sábado, 21 de março de 2009

Protege minha vida!

A Conferência Episcopal Espanhola, que cada vez mais se consolida como uma das mais ortodoxas e piedosas Conferências de Bispos de todo o mundo, lançou uma nova campanha em defesa da vida. Ironizando o politicamente correto com sua radical defesa de animais, a Igreja na Espanha procura alertar para a necessidade de proteger a vida das crianças, combatendo o aborto. Enquanto o lince é resguardado com leis que proíbem a caça o bebê carregado no ventre é assassinado com o aval da própria mãe. A mesma coisa ocorre no Brasil; muitos dos esquerdistas que defendem penas severas para os caçadores de tartarugas são os mesmos que lutam pela legalização do infanticídio. A humanidade e sua decadência; matamos a nossa espécie!

sexta-feira, 13 de março de 2009

A CNBB é tão clara como a noite!

Os Bispos da CNBB resolveram se pronunciar sobre o caso do aborto em Pernambuco. O que seria motivo de regozijo passou a ser motivo de vergonha. Bom seria se tivessem mantido simplesmente aquelas notas. Meu Deus, quando a Conferência dos Bispos do Brasil vai aprender que a mídia não só não é católica como se opõe a Igreja? Ou seja, já há uma predisposição a não entender - já que não conhecem - e a entender de forma errada, adaptando àquilo que defendem e pretendem defender. Em suma, a clareza tinha que ser o norte das notificações e pronunciamentos. Além disso, é claro, há um fator que é essencial; a CNBB deve priorizar a exatidão para que assim, por meio de palavras bem ditas, a sã doutrina possa ser ensinada e transmitida. Do que adianta ser um bom e fiel Bispo se não parece um bom e fiel Bispo? Adotar um discurso fraco e não-objetivo - não necessariamente relativista - é pecar por falta de prudência, ainda mais quando sabemos que os inimigos esperam ansiosos o menor deslize do Clero.

O pronunciamento não foi exato, claro e simples, como pede a caridosa postura da Igreja, afinal isso é o que se espera daquela que se sustenta na Verdade.

O Portal G1 veiculou a notícia com essa título: "Para CNBB, ninguém foi excomungado em caso de aborto de menina de 9 anos" (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1040654-5598,00.html)

O Jornal do Brasil veiculou a mesma notícia com o seguinte título: "CNBB apóia excomunhão dos envolvidos no aborto de criança pernambucana" (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/03/12/e120322282.asp)

Isso é uma prova de como o pronunciamento da CNBB que, mesmo não contradizendo a posição do Arcebispo - que se sustenta no Direito Canônico que afirma categoricamente a pena de excomunhão latae sententiae aos fiéis (católicos maiores de 16 anos) que realizam o aborto - não foi em nada enfático na defesa de D. José e do lamentável transcorrer dos fatos. Tristes conseqüências são geradas dessa falta de postura; primeiro que parece, para o grande público, que a Igreja sequer consegue chegar a um consenso quanto as suas normas canônicas, em segundo lugar o valoroso D. José passa a se enxergar praticamente sozinho na luta em defesa da vida - poucos são os Sucessores dos Apóstolos que aparecem em seu apoio - e, em terceiro lugar, para piorar, muitos Sacerdotes árduos opositores da cultura de morte, que defenderam com fidelidade a postura da Igreja, se encontram desacreditados já que, por meio dessa aparente oposição da CNBB, são contraditos pelos Bispos da Conferência. Em suma, faltou objetividade e clareza nas palavras, faltou cuidado e zelo ao tratar de um tema tão polêmico envolto em opiniões pessoais e usado pelos anti-clericais como a ponta da lança na luta contra a Igreja.

Veja o pronunciamente dos Bispos na íntegra: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/news/article.php?storyid=1149

O Relativismo dos Católicos Liberais e a Desconstrução Religiosa

Pedro Ravazzano
***
O que é ser um católico alienado? Se for, por acaso, seguir filialmente os ensinamentos da Igreja, obedecer ao Santo Padre, levar em conta a visibilidade da Igreja e o poder Magisterial, então eu sou um católico alienado e espero que todos sejam. E se, como pretendem alguns, ser um católico liberto significa desobedecer a Igreja, priorizar as teologias heréticas que se opõem propositalmente ao pensamento dogmático, desacatar os ensinamentos doutrinais em nome de um relativismo fruto da tentativa de adaptar a fé a crenças e objetivos mesquinhos e mundanos, então eu prefiro viver na prisão da religião, não sou um "católico liberto".

Aqueles que são católicos o são por livre escolha, aqueles que seguem a vida religiosa ainda fazem livremente. Se a crença desses homens e mulheres não é coagida nem imposta, por que cargas d'água preferem desobedecer a sair e fundar uma nova seita? Ser católico nos coloca na posição de filhos da Mater Ecclesia, e como seremos filhos bondosos se não só desobedecemos a Mãe como a ultrajamos? Os católicos liberais (modernistas) rejeitam a doutrina da Igreja, os pronunciamentos Papais, muitos dogmas e crenças que só são cridos por conta da autoridade romana que valida a ortodoxia e a legitimidade desses pontos. Ao mesmo tempo em que se opõem a tais ensinamentos eclesiásticos, participam da Eucaristia, veneram os santos, seguem atos de devoção e piedade, consideram os Padres legítimos Sacerdotes, Bispos verdadeiros Pastores, a Bíblia um Livro Sagrado. E o que mantém todas essas verdades senão a própria Igreja? É a Igreja - invisível, de fato, mas também visível e estável, afinal Cristo criou uma instituição - que assegura que na Eucaristia o Corpo e o Sangue se fazem presentes, pois é ela que tem o múnus divino de guiar e manter o depósito da fé, é a Igreja que ratifica a santidade dos homens e legitima os milagres, é a Igreja que autoriza e impulsiona atos de devoção depois de atestar a sua ortodoxia, é a Igreja que autentica o Sacerdócio dos Padres e é nela que a Sucessão Apostólica progride em perfeita continuidade, é a Igreja que assegura a Revelação da Escritura, afinal foi ela que a escreveu e é nela que a Tradição é protegida, é a Igreja que zela pelo verdadeiro credo, já que foi o seu poder, dado por Cristo, que resguardou a verdadeira fé dos ataques dos hereges nos tempos patrísticos. Ora, até mesmos os liberais e modernistas precisam da Igreja para crer, sem ela pontos essenciais da doutrina, que são vistos hoje com grande naturalidade, ou não chegariam até nós, ou seriam corrompidos, ou não teriam base para se manter.

Ao mesmo tempo, esses mesmos homens e mulheres preterem outros ensinamentos da Igreja, escolhem o que crer, rejeitam aquilo que se mostra incompatível com suas crenças pessoais e, no máximo, comunitárias. É quase uma Livre-Interpretação doutrinal. Se os protestantes, irmãos separados, interpretam a escritura de maneira individual, sendo essa a porta de entrada do relativismo e do liberalismo religioso, os similares católicos acatam os ensinamentos que são básicos para qualquer religião cristã, mas renegam aquilo que os caracteriza como católicos; renegam a Igreja mais precisam da Igreja para crer. Por isso essa postura é relativista, ou seja, não tem fidelidade para com a Verdade nem com aquilo que eles consideram verdade. Até mesmo a vivência no erro deve e pode ser honesta. Se alguém me perguntar se prefiro um protestante liberal que rejeita os ensinamentos dos Reformadores e desenvolve uma teologia sem sintonia com o espírito luterano ou calvinista, digo, com segurança, que optaria por um protestante fiel a doutrina reformada, seguidor da ortodoxia da sua denominação. Os relativistas católicos vivem numa situação insustentável; ao mesmo tempo em que são católicos, portanto precisam da Igreja para zelar e proteger a sua fé, são relativistas, ou seja, rejeitam pontos essenciais da Religião e colocam em discussão os fundamentos basilares da identidade católica. Ademais, esses homens e mulheres não têm a coragem de perceber que as incongruências entre seus ensinamentos e os da Igreja os colocam numa posição cismática e herética, ou seja, não são honestos o suficiente para romper com a Igreja, e por quê? Porque reconhecem que precisam da Esposa de Cristo para continuar crendo!

É uma relação de amor e ódio; amam e não amam, querem e não querem, precisam e não precisam. Muitas vezes esse discurso relativista toma um contorno materialista, como na Teologia da Libertação. Vejam que os adeptos dessa heresia, ao mesmo tempo em que falam tanto da pobreza e do capitalismo selvagem, se assemelham, e muito, aos alvos de suas críticas; individualizam a fé, tomam uma postura extremamente subjetiva, egoísta e pessoal, com isso reduzem uma Religião Universal, de 2000 mil anos, a uma realidade específica, contextual, pontual e, provavelmente, temporária. Além disso excluem as bases da correta hermenêutica cristã, substituindo a Tradição pela sociologia, o Magistério pelas teorias de exploração. Desse modo, mudando o fundamento básico que norteia o entendimento de todo o cristianismo, a Teologia da Libertação cria uma nova interpretação, “interpretação que se afasta gravemente da fé da Igreja, mais ainda, constitui uma negação prática dessa fé.” (Como disse o Papa João Paulo II por meio da Congregação para a Doutrina da Fé no documento Libertatis Nuntius)

No dizer do Santo Padore João Paulo II, através da Congregação para o Clero, no ano 2001:
Na sociedade, assinalada hoje pelo pluralismo cultural, religioso e ético, parcialmente caracterizada pelo relativismo, pelo indiferentismo, pelo irenismo e pelo sincretismo, parece que alguns cristãos se tenham quase habituado a uma espécie de "cristianismo" destituído de reais referências a Cristo e à sua Igreja; tende-se, dessa forma, a reduzir o projeto pastoral a temáticas sociais colhidas numa perspectiva exclusivamente antropológica, no âmbito de um genérico apelo ao pacifismo, ao universalismo e a uma referência não bem especificada a "valores".
O relativismo destrói as noções básicas da fé; nada é Verdadeiro, nada pode ser compreendido como Verdadeiro, Eterno e Imutável. A postura dos homens do séc. XXI é terrivelmente aterrorizante, hoje em dia o espírito relativista assombra e invade todos os ambientes, existe a difusão desse ethos que destrói as mentes e impõe um princípio de mentira e contradição. Os mais crassos e óbvios paradoxos são defendidos sem pesar e receio, isso por conta da postura adotada, inconscientemente, pela sociedade. Gosto muito da noção de “ethos”, ou seja, um espírito, um arcabouço moral, comportamental, que determina a ação dos homens. A décadas atrás os indivíduos eram cristãos em ação mesmo quando não professavam a fé em Nosso Senhor, isso se dava por conta da involuntariedade dos atos apostólicos que pululavam na sociedade. Não era necessário que ninguém fosse católico para defender a vida, combater a pobreza, buscar a Verdade, odiar a mentira e a imoralidade, todas essas posturas se faziam presentes naturalmente, porque estavam na construção do ideal de humanidade. O relativismo não só destruiu essas bases como colocou no seu lugar um novo ethos, um espírito de tanto faz, de falsa liberdade, onde qualquer invenção religiosa e filosófica é aceita por conta do tal respeito pluralista, além disso, o amor e a paz são terrivelmente desconstruídos, ficando submersos em princípios sentimentais, empobrecidos, onde amor vira o clichê da paixão e a paz a caricatura do pacifismo a todo custo. “E assim, abandonando-se ao relativismo e ao cepticismo (cf. Jo 18, 38), ele vai à procura de uma ilusória liberdade fora da própria Verdade.” (João Paulo II, Veritatis Splendor)

O relativismo, desse modo, não se submete a Verdade, sequer se interessa em buscá-La, ele não só impede que se chegue até Ela como eleva ao Seu mesmo nível todas as mentiras oriundas de falsas compreensões e noções obtusas acerca da Religião. “O relativismo, tudo justificando, e afirmando que tudo é do mesmo valor, impugna o caráter absoluto dos princípios cristãos.” (Paulo VI, Ecclesiam Suam). O relativismo, propositalmente, ainda confundiu a noção de respeito com a de aceitação; não precisamos concordar com o erro para guardar os direitos daqueles que vivem nas sombras. No entanto o princípio relativista impõe a nivelação da Verdade com a mentira, assim sendo, tudo passa a ser autêntico e digno de reverência, mesmo quando há clara oposição entre o que cremos, o que é crido pela Igreja, e o que é seguido pelos que estão foram da comunhão. Claro que isso não nos autoriza a repudiar os irmãos separados – hereges – ao contrário, nos incentiva a tomar uma postura de caridade, buscando a conversão e a adesão a tudo aquilo que foi deixado por Cristo e guardado pela Sua Igreja. A diversidade é parte essencial da nossa catolicidade mas, por sua vez, defende-la de forma relativista, como se não houvesse um fio condutor que determina a mesma crença, é um erro sem tamanhos. A beleza e riqueza da heterogeneidade da Religião é justamente o fato de haver uma miscelânea de espiritualidades e externalizações da fé mas que, na alma de cada fiel, pulsa a mesma Verdade, se incendeia o mesmo fogo que arrebata os corações em Cristo, que eleva as almas e as fazem ficar apaixonadas pela vida e morte de Nosso Senhor – “A convergência do que é diverso não deve dar a impressão de uma cedência àquele relativismo que nega o próprio sentido da verdade e a possibilidade de a obter.” (Bento XVI no 20º aniversário do encontro inter-religioso de oração pela paz). Do mesmo modo, vale frisar, o relativismo, ao açucarar as posturas dos homens, adota e difunde um discurso empobrecedor, simplório e banal, onde a Verdade é negociada e o respeito torna-se refém da necessidade de impor um espírito banalizado e mentiroso:
“Um alterado respeito pelo pluralismo conduz a um relativismo, que põe em dúvida as verdades ensinadas pela fé e acessíveis à razão humana; isto, por sua vez, leva à confusão acerca da essência da liberdade autêntica.” (Discurso do Papa João Paulo II, em 1998, aos Bispos da Austrália)
A fidelidade doutrinal, condenada pelos modernistas, é na verdade oriunda da necessidade do filial seguimento, por parte dos fiéis, aos ensinamentos da Igreja. Se cremos que Ela é a Esposa de Cristo, edificada por Nosso Senhor, não só invisível, mas visível, aderir a tudo aquilo que se forma no seu âmago torna-se uma bela obrigação. O contrário, ou seja, escolher o que acatar, lançar mão de um catolicismo a encomenda, é não ter a coragem de viver a mensagem cristã, com uma sadia radicalidade, não se lançar de corpo e alma na mensagem deixada por Cristo.
“Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” (Cardeal Ratzinger na Homilia na Santa Missa ‘Pro Eligendo Romano Pontifice’)
Ainda existem aqueles que, buscando autenticar o seu relativismo, procuram justificar seu posicionamento modernista partindo dos documentos e pronunciamentos da Igreja. Pobre Vaticano II. Como distorcem o Concílio, criando um espírito que jamais foi defendido ou propagado pelos Padres Conciliares. Esses homens que pretendem colocar a heresia nas palavras do Vaticano II na verdade corrompem a correta hermenêutica dos documentos conciliares; além de rechaçarem todos os ensinamentos da Igreja antes do Concílio – o que é um absurdo de grandes proporções, afinal o Magistério é contínuo e ele, em sua totalidade, representa os ensinamentos de Cristo. Desse modo romper com 1965 anos de Igreja é renegar 1965 anos de legítimas e autênticas doutrinas cristãs. – impõe uma ótica que parte do mais genuíno modernismo, acreditando na mutabilidade do dogma e da adaptação da Verdade aos tempos, como se não fosse eterna e inerrante. Nem mesmo se Cristo aparecesse em plena sessão conciliar os Padres mudariam com tanta radicalidade, como defendem os relativistas na sua hermenêutica, as doutrinas mais básicas desde a teologia dogmática até as noções de eclesiologia. Assim disse S.S Paulo VI na 8ª Sessão Solene do Concílio Vaticano II:
A Igreja conforma-se às novas normas dadas pelo Concílio: são normas fiéis, são normas insignes pela novidade duma consciência mais perfeita da comunhão na Igreja, da sua admirável estrutura, da caridade mais ardente que deve unir, activar e santificar a comunhão hierárquica da Igreja.

É este o período daquele verdadeiro «aggiornamento» preconizado pelo nosso predecessor, de venerada memória, João XXIII. A julgar pelas suas intenções, ele não queria certamente dar a esta palavra o significado que alguns tentaram dar-lhe, como se fosse lícito considerar tudo na Igreja segundo os princípios do relativismo e o espírito do mundo: dogmas, leis, instituições, tradições; ele, com efeito, de temperamento austero e firme, tinha diante dos olhos a estabilidade doutrinal e estrutural da Igreja, a ponto de nela basear o seu pensamento e a sua actividade. De futuro, portanto, usaremos a palavra «aggiornamento» para significar a sábia penetração do espírito do Concílio celebrado e a aplicação fiel das normas, feliz e santamente por ele emanadas.
Ademais, é importante lembrar, o próprio relativismo em sua postura religiosa, como nos setores de católicos liberais, tem um arcabouço doutrinal: doutrinas estabelecidas e, é claro, o condicionamento mental. Entres as várias verdades do liberalismo religioso podemos citar aquela que afirma que nenhuma corrente religiosa é Verdadeira a não ser quando demonstrada pela razão, além disso afirma categoricamente que todas as doutrinas teológicas são oriundas de grupos de homens, assim como a defesa inconteste da necessidade de modificar o cristianismo de acordo com o progresso da Civilização e as exigências do tempo. Pois bem, o liberalismo, a priori, tinha uma posição extremamente racionalizada, entretanto, a decadência por ele insuflada de tão acentuada corrompeu as próprias noções básicas do pensamento relativista-liberal. Se antes achava que a Verdade só era Verdade quando justificada pela ciência, hoje não só deixou de lado essa postura como se tornou extremamente passional e asquerosamente açucarado; tudo é Verdade, mesmo quando em tudo subsistem contradições crassas. Hoje, os católicos liberais, negociam a Verdade, ou seja, rebaixam o catolicismo e elevam as falsas religiões – não há entre eles a sensibilidade missionária e de conversão. Além disso, graças a influência marxista e a uma dessas proposições, esses setores, heréticos, afirmam categoricamente que o desenvolvimento dogmático na Igreja, com a estruturação da doutrina graças ao aprofundamento teológico e a melhor compreensão da imutável Escritura e Tradição, se deu graças ao enrijecimento da Igreja, a petrificação da hierarquia que se tornou ferramenta de opressão e alienação, criando uma religião anti-popular, aversa ao povo. Ora, que argumento mentiroso. Se a Igreja fez definições doutrinais e dogmáticas por conta dessa realidade sociológica o Espírito Santo e a Sua eterna inspiração foram parar aonde? Ao rebaixar a Igreja eles colocam em dúvida toda a fé que crêem, afinal sem a Esposa de Cristo não há como resguardar a ortodoxia da Religião, e o poder que legitima a infalibilidade e o Magistério é o mesmo poder que autentica o Sacerdote modernista, a Eucaristia que eles profanam, e o Bispo adepto de heresias. Ou seja, sem a Igreja os heterodoxos sequer teriam onde pregar seus erros!

Os relativistas são amenos e simpáticos a todos os credos e crenças, menos com o catolicismo. Abrem o sorriso para adeptos de candomblé e espíritas, mas ultrajam e rejeitam aqueles fiéis que procuram vivenciar com fidelidade os ensinamentos da Igreja. Esse liberais ainda vão além ao buscar desmontar todo o arcabouço cristão que fundamenta as sociedades erguidas sob uma sólida base apostólica. Desse modo falam de justiça, paz e caridade sem entender a necessidade de englobar a mensagem de Cristo, a Eucaristia, o Amor de um Deus que de tão imenso Se torna homem e com os homens vive e morre para salvá-los. Quando esvaziados dessa mística cristã tudo fica morno, simplório e vazio. Do que adianta alimentar o homem se dentro dele pulsa um coração que vive nas trevas? O grande erro é enxergar a pobreza como aquela vinculada aos bens, a matéria; a pobreza espiritual, o distanciamento de Cristo, a frieza dos homens e a tibieza da fé, são os males que assolam a Religião, e o que fazem os relativistas? Não só se distanciam das pregações de espiritualidade e devoção como estimulam aquelas que colocam o homem e a matéria no cerne dos discursos; tudo é fruto da justiça dos homens, da necessidade de distribuição de renda, de melhor qualidade de vida. Cristo, nessa ótica, tem um papel coadjuvante, afinal Nosso Senhor aparece não como o Deus que clama a conversão e a elevação dos homens na busca pela salvação, mas como o Pai que não enxerga os pecados e que, além disso, se realiza com a instauração da justiça social, como se ela em si carregasse a plenitude do sentido verdadeiramente cristão de sociedade. Assim afirmou o Cardeal Renato Raffaele Martino, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz:
Se, com efeito, a justiça, a razão, a dimensão material são auto-suficientes e capazes de funcionar muito bem sozinhas, o cristianismo torna-se supérfluo para a vida pública e teria razão a laicidade do relativismo a negá-lo na esfera das escolhas particulares, ou a tolerá-lo, colocando-o no grande "panteão" do supermercado dos deuses. Mas como o Deus cristão não foi acolhido no grande "panteão" dos romanos, não pode estar sequer neste novo "panteão" pós-moderno.
Esse esvaziamento da sociedade, o distanciamento dos valores cristãos, ataca as noções mais básicas de moralidade. O cristianismo, que forjou a identidade ocidental, se transformou num mero coadjuvante, não mais serve como o motor espiritual, moral e intelectual de uma Civilização. Em contrapartida os princípios relativistas tomam espaço, destruindo os legados da fé Cristã e impondo aos homens comportamentos empobrecidos, onde a busca pela Verdade é substituída por construções mentais que acatam contradições e ratificam paradoxos. Como disse a Congregação para o Clero, em 1999:
É elevado o número de batizados que se afastam do seguimento de Cristo e que vivem segundo um estilo marcado pelo relativismo. O papel da fé cristã é reduzido, em muitos casos, ao de um fator puramente cultural, restrito freqüentemente a uma dimensão meramente privada, sem importância alguma na vida social dos homens e dos povos.[6]
Assim vai caminhando essa grande Civilização, tão diversa e tão bela em sua diversidade. Do mesmo modo a Igreja, em sua universalidade, é assolada por homens ingratos e submissos a mentira que buscam não só destruir, mas desconstruir aquilo que foi formado durante séculos de aprofundamento teológico e saber intelectual. A desconstrução é pior do que a destruição, já que é movida por argumentos, mesmo que falaciosos, e pelo desenvolvimento de raciocínios e objeções que procuram não só retirar a primorosa ortodoxia reinante, mas fazer com que a grande comunidade de fiéis adote, mesmo que inconscientemente, esses discursos que valorizam a mentira e preterem a Verdade.

Devemos ficar atentos, combater o relativismo e conhecer a doutrina da Igreja para que assim, fortalecidos com essa manancial, possamos não só defender a Esposa de Cristo dos ataques dos seus inimigos que usam crucifixos e se vestem como Sacerdotes (obviamente isso é uma metáfora, já que modernistas tem aversão a batina e paramentos litúrgicos) mas difundir a Boa Nova em sua plenitude; toda a mensagem transmitida por Cristo aos Apóstolos e resguardada pela Igreja!

quinta-feira, 12 de março de 2009

A questão do aborto

por Ron Paul

A questão do aborto sempre dividiu amargamente populações de vários países. É um triste espetáculo, principalmente quando consideramos que o fato de uma política social ficar a cargo do estado, principalmente em nível federal, já é uma violação das liberdades individuais de qualquer cidadão. É igualmente triste perceber que um grande número de indivíduos acredita que sua liberdade depende exclusivamente de leis estatais, seja do Supremo Tribunal ou de qualquer outra instância pública.

Não há qualquer argumento que justifique haver um "direito ao aborto" patrocinado pelo governo. A federalização da lei do aborto, permitindo-o ou proibindo-o, baseia-se unicamente nas idéias sociais e políticas criadas pelos tribunais estatais.

Portanto, o governo federal não tem qualquer autoridade para regular a questão do aborto. Por que ao menos não deixar a cargo das legislaturas estaduais ou municipais decidirem sobre política social? Certamente as pessoas em ambos os lados do debate sobre o aborto sabem que é muito mais fácil influenciar o governo em níveis estaduais e municipais. A federalização das questões sociais, originalmente propugnadas pela esquerda, mas hoje amplamente adotadas pela direita, simplesmente impede que os estados aprovem leis que reflitam mais de perto as visões de seus cidadãos. Ao aceitarmos a federalização da lei do aborto - bem como de qualquer outra lei - perdemos a capacidade de aplicar os padrões da comunidade local às questões éticas.

Aqueles que defendem uma cultura pró-vida têm de aceitar que nunca conseguiremos convencer toda uma nação a concordar conosco. Uma cultura pró-vida pode ser construída apenas de baixo para cima, começando em nível local e dali aumentando seu escopo de influência, de pessoa para pessoa. Há muito temos encarado a batalha como sendo algo puramente político, mas nenhuma vitória política pode mudar uma sociedade já degradada. Nenhuma decisão do Supremo Tribunal, contra ou a favor, pode instituir o respeito pela vida. E nenhum juiz de um Supremo Tribunal pode salvar nossas liberdades se nós mesmos não estivermos dispostos a lutar por elas.

Uma postura libertária contra o aborto

Minha posição pró-vida foi fortalecida pela minha própria experiência como obstetra. Creio sem qualquer sombra de dúvida que um feto é uma vida humana merecedora de proteção legal, e que o direito à vida é a base de qualquer sociedade moral. A questão do aborto forjou minha crença de que a lei e a moralidade devem se cruzar para proteger os mais vulneráveis entre nós. E se há alguma função para o estado, esta deveria ser a proteção dos direitos naturais dos indivíduos.

Mas será que ter essa postura antiaborto é inerentemente inconsistente com a filosofia libertária? Muitos libertários parecem acreditar que sim. O aborto, de acordo com eles, é uma moralidade legislativamente forçada e defendida por conservadores pró-estado que querem impor sua fé e sua moral sobre o resto de uma sociedade avessa a isso. E mais: eles dizem que essa postura é estatista e totalitária, pois invalida o direito da mãe em terminar sua gravidez. Sendo assim, o estado estaria sobrepujando os direitos dos pais e decidindo pela mãe - contra sua vontade - que ela deve sim trazer uma criança ao mundo.

Mas seria isso mesmo? Sustento que não, em absoluto. Ao invés de ser uma emancipadora manifestação da liberdade de escolha pessoal contra a intrusão governamental, o "direito" ao aborto é em si uma medida estatista totalmente consistente com a ideologia esquerdista que pretende ditar como a sociedade e o governo devem funcionar. Essa postura em nada ajuda a promover a causa da liberdade. Ao contrário, ela faz com que os princípios da liberdade e da responsabilidade pessoal fiquem anos-luz atrasados. A postura pró-vida é muito mais consistente com o ideal libertário do que a postura alternativa acima delineada.

Dado que muito material já foi escrito debatendo quando a vida de fato começa, seria tolice gastar tempo sobre o assunto neste espaço. Direi apenas que aqueles que argumentam que um feto em desenvolvimento não é de maneira alguma um ser humano têm muita evidência científica contra eles. Já está bem documentado que há um coração batendo após 18 dias de fertilização e que a formação de ondas cerebrais já ocorre após um mês e meio (tenha em mente também que a maioria dos abortos ocorre bem depois desses desenvolvimentos).

Longe de ser apenas uma "bolha de carne" ou um acessório sem vida dentro de uma mulher, os defensores do aborto cada vez mais estão sendo confrontados com a inerente humanidade do feto em desenvolvimento. Tentar determinar um tempo preciso para o início da vida ignora várias evidências científicas que mostram justamente que todos os ingredientes necessários para isso já são apresentados logo no início da gravidez. A idéia comumente aceita para se decretar o status de vida é aquela que compara o feto a um humano completamente desenvolvido (ou, utilizando o argumento mais extremo dos abortistas, que a vida começa realmente apenas quando o bebê já saiu completamente do corpo da mãe durante o parto). Isso é uma irresponsabilidade. Longe de ser apenas uma bolha de carne, ou uma simples forma de vida análoga a uma bactéria ou a uma fruta em crescimento, uma abordagem moral e filosófica mais responsável seria ver aquilo que está dentro do útero como sendo aquilo que realmente é: um ser humano em desenvolvimento.

Considerando-se tudo isso, a sanção estatal do aborto nada mais é do que uma troca de direitos. Lembre-se que, como foi dito, o aborto é defendido por alguns como um caminho para a liberação e para a responsabilidade pessoal da mãe. O argumento é que nem o estado nem qualquer outro ser humano (especialmente os homens) têm o direito de dizer à mãe o que fazer com seu próprio corpo. Parece correto, certo? Nem tanto.

Tal postura convenientemente ignora o fato de que dentro da mãe jaz uma entidade que é completamente distinta dela. (O argumento de que o aborto é legítimo pois a criança depende da mãe para sua sobrevivência não precisa ser limitado ao útero; ele pode facilmente ser estendido a crianças recém-nascidas e até mesmo a incapacitados e idosos). Portanto, está havendo uma troca de liberdades e direitos. A mãe está ganhando direitos e privilégios especiais ao mesmo tempo em que a criança está perdendo seus direitos. Um lado está ganhando à custa do outro. Esse arranjo em nada difere das várias outras invenções esquerdistas e estatistas que prejudicam alguns para o benefício de outros.

É de se pensar como exatamente esse arranjo é libertário e pró-liberdade. Ao dar às mães o direito aprovado pelo estado de terminar uma gravidez está-se ignorando os direitos e interesses das outras partes envolvidas na questão. Primeiro, essa medida anula completamente o poder de decisão do homem na questão (ainda que reconhecidamente a maioria dos homens que engravidam essas mulheres nada mais são do que "doadores de esperma", por assim dizer, mas esse nem sempre é o caso). Segundo, há uma anulação completa da vida da criança em gestação, em meio a evidências cada vez mais conclusivas de que aquilo que está no útero é de fato uma vida. Mas como ese bebê foi concebido em um momento inoportuno, azar o dele. Ele simplesmente não tem direitos. Esse não parece ser um conceito muito libertário.

E quanto à liberdade pessoal e à responsabilidade? Mais uma vez, percebe-se que aqueles que defendem o aborto em termos da liberdade pessoal estão vendo apenas um lado da história. Eles não têm qualquer problema em negar o direito à vida e à liberdade da criança que está no útero (baseando-se, veja bem, não em filosofia, ciências biológicas ou na razão moral, mas apenas em argumentos políticos e sociológicos).

Já é hora de os defensores da liberdade e da responsabilidade pessoal colocarem mais pressão sobre as pessoas promíscuas e sexualmente irresponsáveis para que elas tomem medidas adequadas para evitar a gravidez. É moral e intelectualmente injusto fazer com que uma criança indesejada carregue o fardo pelas ações irresponsáveis de terceiros. Ao passo que os libertários diriam corretamente que não é função do estado tentar corrigir o comportamento e as atitudes equivocadas dos outros, também não faz sentido que o estado sancione leis agressivas e contra a vida que irão punir inocentes pelos erros de seus pais. Isso não é nada libertário. Trata-se de uma liberdade seletiva, que utiliza agressão contra crianças indefesas.

Isso nos leva à consideração final: o aborto viola o princípio da não-agressão. A mãe (ou os pais), normalmente como resultado da própria irresponsabilidade, toma (tomam) a decisão unilateral de acabar com uma vida. A criança obviamente não tem voz nessa questão. Os pais abortistas e o estado tomam a decisão pela criança, e prematuramente terminam sua vida. De novo, não é uma atitude muito libertária.

A questão política

Entretanto, esse embate não deve se dar no campo político. Sabemos que a moralidade é algo que deve ser intrínseca às leis, não importa o que os secularistas digam. Mas a moralidade não é intrínseca à política. A política nada mais é do que um mecanismo de se obter poder sobre as vidas das pessoas através do poder estatal. A política é a rejeição da santidade da vida. Assim, é um erro supor que uma cultura pró-vida possa ser implantada por meio da persuasão política ou do poder governamental. O respeito pela vida humana se origina de indivíduos agindo de acordo com sua consciência. A moralidade não é algo que pode ser imposto. Uma consciência pró-vida é estimulada pela religião, pela família e pela ética, não pelo governo. A história já nos ensinou que os governos esmagadoramente violam a santidade da vida humana; eles nunca a defendem.

A idéia de que um estado todo-poderoso e centralizado deva fornecer soluções monolíticas para os nossos dilemas éticos é completamente descabida e equivocada. As decisões, como foi dito, devem ser tomadas descentralizadamente, em nível local ou, no máximo, estadual. Entretanto, atualmente estamos sempre procurando uma solução federal para todo e qualquer problema social, ignorando os saudáveis limites que devem ser impostos a um governo federal, solapando assim nossas liberdades. O resultado é um estado federal que crescentemente vai tomando decisões ao estilo "tudo ou nada", alienando grandes segmentos da população.

Como libertário, defendo a causa pela vida não apenas em termos morais e espirituais, mas também filosoficamente, utilizando os princípios da não-agressão e da liberdade individual. Um governo que sanciona o aborto sanciona a agressão (não à toa, o aborto foi a política de todos os países comunistas), dando direitos e privilégios a alguns (as mães) enquanto injuria e tira os direitos de outros (as crianças não-nascidas). Essa troca de direitos, bem como a agressão patrocinada pelo estado, não é algo libertário, como a maioria dos libertários "mainstream" presume. Trata-se unicamente do modelo-padrão estatista que determina como a sociedade e o governo devem funcionar. Tal postura é, em última análise, injusta, imoral e destrutiva.

Esse conceito tem muito mais em comum com a filosofia da esquerda intervencionista do que com a filosofia da liberdade. E não há nada de libertário nisso.

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Ron Paul, médico, é um congressista republicano do Texas e foi candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008. É autor de sete livros. Seu website: http://www.campaignforliberty.com/

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque

Publicado originalmente no Instituto Ludwig von Mises Brasil


quarta-feira, 11 de março de 2009

Iniciativas contra o aborto

No dia 3 de Novembro de 2008, publiquei nesse blog um artigo intitulado "Apelo em favor da visibilidade do nascituro", no qual explico a artimanha que se usa para esmorecer nas pessoas a preocupação com o ser presente no ventre da gestante e aumentar a aceitação do aborto, e como essa tática pode ser obstaculizada, ou, ao menos, como isso me parece com muita clareza. Espero que, nas atuais circunstâncias de ofensiva pública contra clérigos que se levantaram contra o aborto de supostos gêmeos de uma garota de nove anos, estuprada pelo padrasto (poderia ser isso a parte trágica de um conto de fadas real, caso nesses contos os padrastos tivessem se consagrado também, como aconteceu com as madrastas, e caso o final tivesse sido feliz), apelos como o que eu fiz sejam ouvidos e cogitados, e, se possível, aplicados. Pois, embora os pró-vida nos vangloriemos de que "a maioria do povo brasileiro é contra o aborto", a última pesquisa que conheci mostrou que a maioria das pessoas são favoráveis ao aborto em casos de estupro e risco de vida para a gestante.[1]

Peço a alguém que providencie a tradução de dois importantes livros: "Aborted Women: Silent No More", de Julie Makimaa e Dave Readon, e "The Missing Piece", de Lee Ezeel. Julie e Ezeel foram concebidas por estupro e suas mães deixaram-nas viver; tornaram-se militantes, cada uma criou uma ong para persuadir as mulheres americanas estupradas a conceberem os filhos, mostrando a elas o porquê de tomar esta decisão. Essas obras mostram o resultado de anos de vivências, observações e acompanhamentos de mulheres. O caso delas foi divulgado num belíssimo artigo do Mídia Sem Máscara, “A criança “indesejada””, que eu até transcreveria aqui, mas o site atualmente está em manutenção. É preciso que os pró-vida tratem mais especificamente desse caso, pois é nesse ponto que muitos que se consideram contra o aborto vacilam.[2]

Não estou pedindo aos outros algo que eu mesmo posso fazer, ao menos fazer bem. Pessoas mais importantes e articuladas da Igreja e de movimentos pró-vida têm muito mais condições de fazer um evento como o que eu defendi em relação à visibilização do nascituro. E, quanto à tradução, eu leio inglês muito mal, e não vejo por quê caberia a mim tal trabalho. No entanto, tentei arranjar um tradutor e procurei o Pe. Lodi, do Pró-Vida Anápolis, mas que me informou estar muito ocupado em estudos de Bioética. Tentei também o bispo Dom Petrini, a quem tenho como amigo, mas por intermédio de nosso colega Vinícius M. de Oliveira, e ainda tenho de me informar sobre como foi a conversa. Se eu não conseguir alguém, ficará registrada aqui minha tentativa de fazer algo quanto a esse assunto tão delicado.

Espero não viver o mesmo que o dedicado mestre Olavo de Carvalho, que não conseguiu realizar coisas importantes pelo Brasil por não ter conseguido o apoio necessário. Presumo que tal não irá ocorrer, pois, ao menos no que tange a luta contra o aborto, tem muita gente mobilizada nesse país. Se acontecer, não deixará de ser surpreendentemente chocante.

Imagem: a bela Makimaa, que teve a oportunidade de nascer, em participação especial na March to life.

[1] Lembram da pesquisa anunciada quando a Folha de São Paulo publicou um dossiê sobre o jovem brasileiro? Se a estatística não se referia à população total, ao menos se referia a essa parcela, o que não é bom augúrio.

[2] Não direi que eu também não tenho meu recuo em certos casos sensíveis. Embora seja contrário ao aborto de indivíduo concebido por estupro, vacilo quando o objetivo é salvar a vida da mulher em quadros clínicos complicados (o que é muito raro devido à medicina, e que inclusive não foi o caso dessa garota de Alagoinha), quando a intenção dela é se proteger. É natural que alguém queira salvar a própria vida, e é por isso que num acidente de carro o motorista instintivamente joga o carro para a esquerda, de forma que o impacto maior acaba se concentrando no carona, que é quem geralmente morre. Não me sinto capaz de exigir da mulher que se sacrifique, pois não sei se eu teria coragem de me sacrificar; admito que esse meu pensamento talvez seja resultado da corrupção social que abordei no meu artigo precedente, que enfraquece a coragem e a moral das pessoas, fazendo com que estas não sejam capazes de fazer o que aparentemente seja o pior para si. Mas, independentemente das origens, essa é a minha atitude em relação a esses casos fatais que, felizmente, a medicina fez o favor de escassear e que, oxalá, irá reduzir quase ao ponto do risco de uma gravidez convencional, se já não o fez.













Nossa querida Julie M. Não é linda?

terça-feira, 10 de março de 2009

Tem coisa que só se vê no Brasil!

O JN QUER SABER

O que você achou da decisão do arcebispo de Olinda e Recife, que excomungou os envolvidos no aborto sofrido por uma menina de 9 anos, que engravidou de gêmeos após ser violentada pelo padrasto?

O que você achou da decisão do arcebispo de Olinda e Recife, que excomungou os envolvidos no aborto sofrido por uma menina de 9 anos, que engravidou de gêmeos após ser violentada pelo padrasto?

Essa é a enquete que se encontra no site do Jornal Nacional - http://jornalnacional.globo.com/. Meu Deus, que inveja dos tempos em que o Direito Canônico era matéria nas Universidades!

Como disse nosso colega Ricardo Almeida, que nem é católico, mas isso em nada o torna inapto para fazer uma análise honesta: "Um detalhe parece ter escapado às pessoas que discutem o caso e à mídia em geral: mesmo que o bispo fosse contrário a norma do direito canônico que prescreve excomunhão automática a quem auxiliou e permitiu o aborto, ele deveria aplicá-la, em razão de uma obrigação de índole processual. A ninguém é facultado subtrair-se a aplicação da Lei quando lhe é dado esta faculdade-dever, seja ela lei civil ou lei da Igreja. Este argumento, cuja obviedade se impõe a qualquer um com três neurônios, já derruba todas as alegações acerca do caso e ilustra a perfeita coerência da atitude do bispo. Caso ele agisse de outro modo cometeria uma arbitrariedade processual evidente, ao tomar para si o direito de decidir a despeito de uma norma jurídica clara e inequívoca.

Absurdo por absurdo, lembro aqui da notícia que eu vi em Datena - uma gorda criatura que sintetiza toda estupidez do jornalismo sensacionalista - segundo a qual um Promotor aventou a hipótese de enquadrar a decisão do bispo nos rigores da Lei. Sabe-se lá com que subterfúgios jurídicos defender-se-á semelhante loucura. Mas na Bananlência nada é impossível. Até mesmo um bispo ser preso na justiça normal por aplicar uma lei.. canônica.'

Daqui a pouco os médicos vão comungar com habeas corpus e policias obrigarão o Sacerdote a ouvir a confissão da mãe da garota!

D. José contra todos...os imorais!

É com grande prazer que apresento essa maravilhosa charge feita pelo meu irmão de apostolado - no Veritatis Splendor - Emerson de Oliveira: