terça-feira, 13 de julho de 2010

E Kardec inventou a novela...

O "Nosso Lar" kardecista; "Prédio da Governadoria ao centro, e os seis (6) Ministérios; os Ministérios de Regeneração, Auxílio, Comunicação e Esclarecimento que estão ligadas às atividades da esfera terrestre e os Ministérios de União Divina e Elevação estão ligadas ás Hierarquias Planetárias Superiores."

A enxurrada espírita na televisão e no cinema brasileiro é assustadora! Não é de hoje que a Globo promove novelas que vão desde uma escancarada doutrinação espírita até a defesa implícita das doutrinas kardecistas. Ademais, propaga ou o anticlericalismo ou, como ocorre comumente, uma percepção relativista, adotando o discurso conciliatório que busca a "harmonia" entre o catolicismo e o espiritismo.

Além das novelas "A Viagem", "O Profeta", "Alma Gêmea", "Páginas da Vida", "Mulheres Apaixonadas", que tinham uma clara temática kardecista, contando com exposições doutrinais e apologia escancarada, diversos outros folhetins gozaram da presença de "fantasminhas kamaradas"; "Sinhá Moça", "Prova de Amor", "A Casa das Sete Mulheres" etc. Atualmente a Rede Globo transmite "Escrito nas Estrelas", que tem o mesmo enredo reencarnacionista, até mesmo com direito a núcleo totalmente fantasmagórico - buuu! Ademais, em breve estreará uma série tendo como corpo central a história de um médico que realiza cirurgias espirituais.

Entretanto, além dessa clara abordagem kardecista na televisão, convivemos com a doutrinação na tela dos Cinemas. Não satisfeitos com o filme "Bezerra de Menezes" e "Chico Xavier", ambos retratando a vida de médiuns, será lançado o filme "Nosso Lar", inspirado na obra do "psicografista" mineiro , que conta os dilemas espirituais dos espíritos - tão peculiar essa redundância - numa cidade mítica em que todos vivem fraternalmente esperando a reencarnação! Belíssimo!

Por muito menos em relação ao catolicismo tem protesto e acusações de favorecimento! O máximo que as novelas fazem em relação à Igreja é colocar um Padre bonachão e malandro. Não obstante, é muito mais fácil encontramos Sacerdotes escrupulosos, freiras complexadas, beatas rancorosas, católicos relativistas e que fazem apologia ao espiritismo.

A mass media faz a doutrinação espírita e o mundo cult aplaude as superstições e a "mística" kardecista - todo o esoterismo barato vem juntamente no pacote. Nós católicos devemos não só atuar no combate a essa influência em nossos meios - por isso a crucial importância da formação catequética, doutrinal e apologética - como agir no mundo para conquistar para Cristo os homens perdidos nas falsas doutrinas.

Se o gnosticismo é a filosofia do mundo moderno politicamente correto, o espiritismo, com toda a sua retórica açucarada e relativista, é a religião!

Carta de um Padre


Carta escrita pelo Padre Martín Lasarte, salesiano do Uruguai, em resposta aos ataques do The NY Times à Igreja.

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.

Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a soropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza.

Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo,
Pe. Martín Lasarte, SDB

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Ideologia "Tradicional"


O espírito do mundo moderno é extremamente destrutivo e assola todas as instituições e o plano divino da existência. Assim, é o grande responsável pela desordem e pela crise espiritual que vivemos. Os seus arautos, aqueles que promovem o liberalismo/secularismo/progressismo nas mais diversas frentes, agem na desconstrução da Tradição e na imposição de um novo paradigma ideológico. O ardor revolucionário é extremamente eficiente por ter um motor romântico e ser norteado por concepções falseadas da realidade.

A primeira realidade, que só é compreendida através da reflexão racional, a partir do entendimento da realidade concreta, é totalmente tolhida em nome da segunda realidade, ou seja, a alternativa forjada pela ideologia, concebida nas mentes insanas de homens tomados pela febre da paixão. Assim, por exemplo, Karl Marx concebe a sua falácia comunista partindo da deformação dos pressupostos filosóficos, históricos e econômicos, ou seja, falseia a primeira realidade tendo em vista o alcance da segunda. A complexidade da questão inicia-se quando toda a sociedade é tomada pela doença espiritual, esmagada pelo choque entre as duas realidades, como foi o caso da Alemanha nazista.

Entretanto, o que quero pontuar nessa breve reflexão não é a postura dos modernistas e seus sequazes. Em relação a eles já temos um amadurecimento suficiente. O perigo, muitas vezes, forma-se na busca pela remediação drástica e rápida dos problemas civilizacionais. De fato, é louvável a ânsia de muitos que buscam, apressadamente, reconstruir aquilo que foi destruído pela sorrateira ação revolucionária. Não obstante, a eficácia e eficiência não podem ser confundidas com rapidez e brutalidade. Ao contrário, quanto mais conhecemos a realidade da crise - a sua amplitude e complexidade - mais percebemos como as soluções devem ser equilibradas, ponderadas e frias. Isso mesmo; frias no sentido de não-passionais, afinal, infelizmente, constata-se a forte presença de um espírito romântico nas atitudes tomadas pelos mais ardorosos defensores da "Contra-revolução."

O maior perigo se faz na construção de uma "ideologia" tradicional, contra-revolucionária, na ereção da segunda realidade utópica. Como qualquer ideologia, incidirá no erro de falsear a realidade, ou enxergá-la de modo parcial e pontual, galgando a adequação ao projeto tão ansiado. Enquanto Marx deformava as teorias históricas mirando o encaixe com as suas pretensões comunistas, alguns tradicionalistas ideologizados restringem o entendimento da realidade buscando o fácil solucionamento da crise do mundo moderno com o alvorecer da sociedade tradicional.

Essa simplificação cria soluções caricaturais que incidem no imediatismo e na brutalidade, além disso, não só transforma questões acidentais em essenciais como sanciona a dinâmica do bode expiatório ao acreditar na vítima sacrificial que, quando exterminada, apazigua toda a sociedade. Destarte, o fundamento é a ideologia, a crença apaixonada que busca, por meio da deformação do real, a realização dos anseios mais profundos e obscuros. Ainda que a iniciativa carregue uma positiva e inocente percepção, outrossim, é obtusa e inadequada, já que incorre na ridicularização da causa. Ademais, a crescente adesão de jovens no mundo virtual ao projeto contra-revolucionário favorece ao rompimento profundo com a realidade. Com isso, encontramos com facilidade soluções pueris aos problemas do mundo moderno, com remédios que passam desde a anulação do Concílio Vaticano II até a retomada da Santa Inquisição.
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Podemos iniciar a campanha: Pela não banalização tradicional - contra a banalização do cachimbo, do tabaco, das abotoaduras, de Shakespeare, Dostoiévski, Mozart, Hildegard von Bingen, do latim, da filosofia clássica, da história medieval, do gótico, de Santo Tomás, Camões, Chesterton, Dante etc.

sábado, 10 de julho de 2010

A politicamente incorreta Copa do Mundo


A Copa do Mundo tem como uma de suas mais importantes características o patriotismo, ainda que levemente caricatural. Dentro do mundo moderno, altamente globalizado, onde o politicamente correto incita a estruturação do governo mundial e da mentalidade internacionalista, esse ardor é altamente surreal. Com o torneio as nações se organizam, ostentam seus símbolos maiores, cantam seus hinos e exaltam o passado de glórias. Até mesmo a progressista Europa é assolada por essa onda; países que sofrem com a desconstrução da própria identidade tiram as poeiras de seus pavilhões e ostentam orgulhosamente a nacionalidade.
O laranja real defendido com devoção por todo o povo da liberal Holanda chega a ser engraçado, mas na Copa do Mundo torna-se natural

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu sou pós-industrial-punk-emo porque estou revoltado com a sociedade! Yah!

Fazia tempo que eu não me divertia tanto como ontem, vendo o programa "A Liga", na Bandeirantes, que tratava das "tribos urbanas". Quanta mediocridade e vulgaridade intelectual e estética. Uma imensidão de jovens que se auto-definiam "punks", "emos", "diamonds", "cosplayers", "metaleiros", "alternativos", "hip-hop", "pós-punks" etc, numa gama de siglas, definições e codinomes que escondiam a total e completa superficialidade e incapacidade intelectiva daqueles que os ostentavam.

Diversas coisas chamaram a minha atenção; a falta de eloqüência e de retórica até mesmo na defesa dessa revolta estética, jovens que alegavam uma grande convicção mas que sequer conseguiam articular idéias num português claro. Outro ponto muito interessante foi a constante reclamação do preconceito! Ora, os membros das diversas "tribos" tinham em comum a incansável afirmação de que buscavam romper com os padrões sociais e todos aqueles clichês que sociólogos e antropólogos liberais utilizam para respaldar tais faniquitos. Nesse sentido, o preconceito é a consequência mais natural e acertada, e deveria ser bem quista, afinal, do que adiantaria se vestir como um dos "Ursinhos Carinhosos" se a sociedade não mostrasse a mínima repulsa? A ojeriza é o que alimenta o ego desses jovens descompensados.

Outra característica marcante é a freqüente afetação! Até minha irmã de sapato alto, cabelo escovado e maquiada é mais viril do que muitos dos jovens de sexo masculino que ali apareceram. Isso é fruto da forte pressão estética que invade a sociedade, que se forma na cultura gay e torna-se padrão quando conquista a mass media. Vale pontuar que ao mesmo tempo em que buscam a distinção da sociedade, o espírito anarquista, a violência visual e todo aquele blá blá blá, incidem, como ninguém, na reprodução de um padrão cultural superficial que vem se tornando a bandeira do séc. XXI.

Dei boas gargalhadas quando uma moça, que disse gastar quase um salário na compra de seus vestidos pretos, afirmou que os "góticos" são sombrios em luto pela humanidade que não sabe viver, ou algo assim. Meu Deus! Quanta superficialidade e mediocridade. Agora a revolta de jovens - muitas vezes de famílias desestruturadas, sem amigos, nerds, excluídos pela aparência (esteticamente desarmônicos) - é respaldada numa compreensão totalmente vulgarizada da realidade.

O homem-massa, ao menos, tinha uma proposta consciente de sublevação. Atualmente convivemos com o homem-estrume!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Welcome to my little world...

A internet tem se tornado na válvula de escape do idealismo romântico de muitos católicos inconformados. A constatação é muito clara; cada vez mais pessoas - em especial os jovens - aderem a uma postura social que tem como fundamento a agressividade e brutalidade diante do real. Esse fenômeno pode ser compreendido partindo até da dinâmica mimética girardiana de distinção e imitação, na construção de pequenos mundos livres dos erros das "massas" corrompidas.

O que me espanta é a crescente adesão de jovens em seus orkuts e blogues a essa mentalidade de seita - sociologicamente falando - e muito longe do conhecimento concreto das complexidades da realidade. Entender como se forma essa atitude é muito difícil, vai desde o jovem deslumbrado ou perplexo diante da grave crise do mundo moderno e que tende a mais conveniente leitura e solução até aquele rapaz estático e inerte que no ambiente virtual cria uma sucursal da Congregação para a Doutrina da Fé enquanto deixa de ir a Missa "nova" e de viver o dia-a-dia da fé.

A falta de noção do que ocorre no mundo real impossibilita qualquer leitura sensata e eficiente dos problemas e das soluções. Seria como pedir para Robinson Crusoé descrever a Londres do séc. XVIII. Ainda que a motivação seja verdadeira e louvável, a distância do real e das suas mais profundas variantes e interferências impede a equilibrada ponderação. Para alguém que vive num pequeno mundo - quase sempre virtual, em redes sociais e páginas na internet - o grande mundo será sempre indecifrável. Deste modo, incapacitado de fazer a correta leitura, torna-se incapaz de dar a mais confiável solução.

Soluções para a crise da Civilização Ocidental, para os problemas litúrgicos, para os erros doutrinais, para o liberalismo, para o laicismo, para o secularismo, para o neoateísmo, encontram-se aos milhares em muitos blogues espalhados pela internet. Quase sempre são soluções tão claras e rápidas que até mesmo um jovem conhecedor de teologia via web sites e um filósofo de Wikipédia encontram. Mas o maior perigo não se reduz nessa aparente soberba, mas sim no crescente ar autoritário e agressivo daqueles que a adotam. Afinal, se o remédio é tão óbvio, por que ninguém o prescreve?! Essa postura de convicção plena se forma, então, antecipadamente, na construção de uma certeza sobre bases de areia, sobre um conhecimento raso e uma leitura de mundo pueril. Ademais, para agravar o cenário, ainda existe a formação de um verdadeiro séquito e pupilos, outros jovens que, já numa linha de transmissão terceira, se educam nas "pérolas" lançadas pelos sábios!

Sem dúvida alguma estamos tratando de mais um dos frutos da nossa sociedade e da grave crise civilizacional.

V Encontro de Juventude e Família

O Movimento Regnum Christi celebrará, nos dias 13, 14 e 15 de agosto de 2010, na cidade do Rio de Janeiro, o V Encontro de Juventude e Família. Um momento de formação, diversão, oração, adoração, que tem como fim o fortalecimento do amor a Cristo junto aos jovens e no seio familiar.

Segue abaixo o vídeo do IV Encontro de Juventude e Família, que ocorreu em Brasília, no ano de 2008.