finalmente viverão sob um regime de concórdia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Enquete: É correto usar imagens católicas nos desfiles das escolas de samba?

A escola de samba Nilópolis, com autorização da Arquidiocese do Rio de Janeiro, levará para o meio da imoralidade do sambódromo uma imagem de Cristo Redentor (foto ao lado), de dez metros de altura, tendo ao fundo uma outra de Nossa Senhora.

Segundo O Globo do dia 26 deste mês, a advogada da Arquidiocese do Rio, Claudine Dutra, afirmou que não se trata de Jesus Cristo, mas de um “ser de luz” e que os direitos autorais da imagem pertencem à cúria arquidiocesana.

Além disso, nesse ambiente de imoralidade carnavalesca, 300 crianças rodearão a imagem de Cristo Redentor no desfile.

E qual é a sua opinião, leitor, sobre isso? Você acha correto utilizar imagens católicas pelas escolas de samba? Responda na enquete abaixo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Flawless Victory do Estado!

Mais um capítulo da mais esdrúxula saga intervencionista tipicamente moderna e pós-milenar. Estou quase apelando para o surgimento de um John Galt! Excessos e obscenidades randianas à parte, o fato é que o mundo caminha, verdadeiramente, por uma estrada onde o fim último é a total subversão da ordem e desconstrução dos valores e virtudes mais basilares na existência do homem.

A mais recente novidade é a tal Junta de Classificação Australiana - convenhamos, parece com os nomes "fictícios" d'A Revolta de Atlas - que baniu das prateleiras o novo e esperado jogo Mortal Kombat - "Classificação Recusada". O órgão do governo descreveu de forma muito viva os malefícios visuais do game, tais como “violência explícita”, “sangue espirrando” e “desmembramentos sucessivos”. O centro da discussão não é a conveniência ou não do jogo, mas sim a total falta de fundamento de ter a mão do estado fazendo um discernimento que cabe exclusivamente ao homem e às famílias.

O jogo não será lançado na Austrália devido à oposição do estado ao que considera a perversidade do game. Tudo bem! Devemos ter certo cuidado nessa argumentação para não incidir num espírito liberal tresloucado. Não obstante, quando o homem parte de premissas morais que dotam de sentido pleno a própria existência consegue discernir entre a liberdade de empreender, quando essa explosão criativa não afronta os limites responsáveis da moralidade, e uma saga liberal secularizante que busca, por exemplo, a aprovação do aborto.

Essa empreitada estatista tem, no plano de fundo, uma aparente contradição; ao mesmo tempo em que o estado restringe a liberdade individual em várias esferas - jogos proibidos, fumo boicotado etc - tudo que compõe a cartilha do politicamente correto é radicalmente financiado, desde a promoção das drogas até a manutenção da agenda abortista, em nome da mesma Sra. Liberdade. Ora, esse curioso paradoxo forma-se, então, na total decadência do homem moderno, com uma consciência anestesiada e incapacitado, acidentalmente, de gerar reflexão. Sou quase tentado a acreditar numa alienação marxista inversa!

Se Mortal Kombat levasse predestinamente o homem ao desespero, bem, eu o joguei muito na minha juventude...

Parabéns, estado! Isso que é fatality!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ir. Dulce e o amor aos pobres

Ir. Dulce é conhecida não apenas em Salvador ou na Bahia, mas como em todo o Brasil. Caso alguém a invoque provavelmente recordará dos tantos títulos dados pelo povo a quem tão devotamente serviu: Mãe dos Pobres, Mães dos Inválidos, Anjo Bom da Bahia.

O que muitas pessoas não sabem – ou sequer relacionam como a vida dessa religiosa – é que todo o seu ardor apostólico brotava da sua radical adesão ao Cristo Crucificado. Ir. Dulce ofereceu a sua vida em honra ao Verbo encarnado. De fato, não apenas manteve prudentemente a sua vela acesa como foi incansável no esforço de encaminhar quantas almas pudesse para o redil de Nosso Senhor.

Nos tempos atuais, quando vem tornando-se comum uma visão horizontal das relações humanas, rompendo com o sagrado e a vocação natural do homem de buscar a Deus, Ir. Dulce deu um testemunho avassalador de coerência e amor aos pobres. Ela, mais do que qualquer teórico da luta de classes ou de adeptos das mais estapafúrdias teses “reinocêntricas”, era confrontada a cada dia com as misérias da sociedade e as injustiças do mundo moderno. Não obstante, o seu esforço não estava voltado para a reflexão ideológica e material, mas sim para a prática do amor aos mais necessitados como conseqüente causa da experiência pessoal com e em Cristo.
Ir. Dulce fundara o Círculo Operário da Bahia – com o apoio dos frades menores – preocupada com a triste condição de vida do operariado soteropolitano. Entretanto, assim como os franciscanos, sempre se manteve distante das discussões políticas e, juntamente com a assistência eclesiástica dada no Círculo, jamais permitiu a perda do fervor religioso e a ascensão das idéias comunistas dentro das suas fileiras. Não que faltassem incursões dos grupos de esquerda, mas a piedade daqueles bons proletários católicos desfavorecia qualquer ideologização.

A força de Ir. Dulce sempre fora a oração, o amor a Cristo e às práticas de piedade. Jamais deixara a sua Santa Comunhão diária e a devoção mariana e ao glorioso Santo Antônio de Lisboa. Oferecia os seus pobres como pérolas à Virgem Maria. Ademais, sempre teve em mente o sentido da sua vocação. Nunca se esquecera daquela experiência religiosa determinante na sua convicção vocacional; ainda jovem, na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, ficara fascinada com aquela cena que parecia ser uma pintura digna das mais impactantes telas barrocas: um ser de branco rasgara os raios de luz que atravessavam as janelas e cortavam toda a nave. Pensou que se tratava de um anjo, mas viu que era uma freira que testemunhava a sua consagração no hábito que usava. A força desse evento foi tão importante que a então Maria Rira, sem saber ao certo de qual Congregação se tratava, até mesmo desconhecendo a vida daquela religiosa, resolvera oferecer a sua vida a Deus como mais uma Missionária de Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Mais tarde a Superiora Geral, quando as obras de Ir. Dulce já eram grandiosas e de conhecido respeito em toda Salvador, irá obrigá-la a fazer uma triste decisão: ou largar o seus apostolados – estava atrapalhando a vida comunitária e contemplativa, alegara – ou retirar-se da Congregação. Para o Anjo bom da Bahia foi um momento de dor e provação. Depois de consultar-se com santos e doutos sacerdotes e auxiliada pelo então Administrador Apostólico da Arquidiocese Primaz do Brasil, D. Eugênio Sales – mais tarde Bispo titular e Cardeal da Bahia – resolveu pedir a desenclausuração. Não saía da Congregação, mas vira nesse meio a única forma de cumprir não o seu desejo, mas a vontade de Deus nos pobres.

Viveu dez anos fora da comunidade, já que o Convento de Santo Antônio, onde residia com as suas Irmãs, ao lado das Obras Assistenciais, foi desativado e as religiosas transferidas para o Colégio Santa Bernadete. Ainda sendo liberada pelo Cardeal para usar qualquer vestimenta, devido ao acontecido, jamais largou aquele hábito azul e branco que a marcara na mocidade e, assim, tornou-se a única religiosa da sua Congregação na Bahia a não aderir ao modelo reformado e ao não uso que logo veio a ser ordinário.

A sua piedade, confiança na Providência e amor gratuito fazia com que tivesse livre acesso tanto aos casarões da Vitória como às palafitas de Alagados, ao palácio do Governador e às favelas de Maçaranduba. Como a mesma intimidade com que tratava tuberculosos e leprosos dialogava com Dr. Norberto Odebrecht e Dr. Ângelo Calmon de Sá, amigos íntimos e benfeitores.

Os seus gestos e as suas ações falavam de uma religiosa que depois de prostrar-se em adoração ao Jesus-Hóstia saía pelas ruas não para libertar os pobres da opressão ou para incendiá-los com o fogo da paixão ideológica, mas sim para apresentá-los ao Amor encarnado, para uni-los fortemente a Cristo na Sua Igreja através dos Sacramentos. Como filhos de Deus, feitos à Sua imagem e semelhança, os homens eram merecedores da salvação e de gozar de uma vida digna. Esse era o anúncio feito por Ir. Dulce.
Ao longo da sua vida essa Mãe dos Pobres testemunhou a sua radical confiança na Providência e uma sólida convicção no amor de Cristo aos homens. Num inverno muito rigoroso em Salvador, Ir. Dulce ficara doente e não pudera sair pelas ruas distribuindo agasalhos e recolhendo seus pobres para o albergue. A luz da sua cela tornara-se um farol em meio ao mar da miséria, onde homens e mulheres quase congelados gritavam implorando por um cobertor. A religiosa, tomada pela febre, depois de lançar tudo o que tinha - só não distribuíra as poucas vestes que restavam porque foi impedida pelas irmãs - resolvera então descer até a capela e rezar, pedindo a Deus que zelasse por aqueles filhos. Depois da sua oração ordenara que, em procissão, a imagem de Santo Antônio fosse levada até o lado de fora, ainda que as outras religiosas não indicassem pelo frio e por ela encontrar-se enferma. Nada feito! A imagem foi colocada no passeio. Alguns minutos depois, estando em prece no oratório, ouviu um forte estrondo e, ao sair, deparou-se com uma caminhonete que quase se acidentara no muro do Convento. Dela saiu um homem com um rosto já conhecido por ela e pelas irmãs, mas que não sabiam considerar a origem. Começara a tirar cobertores do carro que, imediatamente, foram sendo agarrados pelos miseráveis. O rapaz misterioso, sem dizer uma palavra, entrou no carro e se foi. Qual a surpresa dessas religiosas quando, ao se lembrarem do coitado do Santo Antônio esquecido na friagem, reconheceram claramente aquela face, sabiam finalmente quem era aquele homem: sim, o mais pobre dos filhos de São Francisco viera ao socorro da sua filha querida, a glória de Portugal e orgulho da Itália, Antônio!

Quanta humildade e amor aos necessitados! Ao perambular por Salvador em busca de doações para a compra do terreno onde seria construído o hospital, entrara numa venda e abordara o dono pedindo auxílio para os miseráveis. Estendeu a sua mão e recebeu em resposta uma cusparada! Na sua mais genuína mansidão respondeu: Sim, meu senhor, isto é para mim, agora dê-me alguma coisa para os meus pobres!

Ir. Dulce tornou-se o Anjo Bom da Bahia não apenas porque construíra uma das maiores obras caritativas desse país confiando apenas na Providência, mas sim porque fez a escolha fundamental de amar a Cristo e ser fiel a Ele. No dia do julgamento, quando essa Mãe dos Inválidos for questionada se O vestiu quando estava nu, se O deu de beber quanto estava com sede, se O deu de comer quando sofria de fome, se O viu nos mais pequeninos, poderá responder, gloriosamente, que sim, que tudo ela fez por amor e pelo Amor!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Havana: O fantasma de Honecker e os ressuscitadores

Das ruínas da revolução, sectores eclesiásticos, uma vez mais, tratam de ressuscitar as supostas conquistas do sistema comunista cubano, como se de uma arvore intrínseca e satanicamente má, pudesse brotar frutos bons.

Por Armando F. Valladares, 14 de fevereiro de 2011 - Tradução: Edson Carlos de Oliveira

Raúl Castro cumprimentando D. Dionísio García, arcebispo de Santiago de Cuba e o cardeal Jaime Ortega (dir.), arcebispo de Havana, o "Pastor-carcereiro" que, ao invés de dar a vida por suas ovelhas, faz todo o possível para ajudar aos Lobos e asfixiar ao rebanho.

Em Havana, um fantasma de mal agouro rodeia os centros nevrálgicos do poder e causa preocupação ao ditador. Uns dizem que é o fantasma do egípcio ditador Mubarak, recentemente deposto; outros suspeitam que seja o do romeno ditador comunista Ceaucescu, derrubado e condenado a morte em 1989. Mas fontes de minha absoluta confiança, que viram o fantasma com seus próprios olhos, me disseram que mais se parece com Eric Honecker, o último ditador comunista da Alemanha Oriental, que caiu também em 1989, junto com o infame Muro de Berlim.

Parece que o ditador de Cuba está realmente preocupado, seus aparelhos de segurança possuem uma maquiavélica experiência de meio século em reprimir e esmagar pessoas de carne e osso, mas se mostram impotentes para lidar com fantasmas.

Reunido com seus sequazes, nos antros mais tenebrosos, o ditador cubano decidiu pedir ajuda a seus mais eficazes aliados de décadas, especialistas na repressão espiritual e no controle das almas que se opõe ao comunismo. Quem sabe se eles teriam alguma ideia para reprimir e afugentar da ilha o fantasma de Honecker.

O Pastor-Carcereiro, como invariavelmente tem feito, se dispôs a prestar a solicitada ajuda junto com seus colaboradores. Mas lhe pareceu mais prudente canalizar sua colaboração com mão de gato, fazendo publicar o artigo "La urgencia de un nuevo pacto social" na revista "Espacio laical", do Conselho Arquidiocesano de Leigos de Havana. A agência católica Zenit, de Roma, reproduziu e difundiu o texto do artigo.

Sem citar diretamente ao fantasma que ronda Havana, o artigo constata um perigoso "processo de fratura" na sociedade comunista que poderia levar, "em pouco tempo", segundo se encarrega de advertir, a uma "perda de governabilidade" e a um "estágio muito difícil" para o atual regime. O seja, em outras palavras, se prevê um colapso do regime se este não fizer algo com urgência. O artigo, de maneira servil em relação ao regime, acusa como primeiros responsáveis da atual situação de Cuba não ao Partido Comunista, que está na raiz dos males cubanos, mas aos "setores" que discrepam do regime, aos quais o arcebispo reprova a "incapacidade enorme" para reconhecer a "legitimidade" do regime e que se negam a "dialogar" com o ditador. Finalmente, o artigo lança como solução um "novo pacto social" que atue como galvanizador e ressuscitador do regime agonizante.

Fontes de minha confiança também me informaram que na sexta-feira de 11 de fevereiro estava em Havana, participando em reuniões sigilosas com eclesiásticos da ilha, o arcebispo de Miami, monsenhor Thomas Wenski, membro do comitê de política internacional da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, conhecido defensor do "diálogo" com o regime comunista.

Das ruínas da revolução, sectores eclesiásticos, uma vez mais, tratam de ressuscitar as supostas conquistas do sistema comunista cubano, como se de uma arvore intrínseca e satanicamente má, pudesse brotar frutos bons.

Que a Providência ilumine aos cubanos da ilha e do desterro para resistir com a força das ideias e da fé às manobras do ditador, dos "pastores-carcereiros" e dos ressuscitadores de plantão.

Armando Valladares, escritor, pintor e poeta. Passou 22 anos nas prisões políticas de Cuba. É autor do best-seller "Contra toda esperanza", onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU sob as administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial de Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado.

No começo de fevereiro, Valladares escreveu o artigo "Cuba, el preso político y el Pastor-carcelero".

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Grupo homossexual da Bahia tenta atrapalhar caravana católica, mas não consegue…


Em passagem por Salvador, a caravana Terra de Santa Cruz fez uma bela campanha na Praça da Sé recolhendo assinaturas contra o PNDH-3 que visa, entre outras coisas, descriminalizar o aborto e legalizar o "casamento" homossexual.

Logo no inicio, o GGB (Grupo Gay da Bahia) com a presença de seu presidente e fundador Luiz Mott - mentor e articulador do PL 122/2006 (a "lei da homofobia") - que fazia uma manifestação na mesma praça, se posicionou em frente aos jovens para contrarrestar a campanha, mas sem sucesso, como mostra o vídeo abaixo.

Minutos depois, chegou um carro do jornal A Tarde que tirou fotos da campanha, mas apenas entrevistou alguns dos homossexuais. No outro dia, o diário soteropolitano noticiava a manifestação dos homossexuais e nenhuma única menção a ordeira campanha do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Depois do vídeo, transcreverei a carta que enviei ao jornal A Tarde em protesto pela parcialidade ridícula.



[Carta ao jornal A Tarde, não publicada)

Salvador, 29 de Janeiro de 2011


Prezado Sr. Editor,

Há tempos eu temia uma das metas do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) que visava controlar a imprensa em nossa pátria, mas agora vejo que minha preocupação é em vão, pois parece que a mesma já se encontra controlada. Ontem na Praça da Sé havia uma manifestação de jovens com faixas e bandeiras protestando contra o PNDH-3. Havia também estacionado na rua o carro de A Tarde e um fotógrafo de vocês registrando o evento, mas hoje ao ler vosso jornal, nada encontro sobre isso, somente uma matéria a respeito da manifestação do GGB onde nem sequer há uma menção aos jovens contrários ao PNDH-3. O que é isso? Censura? A imprensa já se encontra controlada?

Cordialmente,
Edson Carlos de Oliveira

O confuso filme "Caça às Bruxas"

Eu assisti "Caça às Bruxas", com Nicolas Cage, e foi uma grande frustração. Claro que não esperava um épico, mas sempre gostei da ação inteligente nas produções estreladas por Cage. Entretanto, nessa nova obra o que mais aparece é um ator envelhecido, cansado e nada convincente.

A sinopse do filme é extremamente simplória. Tudo gira ao redor de possíveis bruxas que seriam, também possivelmente, responsáveis pela peste negra. A única faceta interessante da obra é a excelente construção da trama que faz com que o espectador constantemente duvide do óbvio: a culpabilidade, ou não, da garota. Não obstante, o filme tem cenas toscas e atuações fracas, além de um forte e desnecessário apelo visual.

Se faz mister frisar que o filme cria, não sei até que ponto propositalmente, um aparente paradoxo. Toda a produção, até o desfecho, centraliza-se na percepção infundada e preconceituosa do período medieval. Apresenta-se uma Europa sob as trevas, com uma estética suja, uso de falácias históricas e exageros do que teria sido a ação eclesiástica. Ainda que o filme tenha se redimido com a conclusão, é muito ingênuo acreditar que o espectador médio - que de fato crê nas ideologizadas críticas iluministas à Idade Média - atinou para a mudança radical de perspectiva. Ademais, o público alvo de uma produção de ação/aventura não vai ao cinema para confrontar-se e refletir acerca da história, mas sim para se entreter.

A Igreja, que ao longo do filme é constantemente atacada, com direito a frases de efeito e apelos emocionais, é apresentada, quando da descoberta da verdadeira face da garota - não era uma bruxa, mas sim uma possessa -, como a única naturalmente certa em toda a trama. Desde a cena inicial, onde o aparente vilão, o sacerdote, é assassinado pela também aparente inocente bruxa, até o final, a Igreja, como tratada na obra, vive numa pressão dialética muito confusa!

Obviamente é difícil fazer qualquer análise que vá além do caráter lúdico e banal da produção. O mais acertado é dizer que "Caça às bruxas" não pretende alçar vôos altos, mas também é acertado afirmar que o saldo do filme é negativo ao usar do apelo visual para apresentar uma Igreja medieval em contradição.