
No sonho paternalista e/ou social-democrata o estado é o grande promotor do desenvolvimento e farol da economia nacional. A Suécia, durante décadas, levou esse axioma verdadeiramente como fundamento de toda a estrutura econômica sobre a qual construiu o prédio do famoso país escandinavo.
A terra de Sua Majestade, Carlos XVI, tem o crescimento de empregos do setor privado praticamente estagnado desde 1950. Entre o período de 1950-2005 - um intervalo de 55 anos - não houve novos empregos criados na inciativa privada. Em meados da década de 80 a Suécia teve um grande incremento da população basicamente causado pela imigração - os índices de natalidade do país eram baixíssimos. Logicamente, se não há o aumento da oferta de emprego na mesma proporção do crescimento populacional haverá uma onda de desemprego que, se agravada, consolidará uma crise profunda de produção. Não obstante, esse cenário nunca chegou a concretizar-se na Suécia porque entre 1950-1990, por exemplo, o país gerou mais de um milhão de novos postos de trabalho "líquidos", ou seja, o saldo da diferença entre o desemprego e emprego criado.
Entretanto, a aparente bonança sueca foi financiada com a fanfarronice do estado. Todos os novos empregos criados desde 1950 até a década de 1990 se deram exclusivamente pela expansão do setor público. Desde Ernst Wigforss jamais houve, por parte do governo, a mentalidade de priorizar o desenvolvimento de médias e pequenas empresas, até porque o sucesso do empreendedorismo depende quase inversamente do estado, ou seja, da liberalização das estruturas trabalhistas e dos encargos tributários, duas bandeiras que sempre foram assustadoras para o Sveriges Socialdemokratiska Arbetarparti - Partido Operário Social-Democrata da Suécia, que governou o país por quase 70 anos. Assim, em 55 anos o crescimento do emprego no setor privado foi praticamente nulo. Empregos no setor público são custeados pelos impostos "arrecadados". Mais empregos na esfera estatal equivalem a dizer aumento de custos para o estado e, logicamente, maior burocratização estatista das relações econômicas.

A linha vermelha é a população; a linha marrom os empregos do setor público; a linha azul os empregos do setor privado
A crise da década de 90 destruiu o mito da fraternal Suécia keynesiana. Ora, sendo o estado o maior patrão do país e sendo ele o grande afetado pelas intempéries econômicas, naturalmente houve a queda acentuada dos índices de emprego em aproximadamente cerca de meio milhão. Ainda que o setor privado tenha sofrido do mesmo modo, a esfera pública padeceu com extrema severidade o rigor da crise. Após vinte anos os postos de trabalho de outrora foram recuperados, mas o aumento da população tornou esse desenvolvimento lento e incapacitado de acompanhar o crescimento.
A Suécia tem um alto custo com gastos sociais que representaram 29% da renda nacional em 2001, que já são mais baixos do que os 37% na Suécia de 1993. A tributação total foi de 51% do PIB. Além das altas taxas prejudicarem o crescimento criativo e empreendedor, a semana de trabalho do sueco médio é uma das menores do mundo. Os impostos elevados levam uma parte significativa da renda e estimulam a informalidade "do it-yourself"
A solução foi o estado? Não, em 1991 Carl Bildt, do Partido Moderado - Moderata Samlingspartiet, foi eleito e, ainda com dois mandados do Partido Social-Democrata, em 2006 Fredrik Reinfeldt, numa aliança de "centro-direita", não só ganhou com uma vitória acachapante como conseguiu a proeza de, em 2010, levar uma aliança não-esquerdista ao segundo mandado no país.
É amigos, havia algo de podre no reino da...Suécia!





