quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu sou pós-industrial-punk-emo porque estou revoltado com a sociedade! Yah!

Fazia tempo que eu não me divertia tanto como ontem, vendo o programa "A Liga", na Bandeirantes, que tratava das "tribos urbanas". Quanta mediocridade e vulgaridade intelectual e estética. Uma imensidão de jovens que se auto-definiam "punks", "emos", "diamonds", "cosplayers", "metaleiros", "alternativos", "hip-hop", "pós-punks" etc, numa gama de siglas, definições e codinomes que escondiam a total e completa superficialidade e incapacidade intelectiva daqueles que os ostentavam.

Diversas coisas chamaram a minha atenção; a falta de eloqüência e de retórica até mesmo na defesa dessa revolta estética, jovens que alegavam uma grande convicção mas que sequer conseguiam articular idéias num português claro. Outro ponto muito interessante foi a constante reclamação do preconceito! Ora, os membros das diversas "tribos" tinham em comum a incansável afirmação de que buscavam romper com os padrões sociais e todos aqueles clichês que sociólogos e antropólogos liberais utilizam para respaldar tais faniquitos. Nesse sentido, o preconceito é a consequência mais natural e acertada, e deveria ser bem quista, afinal, do que adiantaria se vestir como um dos "Ursinhos Carinhosos" se a sociedade não mostrasse a mínima repulsa? A ojeriza é o que alimenta o ego desses jovens descompensados.

Outra característica marcante é a freqüente afetação! Até minha irmã de sapato alto, cabelo escovado e maquiada é mais viril do que muitos dos jovens de sexo masculino que ali apareceram. Isso é fruto da forte pressão estética que invade a sociedade, que se forma na cultura gay e torna-se padrão quando conquista a mass media. Vale pontuar que ao mesmo tempo em que buscam a distinção da sociedade, o espírito anarquista, a violência visual e todo aquele blá blá blá, incidem, como ninguém, na reprodução de um padrão cultural superficial que vem se tornando a bandeira do séc. XXI.

Dei boas gargalhadas quando uma moça, que disse gastar quase um salário na compra de seus vestidos pretos, afirmou que os "góticos" são sombrios em luto pela humanidade que não sabe viver, ou algo assim. Meu Deus! Quanta superficialidade e mediocridade. Agora a revolta de jovens - muitas vezes de famílias desestruturadas, sem amigos, nerds, excluídos pela aparência (esteticamente desarmônicos) - é respaldada numa compreensão totalmente vulgarizada da realidade.

O homem-massa, ao menos, tinha uma proposta consciente de sublevação. Atualmente convivemos com o homem-estrume!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Welcome to my little world...

A internet tem se tornado na válvula de escape do idealismo romântico de muitos católicos inconformados. A constatação é muito clara; cada vez mais pessoas - em especial os jovens - aderem a uma postura social que tem como fundamento a agressividade e brutalidade diante do real. Esse fenômeno pode ser compreendido partindo até da dinâmica mimética girardiana de distinção e imitação, na construção de pequenos mundos livres dos erros das "massas" corrompidas.

O que me espanta é a crescente adesão de jovens em seus orkuts e blogues a essa mentalidade de seita - sociologicamente falando - e muito longe do conhecimento concreto das complexidades da realidade. Entender como se forma essa atitude é muito difícil, vai desde o jovem deslumbrado ou perplexo diante da grave crise do mundo moderno e que tende a mais conveniente leitura e solução até aquele rapaz estático e inerte que no ambiente virtual cria uma sucursal da Congregação para a Doutrina da Fé enquanto deixa de ir a Missa "nova" e de viver o dia-a-dia da fé.

A falta de noção do que ocorre no mundo real impossibilita qualquer leitura sensata e eficiente dos problemas e das soluções. Seria como pedir para Robinson Crusoé descrever a Londres do séc. XVIII. Ainda que a motivação seja verdadeira e louvável, a distância do real e das suas mais profundas variantes e interferências impede a equilibrada ponderação. Para alguém que vive num pequeno mundo - quase sempre virtual, em redes sociais e páginas na internet - o grande mundo será sempre indecifrável. Deste modo, incapacitado de fazer a correta leitura, torna-se incapaz de dar a mais confiável solução.

Soluções para a crise da Civilização Ocidental, para os problemas litúrgicos, para os erros doutrinais, para o liberalismo, para o laicismo, para o secularismo, para o neoateísmo, encontram-se aos milhares em muitos blogues espalhados pela internet. Quase sempre são soluções tão claras e rápidas que até mesmo um jovem conhecedor de teologia via web sites e um filósofo de Wikipédia encontram. Mas o maior perigo não se reduz nessa aparente soberba, mas sim no crescente ar autoritário e agressivo daqueles que a adotam. Afinal, se o remédio é tão óbvio, por que ninguém o prescreve?! Essa postura de convicção plena se forma, então, antecipadamente, na construção de uma certeza sobre bases de areia, sobre um conhecimento raso e uma leitura de mundo pueril. Ademais, para agravar o cenário, ainda existe a formação de um verdadeiro séquito e pupilos, outros jovens que, já numa linha de transmissão terceira, se educam nas "pérolas" lançadas pelos sábios!

Sem dúvida alguma estamos tratando de mais um dos frutos da nossa sociedade e da grave crise civilizacional.

V Encontro de Juventude e Família

O Movimento Regnum Christi celebrará, nos dias 13, 14 e 15 de agosto de 2010, na cidade do Rio de Janeiro, o V Encontro de Juventude e Família. Um momento de formação, diversão, oração, adoração, que tem como fim o fortalecimento do amor a Cristo junto aos jovens e no seio familiar.

Segue abaixo o vídeo do IV Encontro de Juventude e Família, que ocorreu em Brasília, no ano de 2008.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O abençoado Sneijder

O carrasco do Brasil, Wesley Sneijder, jogador da Holanda, tem uma belíssima história de conversão e testemunho da fé. A sua noiva, Yolanthe Cabau van Kasbergen, uma bem sucedida modelo alemã, foi a responsável pela apresentação da Religião a ele. Depois de uma caminhada de busca e questionamentos Sneijder converte-seu; "Eu fui batizado recentemente na Itália."

Além da evangelização da noiva, a mudança para o Internazionale, vivendo em meio a uma cultura fundamentalmente católica, despertou no jogador algum interesse; "Eu sempre fui um crente, mas não católico. Falei com muitos jogadores sobre isso e com o sacerdote do clube e decidi tornar-me católico"


A influência da noiva foi essencial, o que mostra a importância da evangelização do mundo de forma eficiente, eficaz e corpo-a-corpo; “Ela é totalmente católica, foi batizada, fez a comunhão e todas essas coisas. Eu decidi ler mais sobre e conversei muito sobre isso com ela.”
“Nós queremos nos casar numa igreja na Itália, então você precisa ser católico e batizado. Nós visitamos a igreja todas as semanas, às vezes mais de uma vez... Eu amo aquelas Missas. Nós moramos a 100 metros do Domo de Milão e passo muito tempo lá.”
“Yolanthe deu-me um rosário. Foi abençoado por um Padre na Itália. Nós o rezamos todas as manhãs. Hoje, estando aqui, nós rezamos por telefone.”
"Eu rezo no meu quarto de hotel antes do jogo, faço uma pequena oração no vestiário, mas quando estou em campo eu não estou pensando sobre isso. Mas, estou bastante sério e comprometido sobre e tenho que dizer, a vida é muito mais fácil para mim agora ... Para mim funciona ... "
Um católico conseguiu acabar com a seleção de protestantes, rsrsrs.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A riqueza da Copa do Mundo

Em tempos de Copa do Mundo a mediocridade do homem moderno de tão atuante torna-se extracorpórea. Não sei o que é pior! Campanhas como "Cala Boca Galvão" e a movimentação de todo o país onde até mesmo médicos deixam de atender em dias do jogo do Brasil, ou a revolta cultural das "grandes" mentes pensantes que, em resposta à alienação futebolística, só faltam tocar fogo no mascote do evento esportivo.

Não vejo nenhuma grande diferença entre os dois comportamentos. Ambos são padrões e frutos de um processo de descontrução da essência do homem em sua riqueza singular. Seja o médico vidrado nos jogos ou o "marxiano" que em protesto desliga a televisão, os dois respondem a um modelo pré-concebido pela sociedade moderna, ambos encarnam uma vertente do mercado de consumo e da mentalidade reducionista da contemporaneidade.

Ademais, aqueles que pretendem realizar um Auto da Fé, queimando jabulanis, em resposta à paixão brasileira aos jogos da Copa do Mundo conseguem ser mais alienados quando, na tentativa de se distinguir da "massa" dominada, tendem para uma visão de mundo extremamente artificial quando fabricada e forjada pela sociedade moderna em sua vertente cult.

Enquanto isso eu assisto meus jogos tranqüilamente e me divirto enxergando as duas reações...

terça-feira, 15 de junho de 2010

O senso comum tradicionalista e o Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II.
O Concílio Vaticano II talvez seja um dos temas mais debatidos no cenário eclesiástico atual. De fato, a realidade espiritual que vivemos é fruto, direta ou indiretamente, desse grande acontecimento. Não obstante, o Concílio é alvo de severas críticas por parte de alas radicais-tradicionalistas que enxergam nele o rompimento formal com 1960 anos de Igreja, de doutrina, de Tradição. Destarte, vale pontuar desde já que tradicionais e progressistas vivem uma relação de mútua dependência; os primeiros necessitam das teorias dos liberais para respaldar o seu radicalismo enquanto os segundos urgem pela mentalidade obscurantista dos “medievais” para justificar a mudança de postura por parte da Igreja.

Dentro desse cenário falar que a virtude está no meio não é clichê. Certamente, as duas posições têm um certo sentido, não obstante erram na forma e no meio. Os radicais-tradicionalistas tomam uma atitude legítima ao defender a Tradição da Igreja e os legados milenares que sempre subsistiram no seio da Esposa de Cristo. Por outro lado, os progressistas acertam quando destacam a importância de modernizar a ação pastoral e a linguagem. Entretanto, tanto uns como os outros se perdem na radicalidade das posições que abraçam com tanta paixão.
Tipo de argumento visual usado pelos "radicais-tradicionalistas"; terrivelmente falacioso e simplista.
No meio desse verdadeiro caos surge a sólida e coesa postura do Santo Padre Bento XVI que enxergando a realidade de forma universal, não pontual como fazem muitos católicos, leva em consideração as reivindicações dos radicais-tradicionalistas e dos progressistas enquanto atesta, categoricamente, que o Concílio Vaticano II jamais aderiu às heresias apontadas pelos “rad-trads” e defendidas pelos modernistas. Assim, o Sumo Pontífice destaca a relevância crucial da “hermenêutica” no entendimento pleno dos documentos conciliares. Trazendo à tona a questão da interpretação do Vaticano II o Papa põe em discussão os anseios do homem capaz, até mesmo, de deformar a sã doutrina exposta no Concílio visando, apenas, a realização dos próprios devaneios teológicos em claro rompimento com o espírito de fidelidade e obediência.

Antes que alguém alegue que a dita “hermenêutica da continuidade” é invenção de S.S Bento XVI se faz mister destacar que, mesmo que não houvesse uma unidade em torno dessa questão, já havia por parte de muitos teólogos, Cardeais, Bispos, a clara noção da problemática pós-conciliar fundamentada na indevida interpretação do Concílio. Nesse sentido, friso a obra do Mons. Francisco Bastos “Abusos e Erros sobre a fé à sombra do Vaticano II” a qual o ilustre sacerdote paulistano de feliz memória aborda toda a complexidade das discussões conciliares, destacando, com sabedoria, a ação orquestrada de ala progressista, centralizada na “Aliança Européia”, na sua apaixonada tentativa de fazer aprovar as insanidades pensadas nas mentes modernistas dos teológicos que a dava assistência. Além do relato histórico de grande valor – Mons. Francisco Bastos participou como observador do Concílio a pedido do Cardeal Motta – é interessante como o autor jamais coloca em questão a legitimidade do Vaticano II e a autoridade do Beato João XXIII e de S.S Paulo VI ao longo das sessões. Concretamente, ao presenciar cenas lamentáveis e deprimentes, como a do Cardeal Ottaviani, o mais poderoso Cardeal da Cúria romana, ser boicotado ao ter o seu microfone desligado pelo Cardeal Alfrink, a pedido do Cardeal Tisserant, deão dos presidentes do Concílio, debaixo dos aplausos e gargalhadas de muitos dos Padres Conciliares, depois de intervir em oposição às propostas de total descaracterização do rito romano, Mons. Francisco Bastos teria todos os motivos e razões para desacreditar no Concílio e nas suas definições.
O que foi o Concílio para os progressistas.
Não obstante, em oposição a atitude “esperada” o autor mostra o espírito de amor à Igreja e obediência ao Sumo Pontífice. Ademais, destaca que, mesmo com as mais ferozes iniciativas modernistas, os documentos do Concílio, ainda que deixando algumas janelas abertas, jamais romperam com a doutrina da Igreja e nem sancionaram as teorias progressistas com a autoridade conciliar. O autor, assim, pontua a sapiência dos Papas – João XXIII e Paulo VI – ao longo das sessões e das aulas conciliares.

Além de Mons. Francisco Bastos recordo-me da posição do grande salesiano Cardeal Stickler, de feliz memória, que mesmo fazendo críticas à reforma litúrgica pós-conciliar, de S.S Paulo VI, defendia o Concílio Vaticano II alegando que este não rompeu com a Tradição milenar da Igreja; “O Concílio solicitou repetidas vezes que a reforma aderisse à tradição.”

As duas atitudes citadas nos são modelos de amor filial à Igreja e de respeito ao Vigário de Cristo. Infelizmente, muitos são os católicos – leigos, consagrados, seminaristas, sacerdotes etc – que embriagados com o discurso envolvente do radical-tradicionalismo incidem numa desobediência formal, quando não num sedevacantismo prático. Não podemos cair em leituras simplistas da realidade, quase sempre norteadas pela paixão. Dessa ação surgem os casos esdrúxulos de católicos que pretendem viver a “verdadeira” catolicidade no fundo de seus quartos, nos blogues, orkuts da vida, no máximo em algum grupo que se considera mais fiel e tradicional do que a Santa Sé, com líderes que alegam amar o Santo Padre mas rasgam o seu Magistério sempre que se recusam a obedecê-lo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A sombria Lady Gaga

Lady Gaga continua dando o que falar! No seu novo clipe "Alejandro" a nova estrela da cultura pop encarna toda a bestialidade da bandeira que representa com tanta maestria; cenários horripilantes, cenas eróticas, profanação da cruz e de símbolos religiosos em doses dignas de um ritual satânico. Não obstante, gostaria de frisar que, diferentemente do que muitos pensam, a tal Lady não segue a linha de Madonna, me parece muito mais próxima ao estilo do grotesco Marylin Manson, conhecido pela sua androgenia, posições abertamente imorais, culto ao bizarro.

A atmosfera sombria do clipe é extremamente assustadora. Contando com alusões à morte, sadomasoquismo e dominação, a música, como disse a cantora, foi feita em homenagem aos gays e às mulheres que se apaixonam por eles (sic!!). Os soldados efeminados oprimidos são as vítimas da cultura machista e repressiva. Tudo pensado por aquela que é considerada o "novo fenômeno do pop", a "nova cara da década".

O que mais me impressiona na sua estética é o grotesco, o ambiente sombrio, bestial, decante, exalando erotismo sexual e putrefação moral. Lady Gaga aparecer engolindo um terço ou usando uma cruz invertida de forma sacrílega é consequência de algo muito maior, algo este que pode ser percebido em toda a contextualização musical e estética usada. A cantora sintetiza o espírito do mundo atual, a sua pequenez, irracionalidade, incapacidade de refletir e de discernir, a cultura de morte no seu sentido mais fidedigno e profundo.

A música de Lady Gaga, com toda a sua pobreza poética e excesso de compassos e ritmos, é sinal da mediocridade do homem moderno; um homem norteado pelas paixões, subjugado pela ignorância invencível, uma carcaça morta incapaz de raciocinar verdadeiramente. Não me espanta que em pleno séc. XXI uma porcaria como essa faça sucesso - estranho seria que o Santo Padre fosse aplaudido ao condenar o aborto, por exemplo. O espanto é saber que católicos e homens de reta intenção se deixam levar por toda essa experiência sensual que carrega no seu âmago um claro projeto revolucionário.

Lady Gaga não esconde que defende a cultura gay. Faço questão de frisar o termo "cultura" já que, infelizmente, os militantes homossexuais forjaram um estilo de vida próprio que, através de ferramentas variadas - em especial a música, filmes e novelas - foi divulgado e imposto como o estilo ordinário de qualquer ser humano na face da terra. Destarte, a globalização transporta em sua essência a crise da Civilização Ocidental a todos os cantos, assim, tanto um jovem americano, quanto um brasileiro da favela, como um rico japonês cibernético ou então um marroquino de Casablanca se vestem, se comportam, ouvem e apreciam quase as mesmas coisas, seguindo o mesmo padrão.

Se não tomarmos uma atitude concreta, eficaz e profunda veremos os nossos filhos e netos crescendo numa sociedade onde o anormal é ser homem e mulher!