sábado, 28 de março de 2009

Declarações Papais Geram Novo Escândalo

Hoje ao retornar a Roma, em uma bela tarde ensolarada, o Papa teria comentado a um jornalista: "Hoje o dia está bom!".

Estas observações levantaram imediatamente ao redor do mundo um grande clamor e alimentaram uma polêmica que continua a crescer.

Vale destacar algumas reações:
Prefeito de São Paulo: "Enquanto o papa proferia estas palavras, São Paulo encontrava-se inundada pela forte chuva! Diante desta verdade, beirando ao negacionismo, vê-se que o papa vive num estado de total autismo. É a ruína definitiva do dogma da infalibilidade papal!".

O grande rabino da França: "Como é que podemos afirmar que existe bom tempo a luz do Holocausto?"

O titular da cadeira de astronomia no Collège de France: "Ao afirmar, sem matizes e sem provas objetivas incontestáveis, que "hoje o dia está bom", o Papa reflete o conhecido desprezo da Igreja pela Ciência, que sempre combateu seu dogmas. Pode existir algo mais subjetivo e mais relativo que este conceito de "tempo bom"? Sobre quais experimentos indiscutíveis se apóia? Nem ao menos os meteorologistas e especialistas foram capazes de chegar a um acordo sobre esta matéria na última Conferência Internacional em Caracas. E agora Bento XVI, ex cathedra, pretende definir a questão, que arrogância! Agora vamos ver acender fogueiras para todos aqueles que não aceitam incondicionalmente este novo decreto? "

A Associação das vítimas do aquecimento global: "Como é possível não ver nesta declaração provocadora um insulto a todas as vítimas passadas, presentes e futuras dos caprichos do clima: inundações, maremotos, secas? Esta aceitação do "tempo que faz" mostra claramente a cumplicidade da Igreja com estes fenômenos destrutivos da humanidade, que só pode favorecer os envolvidos no aquecimento global, e que agora podem usufruir do aval do Vaticano."

O representante do conselho das associações de afro-descendentes: "O papa parece esquecer que, embora o dia esteja ensolarado em Roma, uma parte do planeta está mergulhada em trevas. Este é um sinal de desrespeito intolerável para metade não branca da humanidade!"

A Associação feminista Las Lobas: "Porque o Papa disse que está bom (o tempo) quando poderia ter dito está boa(a temperatura)? Novamente o Papa mostra seu apego aos princípios mais retrógrados e arremete contra a legitima causa das mulheres. É patético que em pleno 2009 se mantenha tal posição!"

A liga pelos direitos do homem: "Este tipo de declaração só pode magoar profundamente todos aqueles sobre quem incidir uma realidade diferente daquela do papa. Pensamos em especial nos internados, presos, cujo horizonte é limitado por quatro paredes, e também em todas as vítimas de doenças raras, que podem não perceber por seus sentidos a situação atmosférica. Nestas declarações é visível um desejo de fazer uma discriminação entre o "bom tempo", como deveria ser percebida por todos e todos aqueles que sentem as coisas de maneira diferente. Vamos acionar imediatamente o papa na justiça."


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Esse pequeno texto reproduz aquilo que já vemos percebendo; qualquer pronunciamento papal é motivo para discussão e, obviamente, para oposição. Não sei quem é o autor dessa pérola do bom humor, mas existem versões em alemão, francês e espanhol. Como disse Bento XVI, em carta aos Bispos, em 2009: "Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tem a necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo - do Papa, neste caso - perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão, sem temor nem decência". A Igreja, na figura do Santo Padre, se transformou no grande alvo de todas as críticas e ultrajes. Enquanto isso, metade do mundo ocidental tem medo de citar o nome de Maomé e a outra metade é invadida pelo islamismo. O cristianismo foi peça chave na construção da nossa Civilização, hoje ele é atacado e menosprezado, mas o espaço que fica é tomado pelas hordas orientais e pelo relativismo religioso. Desde o iluminismo anti-clerical, que incitou essa mitificação da Idade Média, chamando de Idade das Trevas, e, posteriormente, com a exagerada e infundada crítica a Inquisição papal, as cruzadas, ao julgamento de Galileu, formou no povo um espírito anti-católico. É só ver como em qualquer discussão, de repente, esses temas aparecem. Quem vai explicar para um pobre coitado o que foi, de fato, a Inquisição pala? Ou dizer que a Igreja acreditava que a Terra era redonda e apenas pediu para que o cientista amigo íntimo do Papa simplesmente mostrasse por A + B a validade da teoria heliocêntrica? Enfim, são muitas falácias que pululam por aí e que sempre ressurgem em qualquer debate que envolva a Igreja.

quinta-feira, 26 de março de 2009

"O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS

do Blog da Canção Nova

"Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África."

Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.

Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é "humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento". Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.

Dr. Edward Green, com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.

O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. "Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV", explica

Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. "O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos 'risco compensação'

O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.

O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros - considerado um grupo de risco - a serem fiéis às suas esposas.

O Anticomunismo e Olavo de Carvalho

Pedro Ravazzano
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Olavo de Carvalho, no seu último artigo, dirigiu uma resposta ao meu breve comentário, feito numa lista que faço parte. Até então nada demais, o grande problema foi que, num de seus rompantes de falta de educação e barbarismo, me xingou. Claro que, para quem o conhece, palavrões e boca suja são normais, até engraçados, principalmente para as seus seguidores- se tal ofensa fosse feita por inimigos ideológicos seria motivo de muita reflexão e oposição. O que me entristece, na verdade, não é resposta do Olavo, mas o fato de me julgar e achar que sou um rapaz muito soberbo que fica na internet a procura de atenção. Ora, eu fiz um simples comentário numa lista fechada e o reproduzi na comunidade “Católicos”, onde sou da moderação. Fazia muito tempo que sequer comentava na “Olavo de Carvalho”, inclusive nem mais ouvia o Trueoutspeak. Quando entrei no msn messenger e soube do xingamento fiquei sem entender, demorei para processar, afinal me pareceu bastante improvável que em meio a uma discussão tão profunda o meu raso comentário – não tinha a pretensão de fazer nenhuma grande análise – fosse usado como a ponta da lança da sua argumentação, sendo que nunca passou pela minha cabeça debater com o Olavo. Simplesmente escrevi uma pequena nota a um tema que estava sendo debatido entre nós.

Eu nunca quis holofotes, muito menos sou afeiçoado à “arte genuinamente brasileira de simular autoridade intelectual”. Sou membro do Apostolado Veritatis Splendor, faço parte do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador – BA – que mantém o blog Acarajé Conservador – e, há pouco tempo, criei, juntamente com colegas da Faculdade de Economia da UFBA, o blog Hominis Libertas – A Liberdade do Homem – voltado para a discussão liberal. Olavo, que respeito e admiro, tentou me transformar em um jovem que, a procura de atenção, emite anátemas e realiza julgamentos que se encontrariam fora da minha capacidade. Primeiro que, jamais tive tamanho devaneio, nunca procurei a certeza através da minha auto-afirmação. Olavo, novamente, procura reduzir seus opositores a imbecis nonsense. Claro que não me considero mais capaz ou inteligente do que ele que, de fato, tem uma cultura invejável. Entretanto, isso não desmerece o meu conhecimento ou torna todas as minhas argumentações imbecis por eu ser um "mero garoto" de vinte e poucos anos. De todo o modo, sempre é pertinente frisar que, nessa confusão, que eu caí de pára-quedas – afinal não esperava que um simples comentário fechado tomasse grandes proporções – jamais ultrajei ou ofendi o Olavo e sua família, e queria ser tratado da mesma maneira.

Falando sobre o meu comentário, Olavo afirma:

“Neste mesmo momento, milhares de jovens católicos como esse estão sendo induzidos, por sacerdotes estúpidos ou maliciosos, a contentar-se com “ser anticomunistas em espírito”, na segurança dos seus lares e no doce ambiente da fraternidade cristã, sem arriscar o conforto de suas almas e o bem-estar de seus corpos no enfrentamento real com o inimigo, na agitação sangrenta do mundo.”

Pois bem, não sei quem seriam esses sacerdotes estúpidos ou maliciosos, até porque onde resido, na arquidiocese de Salvador, nunca ouvi um único Padre falando do anticomunismo, mesmo em espírito, o que o Olavo considera uma velha bobagem. A coisa por aqui é muito mais séria; o modernismo em sua plenitude. Convivo diariamente com profanações, heresias e desobediências e isso apenas fortalece minha luta em defesa da Verdade. Ainda vale frisar que de confortável isso não tem absolutamente nada. Ao contrário, discussões com adeptos da Teologia da Libertação, debates com modernistas, enfrentamento com comunistas, isso sim é uma agitação, e não o conforto de ficar em plena Virgínia escrevendo artigos enquanto no Brasil nós, "jovens católicos induzidos por sacerdotes estúpidos", nos batemos, não só teoricamente, com os abusos e as heterodoxias. Se defender o anticomunismo em espírito, que é quando se vive radicalmente a Religião, em pleno campo de guerra, é encontrar-se na segurança dos seus lares, eu não sei o que é quando alguém incita um levante escrevendo de tão longe.

Olavo compreende essa minha afirmação de maneira totalmente obtusa. Quem conhece o poder da oração e da penitência, quando guiadas pela fidelidade a Igreja, sabe como são vitais para a vivência sincera do cristianismo em sua plenitude. Não sei se ele faz referência ao Opus Dei, mas tomo a liberdade de pensar que sim, ainda mais quando faz pouco tempo que ofendeu os Sacerdotes da Obra por não serem enfaticamente "anticomunistas" a la Olavo. Pois bem, a Obra, como reflexo dos ensinamentos do Magistério, defende e estimula uma vida santa. Essa santidade pressupõe a fidelidade e honestidade para com a doutrina católica – que não é irrelevante, diga-se de passagem. Todo o arcabouço doutrinal da Mater Ecclesia parte de uma experiência em Deus, provém da própria Revelação. O anticomunismo em espírito, que eu defendi, é justamente originado quando o crente católico, fiel aos ensinamentos da Igreja, segue piedosamente e vive com devoção a Religião. Mesmo sem ouvir falar do projeto comunista e da Nova Ordem Mundial os fiéis que se entregam a Cristo através da Sua Igreja trazem consigo um forte espírito anticomunista, que é a conseqüência imediata da sincera e pura crença. Isso, na verdade, é o resultado do próprio antídoto católico que é injetado quando da adesão de Fé em sua grandeza e humildade. Claro que, obviamente, inserimos as condenações magisteriais ao comunismo – condenações que foram produtos de muita oração – como cruciais para o despertar da comunidade à realidade atual, entretanto, mesmo sem ter em conta essa anatemização, os católicos que abraçam o catolicismo integralmente, sem relativismo e disse-me-disse, tornam-se anticoletivistas automaticamente, justamente por perceberem, reflexo da adesão radical a mensagem Cristã, a contradição entre socialismo e cristianismo. “A oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não quisermos habitualmente agir segundo o Espírito de Cristo, também não poderemos habitualmente rezar em seu Nome. O "combate espiritual" da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração.” (Catecismo §2725)

Olavo tem uma postura muito ingrata, ele tenta dizer que a valorização que faço da vida interior seria uma obrigatória condenação a toda e qualquer postura anticomunista. Pois bem, ser um bom católico é muito mais importante do que ser um bom anticomunista. Vale frisar que todo bom católico é um bom anticomunista, mas o meu comentário, não sei se erroneamente entendido por conta de uma interpretação superficial ou falta de sensibilidade, apenas tenta mostrar que mesmo os fiéis que desconhecem as condenações ao socialismo entendem e compreendem a incongruência entre a cristandade e o pensamento revolucionário. Ainda vou além, a vida de oração e contrição também é mais importante que um anticomunismo militante; um dos grandes problemas do mundo atual, que é facilmente percebido por aqueles que vivem a realidade eclesial no seu dia-a-dia, é justamente a falta de mística, transcendência, reverência ao Sagrado e sentimento de contrição. A Teologia da Libertação ataca e diminui esse espírito católico, colocando em seu lugar uma postura materialista e terrivelmente mundana. Não por menos, os movimentos que mais crescem dentro da Igreja são aqueles que resgatam a ortodoxa postura de piedade e fidelidade que despertam no povo uma forte entrega a Deus e a Sua Providência.

Olavo coloca como se eu tivesse feito uma integral condenação do anticomunismo militante quando, na verdade, apenas afirmei que aqueles católicos que desconheciam as condenações da Igreja ao comunismo, mas viviam em entrega a Deus e seguiam piedosamente os princípios e preceitos cristãos, tornavam-se anticomunistas naturalmente, afinal, “A tradição da oração cristã é uma das formas de crescimento da Tradição da fé, sobretudo pela contemplação e pelo estudo dos difíceis, que guardam em seu coração os acontecimentos e as palavras da Economia da salvação, e pela penetração profunda das realidades espirituais que eles experimentam.” (Catecismo §2651) Outra interpretação que não essa é mera especulação, na verdade não é de estranhar, afinal o Olavo pegou um breve comentário que escrevi sem qualquer direcionamento a ele e sem a mínima pretensão – até por falta de profundidade - e o transformou no bode expiatório. Fico profundamente triste que essa questão tenha tomado tais proporções, na verdade me incomoda essa hierarquização e o tom que sou obrigado a usar nesse artigo, afinal, pode parecer, para os desavisados, que estou colocando de lado o anticomunismo quando, diferentemente, o defendo com radicalidade e total adesão, entretanto, sem desmerecer o grande e enorme bem originado da vida espiritual que gera uma graça na alma indescritivel. Olavo, por sua vez, ao supervalorizar o anticomunismo parece subvalorizar os que não aderem formalmente a essa missão dos cristãos. Combater o erro é dever moral de todos os homens batizados e, por motivos que não a falta de vocação a esse apostolado, aqueles que não se levantam por falta de coragem ou dúvida quanto à ilicitude do comunismo estão caindo em profunda heterodoxia. Ademais, não podemos nos esquecer que a presença comunista dentro da Igreja, que é fruto do modernismo, impede a correta formação dos fiéis católicos e, para piorar, incita a rebeldia doutrinal e a falta da piedade por meio do distanciamento do espírito devocional e das práticas cristãs – não por menos a Teologia da Libertação tem pavor a tudo que remete ao Sagrado. Acabar com a presença dos revolucionários dentro do clero é essencial para a reestruturação do catolicismo e a retomada da espírito cristão que, pouco a pouco, vem sendo substituído por princípios relativistas. Para tanto, precisamos nos aproximar cada vez mais do Santo Padre que, juntamente com os Cardeais, Bispos e Sacerdotes, procurar combater o erro, sempre com mais ênfase, e fazer triunfar a correta hermenêutica conciliar. Em suma, tudo está muito intimamente ligado, ainda mais quando vivemos uma época de verdadeira crise civilizacional, ou seja, o modernismo se encontra na raiz do problema, combater o modernismo, através da difusão da ortodoxia doutrinal e da piedade cotidiana, é desconstruir o arcabouço que os hereges usam para validar o discurso socializante dentro da Igreja.

Assim disse S.S Pio XI na Constituição Apostólica Umbratilem, dirigida à Ordem dos Curtuxos: "Facilmente se compreende que contribuem muito mais ao incremento da Igreja e à salvação do gênero humano os que assiduamente cumprem com seu ofício de orar e de mortificar-se, que os que com seus suores e fadigas cultivam o campo do Senhor". Será que o Santo Padre, que também condenou o comunismo, esqueceu que o perigo deve ser combatido necessariamente através de um enfrentamento real? Pensam assim os que desconhecem o poder da vida em oração. Não obstante, vale lembrar que, o anticomunismo é parte importante da Doutrina Social Católica e a luta contra esse regime totalitário e anticristão é um ponto relevante da missão do batizado, mesmo que que esse combate seja através de uma vivência da fé norteada pela pura e sincera devoção religiosa ou por meio de um enfático apostolado em constante alerta ao perigo marxista. O erro é quando transformam o anticomunismo no ensinamento primordial de toda a catequese e formação cristã. Como já foi dito ao longo do artigo, a condenação da Igreja ao comunismo foi fruto da vida espiritual, assim sendo, aqueles que seguem esse mesmo itinerário consolidam na alma um pavor ao marxismo revolucionário.

Depois disso, Olavo escancara. Quanto julgamento, quanta afirmação mentirosa. Ele quer dizer que sou um radical opositor do anticomunismo, como se não levasse em conta os ensinamentos da Igreja e as mensagens papais. Não aceito e acho profundamente asquerosa e baixa a tentativa que ele faz de me transformar num indigno devoto dos milhares de católicos santos que foram martirizados em todas as nações que sofreram com o totalitarismo comunista, o espírito da anti-civilização. Para mim essa foi a pior ofensa feita pelo Olavo. Além de ele ser mestre em julgar e desmerecer seus opositores, tentando transformá-los em estúpidos e caricatos, agora quer conhecer e lançar conclusões sobre as nossas consciências. O que ele sabe sobre mim? Absolutamente nada. Fiquei profundamente estarrecido com essa baixeza, esperava mais. O mais irônico é que Olavo cita Nossa Senhora de Fátima, será que ele não sabe que a Virgem pediu a conversão, a oração, a penitência? Por caso não sabe ele que a Santíssima Virgem receitou a piedade e fidelidade como os melhores remédios contra o terror anticomunista, tanto que pediu a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração, afinal o sentimento de entrega ao Senhor cura todas as chagas e destrói todos os inimigos? Provavelmente, para o Olavo, a Ir. Lúcia deveria ter se tornado a fundadora de alguma associação internacional anticomunista, mas, para a sua tristeza e nossa alegria, a vidente portuguesa entrou para o Carmelo, onde foi concretizar a sua vocação através da oração e penitência, rezando pela conversão dos corações, já que “É pela oração que a alma se arma para toda espécie de combate. Em qualquer estado em que se encontre, a alma deve rezar.”, como disse Santa Faustina Kowalska em seu diário. O católico não é um homem que escolhe a oração em detrimento da ação, ou vice-versa, as duas estão intimamente ligadas dentro da realidade católica, o que as diferencia é a vocação, o chamado que cada batizado tem para viver a fé.

Posteriormente começou a ofender o Concílio. Concílio que é radicalmente defendido pelo Santo Padre, que o considera norte e farol do seu pontificado, convidando a todos a manterem “vivo o espírito do Concílio Vaticano II”. O pensador brasileiro ainda afirma que houve uma aliança do Vaticano com a URSS para que o comunismo não fosse citado nos documentos conciliares. Provavelmente faz ele referência ao Pacto de Metz. Já havia feito uma reflexão sobre isso, inclusive, se não me falha a memória, depois de certos comentários do Olavo.

Tudo isso até me lembra os conspiradores e judeus liberais que dizem que o grande Pio XII era o “Papa de Hitler”. O motivo? Não teria se levantado e lutado duramente contra o nacional-socialismo. Entretanto, sabemos muito bem que essa estratégia foi vital não só para a salvação de muitos crentes que viviam nas regiões ocupadas, mas, principalmente, para impedir que o Holocausto se tornasse mais desumano do que foi. Qual o motivo de S.S Pio XII não ter enfrentado de forma escancarada e explícita o Nazismo? Simplesmente temia pela vida do povo católico que vivia sob o jugo do regime nazista. Como disse Marcus Melchior, rabino chefe da Dinamarca, "se o Papa tivesse tomado explicitamente uma posição, Hitler provavelmente teria massacrado bem mais do que seis milhões de judeus e talvez dez vezes dez milhões de católicos, se tivesse oportunidade para isso".

A Igreja, mesmo sendo uma instituição, tem um fim claramente espiritual. Óbvio que a condenação ao comunismo sempre é oportuna e essencial, ainda mais no mundo de hoje, mas além da Mater Ecclesia já ter-lo condenado - o que não faz de extrema necessidade outra condenação - a vida eclesial no Leste Europeu, nos tempos comunistas, estava em risco. Quer dizer que o Vaticano deveria ter priorizado a REAFIRMAÇÃO daquilo que já tinha sido afirmado dezenas de vezes do que a salvação dos fiéis humilhados pelo regime comunista – apenas modernistas, que são hereges, desmerecem os ensinamentos passados da Igreja -? Isso me lembra a história do próprio Wojtyla. Em toda a sua vida apostólica na Polônia jamais proferiu críticas diretas ao comunismo institucionalizado, e por quê? Simplesmente acreditava que a derrubada do totalitarismo ateu se fazia pela conscientização do Amor de Deus aos homens, a defesa radical do cristianismo, o zelo eucarístico e doutrinário. Tudo isso, inevitavelmente, desaguava no claro entendimento da incongruência essencial entre o socialismo e a catolicidade, muito melhor do que a adoção de um caminho onde o anticomunismo seria apenas vivido enquanto política e não experimentado e entendido em sua raiz, ou seja, destruidor da fé cristã - o que se obtém através do conhecimento espiritual e contemplativo. Alguém chamaria João Paulo II de aliado dos comunistas, logo ele que fez da derrubada da Cortina de Ferro quase um apostolado pessoal? Esse exemplo apenas mostra que, diferentemente do que querem, a Igreja não é uma mera organização anticomunista e, mesmo parecendo absurdo para alguns, as atitudes da Esposa de Cristo sempre se fundamentam na Verdade! Se o Vaticano atacasse os comunistas, quem os comunistas atacariam em resposta ao Vaticano?

O Pacto de Metz teria sido um acordo, assinado em Metz, na França, entre a Igreja, representada pelo Cardeal Tisserant (que tinha junto consigo o então Cardeal Montini, futuro Paulo VI) e a URSS, através do Patriarca de Moscou, Nikodim, testa de ferro do regime comunista. Com a formalização desse pacto, ficaria acordado que a igreja cismática enviaria observadores ao Concílio e, em contrapartida, haveria total silêncio acerca do comunismo. Da mesma forma, com o mesmo espírito conspiratório, rumores afirmam que na verdade o Pacto de Metz não passou de uma invenção da KGB para denegrir a Igreja.

Dois pontos de grande relevância; o Concílio optou por utilizar um método positivo, sem anatemizar nem recondenar o que já havia sido condenado. Ora, com pacto ou sem pacto o Vaticano II não faria uma taxativa condenação ao comunismo - Até porque, como o tal pacto envolveria diretamente um Papa, João XXIII, o mesmo que proibiu católicos de se aliarem a partidos e políticos comunistas, e dois Cardeais, é legítimo concluir que eles sabiam que mesmo com a omissão do comunismo no Vaticano II, isso em nada modificaria os anátemas já feitos, não teriam a inocência de acreditar que esse silêncio revogaria anos de ensinamentos. Vale lembrar que milhares de instituições religiosas foram questionados sobre os assuntos que queriam que fossem abordados no Concílio; o comunismo nem apareceu na lista. Outra questão que não podemos nos esquecer; o Magistério da Igreja é contínuo, infalível nos seus ensinamentos, não se anula nem entra em contradição. O comunismo já havia sido condenado desde o Beato Pio IX. Logo, mesmo com o Concílio não relembrando a anatemização do materialismo dialético, este continuaria sendo inimigo mortal da Fé.

Fico triste com o acontecido, ainda mais quando vejo que o Olavo desenvolve toda uma argumentação centrada num comentário que escrevi sem a mínima pretensão e sem qualquer referência a sua pessoa. O pior é perceber que chegou a conclusões absurdas sobre mim, seguindo o seu velho método de desmerecer e transformar seus opositores – não que me considere um – em figuras caricatas e produtos da crise social e da decadência do pensamento ocidental. Quem me conhece sabe muito bem que, nem de longe, tenho uma postura antianticomunista, ao contrário, minha militância é constante, ainda mais quando convivo diariamente com marxistas na Faculdade de Economia. Todo esse julgamento – sim, é um julgamento - feito contra mim, tanto do Olavo quando dos seus seguidores, partiu de uma simples nota. O que era para ser um comentário corriqueiro se transformou no motivo do meu xingamento – que, por sinal, foi terrivelmente baixo – e da argumentação do Olavo. Claro que, naturalmente, muitas conclusões foram tiradas precipitadamente por ele, o que é óbvio, afinal usou como premissa as minhas poucas linhas que não tinham lá grande conteúdo. O que tenho achado graça é que quase estão me vendo como um adepto da Teologia da Libertação. Enfim, o que disse naquele breve post, o que quis dizer ao longo desse texto, é que o anticomunismo é sim terceiro ao lado de outras importâncias como o seguimento dos Mandamentos de Deus e da Igreja, do estudo do Catecismo, do conhecimento da doutrina, da adoração eucarística, do Rosário, da mortificação etc, entretanto, como tudo se encontra intrinsecamente ligado, quem vivencia de coração, com entrega e confiança os ensinamentos da Mater Ecclesia, torna-se anticomunista naturalmente, justamente pelo anticomunismo se formar através do conhecimento Magisterial e do entendimento da mensagem Cristã. Claro que, com plena certeza, não desmereço o apostolado anticomunista – até não poderia, eu o faço -, simplesmente não o absolutizo e entendo que os católicos que desconhecem as diretas condenações da Igreja ao comunismo, mas que aderem de corpo e alma e com radicalidade ao catolicismo, se transformam em verdadeiros militantes contra-revolucionários.

domingo, 22 de março de 2009

Alguém Comprará Este Livro?

Acabo de pedir um livro pela internet, e estou feliz de não tê-lo feito através do site "Comprar Livro", cujo título, eu desconfio, é uma ironia. Fiz o pedido por outro site, mas como neste não podia visualizar a capa do livro, dei um "google" atrás da imagem. Junto com a capa veio um prêmio: uma resenha que eu reproduzo abaixo.

Notas para a Definição de Cultura
"Notas para a Definição de Cultura representa a produção ensaística mais significativa de T. S. Eliot. É um de seus textos mais discutidos e discutíveis. Procedendo a um exame crítico e filosófico da palavra cultura, o poeta e ensaísta anglo-americano, cuja figura se imprimiu profundamente na literatura inglesa e universal entre os anos 20 e 50, faz uma reavaliação das condições sociais, regionais e religiosas que atuam na formação dos meios ambientes específicos. Independentemente de como se queria avaliar a posição deste autor — e ela é questionável em muitos aspectos —, às vezes por um conservadorismo e reacionarismo estético-político inaceitáveis, deve-se reconhecer a fecundidade da análise e a agudeza de visão que comparecem nestas Notas para uma Definição de Cultura. É um livro que merece uma atenção séria do leitor e que deve ser largamente lido e discutido."
T.S. Eliot é um grande ensaísta de crítica literária, além de dramaturgo e poeta. Ele merecia alguém melhor para vender o seu peixe, algo além de um resenhista ideologizado, preocupado demais em vender sua própria teoria - o site vende livros, não panfletos. Com uma resenha desta, pergunto: alguém que não conhece suficientemente o autor comprará este livro?

sábado, 21 de março de 2009

Protege minha vida!

A Conferência Episcopal Espanhola, que cada vez mais se consolida como uma das mais ortodoxas e piedosas Conferências de Bispos de todo o mundo, lançou uma nova campanha em defesa da vida. Ironizando o politicamente correto com sua radical defesa de animais, a Igreja na Espanha procura alertar para a necessidade de proteger a vida das crianças, combatendo o aborto. Enquanto o lince é resguardado com leis que proíbem a caça o bebê carregado no ventre é assassinado com o aval da própria mãe. A mesma coisa ocorre no Brasil; muitos dos esquerdistas que defendem penas severas para os caçadores de tartarugas são os mesmos que lutam pela legalização do infanticídio. A humanidade e sua decadência; matamos a nossa espécie!

sexta-feira, 13 de março de 2009

A CNBB é tão clara como a noite!

Os Bispos da CNBB resolveram se pronunciar sobre o caso do aborto em Pernambuco. O que seria motivo de regozijo passou a ser motivo de vergonha. Bom seria se tivessem mantido simplesmente aquelas notas. Meu Deus, quando a Conferência dos Bispos do Brasil vai aprender que a mídia não só não é católica como se opõe a Igreja? Ou seja, já há uma predisposição a não entender - já que não conhecem - e a entender de forma errada, adaptando àquilo que defendem e pretendem defender. Em suma, a clareza tinha que ser o norte das notificações e pronunciamentos. Além disso, é claro, há um fator que é essencial; a CNBB deve priorizar a exatidão para que assim, por meio de palavras bem ditas, a sã doutrina possa ser ensinada e transmitida. Do que adianta ser um bom e fiel Bispo se não parece um bom e fiel Bispo? Adotar um discurso fraco e não-objetivo - não necessariamente relativista - é pecar por falta de prudência, ainda mais quando sabemos que os inimigos esperam ansiosos o menor deslize do Clero.

O pronunciamento não foi exato, claro e simples, como pede a caridosa postura da Igreja, afinal isso é o que se espera daquela que se sustenta na Verdade.

O Portal G1 veiculou a notícia com essa título: "Para CNBB, ninguém foi excomungado em caso de aborto de menina de 9 anos" (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1040654-5598,00.html)

O Jornal do Brasil veiculou a mesma notícia com o seguinte título: "CNBB apóia excomunhão dos envolvidos no aborto de criança pernambucana" (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/03/12/e120322282.asp)

Isso é uma prova de como o pronunciamento da CNBB que, mesmo não contradizendo a posição do Arcebispo - que se sustenta no Direito Canônico que afirma categoricamente a pena de excomunhão latae sententiae aos fiéis (católicos maiores de 16 anos) que realizam o aborto - não foi em nada enfático na defesa de D. José e do lamentável transcorrer dos fatos. Tristes conseqüências são geradas dessa falta de postura; primeiro que parece, para o grande público, que a Igreja sequer consegue chegar a um consenso quanto as suas normas canônicas, em segundo lugar o valoroso D. José passa a se enxergar praticamente sozinho na luta em defesa da vida - poucos são os Sucessores dos Apóstolos que aparecem em seu apoio - e, em terceiro lugar, para piorar, muitos Sacerdotes árduos opositores da cultura de morte, que defenderam com fidelidade a postura da Igreja, se encontram desacreditados já que, por meio dessa aparente oposição da CNBB, são contraditos pelos Bispos da Conferência. Em suma, faltou objetividade e clareza nas palavras, faltou cuidado e zelo ao tratar de um tema tão polêmico envolto em opiniões pessoais e usado pelos anti-clericais como a ponta da lança na luta contra a Igreja.

Veja o pronunciamente dos Bispos na íntegra: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/news/article.php?storyid=1149

O Relativismo dos Católicos Liberais e a Desconstrução Religiosa

Pedro Ravazzano
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O que é ser um católico alienado? Se for, por acaso, seguir filialmente os ensinamentos da Igreja, obedecer ao Santo Padre, levar em conta a visibilidade da Igreja e o poder Magisterial, então eu sou um católico alienado e espero que todos sejam. E se, como pretendem alguns, ser um católico liberto significa desobedecer a Igreja, priorizar as teologias heréticas que se opõem propositalmente ao pensamento dogmático, desacatar os ensinamentos doutrinais em nome de um relativismo fruto da tentativa de adaptar a fé a crenças e objetivos mesquinhos e mundanos, então eu prefiro viver na prisão da religião, não sou um "católico liberto".

Aqueles que são católicos o são por livre escolha, aqueles que seguem a vida religiosa ainda fazem livremente. Se a crença desses homens e mulheres não é coagida nem imposta, por que cargas d'água preferem desobedecer a sair e fundar uma nova seita? Ser católico nos coloca na posição de filhos da Mater Ecclesia, e como seremos filhos bondosos se não só desobedecemos a Mãe como a ultrajamos? Os católicos liberais (modernistas) rejeitam a doutrina da Igreja, os pronunciamentos Papais, muitos dogmas e crenças que só são cridos por conta da autoridade romana que valida a ortodoxia e a legitimidade desses pontos. Ao mesmo tempo em que se opõem a tais ensinamentos eclesiásticos, participam da Eucaristia, veneram os santos, seguem atos de devoção e piedade, consideram os Padres legítimos Sacerdotes, Bispos verdadeiros Pastores, a Bíblia um Livro Sagrado. E o que mantém todas essas verdades senão a própria Igreja? É a Igreja - invisível, de fato, mas também visível e estável, afinal Cristo criou uma instituição - que assegura que na Eucaristia o Corpo e o Sangue se fazem presentes, pois é ela que tem o múnus divino de guiar e manter o depósito da fé, é a Igreja que ratifica a santidade dos homens e legitima os milagres, é a Igreja que autoriza e impulsiona atos de devoção depois de atestar a sua ortodoxia, é a Igreja que autentica o Sacerdócio dos Padres e é nela que a Sucessão Apostólica progride em perfeita continuidade, é a Igreja que assegura a Revelação da Escritura, afinal foi ela que a escreveu e é nela que a Tradição é protegida, é a Igreja que zela pelo verdadeiro credo, já que foi o seu poder, dado por Cristo, que resguardou a verdadeira fé dos ataques dos hereges nos tempos patrísticos. Ora, até mesmos os liberais e modernistas precisam da Igreja para crer, sem ela pontos essenciais da doutrina, que são vistos hoje com grande naturalidade, ou não chegariam até nós, ou seriam corrompidos, ou não teriam base para se manter.

Ao mesmo tempo, esses mesmos homens e mulheres preterem outros ensinamentos da Igreja, escolhem o que crer, rejeitam aquilo que se mostra incompatível com suas crenças pessoais e, no máximo, comunitárias. É quase uma Livre-Interpretação doutrinal. Se os protestantes, irmãos separados, interpretam a escritura de maneira individual, sendo essa a porta de entrada do relativismo e do liberalismo religioso, os similares católicos acatam os ensinamentos que são básicos para qualquer religião cristã, mas renegam aquilo que os caracteriza como católicos; renegam a Igreja mais precisam da Igreja para crer. Por isso essa postura é relativista, ou seja, não tem fidelidade para com a Verdade nem com aquilo que eles consideram verdade. Até mesmo a vivência no erro deve e pode ser honesta. Se alguém me perguntar se prefiro um protestante liberal que rejeita os ensinamentos dos Reformadores e desenvolve uma teologia sem sintonia com o espírito luterano ou calvinista, digo, com segurança, que optaria por um protestante fiel a doutrina reformada, seguidor da ortodoxia da sua denominação. Os relativistas católicos vivem numa situação insustentável; ao mesmo tempo em que são católicos, portanto precisam da Igreja para zelar e proteger a sua fé, são relativistas, ou seja, rejeitam pontos essenciais da Religião e colocam em discussão os fundamentos basilares da identidade católica. Ademais, esses homens e mulheres não têm a coragem de perceber que as incongruências entre seus ensinamentos e os da Igreja os colocam numa posição cismática e herética, ou seja, não são honestos o suficiente para romper com a Igreja, e por quê? Porque reconhecem que precisam da Esposa de Cristo para continuar crendo!

É uma relação de amor e ódio; amam e não amam, querem e não querem, precisam e não precisam. Muitas vezes esse discurso relativista toma um contorno materialista, como na Teologia da Libertação. Vejam que os adeptos dessa heresia, ao mesmo tempo em que falam tanto da pobreza e do capitalismo selvagem, se assemelham, e muito, aos alvos de suas críticas; individualizam a fé, tomam uma postura extremamente subjetiva, egoísta e pessoal, com isso reduzem uma Religião Universal, de 2000 mil anos, a uma realidade específica, contextual, pontual e, provavelmente, temporária. Além disso excluem as bases da correta hermenêutica cristã, substituindo a Tradição pela sociologia, o Magistério pelas teorias de exploração. Desse modo, mudando o fundamento básico que norteia o entendimento de todo o cristianismo, a Teologia da Libertação cria uma nova interpretação, “interpretação que se afasta gravemente da fé da Igreja, mais ainda, constitui uma negação prática dessa fé.” (Como disse o Papa João Paulo II por meio da Congregação para a Doutrina da Fé no documento Libertatis Nuntius)

No dizer do Santo Padore João Paulo II, através da Congregação para o Clero, no ano 2001:
Na sociedade, assinalada hoje pelo pluralismo cultural, religioso e ético, parcialmente caracterizada pelo relativismo, pelo indiferentismo, pelo irenismo e pelo sincretismo, parece que alguns cristãos se tenham quase habituado a uma espécie de "cristianismo" destituído de reais referências a Cristo e à sua Igreja; tende-se, dessa forma, a reduzir o projeto pastoral a temáticas sociais colhidas numa perspectiva exclusivamente antropológica, no âmbito de um genérico apelo ao pacifismo, ao universalismo e a uma referência não bem especificada a "valores".
O relativismo destrói as noções básicas da fé; nada é Verdadeiro, nada pode ser compreendido como Verdadeiro, Eterno e Imutável. A postura dos homens do séc. XXI é terrivelmente aterrorizante, hoje em dia o espírito relativista assombra e invade todos os ambientes, existe a difusão desse ethos que destrói as mentes e impõe um princípio de mentira e contradição. Os mais crassos e óbvios paradoxos são defendidos sem pesar e receio, isso por conta da postura adotada, inconscientemente, pela sociedade. Gosto muito da noção de “ethos”, ou seja, um espírito, um arcabouço moral, comportamental, que determina a ação dos homens. A décadas atrás os indivíduos eram cristãos em ação mesmo quando não professavam a fé em Nosso Senhor, isso se dava por conta da involuntariedade dos atos apostólicos que pululavam na sociedade. Não era necessário que ninguém fosse católico para defender a vida, combater a pobreza, buscar a Verdade, odiar a mentira e a imoralidade, todas essas posturas se faziam presentes naturalmente, porque estavam na construção do ideal de humanidade. O relativismo não só destruiu essas bases como colocou no seu lugar um novo ethos, um espírito de tanto faz, de falsa liberdade, onde qualquer invenção religiosa e filosófica é aceita por conta do tal respeito pluralista, além disso, o amor e a paz são terrivelmente desconstruídos, ficando submersos em princípios sentimentais, empobrecidos, onde amor vira o clichê da paixão e a paz a caricatura do pacifismo a todo custo. “E assim, abandonando-se ao relativismo e ao cepticismo (cf. Jo 18, 38), ele vai à procura de uma ilusória liberdade fora da própria Verdade.” (João Paulo II, Veritatis Splendor)

O relativismo, desse modo, não se submete a Verdade, sequer se interessa em buscá-La, ele não só impede que se chegue até Ela como eleva ao Seu mesmo nível todas as mentiras oriundas de falsas compreensões e noções obtusas acerca da Religião. “O relativismo, tudo justificando, e afirmando que tudo é do mesmo valor, impugna o caráter absoluto dos princípios cristãos.” (Paulo VI, Ecclesiam Suam). O relativismo, propositalmente, ainda confundiu a noção de respeito com a de aceitação; não precisamos concordar com o erro para guardar os direitos daqueles que vivem nas sombras. No entanto o princípio relativista impõe a nivelação da Verdade com a mentira, assim sendo, tudo passa a ser autêntico e digno de reverência, mesmo quando há clara oposição entre o que cremos, o que é crido pela Igreja, e o que é seguido pelos que estão foram da comunhão. Claro que isso não nos autoriza a repudiar os irmãos separados – hereges – ao contrário, nos incentiva a tomar uma postura de caridade, buscando a conversão e a adesão a tudo aquilo que foi deixado por Cristo e guardado pela Sua Igreja. A diversidade é parte essencial da nossa catolicidade mas, por sua vez, defende-la de forma relativista, como se não houvesse um fio condutor que determina a mesma crença, é um erro sem tamanhos. A beleza e riqueza da heterogeneidade da Religião é justamente o fato de haver uma miscelânea de espiritualidades e externalizações da fé mas que, na alma de cada fiel, pulsa a mesma Verdade, se incendeia o mesmo fogo que arrebata os corações em Cristo, que eleva as almas e as fazem ficar apaixonadas pela vida e morte de Nosso Senhor – “A convergência do que é diverso não deve dar a impressão de uma cedência àquele relativismo que nega o próprio sentido da verdade e a possibilidade de a obter.” (Bento XVI no 20º aniversário do encontro inter-religioso de oração pela paz). Do mesmo modo, vale frisar, o relativismo, ao açucarar as posturas dos homens, adota e difunde um discurso empobrecedor, simplório e banal, onde a Verdade é negociada e o respeito torna-se refém da necessidade de impor um espírito banalizado e mentiroso:
“Um alterado respeito pelo pluralismo conduz a um relativismo, que põe em dúvida as verdades ensinadas pela fé e acessíveis à razão humana; isto, por sua vez, leva à confusão acerca da essência da liberdade autêntica.” (Discurso do Papa João Paulo II, em 1998, aos Bispos da Austrália)
A fidelidade doutrinal, condenada pelos modernistas, é na verdade oriunda da necessidade do filial seguimento, por parte dos fiéis, aos ensinamentos da Igreja. Se cremos que Ela é a Esposa de Cristo, edificada por Nosso Senhor, não só invisível, mas visível, aderir a tudo aquilo que se forma no seu âmago torna-se uma bela obrigação. O contrário, ou seja, escolher o que acatar, lançar mão de um catolicismo a encomenda, é não ter a coragem de viver a mensagem cristã, com uma sadia radicalidade, não se lançar de corpo e alma na mensagem deixada por Cristo.
“Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” (Cardeal Ratzinger na Homilia na Santa Missa ‘Pro Eligendo Romano Pontifice’)
Ainda existem aqueles que, buscando autenticar o seu relativismo, procuram justificar seu posicionamento modernista partindo dos documentos e pronunciamentos da Igreja. Pobre Vaticano II. Como distorcem o Concílio, criando um espírito que jamais foi defendido ou propagado pelos Padres Conciliares. Esses homens que pretendem colocar a heresia nas palavras do Vaticano II na verdade corrompem a correta hermenêutica dos documentos conciliares; além de rechaçarem todos os ensinamentos da Igreja antes do Concílio – o que é um absurdo de grandes proporções, afinal o Magistério é contínuo e ele, em sua totalidade, representa os ensinamentos de Cristo. Desse modo romper com 1965 anos de Igreja é renegar 1965 anos de legítimas e autênticas doutrinas cristãs. – impõe uma ótica que parte do mais genuíno modernismo, acreditando na mutabilidade do dogma e da adaptação da Verdade aos tempos, como se não fosse eterna e inerrante. Nem mesmo se Cristo aparecesse em plena sessão conciliar os Padres mudariam com tanta radicalidade, como defendem os relativistas na sua hermenêutica, as doutrinas mais básicas desde a teologia dogmática até as noções de eclesiologia. Assim disse S.S Paulo VI na 8ª Sessão Solene do Concílio Vaticano II:
A Igreja conforma-se às novas normas dadas pelo Concílio: são normas fiéis, são normas insignes pela novidade duma consciência mais perfeita da comunhão na Igreja, da sua admirável estrutura, da caridade mais ardente que deve unir, activar e santificar a comunhão hierárquica da Igreja.

É este o período daquele verdadeiro «aggiornamento» preconizado pelo nosso predecessor, de venerada memória, João XXIII. A julgar pelas suas intenções, ele não queria certamente dar a esta palavra o significado que alguns tentaram dar-lhe, como se fosse lícito considerar tudo na Igreja segundo os princípios do relativismo e o espírito do mundo: dogmas, leis, instituições, tradições; ele, com efeito, de temperamento austero e firme, tinha diante dos olhos a estabilidade doutrinal e estrutural da Igreja, a ponto de nela basear o seu pensamento e a sua actividade. De futuro, portanto, usaremos a palavra «aggiornamento» para significar a sábia penetração do espírito do Concílio celebrado e a aplicação fiel das normas, feliz e santamente por ele emanadas.
Ademais, é importante lembrar, o próprio relativismo em sua postura religiosa, como nos setores de católicos liberais, tem um arcabouço doutrinal: doutrinas estabelecidas e, é claro, o condicionamento mental. Entres as várias verdades do liberalismo religioso podemos citar aquela que afirma que nenhuma corrente religiosa é Verdadeira a não ser quando demonstrada pela razão, além disso afirma categoricamente que todas as doutrinas teológicas são oriundas de grupos de homens, assim como a defesa inconteste da necessidade de modificar o cristianismo de acordo com o progresso da Civilização e as exigências do tempo. Pois bem, o liberalismo, a priori, tinha uma posição extremamente racionalizada, entretanto, a decadência por ele insuflada de tão acentuada corrompeu as próprias noções básicas do pensamento relativista-liberal. Se antes achava que a Verdade só era Verdade quando justificada pela ciência, hoje não só deixou de lado essa postura como se tornou extremamente passional e asquerosamente açucarado; tudo é Verdade, mesmo quando em tudo subsistem contradições crassas. Hoje, os católicos liberais, negociam a Verdade, ou seja, rebaixam o catolicismo e elevam as falsas religiões – não há entre eles a sensibilidade missionária e de conversão. Além disso, graças a influência marxista e a uma dessas proposições, esses setores, heréticos, afirmam categoricamente que o desenvolvimento dogmático na Igreja, com a estruturação da doutrina graças ao aprofundamento teológico e a melhor compreensão da imutável Escritura e Tradição, se deu graças ao enrijecimento da Igreja, a petrificação da hierarquia que se tornou ferramenta de opressão e alienação, criando uma religião anti-popular, aversa ao povo. Ora, que argumento mentiroso. Se a Igreja fez definições doutrinais e dogmáticas por conta dessa realidade sociológica o Espírito Santo e a Sua eterna inspiração foram parar aonde? Ao rebaixar a Igreja eles colocam em dúvida toda a fé que crêem, afinal sem a Esposa de Cristo não há como resguardar a ortodoxia da Religião, e o poder que legitima a infalibilidade e o Magistério é o mesmo poder que autentica o Sacerdote modernista, a Eucaristia que eles profanam, e o Bispo adepto de heresias. Ou seja, sem a Igreja os heterodoxos sequer teriam onde pregar seus erros!

Os relativistas são amenos e simpáticos a todos os credos e crenças, menos com o catolicismo. Abrem o sorriso para adeptos de candomblé e espíritas, mas ultrajam e rejeitam aqueles fiéis que procuram vivenciar com fidelidade os ensinamentos da Igreja. Esse liberais ainda vão além ao buscar desmontar todo o arcabouço cristão que fundamenta as sociedades erguidas sob uma sólida base apostólica. Desse modo falam de justiça, paz e caridade sem entender a necessidade de englobar a mensagem de Cristo, a Eucaristia, o Amor de um Deus que de tão imenso Se torna homem e com os homens vive e morre para salvá-los. Quando esvaziados dessa mística cristã tudo fica morno, simplório e vazio. Do que adianta alimentar o homem se dentro dele pulsa um coração que vive nas trevas? O grande erro é enxergar a pobreza como aquela vinculada aos bens, a matéria; a pobreza espiritual, o distanciamento de Cristo, a frieza dos homens e a tibieza da fé, são os males que assolam a Religião, e o que fazem os relativistas? Não só se distanciam das pregações de espiritualidade e devoção como estimulam aquelas que colocam o homem e a matéria no cerne dos discursos; tudo é fruto da justiça dos homens, da necessidade de distribuição de renda, de melhor qualidade de vida. Cristo, nessa ótica, tem um papel coadjuvante, afinal Nosso Senhor aparece não como o Deus que clama a conversão e a elevação dos homens na busca pela salvação, mas como o Pai que não enxerga os pecados e que, além disso, se realiza com a instauração da justiça social, como se ela em si carregasse a plenitude do sentido verdadeiramente cristão de sociedade. Assim afirmou o Cardeal Renato Raffaele Martino, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz:
Se, com efeito, a justiça, a razão, a dimensão material são auto-suficientes e capazes de funcionar muito bem sozinhas, o cristianismo torna-se supérfluo para a vida pública e teria razão a laicidade do relativismo a negá-lo na esfera das escolhas particulares, ou a tolerá-lo, colocando-o no grande "panteão" do supermercado dos deuses. Mas como o Deus cristão não foi acolhido no grande "panteão" dos romanos, não pode estar sequer neste novo "panteão" pós-moderno.
Esse esvaziamento da sociedade, o distanciamento dos valores cristãos, ataca as noções mais básicas de moralidade. O cristianismo, que forjou a identidade ocidental, se transformou num mero coadjuvante, não mais serve como o motor espiritual, moral e intelectual de uma Civilização. Em contrapartida os princípios relativistas tomam espaço, destruindo os legados da fé Cristã e impondo aos homens comportamentos empobrecidos, onde a busca pela Verdade é substituída por construções mentais que acatam contradições e ratificam paradoxos. Como disse a Congregação para o Clero, em 1999:
É elevado o número de batizados que se afastam do seguimento de Cristo e que vivem segundo um estilo marcado pelo relativismo. O papel da fé cristã é reduzido, em muitos casos, ao de um fator puramente cultural, restrito freqüentemente a uma dimensão meramente privada, sem importância alguma na vida social dos homens e dos povos.[6]
Assim vai caminhando essa grande Civilização, tão diversa e tão bela em sua diversidade. Do mesmo modo a Igreja, em sua universalidade, é assolada por homens ingratos e submissos a mentira que buscam não só destruir, mas desconstruir aquilo que foi formado durante séculos de aprofundamento teológico e saber intelectual. A desconstrução é pior do que a destruição, já que é movida por argumentos, mesmo que falaciosos, e pelo desenvolvimento de raciocínios e objeções que procuram não só retirar a primorosa ortodoxia reinante, mas fazer com que a grande comunidade de fiéis adote, mesmo que inconscientemente, esses discursos que valorizam a mentira e preterem a Verdade.

Devemos ficar atentos, combater o relativismo e conhecer a doutrina da Igreja para que assim, fortalecidos com essa manancial, possamos não só defender a Esposa de Cristo dos ataques dos seus inimigos que usam crucifixos e se vestem como Sacerdotes (obviamente isso é uma metáfora, já que modernistas tem aversão a batina e paramentos litúrgicos) mas difundir a Boa Nova em sua plenitude; toda a mensagem transmitida por Cristo aos Apóstolos e resguardada pela Igreja!