sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Bento XVI, D. Williamson e a Mídia

Pedro Ravazzano
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Ser Papa é carregar uma santa cruz, imagina ter que agüentar um bando de jornalistas que sem um mínimo de conhecimento sobre a Igreja dá pitacos e lança informações mentirosas? O Papa, mesmo sendo Vigário de Cristo, é vítima da
mass media, afinal não faltam não-católicos que adoram se preocupar com os ensinamentos da Igreja (nunca vi algo tão contraditório, pregam a liberdade relativizada mas são os primeiros a condenarem quem defende a ortodoxia e a moralidade, ué, cadê a tal liberdade então?) e católicos que parecem que preferem se informar pela grande mídia do que por meio dos pronunciamentos de Sua Santidade.


D. Williamson foi extremamente infeliz no seu comentário. O Holocausto é uma realidade histórica, pouco importa se morreram dois milhões ou seis milhões de judeus, o fato é que a história da humanidade foi maculada, a dignidade humana destruída. O homem até na morte merece respeito! Para piorar a situação do Pastor a Igreja canonizou santos que deram o último suspiro nos campos de concentração nazistas; Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein, filósofa judia, discípula de Husserl, que depois de convertida se tornou monja carmelita, morreu em Auschwitz rezando pelos judeus), São Maximiliano Kolbe (franciscano martirizado em Auschwitz) , Beato Tito Brandsma (carmelita martirizado em Dachau) entre tantos outros. A Shoá foi um punhal enfiado no coração de todos os homens, como lamentou S.S Pio XI, como chorou Venerável Pio XII. A Santa Igreja Romana clamava a paz enquanto judeus, ciganos, inválidos etc, eram massacrados.

Agora entra a má fé da mídia, aliás, a falta de fé da mídia - ela já se tornou pagã a muito tempo. D. Williamson, juntamente com mais três Bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Dom Fellay, Dom Tissiere Dom Galarreta), foi des-excomungado pelo Santo Padre. O Papa retirou a pena que havia incorrido quando, em 1988, Mons. Lefebvre, juntamento com D. Castro Mayer – Bispo de Campos -, sagrou quatros sacerdotes sem permissão pontifícia. O Direito Canônico atesta a excomunhão latae sententiae, ou seja, automática, tanto ao Bispo sagrante quanto aos neo-Bispos (Can. 1382 Both the Bishop who, without a pontifical mandate, consecrates a person a Bishop, and the one who receives the consecration from him, incur a latae sententiae excommunication reserved to the Apostolic See.) Desse modo, o Servo de Deus João Paulo II apenas ratificou a pena que já havia sido aplicada; a excomunhão.

D. Fellay, superior da FSSPX, que não existe legalmente, já que foi suprimida canonicamente em 1976, em uma atitude de caridade, pediu a retirada da excomunhão. Se eles acreditam na sua nulidade – a nulidade parte da premissa de que nunca existiu a pena, com isso Mons. Lefebvre e D. Mayer teriam uma memória imaculada canonicamente, já a retirada indica que existiu a pena mas que ele foi levantada – é algo que não mais deve ser levado em conta, já que, por meio do seu Superior, toda a Fraternidade jurou obediência ao Santo Padre.

Esse ato é muito importante por vários motivos. Primeiramente podemos pontuar o bem que gera a toda Igreja, afinal estamos falando de um grupo presente em todo o mundo, que congrega muitos fiéis, com igrejas, escolas, universidades e que, agora, inicia um processo de diálogo com a Santa Sé para que assim, no futuro próximo, vivencie integralmente a sua fé católica, com total adesão ao Magistério. Outro motivo, de grande relevância, é que o retorno da Fraternidade a Igreja – vamos relevar algumas loucuras ditas por certos falsos tradicionalistas que acreditam que a Igreja se encontra perdida e deve voltar a...Igreja -, com sua total concordância aos ensinamentos papais e, principalmente, conciliares, engrossa as fileiras de Sua Santidade no seu exército em favor do que ele chama “hermenêutica da continuidade”, combatendo abusos, profanações, o relativismo, o modernismo.

Alguns problemas se colocam como a formação, dentro da FSSPX, de gerações viciadas na crítica destrutiva e banalizada, um costume que de tão encrustado gera em seus membros uma pedância magisterial; se consideram mais Igreja do que a própria Igreja. Sem dúvida alguma esse é um grande problema que deverá ser solucionado pelos Bispos da Fraternidade, principalmente D. Fellay. O Papa já deixou claro que quer iniciar um diálogo com a FSSPX para que haja “verdadeira fidelidade e o verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do papa e do Concílio Vaticano II", indo além ao falar, por meio da Secretaria de Estado, que “é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI.” Aí vem a grande questão; como fazer com que uma multidão criada no discurso viciado anti-Vaticano II, um povo que aprendeu que o Concílio foi ambíguo, pastoral e modernista, fiéis que se formaram dentro da Fraternidade, não conhecendo a Igreja viva no mundo, como fazer com que esses católicos compreendam a necessidade de aceitar o Vaticano II, saindo de uma radical oposição a uma aceitação caridosa e piedosa? Com certeza é um dos grandes obstáculos que aparecem. A Fraternidade precisará desenvolver um diálogo tanto com a Santa Sé quanto com seus fiéis e sacerdotes. Até porque, verdade seja dita, os membros e simpatizantes da FSSPX desenvolveram uma grande estrutura de comunicação na internet; se os Bispos não se pronunciam o seu rebanho rapidamente chegará as suas próprias conclusões. Ademais, sem esse zelo apostólico a possibilidade de cisões internas aumenta vertiginosamente.

Como vemos, a atitude do Santo Padre foi de extrema caridade e amor, deu a mão a esses Bispos que se encontravam numa situação dolorosa e de muita pesar. Como filhos escondidos atrás da porta gritavam ofensas ao pai, críticas que mais pareciam a birra da criança que de tanto amar sentia raiva ao se ver punida. Agora, através de um sincero diálogo, Sua Santidade fará o possível para que a Fraternidade, por meio dos seus Bispos, não só preste uma obediência formal, mas integral, para que assim possa rezar, celebrar, comungar com toda a Igreja, vivendo e crendo com toda a Igreja.

Não podemos deixar que esses erros de D. Williamson camuflem ou deturpem a bela iniciativa papal, o belo verão que se abre na Igreja tão atacada pelos inimigos da fé, no inverno formado pelos homens que vilipendiam a Religião.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A verdadeira opção prefencial pelos pobres

Segue abaixo três vídeos sobre os Servos dos Pobres do Terceiro Mundo, Opus Christi Salvatoris Mundi. Esse é um Movimento que vive de forma piedosa, honrada e digna a opção pelos pobres, levando de maneira cristã esse carisma muitas vezes corrompido pelo discurso da Teologia da Libertação.

Os Servos dos Pobres congregam várias comunidades; Sacerdotes e seminaristas, Irmãos solteiros, jovens comprometidas, Casais missionários, e Irmãos contemplativos. O carisma "é servir a Cristo nos pobres desta extensa porção da humanidade, entregando a sua vida por eles, oferecendo um testemunho de serviço humilde e silencioso como o de Jesus de Nazaré."






sábado, 31 de janeiro de 2009

Del Toro humilhado

Benicio del Toro foi entrevistado por Marlen Gonzalez para divulgar seu novo filme; a história de Che Guevara. A jornalista, com uma aparente indignação, questiona o ator com os fatos horrendos da biografia do Carniceiro de La Cabaña. Vejam e constatem a ignorância de del Toro que nem sequer consegue desenvolver um raciocínio com exatidão!


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Fim da Igreja Católica na Bolívia?

Enquanto a Igreja é perseguida na Venezuela - onde a pouco sofreu com atentados realizados por chavistas -, no Equador e agora na Bolívia, alguns Bispos e religiosos brasileiros insistem em defender a Teologia da Libertação e seu já ultrapassado discurso socializante, condenado desde a década de 70.

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Morales quiere sustituir la Iglesia Católica por enemiga de las transformaciones

BRASIL

El presidente Evo Morales, dijo este jueves en Belem do Pará, que es posible sustituir la Iglesia Católica por otra, al considerar que ésta se ha convertido en enemiga de las transformaciones que viene ejecutando su gobierno.

Morales, dijo en el marco del Foro Social Mundial que se realiza en esta ciudad brasileña, que la Iglesia Católica es la principal "enemiga de las transformaciones pacíficas" que su gobierno quiere implementar en su país y aseguró que sustituir a esta religión es posible.

"En Bolivia aparecieron nuevos enemigos, ya no sólo la prensa de la derecha, sino grupos de la Iglesia Católica, los jerarcas de la iglesia católica que son enemigos de las transformaciones pacíficas".

El mandatario explicò que "estaba un poco reflexionando, quiero decirles como se grita permanentemente: Otro mundo es posible, yo quiero decirles otra fe, otra religión, otra Iglesia también es posible hermanas y hermanos", aseguró.

Morales, una semana antes del referendo constitucional, se declaró católico y recibió la comunión en la iglesia de un pueblo potosino. De esa manera, el presidente quiso mostrar a Bolivia que la constitución no eliminaba la religión.

La Iglesia Católica y todas las iglesias evangélicas, se pronunciaron en contra de la Constitución de Evo Morales, porque dijeron contenía artículos que iban en contra de la Palabra de Dios.

Esto provocó un fuerte ataque verbal principalmente contra la Iglesia Católica y el Cardenal Julio Terrazas, quien hizo declaraciones que no fueron del agrado del gobierno.

MOVILIZACIÓN MUNDIAL CONTRA EL INTERVENCIONISMO DE EEUU

Por otro lado, el presidente Morales, llamó a organizar una movilización mundial por la paz para terminar con el intervencionismo estadounidense en el planeta que "ahora se levante en armas contra los pueblos"

"No creo en las guerras", señaló el mandatario, que explicó que en el pasado "tal vez era importante que los pueblos se levanten en armas contra el imperio, pero ahora es el imperio el que se levanta en armas contra los pueblos".

El mandatario boliviano señaló que la humanidad tiene cuatro grandes responsabilidades que son la vida, la justicia, la soberanía y el cuidado del planeta

"Un tema central es el de la vida y defender al planeta tierra", remarcó Morales, quien recordó que luego de una reunión con su gabinete ministerial su gobierno analiza la creación de un Ministerio del Medio Ambiente.

http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=677

A FSSPX e Bento XVI: Diálogo pelo triunfo do Vaticano II

Pedro Ravazzano
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O momento que estamos vivendo é muito importante. A retirada da excomunhão aos Bispos da FSSPX é um passo essencial para o triunfo da correta hermenêutica conciliar. Afinal, o que seria a aceitação da Fraternidade ao Vaticano II senão uma vitória da Igreja de Cristo? Ademais, com o crescente ressoar desse evento, outro ponto passou a se destacar com bastante relevância: o Concílio Vaticano II.


Muitos enxergaram na retirada da excomunhão aos Bispos uma carta de permissão, de Sua Santidade, a toda e qualquer crítica ao Concílio. Até colocaram o Instituto Bom Pastor como exemplo desse aval "crítico”, mas esqueceram que o IBP não só aceita o Vaticano II como se encontra em total sintonia com o Magistério da Igreja – "Graças ao instrumento hermenêutico, que ofereceu o Papa Bento XVI, os ensinos do Vaticano II se colocam na continuidade dos ensinos de todos os Concílios. Os debates futuros entre os responsáveis da Fraternidade São Pio X e as autoridades romanas não podem não ter êxito", disse o IBP no comunicado feito depois da retirada da excomunhão.

Primeiramente, é sempre pertinente frisar, a "desexcomunhão" não quer dizer que há uma união estabelecida; ao contrário, é o início de um frutuoso diálogo. Os mesmos que enxergam na atitude do Santo Padre a permissão da crítica são os mesmos que já lançam rojões antes mesmo de se iniciar o fraterno colóquio entre a Fraternidade e o Sumo Pontífice. Não sejamos precipitados nem levianos...

A crítica ao Vaticano II não foi "liberada", até porque a defesa do Concílio é parte integral do pontificado de S. Santidade. Bento XVI afirma que "através do Concílio" "a Igreja e a humanidade" receberam um "dom extraordinário", indo além ao falar que "cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio.", indicando-o "como farol", falando que "nas formulações e na linguagem os ensinamentos do Concílio Vaticano II" estão "em plena continuidade com a doutrina da Tradição católica.". Poderia me referir a diversos pronunciamentos onde o Papa não só cita o Vaticano II, o que constata que faz parte sim de toda a estrutura magisterial atual, mas como o defende até com uma sadia radicalidade. Indico o artigo do nosso irmão Marcos Grillo; AFINAL, BENTO XVI É FAVORÁVEL OU CONTRÁRIO AO CONCÍLIO VATICANO II?

Mesmo assim, com tantos discursos e referências ao Concílio, uma trupe continua defendendo o indefensável: Bento XVI vai soterrar o Vaticano II e suas heresias. Eu não sei como eles mantêm esse raciocínio, afinal, S. Santidade jamais criticou o CVII em si. É fato que Bento XVI ataca ferozmente o que ele chamou de "hermenêutica da ruptura", uma interpretação dos documentos que rompe com a Igreja pré-conciliar ao mesmo tem em que usa o modernismo e a "evolução" doutrinária como régua! Opor-se a essa postura, como o Santo Padre, não é se opor ao Concílio; ao contrário, é defender o verdadeiro Concílio. Daí seu engajamento diário em resgatar tradições e Tradições perdidas, não para mostrar seu simples apreço às coisas antigas, mas para ensinar que há sim um fluir natural entre a Igreja pré e pós-Concílio! S.S quer o triunfo da "hermenêutica da continuidade", a única e viável forma de enxergar o Vaticano II, levando em conta 2000 anos de Igreja.

O Santo Padre falou sobre a FSSPX na última Audiência Geral. Disse ele:
Fiz esse gesto de paterna misericórdia, porque repetidamente esses prelados me manifestaram o seu grande sofrimento pela situação em que se encontravam. Faço votos de que a esse meu gesto, siga o solícito compromisso por parte deles de dar os ulteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja, testemunhando assim a verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do papa e do Concílio Vaticano II.
Ora, como fica claro, S. Santidade não deixou de lado a questão conciliar ao retirar as excomunhões. O tal papo de "tá tudo liberado, vamos criticar" não tem qualquer fundamento, como sempre. Espero que ninguém apareça e diga que "não foi exatamente isso que o Papa quis dizer", ou que "o Papa disse isso, mas, na realidade, ele planeja outra coisa". Seria o Papa hipócrita?

Mas o “melhor” é quando se afirma que "tá claríssimo que o Papa, por meio das suas atitudes, quer destruir o Concílio e resgatar a Igreja dos males do Vaticano II." O mais engraçado desse posicionamento é que não há a mínima concordância entre esses atos de S. Santidade e seus pronunciamentos: seriam dois Papas então? O que resgata o rito antigo e usa paramentos romanos é o anti-Vaticano II, o que senta na cátedra de São Pedro e defende o Concílio, literalmente, é o modernista pró-Vaticano II? Ora, só não compreende quem não quer, e quem é obtuso: o Santo Padre, ao defender a "hermenêutica da continuidade", a ortodoxa compreensão dos documentos, enxerga como natural o resgate dessas tradições que foram perdidas, de certo modo, pelo triunfo da "hermenêutica da ruptura", afinal, essa ótica indecorosa e destrutiva criou um novo "ethos" na catolicidade; um espírito de constante mudança, um relativismo doentio que de tão radical não consegue nem mesmo se manter por um raciocínio lógico.

Voltando ao pronunciamento Papal! Fica mais do que óbvio que o Santo Padre procura, por meio dessa aproximação com a FSSPX, levar aos Bispos a compreensão da piedosa interpretação conciliar, como fez com outros grupos que saíram da própria Fraternidade. Vejam, D. Fellay disse em entrevista que "Nós concebemos ecumenismo como um retorno à unidade da Verdade." Ora, onde a Igreja se distancia disso? Em qualquer pronunciamento papal, quando não é interpretado com artimanha, é de fácil percepção o fundamento ortodoxo dos diálogos ecumênicos, sem qualquer faceta irenista. O próprio Card. Kasper, aquele mesmo, disse, na Conferência pelo 40° aniversário da Unitatis Redintegratio , que "Os princípios católicos do ecumenismo, enunciados pelo Concílio Vaticano II e mais tarde pelo Papa João Paulo II, são clara e inequivocadamente opostos a um irenismo e a um relativismo que tendem a banalizar tudo (...) A Igreja Católica reivindica para si mesma, tanto no presente como no passado, o direito de ser a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, em que se encontra toda a plenitude dos instrumentos de salvação"

O Santo Padre, com toda a sua sabedoria, retirou as excomunhões para que, a partir daí, houvesse um saudável e fraterno diálogo com os Bispos, desarmados e obedientes, sem nenhum triunfalismo de "nós somos a Tradição". S. Santidade, vigoroso defensor do Concílio, não deixará que um ponto tão relevante do Magistério atual seja deixado de lado, como um mero complemento doutrinal. O Papa procurará, por meio do doce pastoreio, levar toda a Fraternidade a união total e completa, onde há reconhecimento, não só formal, da autoridade Papal e respeito e obediência aos ensinamentos do Vaticano II.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Igreja Católica por Lord Macauly

Imagem de São Pedro, com as chaves, que se encontra na Catedral Luterana de Helsinque

O trecho que vamos ler a seguir foi escrito por Lord Macauly, protestante, historiador, político, foi Ministro da Grã-Bretanha.

“Não há nem nem houve jamais sobre a terra nenhuma obra de sabedoria política e humana que tanto mereça ser estudada como a Igreja católico-romana. A história desta Igreja liga entre si as duas grandes fases da cultura humana. Não se manteve nenhuma outra instituição que faz voltar nossos olhos para tempos em que do Pantheon se erguia a fumaça dos holocaustos, e em girafas e tigres eram levados ao anfiteatro.

As casas reais mais soberbas são de ontem se comparadas com os papas. Quem mais se lhe aproxima, quanto à idade, é a república de Veneza; mas esta república era nova, comparada com o papado; ela passou; enquanto continua existindo papado, não como ruína, mas sempre vivo e na plenitude de seu vigor.


A Igreja católica sempre prossegue enviando seus mensageiros para os pontos mais extremos do orbe, tão zelosos como aqueles que outrora, com Agostinho, desembarcaram na praia de Kent.
Enfrenta reis inimigos ainda com o mesmo espírito com que enfrentou a Átila.

A Igreja assistiu ao início de todos os regimes e de todas as instituições que o nosso mundo conhece, e não estamos absolutamente certos de que ela não assistirá também ao desmoronamento de todos eles.
Ela já era grande e respeitada quando ainda nenhum pé anglo-saxão pisara terra britânica. Ela o era antes que os francos transpusessem o Reno, quando em Antioquia ainda florescia a eloqüência helênica e nos templos de Mekka ainda se adoravam ídolos pagãos.

E ela, provavelmente, ainda continuará de pé na sua força em nada enfraquecida quando, um dia, um viajante da Nova Zelândia, no meio de uma solidão completa, se postar sobre uma das pilastras quebradas da ponte do Tâmisa [Tower Bridge, em Londres], afim de esboçar as ruínas da catedral de São Paulo [Catedral Anglicana, sede do Bispo de Londres]”

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

História do Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria

Diego Ferracini

O Pequeno Ofício não pode ser considerado uma das primeiras versões breves do Breviário, mas pode ser considerado o mais utilizado e o mais popu
lar. Até o Concílio Vaticano II foi a oração litúrgica de inúmeras comunidades religiosas, principalmente as de vida apostólica e algumas ordens terceiras (Carmelitas, Franciscanos, Dominicanos, Agostinianos e etc.), também os oblatos beneditinos, algumas abadias e conventos e com certeza inúmeros cristãos leigos.

Seu surgimento oficial deu-se na Alta Idade Média quando foi incluído no Livro das Horas e após ocorreu sua expansão como forma de combate a Reforma, antes do CVII todas as edições do Breviário Romano, Monástico, Carmelita e Dominicano possuíam uma versão do Pequeno Ofício; alguns lugares mantiveram formas próprias como a Diocese de Braga em Portugal.

Para alguns existiria um Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria na Abadia Beneditina de Monte Cassino, elaborada pelo Papa Zacarias (741-752). Sua origem pode ser anterior, mas sua origem será sempre monástica.

Em muitos mosteiros foram sendo acrescentados pequenos ofícios ao Breviário, em parte pelo fato dos irmãos de coro disponibilizarem de maior tempo (os irmãos "conversos" ou "leigos" ficavam responsáveis pelos trabalhos manuais e outras atividades) e pelo costume de se rezar por inúmeras intenções (mortos, benfeitores, guerras e etc.). Assim surgem os ofícios da Bem-Aventurada Virgem Maria e o da Santa Cruz.
Em 1095 o Papa Urbano II no Concílio de Clermont convidou os cristãos a organizarem uma cruzada e aos clérigos que adicionassem o Pequeno Ofício da Virgem Maria ao Breviário, é a primeira vez que o Pequeno Ofício é citado por um papa e colocado em destaque, tal obrigação permaneceu até 1568 depois do Concílio de Trento.

Não existiu uma somente uma única versão do Pequ
eno Ofício, cada localidade ou comunidade possuía seu uso próprio, surgiram assim os usos de "Sarum", “Paris, “Cartuxa”, “Carmelo”, “Citeuax”, “Braga” e obviamente “Roma”“. É comprovada a existência de um outro Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria entre as Irmãs do Santíssimo Salvador - Brigitinas (Santa Brígida), com a diferença de que era um Ofício completo e com obrigação de ser cantado sempre no coro pelas monjas.

Importante dizer que alguns institutos nunca utilizara
m o nome "Pequeno Ofício", mas somente Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria. Em 1568 São Pio V aboliu inúmeras outras formas e permaneceu somente o modelo romano até o CVII, ele também liberou os clérigos da obrigação de rezá-lo, mesmo que algumas ordens tenham mantido a tradição. Entre os leigos ocorreu o oposto, inúmeros "Pequenos" foram impressos em "Primários" (pequenos livros devocionais) e passaram a fazer parte das orações diárias de muitos cristãos.

As novas comunidades religiosas que surgiam passavam a adotar o Pequeno Ofício, na maioria das ordens contemplativas as monjas com votos solenes possuíam obrigação de rezá-lo. As Monjas da Visitação fundadas por São Francisco de Sales rezavam o Pequeno Ofício, Beneditinas e Dominicanas alemãs que chegaram à América no século XIX tentaram manter o espírito contemplativo diante das inúmeras tarefas (hospitais e escolas) rezando o Ofício durante certo tempo.As Irmãs do Santíssimo Salvador ainda possuem sua própria versão do Ofício e algumas comunidades que faziam uso do Breviário no início (Irmãs Escolares de Nossa Senhora, Irmãs Carmelitas Corpus Christi) diante do intensivo trabalho exigido adotaram o Pequeno Ofício também.

Embora, muito utilizado e popular, o Ofício possuía como inconveniente o fato de ser incompleto não abrangendo todo o Ano Litúrgico, tentou-se ajustá-lo com três tempos, mas o Ofício permanecia o mesmo todos os dias. Durante o século XX para alguns religiosos uma renovação litúrgica e motivadora era necessária, em 1953 Pe. Augusto Bea SJ (futuro cardeal) preparou uma versão que chamou “ampliada”, ampliou os tempo de três para seis e adicionou vinte e oito festas com antífonas e orações próprias. O sumo pontífice Pio XII incentivou o uso desta versão, mesmo assim outras versões possuíam permissão de uso.

Para as comunidades que desejavam expressar mais claramente seu amor a Santíssima Virgem e desejavam uma variedade maior no Ofício do que o proposto na edição “ampliada” do Pe. Bea, em 1955 a Congregação para os Religiosos incentivou a utilização de um novo Pequeno Ofício de Bem-Aventurada Virgem Maria elaborado pelos Monges da Abadia de En Calcat (França). Tal versão possuía o Saltério dividido em suas semanas, todo o Ano Litúrgico, um ciclo santoral e uma grande inovação: leituras diárias.

A Constituição sobre Liturgia do Concílio Vaticano II acrescentou uma nova dimensão ao Pequeno Ofício, sendo ele rezado com obrigatoriedade ou por devoção, o fiel tomava parte na oração litúrgica da Igreja da mesma forma com os que rezavam o Breviário.

No entanto, em 1966 os religiosos e leigos foram encorajados a usarem o Breviário ao menos na parte da manhã e a tarde, começou assim o desaparecimento do Pequeno Ofício. Na versão conciliar do Breviário publicada em 1973 não constava o Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria. Alguns institutos adotaram o novo Breviário com o Pequeno Ofício em forma de devoção particular (Carmelitas Descalços).

Na Ordem de São Bruno (cartuxos) por tradição os monges rezam o Pequeno Ofício em suas celas, os Cistercienses o rezavam no coro em complemento ao Breviário.

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Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Matutinum

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Laudes

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Primam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Tertiam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Sextam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Nonam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Vesperas

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Completorium

Veni Creator Spiritus