sábado, 13 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Cincos Bispos anglicanos retornam à plena comunhão
Cinco bispos anglicanos tradicionalistas fizeram oficial esta manhã sua intenção de somar-se ao Ordinariato inglês quando for estabelecido.
Esta manhã o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, aceitou a renúncia de três bispos extra-territoriais [bispos que realizavam seu ministério para os anglo-católicos que rechaçavam a ordenação de mulheres] da Igreja da Inglaterra e dois bispos retirados no que é um importante desenvolvimento no movimento para o estabelecimento de um Ordinariato na Grã-Bretanha.
O Reverendo Andrew Burnham, bispo do Ebbsfleet; o Rev. Keith Newton, bispo do Richborough, e o Rev. John Broadhurst, bispo do Fulham; junto com os Rev. Edwin Barnes, emérito de Richborough e o Rev. David Silk, auxiliar emérito de Exeter, publicaram uma declaração anunciando sua renúncia.O bispo católico Alan Hopes, auxiliar do Westminster, disse: “Damos as boas-vindas à decisão dos bispos Andrew Burnham, Keith Newton, John Broadhurst, Edwin Barnes e David Silk de entrar na comunhão plena com a Igreja Católica através do Ordinariato para a Inglaterra e Gales, que será estabelecido segundo as provisões da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus”.
Como muitos outros na tradição anglo-católica, seguimos na oração e no desejo o diálogo entre os anglicanos e os católicos, o processo denominado ARCIC. Afligiu-nos ver como anglicanos e católicos se afastaram, nos últimos trinta anos, em distintos tema, e particularmente nos consternou ver distintos desenvolvimentos em assuntos de fé e ordem no anglicanismo que, acreditamos, são incompatíveis com a vocação histórica do anglicanismo e a tradição de dois mil anos da Igreja.
A Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, dada em Roma em 4 de novembro de 2009, foi uma resposta aos anglicanos que procuram a unidade com a Santa Sé. Com os ordinariatos, estabelecem-se estruturas canônicas por meio das quais poderemos levar nossa experiência de discipulado cristão à comunhão plena com a Igreja Católica que abrange todo mundo e todas as épocas. Trata-se de uma resposta generosa às distintas aproximações pedindo ajuda à Santa Sede, e também se trata de um novo e valente instrumento ecumênico para a busca da unidade dos cristãos, unidade pela qual Cristo mesmo orou antes de Sua Paixão e Morte. Trata-se de uma unidade que, acreditamos, é possível só na comunhão eucarística com o sucessor de São Pedro.
Apreciamos profundamente o apoio que recebemos neste tempo difícil: o apoio de arcebispos e bispos, de clérigos e leigos, de anglicanos e católicos, daqueles que estão de acordo com nossa posição e daqueles que estão fervientemente em desacordo, daqueles que nos animaram a dar este passo, e daqueles que urgiram a não dá-lo.
Rev. Andrew Burnham
Rev. Keith Newton
Rev. John Broadhurst
Rev. Edwin Barnes
Rev. David Silk
Esta manhã o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, aceitou a renúncia de três bispos extra-territoriais [bispos que realizavam seu ministério para os anglo-católicos que rechaçavam a ordenação de mulheres] da Igreja da Inglaterra e dois bispos retirados no que é um importante desenvolvimento no movimento para o estabelecimento de um Ordinariato na Grã-Bretanha.
O Reverendo Andrew Burnham, bispo do Ebbsfleet; o Rev. Keith Newton, bispo do Richborough, e o Rev. John Broadhurst, bispo do Fulham; junto com os Rev. Edwin Barnes, emérito de Richborough e o Rev. David Silk, auxiliar emérito de Exeter, publicaram uma declaração anunciando sua renúncia.O bispo católico Alan Hopes, auxiliar do Westminster, disse: “Damos as boas-vindas à decisão dos bispos Andrew Burnham, Keith Newton, John Broadhurst, Edwin Barnes e David Silk de entrar na comunhão plena com a Igreja Católica através do Ordinariato para a Inglaterra e Gales, que será estabelecido segundo as provisões da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus”.
Declaração dos bispos renunciantes:
Como muitos outros na tradição anglo-católica, seguimos na oração e no desejo o diálogo entre os anglicanos e os católicos, o processo denominado ARCIC. Afligiu-nos ver como anglicanos e católicos se afastaram, nos últimos trinta anos, em distintos tema, e particularmente nos consternou ver distintos desenvolvimentos em assuntos de fé e ordem no anglicanismo que, acreditamos, são incompatíveis com a vocação histórica do anglicanismo e a tradição de dois mil anos da Igreja.
A Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, dada em Roma em 4 de novembro de 2009, foi uma resposta aos anglicanos que procuram a unidade com a Santa Sé. Com os ordinariatos, estabelecem-se estruturas canônicas por meio das quais poderemos levar nossa experiência de discipulado cristão à comunhão plena com a Igreja Católica que abrange todo mundo e todas as épocas. Trata-se de uma resposta generosa às distintas aproximações pedindo ajuda à Santa Sede, e também se trata de um novo e valente instrumento ecumênico para a busca da unidade dos cristãos, unidade pela qual Cristo mesmo orou antes de Sua Paixão e Morte. Trata-se de uma unidade que, acreditamos, é possível só na comunhão eucarística com o sucessor de São Pedro.
Como bispos, cuidamos de todos, dos que compartilham nossa posição e daqueles que tomaram uma postura diferente. Agora chegamos ao ponto no qual devemos declarar formalmente nossa posição e convidar a outros a unir-se em nossa viagem. Portanto, cessará imediatamente nosso ministério episcopal público, renunciando a nossas responsabilidades pastorais na Igreja [anglicana] da Inglaterra. Isto terá efeito a partir de 31 de dezembro de 2010. Procuramos nos unir a um Ordinariato quando este seja criado.
Permanecemos agradecidos por tudo o que a Igreja [anglicana] da Inglaterra significou para nós e por tudo o que nos deu nestes anos, e esperamos manter uma relação próxima e cálida, orando e trabalhando juntos pela vinda do Reino de Deus.Apreciamos profundamente o apoio que recebemos neste tempo difícil: o apoio de arcebispos e bispos, de clérigos e leigos, de anglicanos e católicos, daqueles que estão de acordo com nossa posição e daqueles que estão fervientemente em desacordo, daqueles que nos animaram a dar este passo, e daqueles que urgiram a não dá-lo.
Rev. Andrew Burnham
Rev. Keith Newton
Rev. John Broadhurst
Rev. Edwin Barnes
Rev. David Silk
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Nova e verdadeira oposição?
A vitória acachapante de Dilma e todo a tensão das eleições presidenciais mostraram, com muita clareza, o descrédito na oposição tucana no cenário político nacional. Sem dúvida alguma - e as estatísticas comprovam - o momento mais oportuno para a ascensão de José Serra nas pesquisas deu-se com as discussões que saiam do campo instrumental e técnico e entravam na esfera dos princípios e da moral. Não obstante, certas alas do PSDB, ainda com o ranço socializante, não viram com bons olhos a polarização da campanha em assuntos considerados polêmicos.
O Brasil, muito diferente de outras nações, não tem um forte setor político definido como conservador e/ou liberal. Ainda que a esquerda aponte partidos PSDB, DEM como baluartes da direita, é fato que não há nenhum posicionamento oficial em sintonia com o "direitismo" por parte da cúpula das siglas, no máximo algumas facções internas. Entretanto, essas eleições talvez tenham despertado a oposição para uma realidade muito factual. A falta do discurso conservador e/ou liberal e a semelhança entre a perspectiva política do Partido dos Trabalhadores e do PSDB no tocante às medidas econômicas, sociais e públicas, tiram qualquer crédito por parte dos tucanos em sua incursão contra a febre petista do país. Justamente quando os discursos se distanciaram e se opuseram, como, por exemplo, na discussão sobre o aborto, José Serra viu a sua candidatura tomar um novo fôlego e uma nova esperança.
Ainda que Dilma Roussef, a nossa nova Presidente, tenha sido eleita, essa campanha serviu para despertar as lideranças partidárias de que a concepção socializante e estatista de FHC e companhia em nada difere dos instrumentos utilizados pelo próprio PT, portanto desfavorece qualquer proposta tucana. No discurso conservador, na defesa das privatizações, na valorização da vida, exemplificando, a oposição mostra a sua diferença em relação aos petistas e se aproxima da própria visão de mundo que é compartida por grande parte da população brasileira. Não obstante, a paixão ideológica impede a percepção do real. Para que o PSDB, DEM e PP adotem a bandeira conservadora é necessário o surgimento de lideranças internas que encarnem os valores da nova oposição. Ainda que já existam nomes como Kátia Abreu, no DEM, Geraldo Alckmin, no PSDB, e o PP gaúcho, romper com a mentalidade ideológica e a ânsia estatista é difícil, entretanto, confiamos que a radicalização do governo petista e a crescente reação dos setores atacados, como imprensa e Igreja, obrigarão numa reavaliação das estratégias políticas.
O Brasil, muito diferente de outras nações, não tem um forte setor político definido como conservador e/ou liberal. Ainda que a esquerda aponte partidos PSDB, DEM como baluartes da direita, é fato que não há nenhum posicionamento oficial em sintonia com o "direitismo" por parte da cúpula das siglas, no máximo algumas facções internas. Entretanto, essas eleições talvez tenham despertado a oposição para uma realidade muito factual. A falta do discurso conservador e/ou liberal e a semelhança entre a perspectiva política do Partido dos Trabalhadores e do PSDB no tocante às medidas econômicas, sociais e públicas, tiram qualquer crédito por parte dos tucanos em sua incursão contra a febre petista do país. Justamente quando os discursos se distanciaram e se opuseram, como, por exemplo, na discussão sobre o aborto, José Serra viu a sua candidatura tomar um novo fôlego e uma nova esperança.
Ainda que Dilma Roussef, a nossa nova Presidente, tenha sido eleita, essa campanha serviu para despertar as lideranças partidárias de que a concepção socializante e estatista de FHC e companhia em nada difere dos instrumentos utilizados pelo próprio PT, portanto desfavorece qualquer proposta tucana. No discurso conservador, na defesa das privatizações, na valorização da vida, exemplificando, a oposição mostra a sua diferença em relação aos petistas e se aproxima da própria visão de mundo que é compartida por grande parte da população brasileira. Não obstante, a paixão ideológica impede a percepção do real. Para que o PSDB, DEM e PP adotem a bandeira conservadora é necessário o surgimento de lideranças internas que encarnem os valores da nova oposição. Ainda que já existam nomes como Kátia Abreu, no DEM, Geraldo Alckmin, no PSDB, e o PP gaúcho, romper com a mentalidade ideológica e a ânsia estatista é difícil, entretanto, confiamos que a radicalização do governo petista e a crescente reação dos setores atacados, como imprensa e Igreja, obrigarão numa reavaliação das estratégias políticas.quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Catarina Paraguaçu, Matriarca do Brasil e Protetora da Igreja
Em 1535, Catharina Paraguasú, em sonho, teve a visão de uma mulher branca com uma criança no colo, solicitando-lhe ajuda e dizendo encontrar-se numa embarcação que naufragara perto. Realizadas diversas buscas pelo litoral, inclusive no Rio Vermelho, nada foi encontrado. Catharina voltou a ter o mesmo sonho e Caramuru saiu para novas exploracões, dessa vez no litoral sul. Na Ilha de Boipeba, deparou-se com 17 sobreviventes da nau Madre de Dios, que afundou em maio de 1535, nas proximidades de um local que ficou conhecido como Ponta dos Castelhanos. Mas os náufragos informaram-lhe que na embarcação não viajava nenhuma mulher.
Retornando para casa a esposa pediu-lhe que voltasse ao local do naufrágio novamente. Entre os destroços, foi achada uma imagem de madeira – de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços -, que, levada à Catharina, foi imediatamente reconhecida por ela como a mulher vista nos sonhos. Uma segunda versão diz que Caramuru teria encontrado a imagem numa oca, depois de ter sido recolhida na praia por um índio.
Atendendo a mais um pedido da esposa, Caramuru construiu uma capela de taipa, com cobertura de palha, para abrigar a imagem da Virgem Maria. Estava assim, em 1535, erguida a primeira igreja do Brasil, onde foi oficiada, em 31 de maro de 1549, pelos padres jesuítas da comitiva de Thomé de Souza, uma festa religiosa que contou com a presença do governado-geral.
Mantendo-se fiel ao tupi, Catharina Paraguassú não se comunicava em português. Nunca demonstrou interesse pela língua dos dominadores das terras do seu povo. Na França aprendeu o francês bretão e assimilou dois hábitos dos brancos, a religião católica e o vestuário. Andava recatadamente vestida, ao contrário de muitas índias que continuavam adeptas da nudez total. Vivia cercada pelas mordomias proporcionadas por Caramuru.
Na verdade, Catharina constituía-se numa tupinambá muito especial, tanto que, após o regresso da França, o marido não teria tido mais nenhum evolvimento amoroso com outras indígenas. É quase certo que Caramuru realmente cumpriu os votos de fidelidade proferidos na França, onde se casou com Catherine du Brésil no ritual católico, em solenidade realizada possivelmente em Paris e com a presença do franciscano Pero Fernandes Sardinha, que viria implantar a primeira Diocese do Brasil. O primeiro bispo foi muito bem recebido por Caramuru e Catharina. Todavia, quando se declarou favorável à escravização dos índios, o casal afastou-se dele.
Doação da Igreja da Graça
Catharina Paraguassú, protagonista do primeiro milagre no Novo Mundo e pioneira na difusão da fé católica, também se tornou conhecida pela generosidade, pois dedicou boa parte da vida a praticar caridades. O maior dos gestos, numa demonstração de desprendimento e devoção, ocorreu quando transferiu à Ordem de São Bento a Ermida de Nossa Senhora da Graça e terras vizinhas, que lhes pertenciam por herança do marido. A escritura foi lavrada em 16 de julho de 1586, na casa da doadora, localizada no atual Largo da Graça, estando presentes o padre jesuíta Luís de Gran – confessor e intérprete de Catharina, que não dominava o português [apenas o francês] – e a parte beneficiada, representada pelo frei Antônio Ventura, primeiro abade do Mosteiro de São Bento.
A Matriarca da Bahia morreu em 26 de janeiro de 1589. Como provavelmente teria nascido em 1509, ano da chegada de Caramuru ao Rio Vermelho – local onde ela certamente nunca esteve -, Catharina viveu em torno de 80 anos, dos quais 61 como católica e 54 como devota de Maria Santíssima, a quem rendia tributo na ermida construída pelo marido após o profético sonho. Por dizerem que continuava a sentir o milagre da divina graça, a capela se transformou num centro de romaria dos colonos. Na viuvez, com o santuário já bastante ampliado, gostava de sentar-se numa cadeira junto à nave, onde os católicos lhe beijavam a mãe, em sinal de veneração.
Catharina foi enterrada na igreja que mandou construir após o achamento da imagem da Virgem Maria. A sepultura permanece até hoje no piso da nave, tendo sido preservada nas ampliações e reforma do templo. Em 1797, colocada pela Casa da Torre de Garcia D'Ávila [que após o casamento da filha de Garcia D'Ávila, Isabel D'Ávila, com o neto de Catharina, Diogo Dias, se tornara uma Casa onde também corria seu sangue], foi afixada na parede, à direita do túmulo, uma lápide brasonada com os seguintes dizeres, na grafia da época:
Sepultura de D. Catharina Álvares Paraguassú, Senhora desta Capitania da Bahia, a qual ella e seu marido, Diogo Álvares Corrêa, natural de Vianna, derão aos Senhores Reis de Portugal. Edificou esta Capella de Nossa Senhora da Graça e a deu com as terras annexas ao Patriarca S. Bento, em o anno de 1582.Em reconhecimento à sua importância, na propagação do catolicismo, e pelas benemerências praticadas, uma imagem caracterizando Catharina Paraguassú passou a figurar – juntamente com a da Virgem Maria com o Menino Jesus – no Brasão do Mosteiro de São Bento.
(…)
Retirado do livro "Diogo Álvares, o Caramuru" de Ubaldo Marques Porto Filho
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Um Bispo incomoda muita gente, dois Bispos incomodam muito mais...
O brasileiro tem total liberdade para exercer a cidadania na forma que mais convém, entretanto, essas eleições têm mostrado o maniqueísmo caricatural da política nacional e se faz necessária uma breve reflexão. As polêmicas acerca do aborto e das posições religiosas da Sra. Dilma foram formadas no âmago da Igreja, preocupada, isto sim, com a crescente ascensão do espírito da cultura de morte no nosso país. Essa observação é crucial para o correto entendimento de todo o cenário. Entretanto, é fato que o forte discurso ideológico, polarizado das eleições quer acusar a Igreja de ser um simples instrumento de manipulação que, no caso, estaria ligado às lideranças tucanas.
Por muitas décadas a Igreja Católica no Brasil esteve amordaçada pelas alas progressistas da Teologia da Libertação que, numa perspectiva totalmente horizontal da fé, embebida na concepção materialista do marxismo, boicotavam qualquer ação que não fosse as diretrizes “sociais”. Infelizmente, a comprovação da ineficiência de tal modelo é perceptível na incapacidade dessa visão de movimentar a juventude rumo à vocação religiosa. Com a inversão das prioridades da fé e a adesão a uma ótica extremamente distante da experiência pessoal e interior com Cristo obstrui-se a via do sagrado.
A preocupação da Igreja é no tocante à ascensão da cultura de morte claramente presente nos programas do PT. A omissão também configura uma ofensa grave, portanto os católicos têm a obrigação de anunciar os ensinamentos do Evangelho, ainda que seja motivo de revolta e contenda. Ademais, a leitura de que exista alguma relação partidária da ação clerical é muito impertinente e temerária. Durante anos Bispos defenderam o Partido dos Trabalhadores e respaldaram as ações intransigentes de células esquerdistas. Agora que o progressismo "libertador" vive o seu crepúsculo querem taxar de “politicagem” a movimentação da Igreja em defesa não do partido A ou B, mas da vida e da moralidade. Muito irônico! A Igreja, como Mãe e Mestra, tem o dever de se levantar quando a verdade é alvo de ataques pelos arautos da cultura de morte. Vale frisar que "cultura de morte" é um termo cunhado por S.S João Paulo II – muito citado, mas pouco seguido - representando todos os anti-valores da modernidade encarnados no aborto, eutanásia, "casamento" homossexual etc. Sem dúvida alguma o aborto é o tema fundamental, pois a sua defesa representa uma deformação em toda a consciência e quem o defende já coloca a premissa que sanciona, indiretamente, todas as aberrações morais.
Não podemos incidir numa visão maniqueísta da política. Serra não representa o bem e nem Dilma o mal em si. Ademais, é leviano afirmar e acreditar que ao se posicionar contra as objetivas relações do PT com a cultura de morte a Igreja esteja aliando-se aos tucanos. Recomendar aos católicos a não votarem em partidos contra a vida faz parte da missão de educadora da Igreja. Se faz mister pontuar que tal posicionamento se baseia na realidade concreta e factual de que o PT legitima em seu programa oficial posições abertamente opostas aos princípios e valores cristãos. Resumidamente, a Igreja Católica, diferente de certas seitas protestantes, não declara apoio a políticos - ainda que outrora, não tão outrora assim, as alas libertadoras defendessem publicamente o PT sem qualquer receio e agora acusam, temerariamente, irmãos no episcopado de uma aliança com o PSDB - mas tem o dever de combater as ideologias que carregam um projeto na clara oposição aos valores e virtudes.
Enquanto os petistas pedem “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público", como definido pelo último Congresso do PT, a Igreja ensina que "§ 2270 A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida." e que " "Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae" "pelo próprio fato de cometer o delito" e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao 'inocente morto, a seus pais e a toda a sociedade."
Os católicos não negociam a vida! Como acreditar em políticos que ostentam bandeiras de programas sociais enquanto buscam sorrateiramente legitimar leis que autorizam o aborto? Quais os princípios que norteiam uma consciência tão relaxada? Quem luta pela vida luta em todas as esferas e em todos os campos, tendo apenas em vista a construção de uma sociedade onde o ser humano é respeitado desde a sua concepção até a morte natural. A vida no sertão da Bahia que o programa social “do PT” salva é a vida no útero da mãe que o mesmo PT quer assassinar. Ademais, por mais que a Sra. Dilma se esforce para não parecer aliada da cultura de morte – e de forma totalmente caricatural – o fato é que o seu partido não apenas se engaja nessa bandeira como nutre uma concepção totalmente totalitária no que se refere a tais temas. Além disso, o PT não criou a corrupção, de fato, mas vivendo plenamente as diretrizes definidas por Antonio Gramsci, utilizou-a como instrumento para a consolidação do seu projeto de poder, vide o mensalão. Vale frisar, outrossim, que em Dilma nada é original; seu discurso, sua defesa da “vida” e da “família”, nem sua aparência é original.
Acusam a Igreja de estar aliada ao PSDB, de que a gráfica na qual a Diocese de Garulhos encomendou os polêmicos panfletos seja de um tucano – ainda que o mesmo estabelecimento tenha imprimido material de campanha de candidatos petistas e de revistas de organizações trabalhistas pró-PT -, de que o posicionamento do Regional Sul 1 da CNBB foi intransigente – apenas os sindicatos podem fazer apologia à candidatura da Sra. Dilma, usando verba do Estado, sem qualquer crítica por parte dos petistas – e de que o nosso país é uma nação laica – todos podem se pronunciar; do MST até a CUT, menos a Igreja, por mais que a religião seja fator determinante em um dos sistemas que sustenta a sociedade; ético-moral-cultural – e por isso a moralidade deveria estar fora da agenda das eleições.
De fato, a Boa Nova sempre será motivo de escândalo! A Igreja não mudou seu posicionamento em 2000 anos e não mudará. É preferível morrer sendo taxado de alienado e discriminatório do que abdicar de uma vírgula dos ensinamentos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo como anunciado pela Sua Esposa. Vivemos o que o Papa Bento XVI anunciou em sua visita à Inglaterra: "Em nosso tempo, o preço a ser pago pela fidelidade ao Evangelho pode não ser o enforcamento, afogamento ou esquartejamento, mas muitas vezes implica ser considerado irrelevante, ridículo ou ridicularizado. No entanto, a Igreja não pode se esquivar do dever de proclamar Cristo e o seu Evangelho como a verdade salvífica, fonte de nossa felicidade definitiva como indivíduos e base para uma sociedade justa e humana".
A caridade jamais deve tolher a verdade! O contrário, deformar a verdade tendo em vista a caridade, é contra-testemunhar a Misericórdia!
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O Movimento de Dessacralização
O movimento de dessacralização do mundo moderno, com a natural perda do sentido do sagrado, deve ser compreendido dentro da gênese da derrocada do espírito cristão. O humanismo renascentista, o espírito revolucionário da Reforma Protestante e a queda da ordem cultural vigente com a Revolução Francesa, são os responsáveis pela crise da Civilização Ocidental e pela desconstrução do sentido mais profundo da humanidade. A Civilização Ocidental, forjada com a assistência atuante da Igreja, foi formada tendo em vista uma compreensão vertical das próprias estruturas sociais. Os estratos e a ordem refletiam a relação de Deus com o homem e os homens compreendiam as distinções naturais entre eles. Entretanto, desde o alvorecer dos princípios revolucionários consolidados na Reforma e na Revolução Francesa, o radical humanismo, com a emancipação do indivíduo de sua essência e sentido mais profundo, deu margem a um movimento de desconstrução do ideal cristão.
O movimento da dessacralização que hoje assola a sociedade ocidental para ser compreendido se faz mister levar em consideração os fortes fatores históricos. Como nos disse Pe. Julio Meneville, sacerdote argentino, “três fortes golpes de marreta hão derrubado este sólido edifício: o protestantismo que acertou golpes contra a Igreja de Roma, depositária da ordem sobrenatural da graça; a revolução francesa que acertou os seus contra a reta ordem da natureza humana; e a revolução comunista que acertado o último golpe contra toda a ordem.”
Hoje em dia o liberalismo moral e a cultura materialista induzem a elaboração de uma humanidade sustentada no relativismo e na total desconstrução da consciência. O mundo moderno forma homens em nada comprometidos com a verdade, mas sim esforçados na obtenção do prazer e da felicidade terrena. Nesse sentido, ideologias como o marxismo revolucionário e o existencialismo ateu brotam do âmago do vazio interior do indivíduo embriagado pelos dogmas da modernidade.
A Igreja, como Mãe e Mestra da Verdade, não tem apenas a função de defender e ostentar o caminho único da salvação como chamar o mundo para que desperte do seu torpor espiritual. A crise que vivemos, como nos diz o grande jesuíta brasileiro Pe. Leonel Franca, é uma crise metafísica, isto é, perda de sentido e total desconhecimento da essência da realidade que nos permeia. A Igreja, nesse sentido, como portadora da Sabedoria, tem a obrigação de, na atualidade, ser mais do que nunca um farol radiante que norteia a Civilização rumo à plenitude da suas potencialidades.
Infelizmente, por outro lado, é sabido que os fiéis, como homens inseridos no seu tempo, são homens e mulheres que carregam os seus pecados e fraquezas. Entretanto, com a crise profunda do mundo moderno, encontramos cada vez mais consciências relaxadas e deformadas, até incapacitadas de entender o espírito de ordem, justiça e paz que a fé cristã vive e prega. Assim, há um choque muito preocupante entre a verdade da doutrina de Nosso Senhor e o espírito moderno que nutre verdadeira ojeriza à obediência, convicção, princípios e entrega absoluta. O relativismo moderno é intransigente e totalitário.
Destarte, o movimento de dessacralização forma-se quando nos omitimos diante da ascensão desse espírito destrutivo dos males modernos, junto aos ambientes eclesiásticos e religiosos, que corroem e enfraquecem os símbolos que dialogam com a alma. Necessitamos, outrossim, resgatar as tradições esquecidas, convidar os homens para a vida de oração e alimentar um amor filial à Igreja, afinal é por meio do seu anúncio que conhecemos a Cristo.
O movimento da dessacralização que hoje assola a sociedade ocidental para ser compreendido se faz mister levar em consideração os fortes fatores históricos. Como nos disse Pe. Julio Meneville, sacerdote argentino, “três fortes golpes de marreta hão derrubado este sólido edifício: o protestantismo que acertou golpes contra a Igreja de Roma, depositária da ordem sobrenatural da graça; a revolução francesa que acertou os seus contra a reta ordem da natureza humana; e a revolução comunista que acertado o último golpe contra toda a ordem.”
Hoje em dia o liberalismo moral e a cultura materialista induzem a elaboração de uma humanidade sustentada no relativismo e na total desconstrução da consciência. O mundo moderno forma homens em nada comprometidos com a verdade, mas sim esforçados na obtenção do prazer e da felicidade terrena. Nesse sentido, ideologias como o marxismo revolucionário e o existencialismo ateu brotam do âmago do vazio interior do indivíduo embriagado pelos dogmas da modernidade.
A Igreja, como Mãe e Mestra da Verdade, não tem apenas a função de defender e ostentar o caminho único da salvação como chamar o mundo para que desperte do seu torpor espiritual. A crise que vivemos, como nos diz o grande jesuíta brasileiro Pe. Leonel Franca, é uma crise metafísica, isto é, perda de sentido e total desconhecimento da essência da realidade que nos permeia. A Igreja, nesse sentido, como portadora da Sabedoria, tem a obrigação de, na atualidade, ser mais do que nunca um farol radiante que norteia a Civilização rumo à plenitude da suas potencialidades.
Infelizmente, por outro lado, é sabido que os fiéis, como homens inseridos no seu tempo, são homens e mulheres que carregam os seus pecados e fraquezas. Entretanto, com a crise profunda do mundo moderno, encontramos cada vez mais consciências relaxadas e deformadas, até incapacitadas de entender o espírito de ordem, justiça e paz que a fé cristã vive e prega. Assim, há um choque muito preocupante entre a verdade da doutrina de Nosso Senhor e o espírito moderno que nutre verdadeira ojeriza à obediência, convicção, princípios e entrega absoluta. O relativismo moderno é intransigente e totalitário.
Destarte, o movimento de dessacralização forma-se quando nos omitimos diante da ascensão desse espírito destrutivo dos males modernos, junto aos ambientes eclesiásticos e religiosos, que corroem e enfraquecem os símbolos que dialogam com a alma. Necessitamos, outrossim, resgatar as tradições esquecidas, convidar os homens para a vida de oração e alimentar um amor filial à Igreja, afinal é por meio do seu anúncio que conhecemos a Cristo.
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Simpósio teológico no Seminário Maria Mater Ecclesiae
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