terça-feira, 5 de maio de 2009

Melhor filme curta-metragem de direita



A direita americana é representada no campo político pelo Partido Republicano, enquanto que a esquerda é, por sua vez, pelo Democrata. Assim sendo, adoto neste texto os termos republicano e democrata para expressar uma e outra posição.

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Esses dias, fiquei empolgado ao ver um filme curta-metragem com um teor muito republicano. Trata-se de Os Pingüins de Madagascar – Missão de Natal.

Nele, os pingüins (Capitão, Kowalski e Rico) têm que resgatar um outro, chamado simplesmente de recruta, que se embrenhou por Nova Iorque para comprar um presente de Natal e acabou por ser confundido com um. Uma velhinha, claramente uma caricatura de senhora idosa eleitora dos democratas, o levou como presente para sua cadelinha poodle, chamada “Mordida”. A guerra começa!

No filme, os pingüins demonstram ter espírito de heroísmo, gostam da hierarquia que há entre eles e a respeitam com naturalidade, não são nada pacifistas e nem um pouco politicamente corretos.

Já a velinha é rabugenta, não gosta do Natal e tem ódio por essa festa existir, dá atenção mais ao que se passa na TV do que naquilo que acontece ao seu redor, parece não ter tido filhos e, por isso, dispensa seu amor maternal – arhg! – a poodlouzinha.

Tenho a impressão de que a atitude dela com a TV é um símbolo de uma pessoa que mais dá valor ao que a mídia diz – Guerra do Iraque, Aquecimento Global, Pandemias, crise econômica, etc. – do que em argumentos reais, e ficam surpresos quando a realidade vem à tona (o apartamento dela que explodiu) e não era aquilo que a TV passava.

Um exemplo disso eu tive hoje. Ouvi na Band News, uma estação de rádio, um representante deles nos EUA comentando um acontecimento “absurdo”, “coisa de maluco” que “contraria o senso comum” - essas são expressões do repórter que fez um suspense enorme antes de ir ao assunto. O fato que “contrariava o senso comum” era sobre uma pesquisa científica que demonstra que o nosso planeta não está aquecendo, mas que esfriou 0,5°C. O tal aquecimento global é coisa que nos EUA só os democratas e a mídia defendem. Inclusive o jornalista da Band News disse claramente que esse argumento vai favorecer os conservadores.

Apenas para encerrar, digo que foi impossível para mim imaginar os pingüins votando em Obama, bem como a velinha votando em Bush.

Apenas não gostei do estilo Rock da música de natal que inicia o filme. Achei isso execrável.

Quem quiser, pegue um saco de pipoca e assista o filme:

domingo, 3 de maio de 2009

A gripe suína é uma farsa?

Até agora fiquei em silêncio sobre a tal gripe que, segundo a imprensa deixa transparecer, é o ínicio do fim do mundo.

O que me mantinha no silêncio era por me recriminar pelo ceticismo com que lia as notícias e por achar que isso era sinal de insensibilidade minha para com as vítimas do vírus.

Mas a cada dia que passava meu ceticismo aumentava, e isso graças a imprensa que a cada novo título de artigo não deixava de colocar a palavra "suspeita" ou "suspeita-se" e outras do gênero.

Além do mais, os sintomas que o vírus causa em uma pessoa são os mesmos de uma gripe comum. Resultado, eu que peguei uma gripe não posso contar isso por telefone para minha mãe, pois ela desmaiaria. Que hora para pegar uma gripe, hein!

Outro motivo que me levou ao silêncio foi o sentimento de solidão. Parecia que ninguém suspeitava de nada e só eu, devido a uma crueldade cínica - que mesmo reportagens relatando dezenas de mortes não foram capazes de me comover -, suspeitava de uma possível farsa.

Lembro que, não tão distante no tempo, a imprensa falava numa tal gripe aviária. Qualquer papagaio que morria era motivo para grandes títulos nos maiores jornais do mundo. Hoje mal se fala dela. Mas, até então, a imprensa tocava suas trombetas anunciando o fim do mundo porque cinco galinhas morreram no sul da China.

O que me alegra é ver que já não estou sozinho.

Ugo Braga, jornalista do Correio Braziliense, postou no seu blog um texto em que demonstra sua certeza da farsa da gripe suína. (Confira: A gripe suína é uma farsa)

Mais me alegrou ainda foi ver que os comentários deixados no post indicam que seus leitores também o seguem em seu ponto de vista.

Ufa! Já não estou sozinho e me sinto encorajado a escrever sobre isso.

Não tenho provas, apenas desconfiança. E o meu intuito com este post é lançar aos leitores uma oportunidade para refletirem e debaterem sobre o tema. Caso contrário, poderemos estar diante de uma grande mentira que dará motivo para o Estado nos impedir de irmos aos aeroportos, terminais de ônibus, escolas, as missas (confira: México suspende missas por medo da gripe suína) e a todos os lugares onde possa haver aglomerações de pessoas.

Fica o debate lançado.

Apenas para não esquecermos, leiam:

A invasão dos marcianos: A Guerra dos Mundos que o rádio venceu

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A crise econômica mundial

Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorro quente.

Ele não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia o melhor cachorro quente da região.

Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.

As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e a melhor salsicha.

Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses.

E o negócio prosperava e prosperava . . .

Seu cachorro quente era o melhor!

Vencedor, ele conseguiu pagar uma boa escola ao filho.

O menino cresceu, e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país.

Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo, agradando e prosperando e teve uma séria conversa com o pai :

- Pai, então você não ouve radio? Você não vê televisão? Não acessa a Internet e não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso País é crítica. Está tudo ruim. O Brasil vai quebrar.

Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou: Bem, se meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, então só pode estar com a razão!

Com medo da crise, o pai procurou um Fornecedor de pão mais barato ( e é claro, pior ).

Começou a comprar salsichas mais barata ( que era, também, a pior ).

Para economizar, parou de fazer cartazes de propaganda na estrada.

Abatido pela noticia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.

Tomadas essas 'providências', as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo e chegaram a níveis insuportáveis e o negócio de cachorro quente do velho, que antes gerava recursos até para fazer o filho estudar Economia na melhor Faculdade... quebrou.

O pai, triste, então falou para o filho: - 'Você estava certo, meu filho, nós estamos no meio de uma grande crise. 'e comentou com os amigos, orgulhoso:

- 'Bendita a hora em que eu fiz meu filho estudar economia, ele me avisou da crise ...'

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Aprendemos uma grande lição :

Vivemos em um mundo contaminado de más noticias e se não tomarmos o devido cuidado, essas más noticias nos influenciarão a ponto de roubar a prosperidade de nossas vidas.

O texto original foi publicado em 24 de fevereiro de 1958 em um anúncio da Quaker State Metais Co. Em novembro de 1990 foi divulgado pela agência ELLCE, de São Paulo.

Ou seja, tudo "farinha do mesmo saco"

Em sua visita à Argentina, Lula da Silva disse ao jornal "La Nacion" que para o Brasil "será um privilégio" um pleito eleitoral cujos adversários sejam Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PSB) ou mesmo Aécio Neves (PSDB).

E a razão disso é que Lula não vê "nada de direita nesses candidatos. Vejo colegas de esquerda, de centro-esquerda e progressistas. Isso é um avanço extraordinário para o Brasil" (La Nación, 19-4-2009).

Isso me lembra - e corrobora - a frase de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-presidente do Brasil, em entrevista para o mesmo jornal durante a disputa eleitoral entre Lula e Alckmin: “O programa político em jogo é mais ou menos o mesmo. O que os brasileiros estão elegendo é um estilo de condução." (La Nación, 6-10-2006)

Ou seja, como se costuma dizer, tudo "farinha do mesmo saco". E ainda dizem que há democracia no Brasil.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O VERBO ERA DEUS

Luciana Lachance
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Abre parênteses:
Já aconteceu comigo algumas vezes: membros do grupo Testemunhas de Jeová batem à minha porta para pregar A Sentinela e ler passagens da sua pastiche ¹ da Bíblia – e, dentre tantas passagens modificadas deliberadamente, a que mais chama atenção é, sem dúvida, João 1,1. Por esta razão, segue uma análise didática sobre a tradução deste trecho, feita por mim, a fins de demonstração. O intuito é ajudar leigos que não tiveram a terceira aula de qualquer curso introdutório da Língua Grega, e também a todos os membros das Testemunhas de Jeová , que, ademais, são todos os leigos citados.
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O VERBO ERA DEUS
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Neste artigo, discutiremos a tradução de João 1,1 em contrapartida com a tradução/explicação da denominação soi-disant cristã Testemunhas de Jeová. A partir do grego, demonstraremos ao leitor, passo a passo, a maneira correta de traduzir esta passagem bíblica. A maioria das bíblias [traduções católicas e protestantes] traz:

“No princípio era o Verbo
E o verbo estava com Deus
E o verbo era Deus

João 1,1 é uma das muitas passagens da Bíblia que afirmam a divindade de Jesus Cristo, razão pela qual é foco de interesse das doutrinas que tentam negar esta verdade – e as Testemunhas de Jeová assim negam; são notadamente conhecidas por serem uma das seitas que defendem que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Arcanjo Miguel ². Como esta última heresia nos exigiria para muito além de traduções e interpretações, mas representa propriamente o que São João escreveu na segunda epístola, versículo 7, nos restringiremos apenas ao que anunciamos no primeiro parágrafo.
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Testemunhas de Jeová

As Testemunhas de Jeová utilizam a chamada Tradução do Novo Mundo para a Bíblia, que supostamente teria sido feita a partir dos originais hebraico, aramaico e grego, mas que acabou condenada por todos os estudiosos das línguas citadas. Charles Russell, responsável pela corrupção do texto, conseguiu a façanha de ser levado a julgamento e não conseguir identificar as letras do alfabeto grego, como consta no processo. Na Tradução do Novo Mundo lê-se, onde destacamos em negrito anteriormente:

“E o Verbo era [um] Deus”

A palavra “um” é inserida antes de Deus, de modo que o Verbo Encarnado [João 1,14] não era o próprio Deus, mas “um” Deus. Ora, vejamos que artimanha a seita utiliza como explicação para isto, de acordo com os originais gregos. [As palavras em grego serão transcritas aqui em caracteres latinos, sem os “acentos”, para facilitar o entendimento]
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Em Grego, João 1,1:

“En arche en o logos
Kai o logos em pros tos Theon
Kai o logos en Theos”

Em negrito, temos a passagem em Grego que nos interessa neste momento, e que foi traduzida pelas Testemunhas de Jeová como “E o verbo era [um] Deus”. Vejamos:

Em grego, não existe artigo indefinido [um, uma]. Quando a palavra não apresenta o artigo [definido], e quando o contexto e as regras exigem, a tradução acrescenta o artigo indefinido na frente. Veja o exemplo nas frases abaixo:
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“Ego eimi e phone”
[Presença do artigo em negrito: “Eu sou a voz”]
“Ego eimi phone”
[Ausência de artigo: “Eu sou uma voz”]

Desse modo, a Tradução do Novo Mundo nos dá a explicação que, de acordo com esta regra gramatical grega, o correto seria acrescentar o artigo indefinido “um” antes de Deus na passagem “Kai o logos en Theos”, uma vez que antes de “Theos” não viria o artigo definido – e que da mesma forma como ocorre em outras passagens do Novo Testamento, em que os diversos tradutores utilizam esta regra, da mesma forma em João 1,1 esta regra pode ser aplicada. Mas será que isso é verdade? Vejamos:
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“Kai o logos en Theos”

Em grego, quando o sujeito e o predicativo do sujeito são constituídos por substantivos, deve-se observar a regra de que o sujeito [Logos/Verbo] é acompanhado de artigo definido, enquanto o predicativo do sujeito [Theos/Deus] não é. Desta forma, Theos não deve vir com o artigo. Na língua grega, a posição dos termos de uma oração varia, e não necessariamente determinará a função gramatical da palavra, uma vez que as funções gramaticais são identificadas pelos chamados “casos” - onde uma mesma palavra terá sua grafia modificada de acordo com a função que desempenha na oração. Este exemplo pode também ser visto em João 1,1: “pros tos Theon” e “logos en Theos”, onde os leigos em latim, alemão, grego ou afins, podem observar como isso funciona. Tomemos a seguinte frase:
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Kai Theos en o logos”

Esta frase, embora traga “Theos” na frente, significa a mesma coisa que “Kai o logos en Theos”. A primeira vista, poderíamos traduzi-la por “E Deus era o Verbo”, mas isto não estaria correto. Muitas frases em grego trazem diferentes “arrumações” de seus termos [assim como em latim], e, no entanto, na hora de traduzir para uma língua, como para o português, teríamos o mesmo significado. “Kai Theos en o logos”, então, significa “E o Verbo era Deus”. No caso de “Kai o logos en Theos” ou “Kai Theos en o Logos”, o que nos permite saber “quem era o quê” é justamente a presença do artigo [neste caso, “o”] antes do sujeito. Há ainda outra possibilidade de escrever esta mesma frase, em grego, sem que nenhum dos termos venha precedido de artigo. No caso das frases nominais cujo sujeito e predicativo do sujeito sejam substantivos, e nenhum deles esteja acompanhado de artigo, o predicativo do sujeito deve vir em primeiro lugar na frase:
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“Kai Theos en logos”

Igualmente, temos o significado de que “O verbo era Deus”. Poderíamos ainda escrever:

“Kai Theos Logos.”

Nesta última, não temos o artigo e não temos também o verbo [“en”] de ligação explícito. O significado, no entanto, se mantém: “O verbo era Deus”.

Dessa forma, fica bastante evidente que a tradução de João 1,1 imposta pelas Testemunhas de Jeová, e por extensão á toda a Bíblia, é imoral, inaceitável, criminosa. Não tem qualquer fundamento. Há exemplos de imoralidades como essa em praticamente todos os versículos da Tradução do Novo Mundo, mas a passagem escolhida aqui é a mais gritante. Há inúmeras explicações disponíveis sobre esta passagem, e na verdade muito melhores do que esta, porém a elaborei pensando que poderiam servir aos leigos de nível 1, ao contrário das explicações que encontrei, que ou serviam aos leigos de nível 2 ou 3 ( regras gramaticais gregas pouco mastigadas) ou eram feitas por pessoas que apenas tinham compilado informações. Há explicações excelentes nos livros (algumas pessoas se deram a esse trabalho, ainda bem). Deduzimos ainda que:

- Se João desejasse escrever que o Verbo não era Deus [se ignorarmos todo o resto da bíblia que afirma que o Verbo era] e quisesse, como alegam as Testemunhas, atribuir ao Verbo uma qualidade divina, ele teria usado o adjetivo Theios.

- Afirmar que existe mais de um Deus é politeísmo.
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Notas

¹ Em literatura, "Pastiche" é uma obra que imita de maneira grosseira o estilo de outra; baseado numa obra já existente, o Pastiche difere na paródia no sentido em que o seu resultado final não beira ao plágio, mas produz um sentido original.

² Afirmar que Jesus Cristo é o Arcanjo Miguel é completamente absurdo; como todas as passagens da Bíblia negam isso, sugerimos ao leitor que abra aleatoriamente a Bíblia em qualquer página e veja por si mesmo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A Crise Atual e o liberalismo; Uma análise econômica

Pedro Ravazzano
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A crise já chegou no nosso dia-a-dia. Toda hora ouvimos alguma notícia sobre o colapso do sistema financeiro, a falência de empresas e a intervenção do Estado, dando o dinheiro dos contribuintes, para salvar as companhias destinadas ao fracasso por conta da má gerência e incompetência. Entretanto, outro fato surge junto com a crise; existe um sentimento muito claro de que todos os problemas do mundo se originaram do pensamento liberal, na defesa do Livre-Mercado e na restrição do poder estatal. Pois bem, esse novo paradigma, que já se firmou nas mentes dos indivíduos – agora se junta a tantos outros, como o que diz que o aquecimento global é causado pelo CO2 e que a direita é sinônimo de retrocesso – parte de diversos preconceitos. Na verdade é uma grande ironia, afinal, se os socializantes fazem questão de se distanciar de estereótipos que tentam homogeneizar os movimentos de esquerda, os mesmos lançam mão de uma análise extremamente simplória e distante da realidade sobre o que consideram a “direita” – essa definição é tão vazia. Isso é mais claramente perceptível quando entendemos os meandros e as divisões nos projetos socialistas, principalmente as diferentes maneiras de se entender a práxis revolucionária, entretanto, os membros da esquerda não levam em conta que os mesmos contrastes possam existir dentro da ótica liberal, indo além, enxergam como um bloco sólido e muito bem definido. O princípio polilógico marxista, que tenta reduzir o comportamento dos indivíduos a um condicionamento mental induzido pela classe a qual pertence, cria, dentro do imaginário esquerdista, a idéia de que todo o liberal, enquanto teórico do Livre-Mercado, é um opressor, defensor da exploração dos trabalhadores, da fome do terceiro mundo, da alienação trabalhista e do retrocesso das causas sociais, ou seja, tudo o que pensa e produz teoricamente é para gerar a concentração de capital e o controle dos meios de produção, mesmo que não saiba.

Desse modo, por conta dessa ótica obtusa, liberais e liberais são colocados lado a lado, desde monetaristas, novo clássicos, até austríacos defensores da praxeologia. Ora, a esquerda e os estatólatras sempre se enxergam como os perseguidos e execrados das grandes discussões, mesmo quando estão no controle dos governos, dos centros de pesquisa e das universidades. Além disso, reduzem o que chamam de mainstream ao que consideram, erroneamente, liberalismo, mesmo quando dentro do pensamento liberal pululam correntes que, de maneira heterodoxa, criticam ferozmente os métodos de análise adotados pelos grandes liberais que gerenciam, ou gerenciavam, a economia mundial.

O consenso geral é de que os liberais foram culpados pela crise atual, mesmo quando dentro do considerado clã ‘liberal’ existiam muitos economistas que faziam ardorosa oposição a política econômica americana e, quase como um dom profético, afirmavam a iminente explosão da bolha e a instauração de uma verdadeira crise. Desse modo, torna-se uma enorme injustiça colocar Ron Pauls e Lew Rockwells da vida no mesmo saco dos irresponsáveis monetaristas-governistas. Um problema originado, naturalmente, dessa falta de conhecimento é justamente uma prejulgamento empobrecedor e a criação de um estereótipo de liberais como se, dentro dessa corrente, não existissem diferenças tão radicais que tornam impossíveis as tentativas de homogenização.

A crise se iniciou por conta de uma política intervencionista, com o simples propósito de criar crédito para um mercado estagnado. O FED, através do controle financeiro, promoveu a redução das taxas de juros com a intenção de criar oferta de dinheiro, estimulando a economia, dando vida ao imobiliary market. A indústria do subprime, com americanos tendo acesso irrestrito a empréstimos e hipotecas, aqueceu o mercado imobiliário, leia-se Freddie¹ e Fannie.² É importante frisar que taxas de juros baixas estimulam o consumo em oposição a poupança, que é uma das mais importantes "forças motoras do capitalismo." A alta demanda impulsionada por juros baratos, o perigo do aumento da inflação, a crescente inadimplência, entre outros fatores, obrigaram o FED a elevar a taxa de juros. Maiores taxas geraram maiores parcelas que geraram dívidas. Os títulos podres foram repassados ao Governo que logo tratou de cobrir o rombo. Na verdade essas instituições financeiras nunca tomaram cautela porque sabiam que as transações que envolviam a Freddie e a Fannie (Empresas que aumentaram o crédito na época de Bill Clinton a mando do próprio Presidente), apadrinhadas pelo governo, eram "seguras" como, de fato, se mostrou quando o Estado americano saiu em socorro das suas filhas pródigas.

O forte controle da economia americana – não digo propriamente regulação – era mantido por diversos órgãos governamentais:

Federal Reserve – O Banco Central, tem a incumbência de regular a taxa de juros, a oferta monetária, supervisionar e fiscalizar os Federal Reserve Banks (Bancos de Reserva Nacional), manter a estabilidade do mercado financeiro, responder a necessidade de liquidez etc.

United States Department of the Treasury (Treasurer of the United States, United States Mint, Bureau of Engraving and Printing, Under Secretary for Domestic Finance, Assistant Secretary for Financial Institutions, Assistant Secretary for Financial Markets, Assistant Secretary for of Fiscal Service, Financial Management Service, Bureau of Public Debt, Under Secretary for International Affairs, Assistant Secretary for International Affairs, Under Secretary for Terrorism and Financial Intelligence, Assistant Secretary for Terrorist Financing, Assistant Secretary for Intelligence and Analysis, Financial Crimes Enforcement Network, Assistant Secretary for Economic Policy, Assistant Secretary for Legislative Affairs, Assistant Secretary for Management/Chief Financial Officer, Assistant Secretary for Public Affairs/Director of Policy Planning, Assistant Secretary for Tax Policy, Internal Revenue Service, Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau, Inspector General for Tax Administration, General Counsel, Office of Thrift Supervision) – É o responsável por implementar a política econômica, fiscal e monetária, regular as exportações e importações, vigiar todas as instituções financeiras dos Estados Unidos.

Office of the Comptroller of the Currency – Assegura o sistema bancário nacional regulando todos os bancos dos EUA.

Securities and Exchange Commission – Regula todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários.

Federal Deposit Insurance Corporation – É quem garante o seguro do depósito, assegura os depósitos feitos em bancos comerciais.

Federal Home Loan Bank Board – Agência que acompanha todos os empréstimos hipotecários dos EUA.

Esse discurso socializante, ou seja, que parte de uma concepção idílica e caricata do liberalismo, lança mão de uma simplória estereotipização para que assim, através vez desse reducionismo, o complexo pensamento liberal seja visto como um apanhado de desejos egoísticos. Essa tentativa de uniformizar a diversidade libertária não leva em conta que dentro do Free-Market existem diversidades e oposições bem determinadas. Por exemplo, não há como conciliar as teorias austríacas e neoclássicas; um autor do porte de Von Mises, mestre de diversos economistas, gastou anos de sua vida escrevendo contra o equilíbrio walrasiano, ou seja, inexiste essa aliança tão firme como pinta a esquerda. Na verdade o liberalismo maistream é alvo de críticas e ataques por parte da periferia intelectual da mesma corrente. De certo modo, o pensamento econômico se torna refém de uma triste redução, como se existissem três grandes grupos, fechados em si mesmos; marxistas, keynesianos e neoclássicos, quase sempre entendidos de maneira obtusa e, por falta de conhecimento, vistos de maneira absoluta. No caso dos neoclássicos ainda há o agravante que normalmente são entendidos como sinônimos de liberais e como se o liberalismo fosse necessariamente as teorias neoclássicas. Isso é tão absurdo que a Escola Austríaca, por exemplo, se assemelha ao marxismo quando percebe que qualquer mudança social radical necessita, obrigatoriamente, de condições objetivas e subjetivas. Inclusive ambas as concepções acreditam que as contradições do sistema atual – o estatismo e o capitalismo, respectivamente – conduzirão ao verdadeiro colapso.

Com a crise econômica atual os socializantes e amantes do Estado – “O Estado é meu pastor e nada me faltará” rezam os estatólatras enquanto incensam e invocam a intercessão de São Keynes – fazem malabarismos teóricos para anatemizar todo o pensamento liberal. Na verdade é uma oportunidade única de “comprovar” a ineficiência do modelo de Livre-Mercado. O mais irônico é que, ao mesmo tempo em que uniformizam o liberalismo, colocando todas as suas escolas dentro do mesmo balaio, condenam como se todas fossem comparsas e defensoras de similares doutrinas. Não sei se é falta de conhecimento ou a velha desonestidade intelectual, mas o fato é que economistas austríacos – apenas me refiro a eles porque foi essa a Escola que com mais vigor combateu não só o marxismo mas a tentativa de objetivar a economia – não só criticavam a política econômica atual – sim, austríacos são liberais mas sempre se encontraram na periferia dos projetos de governo – como previam a quebra por meio da teoria dos ciclos econômicos de Mises.

Ron Paul, Congressista Republicano pelo Texas, assessorado por Lew Rockwell, presidente do Instituto Von Mises, disse, em 2002, num grande artigo por ele publicado que: “Quando a bolha está inflando, não há qualquer reclamação. Quando ela estoura, o jogo de culpas começa. Isso é especialmente válido nessa época de vitimização -- em que ninguém quer assumir responsabilidades --, e tudo é feito em grande escala. Rapidamente, tudo se transforma em uma questão filosófica, partidária, social, geracional e, até mesmo, racial. Além de não se atacar a verdadeira causa, toda essa delação e "jogo de empurra" torna mais difícil a resolução da crise e enfraquece ainda mais os princípios sobre os quais se sustentam a liberdade e a prosperidade.

(...)

Bolhas especulativas e tudo o que temos visto são a conseqüência de enormes quantias de crédito fácil, que são criados do nada pelo Federal Reserve. Praticamente não criamos poupança, mecanismo este que é uma das mais significativas forças motoras do capitalismo. A ilusão criada pelas baixas taxas de juros perpetua a bolha e tudo de ruim que lhe é inerente. E isso não é culpa do capitalismo. O problema é que estamos lidando com um sistema de inflacionismo e intervencionismo que sempre produz uma bolha econômica que necessariamente sempre acaba mal.”

O site Vermelho.org colocou no ar um artigo do pesquisador Fábion Amico, publicado no semanário Nuestra Propuesta, do Partido Comunista da Argentina. Entre diversas “pérolas” uma se destaca; “O governo norte-americano estimulou empresas e consumidores a se endividar e a consumir para estimular, por sua vez, uma economia declinante. E o fez como se não houvesse risco algum." O engraçado, para não dizer cômico, é que mesmo conseguindo entender as estruturas econômicas governamentais, com o estimulo ao Mercado através da promoção de crédito, o artigo concluiu que a crise americana era reflexo do neoliberalismo opressor. Ora, como pode haver verdadeiro liberalismo ao mesmo tempo em que são aplicadas políticas intervencionistas? Se trata de duas óticas econômicas excludentes.

Na verdade vivemos um período de sombras e desonestidade, não há mais fidelidade para com a verdade, tudo fica submetido ao sofisma e aos mais absurdos argumentos falaciosos. Aqui não só me refiro ao esquerdismo que, em peso, analisa de maneira simplória e simplista o pensamento liberal, mas também aos próprios libertários que, muitas vezes, tentam reduzir a diversidade de doutrinas socialistas a um padrão preestabelecido. Captar a essência da oposição, aquilo que os outros defendem, deve ser essencial não só para melhor combate-los, mas para se auto-conhecer. Como bom eram os tempos medievais quando triunfava o método escolástico-tomista, ao menos assim os estudantes entendiam e reconheciam os argumentos e contra-argumentos e, logicamente, não ficavam presos nas armadilhas dos sofismas que, atualmente, imperam.

¹: Federal National Mortgage Association, criada em 1938 por Roosevelt no ápice do New Deal. Se tornou corporação privada em 1968 (isso mesmo, passou 30 anos como monopolista do setor hipotecário) como forma de reduzir o agigantamento do Estado que precisava conter os déficits. Tinha como propósito fornecer liquidez ao mercado imobiliário.

²: Federal Home Loan Mortgage Company, criada em 1970 pelo escandaloso Nixon. Seu propósito era expandir o mercado de hipotecas e servir como mais uma instituição de fornecimento de empréstimos, assim como a Freddie.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Bispo brasileiro apóia presidente paraguaio

por Marcelo Coelho

http://cooperadordaverdade.wordpress.com/

Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás, escreveu uma carta aberta ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Para os mais desavisados, Lugo era bispo e foi reduzido ao estado laical após ser eleito presidente do Paraguai (embora tenha se candidatado em desobediência ao Vaticano, que não permite que sacerdotes sejam políticos). Nas últimas semanas assumiu a paternidade de um filho concebido quando ainda era bispo e mais duas mulheres alegam que Lugo também é o pai de seus filhos.

Tanto Dom Balduíno como o presidente Lugo são exponentes da Teologia da Libertação e não é outro o motivo pelo qual o bispo brasileiro escreve uma carta em apoio a Lugo. A carta mostra muito bem um dos males da Teologia da Libertação: a politização de tudo.

Dom Balduíno já começa argumentando que a imprensa brasileira repercutiu o fato fazendo coro ao Partido Colorado (oposição a Lugo), como se o fato de noticiar tal absurdo fosse um ato oposicionista ao presidente paraguaio. Talvez criticar o presidente de uma das nações mais auspiciosas no processo de libertação, nas palavras do bispo, seja pecado…

Absurdo é o bispo brasileiro congratular o presidente paraguaio pelo ato de valentia e sinceridade. Que valentia? Que sinceridade? Valentia em violar o celibato clerical? Sinceridade em ter relações sexuais fora do matrimônio? Valentia em assumir o filho só depois que o caso foi parar na imprensa? Com efeito, Fernando Lugo violou não apenas suas obrigações de bispo, mas também de simples católico.

Dom Tomás Balduíno critica, ainda, os bispos paraguaios por terem pedido perdão pelos pecados da Igreja paraguaia, numa referência implícita ao caso de Lugo. Segundo Dom Balduíno, a Igreja não teria perdido perdão por suas supostas omissões aos anos de tirania dos governos paraguaios (anteriores a Lugo, é claro) e essa declaração pode ser usada pela oposição para desestabilizar o governo por meio de um moralismo hipócrita.

O pressuposto implícito desses argumentos é que muito mais importante que os pecados pessoais que cometemos são os pecados sociais, as estruturas de injustiça que oprimem o povo. E a redenção não se alcança buscando a santidade (ao menos como ela é entendida ordinariamente), mas lutando pela revolução. Proselitismo socialista puro. Ou defender o cumprimento de um mandamento virou moralismo hipócrita?

Infelizmente, não posso dizer que estou surpreso com a carta de Dom Tomás Balduíno. Na luta pelo socialismo vale tudo e todos os erros são desculpados em favor da causa.

Santo Cura D´Ars, padroeiro do clero, rogai por nós!