terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cismáticos do mundo todo, uni-vos!

Foto extremamente interessante!

Tikhon de Moscou e João Kochurov - santos da Igreja Ortodoxa -, e um outro sacerdote ortodoxo russo, foram convidados para uma sagração da Igreja Episciopal, em Fond du Lac, Wisconsin, em 1900. Além dos Bispos ortodoxos e episcopais estavam pastores da Igreja Católica Nacional Polonesa, um cisma católico nos EUA. Esse evento causou muita polêmica na comunidade protestante episcopal. Os membros da baixa igreja acusaram os bispos da alta igreja de papismo, por conta dos paramentos e da pompa litúrgica. O acontecimento passou a ser chamado, ironicamente, de o "Circo de Fond du Lac".

A foto foi tirada em 18 de novembro de 1900, na Catedral Episcopal de São Pedro, em Fond du Lac, na sagração de Reginald Weller como Bispo Coadjutor da Diocese de Fond du Lac.

Sentados: Isaac Lea Nicholson, Bispo Episcopal de Milwaukee; Charles Chapman Grafton, Bispo Episcopal de Fond du Lac; e Charles P. Anderson, Bispo Episcopal Auxiliar de Chicago.

Em pé: Anthony Kozlowski, da Igreja Católica Nacional Polonesa; G. M. Williams, Bispo Episcopal de Marquette; Bispo Weller, Joseph M. Francis, Bispo Episcopal de Indianapolis, William E. McLaren, Bispo Episcopal de Chicago; Arthur L. Williams, Bispo Episcopal Auxiliar de Nebraska; São João Kochurov, Bispo ortodoxo de Chicago e hieromártir da Revolução Bolchevique; Pe. Sebastian Dabitovich, capelão dos Bispos russos; São Tikhon, Bispo ortodoxo do Alasca e das Ilhas Aleutas.

O que os unia? O cisma, a heresia, mas além disso, a aversão à Igreja Católica!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Procura-se a solenidade!

Até agora estou procurando a tal solenidade. Explico-me, hoje, na Missa da Epifania, o Sacerdote celebrante sequer usava casula - nem vou comentar do cíngulo, amito - mas sim aquela túnica horrorosa - esse povo não tem nem mesmo bom gosto estético? - com uma estola tão feia quanto. Os cânticos foram os mesmos de sempre. Engraçado como reclamam do canto gregoriano mas não percebem que as músicas adocicadas e repetitivas são mais longas do que este.

O mais irônco era que o Padre, a todo momento, se referia a dita "solenidade da Epifania", "Missa solene". Eu fiquei procurando mais não encontrei nenhuma solenidade, não só na falta de fidelidade ao missal e às normas como, até mesmo, no espírito de pouca piedade, no limítrofe com a impiedade e profanação.


Duas reflexões podemos tirar; até mesmo a estética foi atacada e deformada pela heresia; o feio se torna "belo" e o belo se torna alienígena. Além disso, mais importante do que qualquer catequesese é a prática de reverência e o espírito de mística. Do que adianta falar durantes horas da Eucaristia quando, na hora da Missa, tratam o Corpo de Cristo como um pedaço de pão?


Ah, quem achar a solenidade, por favor, me avise...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Em defesa das Forças Armadas

O Reinaldo Azevedo fez uma análise muito sensata e equilibrada da atual crise militar. Entretanto, gostaria de reforçar dois pontos desse lastimoso evento; a safadeza da esquerda e a inocência - ou seria algum complexo de culpa? - dos militares. Dilma, Martins e Vanucchi têm em comum o passado e o presente; ex-terroristas e membros da alta cúpula republicana. De fato, a esquerda continua fazendo o seu papel revolucionário, inclusive na massificação da criminalização prática do período do regime militar.

Sinceramente, não entendo a inocência dos militares, negociar com a esquerda é como negociar com bandido; não segue os padrões morais mais básicos. Entretanto, a dita Comissão Nacional da Verdade - nessas horas adoram falar da "Verdade"- se formou já bem antes, desde o sucateamento e desmoralização das Forças Armadas. Quanto mais fracas e submissas as Forças Armadas forem mais fácil irão se colocar em estado de letargia em relação ao poderio do Executivo - leia-se PT. Dentro dessa perspectiva se encontra, obviamente, a supervalorização das ações terroristas, vistas então como democráticas e libertárias, e o repúdio a todo e qualquer bom fruto do regime militar - vejam que uma das propostas da dita Comissão é revogar todas as leis aprovadas entre
1964 e 1985.

Que o povo brasileiro, doutrinado pela cartilha do politicamente correto, tenha engolido esse papo, "tudo bem", mas até militares estão caindo na lábia da esquerda? Comandantes militares estão sofrendo do complexo de culpa forjado pelos ex-terroristas-hoje-ministros e por isso estão negociando e abrindo concessões aos petistas e socialistas?

As Forças Armadas precisam ser mais valorizadas, honradas e respeitadas por tudo o que fizeram e fazem pela nação!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um paraíso chamado Malta

(1) A religião de Malta é a religião católica apostólica romana.

(2) As autoridades da Igreja Católica Apostólica Romana têm o dever e o direito de ensinar os princípios que estão certos e os que estão errados.

(3) o ensino religioso da fé católica apostólica roman
a deve ser fornecido em todas as escolas públicas como parte da educação obrigatória.

Capítulo 1, Artigo 2 º da Constituição da Malt
a
A Constituição de Malta prevê a liberdade religiosa, mas estabelece o Catolicismo Romano como a religião do Estado. Freedom House e o relatório World Factbook afirmam que 98% dos malteses são católicos romanos, tornando este um dos países mais católicos no mundo. Existem duas jurisdições territoriais: a Arquidiocese de Malta e a Diocese de Gozo.
Mons. Paul Cremona OP, Arcebispo de Malta
Nas escolas públicas o ensino religioso do catolicismo romano é parte do currículo, mas os estudantes podem optar por recusar a participação em aulas de religião. Subsídios são concedidos às escolas católicas particulares.

O Papa João Paulo II fez um total de três visitas pastorais a Malta, por duas vezes em 1990 e uma vez em 2001, durante a qual ele beatificou três malteses.

Os dois por cento da população que não é católica romana consistem principalmente de pequenas comunidades de muçulmanos e judeus, além de comunidades protestantes compostas, principalmente, de aposentados britânicos.

A percentagem de pessoas que assistiam à missa em cada localidade de Malta:
Mdina (Paróquia de São Pedro e São Paulo) 88%
Kerċem (Paróquia de São Gregório e Nossa Senhora do Soco
rro) 86%
San Lawrenz (Paróquia de São Lourenço) 85%

Fontana (Paróquia do Sagrado Coração de Jesus) 83%
Lija (Paróquia da Transfiguração do Senhor) 78%

Victoria, Gozo (Paróquia de São Jorge; Paró
quia de Santa Maria) 77%
Xewkija (Paróquia de São João Batista) 75%

Xagħra (Paróquia da Natividade de Nossa Senhora) 74%

Għarb (Paróquia da Visitação de Nossa Senhora) 75%
Għajnsielem (Paróquia de Nossa Senhora de Loreto) 73%

Qala (Paróquia de São José) 72%
Mġarr (Paróquia de Santa Maria) 72%
Sannat (Paróquia de Santa Margarida) 70%

Għargħur (Paróquia de Santo Bartomoleu) 67%

Għasri (Paróquia de Corpus) 66%

Nadur (Paróquia de São Pedro e São Paulo) 66%

Balzan (Paróquia da Anunciação) 66%

Munxar (Paróquia de São Paulo) 64%

Gudja (Paróquia de Santa Maria) 60%

Mosta (Paróquia de Santa Maria) 60%
Iklin (Paróquia da Sagrada Família) 60%
Siġġiewi (Paróquia de Sã
o Nicolau) 58%
Rabat (Paróquia de São Paulo) 58%

Dingli (Paróquia de Santa Maria) 57%

Attard (Paróquia de Santa Maria) 57%

Tarxien (Paróquia da Anunciação) 55%

Żebbuġ, Malta (Paróquia de São Felipe) 54%

Qormi (Paróquia de São Jorge; Paróquia de São Sebastião) 54%

Naxxar (Paróquia de Nossa Senhora da Vitória) 54%

Santa Luċija (Paróquia de São Pio X) 54%
Ħamrun (Paróquia de São Cajtan; Paróquia da Im
aculada Conceição) 54%
Mellieħa (Paróquia de Nossa Senhora da Vitória; Paróquia de São José) 53%
Qrendi (Paróquia de Santa Maria) 53%

Żabbar (Paróquia de Nossa Senhora das Graças) 53%

Paola (Paróquia de Cristo Rei; Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes) 52%
Marsaxlokk (Paróquia de Nossa Senhora de Pompey) 52%
Floriana (Paróquia de São Publío) 52%

Mqabba (Paróquia de Santa Maria) 52%

Żebbuġ, Gozo (Paróquia de Santa Maria; Paróquia de São Paulo) 52%

Żurrieq (Paróquia de Santa Catarina) 51%
Marsa (Paróquia da Santíssima Trindade; Paróquia de Maria Regina) 51%

Għaxaq (Paróquia de Santa Maria) 51%

Pembroke 51%
Kalkara (Paróquia de São José) 51%
Żejtun (Paróquia de Santa Catarina) 50%

Safi (Paróquia de São Paulo) 49%

Fgura 47%

Valletta 47%

Kirkop 45%

Birgu 4
5%
Msida 45%

Birżebbuġa 43%

San Ġwann 43%

Mtarfa 42%

Gżira 41%
Além disso, entre um quarto e um quinto das pessoas que assistem Missa são membros ativos de algum movimento da Igreja, grupo ou iniciativas como a Renovação Carismática Católica, o Caminho Neocatecumenal, a Legião de Maria, Opus Dei, Comunhão Juventude, a Sociedade da Doutrina Cristã e outros grupos dentro da Igreja paroquial. Malta também tem o maior número de membros do Caminho Neocatecumenal por população do mundo.
Mons. Mario Grech, Bispo de Gozo
Malta é o único país da Europa que não permite o divórcio. Praticar o aborto no territória maltês também é ilegal, embora ao longo dos anos muitas lacunas (não-inclusão das águas extra-territoriais, não menção a propagandas) permitiram que pessoas contornassem a proibição por períodos de tempo limitados. Em uma enquete SMS, Malta escolheu a cruz de Malta como a imagem do euro corrente e rejeitou uma de João Batista batizando Jesus, que havia ganhado numa votação anterior, depois de atrair oposição até mesmo dos bispos locais que não acharam correto colocar o rosto de Jesus numa moeda.

Segundo o mais recente Eurobarómetro 2005;

* 95% dos cidadãos malteses responderam que "acreditam que Deus existe" (que foi o resultado mais alto na União Europeia).

* 3% responderam que "acreditam que existe algum tipo de espírito ou força vital".

* 2% responderam que "não acreditam que haja qualquer tipo de espírito, Deus ou força da vida".

O Brasil continua o mesmo...

A festa de Ano Novo não tem lá muito sentido; você bebe, pula, grita, para acordar no outro dia de ressaca e todo quebrado. Dentro da lógica desse povo, que se veste de branco e acredita que na virada de 11h59min à 00h00min uma nova "energia" paira sobre a terra, acordar no primeiro dia do ano com dor de cabeça e o corpo moído não deve ser lá bom "augúrio".

Mudando um pouco de assunto, além das crendices ridículas e infantis do brasileiro - o que seria do meu sucesso em 2010 se eu não pulasse sete ondinhas?! - me impressiona a "devoção" tão exuberante àquela que chamo de Iemanjada - Iemanjá + manjada. É flor branca, é banho de folha, é barca, é perfume barato. Se Iemanjá existisse uma das suas primeiras atitudes seria varrer as praias com mares revoltos, livrando das quinquilharias que jogam no oceano.

Eu tenho certeza absoluta que de toda essa penca de gente que faz oferendas ao mar sequer conhece um terreiro de candomblé ou centro de umbanda. A Iemanjá que eles veneram é a Iemanjá Cult, a deusa do politicamente correto. Recordo-me que na abertura do Pan-Americano, no Rio, a música oficial invocava a orixá dos mares. Um desavisado poderia acreditar que os jogos eram em algum país africano do Golfo da Guiné e não na maior nação católica do mundo. Nossa Senhora Aparecida que nada, o espírito relativista só deixa que a entidade de uma crença que não engloba nem mesmo 1% dos brasileiros seja honrada publicamente.

Como disse, os que ontem jogaram flores e perfumes baratos no mar nunca viram uma cerimônia sagrada das crenças de origem africana. Tais pessoas estão influenciadas pela versão mercadológica do candomblé/umbanda, aquela que aparece nas reportagens, que é financiada pelo governo e que é mais cultural/mitológica do que propriamente religiosa. Os terreiros e centros se tornaram, desse modo, faróis da dita cultura "afro". Isso tem sua origem no espírito relativista, que faz com que cristãos batizados não achem incompatível a sua fé com as crenças pagãs, e com o racismo reverso que propõe certa predestinação racial; você é condicionado pela sua cor, logo, o negro deve ser do candomblé e usar cabelo trançado.

Ontem, dia 31 de dezembro de 2009, eu vi a caricatura que se tornou o Brasil. Nem mesmo os fogos de artifício que pipocaram no Rio, São Paulo, Salvador etc, conseguiram despertar o brasileiro para a realidade!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Tá chovendo freira! Aleluia!

Não tem como não dar boas risadas vendo essa paródia de Pe. Fábio feita pelo programa "Hermes e Renato". O mais interessante é que a imagem do Sacerdote ideal - no confessionário, de batina preta e homem de oração - se encontra tão fortemente presente no imaginário popular que até na hora de ironizar um Padre que se destaca pela vaidade e aparência, que sequer usa o traje eclesiástico, colocam um comediante de colarinho romano e batina.

Para piorar, vazou a notícia do cachê cobrado por Pe. Fábio para fazer um show em Natal no dia 25 de dezembro; R$ 221 mil reais, com direito a jatinho particular e tudo. Para termos uma idéia, Ivete Sangalo, o segundo mais caro cachê do país, cobra em média R$ 350 mil, já a dupla Zezé di Camargo e Luciano fica na casa dos R$ 150 mil. Nem com toda a maior boa vontade do mundo se justifica um valor tão alto. Que Pe. Fábio virou estrela, com direito a música na novela "Caras e Bocas", todo mundo já sabe, mas agora quer ter uma vida de luxo e exagero despropositado?! As suas roupas de marca que o digam...

(Pe. Fábio deixou a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, afinal as obrigações religiosas empatavam a carreira musical. Portanto, nada melhor do que abandonar o voto de pobreza se esbaldando nas futilidades.)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A contemplação Adquirida

Os grandes mestres da espiritualidade nos ensinam que o verdadeiro mestre interior é o Espírito de Deus, que guia a alma para a contemplação mística, ou seja, para a visão de Deus face-a-face. Esta contemplação mística pode ser adquirida ou infusa, sempre de acordo com o grau de abertura que o crente deposita à ação da Graça Santificante que o habilita a participar da natureza divina.

A contemplação adquirida é resultante da leitura e do estudo da Palavra de Deus, bem como dos artigos da fé. O estudo da Palavra de Deus, que supõe todo o aparato conferido pelo Batismo como a graça santificante, as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo deve nos levar à contemplação daquele que É.

A contemplação infusa, diferentemente da contemplação adquirida, não supõe esmero de leitura e estudo, pois é um dom do Espírito Santo que por sua vez poderá conceder ao cristão que algumas verdades de fé se tornem patentes para a alma.

Os mesmos Mestres da espiritualidade Católica e os Padres da Igreja sempre nos exortaram da necessidade de unirmos à leitura, ou ao estudo sagrado o Espírito Santo, verdadeiro Mestre Interior. Existe sim, um perigo de cairmos numa contemplação intelectualizada, seca e sem frutos para a alma. Esta ausência de abertura à Graça Divina, do silêncio e da interiorização que antecedem o estudo das verdades da fé não levam o cristão à conversão sincera, mas o faz crescer intelectualmente acumulando conhecimentos, sem aquela reverência ao sagrado que toda alma piedosa deve conter.

Desta forma, dizia Santo Agostinho, “a exemplo do jardineiro que planta mas não é ele mesmo quem reveste os galhos com a sombra das plantas”, é o Espírito de Deus o responsável pela conversão interior daqueles que se deixam levar pelas exortações do Sagrado Magistério.

Continua Santo Agostinho:
“Não tendes necessidade de que alguém vos ensine: sua unção vos ensina sobre tudo” (1Jo 2,27).

Irmãos, então que estamos nós a fazer? Nós, que vos ensinamos? Se a sua unção é que vos ensina todas as coisas, nós com que trabalhamos sem necessidade! Para que havemos de falar tanto?...Pergunto, pois, a João, ele mesmo: tinham a unção aquelas pessoas a quem pregavas? Pois dizes: ‘A unção ensina sobre tudo’. Então, por que escreveste esta Epístola? Por qual razão? Por que edificas?

Vede aqui um grande mistério (magnum sacramentum). O som de nossas palavras chega a vossos ouvidos, mas o verdadeiro Mestre está dentro. Não penseis que alguém pode ser ensinado por outro homem. Podemos admoestar-vos pelo som de nossa voz, mas, se não está dentro de vós aquele que ensina, são vás as nossas palavras.

Quereis uma prova disso, irmãos? Não ouvistes todos vós este sermão? Quantos, contudo, vão sair daqui sem nada terem aprendido! Quanto dependeu de mim, dirigi-me a todos. Mas aqueles a quem esta unção não fala em seu interior, aqueles a quem o Espírito Santo não instrui no íntimo, esses retiram-se sem nada ter captado.

O ensino exterior é uma ajuda, uma exortação. Mas aquele que instruiu os corações esse possui sua cátedra no céu. E eis por que ele mesmo nos diz no Evangelho: ‘Quanto à vós, não permitais que vos chamem mestres, pois um só é o vosso Mestre, Cristo’(Mt 23, 8.9). Que ele fale pois, no interior.Lá onde nenhum homem penetra, pois, também se alguém está a teu lado ninguém está dentro de teu coração. Que cristo esteja no teu coração, ninguém mais. Que a sua unção esteja no teu coração, a fim de que esse seu coração não se encontre sedento no deserto, sem fonte onde possas saciar a sede. Está, portanto, no interior o Mestre que ensina. É Cristo que ensina. É a sua inspiração que ensina. A sua inspiração é a sua unção. É em vão que da parte de fora ressoam as palavras.

Assim, irmãos estas palavras que pronunciamos no exterior são o que o jardineiro é para a planta. Ele trabalha no exterior: rega, dedica-lhe todos os cuidados. Mas o que quer que faça no exterior, acaso é ele que reveste os galhos nus coma sombra das folhas? É ele que no interior faz algo de semelhante? Mas que o faz? Escutai o apostolo a se comparar a um jardineiro. Vede o que nós somos e ouvi o Mestre interior: ‘Eu plantei, Apolo regou; mas era Deu quem fazia crescer. Assim, pois, aquele que planta, nada é; aquele que rega, nada é; mas importa tão-somente Deus, que dá o crescimento’(1Cor 3,6.7)

Isso eu vos digo igualmente: quer plantemos, quer reguemos por nossas palavras, não somos nós que fazemos alguma coisa, mas aquele que dá o crescimento, Deus, isto é, a unção daquele que vos ensina todas as coisas.

Abandonai-vos à sua unção e ela vos ensinará”.
No entanto, há de se entender este mestre interior, o Espírito de Deus, como o verdadeiro responsável pela transformação da alma e não como argumento de que não há necessidade de uma autoridade para nos instruirmos na fé. Pensarmos assim, nos faria cair na heresia da Sola Escriptura que nega toda e qualquer autoridade religiosa para a verdadeira interpretação do texto sagrado.

Desta forma, atingiremos a contemplação adquirida, mediante a leitura contemplativa e abertura de coração à ação da Graça Santificante. Não permitamos que a recitação dos salmos, do Ofício Divino e tantas outras orações preciosas da Igreja de Deus não frutifiquem nos nossos corações por causa da dureza do nosso intelecto em se dobrar diante das inspirações do mestre interior. Sejamos dóceis e flexíveis.
“Ninguém creia que lhe baste a leitura sem a unção, a especulação sema devoção, a investigação sema admiração, a atenção sem a alegria, a atividade sema piedade, a ciência sema caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sema graça divina, a pesquisa humana sem a sabedoria inspirada por Deus”(São Boaventura – Itinerário da Mente para Deus)