quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um Bispo incomoda muita gente, dois Bispos incomodam muito mais...

Por Pedro Ravazzano

O brasileiro tem total liberdade para exercer a cidadania na forma que mais convém, entretanto, essas eleições têm mostrado o maniqueísmo caricatural da política nacional e se faz necessária uma breve reflexão. As polêmicas acerca do aborto e das posições religiosas da Sra. Dilma foram formadas no âmago da Igreja, preocupada, isto sim, com a crescente ascensão do espírito da cultura de morte no nosso país. Essa observação é crucial para o correto entendimento de todo o cenário. Entretanto, é fato que o forte discurso ideológico, polarizado das eleições quer acusar a Igreja de ser um simples instrumento de manipulação que, no caso, estaria ligado às lideranças tucanas.


Por muitas décadas a Igreja Católica no Brasil esteve amordaçada pelas alas progressistas da Teologia da Libertação que, numa perspectiva totalmente horizontal da fé, embebida na concepção materialista do marxismo, boicotavam qualquer ação que não fosse as diretrizes “sociais”. Infelizmente, a comprovação da ineficiência de tal modelo é perceptível na incapacidade dessa visão de movimentar a juventude rumo à vocação religiosa. Com a inversão das prioridades da fé e a adesão a uma ótica extremamente distante da experiência pessoal e interior com Cristo obstrui-se a via do sagrado.

A preocupação da Igreja é no tocante à ascensão da cultura de morte claramente presente nos programas do PT. A omissão também configura uma ofensa grave, portanto os católicos têm a obrigação de anunciar os ensinamentos do Evangelho, ainda que seja motivo de revolta e contenda. Ademais, a leitura de que exista alguma relação partidária da ação clerical é muito impertinente e temerária. Durante anos Bispos defenderam o Partido dos Trabalhadores e respaldaram as ações intransigentes de células esquerdistas. Agora que o progressismo "libertador" vive o seu crepúsculo querem taxar de “politicagem” a movimentação da Igreja em defesa não do partido A ou B, mas da vida e da moralidade. Muito irônico! A Igreja, como Mãe e Mestra, tem o dever de se levantar quando a verdade é alvo de ataques pelos arautos da cultura de morte. Vale frisar que "cultura de morte" é um termo cunhado por S.S João Paulo II – muito citado, mas pouco seguido - representando todos os anti-valores da modernidade encarnados no aborto, eutanásia, "casamento" homossexual etc. Sem dúvida alguma o aborto é o tema fundamental, pois a sua defesa representa uma deformação em toda a consciência e quem o defende já coloca a premissa que sanciona, indiretamente, todas as aberrações morais.

Não podemos incidir numa visão maniqueísta da política. Serra não representa o bem e nem Dilma o mal em si. Ademais, é leviano afirmar e acreditar que ao se posicionar contra as objetivas relações do PT com a cultura de morte a Igreja esteja aliando-se aos tucanos. Recomendar aos católicos a não votarem em partidos contra a vida faz parte da missão de educadora da Igreja. Se faz mister pontuar que tal posicionamento se baseia na realidade concreta e factual de que o PT legitima em seu programa oficial posições abertamente opostas aos princípios e valores cristãos. Resumidamente, a Igreja Católica, diferente de certas seitas protestantes, não declara apoio a políticos - ainda que outrora, não tão outrora assim, as alas libertadoras defendessem publicamente o PT sem qualquer receio e agora acusam, temerariamente, irmãos no episcopado de uma aliança com o PSDB - mas tem o dever de combater as ideologias que carregam um projeto na clara oposição aos valores e virtudes.

Enquanto os petistas pedem “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público", como definido pelo último Congresso do PT, a Igreja ensina que "§ 2270 A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida." e que " "Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae" "pelo próprio fato de cometer o delito" e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao 'inocente morto, a seus pais e a toda a sociedade."

Os católicos não negociam a vida! Como acreditar em políticos que ostentam bandeiras de programas sociais enquanto buscam sorrateiramente legitimar leis que autorizam o aborto? Quais os princípios que norteiam uma consciência tão relaxada? Quem luta pela vida luta em todas as esferas e em todos os campos, tendo apenas em vista a construção de uma sociedade onde o ser humano é respeitado desde a sua concepção até a morte natural. A vida no sertão da Bahia que o programa social “do PT” salva é a vida no útero da mãe que o mesmo PT quer assassinar. Ademais, por mais que a Sra. Dilma se esforce para não parecer aliada da cultura de morte – e de forma totalmente caricatural – o fato é que o seu partido não apenas se engaja nessa bandeira como nutre uma concepção totalmente totalitária no que se refere a tais temas. Além disso, o PT não criou a corrupção, de fato, mas vivendo plenamente as diretrizes definidas por Antonio Gramsci, utilizou-a como instrumento para a consolidação do seu projeto de poder, vide o mensalão. Vale frisar, outrossim, que em Dilma nada é original; seu discurso, sua defesa da “vida” e da “família”, nem sua aparência é original.

Acusam a Igreja de estar aliada ao PSDB, de que a gráfica na qual a Diocese de Garulhos encomendou os polêmicos panfletos seja de um tucano – ainda que o mesmo estabelecimento tenha imprimido material de campanha de candidatos petistas e de revistas de organizações trabalhistas pró-PT -, de que o posicionamento do Regional Sul 1 da CNBB foi intransigente – apenas os sindicatos podem fazer apologia à candidatura da Sra. Dilma, usando verba do Estado, sem qualquer crítica por parte dos petistas – e de que o nosso país é uma nação laica – todos podem se pronunciar; do MST até a CUT, menos a Igreja, por mais que a religião seja fator determinante em um dos sistemas que sustenta a sociedade; ético-moral-cultural – e por isso a moralidade deveria estar fora da agenda das eleições.

De fato, a Boa Nova sempre será motivo de escândalo! A Igreja não mudou seu posicionamento em 2000 anos e não mudará. É preferível morrer sendo taxado de alienado e discriminatório do que abdicar de uma vírgula dos ensinamentos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo como anunciado pela Sua Esposa. Vivemos o que o Papa Bento XVI anunciou em sua visita à Inglaterra: "Em nosso tempo, o preço a ser pago pela fidelidade ao Evangelho pode não ser o enforcamento, afogamento ou esquartejamento, mas muitas vezes implica ser considerado irrelevante, ridículo ou ridicularizado. No entanto, a Igreja não pode se esquivar do dever de proclamar Cristo e o seu Evangelho como a verdade salvífica, fonte de nossa felicidade definitiva como indivíduos e base para uma sociedade justa e humana".

A caridade jamais deve tolher a verdade! O contrário, deformar a verdade tendo em vista a caridade, é contra-testemunhar a Misericórdia!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Movimento de Dessacralização

O movimento de dessacralização do mundo moderno, com a natural perda do sentido do sagrado, deve ser compreendido dentro da gênese da derrocada do espírito cristão. O humanismo renascentista, o espírito revolucionário da Reforma Protestante e a queda da ordem cultural vigente com a Revolução Francesa, são os responsáveis pela crise da Civilização Ocidental e pela desconstrução do sentido mais profundo da humanidade.

A Civilização Ocidental, forjada com a assistência atuante da Igreja, foi formada tendo em vista uma compreensão vertical das próprias estruturas sociais. Os estratos e a ordem refletiam a relação de Deus com o homem e os homens compreendiam as distinções naturais entre eles. Entretanto, desde o alvorecer dos princípios revolucionários consolidados na Reforma e na Revolução Francesa, o radical humanismo, com a emancipação do indivíduo de sua essência e sentido mais profundo, deu margem a um movimento de desconstrução do ideal cristão.

O movimento da dessacralização que hoje assola a sociedade ocidental para ser compreendido se faz mister levar em consideração os fortes fatores históricos. Como nos disse Pe. Julio Meneville, sacerdote argentino, “três fortes golpes de marreta hão derrubado este sólido edifício: o protestantismo que acertou golpes contra a Igreja de Roma, depositária da ordem sobrenatural da graça; a revolução francesa que acertou os seus contra a reta ordem da natureza humana; e a revolução comunista que acertado o último golpe contra toda a ordem.”

Hoje em dia o liberalismo moral e a cultura materialista induzem a elaboração de uma humanidade sustentada no relativismo e na total desconstrução da consciência. O mundo moderno forma homens em nada comprometidos com a verdade, mas sim esforçados na obtenção do prazer e da felicidade terrena. Nesse sentido, ideologias como o marxismo revolucionário e o existencialismo ateu brotam do âmago do vazio interior do indivíduo embriagado pelos dogmas da modernidade.

A Igreja, como Mãe e Mestra da Verdade, não tem apenas a função de defender e ostentar o caminho único da salvação como chamar o mundo para que desperte do seu torpor espiritual. A crise que vivemos, como nos diz o grande jesuíta brasileiro Pe. Leonel Franca, é uma crise metafísica, isto é, perda de sentido e total desconhecimento da essência da realidade que nos permeia. A Igreja, nesse sentido, como portadora da Sabedoria, tem a obrigação de, na atualidade, ser mais do que nunca um farol radiante que norteia a Civilização rumo à plenitude da suas potencialidades.

Infelizmente, por outro lado, é sabido que os fiéis, como homens inseridos no seu tempo, são homens e mulheres que carregam os seus pecados e fraquezas. Entretanto, com a crise profunda do mundo moderno, encontramos cada vez mais consciências relaxadas e deformadas, até incapacitadas de entender o espírito de ordem, justiça e paz que a fé cristã vive e prega. Assim, há um choque muito preocupante entre a verdade da doutrina de Nosso Senhor e o espírito moderno que nutre verdadeira ojeriza à obediência, convicção, princípios e entrega absoluta. O relativismo moderno é intransigente e totalitário.

Destarte, o movimento de dessacralização forma-se quando nos omitimos diante da ascensão desse espírito destrutivo dos males modernos, junto aos ambientes eclesiásticos e religiosos, que corroem e enfraquecem os símbolos que dialogam com a alma. Necessitamos, outrossim, resgatar as tradições esquecidas, convidar os homens para a vida de oração e alimentar um amor filial à Igreja, afinal é por meio do seu anúncio que conhecemos a Cristo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 e a força de um clichê

O filme Tropa de Elite 2 se “redime” em relação ao primeiro ao elaborar uma trama muito mais complexa e que nos obriga a realizar certa reflexão apurada e profunda. Inegavelmente, o volume inaugural da trama é de extrema facilidade de compreensão devido ao cenário totalmente bipolarizado e antitético, com personagens que encarnam plenamente ideais e princípios. Já o filme lançado esse ano, ainda que tente tratar o problema da violência e da indústria que a movimenta com maior realismo, infelizmente lança fora todos os bons frutos da discussão que o fenômeno “Tropa de Elite” causou. Explicar-me-ei.

O filme Tropa de Elite foi um marco por abordar com extrema objetividade um ponto deveras marcante na sociedade e política brasileiras. O lobby da esquerda militante e do humanismo caricatural sempre marcou o tom das “políticas públicas” – termo cunhado recorrentemente e que abarca uma imensidade de conceitos – e da ação do Estado em relação ao problema da violência urbana. Os brasileiros se regozijaram com as cenas onde Capitão Nascimento desmascara a intelectualidade que cita Foucault, critica os “aparelhos repressivos do Estado” e, ao mesmo tempo, prestigia bandidos e usa drogas. Entretanto, a continuação do filme, na tentativa de desconstruir o forte teor politicamente incorreto que marcou toda a edição, adota um discurso conciliatório, mas que na prática foi um fiasco.

No início do filme há uma continuação perfeita das posições do Tropa de Elite I, com alusões claras às posições idealistas e apaixonadas da esquerda militante. Porém, ao longo da produção o agora Coronel Nascimento não apenas se desilude com os princípios de outrora como coloca em discussão a função real do BOPE e até mesmo a sua inabalável moral. O “sistema” que é combatido pelo arauto dos direitos humanos, Dep. Fraga, o que tem quadros de Marighella e Olga Benário em seu escritório, é o mesmo sistema corrupto que financia e perpetua a violência urbana. Ainda que o primeiro volume da produção e o tom usado pelo Coronel Nascimento no início da história nos imunize de uma visão restrita, ideologizada e socializante dos problemas que a trama trata, não podemos negar que Tropa de Elite 2 destina o homem médio – a massa – a incidir na mesma compreensão obtusa e apaixonada que inicia criticando ao tratar da “intelectualidade” de esquerda.

O tão famigerado “sistema” destrói a tenra convicção do Coronel Nascimento, a sua inabalável posição em defesa da ordem como outrora pensava. Colocando por terra a certeza do personagem principal e, ao mesmo tempo, com a radical mudança de leitura do espectador em relação ao Dep. Fraga, de um idealista romântico de esquerda para o único intrepidamente entregue ao combate da corrupção e da violência, o filme tenta desconstruir o herói “Capitão Nascimento” que foi criado no primeiro filme e erguer o defensor dos direitos humanos ao nível deste.

Ainda que, aparentemente, a tentativa fosse de gerar uma reflexão mais realista e menos maniqueista, é inegável que a maioria dos espectadores vai entender a crítica ao sistema como a confirmação das críticas da esquerda, ainda que esta crítica tenha sido desautorizada no Tropa de Elite 1 e no início do 2. Entretanto, a forte crise interior do Coronel Nascimento é o que mais corrobora no rompimento integral com o teor do discurso politicamente incorreto que marcou esse fenômeno cinematográfico.

Queremos o Capitão Nascimento de volta!

domingo, 10 de outubro de 2010

Arcebispo da Paraíba denuncia metas do PT: "Não podemos ficar calados"

Em vídeo, Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba, denuncia o programa político do Partido dos Trabalhadores.

Ao se referir sobre a tentativa petista de desmentir os pronunciamentos de Dilma apoiando a legalização do aborto, Dom Pagotto comenta: "Não posso como pastor compactuar com esse trabalho de desinformação e de manipulação das consciências (...) Quando os representantes do governo se expressam, em caso pensado, dessa maneira, não existe mais credibilidade para suas afirmações. A experiência política e a História advertem que quando a democracia se converte nesse tipo de demagogia para ganhar voto já é a ditadura que está no horizonte. (...)

"Não podemos ficar calados! (...) Estamos diante de um partido que está institucionalmente comprometido com a instalação da cultura do morte em nosso país, que proíbem seus membros de seguirem suas próprias consciências, que se utiliza calculadamente da mentira para enganar eleitores sobre seus verdadeiros projetos para a nação. (...) Não podemos nos calar!"

Assista na íntegra o pronunciamento de Dom Aldo Pagotto:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando defender a Canção Nova é conveniente

Os acontecimentos relacionados com a Canção Nova e sua atuação nas eleições têm dado forma a um cenário, no mínimo, peculiar. Os que antes se levantavam em total aposição ao apostolado da CN hoje transformam Pe. José Augusto no grande herói da nação brasileira e Mons. Jonas no santo sacerdote boicotado pela atual administração da Associação.

De fato, Pe. José Augusto foi de destacada coragem e bravura ao proferir uma homilia tão contundente e impactante, tratando com realismo e objetividade o perigo do crepúsculo da cultura da vida no Brasil. Entretanto, a árvore má pode dar bons frutos? De onde Pe. José Augusto saiu? Da própria Canção Nova! É o mesmo Sacerdote que sempre pregou nos encontros do PHN, nas Missas “animadas” e que louvava os carismas. Concordo, partindo de uma leitura equilibrada, que reflexões sensatas - brotadas não do anseio diabólico de destruir - em relação a algumas particularidades excessivas perpetradas por certos grupos carismáticos sejam até bem vindas. Entretanto, é de se refletir; os que antes consideravam a Canção Nova um “câncer” na Igreja do Brasil hoje se colocam como preocupados telespectadores dos problemas internos desta Associação de Direito Pontifício.

As atitudes do Sr. Wellington Jardim, Cofundador/Administrador, são, objetivamente, estranhas e até contraditórias; desautoriza o Pe. José Augusto e afirma que este não fala pela instituição sendo que o próprio mandara cartas pedindo votos para seus candidatos supostamente escolhidos, como afirma, pela Igreja. Não há como negar que tal contexto é penoso e triste, perceber que uma obra de Deus tão pujante, ainda que por força das circunstâncias, fora colocada no centro de uma discussão política terrivelmente mundana. Considero agravante, sem dúvida alguma, o fato de haver certa tendência de apoio ao Partido dos Trabalhadores por parte de alguns nomes da CN, como o Sr. Wellington e o Sr. Gabriel Chalita, que pode ser percebida seja nos pronunciamentos explícitos do apresentador-deputado como nas cartas emitidas pelo atual Administrador. A desautorização do Pe. José Augusto fortalece ainda mais esse entendimento.

Entretanto, dentro desse cenário, os que outrora acusavam a Canção Nova de heresia e modernismo hoje se levantam como os defensores do Sacerdote boicotado e do Monsenhor silenciado. Até onde encontramos uma verdadeira preocupação com o destino desta Associação? Ou será que não passa de oportunismo a usurpação de tão lamentável acontecimento para expor as mazelas humanas que se fazem presentes em todos os lugares onde estão os pecadores?

Não quero, de forma alguma, criticar um extremo caindo na outra ponta. Se por um lado não devemos “jogar o bebê com a água da bacia”, ou pior, lançar mão da falsa comoção hipócrita, não é sensato pender para uma leitura extremamente açucarada e passional que não enxerga problemas, dificuldades ou divisões; tudo está perfeito e nada pode ser criticado.

Considero esse momento muito oportuno não só para o crescimento da Canção Nova como para o entendimento da sua importância na Igreja do Brasil!

Rezemos e atuemos para que a Canção Nova cresça na fé e seja um instrumento cada vez mais ardoroso em defesa da cultura da vida!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Canção Nova no centro das eleições

A Canção Nova está no centro de uma discussão política extremamente lastimosa. De fato, é lamentável perceber que uma Associação tão importante para a Igreja no Brasil embriagou-se com as polêmicas partidárias tipicamente mundanas. Ademais, penosamente constatamos que alguns membros da emissora, inclusive o seu atual presidente, endossam as falácias que buscam justificar e respaldar a defesa caricatural do Partido dos Trabalhadores e da sua proposta revolucionária.

O Cofundador e Administrador da Canção Nova, Wellington Silva Jardim,
enviou uma carta pedindo a ajuda dos católicos na eleição de dois candidatos supostamente escolhidos pela Igreja - sim, com "I" maiúsculo - "depois de muita oração e discernimento"; uma senhora do PSDB e um senhor do PT. É de se lamentar saber que o responsável pela CN usou o nome da Santa Igreja para assegurar o sucesso eleitoral dos seus candidatos. Que vergonha! Agrava ainda mais a situação saber que um deles, por mais cristão que seja, é filiado a um partido notoriamente aliado da cultura de morte.

Complicando ainda mais a situação da Canção Nova encontramos o recém eleito Dep. Gabriel Chalita. O garoto propaganda da fé na campanha da Sra. Dilma Roussef. Disse ele em recente entrevista, comentando sobre as acusações das políticas abortistas do PT, que "a tentativa de desconstruir pessoas com boatos é muito ruim. Dilma nunca disse ser a favor do aborto. Ela se posicionou, abordando o tema como uma questão de saúde pública. Eu particularmente sou contra. Mas a questão central nesse caso é a boataria. Isso aconteceu com o Lula, em 2002. Diziam que ele ia mudar as cores da bandeira e fechar igrejas." E que a Igreja contribui para o debate político "mas quando não usa a instituição para influenciar o voto." Ora, e que o fez o Sr. Wellington ao usar o nome da Santa Igreja para endossar a candidatura dos seus aliados?


Ademais, o Dep. Chalita usa ou de uma inocência pueril ou de uma falácia farisaica. Entretanto, o que esperar de alguém filiado ao PSB - Partido Socialista Brasileiro - e que chamou Erundina, a mesma que criou o aborto legal em São Paulo, de grande humanista? Agora se tornou o advogado das mentiras petistas na camuflagem dos verdadeiros princípios - ou falta de - que norteiam a bandeira vermelha.

Alguns fatos que o kamarada Chalita esquece ou pretende esquecer:


1 - O PT tem um claro projeto revolucionário e subversivo, com a participação no Foro de São Paulo e no financiamento de grupos socialistas por toda a América Latina, reconhece a importância da promulgação da permissividade imoral como forma de instaurar a desconstrução da ordem cultural.

2 - Em 1989, por exemplo, a Prefeita petista Luiza Erudina, então no PT, na cidade de São Paulo, instalou no município o primeiro “serviço” de aborto financiado com dinheiro público do país.

3- Em 2002, dos oito projetos de lei que tramitavam no Congresso que objetivavam ou a legalização do aborto ou o favorecimento de sua prática, seis eram de autoria de petistas.

4 - Com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva a ação dos adeptos da cultura de morte tomou maiores proporções; além da publicação de cartilhas abortistas pelo Ministério da Saúde, foi entregue, em 2005, pela secretária especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, um anteprojeto que reivindicava a “total liberação” do aborto por ser este “um direito inalienável de toda mulher”, e que mais tarde virou projeto de lei.

5 - Outro dado interessante é o número dos deputados que assinaram o recurso pela deliberação da PL 1.135/91 (descriminalização do aborto) em 2008; 49,20% dos parlamentares eram do PT, enquanto os outros 50% estavam divididos entre doze partidos, sendo que o segundo lugar, o PCdoB, encontrava-se muito distante dos petistas com apenas 11,11%.

6 - Já em 2006, no 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores outorgou as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores” que incluía a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35). O Presidente Lula, então, acrescentou ao seu programa de governo a seguinte proposta; “criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação” (Programa Setorial de Mulheres, p. 19). Com a eficaz ação dos deputados pró-vida e das ONGs contrárias à cultura de morte, o governo petista iniciou a repetição do mantra de que a legalização do aborto trata-se apenas de questão de saúde pública.


7 - No 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores - instância máxima do PT -, em 2007, foi legitimada como parte integral do programa a seguinte definição; “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Interessante pontuar que esta resolução teve 70% de votos favoráveis. A minoria que se opunha, que alegava a liberdade de consciência, foi vaiada. Com razão a Dep. Fed. Iriny Lopes, do Espírito Santo, que juntamente com a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderava a investida abortista, afirmou; "somos um partido socialista e laico”. Tão válida era esta definição que em 2008, no 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT, foi aprovada a instalação da Comissão de Ética para investigar os parlamentares antiabortistas, tendo em vista a “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”. Os deputados Luís Bassuma, da Bahia, e Henrique Afonso, do Acre, foram punidos por infringirem “a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto.”


E agora José? Como fica a Canção Nova e o seu mais novo deputado-apresentador?

Fica com o valente Pe. José Augusto? Que ele não seja boicotado dentro da própria casa, entretanto, é muito triste perceber claramente a sua melancolia em relação a CN, com uma crítica direta, objetiva e factual! Abordando de forma brava e corajosa toda a problemática atual, disse o que muitos católicos ansiavam por ouvir; cristãos não devem se filiar a partidos comunistas, o aborto incorre em excomunhão automática, mais importante do que o mundo é o Reino de Deus, o sacerdote não responde aos homens mas ao Senhor, a sua fidelidade está acima das glórias terrenas e se os cristãos se calarem as pedras clamarão!


O administrador da Canção Nova, Wellington Silva Jardim, já tratou de emitir uma nota desautorizando o pronunciamento majestoso do Padre José Augusto. Ora essa, não foi o mesmo senhor responsável pela carta, assinada de próprio punho, que defende a candidatura de dois deputados, indo além ao afirmar que foram escolhidos pela Igreja, como reais representantes da DSI, depois de muita oração e discernimento? E agora quer deslegitimar a homilia do Padre que verdadeiramente se fundamentou nos ensinamentos do Magistério? Grandes "princípios democráticos" feridos quando o Presbítero critica validamente o Partido dos Trabalhadores, mas que em nada são ultrajados quando o mesmo Sr. Wellington manda cartas para os sócios da CN pedindo voto para os seus candidatos, incluindo Gabriel Chalita.

O Sr. Wellington alega que a posição do Pe. José Augusto "representa tão somente seu pensamento, não sendo em hipótese alguma o pensamento da instituição." Pois bem, qual o respaldo canônico que o Administrador da Canção Nova tem para falar em nome da Igreja? Disse ele, em carta endereçada aos sócios da CN, que a "nossa Igreja, aliada a diversos movimentos leigos rezou, pensou e escolheu dois irmãos cristãos, católicos praticantes para defender a DSI" Um Sacerdote, assegurado no Magistério, não tem autorização para ensinar, mas o Sr. Wellington não só pontifica em nome da Igreja como define o que pode ser considerado como ensinamentos válidos ou não.

"Se souberem que eu desapareci foi porque eu falei tudo isso aqui. Mas eu prefiro morrer com a verdade do que viver na mentira e depois ir para o inferno"
Pe. José Augusto (Canção Nova)