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Antes de apresentar e falar um pouco sobre o Apostolado Moda e Modéstia, gostaria de convidar a todos a fazer uma reflexão: há alguma importância no modo como nós católicos nos vestimos – e se há, eu mesmo me visto de maneira que corresponda à essa importância? Começo com este questionamento pois existe uma estranha convicção de que católicos podem usar todo e qualquer tipo de roupa, e que o catolicismo não se preocupa com essas questões. Desse modo, independente do que nós conheçamos sobre o que a Igreja diz acerca disso, o bom senso ainda é capaz de nos apontar que atualmente a extensa maioria dos católicos não dá importância ao que veste. Com isso quero dizer que vivemos, ironicamente, num paradoxo: de um lado, compramos a idéia de que nenhuma roupa nos é proibida, de outro, quando questionados, quase sempre afirmamos que o vestir tem importância para o católico. Procurarei demonstrar um pouco essa situação na Igreja, e em seguida, oferecer caminhos para aqueles que desejam deixar o paradoxo.
A situação na Igreja
Em primeiro lugar, é preciso reconhecer a crise moral que o mundo atravessa hoje; em segundo, esta crise não pode ser distinta da crise da Igreja. Há, portanto, todo um processo revolucionário que visa desestabilizar e desconstruir os valores morais, que em última instância remontam sobre a metafísica ocidental, ou seja, o Deus cristão, representado pela Igreja Católica. Não é preciso ser um estudioso ou teólogo para perceber que há uma certa mudança das mentalidades e das tendências em todos os aspectos (religião, família, comportamento, política, etc.), e o mais interessante é nos determos sobre estas mudanças no plano religioso e notar o quanto elas corroboram para a idéia de uma crise na Igreja: padres que não crêem no inferno, outros que ensinam que independente de religião todos já estão salvos, religiosos que promovem aborto e homossexualismo, teólogos da libertação, progressistas, igrejas-galpão, hábitos abolidos, declínio da devoção mariana, desaparecimento das imagens sacras dos templos, etc. Ter domínio disso é de extrema importância para não começarmos a julgar as moças católicas que se vestem de maneira impudica na missa como únicas responsáveis pela decadência moral da paróquia. Outra coisa que devemos ter domínio é que aquilo que consideramos inadequado também passou por uma revolução, daí depreendemos a facilidade que temos em apontar o top e a mini-saia como impróprios para mulheres católicas, mas não apontamos como impróprias as calças e as blusas cavadas que constantemente mostram a barriga, as costas e parte dos seios (e que também fizeram, um dia, parte da revolução).
Apostolado Moda e Modéstia
Dito isto, podemos nos voltar para a idéia apresentada no primeiro parágrafo: a de que o catolicismo não se preocupa com o modo como os seus fiéis se vestem. À primeira vista podemos olhar para um apostolado chamado Moda e Modéstia e questionar se de fato a moda merece tanta atenção assim, e se esta moda se refere a uma moda especificamente católica, como se vê em diversas seitas protestantes em que as mulheres se vestem praticamente uniformizadas (nosso primeiro olhar recai sobre a mulher, mas para o homem também é importante o modo de vestir e de se comportar). De fato o Apostolado Moda e Modéstia refere-se, sobretudo, à virtude da modéstia, que é a virtude que diz respeito a como o católico deve refletir a Deus no seu modo de ser, vestir e agir; sendo assim, trata-se de um valor imutável e transcendente, ao passo que a moda é temporal, fugaz e tendenciosa. Nesta visão, não há uma moda católica, mas uma compreensão de que, através da modéstia, somos capazes de escolher com responsabilidade o que (na moda) representa um verdadeiro modo de ser católico. Ora, esse apostolado poderia chamar-se simplesmente Modéstia Católica, mas o fato de que justamente se chama Moda e Modéstia reflete o estado agonizante em que se encontra o modo de se vestir da mulher católica; e o objetivo do apostolado é elevar a consciência dessa mulher de seu papel na sacralização do mundo. É principalmente a moda – como mostra o trabalho do M&M - que vem atacando a virtude da modéstia, de modo que a mulher não pode vestir uma roupa justa sem que seu andar se modifique, seus gestos, sua fala, e em suma toda a sua psicologia seja alterada. O apostolado criado por Julie Maria ressalta que sua maior meta é a “revalorização da dignidade e vocação feminina e a evangelização da família, onde a mulher – como mãe e esposa – tem um papel essencial e insubstituível”. Julie Maria, que é mestre em Ciências da Família, estudou também Ética Sexual Católica e Teologia do Corpo. Apostolados e movimentos análogos, assim como áreas de estudos nas universidades católicas, vêm surgindo em todo o mundo, baseados nos ensinamentos do Magistério da Igreja, mostrando a relevância do assunto. Pio XII, na tese do Consecratio Mundi, diz que é papel do leigo sacralizar o mundo, e não apenas viver o catolicismo dentro do templo. O católico precisa ser católico todo o tempo, na faculdade, no trabalho, nas escolhas. Sacralizar o mundo significa levar a Igreja Católica em toda parte que se vá, e não transformar a si mesmo naquilo que o ambiente pede.
Caminhos para deixar o paradoxo
Vimos que o paradoxo consiste em reconhecer a importância do vestir para sermos bons católicos e, ao mesmo tempo, viver a incoerência no nosso modo de vestir. Mas não podemos deixar o paradoxo se não formos capazes de compreender esta incoerência. Como saber se eu, seja homem ou mulher, me visto de forma inadequada? Se não vamos propor aqui uma uniformização, devemos levar em conta o que a Igreja nos ensina, sempre ressaltando o que há de sadio na cultura na qual estamos inseridos. Deste modo, se dizemos que a Igreja ensina que o homem não deve adquirir costumes de mulher no seu modo de vestir, estamos dizendo que é ilícito para este homem usar maquiagem ou brincos, deixar o cabelo longo ou usar saias. Não cabe, portanto, reivindicar que os índios usam “piercings” e fazem tatuagem, ou que os escoceses usam saias - com o risco de cair no ridículo usando tais argumentos. O mesmo vale para as mulheres: na maior parte da cultura ocidental o costume de usar calças tem menos de 100 anos, e surgiu como uma revolução nas tendências, em muito ligado com a causa do feminismo, que quis igualar em tudo a mulher ao homem. Não se trata apenas de uma mudança, mas uma mudança violenta, cujas conseqüências foram desastrosas.
Dando meu testemunho, sei que é muito difícil reconhecermos em nós mesmos nossos equívocos e deficiências no modo de vestir. Minha mudança no guarda-roupa começou há pouco mais de um ano, e ainda não está terminada. Esta mudança partiu de uma necessidade de seguir mais fielmente a Igreja, cujos alicerces principais foram a devoção a Nossa Senhora e a amizade com a TFP Fundadores. Como leiga, participo de grupos da Igreja, tenho vida de oração, etc., mas compreendi que para sacralizar o mundo, como nos pede o papa Pio XII, deveria ser testemunho vivo da minha fé, ainda que não pudesse falar, ainda que fosse simplesmente à padaria. Nisto não está apenas a identificação da igreja a que pertenço (pois isto poderia se resolver com qualquer camiseta estampada com a imagem de Nossa Senhora ou com um crucifixo pendurado no pescoço), mas o valor que esta Igreja reconhece em mim enquanto mulher, e como Nossa Senhora, Rainha do Céu, representa a humildade em tudo, a ponto de suas escravas refletirem a Sua dignidade.
Acima de tudo, como afirmou Julie Maria acerca da missão do seu apostolado Moda e Modéstia, “não existe mudança autêntica de guarda roupa se ela não é fruto de um encontro com Cristo, de um grande desejo de amá-Lo, de brilhar como luz no mundo refletindo a Luz e a Beleza que vem de Deus. É ilusão pensar que uma mudança superficial de roupa possa mudar o coração humano.” Devemos, honestamente, nos perguntar se a nossa imagem corresponde a um verdadeiro encontro com Jesus Cristo e Sua Santa Mãe; se ao escolhermos a calça de cintura baixa, a blusa de costas nua, ou o vestido que mostra parte das coxas, estamos de fato escolhendo o evangelho e a vida dos Santos. Devemos nos questionar se o modo como nos vestimos não interfere verdadeiramente em nossas relações pessoais, as pessoas que temos amizade, quem escolhemos como companheiro(a), e se temos um namoro católico (puro, piedoso, virginal). Pensemos em Jacinta – uma das pastoras que viram Nossa Senhora de Fátima - quando disse, ao ver uma mulher usando decote nos seios (moda de 1917, vale frisar), que esta não sabia o mal que estava fazendo e o quanto isso desagradava a Nossa Senhora e seu Filho. Ora, sabemos que Deus é imutável. Estaria Deus, portanto, diferente hoje, porque a moda é outra?
Conheçam o Apostolado Moda e Modéstia: http://modaemodestia.wordpress.com/2009/08/16/apostolado-moda-e-modestia/
Poderíamos apontar, de acordo com o Magistério da Igreja, estas modas impróprias:
Em contrapartida, apontamos algumas opções da moda modesta: