segunda-feira, 26 de julho de 2010

Causas religiosas da Revolução Francesa - II

O galicanismo e o jansenismo como causas da Revolução Francesa

O galicanismo pode ser definido como a busca pela submissão da Igreja ao poder civil, tolhida em sua liberdade e impedida burocraticamente de praticar a sua missão apostólica. Desde o rompimento da igreja da Inglaterra, iniciada com Henrique VIII e estruturada com Izabel I, surgiram em certas nações européias movimentos que partiram do mesmo ideal, alguns com fundamentações teológicas e outros com simples intentos políticos.

O galicanismo nasceu da convergência de fatores como, por exemplo, o conciliarismo que, debilitando o papado e fortalecendo os episcopados nacionais, deu margem para o desenvolvimento de teses nacionalistas. Além disso, a complexa situação canônica, com problemas jurisdicionais, somada a questões doutrinais e morais, deram margem ao desenvolvimento de tais teses. Nem mesmo a condenação ao conciliarismo por Pio II e pelo Concílio Lateralense V - não reconhecido como ecumênico pela França - deu fim ao movimento galicano.

O galicanismo eclesiástico, com seus matizes episcopais ou presbiterianos, segundo os tempos, possibilitou um ataque frontal à Igreja, o que enfraqueceu e deteriorou a vida espiritual dos franceses. Obviamente, os princípios galicanos foram utilizados por entusiastas do absolutismo como forma de neutralizar a influência papal na nação. Richelieu, por exemplo, grande promotor do ideal do Estado forte e centralizado, defendeu a ereção de um patriarcado francês aos moldes das igrejas autocéfalas cismáticas; “em algumas ocasiões não resultava fácil distinguir movimento político do eclesiástico” (LABOA, 2001). Ademais, é com Luiz XIV, o Rei Sol, que se inicia intensivamente o conflito entre Roma e as aspirações galicanas.

Pierre Pithou, influente inspirador das doutrinas galicanas no ambiente parlamentário, elencou em 83 artigos os direitos e privilégios do rei francês sobre a Igreja. Do mesmo modo, Edmond Richer defendeu uma igreja democrática onde os sacerdotes seriam soberanos e a estrutura do poder estaria subordinada a uma legislação sinodal e conciliar tendo, o Papa, um poder meramente executivo – propostas apropriadas e remodeladas mais tarde pelos revolucionários. Baseado, do mesmo modo, no direito divino dos reis, Richer restringe o poder da igreja a uma ordem estritamente espiritual e, em contrapartida, gozando o poder civil de toda a ordem material, assim, a Igreja torna-se refém da coroa: “A infalibilidade pertence a toda a Igreja ou ao concílio geral, que a representa; é sobre o concílio geral sobre quem recai todas as controvérsias, como o último e infalível tribunal, tendo toda a plenitude de poder” (LABOA apud RICHER, 2001). Destarte, os seus bispos têm jurisdição plena, independente e livre exercício de sua autoridade. Logo se restringe a plena autoridade papal.

A problemática das regalias e o intento político de alguns parlamentaristas franceses deram forma a essa mecânica de poder, tendo em vista a redução da autonomia da Igreja. Visando o alvorecer de uma igreja nacional, Luiz XIV convocou a assembléia do clero francês em reação aos pronunciamentos papais opostos aos projetos de cunho cismático, ou próximo disso, orquestrados pelo rei e influenciado por seus conselheiros, como o arcebispo de Paris. Os quatro artigos galicanos promulgados nesta assembléia, aprovados pelos 34 bispos participantes, deram forma às doutrinas de emancipação da igreja francesa.

O grande orador Bossuet, membro atuante da assembléia convocada, buscava convergir uma fidedigna adesão ao primado pontifício juntamente ao receio da extrapolação do poder papal como defendido por autores ultramontanos. A linha adotada por esse ilustre bispo francês partia do entendimento do “direito” que a Igreja tinha de ser protegida pelo rei. Como exposto pelo historiador Juan Maria Laboa, Bossuet acreditava não na infalibilidade do pontífice romano, mas sim na da Santa Sé.

Os quatro artigos podem ser sintetizados de tal modo:

1. Cristo concedeu a Pedro e seus sucessores apenas poder e autoridade sobre as coisas espirituais e concernentes à salvação. A ordem temporal e os estados são livres e independentes de qualquer interferência e ação eclesiástica. Os reis não se submetem a nenhuma potência da Igreja. Assim, o Papa não tem nenhum respaldo para depor ou desligar os súditos.

2. Os poderes que Cristo deixou à Santa Sé estão limitados pelo Concílio de Constança (conciliarismo).

3. As leis do reino e os estatutos da igreja da França gozam de estabilidade e não podem ser alterados pela Sede Apostólica por estarem em consonância com a autoridade instituída por Cristo.

4. O juízo do Santo Padre não é irreformável senão com o consentimento de toda a Igreja.

Claramente os artigos propostos trazem um arraigado espírito de desobediência e revolta diante da autoridade da Igreja. “A Igreja Constitucional que ela [França], antes de naufragar no deísmo e no ateísmo, tentou fundar, era uma adaptação da igreja da França ao espírito do protestantismo” (DE OLIVEIRA, 1998).

Toda a problemática galicana acarretou o choque entre a França e Roma. Luiz XIV, mesmo recebendo a condenação de Inocêncio XI aos quatro artigos que, além disso, se negou a conceder as bulas de instituição dos novos bispos nomeados pelo rei, manteve a sua cruzada em prol da emancipação da igreja francesa. Entretanto, temendo a concretização de um cisma formal, não procurou a sagração episcopal dos sacerdotes indicados por ele para o pastoreio das dioceses sabendo que configuraria um ato canônico de rompimento à autoridade do Papa.

Toda a gênese do galicanismo termina, ou ao menos perde a força de outrora, com a publicação da bula inter multiplicis do Papa Alexandre VIII, na qual condenou os quatro artigos, as regalias, declarando nulos, inválidos e sem consequências. Luiz XIV, constatando o desgaste de sua política e entrando em diálogo fraterno com o Papa Inocêncio XII, não mais exigiu o ensino do edito da assembléia galicana ainda que conservasse a declaração.

Obviamente o galicanismo não se finda por meio de um decreto. Ainda que não mais houvesse uma política oficial do Estado em busca da independência da igreja francesa, o espírito proposto se manteve e repercutiu na mentalidade do homem. De certo modo, como colocado pelo Pe. Leonel Franca, o jansenismo nasceu ao pé das iniciativas galicanas.

[...]

sábado, 24 de julho de 2010

Causas religiosas da Revolução Francesa

[Abaixo se encontra a introdução do trabalho apresentado por mim e pelo Sem. Cleyton Torres Reis, diocese de Anápolis - GO, na matéria de História do Prof. Valter de Oliveira, no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil. O trabalho é relativamente extenso, portanto a sua publicação será dividida. Todos os artigos tocavam em algum ponto da Reforma Protestante. Já o nosso tema introduzia o espírito reformado no alvorecer do terror revolucionário; "Causas religiosas da Revolução Francesa; o Galicanismo e o Jansenismo"]

A Revolução Francesa reflete em sua essência mais profunda o novo espírito e o novo paradigma proposto pela Reforma Protestante. De fato, o acontecido de 1789 “foi senão a transposição, para o âmbito do Estado, da ‘Reforma’ que as seitas protestantes mais radicais adotaram em matéria de organização eclesiástica” (DE OLIVEIRA, 1998). O ethos reformista fomentou em terras francesas o contexto que propiciou a explosão de um movimento revolucionário, anticlerical e totalitário. O jansenismo e o galicanismo, frutos desta árvore, sancionaram, mesmo que indiretamente, a ascensão do horror e da utopia.

A Revolução não pode ser compreendida como um evento a parte da sua história precedente. Sem dúvida alguma, a compreensão sincera e genuína das consequências civilizacionais do Renascimento e da Reforma são partes fundamentais no estudo deste marco do mundo contemporâneo. Todo o processo revolucionário abarca em seu âmago o homem, por isso se faz mister levar em consideração a desconstrução do paradigma medieval, movimento este iniciado pelo humanismo renascentista e consolidado na coroação do homem absoluto com os princípios protestantes.

O homem moderno, com as aspirações revolucionárias, distante da compreensão cristã da realidade – entenda-se cristã não como a percepção religiosa, mas como a visão profunda e completa do mundo –, deu início a um processo de absolutização de si mesmo, com o triunfalismo das suas capacidades e a vanglória dos seus ponteciais. A Revolução Francesa concretiza e inaugura, com a sua prática, uma época de rompimento formal com a mentalidade do medievo.
A Reforma foi a primeira explosão do individualismo destruidor e da sentimentalidade republicana, as grandes questões intelectuais e sociais, em vez de serem resolvidas em comum e pelas vias tradicionais, começaram a ser interpretadas no segredo dos corações e no isolamento das consciências. As incertas aspirações de cada indivíduo tornaram-se, para ele, uma verdade e um deus. A atividade harmônica dos agrupamentos naturais, os seus hábitos de disciplina religiosa e estética desvaneceram-se perante as iniciativas particulares de cada um dos seus membros. E chamou-se a isto ‘libertação’. Por toda a parte onde a Reforma triunfou sob a sua forma pura, a forma luterana, não houve, na realidade, senão anarquia e, quando findou o período da fermentação ficou a existir um fracionamento territorial quase infinito e uma desagregação moral quase irremediável. A unidade francesa foi salva e o rei salvou-se com ela. Triunfando o classicismo, Pascal, Descartes, Bousuet e La Bruyère vão buscar à monarquia a sua concepção do direito e do governo. Parece que nada virá perturbar este equilíbrio e este acordo. No entanto, a mística revolucionária não está morta. É ela que inspira as tiradas dos libertinos contra a memória e contra a razão, tiradas essas que corromperam a natureza e tiraram ao homem o gosto e a arte do prazer puro. (GAXOTE, 1945)
Em concreto, “a característica da idade moderna da Igreja é a desintegração do universalismo e o trânsito ao particularismo” (LABOA, 2001). A Europa, então, se vê afetada pelos reflexos da Reforma Protestante; não só uma crise espiritual, mas sim, como consequência desta, a derrocada da unidade relativamente estável; “a Reforma engendra como fruto maduro as igrejas nacionais” (LABOA, 2001). O galicanismo e, em seu pé, o jansenismo surgem, na França, na esteira dessa mentalidade. Nesse sentido, “a revolução é filha legítima da Reforma.” (FRANCA, 1958).

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O demônio não deve gostar de cinema...

Não é de hoje que o catholic way of life exerce fascínio em Hollywood. De fato, é comum produções cinematográficas que tratam de temas referentes à Igreja, desde possessões demoníacas, passando por guerras celestiais e chegando até às fajutas conspirações eclesiásticas. Ironicamente, quase sempre os filmes enaltecem algumas das nossas belas tradições. Será muito difícil encontrar nas telas dos cinemas, por exemplo, Padres sem distintivo, pregando que o demônio é a alienação social, desconhecedores da mística cristã. O oposto é bem verdadeiro; Sacerdotes de batina, orações em latim, exorcismo, possessão demoníaca, rosário etc. Nesse sentido, os filmes frisam muito bem não só a identidade católica como a forma característica que dota de personalidade e singularidade, com seus símbolos, a Igreja.

Ao que tudo indica será lançado em 2011 um filme deveras interessante; The Rite: The Making of a Modern Day Exorcist. (mais link.) A produção contará com os atores Anthony Hopkins e Colin O'Donoghue. Aparentemente seria mais uma obra com demônios, gritos e rituais de exorcismo. Entretanto, o filme é uma adaptação do livro do jornalista Matt Baglio (pode ser comprado aqui), de mesmo título, que conta a história real de um Padre chamado Gary Thomas, do estado da Califórnia, que foi mandando para Roma, pelo seu Bispo, estudar o exorcismo num curso aberto pelos Legionários de Cristo no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum. O autor teve livre acesso ao Sacerdote e o acompanhava. Assim, o livro destaca todo o processo de formação, a distinção entre possessão verdadeira e doença mental, contando com o relato de experiências que o próprio escritor vivenciou.

A obra por si só parece ser muito interessante, inclusive o autor deixou de ser um católico nominal para se tornar um praticante da fé. Além disso, contar com a sétima arte reproduzindo em larga escala uma história verídica e, ao que tudo indica, transmitida com honestidade, sem dúvida alguma é um importantíssimo serviço na demonstração da existência do demônio e suas obras num mundo descrente.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Qual a ligação entre o movimento homossexual e o MST?



Quer saber que ligação há entre o movimento homossexual e o MST?

Então pergunte para a presidente do conselho do movimento homossexual de Ribeirão Preto. Pois foi a ajuda deles que ela clamou - quando percebeu a insuficiência numérica de seus colegas sodomitas - para fazer "uma revolução" contra a caravana Terra de Santa Cruz que estava no centro da cidade alertando a população contra os malefícios do PNDH 3.

Clique aqui e veja a foto que o site da UOL divulgou sobre o ocorrido, na frente, aparecem três homossexuais que atrapalharam a campanha. Na verdade, ajudaram, pois o radicalismo e a intolerância deles despertaram os transeuntes para a verdadeira perseguição que haverá no Brasil com a aprovação de leis que favoreçam essa minoria.

Nota-se que o site da UOL destacou na foto os homossexuais, como se eles tivessem prevalecido perante a campanha dos jovens caravanistas.

Mas bem outra foi a realidade.

Para confirmar isto, assista ao vídeo em que coordenador da caravana, Daniel Martins, explica com detalhes e imagens a luta vitoriosa, pela Opinião Pública, dos caravanistas em Ribeirão Preto.


Leia a reportagem da Agência Bom Dia (Transcrita no Diário de São Paulo):

http://bomdiasorocaba.com.br/Noticias/Dia-a-dia/25315/Religiosos+contra+o+casamento+gay

Grey's Anatomy e as bandeiras liberais

A série Grey's Anatomy se destaca por ostentar, orgulhosamente, as bandeiras do politicamente correto liberal. A trama conta com as temáticas mais freqüentes da esfera progressista; homossexualismo, adoção homossexual, aborto, eutanásia, religião, sentimentalismo, relativismo. E não estou exagerando quando digo que a abordagem é direta e objetiva, com discursos açucarados que defendem de forma contundente um modelo de vida fabricado nas mentes insanas dos arautos da "modernidade".

Entretanto, no episódio derradeiro da última temporada americana a doutrinação liberal se superou, e muito. Todo o enredo do episódio se centrou no drama de um senhor que tomado de fúria pela morte da sua esposa, que havia falecido depois que alguns médicos desligaram o aparelho, entra no hospital Seattle Greace com o claro e simples propósito de assassinar os cirurgiões responsáveis pelo óbito de sua senhora. Não obstante, até a conclusão do macabro objetivo acaba matando não sei quantos e ferindo gravemente outros mais.


Qualquer telespectador minimamente precavido já entende a clara intenção dos autores; não só defender a eutanásia como menosprezar o trabalho dos defensores da vida. O senhor desesperado, antes de atirar no cirurgião chefe, afirma que não era certo ele brincar de Deus, que ele não era Deus! De fato, se tratava de uma ironia muito bem armada - o mesmo senhor havia manchado as suas mãos com o sangue de médicos, policiais e enfermeiros assassinados, tudo para fazer valer a vingança. Matou para honrar a vida! Ademais, além de defender a eutanásia, a série ainda critica ferozmente o comércio de armas nos EUA, outro corriqueiro alvo dos políticos liberais americanos. O viúvo, no auge do desespero, próximo de se suicidar, comenta com boas risadas como era fácil adquirir armas e munição em qualquer loja de departamento! Ora, ao colocar um assassino em série, responsável por uma chacina, tocando em tal tema, a direção constrói uma natural e óbvia contra-argumentação ao livre comércio.


Eutanásia e comércio de armas, falta mais alguma coisa? Sim! No episódio ainda teve espaço para a defesa da adoção homossexual - Grey's Anatomy é marcada pelo número relevante de personagens gays e de temáticas relativas ao mundo gls - e do velho discurso sentimentalista que marca toda a série, romantismo que endossa a promiscuidade freqüente nas tramas.

E essa série ainda é extremamente popular!

O site da CNBB é da CNBB?

O Bispo de Garulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, escreveu um fabuloso artigo abordando com seriedade, objetividade e espírito cristão a postura dos católicos diante de uma eleição importantíssima para o futuro do país e decisiva na defesa da vida. Além de ser categórico; "Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto." foi muito corajoso ao pedir a "a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam."

Tudo muito bem! Fiquei contente e até confortado ao perceber que nas eleições 2010 os Bispos se movimentavam na defesa da Igreja e acordavam diante do forte lobby da cultura de morte no ambiente político-partidário nacional. Ademais, para aumentar a nossa felicidade, Dom Cristiano Krapf, Bispo de Jequié, aqui na Bahia, fez uma pertinente reflexão acerca do revolucionário plebiscito que pretende limitar a posse da propriedade de terra, que conta com o apoio de algumas pastorais sociais da CNBB (tenha medo!)

O site da CNBB, não satisfeito com tamanho reacionarismo resolve, então, retirar da página o artigo de D. Luiz Gonzaga Bergonzini, sendo que nem mesmo publicou o texto de Dom Cristiano Krap. Muito bem! Já por outro lado:
Reunidas em Brasília, nos dias 14, 15 e 16 de Junho, as coordenações regionais e nacionais das Pastorais Sociais e Organismos da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, assumem o compromisso de participar do 16⁰ Grito dos Excluídos e da organização do Plebiscito Popular por um Limite da Propriedade da Terra no Brasil. (link)
A página da CNBB agora é patrulhada?! Pelo jeito os sequazes libertadores estão afiadíssimos nas estratégias pensadas por Lênin, o Genocida! E o nome da Conferência virou refém das ditas pastorais sociais e de assessores embebidos na perspectiva socializante?! Os grandes Bispos desse país têm suas palavras boicotadas pelos arautos da revolução no próprio ambiente!

Chega!


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O artigo do Bispo de Garulhos está sendo muito comentado pela mídia. Saiu no Portal G1 uma reportagem de tamanho considerável a respeito. Dom Luiz reforça o seu posicionamento e diz que mandará "uma circular para os padres da diocese pedindo que eles façam o pedido na missa, para que os nossos fiéis não votem na candidata do PT e em nenhum outro candidato que defenda o aborto." Entretanto, o Subsecretário-geral adjunto da CNBB, o padre Antônio da Paixão, afirma que "A CNBB não entra nessas questões políticas” e que "E isso pode não refletir um posicionamento da CNBB".

Sinceramente, as vezes eu acho que esses assessores "cnbbistas" crêem que a Conferência é uma entidade metafísica. A CNBB é composta pelos...Bispos, portanto são os Bispos os responsáveis, em teoria, pelos pronunciamentos desta. Além de não ser parte da hierarquia da Igreja mesmo quando, constantemente, pretendem colocar a CNBB como autoridade contrária aos Bispos falastrões (reacionários), esses assessores têm a audácia de publicamente mostrar a inconformidade com o episcopado corajoso e coerente do país.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A coerência dos incoerentes

Estamos em ano de eleição, um momento muito importante, quiçá crucial, para a definição do que será a sociedade brasileira nos próximos anos. Nós católicos temos não só o dever mas a obrigação de fundamentar o nosso voto na mais profunda consciência da fé que professamos. Não cabe a paixão ideológica ou o romantismo partidário entre aqueles que confessam a divindade de Nosso Senhor e que vivem na Igreja edificada por Ele.

O Brasil conta com três candidatos com maior destaque ao Palácio da Alvorada– Serra, Dilma e Marina. A senadora do PV, ainda que seja protestante e pessoalmente contrário ao aborto, adota uma posição muito escorregadia e diplomática, pouco enfática diria. Este posicionamento é, de certa forma, natural, afinal se formou nas bases esquerdistas do PT, das CEBs etc, e tem na militância socialista a sua origem política.

O candidato tucano, José Serra, governador do estado de São Paulo, cresceu politicamente dentro de uma perspectiva socializante, nos ambientes acadêmicos e intelectuais da esquerda das décadas de 60 e 70. Atualmente, ainda que carregue certo ranço estatólatra e progressista – defesa da união homossexual, por exemplo -, procura adotar bandeiras mais próximas à desejada tanto pelos conservadores morais quanto pelos liberais econômicos. Declarou-se publicamente contrário ao aborto; "Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação. Agora, qualquer deputado pode fazer isso. Como governo, eu não vou tomar essa iniciativa", comparando a sua legalização a uma “carnificina”. Partidos como PSDB, DEM e PP são considerados baluartes da direita reacionária pelos esquerdistas e sua patrulha. Essas categóricas afirmações fundamentam-se ou nas origens históricas das siglas ou na polarização política entre tucanos e petistas. De fato, nenhuma dessas bandeiras se destacava pela coerência no discurso, na defesa de valores e paradigmas “direitistas”. Nessa eleição, ao que me parece, surge em certos ambientes dos três partidos um alvorecer conservador, com a candidatura de nomes firmes e convictos das posições adotadas.

Ademais, se faz mister pontuar que o Partido dos Trabalhadores, além de ter um claro projeto revolucionário e subversivo, com a participação no Foro de São Paulo e no financiamento de grupos socialistas por toda a América Latina, reconhece a importância da promulgação da permissividade imoral como forma de instaurar a desconstrução da ordem cultural. Em sintonia com a mentalidade socialista, o PT sempre se destacou na defesa do aborto. Em 1989, por exemplo, a Prefeita petista Luiza Erudina, na cidade de São Paulo, instalou no município o primeiro “serviço” de aborto financiado com dinheiro público do país. A liderança do partido nessa questão sempre foi “admirável”. Em 2002, dos oito projetos de lei que tramitavam no Congresso que objetivavam ou a legalização do aborto ou o favorecimento de sua prática, seis eram de autoria de petistas. Com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva a ação dos adeptos da cultura de morte tomou maiores proporções; além da publicação de cartilhas abortistas pelo Ministério da Saúde, foi entregue, em 2005, pela secretária especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, um anteprojeto que reivindicava a “total liberação” do aborto por ser este “um direito inalienável de toda mulher”, e que mais tarde virou projeto de lei.Outro dado interessante é o número dos deputados que assinaram o recurso pela deliberação da PL 1.135/91 (descriminalização do aborto) em 2008; 49,20% dos parlamentares eram do PT, enquanto os outros 50% estavam divididos entre doze partidos, sendo que o segundo lugar, o PCdoB, encontrava-se muito distante dos petistas com apenas 11,11%.

Já em 2006, no 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores outorgou as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores” que incluía a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35). O Presidente Lula, então, acrescentou ao seu programa de governo a seguinte proposta; “criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação” (Programa Setorial de Mulheres, p. 19). Com a eficaz ação dos deputados pró-vida e das ONGs contrárias à cultura de morte, o governo petista iniciou a repetição do mantra de que a legalização do aborto trata-se apenas de questão de saúde pública.

Ademais, no 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores - instância máxima do PT -, em 2007, foi legitimada como parte integral do programa a seguinte definição; “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Interessante pontuar que esta resolução teve 70% de votos favoráveis. A minoria que se opunha, que alegava a liberdade de consciência, foi vaiada. Com razão a Dep. Fed. Iriny Lopes, do Espírito Santo, que juntamente com a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderava a investida abortista, afirmou; "somos um partido socialista e laico”. Tão válida era esta definição que em 2008, no 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT, foi aprovada a instalação da Comissão de Ética para investigar os parlamentares antiabortistas, tendo em vista a “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”. Os deputados Luís Bassuma, da Bahia, e Henrique Afonso, do Acre, foram punidos por infringirem “a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto.”

O PT e seus sequazes são militantes abortistas conscientes das consequências sociais do impacto de tamanha revolução. O Partido visa não a legitimação do direito das mulheres e todas aquelas falácias atuais, mas sim o rompimento com o padrão moral que considera reacionário e burguês. Assim, desfazendo as estruturas de dominação (sic) instala-se a perspectiva revolucionária que visa a total desconstrução da ordem cultural.

Quando um católico vota em Dilma Roussef ou até mesmo num candidato pró-vida filiado ao PT está compactuando diretamente com a cultura de morte. O Partido dos Trabalhadores carrega em sua essência um arraigado espírito na antípoda de qualquer princípio cristão. O processo contra o Dep. Bassuma é uma amostra da intransigência do Diretório Nacional quando se trata do não cumprimento das resoluções internas. De certa forma o PT é coerente com a sua bandeira ideológica! Incoerentes são os católicos defensores da vida que iludidos pelas falácias humanísticas e retóricas da esquerda votam numa sigla que busca a legitimação da morte.

A coerência com a ideologia está acima da coerência com a fé que professa?!


Forte pronunciamento do Dep. Bassuma explicando a sua situação no Partido dos Trabalhadores. Após ingressar com uma causa contra o PT no Supremo Tribunal Federal, com base no Artigo 5º, Inciso 8º, o deputado filiou-se ao Partido Verde e sairá candidato ao governo da Bahia.