segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Ideologia "Tradicional"


O espírito do mundo moderno é extremamente destrutivo e assola todas as instituições e o plano divino da existência. Assim, é o grande responsável pela desordem e pela crise espiritual que vivemos. Os seus arautos, aqueles que promovem o liberalismo/secularismo/progressismo nas mais diversas frentes, agem na desconstrução da Tradição e na imposição de um novo paradigma ideológico. O ardor revolucionário é extremamente eficiente por ter um motor romântico e ser norteado por concepções falseadas da realidade.

A primeira realidade, que só é compreendida através da reflexão racional, a partir do entendimento da realidade concreta, é totalmente tolhida em nome da segunda realidade, ou seja, a alternativa forjada pela ideologia, concebida nas mentes insanas de homens tomados pela febre da paixão. Assim, por exemplo, Karl Marx concebe a sua falácia comunista partindo da deformação dos pressupostos filosóficos, históricos e econômicos, ou seja, falseia a primeira realidade tendo em vista o alcance da segunda. A complexidade da questão inicia-se quando toda a sociedade é tomada pela doença espiritual, esmagada pelo choque entre as duas realidades, como foi o caso da Alemanha nazista.

Entretanto, o que quero pontuar nessa breve reflexão não é a postura dos modernistas e seus sequazes. Em relação a eles já temos um amadurecimento suficiente. O perigo, muitas vezes, forma-se na busca pela remediação drástica e rápida dos problemas civilizacionais. De fato, é louvável a ânsia de muitos que buscam, apressadamente, reconstruir aquilo que foi destruído pela sorrateira ação revolucionária. Não obstante, a eficácia e eficiência não podem ser confundidas com rapidez e brutalidade. Ao contrário, quanto mais conhecemos a realidade da crise - a sua amplitude e complexidade - mais percebemos como as soluções devem ser equilibradas, ponderadas e frias. Isso mesmo; frias no sentido de não-passionais, afinal, infelizmente, constata-se a forte presença de um espírito romântico nas atitudes tomadas pelos mais ardorosos defensores da "Contra-revolução."

O maior perigo se faz na construção de uma "ideologia" tradicional, contra-revolucionária, na ereção da segunda realidade utópica. Como qualquer ideologia, incidirá no erro de falsear a realidade, ou enxergá-la de modo parcial e pontual, galgando a adequação ao projeto tão ansiado. Enquanto Marx deformava as teorias históricas mirando o encaixe com as suas pretensões comunistas, alguns tradicionalistas ideologizados restringem o entendimento da realidade buscando o fácil solucionamento da crise do mundo moderno com o alvorecer da sociedade tradicional.

Essa simplificação cria soluções caricaturais que incidem no imediatismo e na brutalidade, além disso, não só transforma questões acidentais em essenciais como sanciona a dinâmica do bode expiatório ao acreditar na vítima sacrificial que, quando exterminada, apazigua toda a sociedade. Destarte, o fundamento é a ideologia, a crença apaixonada que busca, por meio da deformação do real, a realização dos anseios mais profundos e obscuros. Ainda que a iniciativa carregue uma positiva e inocente percepção, outrossim, é obtusa e inadequada, já que incorre na ridicularização da causa. Ademais, a crescente adesão de jovens no mundo virtual ao projeto contra-revolucionário favorece ao rompimento profundo com a realidade. Com isso, encontramos com facilidade soluções pueris aos problemas do mundo moderno, com remédios que passam desde a anulação do Concílio Vaticano II até a retomada da Santa Inquisição.
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Podemos iniciar a campanha: Pela não banalização tradicional - contra a banalização do cachimbo, do tabaco, das abotoaduras, de Shakespeare, Dostoiévski, Mozart, Hildegard von Bingen, do latim, da filosofia clássica, da história medieval, do gótico, de Santo Tomás, Camões, Chesterton, Dante etc.

sábado, 10 de julho de 2010

A politicamente incorreta Copa do Mundo


A Copa do Mundo tem como uma de suas mais importantes características o patriotismo, ainda que levemente caricatural. Dentro do mundo moderno, altamente globalizado, onde o politicamente correto incita a estruturação do governo mundial e da mentalidade internacionalista, esse ardor é altamente surreal. Com o torneio as nações se organizam, ostentam seus símbolos maiores, cantam seus hinos e exaltam o passado de glórias. Até mesmo a progressista Europa é assolada por essa onda; países que sofrem com a desconstrução da própria identidade tiram as poeiras de seus pavilhões e ostentam orgulhosamente a nacionalidade.
O laranja real defendido com devoção por todo o povo da liberal Holanda chega a ser engraçado, mas na Copa do Mundo torna-se natural

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu sou pós-industrial-punk-emo porque estou revoltado com a sociedade! Yah!

Fazia tempo que eu não me divertia tanto como ontem, vendo o programa "A Liga", na Bandeirantes, que tratava das "tribos urbanas". Quanta mediocridade e vulgaridade intelectual e estética. Uma imensidão de jovens que se auto-definiam "punks", "emos", "diamonds", "cosplayers", "metaleiros", "alternativos", "hip-hop", "pós-punks" etc, numa gama de siglas, definições e codinomes que escondiam a total e completa superficialidade e incapacidade intelectiva daqueles que os ostentavam.

Diversas coisas chamaram a minha atenção; a falta de eloqüência e de retórica até mesmo na defesa dessa revolta estética, jovens que alegavam uma grande convicção mas que sequer conseguiam articular idéias num português claro. Outro ponto muito interessante foi a constante reclamação do preconceito! Ora, os membros das diversas "tribos" tinham em comum a incansável afirmação de que buscavam romper com os padrões sociais e todos aqueles clichês que sociólogos e antropólogos liberais utilizam para respaldar tais faniquitos. Nesse sentido, o preconceito é a consequência mais natural e acertada, e deveria ser bem quista, afinal, do que adiantaria se vestir como um dos "Ursinhos Carinhosos" se a sociedade não mostrasse a mínima repulsa? A ojeriza é o que alimenta o ego desses jovens descompensados.

Outra característica marcante é a freqüente afetação! Até minha irmã de sapato alto, cabelo escovado e maquiada é mais viril do que muitos dos jovens de sexo masculino que ali apareceram. Isso é fruto da forte pressão estética que invade a sociedade, que se forma na cultura gay e torna-se padrão quando conquista a mass media. Vale pontuar que ao mesmo tempo em que buscam a distinção da sociedade, o espírito anarquista, a violência visual e todo aquele blá blá blá, incidem, como ninguém, na reprodução de um padrão cultural superficial que vem se tornando a bandeira do séc. XXI.

Dei boas gargalhadas quando uma moça, que disse gastar quase um salário na compra de seus vestidos pretos, afirmou que os "góticos" são sombrios em luto pela humanidade que não sabe viver, ou algo assim. Meu Deus! Quanta superficialidade e mediocridade. Agora a revolta de jovens - muitas vezes de famílias desestruturadas, sem amigos, nerds, excluídos pela aparência (esteticamente desarmônicos) - é respaldada numa compreensão totalmente vulgarizada da realidade.

O homem-massa, ao menos, tinha uma proposta consciente de sublevação. Atualmente convivemos com o homem-estrume!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Welcome to my little world...

A internet tem se tornado na válvula de escape do idealismo romântico de muitos católicos inconformados. A constatação é muito clara; cada vez mais pessoas - em especial os jovens - aderem a uma postura social que tem como fundamento a agressividade e brutalidade diante do real. Esse fenômeno pode ser compreendido partindo até da dinâmica mimética girardiana de distinção e imitação, na construção de pequenos mundos livres dos erros das "massas" corrompidas.

O que me espanta é a crescente adesão de jovens em seus orkuts e blogues a essa mentalidade de seita - sociologicamente falando - e muito longe do conhecimento concreto das complexidades da realidade. Entender como se forma essa atitude é muito difícil, vai desde o jovem deslumbrado ou perplexo diante da grave crise do mundo moderno e que tende a mais conveniente leitura e solução até aquele rapaz estático e inerte que no ambiente virtual cria uma sucursal da Congregação para a Doutrina da Fé enquanto deixa de ir a Missa "nova" e de viver o dia-a-dia da fé.

A falta de noção do que ocorre no mundo real impossibilita qualquer leitura sensata e eficiente dos problemas e das soluções. Seria como pedir para Robinson Crusoé descrever a Londres do séc. XVIII. Ainda que a motivação seja verdadeira e louvável, a distância do real e das suas mais profundas variantes e interferências impede a equilibrada ponderação. Para alguém que vive num pequeno mundo - quase sempre virtual, em redes sociais e páginas na internet - o grande mundo será sempre indecifrável. Deste modo, incapacitado de fazer a correta leitura, torna-se incapaz de dar a mais confiável solução.

Soluções para a crise da Civilização Ocidental, para os problemas litúrgicos, para os erros doutrinais, para o liberalismo, para o laicismo, para o secularismo, para o neoateísmo, encontram-se aos milhares em muitos blogues espalhados pela internet. Quase sempre são soluções tão claras e rápidas que até mesmo um jovem conhecedor de teologia via web sites e um filósofo de Wikipédia encontram. Mas o maior perigo não se reduz nessa aparente soberba, mas sim no crescente ar autoritário e agressivo daqueles que a adotam. Afinal, se o remédio é tão óbvio, por que ninguém o prescreve?! Essa postura de convicção plena se forma, então, antecipadamente, na construção de uma certeza sobre bases de areia, sobre um conhecimento raso e uma leitura de mundo pueril. Ademais, para agravar o cenário, ainda existe a formação de um verdadeiro séquito e pupilos, outros jovens que, já numa linha de transmissão terceira, se educam nas "pérolas" lançadas pelos sábios!

Sem dúvida alguma estamos tratando de mais um dos frutos da nossa sociedade e da grave crise civilizacional.

V Encontro de Juventude e Família

O Movimento Regnum Christi celebrará, nos dias 13, 14 e 15 de agosto de 2010, na cidade do Rio de Janeiro, o V Encontro de Juventude e Família. Um momento de formação, diversão, oração, adoração, que tem como fim o fortalecimento do amor a Cristo junto aos jovens e no seio familiar.

Segue abaixo o vídeo do IV Encontro de Juventude e Família, que ocorreu em Brasília, no ano de 2008.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O abençoado Sneijder

O carrasco do Brasil, Wesley Sneijder, jogador da Holanda, tem uma belíssima história de conversão e testemunho da fé. A sua noiva, Yolanthe Cabau van Kasbergen, uma bem sucedida modelo alemã, foi a responsável pela apresentação da Religião a ele. Depois de uma caminhada de busca e questionamentos Sneijder converte-seu; "Eu fui batizado recentemente na Itália."

Além da evangelização da noiva, a mudança para o Internazionale, vivendo em meio a uma cultura fundamentalmente católica, despertou no jogador algum interesse; "Eu sempre fui um crente, mas não católico. Falei com muitos jogadores sobre isso e com o sacerdote do clube e decidi tornar-me católico"


A influência da noiva foi essencial, o que mostra a importância da evangelização do mundo de forma eficiente, eficaz e corpo-a-corpo; “Ela é totalmente católica, foi batizada, fez a comunhão e todas essas coisas. Eu decidi ler mais sobre e conversei muito sobre isso com ela.”
“Nós queremos nos casar numa igreja na Itália, então você precisa ser católico e batizado. Nós visitamos a igreja todas as semanas, às vezes mais de uma vez... Eu amo aquelas Missas. Nós moramos a 100 metros do Domo de Milão e passo muito tempo lá.”
“Yolanthe deu-me um rosário. Foi abençoado por um Padre na Itália. Nós o rezamos todas as manhãs. Hoje, estando aqui, nós rezamos por telefone.”
"Eu rezo no meu quarto de hotel antes do jogo, faço uma pequena oração no vestiário, mas quando estou em campo eu não estou pensando sobre isso. Mas, estou bastante sério e comprometido sobre e tenho que dizer, a vida é muito mais fácil para mim agora ... Para mim funciona ... "
Um católico conseguiu acabar com a seleção de protestantes, rsrsrs.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A riqueza da Copa do Mundo

Em tempos de Copa do Mundo a mediocridade do homem moderno de tão atuante torna-se extracorpórea. Não sei o que é pior! Campanhas como "Cala Boca Galvão" e a movimentação de todo o país onde até mesmo médicos deixam de atender em dias do jogo do Brasil, ou a revolta cultural das "grandes" mentes pensantes que, em resposta à alienação futebolística, só faltam tocar fogo no mascote do evento esportivo.

Não vejo nenhuma grande diferença entre os dois comportamentos. Ambos são padrões e frutos de um processo de descontrução da essência do homem em sua riqueza singular. Seja o médico vidrado nos jogos ou o "marxiano" que em protesto desliga a televisão, os dois respondem a um modelo pré-concebido pela sociedade moderna, ambos encarnam uma vertente do mercado de consumo e da mentalidade reducionista da contemporaneidade.

Ademais, aqueles que pretendem realizar um Auto da Fé, queimando jabulanis, em resposta à paixão brasileira aos jogos da Copa do Mundo conseguem ser mais alienados quando, na tentativa de se distinguir da "massa" dominada, tendem para uma visão de mundo extremamente artificial quando fabricada e forjada pela sociedade moderna em sua vertente cult.

Enquanto isso eu assisto meus jogos tranqüilamente e me divirto enxergando as duas reações...