sábado, 16 de maio de 2009

São Nuno de Santa Maria; Um Santo para toda a Lusofonia

"Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo." (Epitáfio de Nuno de Santa Maria)

Pedro Ravazzano

O Sumo Pontífice, Bento XVI, canonizou o Beato Nuno de Santa Maria no dia 26 de Abril de 2009. O ilustre herói português, desse modo, entrou para o catálogo dos santos, sendo mais um intercessor no céu, ouvindo as preces que são a ele dirigidas. Deus, com Sua Sabedoria, escolheu o momento exato para a conclusão do processo da canonização d’O Condestável; foi S.S Bento XV que o beatificou, em 1918, Venerável Pio XII até mostrou um interesse particular na vida e fé de São Nuno, mas a Providência queria que o Santo Padre em guerra contra o relativismo moderno tivesse a honra e a graça de confirmar a santidade do General e carmelita lusitano. Nuno Álvares Pereira surge como uma estrela no pontificado de S.S Bento XVI!

Nuno de Santa Maria nasceu em 1360 como Nuno Álvares Pereira, filho legítimo de D. Álvares Gonçalves Pereira e Dona Iria Gonçalves. O seu pai era prior da Ordem do Hospital e Privado – favorito – dos reis D. Afonso IV, D. Pedro I – de Portugal – e D. Fernando. Desde cedo foi educado dentro do espírito da cavalaria, ou seja, na coragem, lealdade, generosidade, amor a Cristo e à Sua Igreja. Ganhou fibra e cresceu como homem e como crente quando entrou na corte do Rei D. Fernando, onde foi feito cavaleiro vestindo uma armadura emprestada por D. João, Mestre de Avis, futuro Soberano de Portugal. A história de Nuno de Santa Maria é inseparável da própria história da sua pátria. A filha de D. Fernando, Dona Beatriz, a herdeira ao trono, era casada como João I de Castela, que, assim, pretendia unificar as coroas. O nosso herói português se levantou em defesa da legitimidade e independência da nação, apoiando a ascensão do Mestre de Avis ao trono lusitano, o que foi concretizado para o júbilo geral. Com a coroação e sagração do Rei, D. Nuno foi feito Condestável – segundo na hierarquia militar do reino - e Conde de Ourém. O grande general lutou bravamente pela autonomia do seu país frente à Castela. A incursão castelhana em Portugal, na Batalha de Aljubarrota, foi convertida em quadros e telas ao longo da história corando, desse modo, a grande proeza militar do santo carmelita; seus 6.000 homens venceram o exército espanhol com 30.000 soldados.

Além da sua glória militar – não cansado com a vitória sobre João de Castela ainda manteve um Estado policial contra a Espanha – o General lusitano foi um homem com grandes riquezas e influência, D. Nuno era O Condestável de Portugal, 2.º conde de Arraiolos, 7.º conde de Barcelos e 3.º conde de Ourém e tinha uma das maiores fortunas de toda a Península Ibérica. Sua filha, Beatriz Pereira de Alvim, nascida do seu casamento com D. Leonor Alvim, celebrou bodas com Afonso I de Bragança. Essa união deu origem à Casa de Bragança que, três séculos depois, reinará em Portugal e, cinco séculos seguintes, no Brasil . Com a morte da sua esposa, passando por um processo de aprofundamento espiritual nos ideais da cavalaria, com muita contrição, conversão diária, penitência e oração, resolveu ingressar na Ordem do Carmo, construindo o Convento de Lisboa, adotando o nome de Nuno de Santa Maria, deixando todos os prazeres do mundo; “Esta foi a última batalha da sua vida. Para ela se preparou com as armas espirituais de que falam a carta aos Efésios (cf. Ef 6, 10 20) e a Regra do Carmo: a couraça da justiça, a espada do Espírito (isto é, a Palavra de Deus), o escudo da fé, a oração, o espírito de serviço para anunciar o Evangelho da paz, a perseverança na prática do bem.” (Conferência Episcopal Portuguesa).

Claro que as suas grandiosas batalhas, as lutas travadas em defesa da pátria, foram obras significantes da sua vida, não obstante, sem dúvida alguma, é o Convento do Carmo de Lisboa que encarna o espírito e a entrega de Nuno de Santa Maria. O então Condestável de Portugal, ao largar a espada e abraçar a Regra, ao deixar o escudo e vestir o hábito, transformou a sua riqueza em pedras, em cúpulas, em altares, em cruzes, em imagens, fez da sua fortuna na terra a sua fortuna no céu; ergueu, solitariamente, um dos maiores monumentos sacros da terra lusitana. O Convento, ocupado por carmelitas vindos de Moura, convidados pelo próprio Nuno, tornou-se em farol da fé na grande cidade portuguesa, muitas vezes ofuscada pelos prazeres do mundo. O Condestável e o carmelita, mesmo vestidos e paramentados com diferentes roupas, submetiam-se aos mesmo princípios e a mesma fé; “Só por ordem do Rei é que deixou de andar pelas ruas a pedir esmola para os pobres. Do que o Rei lhe mandava para seu sustento, distribuía tudo o que podia pelos pobres, socorrendo e assistindo na agonia os moribundos.”, assim ainda foi lembrado no guião da cerimônia de canonização. D. Nuno sempre primou pela vivência da Religião diária e cotidiana, abraçando com uma sadia radicalidade a fé em sua plenitude; “Embora fosse um ótimo militar e um grande chefe nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à ação suprema que vem de Deus.” (S.S Bento XVI). O Santo Padre, na homilia da canonização, lembrou que os anos de vida do santo português foram aqueles “que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos – não sem um desígnio particular de Deus –, abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra”.

Talvez Nuno de Santa Maria tenha sido um dos portugueses que viveu com mais afinco aquele espírito tão característico da nação lusitana, o mesmo que levou homens a desbravarem os mares. É comum ouvir historiadores de linha marxista criticando Portugal por ser sido o país que com mais fervor abraçou o projeto expansionista; não queriam apenas colônias e cidades no ultramar, mas sim territórios onde triunfasse a Civilização – o que eles entendem como demérito nós enxergamos como glorioso. O que une o Timor Leste e o Brasil, Angola e Macau, Guiné-Bissau e Goa, não é apenas a língua – claro que o idioma é importantíssimo – mas a mesma base de formação humana, mesmo que essa legado se encontre em decadência. Não somos nações irmãs porque apenas temos ruas com pedras portuguesas, as mesmas casas em estilo colonial e igrejas barrocas, mas sim porque o fermento que foi usado na nossa construção foi aquele que nasceu com a identidade portuguesa, desde D. Afonso Henriques. Estaria exagerando se dissesse que São Nuno foi o responsável, de algum modo, pelos descobrimentos portugueses, mas não posso negar que nele pulsava aquela dignidade, grandeza que também se fez presente nos corações dos descobridores lusitanos. A identidade d’O Condestável se fundiu com a da própria nação, um espírito que de tão sublime e majestoso foi convertido em poesia pelo baluarte da língua e literatura portuguesa; Luís Vaz de Camões. Assim fala Nuno Álvares Pereira em Os Lusíadas:

Eu só, com meus vassalos e com esta
(E, dizendo isto, arranca meia espada),
Defenderei da força dura e infesta
A terra nunca de outrem sojugada.
Em virtude do Rei, da pátria mesta,
Da lealdade já por vós negada,
Vencerei não só estes adversários,
Mas quantos a meu Rei forem contrários.»
(Canto IV, est.ª 19)

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Dialética das Raças

Pedro Ravazzano
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O nazismo é criminalizado no Brasil, mas por aqui triunfa uma análise sociológica genuinamente nacional-socialista; o polilogismo racial. Os nazistas, influenciados pelo polilogismo de classes dos marxistas, afirmavam que um não-ariano era condicionado, na sua essência, à produção de opressão e alienação, ou seja, o destino era determinado desde a infância, simplesmente pela “cor de pele”. Dentro da análise nazista não havia espaço para um política social; não importava se o judeu era rico ou pobre, se o eslavo era da elite alemã ou um miserável coitado do subúrbio de Berlim, qualquer raça ou cultura que não fosse “legitimamente” alemã trazia consigo a semente da dominação e da opressão – tinha que ser combatida.

No Brasil essa é a mentalidade difundida pelos movimentos e ONGs que discursam em defesa de cotas raciais – seguem piedosamente os ensinamentos de Stálin, que dizia que todos os conflitos de raça deveriam ser transformados em luta de classes. Obviamente, para qualquer pessoa sensata, o problema brasileiro é social em sua origem; 42% da população se diz parda, enquanto 7% se diz negra. Os populistas líderes “afro-brasileiros” acreditam que falam por uma comunidade preta, entretanto, vale frisar, essa identidade racial inexiste no país, e é isso que significa o fato da maioria da nação se considerar mestiça. Não obstante, chega a ser caricato ouvir militantes da causa negra construindo uma idéia de “povo negro” quando o dito “povo negro” sequer se entende como um povo distinto de todo a brasilidade e sequer elegeu seus porta-vozes raciais. Desse modo, hoje podemos refletir o questionamento lançado por Gilberto Freyre, ilustre sociólogo brasileiro: “A raça estará, então - raça, não no seu sentido justo mas como aquela super-realidade exaltada de modo mítico e místico pelos nazistas como a força física e mental com específica missão política e cultural - tomando o lugar de classe, como fator na política contemporânea?”

O cerne da argumentação do tais líderes raciais é que as políticas de afirmação negra surgem para reparar anos de escravidão. Pois bem, vamos relevar o fato de que a sociedade atual, com toda a sua complexidade, é totalmente diferente daquela do séc. XIX, o que eles pretendem é retomar uma percepção racial para dizer que o branco, no Brasil, representa o português escravista e que o negro brasileiro representa o africano escravizado. Primeiramente, é importante lembrar, ao longo da história nunca houve sucesso quando da adoção de parâmetros raciais por parte do Estado, seja quando o Estado nazista instaurou os campos de concentração, quando o Estado Sul-africano criou o apartheid ou quando o Estado americano estipulou a segregação e, posteriormente, obrigou a união forçada. O interessante do discurso dos populistas negros é que eles partem de um entendimento extremamente obtuso; a escravidão não foi construída sobre uma identidade racial, não havia a dicotomia de brancos X negros. Ora, os portugueses sequer capturavam os africanos, quase sempre compravam os escravos nas mãos dos grandes reinos e cidades negras que já nutriam uma cultura escravista. No próprio Brasil pré-abolicionista ex-escravos e mulatos tinham os seus escravos. Quem foi o maior traficante de escravos da nossa história? Francisco Félix de Sousa, um mulato que fez enorme fortuna, tornou-se extremamente poderoso e acabou morrendo em Uidá, no Benim, com o título de Chachá – possivelmente uma corruptela do seu próprio apelido – dado pelo Rei de Daomé. Hoje seus familiares africanos ainda gozam de prestígio político e cultural.

Existe uma crucial necessidade, por parte dos tresloucados líderes negros, de transformar a história brasileira numa história de raças. Obviamente, a maior facilidade de entendimento do processo dialético da luta de classes dentro de uma realidade dicotômica incentiva a deformação do conteúdo histórico do Brasil. Vamos supor que esse absurdo, esse pecado mortal intelectual, tem alguma validade, as tais políticas reparatórias iriam reparar o que? O negro que fenotipicamente parece descender do africano escravizado? Mas se esse jovem negro descende não de um negro escravizado, mas de um negro escravizador? E se, por acaso, o jovem branco carrega genotipicamente uma herança africana? Já que o modelo imposto parte da necessidade de uma reparação histórica, os beneficiados são os que descendem diretamente dos escravos, mas como saber quem são esses senão por uma profunda pesquisa historiográfica, documental e até genética? Afinal, se o jovem de pele clara carrega os genes do africano do Sudão escravizado ele tem os mesmo direitos do jovem de pele escura que, visivelmente, descende de negros – que não necessariamente eram escravos, vale frisar. Vamos deixar mais claro; os líderes dos movimentos e ONGs pretas afirmam, categoricamente, que as cotas, por exemplo, são justas por resgatarem a dignidade do negro em séculos de escravidão. Tudo bem! Agora vejamos, se o centro da discussão é a escravidão, de fato, apenas através de uma pesquisa profunda podemos reconhecer os herdeiros dos escravos do passado, e aqui, obviamente, serão colocados brancos e negros fenotipicamente. Se tal análise não é feita, a identidade negra escravizada é definida simplesmente por um concílio racial, embebido em ideologia, que constata a origem histórica da “raça” unicamente pelo tom de pele – pobre Mendel!

Claro que tais pesquisas não são feitas! Os chefes de ONGs e os caciques dos movimentos políticos estão pouco se importando se o jovem branco é geneticamente filho de um escravo do Golfo da Guiné ou se o jovem negro é geneticamente herdeiro de um senhor de escravos. A desonestidade aparece em dois pontos; primeiro quando criam uma falácia racial num país que não se identifica por etnias, é só perceber que nas grandes pesquisas a grande maioria dos brasileiros se diz parda. E, em segundo lugar, e não menos importante, se encontra esse absurdo de reparação; além de desconheceram a genética os hipócritas da raça criam uma nova história; os brancos de hoje são descendentes dos brancos do passado e os negros de hoje são descendentes dos negros do passado, além disso acreditam piamente – ou parecem acreditar – que predestinadamente os brancos do passado eram opressores e os negros do passado eram oprimidos. Querem “dar por implícito que todo branco é culpado pelos atos dos senhores de escravos, mesmo quando não tenha um só deles entre os seus antepassados e mesmo que tenha chegado ao Brasil, como imigrante, décadas depois do fim da escravidão.”(CARVALHO, Olavo de). Haja polilogismo, haja dialética – e Marx era racista, vamo que vamo!

Essa criação do mito da raça no Brasil, ainda mais quando pretendem que na mesma escola pública filhos de pais pobres sejam divididos entre negros e brancos, irá favorecer a consolidação do mais genuíno racismo. O Estado entrará nas escolas públicas e afirmará que os jovens de tez clara são descendentes de portugueses senhores de escravos e, por isso, não terão direitos às cotas, enquanto os seus colegas negros, por serem descendentes de africanos escravizados, gozarão de benefícios na entrada na Universidade. Detalhe a ser frisado, o jovem branco e o jovem negro não apenas dividem a mesma classe, mas o mesmo bairro e a mesma renda. Maldita história!

Um ponto que merece ser frisado; o Brasil se encontra no grupo dos poucos países que nunca aprovaram leis raciais, que nunca identificaram a cidadania com a etnia e a cor de pele. Esse fato é tão característico que a interferência do Estado na própria noção de raça, além de um grande contra-senso, se opõe ao processo de desenvolvimento do país. A nossa nação realmente não é racista, claro que com isso não quero dizer que ninguém tenha atitudes e pensamentos racistas, mas que inexiste uma estruturada rede discriminatória, com partidos, facções, ações populares etc, como em outras lugares do mundo. É fato que a instituição do papel social de brancos e negros é favorecida quando já existe uma dicotomia natural ou, então, quando já houve, na história nacional, um cultura de segregação pensada. Destarte, o estrago feito pelos líderes negros tem muito mais mérito, sejamos sinceros; eles conseguiram transformar – ou pretendem transformar – uma nação de pardos numa nação de brancos e negros. Claro que essa mudança de paradigma é feita com uma complexa e planejada tática a la terra arrasada; eles não deixam nada de pé. Qualquer um é acusado de racista, ultrapassado, opressor, desse modo instituem o patrulhamento ideológico - aquele mesmo, o do velho e embalsamado Lênin - que atinge desde as Universidades Federais até o Senado Federal. Tudo é muito bem financiado por grandes Fundações, como a Ford, que entra com milhões e milhões de dólares. A construção de uma identidade racial consolida um grupo político que se forma sobre essa comunidade que, a partir de então, se pensa de forma coesa e com interesses comuns. Os “novos líderes políticos na Ásia, África, América, (..) [demonstram] atualmente certa tendência, não para pôr a Raça a serviço de uma ideologia de Classe rígida, com ênfase total numa guerra de Classes, mas para por uma ideologia de Classe a serviço de uma mística racial revolucionária” (FREYRE, Gilberto)

Como bem frisou o sociólogo Demétrio Magnoli, as elites – negras e brancas – estão fora dessa realidade, elas têm renda para financiar uma educação internacional aos seus filhos. Essas políticas de cotas atingem a classe média e a classe pobre, aquelas que usam as Universidades e escolas públicas. A questão que não é levada em conta é a essência das leis. Pouco importa se na África do Sul o Estado definiu raças para segregar ou que no Brasil atual o Estado legisle sobre a cor de pele para agregar, as duas formas trazem intrinsecamente a idéia de uma “fronteira natural” entre negros e brancos e “Na hora em que os filhos dos trabalhadores não puderem mais olhar uns aos outros como irmãos e colegas, terá emergido um Brasil diferente daquele que conhecemos.”(MAGNOLI, Demetrio)

A América é um continente que, tirando os indígenas, foi construído por povos imigrantes; europeus e africanos. Entretanto, o grande diferencial, é que os fenotipicamente euro-descendentes não mais cantam saudades do Velho Continente, apenas mantém certos costumes culturais enquanto se identificam como brasileiros. Por outro lado, os tais “afro-brasileiros” choram a África e criam diversos entraves para a integração cultural no país. Hoje, qualquer um que experimente criticar alguma faceta da cultura africana - que não existe com essa unidade “africana” como pretendem certos líderes negros - será taxado de racista, no mínimo. Essa relação intrínseca que fazem entre raça e sociedade parte de uma identificação inseparável entre o homem e a cultura étnica, desse modo, cada raça tem um cultura específica, cada indivíduo, enquanto membro de uma raça, passa a ser destinado a viver atrelado ao arcabouço cultural da sua etnia. Esse estúpido determinismo é o tipico retrocesso sociológico que deságua no totalitarismo; um negro não pode personificar a cultura francesa, um judeu não pode representar a nação alemã, um polonês não pode encarnar o espírito americano?

Os movimentos negros têm conseguido transformar a questão racial em mais um tema da cartilha politicamente correta. Além disso, os seus militantes já se instalaram no poder, inclusive mantendo uma secretária federal só para tratar da temática. O triste dessa história é que o triunfo da ótica das raças estabelece uma sociedade que se enxerga por meio da cor de pele. Claro que existem brasileiros racistas, mas o país, como um todo, nas suas bases civilizacionais, jamais nutriu sentimentos discriminatórios organizados. Entretanto, com a ascensão do discurso vitimista, anti-histórico, hipócrita e simplório das causas raciais haverá, ao mesmo tempo, a transformação de uma sociedade mestiça numa sociedade bicolor – negros e brancos – mesmo quando sempre foi estranho ao povo brasileiro o sectarismo étnico. Hoje em dia a questão racial, com as tais “políticas públicas”, é discutida diariamente, além disso ganha força e poder dentro do sistema governamental. Agora mesmo o Senado já se prepara para votar a lei de cotas raciais nas universidades e escolas técnicas federais. Se aprovada será a primeira lei racial de segregação, com brancos e pretos separados pelo Direito.

O Brasil pode se tornar o primeiro país do mundo a realizar uma centrifugação racial, transformado uma nação de pardos na nação dos pretos e dos brancos, duas cores separadas pelo sentido da existência – os primeiros seriam oprimidos em essência e os segundos opressores em essência – e segregados pela legislação estatal. O movimento negro tenta fazer triunfar os seus paradigmas infantis de sociedade, partindo de um princípio determinista e polilógico que, em nada, se distancia das conclusões nazistas. Dessa modo, sobre essa base, constroem um discurso de vitimização e patrulhamento ideológico-racial, transformado um problema social em racial a partir do momento em que pensam que pretos são pobres porque brancos são burgueses. A balela de reparação histórica não faria sentido em nenhum país sério, mas por aqui não só é louvada como já se tornou ponto pacífico em qualquer discussão sociológica. Sendo sincero, eu vou achar engraçado quando daqui a dez ou vinte anos esses coitados do movimento negro estiverem protestando em oposição aos grupos realmente racistas, de identidade branca, engajados na luta contra a presença preta em seus bairros e escolas. Realmente, quem pariu Mateus que balance, quem criou as raças que agüente o racismo.

sábado, 9 de maio de 2009

“Religião e Literatura” – T. S. Eliot

Amritbir Kaur

Tradução de Pedro Ravazzano
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O ensaio "Religião e Literatura", escrito por T. S. Eliot, pode ser encarado como uma reação contra a tradição de ver uma obra literária a partir do ponto de vista puramente estético. Muitos críticos, especialmente os New Critics, acreditavam que a literatura não poderia ser medida pelo seu significado ético e teológico. Mas T.S. Eliot tinha a opinião de que apenas o criticismo literário não era suficiente. Depois de uma obra literária ser vista como um obra da imaginação, também deveria ser considerada a partir de uma ótica ética e teológica. Na nossa época isso é ainda mais importante, justamente porque não há acordo sobre valores éticos e teológicos. Para conhecer a grandeza de uma obra literária, o trabalho da imaginação deve ser apreciado a partir de ângulos éticos e teológicos.

Embora a literatura tenha sido julgada a partir de padrões morais, ainda que tenha sido acreditado por muito tempo que não existe uma relação entre religião e literatura, T.S. Eliot considerava que existia e deveria ser uma relação entre a literatura e a religião. Em seu ensaio, "Religião e Literatura", ele discutiu a aplicação da religião à crítica literária. De acordo com Eliot o ensaio não é sobre literatura religiosa mas, dentro de uma gradação, menciona três tipos de literatura religiosa. Em primeiro lugar, a literatura religiosa, que tem qualidades literárias próprias. Por exemplo, a versão autorizada da Bíblia ou as obras de Jeremy Taylor. Essas pessoas, que descrevem a Bíblia apenas como uma obra literária e falam de sua influência sobre a literatura inglesa, tem sido referidas como "parasitas". De acordo com Eliot, a Bíblia deve ser considerada como "palavra de Deus". Em segundo lugar, ele menciona a poesia devocional. Um poeta devocional, diz ele, não é o único que trata do assunto no espírito religioso, mas um dos que tratam de parte do assunto. Eliot considera poetas como Spencer, Hopkins, Vaughan e Southwell poetas menores, enquanto Dante, Corneille e Racine como grandes poetas. Em terceiro lugar, afirma, são as obras de autores que querem avançar a causa da religião. Estes tipos de obras estão sob a propaganda, por exemplo, “Man who was Thursday” e "Padre Brown" de Chesterton.

Eliot lamenta a irracionalidade por detrás da separação dos nosso julgamentos literários e religiosos. Exemplificando a literatura por meio do romance (que tem uma ascendência sobre um maior número), ele diz que essa secularização foi um processo gradual durante os últimos trezentos anos. Desde Defoe o processo tem sido contínuo. O processo pode ser dividido em três fases. Na primeira fase caem os romances em que Fé é um dado adquirido e a omitem da imagem da vida. Os autores pertencentes a esta fase são: Fielding e Thackeray. Na segunda fase dos romances a Fé é posta em dúvida, sofre com tensões e é controvertida. Inclui autores como George Eliot, George Meredith e Thomas Hardy. A terceira fase é a idade em que estamos vivendo e todos os romancistas contemporâneos estão incluídos, excepto James Joyce.

Esta secularização é evidente na forma como um leitor lê um romance – sem se preocupar com o efeito que tem sobre o comportamento de cada um. O fator comum entre religião e literatura é o comportamento. Nossa religião nos impõe a ética, o julgamento e a crítica de nós mesmos e de nossos comportamentos com os nossos próximos. A Literatura também tem um efeito no nosso comportamento. Quaisquer que sejam as intenções dos autores, suas obras nos afetam inteiramente como seres humanos. Mesmo quando lemos uma obra literária apenas para fins estéticos (mantendo nossa ética e moralidade em um compartimento separado), ela afeta-nos como seres humanos, querendo ou não.

Leitores modernos perderam seus valores religiosos. Eles não têm a sabedoria que os torna capazes de obter o conhecimento da vida, comparando uma opinião com a outra. Além disso, o conhecimento da vida que obtemos da ficção não é da própria vida, mas é o conhecimento de outras pessoas do conhecimento da vida. O que agrava o problema é que existem muitos livros e o leitor é confuso. Apenas eminentes escritores modernos causam um efeito melhor, por outro lado, os escritores contemporâneos causam um efeito degradante. O leitor deve ter em mente duas coisas - 'o que nós gostamos ", ou seja, aquilo que realmente sinto, e' o que temos de gostar", ou seja, entender as suas deficiências. Como homens honestos, não devemos supor que o que nós gostamos é o que devemos desejar e como cristãos honestos devemos assumir o que fazemos como o que devemos gostar.

Eliot está preocupado, sobretudo, com a secularização da literatura; não há preocupação com as coisas do espírito; simplesmente é esquecido ou ignorando o primado do sobrenatural sobre o mundo natural. A maioria dos livros são escritos por pessoas que não têm uma real crença na ordem sobrenatural. Além disso, são ignorantes do fato de que o mundo ainda tem muitos crentes. Faz parte do dever dos cristãos o uso de certos critérios para além dos usadas pelo resto do mundo. Se um cristão está consciente do fosso entre ele e literatura contemporânea, ele não será prejudicado por ela.

A maioria das pessoas consideram males econômicos como a causa de todos os problemas e apelam para drásticas mudanças econômicas, enquanto outras querem mais ou menos drásticas mudanças sociais. Ambos os tipos de mudanças se opõem, mas um ponto em comum é que as duas defendem um pressuposto de secularização. Alguns querem o indivíduo subordinando seus interesses aos do Estado. Eliot discorda dos que assim pensam. Ele não se queixa da literatura moderna porque é imoral ou amoral, mas porque ela instiga o homem a descambar por todo o tipo de experiência, a não ficar para trás, perdendo qualquer novidade. Um leitor cristão deve adicionar à crítica literária seguida pelo resto do mundo padrões éticos e teológicos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Cristofobia?

Em diversos artigos publicados na imprensa local, há um par de anos, discutia-se a cristofobia, definida como a perseguição de cristãos na Suécia. Cristãos seriam fundamentalistas e culpados pelos pecados cometidos em nome de sua fé, ao longo de séculos. São aqueles contra a modernidade, o aborto, as pesquisas com células-tronco. São os símbolos do atraso e da falta de sincronia com o mundo atual. Pessoas menos dotadas, enfim.

Para tomar como exemplo uma questão muito na moda, sobre a qual, aliás, tenho que contar em algum texto futuro, discute-se, no momento, a possibilidade de casamentos homossexuais serem celebrados pela Igreja Sueca. A existência da discussão, com a clara divisão entre os pastores a favor e contra, é citada como um exemplo do que seria a discriminação das igrejas cristãs contra pessoas, baseada na sua identidade sexual.

Mas, alguém perguntava, então, por que será que ninguém pede a celebração de casamentos de pessoas do mesmo sexo nas mesquitas e nas sinagogas?

Aqui, no país do “politicamente correto”, não se fala nada em público contra muçulmanos ou judeus e suas crenças, por exemplo. Discutir religião é visto como “de mau gosto”. Não se discutem o jejum durante o Ramadan ou a recusa ao consumo de carne suína por motivos religiosos. Mas, considera-se ridículo não fazer um churrasco no feriado, “só porque” é sexta-feira da Semana Santa. Coisa de fundamentalista, é claro “!”.

Desenhos publicados na Dinamarca levaram a protestos em todo o Islã. Quem comenta qualquer coisa com relação aos judeus, aqui, só pode ser um nazista que ignora o Holocausto. Mas, falar mal de cristão não representa problema algum.

A gota d’água, que fez o copo transbordar, parece ter sido a crítica pela existência de exemplares da Bíblia, nos quartos dos hotéis de Estocolmo. Alguém, alegando que se sentia constrangido pela presença da Bíblia na gaveta da sua mesinha de cabeceira, solicitou sua retirada. E uma cadeia de hotéis “moderna” aproveitou a deixa para fazer o anúncio de que, a partir daquele momento, não haveria mais “problema”. O livro constrangedor seria retirado de circulação”!”.

A reação não tardou a chegar, com cartas e mais cartas às redações, protestando. Filmes de pornografia disponíveis em circuito interno de TV não ofendem ninguém, tudo bem! Mas “aquele livro”!?

Imagino que seja por essas e outras razões que tenha surgido a ideia da Manifestação por Jesus (Jesusmanifestationen).

No dia 3 de maio de 2008, pela primeira vez, milhares de moradores de Estocolmo saíram às ruas para, em missas, orações, cânticos, cerimônias e palestras, demonstrar sua fé cristã. Em praças e jardins, reuniram-se cristãos suecos e imigrantes, para anunciar as mensagens de Jesus Cristo, em cerca de 20 idiomas diferentes.

Não me pergunte a razão, não me lembro o porquê, mas não estive lá! Perdi a chance? Não.

Neste sábado, 2 de maio de 2009, foi a segunda Manifestação por Jesus em Estocolmo.

Desde cedo, nas diversas praças da cidade, diferentes líderes das mais diversas igrejas cristãs foram os anfitriões. Os católicos nos reunimos na Mynttorget, na cidade antiga, Gamla Stan. Dali, fizemos a caminhada a Kungsträdgården. No Jardim Real foi a concentração, a partir das três da tarde, de todos os manifestantes vindos dos quatro cantos da cidade.

Estocolmo estava bonita, com toda aquela paz e aquela alegria que vêm do “amai-vos uns aos outros”.

Você perguntará: mas manifestar exatamente o que, cara-pálida?

E eu respondo com Paulo: que não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; que nenhum de nós está sozinho, porque somos um em Cristo Jesus. E que você também é bem-vindo.

Abaixo essa tal de Cristofobia!

Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, é baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há quase uma década em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental. Escreve no Blog [Blog do Noblat] sempre às segundas e sextas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O Esquerdista Inexistente

1. Introdução

Uma das patalogias mais graves que já assolaram este pobre mundo chama-se "síndrome do esquerdista inexistente". Atinge a quase totalidade dos estudantes universitários mas pode se manifestar, nas suas primeiras fases, em jovens impúberes. O locus em que tal moléstia surge varia imensamente mas está, de resto, associada a alguma forma de transmissão de conhecimento institucionalizada. Ou seja, escolas, institutos, universidades, instituições de ensino em geral, são lugares privilegiados de contágio.

Foi por mim batizada de "síndrome" a referida doença por guardar com estas semelhanças notáveis no que diz a sintomatologia, embora não se enquadre de forma estrita na definição clínica. Foi notada pela primeira vez na escola primária, quando uma professora de História, cujo nome me absterei de citar, inadvertidamente me forneceu o material ideal para sua diagnose na forma de uma aula. Aula esta em que a doença se manifestou com viva intensidade nos jovens, sob os estímulos da sábia universitária que, por sua vez, contraíra a mesma doença quando havia lustrado os bancos do saber no ambiente algo tenebroso da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de São Lázaro - um dos focos endêmicos da moléstia, em nosso Estado.

A guisa de introdução, diremos por fim que a tal doença, para cujo tratamento nunca se receitou qualquer remédio e cujo nome nunca foi inscrito na lista da OMS, acomete jovens aparentemente saudáveis, inteligentes e até instruídos. Não há um grupo de risco determinado. Mas, e isto veremos adiante, uma certa formação moral e educativa favorecem sua emergência contribuindo também para disseminá-la entre aqueles que tiveram contato com os doentes.

2. Descrição

Esta doença não diagnosticada furta-se a todas os tratamentos terapêuticos conhecidos; por ela passaram os nomes mais célebres na medicina nacional sem ver-lhes os sintomas. Obscura e impenetrável, a referida patologia permanece além da nossa capacidade de compreensão e cura. Permanece, não. Mudemos o tempo do verbo, pois nova aurora da ciência se anuncia. Permanecia, diremos agora, além da nossa capacidade, antes do golpe de gênio que me fez intuir a gravidade e as características de tal síndrome.

Dito isto, faço-vos uma anunciação solene neste blog.

Anuncio finalmente a constatação da "síndrome do esquerdista inexistente" dentro dos rigores do método científico, após anos de pesquisa. Duras e custosas foram estas pesquisas. Realizadas em condições adversas, quase fiz-me nova vítima sua por não saber, à época em que a identifiquei, defender-me contra seu contágio deletério. Minha constituição naturalmente forte me salvou de ter sucumbido a ela. Agradeço a Deus por isso. Amém

Na terceira parte do presente estudo, fornecer-lhes-ei os métodos inventados por mim para conter a doença e, circunscrita em limites bem demarcados, eliminá-la para sempre. Todas estas benesses totalmente de grátis! Com tal gesto de nobreza inaudita me elevo ao status de Herói da Humanidade. Agradeço desde já os louros sobre minha augusta cabeça. Mas vamos logo entrar no mérito da coisa.

A "síndrome do esquerdista inexistente" é uma doença singular. De ordem psíquica, ela se manifesta em condições muito especiais. Se um jovem durante sua vida escolar recebeu a educação uniforme ministrada nas escolas e jamais duvidou da direção que lhe apontavam na formação do seu "pensamento crítico"; se vendo a imagem dos EUA ele sintiu vontade de juntar-se a Al Qaeda ou, numa versão mais soft, a endossar as vituperações anti-americanistas de Michael Moore; se ele identificou desde a mais tenra idade os interesses maliciosos e manipulatórios da Igreja Católica; se ele enxergou, com sutileza de raciocínio ímpar, a máquina de opressão burguesa - então este jovem terá altíssimas chances de ser portador da síndrome.

A síndrome provoca um deslocamento da perspectiva do doente a respeito da sua própria realidade e da realidade que o circunda. Esta descrição decerto é compartilhada por muitas doenças psíquicas. Entretanto, a nota específica que a diferencia de outras doenças é o fato de que nela o deslocamento acontece no plano da identificação da ideologia alheia e apenas da ideologia, especialmente da ideologia daqueles não o cercam de perto, mas cuja referência nas opiniões do paciente vem entremeada de críticas claramente direcionadas ao exagero, ao excesso, a superabundância de conservadorismo, de direitisto, de reacionarismo - três ismos temíveis, figurações demoníacas nos delírios do doente.

Assim, mesmo em um congresso do PSTU, com faixas escritas "Abaixo a Propriedade Privada"; mesmo numa ocasião em que se invoque a memória de Mao; mesmo quando se mencione em um recinto, entre meneios de cabeça dos presentes sinalizando aprovação entusiasta, a genial estratégia política do autor de "Que Fazer?" - o acometido pela grave moléstia se considerará um dos poucos, senão o único ali a ser realmente esquerdista.

De fato, para o pobre coitado os esquerdistas autênticos (e entram aí mil distinções herméticas para determinar quem é autenticamente esquerdista) são raríssimos. Últimas e gloriosas espécies de pessoas esclarecidas. Buscar um esquerdista na universidade é algo como brincar de "Onde está o Wally?"*. Eles não existem, ou quando existem, são oprimidos pelo cruel mecanismo burguês de manipulação para que lhes seja cerceado o direito a se manifestarem e deste modo possa prosperar o discurso único da direita, dominante e onipotente, do alto de sua superioridade econômica esmagadora. Imbuído destas crenças que lhe são mais doces do que o suco de Marlene**, o jovem doente olha, para os de fora do grupo de oprimidos esquerdistas, com a condescendência de um iluminado que tenha alcançado enfim o entedimento do modo como opera o mecanismo de manipulação capitalista.

Todavia, e isto é sintomático, a quase totalidade dos universitários julga-se livre de manipulação e assume o papel - se não de esquerdista confesso e orgulhoso da sua condição - de centrista supostamente equidistante dos termos e moderado nos discursos. E os alienados tampouco são de direita em verdade, embora o sejam na mente torta do doente. São apolíticos por inércia e flutuarão de acordo com a maré - a menina que dança fank e nunca leu Foucault, o rapaz que não se interessa pelas lutas em prol das plantinhas, dos pretos, dos pobres, dos gays, do aborto... Jamais se ouvirá dentre eles alguém proclamar-se, em alto e bom som, liberal clássico ou conservador. E, nunca, nem sob tortura chinesa (as gotinhas, as gotinhas...), reacionário - talvez o pior xingamento do vocabulário politicamente correto.

Outro dia continuarei. A ocasião é solene, bem sei, mas estou com preguiça.

Até.

* Nas edições russas do jogo ele aparece como espião soviético nos EUA, de maneira que a URSS soube explicar com certa coerência o porque da extravagante furtividade do personagem. Fora isto - e, é claro, a camisa vermelha - não há outras diferenças entre as edições ocidentais e comunistas de "Onde está Wally?"

** Para quem não sabe é o suco servido na barraca da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de São Lázaro, único lugar, aliás, a prosperar ali.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Melhor filme curta-metragem de direita



A direita americana é representada no campo político pelo Partido Republicano, enquanto que a esquerda é, por sua vez, pelo Democrata. Assim sendo, adoto neste texto os termos republicano e democrata para expressar uma e outra posição.

***

Esses dias, fiquei empolgado ao ver um filme curta-metragem com um teor muito republicano. Trata-se de Os Pingüins de Madagascar – Missão de Natal.

Nele, os pingüins (Capitão, Kowalski e Rico) têm que resgatar um outro, chamado simplesmente de recruta, que se embrenhou por Nova Iorque para comprar um presente de Natal e acabou por ser confundido com um. Uma velhinha, claramente uma caricatura de senhora idosa eleitora dos democratas, o levou como presente para sua cadelinha poodle, chamada “Mordida”. A guerra começa!

No filme, os pingüins demonstram ter espírito de heroísmo, gostam da hierarquia que há entre eles e a respeitam com naturalidade, não são nada pacifistas e nem um pouco politicamente corretos.

Já a velinha é rabugenta, não gosta do Natal e tem ódio por essa festa existir, dá atenção mais ao que se passa na TV do que naquilo que acontece ao seu redor, parece não ter tido filhos e, por isso, dispensa seu amor maternal – arhg! – a poodlouzinha.

Tenho a impressão de que a atitude dela com a TV é um símbolo de uma pessoa que mais dá valor ao que a mídia diz – Guerra do Iraque, Aquecimento Global, Pandemias, crise econômica, etc. – do que em argumentos reais, e ficam surpresos quando a realidade vem à tona (o apartamento dela que explodiu) e não era aquilo que a TV passava.

Um exemplo disso eu tive hoje. Ouvi na Band News, uma estação de rádio, um representante deles nos EUA comentando um acontecimento “absurdo”, “coisa de maluco” que “contraria o senso comum” - essas são expressões do repórter que fez um suspense enorme antes de ir ao assunto. O fato que “contrariava o senso comum” era sobre uma pesquisa científica que demonstra que o nosso planeta não está aquecendo, mas que esfriou 0,5°C. O tal aquecimento global é coisa que nos EUA só os democratas e a mídia defendem. Inclusive o jornalista da Band News disse claramente que esse argumento vai favorecer os conservadores.

Apenas para encerrar, digo que foi impossível para mim imaginar os pingüins votando em Obama, bem como a velinha votando em Bush.

Apenas não gostei do estilo Rock da música de natal que inicia o filme. Achei isso execrável.

Quem quiser, pegue um saco de pipoca e assista o filme:

domingo, 3 de maio de 2009

A gripe suína é uma farsa?

Até agora fiquei em silêncio sobre a tal gripe que, segundo a imprensa deixa transparecer, é o ínicio do fim do mundo.

O que me mantinha no silêncio era por me recriminar pelo ceticismo com que lia as notícias e por achar que isso era sinal de insensibilidade minha para com as vítimas do vírus.

Mas a cada dia que passava meu ceticismo aumentava, e isso graças a imprensa que a cada novo título de artigo não deixava de colocar a palavra "suspeita" ou "suspeita-se" e outras do gênero.

Além do mais, os sintomas que o vírus causa em uma pessoa são os mesmos de uma gripe comum. Resultado, eu que peguei uma gripe não posso contar isso por telefone para minha mãe, pois ela desmaiaria. Que hora para pegar uma gripe, hein!

Outro motivo que me levou ao silêncio foi o sentimento de solidão. Parecia que ninguém suspeitava de nada e só eu, devido a uma crueldade cínica - que mesmo reportagens relatando dezenas de mortes não foram capazes de me comover -, suspeitava de uma possível farsa.

Lembro que, não tão distante no tempo, a imprensa falava numa tal gripe aviária. Qualquer papagaio que morria era motivo para grandes títulos nos maiores jornais do mundo. Hoje mal se fala dela. Mas, até então, a imprensa tocava suas trombetas anunciando o fim do mundo porque cinco galinhas morreram no sul da China.

O que me alegra é ver que já não estou sozinho.

Ugo Braga, jornalista do Correio Braziliense, postou no seu blog um texto em que demonstra sua certeza da farsa da gripe suína. (Confira: A gripe suína é uma farsa)

Mais me alegrou ainda foi ver que os comentários deixados no post indicam que seus leitores também o seguem em seu ponto de vista.

Ufa! Já não estou sozinho e me sinto encorajado a escrever sobre isso.

Não tenho provas, apenas desconfiança. E o meu intuito com este post é lançar aos leitores uma oportunidade para refletirem e debaterem sobre o tema. Caso contrário, poderemos estar diante de uma grande mentira que dará motivo para o Estado nos impedir de irmos aos aeroportos, terminais de ônibus, escolas, as missas (confira: México suspende missas por medo da gripe suína) e a todos os lugares onde possa haver aglomerações de pessoas.

Fica o debate lançado.

Apenas para não esquecermos, leiam:

A invasão dos marcianos: A Guerra dos Mundos que o rádio venceu