terça-feira, 15 de setembro de 2009

Entrevista do Acarajé Conservador à Revista Lupa - Facom - Ufba

Segue a entrevista que o Grupo de Estudos do Pensamento Conservador deu à Revista Eletrônica Lupa, mantida pela Faculdade de Comunicação da Ufba, e que se encontra no link. A entrevista foi dada no dia 04 de setembro de 2009, no próprio campus da Universidade.

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Por Rodrigo Aguiar em setembro 14th, 2009

A Lupa Digital entrevistou a quase totalidade dos integrantes do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador. Há cerca de um ano, eles mantêm o blog Acarajé Conservador. Confira abaixo os trechos mais importantes do bate papo com Pedro Ravazzano, Ricardo Almeida, Fabrício Soares, Edson de Oliveira, Vinícius Mascarenhas e Vladimir Lachance.

LUPA -Afinal de contas, o que é ser um conservador?

Ricardo Almeida – Conservadorismo é, basicamente, uma vertente política que toma a existência da tradição como um dado positivo. Agora, você tem uma variabilidade muito grande: há conservadores de vertente monarquista, outros são conservadores “liberais”. Todas as vertentes partem da idéia de que se deve reportar a essa tradição, porque ela possui um conhecimento, uma sabedoria que transcende os indivíduos e pode ser acolhida como um cabedal de informações importantes.

L - No texto “Os Dez Princípios Conservadores”, do Russel Kirk, ele defende que o conservadorismo não é propriamente uma ideologia e sim uma tendência, uma disposição, um caráter. Faz sentido falar em uma ideologia conservadora?

Ricardo Almeida – O termo ideologia sugere idéias que são alheias ao conservadorismo. Quando Marx emprega o termo ideologia, ele o faz para designar um conjunto de proposições teóricas que encobrem um determinado interesse de classe, que está ligado a essas proposições. Os conservadores não partem dessa idéia, porque acreditam que, em primeiro lugar, uma teoria pode ser julgada apenas pelo seu próprio valor, independente de qualquer associação política, econômica ou social. Em segundo lugar, nem sempre, aliás muito frequentemente, um indivíduo que defende o conservadorismo não pertence às classes dominantes nem tem nenhum interesse econômico.

L - Frequentemente, os conservadores são acusados de serem intolerantes. Ainda nos “Dez Princípios”, o Russel Kirk fala no princípio da diversidade. Queria que algum de vocês comentasse sobre isso.

Vinícius Mascarenhas – Eu penso que as pessoas confundem muitas vezes o termo “conservador” com palavras que são utilizadas no senso comum. Por exemplo, as pessoas costumam dizer que é conservador qualquer coisa que seja intolerante. Então, o raciocínio é “se é intolerante, é conservador” e não “os conservadores são intolerantes”. Tudo que eles acham ruim chamam de “conservador” ou “de direita”, de maneira pejorativa. Agora, do ponto de vista que o Russel Kirk usa o termo “conservador”, é muito natural falar em diversidade, sobretudo partindo da tradição norte-americana, a qual ele é ligado. Pode-se falar também em pluralismo, que é uma abordagem do filósofo Michael Novak. Então, o conservadorismo não está fechado e o nosso grupo é uma prova disso. Temos pessoas da TFP [Tradição, Família e Propriedade], como é o caso do Sr. Edson. Temos pessoas que não são de religião alguma, tem outros que…
Pedro Ravazzano – São de todas. (risos)

*O grupo faz referência ao fato de Ricardo ser adepto da Filosofia Perene.

Edson de Oliveira – Muitas vezes, as pessoas criticam, por exemplo, que o Papa condene o preservativo e o chamam, num tom pejorativo, de “conservador”. Isso vai na linha de tentar tachar o Papa como um ditador, mas a meu ver o ditador é essa pessoa, porque ela não considera que alguém possa ter uma opinião diferente dela. Ela não quer que o Papa tenha a liberdade de expressar um pensamento da doutrina católica. No fundo, ela quer que o Papa fale o que ela quer ouvir.

L - A defesa de certos valores morais supremos está necessariamente ligada à religião?

Edson de Oliveira – Não, por causa do Direito natural. Através dele, qualquer pessoa (como Aristóteles, que não era católico nem nada) pode defender certos valores como supremos.
Fabrício Soares – Atualmente, isso é pouco comum, mas tradicionalmente muitos filósofos acreditavam na existência do universal, que é algo que transpõe o cultural. Platão, por exemplo, quando pensava em ética, não pensava a ação humana apenas para os gregos. Em diferentes sociedades humanas, é possível constatar comportamentos semelhantes como, por exemplo, a rejeição ao incesto. A existência desses pontos em comum mostra que certas coisas não são apenas convenções de uma dada cultura, mas sim coisas que precisam acompanhar o ser humano em qualquer lugar. Isso é uma prova da existência do Direito Natural, que precede a constituição mesma da sociedade.

L - Muitos críticos do conservadorismo apontam como seu “calcanhar de Aquiles” o fato dele não se constituir como uma ideologia.

Pedro Ravazzano – Eu não acho. Pelo contrário, acho que isso é um ponto positivo do conservadorismo. Existe uma base estrutural essencial pra qualquer pessoa que se considere conservadora, mas sobre ela cada um tem liberdade de pensamento. Veja o nosso grupo, por exemplo. Tem ateus, tem católicos, tinha protestantes…

L - Ateus no grupo?

Pedro Ravazzano – Fabrício é ateu. Tem Ricardo… (risos)
Ricardo Almeida – Deixa eu explicar. Em termos de religião, eu sigo uma vertente muito estranha pra maior parte das pessoas, que é o tradicionalismo, chefiado por René Guénon, Frithjof Schuon… Basicamente, o tradicionalismo é uma teoria de explicação das religiões que parte da ideia de que o que unifica todas as tradições é a base metafísica comum. Cada uma tem as suas particularidades dogmáticas, culturais e simbólicas, mas todas elas se referem a uma mesma estrutura metafísica da realidade e é esta estrutura que permite dizer que todas as religiões, se ortodoxas, conduzem ao mesmo lugar.

L - E dentro daquele espectro direita-esquerda, todo direitista é um conservador?

Ricardo Almeida – Não. A direita abriga pessoas das mais variadas formações. Liberais, anarco-capitalistas… Nem todo direitista é conservador, embora a direita abrigue o conservadorismo. Mas há um problema em definir alguém como de direita ou esquerda, porque esses termos não têm uma definição muito clara, são palavras usadas a esmo…

L - Mas vocês usam no blog. Esquerdismo, esquerdista….

Ricardo Almeida – O meu uso ainda é um pouco vago. Eu já li bons textos que tratam dessa dicotomia direita-esquerda, mas não cheguei a ter uma definição clara.
Fabrício Soares – O termo “esquerdismo” é muito mais definido do que “direitismo”. “Esquerda” é uma expressão cuja conotação foi atribuída principalmente pelos que se colocam dentro dessa denominação.

L - E a esquerda “inventou” a direita pra colocar tudo que era contrário a ela?

Fabrício Soares – De certa forma, sim.
Pedro Ravazzano – Como eu estava comentando com Ricardo, hoje a esmagadora maioria das pessoas que se auto-intitulam “de direita”, como se isso fosse um caráter de distinção, são defensores de um conservadorismo ou de um liberalismo infantil, que acha que votar no PSDB é ser de direita. É aquele direitismo que não tem nenhuma base. Além disso, esse esvaziamento do que é ser conservador ou ser de direita aqui no Brasil foi basicamente uma conseqüência do regime militar. Como a esquerda se auto-intitulava defensora da liberdade e do povo e o regime militar era visto como algo conservador, então o conservadorismo foi visto como esse monstro autoritário. Só que isso não existe, porque nós sabemos muito bem que os movimentos terroristas do regime militar não queriam derrubar a ditadura, queriam trocar uma ditadura por outra, muito mais cruel.

L - Existe partido de direita no Brasil?

Pedro Ravazzano – É uma pergunta complicada, porque no Brasil não existe uma fidelidade ideológica partidária. Os partidos de esquerda são muito mais ideologizados do que os partidos de “direita”, como o PSDB e o DEM. O PSDB é visto como o baluarte da direita conservadora no Brasil, mas, pelo amor de Deus, quem em sã consciência crê nisso? O próprio presidente Lula, em visita a Argentina, declarou que estava feliz porque todos os possíveis candidatos à presidência eram de esquerda. O único partido que talvez tenha uma sintonia a mais é o DEM, não o atual, mas o antigo PFL. Se você lesse a carta de apresentação do PFL, havia um viés liberal. Não um liberalismo convicto, mas mitigado. Depois que o PFL virou DEM e praticamente se tornou uma sucursal do PSDB, as coisas mudaram. O partido saiu da centro-direita e virou um partido de centro; centro que vai pela maré, de acordo com a situação.
Edson de Oliveira – No Brasil, existe político de direita, mas não partido. Por exemplo, o Lael Varella, do DEM. E tem também aquele da Polícia Militar de São Paulo, o Coronel Paes de Lira.
Pedro Ravazzano – Que entrou no lugar de Clodovil. E Clodovil, por incrível que pareça – pra você ver como o Brasil é uma caricatura – despontava como um conservador. (Risos). Foi vaiado pelo movimento gay. Era criticado pelo movimento negro.

L - Uma crítica muito comum da esquerda é a de que os meios de comunicação são dominados pela direita. Qual a visão que vocês têm do jornalismo, em particular o brasileiro?

Ricardo Almeida – Sobre essa questão, eu acho que deveria ser feito o que uma vez sugeriu o professor Olavo de Carvalho [filósofo brasileiro], faz uma centimetragem. Pega os arquivos dos principais jornais e mede o conteúdo escrito. Faça isso de maneira casual e você vai ver que a imensa maioria das matérias tem viés claramente esquerdista. Todo mundo diz que a mídia é de direita, mas eu peço que listem os jornalistas de direita.

L - Num balaio de gato, costumam citar Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi…

Pedro Ravazzano – Daqui a pouco, William Bonner é de direita.
Ricardo Almeida – Tudo bem, ainda vai. Mas Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi representam a imensa maioria?
Pedro RavazzanoJoão Pereira Coutinho.
Ricardo Almeida – Mas esses se destacam justamente porque fogem da regra. O foco incide sobre eles porque tem alguma coisa ali saindo do normal. Ora, se sai do normal, é porque o normal é o esquerdismo. Essa visão de que a mídia, o jornalismo é de direita se baseia no fato de que a esquerda parte da idéia de que existe uma classe que comanda os jornais e que esses donos dos jornais são de direita. Acontece o seguinte: embora você tenha essas famílias que comandam o jornalismo, como os Mesquita [Estadão], os Frias [Folha de S. Paulo], os Marinho [Globo], o que se escreve nos jornais não está de acordo com uma ideologia que porventura os donos desses jornais tivessem.

L - Que autores vocês lêem, discutem?

Vladimir Lachance – Edmund Burke, que é considerado o pai do conservadorismo moderno. Curiosamente, ele não era considerado um conservador porque fazia parte do Partido Liberal inglês. Mas o princípio das idéias dele é o que deu origem a teoria do conservadorismo moderno, retomada por Russel Kirk. Tem T.S.Elliot. No Brasil, Olavo de Carvalho. Chesterton é outro que lemos bastante. Hilaire Belloc, um católico que se dizia de esquerda, mas que tinha idéias que iam de encontro ao que a gente considera de esquerda hoje.
Pedro Ravazzano – Michael Oakeshott. O Roger Scruton, eu leio o blog dele. E tem algumas leituras complementares, que não são autores propriamente conservadores. Em economia, tem os economistas da Escola Austríaca: Hayek [Friedrich Hayek], von Mises [Ludwig von Mises]…
Vladimir Lachance – Mais ligado à tradição católica tem o Dr. Plínio [Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da organização católica Tradição, Família e Propriedade (TFP)].
Fabrício Soares – Olavo de Carvalho, além da contribuição pessoal importante, nos apresenta vários autores que não ouvimos falar em sala de aula.

L - Por quê o nome do blog é Acarajé Conservador?

Edson de Oliveira – Na época em que estávamos discutindo o nome, surgiram várias sugestões, inclusive “Zero à direita”. Daí alguém sugeriu que fosse “Café Conservador”, mas café é coisa do Sul. Tinja que ser alguma coisa da terra, daí veio a idéia do acarajé.
Pedro Ravazzano – Tá vendo? Defendemos a tradição baiana. (risos).
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Segue o link da apresentação da entrevista:

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Viva a decadência!

O Ministro Carlos Minc encarna, com louvor, o espírito do brasileiro moderno. A decadência atual é gritante e aberrante. A desconstrução da identidade nacional se encontra intimamente ligada à crise moral e civilizacional. Não por menos, o grande motor dessa caricatura de país é o pensamento de cunho socializante; consciência ecológica, legalização da maconha, militantes petistas, festas homossexuais, descriminalização do aborto, discurso racial, luta de classes, relativismo moral, MST, clichês sociais, tudo vem do mesmo buraco podre!

domingo, 13 de setembro de 2009

A Igreja nos EUA e a Liberdade

Trecho da Pastoral Coletiva de 1890, do Episcopado Brasileiro:

Transcrito por Pedro Ravazzano

Temos, enfim, os Estados Unidos, a criação gigantesca do gênio de Washington que marcha hoje na vanguarda dos grandes povos prósperos, apontada por todos os nossos políticos como o perfeito modelo de uma república democrática.

Seja assim, - bem que não partilhemos o entusiasmo dos que só querem ver nas margens do Missouri e do Hudson um Éden todo de flores, antes conheçamos bem as desordens profundas e os graves perigos que ameaçam a sociedade americana – seja assim! Mas a separação da Igreja do Estado na grande república da América do Norte terá sido inspirada pelo espírito do ateísmo, do positivismo, do materialismo? Terá sido obra do ódio, do desprezo da Religião e do Cristianismo?

Muito arredio da verdade andaria quem assim o cuidasse.

Sem dúvida dá-se naquele país separação entre a Igreja e o Estado, mas este fato não é ali a expressão de ódio ou desprezo do princípio religioso. Muito ao contrário foi o meio único de garantir com eficácia o livre exercício do culto às diversas e multiplicadíssimas confissões religiosas em que se achava desde seu começo, e se acha ainda retalhado aquele país. Não tendo nenhuma dessas numerosíssimas confissões preeminência sobre as outras, fora um ato soberanamente impolítico, origem de graves perturbações, dar o governo preferência oficial a algumas delas.

Não há ali, pois, religião de Estado, nem poderia havê-la, estando a nação dividida em tantas seitas antagônicas. Mas erro fora capacitar-se alguém de que o governo americano, por não reconhecer um culto determinado, se desinteressa da Religião e a nenhuma respeita.

A constituição federal dos Estados Unidos tão fora está de ser indiferente em matéria religiosa, que está toda baseada no princípio que existe uma Religião verdadeira incumbida de dirigir todas as ações dos homens, e que essa Religião deve ser respeitada e mantida, como o primeiro elemento da ordem social. Washington, despedindo-se de seus concidadãos em 1796, disse essas memoráveis palavras:

Religião e moralidade, eis aqui os esteios indispensáveis de qualquer Estado. Deixem de gabar-se de patriotas aqueles que querem abalar estas colunas fundamentais do edifício social. O verdadeiro patriota deve honrá-las e amá-las. Um livro volumoso não bastaria para mostrar quanto elas promovem a felicidade do povo e de cada indivíduo.”

Ora vede agora se a legislação dos Estados Unidos, inspiração do gênio potente de Washington, podia exalar o mau e pestilento espírito do ateísmo, do desprezo da Religião! De nenhum modo.

A triste máxima de que a lei é atéia e não pode deixar de sê-lo, diz Claudio Janet, máxima que desde 1789 inspirou quase constantemente a legislação francesa, não se poderia articular na América do Norte sem suscitar unânime reprovação. O Cristianismo é ali verdadeiramente a religião nacional. Longe de ficar encantoado pela lei ou pelos preconceitos no domínio da consciência privada e do lar doméstico, tem permanecido, ao menos até nossos dias, como a primeira das instituições públicas.”

Ajuntemos aqui o grave testemunho de Story, sábio professor de direito da universidade de Harvard, em seu Comentário sobre a constituição federa dos Estados Unidos.

O direito de uma sociedade ou de um governo de interferir em matérias que interessam à Religião, diz ele, não pode ser contestado por todos os que pensam que a piedade, a moral, a Religião estão intimamente ligadas ao bem do Estado. A propagação das grandes doutrinas da Religião, a existência, os atributos de um Deus onipotente, nossa responsabilidade para com Ele em todas as nossas ações, o estímulo das virtudes pessoais e sociais, todas essas coisas não podem ser objeto de indiferença para uma sociedade bem ordenada.

Todo o homem que crê na origem divina do Cristianismo, considerará como um dever do governo mantê-lo e animá-lo entre os homens. É coisa inteiramente distinta da liberdade de juízo em assuntos religiosos e da liberdade de cultos segundo as inspirações da consciência... Provavelmente na época da adição da Constituição e das emendas pensava-se geralmente na América que o Cristianismo devia ser animado pelo Estado, tanto quanto se podia fazer sem ferir a liberdade de consciência e dos cultos.

Toda tentativa para nivelar as religiões, ou para erigir em princípio de governo a mais completa indiferença a tal respeito teria levantado uma reprovação, talvez uma indignação geral:... O dever de animar a religião, maiormente a Religião Cristã, é todo diferente do dever de constranger a consciência dos homens, ou de os punir, porque adoram Deus de outra maneira.

Até aqui o douto escritor americano.

A lei dos Estados Unidos não só não professa o ateísmo, como nem permite a propagação desta infame doutrina. Citemos um exemplo bem frisante. Formara-se, não há muitos anos, uma sociedade de ateus no estado da Pensilvânia, e um membro desta associação legou-lhe, ao falecer, todos os seus haveres, que eram avultados, com a obrigação de estabelecer ela uma escola pública de incredulidade. Houve quem impugnasse este legado, e foi levada a questão dos tribunais. Ora bem! Ouvi como dirimiu tal demanda a Corte Suprema, proferindo a seguinte luminosa sentença:

A lei da Pensilvânia não reconhece sociedade de ateus: permite somente a formação de sociedades literárias, religiosas e de beneficência, mas não permite que se escarneça publicamente e se insulte a religião revelada da Bíblia. Uma escola, onde se ensine o ateísmo, serve para tal fim e põe os meninos no caminho das galés e as meninas no da prostituição.”

Mas não basta dizer que a Confederação da América do Norte não é um Estado ateu e repele com horror o ateísmo. Vai além e faz profissão pública do Cristianismo.

Analisando e resumindo uma interessante conferência do Sr. Claudio Janet acerca da separação da Igreja do Estado nos Estados Unidos do Norte, eis como se exprime um egrégio escritor:

Longe de ser ateu (o Estado norte-americano ), é religioso, cristão até, porque toma por base as crenças e prescrições fundamentais do Cristianismo no que toca à ordem social. As legislações proclamam o respeito que se deve a Jesus Cristo como divino fundador do Cristianismo e os tribunais punem a blasfêmia pública. Nos dias de crise e de perigo, prescreve o Presidente um dia de jejum e de humilhações; cada ano um dia solene é consagrado a dar graças à Providência pelos seus benefícios. A lei do domingo é rigorosamente respeitada; a unidade do matrimônio rigorosamente mantida, e, se é permitido o divórcio, é isto antes obra do protestantismo do que da legislação civil, que se preocupa de torná-la mais dificultoso. O casamento conservou o seu caráter exclusivamente religioso: lá não existe ato civil. Não assalaria o Estado culto algum, mas respeita os legados feitos em favor das Igrejas. Os membros do clero, em razão das suas funções estão isentos da milícia. O poder repressivo de cada Igreja é reconhecido pelos tribunais, que recusam aos excomungados toda ação em justiça contra aqueles que os fulminaram de censura, pela razão de que nenhum tribunal sobre a terra pode fiscalizar a jurisdição eclesiástica (Relação do Kentucky, 1873; Relação de Nova York).”

Mas nos atos soleníssimos da vida nacional intervém oficialmente o Cristianismo. Os congressos, tanto federais como particulares, não abrem vez alguma as suas sessões sem preces públicas presididas por ministros, ora de um, ora de outro culto, não sendo raro chamarem-se para esse ministério até Sacerdotes Católicos. Conhecida é a severidade da lei que manda guardar o dia do Senhor em todo o território da república: suspendem-se os trabalhos, calam-se as oficinas, fecham-se as lojas, permitindo-se apenas as obras de necessidade e caridade. E tal é o rigor da observância dominical que coincidindo o domingo com o aniversário natalício de Washington, ou o da declaração da independência, dias de grande solenidade para os povos da União, cede o Estado à Igreja, e se transfere para o dia seguinte a festa civil.

Em relação especialmente ao Catolicismo cumpre notar que o Estado reconhece a Igreja Católica para a defesa dos interesses dela, o direito de representação legal, o qual é exercido pelo Bispo, Vigário geral, Pároco e dois leigos. Reconhece-lhe o pleno direito de propriedade, mesmo sobre fundos estáveis, e o direito de instrução pública, não só em escolas primárias, senão também em colégios superiores, onde podem os católicos educar a mocidade segundo os princípios de nossa Religião. Ainda há pouco fundou-se com a autoridade da Santa Sé uma grande Universidade católica em Washington, e o Presidente da república federal não julgou afrontar as crenças das outras comunidades religiosas, comparecendo oficialmente e com pompa às festas solenes da inauguração. Do mesmo modo, não se dedigna o Presidente de manifestar, com caráter público, o seu respeito pelo Chefe supremo do Catolicismo, como se viu por ocasião do recente jubileu sacerdotal de Leão XIII.

No exército, na armada, nas prisões achareis capelães católicos exercendo o seu sagrado ministério com a máxima liberdade, sem que ninguém veja nisto lesão ao princípio da separação dos dois poderes. Os missionários católicos, ocupados na civilizadora obra da catequese dos índios, recebem diretamente do Estado subsídios pecuniários para a sua subsistência pessoal e custeio de suas respectivas missões. Além disto, as ordens religiosas e demais estabelecimentos católicos gozam da mais ampla liberdade, e são até positivamente favorecidos por legislações particulares que de muito bom grado lhes concedem a personalidade jurídica. Enfim, o Natal nos Estados Unidos é uma festa nacional!

Ah! Quem nos dera ver os estadistas nossos, muitos dos quais se desvanecem de católicos, tratar o Catolicismo com o mesmo respeito, acatamento e deferência como é tratado pelos estadistas protestantes da União norte-americana!

Portanto, já que todos convém que não podemos escolher melhor, nem mais acabado, nem mais conveniente modelo do que a grande Confederação norte-americana, aprendamos ao menos dela como se assentam as bases de uma nação sobre os sólidos fundamentos da mais ampla e respeitosa liberdade. Aprendamos ao menos dela a fazer caminhar sempre a ação social do Estado de acordo com os princípios fundamentais do Cristianismo. Aprendamos ao menos dela a não considerar como o ideal do progresso e da civilização o subtrair-se sistematicamente a parte dirigente de um Estado a todo influxo da idéia religiosa.

Deixando de lado o que lá dá-se de mau, imitemos o bom, imitemos o modo largo de encarar as coisas, a confiança no progresso do país pela Religião, pela Justiça, pela liberdade, pelo respeito da lei, pela fecunda iniciativa de cada cidadão na grande obra do progresso social. Lá vivem hoje dez milhões de católicos, de cem mil apenas que eram há um século, com 62 Bispos, 13 Arcebispos, entre eles um Cardeal, e com Clero numerosíssimo mas com o governo americano – e basta ser americano para assim proceder – não se arreceia de tão espantoso progresso. Ele sabe que os Bispos, os Padres, os Católicos, são os melhores cidadãos, os melhores amigos da república.

Deixemos os acanhamentos miseráveis da nossa raça, os mesquinhos ciúmes e desconfianças, a atrofiante mania de querer o governo regular tudo, até a Religião, e deixemo-la livre e facilitemo-lhe os aumentos, que com isso só terá que lucrar o Estado.

Imitemos o respeito ao Cristianismo, de que aquele estupendo povo tem oferecido nobilíssimo exemplo à admiração dos outros povos.

Imitemo-lo neste ponto, que não é a menor de suas glórias e grandezas.

(...)

Há porém, uma forma de que quiséramos ver-nos revestir hoje mais particularmente o vosso amor para com a Igreja; quiséramos ver-vos todos empenhados na difusão da imprensa católica, como um meio de atalhar quanto possível os estragos da imprensa ímpia.

Ouçamos a este respeito o episcopado dos Estados Unidos. – Reunidos em Concílio plenário na cidade de Baltimore, tendo à sua frente o eminente e doutíssimo Cardeal Gibbon, Arcebispo daquela cidade e Primaz de toda União norte-americana, dirigiram há pouco aqueles venerandos Prelados a todo o clero e fiéis da grande República uma Carta coletivo resumindo as deliberações do Concílio, e por ocasião do assunto de que falamos se exprimiram por estas memoráveis palavras, que fazemos nossas:

Pais católicos, escrevem eles, deixai-nos chamar a vossa atenção para esta importante verdade, que de vós única e individualmente deve depender na prática a solução do importante argumento, se deve, sim ou não, realizar a imprensa católica a grande obra que dela esperam a Providência e a Igreja nos presentes tempos.

A missão providencial da imprensa foi tão frequente e altamente tratada pelos Papas, Bispos e escritores católicos de distinção; as suas palavras foram tão assiduamente citadas por toda a aparte, que de certo ninguém mais precisa de argumentos para ficar convencido desta verdade.

Tudo isto, porém, não passará de vozes no ar, enquanto os pais de família não assentarem bem naquele princípio e não o possuem em prática em suas casas. Se o chefe de cada família católica quer reconhecer como privilégio seu, e também como seu dever contribuir para sustentar a imprensa católica, assinando uma folha católica ou mais, e pondo-se à par com as informações que ela publica, então a imprensa católica atingirá seguramente o seu legítimo desenvolvimento e exercerá a missão a que é destinada.

Mas escolhei uma folha que seja inteiramente católica, instrutiva e edificante; e não uma folha que, com nome e pretensões a católica, não o seria nem pelo seu tom nem pelo seu espírito, irreverente à autoridade constituída, ou mordaz e sem caridade para com seus irmãos católicos.”

(...)

Mas para refutar plenamente a imputação que nos fazem os inimigos da Igreja, aqui vamos trasladar um passo na notável Pastoral Coletiva já citada, em que aqueles insignes Prelados exprimem francamente o que pensam de sua pátria, e o que a sua pátria pensa deles.

Oh! Dignos Cooperadores e Filhos muito amados, e vós todos, homens políticos que não quereis de propósito fechar os olhos à evidência dos fatos, ouvi o testemunho solene que dá o respeitável corpo Episcopal dos Estados Unidos à verdade que aqui estamos enunciando.

Em nosso próprio país, dizem os respeitáveis Prelados, escritores e oradores, que só conhecem a Igreja sob disfarces dos preconceitos, têm, de tempos em tempos, feito eco às mesmas acusações. Mas apesar de excitações locais e passageiras, o bom senso do povo americano prevaleceu sempre contra a calúnia.

Parece-nos poder falar de cadeira das leis, das instituições e do espírito da Igreja Católica, bem como das leis, instituições e espírito de nossa pátria, ora, nós declaramos solenemente que não há entre eles antagonismo algum. Um católico está como em sua casa nos Estados Unidos porque a influência de sua Igreja sempre se exerceu em proveito dos direitos individuais e das liberdades populares. E o Americano de espírito reto em nenhuma parte se acha tanto em sua casa como na Igreja Católica, pois em nenhuma outra parte pode respirar essa atmosfera de verdade divina, que, só, nos pode fazer livre.

Nós repudiamos com igual força o afiançar-se que devemos sacrificar alguma coisa do amor à nossa pátria para sermos católicos fiéis. Dizer que a Igreja católica é hostil à nossa grande república, porque ensina que todo o poder vem de Deus, porque, em consequência, atrás das leis vê a autoridade de Deus, como sanção delas, é acusação a tal ponto ilógica e contraditória, que ficamos assombrados de vê-la sustentada por pessoas de uma inteligência ordinária...

Não seria menos ilógico sustentar que há no livre espírito de nossas instituições americanas alguma coisa de incompatível com uma docilidade perfeita para com a Igreja de Jesus Cristo. O espírito da liberdade americana não é um espírito de anarquia ou de licença. Inclui essencialmente o amor da ordem, o respeito da autoridade legítima e a obediência às justas leis.

Não há no caráter americano mais amoroso da liberdade que possa vexar sua submissão respeitosa à autoridade divina do Nosso Senhor, ou à autoridade por ele delegada aos seus Apóstolos e à sua Igreja. Não há no mundo mais delicados aderentes à Igreja Católica, a Sé de Pedro e ao Vigário de Cristo, do que os católicos dos Estados Unidos.

Idéias, ciúmes acanhados, insulares ou nacionais, contra a autoridade eclesiástica e a organização da Igreja puderam outrora irromper naturalmente na política egoísta de certos chefes de nações. Mas essas idéias e esses ciúmes não encontram simpatia alguma na educação religiosa, impedi-lo-iam de submeter-se, em matéria de fé, às pretensões do Estado ou de outra autoridade humana. Aceita a Religião e a Igreja que vem de Deus, e que ele bem sabe são universais – não nacionais ou locais – para todos os filhos dos homens, não para uma tribo ou raça particular.

Não nos gloriamos de ser – e mercê de Deus de ser para sempre – não a Igreja americana, ou a Igreja dos Estados Unidos, ou toda outra Igreja, em sentido limitado ou exclusivo, mas uma parte integrante da Igreja, Uma, Santa, Católica e Apostólica de Jesus Cristo, na qual não há distinção de classes ou de nacionalidade, na qual todos são um em Jesus Cristo!

Ouvis, dignos Cooperadores e Filhos diletíssimos?

Estas vozes, estes protestos do ínclito Episcopado e de todo o povo católico da poderosa república da América do Norte ressoam alto e vem achar um eco fiel cá na América do Sul, no nosso caro Brasil, por entre as balizas dos dois Oceanos. Estes protestos exprimem os nossos sentimentos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Congregação religiosa ou Militância feminista?

O que isso parece para você? Uma reunião de condomínio? Quem sabe algum encontro de militantes feministas? Se enganou! Veja as próximas fotos:
Sim, meu caro leitor! Estamos falando de uma congregação religiosa, ou, ao menos, teoricamente religiosa. As fotos geram um impacto visual, mas a diferença vai além do não uso do hábito. De um lado temos uma Congregação piedosa, fiel ao carisma e aos fundadores, que prima pela oração, conversão, santificação dos homens e salvação das almas. Do outro lado uma Congregação que acredita na religião como ferramenta libertadora, que corrompe e modifica o carisma, que esquece os fundadores e deforma a própria história para adaptá-la aos paladares heréticos. Em suma, vai muito além de uma simples veste. Não por menos, hoje em dia, o uso do traje religioso se tornou um selo de qualidade. Até porque, quase todos aqueles que nutrem radical ojeriza ao hábito são defensores de heterodoxias e distantes do tradicional espírito católico.

Notre-Dame de Sion, priez pour nous!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mãe Stella de Oxóssi e o Sincretismo

A mais famosa iyalorixá do candomblé, na atualidade, Mãe Stella de Oxóssi, tem se levantado em combate ao sincretismo religioso. Mesmo reconhecendo a falsidade essencial da crença afro-brasileira, que não só é mentirosa como de dimensão teológica diminuta, a postura de Mãe Stella é muito pertinente na realidade atual, onde o relativismo força uma comunhão entre religiões que são opostas em suas bases doutrinais. A senhora do candomblé entende que o sincretismo favorece o enfraquecimento das crenças envolvidas, estimulando a formação de uma fé instável e sem qualquer fundamentação.

Que mundo é esse?! Eu assumo que preferia ter publicado uma nota falando que o Cardeal de Salvador havia não só condenado o sincretismo de maneira clara e objetiva - o que ele já fez, mas não com o afinco necessário - como punido e distanciado os Sacerdotes que abriam as portas das Igreja para o candomblé - e todos sabem onde estão essas igrejas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vida e Morte de Ir. Sorriso

Por Sem. Diego Ferracini

Jeanne Paule-Marie, nasceu em 17 de outubro, de 1933, na Bélgica. Entrou para as monjas dominicanas no ano de 1959, ficou conhecida mundialmente por uma de suas músicas, “Dominique”, sendo interpretada nas mais diversas línguas. Soeur Luc-Dominique (seu nome religioso) ficou popular em capas de revistas e canais de televisão, era o ano de 1963.

O codinome e a imagem de Soeur Sourire encantaram o mundo pela inocência e simplicidade demonstrada. Aquele violão e sua voz atingiram campos jamais desbravados por uma monja dominicana, mas o caminho de Soeur Sourire logo mostrou-se trágico e, até mesmo, tenebroso.

O seu grande sucesso, uma homenagem ao fundador da Ordem Dominicana, atingiu pessoas das mais diversas idades e culturas. Qual a surpresa ao ver na televisão aquela religiosa com um sorriso no rosto cercada por algumas outras irmãs fazendo coro, cantando as virtudes de São Domingos para pessoas que nem mesmo o Cristo conheciam.
A “monja cantora” ficou semanas em primeiro lugar na Billbord Magazine. Após o grande sucesso retomou aos estudos na Universidade Católica de Louvain, onde, em 1966, após uma crise vocacional, “descobriu” ser o convento e a vida religiosa anacrônicos ao mundo moderno, desistindo da vida religiosa, pedindo a exclaustração.

Em 1967, ainda com o nome de religiosa com o qual fez carreira, lançou músicas fazendo apologias aos contraceptivos. Motivada, segundo ela própria, pelo Vaticano II, tentou encontrar novas formas de “igreja”; rebelou-se contra o “machismo opressor”, contra a Igreja Católica e seus “conservadores” terminando, assim, por assumir a sua homossexualidade.

Sua vida conturbada é ladeada por graves crises financeiras. Em uma tentativa desesperada lançou em 1982 o seu antigo sucesso “Dominique” em uma versão disco, corrente na época. As autoridades fiscais belgas perseguiam Jeanne que não possuia mais como sobreviver diante das dívidas que contraiu e, em uma última cartada, pediu ajuda da antiga congregação da qual fez parte. As religiosas ajudaram de imediato somente com a condição de que Jeanne não acusasse mais publicamente a congregação de seus desastres.
No dia 29 de março de 1985, Jeanne Paule-Marie cometeu suicídio com sua companheira Annie Pécher, após um período intenso sobre efeito de álcool e entorpecentes.

A história de Jeanne (Soeur Sourire) é um exemplo claro e triste, de como a vida religiosa aliada inadequadamente a atividades que não lhe são características pode ser prejudicada e terminar de forma trágica. Quantos não sentiram-se chamados à vida religiosa vendo a alegria de Soeur Sourire cantando e ainda assim sendo religiosa? Os estágios do declínio de Jeanne são perceptíveis, passam do abandono da vida religiosa ao mais extremo desespero humano. Alguns podem alegar que a mudança radical da dominicana foi fruto do “aggiornamento” conciliar, mas não vejo sentido em alegar que arrancar o hábito, defender o aborto, o vício e a pederastia seja viver santamente a fé cristã no mundo moderno.

Pelas fotos percebemos aquilo que, na história da religiosa, é muito nítido; a transformação ocorrida quando da retirada do hábito. A veste dominicana representava a identidade própria de Ir. Sorriso, aquilo que acreditava, seguia e se fiava. Servia como uma verdadeira identidade. Interessante que, quanto a isso, o hábito não serve apenas como testemunho para o próximo, mas também como um constante aviso a quem usa acerca da missão e incumbência recebida quando da vestimenta do traje religioso. Que o hábito não faz o monge, é um tanto óbvio, mas ele lembra ao monge quem ele é!
Seria a Soeur Sourire uma infeliz moça presa em um hábito medieval e cercada por outras mais infelizes religiosas? Sabemos que os casos de suicídio e exclaustração na época imediatamente pós-conciliar são grandes e sérios. O que a motivou nesta derrocada? Um desejo, como ela afirma, de encontrar uma nova “igreja”? Onde ela enterrou aquela singela monja cantora?

A crise pós-conciliar foi sofrida e relatada por muitos religiosos e religiosas que ainda estão entre nós. Se tais exemplos que estavam embebidos de uma mentalidade religiosa profunda sofreram, imaginemos Jeanne que estava cercada pelo mais puro pensamento profano (no sentido tétrico da palavra) e que sem querer abandonou o convento para jogar-se nos braços do mundo que a acolheu e lançou pela estrada da fama.

A glória de Nosso Senhor Jesus Cristo deve ser o fim último da vida religiosa, todas as demais atividades surgem como meios para atingir tal nobre e santificante fim. Deveríamos nos perguntar em qual momento Jeanne esqueceu a Cristo e passou a olhar para si própria, e olhando para si descobriu as mais tristes realidades humanas e, sem o apoio da Santa Igreja e de sua comunidade, caiu no profundo abismo presente no coração humano, sem Deus.

O suicídio, para um religioso, é a negação completa de sua identidade! Aquela que dedicou sua vida plenamente ao Senhor Ressuscitado entrega-se aos vícios e termina com a própria vida nos braços de sua amante. Soeur Sourire é um exemplo real aos atuais padres cantores que pipocam pelos canais de televisão, que já deixaram o hábito talar (lembremos que foi uma das primeiras atitudes de Soeur Sourire) e agora até mesmo o ministério sacerdotal que lhes foi conferido é colocado em segundo plano.

A vida religiosa de Jeanne atrelou-se de forma negativa ao seu sucesso e à sua carreira; quando uma terminou a outra acabou por consequência. Estimados padres, quando vossas músicas deixarem as paradas de sucesso, onde colocarão as vossas estolas?

Ou Jeanne jamais teve vocação ou no final de sua vida a atitude de assumir uma homossexualidade não foi fruto, isto sim, de uma imposição cultural e até mesmo midiática? Que bonito seria para os jornais e revistas estampar a nova forma da “igreja” na ex-freira lésbica. A negação total de valores cristãos e o “assumir” de uma postura completamente estranha à sua antiga vida. De fato, Jeanne se tornou numa mártir do modernismo, afinal a sua morte foi paga com o alto preço da crise da civilização ocidental. Que a sua vida seja exemplo do triste fim daqueles que abraçam com vigor os males do mundo atual, dando as mãos para os inimigos da fé que apenas incitam o pecado e a destruição da Igreja de Cristo.