terça-feira, 27 de julho de 2010
Livre Mercado explicado em 47 segundos
E os consumidores são aqueles que mais ganham com isso...
Sacerdotes segundo o Coração de Jesus
(ZENIT) A diocese de Roma emitiu uma nota comentando o artigo publicado no semanário italiano Panorama, chamado “As noites loucas dos padres homossexuais”. Como noticiado, o comunicado da Igreja foi duro e taxativo na condenação da "vida dupla", sem esquecer das motivações mais obscuras do interessa da mass media em tal temática; difamar o clero e enfraquecer a autoridade eclesiástica. Entretanto, o que considero mais pertinente é o clamor da diocese de Roma para que os Sacerdotes com duplicidade - homossexualismo - abandonem o exercício de seu ministério. Sem dúvida alguma é um pedido forte e radical. Não obstante, devemos entender, ou ao menos questionar, o funcionamento da mentalidade de um homem com tamanha capacidade de manter uma mentira imensamente bizarra durante toda a vida. Trata-se de um tema digno de um estudo sociológico profundo.
A origem de todo o problema está na formação da consciência. Vamos imaginar o cenário ordinário; jovens que largam tudo para seguir apenas a Cristo, deixam o conforto de seus lares, a possibilidade da constituição familiar, para viver pela Igreja. As consciências mal formadas já dão os seus sintomas desde a maturação da caminhada sacerdotal; homens escolhem a vida presbiteral tendo em vista a projeção social, a ascensão, o poder, o dinheiro. Podemos regredir mais ainda e chegar em famílias desestruturadas, com problemas de relacionamento profundos e com pouca ou nenhuma probabilidade de mudança da realidade financeira. O sacerdócio, então, surge como a grande chance de transformação da própria história.
Entretanto, os casos mais aberrantes são aqueles de homens que procuram no seminário e no presbitério os locais oportunos para esconder os desvios sexuais que carregam. Claro que tal motivação tende, naturalmente, para a completa destruição da consciência. A vida dupla quebra todos os paradigmas morais. O sacerdócio é um chamado de Deus, é consagrar a sua existência ao serviço de Cristo. Viver de amor e pregar o amor! Se não existe esse ardor no peito inevitavelmente o homem consagrado destina-se para a total pertubação, numa vida falseada, hipócrita e mentirosa, surgindo, daí, os escândalos sexuais.
O homem moderno, de forma geral, tem um sério problema de consciência, com uma perspectiva relativista da realidade, fundamentado em opiniões e crente da fé sentimental típica da atualidade. Quando esse mesmo homem destina-se para a vida sacerdotal, quando não há o chamado que capacita e transforma o mais profundo da natureza decaída, a hipocrisia assola e torna-se extremamente sintomática. A vida dupla é apenas a conseqüência dessa incapacidade de enxergar tanto o sentido mais profundo do sacerdócio como do déficit de honestidade consigo mesmo.
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Pedro Ravazzano
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Causas religiosas da Revolução Francesa - II
O galicanismo e o jansenismo como causas da Revolução Francesa
O galicanismo pode ser definido como a busca pela submissão da Igreja ao poder civil, tolhida em sua liberdade e impedida burocraticamente de praticar a sua missão apostólica. Desde o rompimento da igreja da Inglaterra, iniciada com Henrique VIII e estruturada com Izabel I, surgiram em certas nações européias movimentos que partiram do mesmo ideal, alguns com fundamentações teológicas e outros com simples intentos políticos.
O galicanismo nasceu da convergência de fatores como, por exemplo, o conciliarismo que, debilitando o papado e fortalecendo os episcopados nacionais, deu margem para o desenvolvimento de teses nacionalistas. Além disso, a complexa situação canônica, com problemas jurisdicionais, somada a questões doutrinais e morais, deram margem ao desenvolvimento de tais teses. Nem mesmo a condenação ao conciliarismo por Pio II e pelo Concílio Lateralense V - não reconhecido como ecumênico pela França - deu fim ao movimento galicano.
O galicanismo eclesiástico, com seus matizes episcopais ou presbiterianos, segundo os tempos, possibilitou um ataque frontal à Igreja, o que enfraqueceu e deteriorou a vida espiritual dos franceses. Obviamente, os princípios galicanos foram utilizados por entusiastas do absolutismo como forma de neutralizar a influência papal na nação. Richelieu, por exemplo, grande promotor do ideal do Estado forte e centralizado, defendeu a ereção de um patriarcado francês aos moldes das igrejas autocéfalas cismáticas; “em algumas ocasiões não resultava fácil distinguir movimento político do eclesiástico” (LABOA, 2001). Ademais, é com Luiz XIV, o Rei Sol, que se inicia intensivamente o conflito entre Roma e as aspirações galicanas.
Pierre Pithou, influente inspirador das doutrinas galicanas no ambiente parlamentário, elencou em 83 artigos os direitos e privilégios do rei francês sobre a Igreja. Do mesmo modo, Edmond Richer defendeu uma igreja democrática onde os sacerdotes seriam soberanos e a estrutura do poder estaria subordinada a uma legislação sinodal e conciliar tendo, o Papa, um poder meramente executivo – propostas apropriadas e remodeladas mais tarde pelos revolucionários. Baseado, do mesmo modo, no direito divino dos reis, Richer restringe o poder da igreja a uma ordem estritamente espiritual e, em contrapartida, gozando o poder civil de toda a ordem material, assim, a Igreja torna-se refém da coroa: “A infalibilidade pertence a toda a Igreja ou ao concílio geral, que a representa; é sobre o concílio geral sobre quem recai todas as controvérsias, como o último e infalível tribunal, tendo toda a plenitude de poder” (LABOA apud RICHER, 2001). Destarte, os seus bispos têm jurisdição plena, independente e livre exercício de sua autoridade. Logo se restringe a plena autoridade papal.
A problemática das regalias e o intento político de alguns parlamentaristas franceses deram forma a essa mecânica de poder, tendo em vista a redução da autonomia da Igreja. Visando o alvorecer de uma igreja nacional, Luiz XIV convocou a assembléia do clero francês em reação aos pronunciamentos papais opostos aos projetos de cunho cismático, ou próximo disso, orquestrados pelo rei e influenciado por seus conselheiros, como o arcebispo de Paris. Os quatro artigos galicanos promulgados nesta assembléia, aprovados pelos 34 bispos participantes, deram forma às doutrinas de emancipação da igreja francesa.
O grande orador Bossuet, membro atuante da assembléia convocada, buscava convergir uma fidedigna adesão ao primado pontifício juntamente ao receio da extrapolação do poder papal como defendido por autores ultramontanos. A linha adotada por esse ilustre bispo francês partia do entendimento do “direito” que a Igreja tinha de ser protegida pelo rei. Como exposto pelo historiador Juan Maria Laboa, Bossuet acreditava não na infalibilidade do pontífice romano, mas sim na da Santa Sé.
Os quatro artigos podem ser sintetizados de tal modo:
1. Cristo concedeu a Pedro e seus sucessores apenas poder e autoridade sobre as coisas espirituais e concernentes à salvação. A ordem temporal e os estados são livres e independentes de qualquer interferência e ação eclesiástica. Os reis não se submetem a nenhuma potência da Igreja. Assim, o Papa não tem nenhum respaldo para depor ou desligar os súditos.
2. Os poderes que Cristo deixou à Santa Sé estão limitados pelo Concílio de Constança (conciliarismo).
3. As leis do reino e os estatutos da igreja da França gozam de estabilidade e não podem ser alterados pela Sede Apostólica por estarem em consonância com a autoridade instituída por Cristo.
4. O juízo do Santo Padre não é irreformável senão com o consentimento de toda a Igreja.
Claramente os artigos propostos trazem um arraigado espírito de desobediência e revolta diante da autoridade da Igreja. “A Igreja Constitucional que ela [França], antes de naufragar no deísmo e no ateísmo, tentou fundar, era uma adaptação da igreja da França ao espírito do protestantismo” (DE OLIVEIRA, 1998).
Toda a problemática galicana acarretou o choque entre a França e Roma. Luiz XIV, mesmo recebendo a condenação de Inocêncio XI aos quatro artigos que, além disso, se negou a conceder as bulas de instituição dos novos bispos nomeados pelo rei, manteve a sua cruzada em prol da emancipação da igreja francesa. Entretanto, temendo a concretização de um cisma formal, não procurou a sagração episcopal dos sacerdotes indicados por ele para o pastoreio das dioceses sabendo que configuraria um ato canônico de rompimento à autoridade do Papa.
Toda a gênese do galicanismo termina, ou ao menos perde a força de outrora, com a publicação da bula inter multiplicis do Papa Alexandre VIII, na qual condenou os quatro artigos, as regalias, declarando nulos, inválidos e sem consequências. Luiz XIV, constatando o desgaste de sua política e entrando em diálogo fraterno com o Papa Inocêncio XII, não mais exigiu o ensino do edito da assembléia galicana ainda que conservasse a declaração.
Obviamente o galicanismo não se finda por meio de um decreto. Ainda que não mais houvesse uma política oficial do Estado em busca da independência da igreja francesa, o espírito proposto se manteve e repercutiu na mentalidade do homem. De certo modo, como colocado pelo Pe. Leonel Franca, o jansenismo nasceu ao pé das iniciativas galicanas.
[...]
O galicanismo pode ser definido como a busca pela submissão da Igreja ao poder civil, tolhida em sua liberdade e impedida burocraticamente de praticar a sua missão apostólica. Desde o rompimento da igreja da Inglaterra, iniciada com Henrique VIII e estruturada com Izabel I, surgiram em certas nações européias movimentos que partiram do mesmo ideal, alguns com fundamentações teológicas e outros com simples intentos políticos.
O galicanismo nasceu da convergência de fatores como, por exemplo, o conciliarismo que, debilitando o papado e fortalecendo os episcopados nacionais, deu margem para o desenvolvimento de teses nacionalistas. Além disso, a complexa situação canônica, com problemas jurisdicionais, somada a questões doutrinais e morais, deram margem ao desenvolvimento de tais teses. Nem mesmo a condenação ao conciliarismo por Pio II e pelo Concílio Lateralense V - não reconhecido como ecumênico pela França - deu fim ao movimento galicano.
O galicanismo eclesiástico, com seus matizes episcopais ou presbiterianos, segundo os tempos, possibilitou um ataque frontal à Igreja, o que enfraqueceu e deteriorou a vida espiritual dos franceses. Obviamente, os princípios galicanos foram utilizados por entusiastas do absolutismo como forma de neutralizar a influência papal na nação. Richelieu, por exemplo, grande promotor do ideal do Estado forte e centralizado, defendeu a ereção de um patriarcado francês aos moldes das igrejas autocéfalas cismáticas; “em algumas ocasiões não resultava fácil distinguir movimento político do eclesiástico” (LABOA, 2001). Ademais, é com Luiz XIV, o Rei Sol, que se inicia intensivamente o conflito entre Roma e as aspirações galicanas.
Pierre Pithou, influente inspirador das doutrinas galicanas no ambiente parlamentário, elencou em 83 artigos os direitos e privilégios do rei francês sobre a Igreja. Do mesmo modo, Edmond Richer defendeu uma igreja democrática onde os sacerdotes seriam soberanos e a estrutura do poder estaria subordinada a uma legislação sinodal e conciliar tendo, o Papa, um poder meramente executivo – propostas apropriadas e remodeladas mais tarde pelos revolucionários. Baseado, do mesmo modo, no direito divino dos reis, Richer restringe o poder da igreja a uma ordem estritamente espiritual e, em contrapartida, gozando o poder civil de toda a ordem material, assim, a Igreja torna-se refém da coroa: “A infalibilidade pertence a toda a Igreja ou ao concílio geral, que a representa; é sobre o concílio geral sobre quem recai todas as controvérsias, como o último e infalível tribunal, tendo toda a plenitude de poder” (LABOA apud RICHER, 2001). Destarte, os seus bispos têm jurisdição plena, independente e livre exercício de sua autoridade. Logo se restringe a plena autoridade papal.
A problemática das regalias e o intento político de alguns parlamentaristas franceses deram forma a essa mecânica de poder, tendo em vista a redução da autonomia da Igreja. Visando o alvorecer de uma igreja nacional, Luiz XIV convocou a assembléia do clero francês em reação aos pronunciamentos papais opostos aos projetos de cunho cismático, ou próximo disso, orquestrados pelo rei e influenciado por seus conselheiros, como o arcebispo de Paris. Os quatro artigos galicanos promulgados nesta assembléia, aprovados pelos 34 bispos participantes, deram forma às doutrinas de emancipação da igreja francesa.
O grande orador Bossuet, membro atuante da assembléia convocada, buscava convergir uma fidedigna adesão ao primado pontifício juntamente ao receio da extrapolação do poder papal como defendido por autores ultramontanos. A linha adotada por esse ilustre bispo francês partia do entendimento do “direito” que a Igreja tinha de ser protegida pelo rei. Como exposto pelo historiador Juan Maria Laboa, Bossuet acreditava não na infalibilidade do pontífice romano, mas sim na da Santa Sé.
Os quatro artigos podem ser sintetizados de tal modo:
1. Cristo concedeu a Pedro e seus sucessores apenas poder e autoridade sobre as coisas espirituais e concernentes à salvação. A ordem temporal e os estados são livres e independentes de qualquer interferência e ação eclesiástica. Os reis não se submetem a nenhuma potência da Igreja. Assim, o Papa não tem nenhum respaldo para depor ou desligar os súditos.
2. Os poderes que Cristo deixou à Santa Sé estão limitados pelo Concílio de Constança (conciliarismo).
3. As leis do reino e os estatutos da igreja da França gozam de estabilidade e não podem ser alterados pela Sede Apostólica por estarem em consonância com a autoridade instituída por Cristo.
4. O juízo do Santo Padre não é irreformável senão com o consentimento de toda a Igreja.
Claramente os artigos propostos trazem um arraigado espírito de desobediência e revolta diante da autoridade da Igreja. “A Igreja Constitucional que ela [França], antes de naufragar no deísmo e no ateísmo, tentou fundar, era uma adaptação da igreja da França ao espírito do protestantismo” (DE OLIVEIRA, 1998).
Toda a problemática galicana acarretou o choque entre a França e Roma. Luiz XIV, mesmo recebendo a condenação de Inocêncio XI aos quatro artigos que, além disso, se negou a conceder as bulas de instituição dos novos bispos nomeados pelo rei, manteve a sua cruzada em prol da emancipação da igreja francesa. Entretanto, temendo a concretização de um cisma formal, não procurou a sagração episcopal dos sacerdotes indicados por ele para o pastoreio das dioceses sabendo que configuraria um ato canônico de rompimento à autoridade do Papa.
Toda a gênese do galicanismo termina, ou ao menos perde a força de outrora, com a publicação da bula inter multiplicis do Papa Alexandre VIII, na qual condenou os quatro artigos, as regalias, declarando nulos, inválidos e sem consequências. Luiz XIV, constatando o desgaste de sua política e entrando em diálogo fraterno com o Papa Inocêncio XII, não mais exigiu o ensino do edito da assembléia galicana ainda que conservasse a declaração.
Obviamente o galicanismo não se finda por meio de um decreto. Ainda que não mais houvesse uma política oficial do Estado em busca da independência da igreja francesa, o espírito proposto se manteve e repercutiu na mentalidade do homem. De certo modo, como colocado pelo Pe. Leonel Franca, o jansenismo nasceu ao pé das iniciativas galicanas.
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Revolução
sábado, 24 de julho de 2010
Causas religiosas da Revolução Francesa
[Abaixo se encontra a introdução do trabalho apresentado por mim e pelo Sem. Cleyton Torres Reis, diocese de Anápolis - GO, na matéria de História do Prof. Valter de Oliveira, no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil. O trabalho é relativamente extenso, portanto a sua publicação será dividida. Todos os artigos tocavam em algum ponto da Reforma Protestante. Já o nosso tema introduzia o espírito reformado no alvorecer do terror revolucionário; "Causas religiosas da Revolução Francesa; o Galicanismo e o Jansenismo"]
A Revolução Francesa reflete em sua essência mais profunda o novo espírito e o novo paradigma proposto pela Reforma Protestante. De fato, o acontecido de 1789 “foi senão a transposição, para o âmbito do Estado, da ‘Reforma’ que as seitas protestantes mais radicais adotaram em matéria de organização eclesiástica” (DE OLIVEIRA, 1998). O ethos reformista fomentou em terras francesas o contexto que propiciou a explosão de um movimento revolucionário, anticlerical e totalitário. O jansenismo e o galicanismo, frutos desta árvore, sancionaram, mesmo que indiretamente, a ascensão do horror e da utopia.
A Revolução não pode ser compreendida como um evento a parte da sua história precedente. Sem dúvida alguma, a compreensão sincera e genuína das consequências civilizacionais do Renascimento e da Reforma são partes fundamentais no estudo deste marco do mundo contemporâneo. Todo o processo revolucionário abarca em seu âmago o homem, por isso se faz mister levar em consideração a desconstrução do paradigma medieval, movimento este iniciado pelo humanismo renascentista e consolidado na coroação do homem absoluto com os princípios protestantes.
O homem moderno, com as aspirações revolucionárias, distante da compreensão cristã da realidade – entenda-se cristã não como a percepção religiosa, mas como a visão profunda e completa do mundo –, deu início a um processo de absolutização de si mesmo, com o triunfalismo das suas capacidades e a vanglória dos seus ponteciais. A Revolução Francesa concretiza e inaugura, com a sua prática, uma época de rompimento formal com a mentalidade do medievo.
A Revolução não pode ser compreendida como um evento a parte da sua história precedente. Sem dúvida alguma, a compreensão sincera e genuína das consequências civilizacionais do Renascimento e da Reforma são partes fundamentais no estudo deste marco do mundo contemporâneo. Todo o processo revolucionário abarca em seu âmago o homem, por isso se faz mister levar em consideração a desconstrução do paradigma medieval, movimento este iniciado pelo humanismo renascentista e consolidado na coroação do homem absoluto com os princípios protestantes.
O homem moderno, com as aspirações revolucionárias, distante da compreensão cristã da realidade – entenda-se cristã não como a percepção religiosa, mas como a visão profunda e completa do mundo –, deu início a um processo de absolutização de si mesmo, com o triunfalismo das suas capacidades e a vanglória dos seus ponteciais. A Revolução Francesa concretiza e inaugura, com a sua prática, uma época de rompimento formal com a mentalidade do medievo.
A Reforma foi a primeira explosão do individualismo destruidor e da sentimentalidade republicana, as grandes questões intelectuais e sociais, em vez de serem resolvidas em comum e pelas vias tradicionais, começaram a ser interpretadas no segredo dos corações e no isolamento das consciências. As incertas aspirações de cada indivíduo tornaram-se, para ele, uma verdade e um deus. A atividade harmônica dos agrupamentos naturais, os seus hábitos de disciplina religiosa e estética desvaneceram-se perante as iniciativas particulares de cada um dos seus membros. E chamou-se a isto ‘libertação’. Por toda a parte onde a Reforma triunfou sob a sua forma pura, a forma luterana, não houve, na realidade, senão anarquia e, quando findou o período da fermentação ficou a existir um fracionamento territorial quase infinito e uma desagregação moral quase irremediável. A unidade francesa foi salva e o rei salvou-se com ela. Triunfando o classicismo, Pascal, Descartes, Bousuet e La Bruyère vão buscar à monarquia a sua concepção do direito e do governo. Parece que nada virá perturbar este equilíbrio e este acordo. No entanto, a mística revolucionária não está morta. É ela que inspira as tiradas dos libertinos contra a memória e contra a razão, tiradas essas que corromperam a natureza e tiraram ao homem o gosto e a arte do prazer puro. (GAXOTE, 1945)Em concreto, “a característica da idade moderna da Igreja é a desintegração do universalismo e o trânsito ao particularismo” (LABOA, 2001). A Europa, então, se vê afetada pelos reflexos da Reforma Protestante; não só uma crise espiritual, mas sim, como consequência desta, a derrocada da unidade relativamente estável; “a Reforma engendra como fruto maduro as igrejas nacionais” (LABOA, 2001). O galicanismo e, em seu pé, o jansenismo surgem, na França, na esteira dessa mentalidade. Nesse sentido, “a revolução é filha legítima da Reforma.” (FRANCA, 1958).
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
O demônio não deve gostar de cinema...
Não é de hoje que o catholic way of life exerce fascínio em Hollywood. De fato, é comum produções cinematográficas que tratam de temas referentes à Igreja, desde possessões demoníacas, passando por guerras celestiais e chegando até às fajutas conspirações eclesiásticas. Ironicamente, quase sempre os filmes enaltecem algumas das nossas belas tradições. Será muito difícil encontrar nas telas dos cinemas, por exemplo, Padres sem distintivo, pregando que o demônio é a alienação social, desconhecedores da mística cristã. O oposto é bem verdadeiro; Sacerdotes de batina, orações em latim, exorcismo, possessão demoníaca, rosário etc. Nesse sentido, os filmes frisam muito bem não só a identidade católica como a forma característica que dota de personalidade e singularidade, com seus símbolos, a Igreja.Ao que tudo indica será lançado em 2011 um filme deveras interessante; The Rite: The Making of a Modern Day Exorcist. (mais link.) A produção contará com os atores Anthony Hopkins e Colin O'Donoghue. Aparentemente seria mais uma obra com demônios, gritos e rituais de exorcismo. Entretanto, o filme é uma adaptação do livro do jornalista Matt Baglio (pode ser comprado aqui), de mesmo título, que conta a história real de um Padre chamado Gary Thomas, do estado da Califórnia, que foi mandando para Roma, pelo seu Bispo, estudar o exorcismo num curso aberto pelos Legionários de Cristo no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum. O autor teve livre acesso ao Sacerdote e o acompanhava. Assim, o livro destaca todo o processo de formação, a distinção entre possessão verdadeira e doença mental, contando com o relato de experiências que o próprio escritor vivenciou.
A obra por si só parece ser muito interessante, inclusive o autor deixou de ser um católico nominal para se tornar um praticante da fé. Além disso, contar com a sétima arte reproduzindo em larga escala uma história verídica e, ao que tudo indica, transmitida com honestidade, sem dúvida alguma é um importantíssimo serviço na demonstração da existência do demônio e suas obras num mundo descrente.
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Pedro Ravazzano
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Qual a ligação entre o movimento homossexual e o MST?
Quer saber que ligação há entre o movimento homossexual e o MST?
Então pergunte para a presidente do conselho do movimento homossexual de Ribeirão Preto. Pois foi a ajuda deles que ela clamou - quando percebeu a insuficiência numérica de seus colegas sodomitas - para fazer "uma revolução" contra a caravana Terra de Santa Cruz que estava no centro da cidade alertando a população contra os malefícios do PNDH 3.
Clique aqui e veja a foto que o site da UOL divulgou sobre o ocorrido, na frente, aparecem três homossexuais que atrapalharam a campanha. Na verdade, ajudaram, pois o radicalismo e a intolerância deles despertaram os transeuntes para a verdadeira perseguição que haverá no Brasil com a aprovação de leis que favoreçam essa minoria.
Nota-se que o site da UOL destacou na foto os homossexuais, como se eles tivessem prevalecido perante a campanha dos jovens caravanistas.
Mas bem outra foi a realidade.
Para confirmar isto, assista ao vídeo em que coordenador da caravana, Daniel Martins, explica com detalhes e imagens a luta vitoriosa, pela Opinião Pública, dos caravanistas em Ribeirão Preto.
Leia a reportagem da Agência Bom Dia (Transcrita no Diário de São Paulo):
http://bomdiasorocaba.com.br/Noticias/Dia-a-dia/25315/Religiosos+contra+o+casamento+gay
Grey's Anatomy e as bandeiras liberais
A série Grey's Anatomy se destaca por ostentar, orgulhosamente, as bandeiras do politicamente correto liberal. A trama conta com as temáticas mais freqüentes da esfera progressista; homossexualismo, adoção homossexual, aborto, eutanásia, religião, sentimentalismo, relativismo. E não estou exagerando quando digo que a abordagem é direta e objetiva, com discursos açucarados que defendem de forma contundente um modelo de vida fabricado nas mentes insanas dos arautos da "modernidade".Entretanto, no episódio derradeiro da última temporada americana a doutrinação liberal se superou, e muito. Todo o enredo do episódio se centrou no drama de um senhor que tomado de fúria pela morte da sua esposa, que havia falecido depois que alguns médicos desligaram o aparelho, entra no hospital Seattle Greace com o claro e simples propósito de assassinar os cirurgiões responsáveis pelo óbito de sua senhora. Não obstante, até a conclusão do macabro objetivo acaba matando não sei quantos e ferindo gravemente outros mais.
Qualquer telespectador minimamente precavido já entende a clara intenção dos autores; não só defender a eutanásia como menosprezar o trabalho dos defensores da vida. O senhor desesperado, antes de atirar no cirurgião chefe, afirma que não era certo ele brincar de Deus, que ele não era Deus! De fato, se tratava de uma ironia muito bem armada - o mesmo senhor havia manchado as suas mãos com o sangue de médicos, policiais e enfermeiros assassinados, tudo para fazer valer a vingança. Matou para honrar a vida! Ademais, além de defender a eutanásia, a série ainda critica ferozmente o comércio de armas nos EUA, outro corriqueiro alvo dos políticos liberais americanos. O viúvo, no auge do desespero, próximo de se suicidar, comenta com boas risadas como era fácil adquirir armas e munição em qualquer loja de departamento! Ora, ao colocar um assassino em série, responsável por uma chacina, tocando em tal tema, a direção constrói uma natural e óbvia contra-argumentação ao livre comércio.
Eutanásia e comércio de armas, falta mais alguma coisa? Sim! No episódio ainda teve espaço para a defesa da adoção homossexual - Grey's Anatomy é marcada pelo número relevante de personagens gays e de temáticas relativas ao mundo gls - e do velho discurso sentimentalista que marca toda a série, romantismo que endossa a promiscuidade freqüente nas tramas.
E essa série ainda é extremamente popular!
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