segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 e a força de um clichê

O filme Tropa de Elite 2 se “redime” em relação ao primeiro ao elaborar uma trama muito mais complexa e que nos obriga a realizar certa reflexão apurada e profunda. Inegavelmente, o volume inaugural da trama é de extrema facilidade de compreensão devido ao cenário totalmente bipolarizado e antitético, com personagens que encarnam plenamente ideais e princípios. Já o filme lançado esse ano, ainda que tente tratar o problema da violência e da indústria que a movimenta com maior realismo, infelizmente lança fora todos os bons frutos da discussão que o fenômeno “Tropa de Elite” causou. Explicar-me-ei.

O filme Tropa de Elite foi um marco por abordar com extrema objetividade um ponto deveras marcante na sociedade e política brasileiras. O lobby da esquerda militante e do humanismo caricatural sempre marcou o tom das “políticas públicas” – termo cunhado recorrentemente e que abarca uma imensidade de conceitos – e da ação do Estado em relação ao problema da violência urbana. Os brasileiros se regozijaram com as cenas onde Capitão Nascimento desmascara a intelectualidade que cita Foucault, critica os “aparelhos repressivos do Estado” e, ao mesmo tempo, prestigia bandidos e usa drogas. Entretanto, a continuação do filme, na tentativa de desconstruir o forte teor politicamente incorreto que marcou toda a edição, adota um discurso conciliatório, mas que na prática foi um fiasco.

No início do filme há uma continuação perfeita das posições do Tropa de Elite I, com alusões claras às posições idealistas e apaixonadas da esquerda militante. Porém, ao longo da produção o agora Coronel Nascimento não apenas se desilude com os princípios de outrora como coloca em discussão a função real do BOPE e até mesmo a sua inabalável moral. O “sistema” que é combatido pelo arauto dos direitos humanos, Dep. Fraga, o que tem quadros de Marighella e Olga Benário em seu escritório, é o mesmo sistema corrupto que financia e perpetua a violência urbana. Ainda que o primeiro volume da produção e o tom usado pelo Coronel Nascimento no início da história nos imunize de uma visão restrita, ideologizada e socializante dos problemas que a trama trata, não podemos negar que Tropa de Elite 2 destina o homem médio – a massa – a incidir na mesma compreensão obtusa e apaixonada que inicia criticando ao tratar da “intelectualidade” de esquerda.

O tão famigerado “sistema” destrói a tenra convicção do Coronel Nascimento, a sua inabalável posição em defesa da ordem como outrora pensava. Colocando por terra a certeza do personagem principal e, ao mesmo tempo, com a radical mudança de leitura do espectador em relação ao Dep. Fraga, de um idealista romântico de esquerda para o único intrepidamente entregue ao combate da corrupção e da violência, o filme tenta desconstruir o herói “Capitão Nascimento” que foi criado no primeiro filme e erguer o defensor dos direitos humanos ao nível deste.

Ainda que, aparentemente, a tentativa fosse de gerar uma reflexão mais realista e menos maniqueista, é inegável que a maioria dos espectadores vai entender a crítica ao sistema como a confirmação das críticas da esquerda, ainda que esta crítica tenha sido desautorizada no Tropa de Elite 1 e no início do 2. Entretanto, a forte crise interior do Coronel Nascimento é o que mais corrobora no rompimento integral com o teor do discurso politicamente incorreto que marcou esse fenômeno cinematográfico.

Queremos o Capitão Nascimento de volta!

domingo, 10 de outubro de 2010

Arcebispo da Paraíba denuncia metas do PT: "Não podemos ficar calados"

Em vídeo, Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba, denuncia o programa político do Partido dos Trabalhadores.

Ao se referir sobre a tentativa petista de desmentir os pronunciamentos de Dilma apoiando a legalização do aborto, Dom Pagotto comenta: "Não posso como pastor compactuar com esse trabalho de desinformação e de manipulação das consciências (...) Quando os representantes do governo se expressam, em caso pensado, dessa maneira, não existe mais credibilidade para suas afirmações. A experiência política e a História advertem que quando a democracia se converte nesse tipo de demagogia para ganhar voto já é a ditadura que está no horizonte. (...)

"Não podemos ficar calados! (...) Estamos diante de um partido que está institucionalmente comprometido com a instalação da cultura do morte em nosso país, que proíbem seus membros de seguirem suas próprias consciências, que se utiliza calculadamente da mentira para enganar eleitores sobre seus verdadeiros projetos para a nação. (...) Não podemos nos calar!"

Assista na íntegra o pronunciamento de Dom Aldo Pagotto:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando defender a Canção Nova é conveniente

Os acontecimentos relacionados com a Canção Nova e sua atuação nas eleições têm dado forma a um cenário, no mínimo, peculiar. Os que antes se levantavam em total aposição ao apostolado da CN hoje transformam Pe. José Augusto no grande herói da nação brasileira e Mons. Jonas no santo sacerdote boicotado pela atual administração da Associação.

De fato, Pe. José Augusto foi de destacada coragem e bravura ao proferir uma homilia tão contundente e impactante, tratando com realismo e objetividade o perigo do crepúsculo da cultura da vida no Brasil. Entretanto, a árvore má pode dar bons frutos? De onde Pe. José Augusto saiu? Da própria Canção Nova! É o mesmo Sacerdote que sempre pregou nos encontros do PHN, nas Missas “animadas” e que louvava os carismas. Concordo, partindo de uma leitura equilibrada, que reflexões sensatas - brotadas não do anseio diabólico de destruir - em relação a algumas particularidades excessivas perpetradas por certos grupos carismáticos sejam até bem vindas. Entretanto, é de se refletir; os que antes consideravam a Canção Nova um “câncer” na Igreja do Brasil hoje se colocam como preocupados telespectadores dos problemas internos desta Associação de Direito Pontifício.

As atitudes do Sr. Wellington Jardim, Cofundador/Administrador, são, objetivamente, estranhas e até contraditórias; desautoriza o Pe. José Augusto e afirma que este não fala pela instituição sendo que o próprio mandara cartas pedindo votos para seus candidatos supostamente escolhidos, como afirma, pela Igreja. Não há como negar que tal contexto é penoso e triste, perceber que uma obra de Deus tão pujante, ainda que por força das circunstâncias, fora colocada no centro de uma discussão política terrivelmente mundana. Considero agravante, sem dúvida alguma, o fato de haver certa tendência de apoio ao Partido dos Trabalhadores por parte de alguns nomes da CN, como o Sr. Wellington e o Sr. Gabriel Chalita, que pode ser percebida seja nos pronunciamentos explícitos do apresentador-deputado como nas cartas emitidas pelo atual Administrador. A desautorização do Pe. José Augusto fortalece ainda mais esse entendimento.

Entretanto, dentro desse cenário, os que outrora acusavam a Canção Nova de heresia e modernismo hoje se levantam como os defensores do Sacerdote boicotado e do Monsenhor silenciado. Até onde encontramos uma verdadeira preocupação com o destino desta Associação? Ou será que não passa de oportunismo a usurpação de tão lamentável acontecimento para expor as mazelas humanas que se fazem presentes em todos os lugares onde estão os pecadores?

Não quero, de forma alguma, criticar um extremo caindo na outra ponta. Se por um lado não devemos “jogar o bebê com a água da bacia”, ou pior, lançar mão da falsa comoção hipócrita, não é sensato pender para uma leitura extremamente açucarada e passional que não enxerga problemas, dificuldades ou divisões; tudo está perfeito e nada pode ser criticado.

Considero esse momento muito oportuno não só para o crescimento da Canção Nova como para o entendimento da sua importância na Igreja do Brasil!

Rezemos e atuemos para que a Canção Nova cresça na fé e seja um instrumento cada vez mais ardoroso em defesa da cultura da vida!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Canção Nova no centro das eleições

A Canção Nova está no centro de uma discussão política extremamente lastimosa. De fato, é lamentável perceber que uma Associação tão importante para a Igreja no Brasil embriagou-se com as polêmicas partidárias tipicamente mundanas. Ademais, penosamente constatamos que alguns membros da emissora, inclusive o seu atual presidente, endossam as falácias que buscam justificar e respaldar a defesa caricatural do Partido dos Trabalhadores e da sua proposta revolucionária.

O Cofundador e Administrador da Canção Nova, Wellington Silva Jardim,
enviou uma carta pedindo a ajuda dos católicos na eleição de dois candidatos supostamente escolhidos pela Igreja - sim, com "I" maiúsculo - "depois de muita oração e discernimento"; uma senhora do PSDB e um senhor do PT. É de se lamentar saber que o responsável pela CN usou o nome da Santa Igreja para assegurar o sucesso eleitoral dos seus candidatos. Que vergonha! Agrava ainda mais a situação saber que um deles, por mais cristão que seja, é filiado a um partido notoriamente aliado da cultura de morte.

Complicando ainda mais a situação da Canção Nova encontramos o recém eleito Dep. Gabriel Chalita. O garoto propaganda da fé na campanha da Sra. Dilma Roussef. Disse ele em recente entrevista, comentando sobre as acusações das políticas abortistas do PT, que "a tentativa de desconstruir pessoas com boatos é muito ruim. Dilma nunca disse ser a favor do aborto. Ela se posicionou, abordando o tema como uma questão de saúde pública. Eu particularmente sou contra. Mas a questão central nesse caso é a boataria. Isso aconteceu com o Lula, em 2002. Diziam que ele ia mudar as cores da bandeira e fechar igrejas." E que a Igreja contribui para o debate político "mas quando não usa a instituição para influenciar o voto." Ora, e que o fez o Sr. Wellington ao usar o nome da Santa Igreja para endossar a candidatura dos seus aliados?


Ademais, o Dep. Chalita usa ou de uma inocência pueril ou de uma falácia farisaica. Entretanto, o que esperar de alguém filiado ao PSB - Partido Socialista Brasileiro - e que chamou Erundina, a mesma que criou o aborto legal em São Paulo, de grande humanista? Agora se tornou o advogado das mentiras petistas na camuflagem dos verdadeiros princípios - ou falta de - que norteiam a bandeira vermelha.

Alguns fatos que o kamarada Chalita esquece ou pretende esquecer:


1 - O PT tem um claro projeto revolucionário e subversivo, com a participação no Foro de São Paulo e no financiamento de grupos socialistas por toda a América Latina, reconhece a importância da promulgação da permissividade imoral como forma de instaurar a desconstrução da ordem cultural.

2 - Em 1989, por exemplo, a Prefeita petista Luiza Erudina, então no PT, na cidade de São Paulo, instalou no município o primeiro “serviço” de aborto financiado com dinheiro público do país.

3- Em 2002, dos oito projetos de lei que tramitavam no Congresso que objetivavam ou a legalização do aborto ou o favorecimento de sua prática, seis eram de autoria de petistas.

4 - Com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva a ação dos adeptos da cultura de morte tomou maiores proporções; além da publicação de cartilhas abortistas pelo Ministério da Saúde, foi entregue, em 2005, pela secretária especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, um anteprojeto que reivindicava a “total liberação” do aborto por ser este “um direito inalienável de toda mulher”, e que mais tarde virou projeto de lei.

5 - Outro dado interessante é o número dos deputados que assinaram o recurso pela deliberação da PL 1.135/91 (descriminalização do aborto) em 2008; 49,20% dos parlamentares eram do PT, enquanto os outros 50% estavam divididos entre doze partidos, sendo que o segundo lugar, o PCdoB, encontrava-se muito distante dos petistas com apenas 11,11%.

6 - Já em 2006, no 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores outorgou as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores” que incluía a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35). O Presidente Lula, então, acrescentou ao seu programa de governo a seguinte proposta; “criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação” (Programa Setorial de Mulheres, p. 19). Com a eficaz ação dos deputados pró-vida e das ONGs contrárias à cultura de morte, o governo petista iniciou a repetição do mantra de que a legalização do aborto trata-se apenas de questão de saúde pública.


7 - No 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores - instância máxima do PT -, em 2007, foi legitimada como parte integral do programa a seguinte definição; “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Interessante pontuar que esta resolução teve 70% de votos favoráveis. A minoria que se opunha, que alegava a liberdade de consciência, foi vaiada. Com razão a Dep. Fed. Iriny Lopes, do Espírito Santo, que juntamente com a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderava a investida abortista, afirmou; "somos um partido socialista e laico”. Tão válida era esta definição que em 2008, no 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT, foi aprovada a instalação da Comissão de Ética para investigar os parlamentares antiabortistas, tendo em vista a “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”. Os deputados Luís Bassuma, da Bahia, e Henrique Afonso, do Acre, foram punidos por infringirem “a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto.”


E agora José? Como fica a Canção Nova e o seu mais novo deputado-apresentador?

Fica com o valente Pe. José Augusto? Que ele não seja boicotado dentro da própria casa, entretanto, é muito triste perceber claramente a sua melancolia em relação a CN, com uma crítica direta, objetiva e factual! Abordando de forma brava e corajosa toda a problemática atual, disse o que muitos católicos ansiavam por ouvir; cristãos não devem se filiar a partidos comunistas, o aborto incorre em excomunhão automática, mais importante do que o mundo é o Reino de Deus, o sacerdote não responde aos homens mas ao Senhor, a sua fidelidade está acima das glórias terrenas e se os cristãos se calarem as pedras clamarão!


O administrador da Canção Nova, Wellington Silva Jardim, já tratou de emitir uma nota desautorizando o pronunciamento majestoso do Padre José Augusto. Ora essa, não foi o mesmo senhor responsável pela carta, assinada de próprio punho, que defende a candidatura de dois deputados, indo além ao afirmar que foram escolhidos pela Igreja, como reais representantes da DSI, depois de muita oração e discernimento? E agora quer deslegitimar a homilia do Padre que verdadeiramente se fundamentou nos ensinamentos do Magistério? Grandes "princípios democráticos" feridos quando o Presbítero critica validamente o Partido dos Trabalhadores, mas que em nada são ultrajados quando o mesmo Sr. Wellington manda cartas para os sócios da CN pedindo voto para os seus candidatos, incluindo Gabriel Chalita.

O Sr. Wellington alega que a posição do Pe. José Augusto "representa tão somente seu pensamento, não sendo em hipótese alguma o pensamento da instituição." Pois bem, qual o respaldo canônico que o Administrador da Canção Nova tem para falar em nome da Igreja? Disse ele, em carta endereçada aos sócios da CN, que a "nossa Igreja, aliada a diversos movimentos leigos rezou, pensou e escolheu dois irmãos cristãos, católicos praticantes para defender a DSI" Um Sacerdote, assegurado no Magistério, não tem autorização para ensinar, mas o Sr. Wellington não só pontifica em nome da Igreja como define o que pode ser considerado como ensinamentos válidos ou não.

"Se souberem que eu desapareci foi porque eu falei tudo isso aqui. Mas eu prefiro morrer com a verdade do que viver na mentira e depois ir para o inferno"
Pe. José Augusto (Canção Nova)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Ação Revolucionária e a Igreja

O marxismo tem como uma das características mais marcantes a sua práxis. De fato, dentro dos paradigmas propostos por Karl Marx, a prática revolucionária é o fundamento basilar da sociedade comunista. Os princípios econômicos desta doutrina refletem a perspectiva materialista da história e da existência. Assim, para o pensador alemão, toda a evolução social parte do desenvolvimento de forças produtivas, causadoras, portanto, da opressão e da alienação. Em concreto, a religião é, observando esses princípios, mais um instrumento de dominação do proletariado e, como consequência, o combate ao sagrado é parte integral do processo revolucionário.

A religião, segundo o materialismo histórico, se relaciona com a opressão; do mesmo modo que o bem produzido pelo trabalhador torna-se estranho a ele, graças à exploração do trabalho e da mais-valia, gozando de vida própria independente do seu criador, Deus, uma criação também humana, se volta contra o indivíduo de forma hostil. A religião transforma-se, então, num fator de esvaziamento do homem, o distanciando da sua essência. Assim como a alienação econômica, a religiosa cria um produto com identidade estabelecida; Deus, que sacrifica o próprio homem. A fé, enquanto tal, é mais uma peça fundamental do que Marx denomina “superestrutura” que, por sua vez, é responsável pela manutenção e perpetuação do sistema opressivo e dialético. A alienação religiosa é originada na classe burguesa que, na perpetuação de crenças, legitima o seu poder, justifica a dominação e impede o despertar revolucionário entre o proletariado.

Obviamente, a perspectiva materialista do marxismo se afasta radicalmente de qualquer princípio cristão, a começar pelo fato de submeter toda a existência a um dado econômico. O marxismo, concebe a revolução como uma verdadeira redenção, não só desconsiderando a única e real Redenção, a de Cristo, como alimentando a crença de que o resultado desta seria um novo homem, com uma nova filosofia e um novo paradigma existencial. Karl Marx acreditava, factualmente, no poder redentor do comunismo revolucionário, entretanto, desconsiderava um dado crucial e essencial no entendimento da complexa natureza humana; o pecado original.

Explicando o marxismo, na Quadragesimo Anno, S.S Pio XI diz que “a sociedade humana” para os comunistas “não é mais do que forma ou aparência da matéria, em evolução segundo as suas leis; por uma necessidade fatal, tende, por meio de um perpétuo conflito de forças, para a síntese final: uma sociedade sem classes (...) Insistindo no aspecto dialético do seu materialismo, pretendem os comunistas que o conflito, destinado a levar o mundo para a síntese final, pode ser precipitado, devido aos esforços humanos. Por isso procuram tornar mais agudos os antagonismos ressurgentes entre as diversas classes da sociedade. A luta de classes, com os seus ódios a as suas destruições, reveste o aspecto de uma cruzada do progresso da humanidade. Pelo contrário, todas as forças se opõem a estas violências sistemáticas, sejam de que natureza forem, devem ser aniquiladas, como inimigas do genêro humano.”

Nesse processo dialético, de luta de classes, a revolução toma forma como o fim dos anseios humanos por uma sociedade fundamentada na justiça e na concórdia. Entretanto, os princípios marxistas partem, em suas origens, de concepções relativistas que se chocam com a utopia imaginada pelos arautos do comunismo. O próprio Lênin, justificando a prática bolchevique, que em sua época já havia matado sete milhões de ucranianos de fome, dissera, no discurso ao Comitê Central do Partido Comunista, em Julho de 1928, que “É sofisma usar da palavra violência, quando referida à ação revolucionária. Isto não impede os socialistas de serem partidários duma guerra revolucionária” O que o revolucionário russo pretendera defender é que “qualquer guerra é justa, desde que sirva a Revolução Soviética (...) a violência é justificada, quando favorece a ação revolucionária. A violência é condenável quando contrária à revolução comunista”, como comentou o fabuloso Arcebispo de Nova Iorque Fulton Sheen.

Desde a queda do muro de Berlim o marxismo ortodoxo, de cunho tipicamente soviético, foi perdendo forças para ações baseadas em Gramsci, Lukács, frankfurtianos etc. Gramsci já era lido e debatido nas rodas revolucionárias, em especial com os crescentes problemas internos da URSS e a percepção de outros teóricos a respeito do papel crucial da cultura no processo da revolução. Entretanto, só com a derrocada da ortodoxia marxista, encarnada em Moscou, que se deu a devida relevância à sua cartilha. Antes disso, com o poder bolchevique exportando guerras, ainda se acreditava na redenção revolucionária através das armas. Dito isso, o processo revolucionário vivencia, atualmente, um novo paradigma de atuação. Aqueles que ainda crêem no poder místico de uma AK-47 perdem espaço para jovens que adotam como bandeira a ação cultural da revolução, com maior eficácia no mundo moderno. Dentro dessa linha, sem dúvida alguma, Gramsci se destaca. O comunista da “filosofia dela prassi” se opunha ao caráter dogmático do marxismo soviético; atrofiava a prática revolucionária e fechava a teoria. A cultura, para ele, tem uma função essencial, já que dentro da perspectiva gramsciana a união entre o pensamento e a ação se faz nas circunstâncias concretas, através de um processo interno que abarca a intelectualidade e tendo como fim a revolução. A “filosofia da práxis” se transforma numa verdadeira reforma revolucionária, levando em conta a liberdade cultural da sociedade e as variantes que não podem ser forçadas por meio de uma prática marxista pré-fabricada, como quiseram os russos.

O pensamento de Antonio Gramsci se revitaliza nos tempos atuais juntamente com a necessidade do marxismo de revisar os modelos falidos da URSS. O absolutismo da democracia desfavorece a “práxis” que não adota a roupagem democrática, mesmo que seja de forma nominal. O contexto atual lança ao ostracismo político aqueles que defendem, numa honestidade interna louvável, o processo revolucionário como ruptura violenta - vide, por exemplo, a imagem de partidos como PCO, PSTU e PCB. A relevância do teórico comunista italiano se faz, justamente, no novo modelo proposto; não mais uma revolução entendida como luta armada e motins sociais, mas sim que parte da cultura e da classe intelectual.

A “função orgânica” dos intelectuais, como diz Gramsci, torna-os peças relevantes em todas as etapas de reprodução social, refletindo, obviamente, o poder de liderança que têm junto ao homem comum. Nesse tocante, o comunista italiano afirma que a intelectualidade deve ser transformada em artífice de uma nova moral e uma nova cultura, combatendo a “hegemonia” e a opressão das classes capitalistas, gerindo a reflexão social que abarcaria toda e cultura e teria como fim, no devido momento histórico, o socialismo; “Admiro os revolucionários que se dão a tanto trabalho para explodir muralhas com dinamite, enquanto o molho de chaves das pessoas bem-pensantes lhes teria permitido entrar tranquilamente pela porte, sem acordar ninguém”, assim disse o magistral pároco do “Diário de um pároco de aldeia”, de Georges Bernanos.

A escola, “aparelho privado de hegemonia”, era, para Gramsci, do mesmo modo, peça relevante na edificação de um novo paradigma social. A juventude, formada nos colégios, absorve modos de raciocínio que bebem da cultura dominante, da ideologia da opressão. Logo, se faz mister romper com a subordinação intelectual, erigindo a nova sociedade, a começar pela desconstrução do discurso moralista, religioso.

Destarte, Antonio Gramsci destacava o papel relevante da Igreja na contra-revolução, por ser esta uma força essencialmente “reacionária”. Assim como as escolas deveriam ser tomadas por agentes da ideologia partidária, a destruição da Igreja, Mãe e Mestra da Verdade, se tornava parte determinante de qualquer projeto socialista de governo. O socialismo, para Gramsci, era a “a religião que” mataria “o cristianismo”. Ademais, dentro da ótica gramsciana, o Partido Comunista adota uma mística religiosa, sendo uma reprodução “vermelha” do Príncipe maquiavélico. A subordinação sem limites do militante à sigla reflete, em essência, a ânsia do ser humano por Deus. A dura disciplina interna, somada ao forte estudo intelectual-doutrinário, com uma destacada centralização, transforma o Partido sonhado por Gramsci quase como uma instituição religiosa de fundo transcendental, destinado ao misticismo revolucionário.

A ação comunista contra a Igreja Católica compreende, hoje em dia, uma diversidade de práticas, desde o ataque frontal, até às sórdidas arquitetações da grande mídia. O Cristianismo enfrenta uma violência interna e muito bem articulada. O relativismo moral e religioso da sociedade moderna, fruto, de certo modo, da decadência alimentada pela perspectiva coletivista, cria o habitat apropriado para o fortalecimento dos “chavões sociais” comumente repetidos nas sacristias e passeatas.

De todo o modo, nem mesmo o mais organizado dos ataques conseguirá derrubar aquela que é a Esposa de Cristo, a única instituição Divinamente pensada e sobrenaturalmente guardada. Como bem disse Fulton Sheen – oxalá seja uma profecia; “O martelo que tantas habitações e tantos lares destruíra, tantos santuários profanara, há-de um dia, em virtude de tantas preces e de tantos sacrifícios feitos por milhões de homens e mulheres, transformar-se numa cruz; a foice que os comunistas usaram para ceifar tanto caule verde, tanta vida incipiente, deixará o seu simbolismo e transformar-se-á numa lua de pureza sob os pés da Virgem Nossa Senhora.”

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Padre Alberto Hurtado




El hombre necesita pan, pero necesita también fe; necesita bienes materiales, pero más aún necesita el rayo de luz que viene de arriba y alienta y orienta nuestra peregrinación terrena: y esa fe esa luz, sólo Cristo y su Iglesia pueden darla.

Santo Alberto Hurtado

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini: "Sigo minha Consciência, não a CNBB".


Pivô da polêmica mobilização contra Dilma Rousseff, o bispo de Guarulhos (SP), D. Luiz Gonzaga Bergonzini [foto] afirma que não recuará e levará sua manifestação de veto à presidenciável às missas e celebrações das 37 paróquias da cidade.Ele considera o PT favorável à descriminalização do aborto e divulgou artigo recomendando aos católicos que boicotem a petista.Bispo de Guarulhos recomenda a católicos que não votem em Dilma que nega defender aborto e diz que opinião de bispo não é uma posição da CNBB. [sic!]Governado desde 2001 pelo PT, o município é o segundo colégio eleitoral do Estado, com 788 mil votantes. A campanha informal alicerçada na diocese desagradou o prefeito Sebastião Almeida."Sou católica e respeito a posição do religioso. Mas não posso concordar com a transformação de uma posição doutrinária da Igreja Católica em apoio ou rejeição a qualquer candidato."Em entrevista à Folha, D. Luiz Gonzaga, 74 anos, diz não ter nada pessoal contra a candidata, mas é irredutível, mesmo após as recorrentes negativas da ex-ministra da Casa Civil.Diz o Bispo: "Ela [Dilma] segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não."Leia os principais trechos da entrevista concedida pelo bispo.
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Folha - Mesmo com a recomendação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela neutralidade na campanha, o senhor decidiu explicitar sua posição contrária à candidata Dilma Rousseff. Por quê?
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D. Luiz Gonzaga Bergonzini - Em primeiro ligar, que recomendação é essa? A CNBB não tem autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou cristão de verdade e defendo o mandamento "não matarás". Não tem esse negócio de "meio termo".
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Folha - A candidata afirma que não defende a descriminalização do aborto. Mesmo assim, o senhor cita o nome dela no artigo.
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Ela [Dilma] segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não.
.Folha - Como o senhor concluiu que ela tem essa posição? Isso nunca ficou claro e ela nega.
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É o terceiro plano de governo que ela adota. Como percebeu que havia reação, foi mudando. Não vou recuar.
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Folha - O senhor pretende levar ao conhecimento dos fiéis da diocese essa recomendação de não votar na candidata Dilma?
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Os padres devem notificar ao povo a orientação do bispo. Eu não vou arredar o pé, não importa as consequências que eu venha sofrer, mas o que importa é minha consciência e seguir o Evangelho. Eu não tenho medo. O que pode acontecer? Deus saberá!
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Folha - Inclusive nas missas, os padres vão tratar do tema? Vão citar o nome da candidata?
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Tratar do tema, não. Podem citar o nome dela, porque vou mandar uma carta para os padres notificarem as pessoas da minha recomendação nas missas. Como cidadão, tenho direito de expressar minha opinião e, como bispo, tenho a obrigação de orientar os fiéis.
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Folha - O senhor teme algum tipo de retaliação ou reação negativa, seja por parte da CNBB ou de partidários da candidata Dilma?Sempre tem alguma coisa. Tenho recebido muitos e-mails. Não sei se são ameaças, mas contestando. Mas posso te dizer que muitos de apoio. As pessoas dizem: "finalmente alguém que usa calça comprida resolveu reagir".