sábado, 31 de janeiro de 2009

Del Toro humilhado

Benicio del Toro foi entrevistado por Marlen Gonzalez para divulgar seu novo filme; a história de Che Guevara. A jornalista, com uma aparente indignação, questiona o ator com os fatos horrendos da biografia do Carniceiro de La Cabaña. Vejam e constatem a ignorância de del Toro que nem sequer consegue desenvolver um raciocínio com exatidão!


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Fim da Igreja Católica na Bolívia?

Enquanto a Igreja é perseguida na Venezuela - onde a pouco sofreu com atentados realizados por chavistas -, no Equador e agora na Bolívia, alguns Bispos e religiosos brasileiros insistem em defender a Teologia da Libertação e seu já ultrapassado discurso socializante, condenado desde a década de 70.

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Morales quiere sustituir la Iglesia Católica por enemiga de las transformaciones

BRASIL

El presidente Evo Morales, dijo este jueves en Belem do Pará, que es posible sustituir la Iglesia Católica por otra, al considerar que ésta se ha convertido en enemiga de las transformaciones que viene ejecutando su gobierno.

Morales, dijo en el marco del Foro Social Mundial que se realiza en esta ciudad brasileña, que la Iglesia Católica es la principal "enemiga de las transformaciones pacíficas" que su gobierno quiere implementar en su país y aseguró que sustituir a esta religión es posible.

"En Bolivia aparecieron nuevos enemigos, ya no sólo la prensa de la derecha, sino grupos de la Iglesia Católica, los jerarcas de la iglesia católica que son enemigos de las transformaciones pacíficas".

El mandatario explicò que "estaba un poco reflexionando, quiero decirles como se grita permanentemente: Otro mundo es posible, yo quiero decirles otra fe, otra religión, otra Iglesia también es posible hermanas y hermanos", aseguró.

Morales, una semana antes del referendo constitucional, se declaró católico y recibió la comunión en la iglesia de un pueblo potosino. De esa manera, el presidente quiso mostrar a Bolivia que la constitución no eliminaba la religión.

La Iglesia Católica y todas las iglesias evangélicas, se pronunciaron en contra de la Constitución de Evo Morales, porque dijeron contenía artículos que iban en contra de la Palabra de Dios.

Esto provocó un fuerte ataque verbal principalmente contra la Iglesia Católica y el Cardenal Julio Terrazas, quien hizo declaraciones que no fueron del agrado del gobierno.

MOVILIZACIÓN MUNDIAL CONTRA EL INTERVENCIONISMO DE EEUU

Por otro lado, el presidente Morales, llamó a organizar una movilización mundial por la paz para terminar con el intervencionismo estadounidense en el planeta que "ahora se levante en armas contra los pueblos"

"No creo en las guerras", señaló el mandatario, que explicó que en el pasado "tal vez era importante que los pueblos se levanten en armas contra el imperio, pero ahora es el imperio el que se levanta en armas contra los pueblos".

El mandatario boliviano señaló que la humanidad tiene cuatro grandes responsabilidades que son la vida, la justicia, la soberanía y el cuidado del planeta

"Un tema central es el de la vida y defender al planeta tierra", remarcó Morales, quien recordó que luego de una reunión con su gabinete ministerial su gobierno analiza la creación de un Ministerio del Medio Ambiente.

http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=677

A FSSPX e Bento XVI: Diálogo pelo triunfo do Vaticano II

Pedro Ravazzano
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O momento que estamos vivendo é muito importante. A retirada da excomunhão aos Bispos da FSSPX é um passo essencial para o triunfo da correta hermenêutica conciliar. Afinal, o que seria a aceitação da Fraternidade ao Vaticano II senão uma vitória da Igreja de Cristo? Ademais, com o crescente ressoar desse evento, outro ponto passou a se destacar com bastante relevância: o Concílio Vaticano II.


Muitos enxergaram na retirada da excomunhão aos Bispos uma carta de permissão, de Sua Santidade, a toda e qualquer crítica ao Concílio. Até colocaram o Instituto Bom Pastor como exemplo desse aval "crítico”, mas esqueceram que o IBP não só aceita o Vaticano II como se encontra em total sintonia com o Magistério da Igreja – "Graças ao instrumento hermenêutico, que ofereceu o Papa Bento XVI, os ensinos do Vaticano II se colocam na continuidade dos ensinos de todos os Concílios. Os debates futuros entre os responsáveis da Fraternidade São Pio X e as autoridades romanas não podem não ter êxito", disse o IBP no comunicado feito depois da retirada da excomunhão.

Primeiramente, é sempre pertinente frisar, a "desexcomunhão" não quer dizer que há uma união estabelecida; ao contrário, é o início de um frutuoso diálogo. Os mesmos que enxergam na atitude do Santo Padre a permissão da crítica são os mesmos que já lançam rojões antes mesmo de se iniciar o fraterno colóquio entre a Fraternidade e o Sumo Pontífice. Não sejamos precipitados nem levianos...

A crítica ao Vaticano II não foi "liberada", até porque a defesa do Concílio é parte integral do pontificado de S. Santidade. Bento XVI afirma que "através do Concílio" "a Igreja e a humanidade" receberam um "dom extraordinário", indo além ao falar que "cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio.", indicando-o "como farol", falando que "nas formulações e na linguagem os ensinamentos do Concílio Vaticano II" estão "em plena continuidade com a doutrina da Tradição católica.". Poderia me referir a diversos pronunciamentos onde o Papa não só cita o Vaticano II, o que constata que faz parte sim de toda a estrutura magisterial atual, mas como o defende até com uma sadia radicalidade. Indico o artigo do nosso irmão Marcos Grillo; AFINAL, BENTO XVI É FAVORÁVEL OU CONTRÁRIO AO CONCÍLIO VATICANO II?

Mesmo assim, com tantos discursos e referências ao Concílio, uma trupe continua defendendo o indefensável: Bento XVI vai soterrar o Vaticano II e suas heresias. Eu não sei como eles mantêm esse raciocínio, afinal, S. Santidade jamais criticou o CVII em si. É fato que Bento XVI ataca ferozmente o que ele chamou de "hermenêutica da ruptura", uma interpretação dos documentos que rompe com a Igreja pré-conciliar ao mesmo tem em que usa o modernismo e a "evolução" doutrinária como régua! Opor-se a essa postura, como o Santo Padre, não é se opor ao Concílio; ao contrário, é defender o verdadeiro Concílio. Daí seu engajamento diário em resgatar tradições e Tradições perdidas, não para mostrar seu simples apreço às coisas antigas, mas para ensinar que há sim um fluir natural entre a Igreja pré e pós-Concílio! S.S quer o triunfo da "hermenêutica da continuidade", a única e viável forma de enxergar o Vaticano II, levando em conta 2000 anos de Igreja.

O Santo Padre falou sobre a FSSPX na última Audiência Geral. Disse ele:
Fiz esse gesto de paterna misericórdia, porque repetidamente esses prelados me manifestaram o seu grande sofrimento pela situação em que se encontravam. Faço votos de que a esse meu gesto, siga o solícito compromisso por parte deles de dar os ulteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja, testemunhando assim a verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do papa e do Concílio Vaticano II.
Ora, como fica claro, S. Santidade não deixou de lado a questão conciliar ao retirar as excomunhões. O tal papo de "tá tudo liberado, vamos criticar" não tem qualquer fundamento, como sempre. Espero que ninguém apareça e diga que "não foi exatamente isso que o Papa quis dizer", ou que "o Papa disse isso, mas, na realidade, ele planeja outra coisa". Seria o Papa hipócrita?

Mas o “melhor” é quando se afirma que "tá claríssimo que o Papa, por meio das suas atitudes, quer destruir o Concílio e resgatar a Igreja dos males do Vaticano II." O mais engraçado desse posicionamento é que não há a mínima concordância entre esses atos de S. Santidade e seus pronunciamentos: seriam dois Papas então? O que resgata o rito antigo e usa paramentos romanos é o anti-Vaticano II, o que senta na cátedra de São Pedro e defende o Concílio, literalmente, é o modernista pró-Vaticano II? Ora, só não compreende quem não quer, e quem é obtuso: o Santo Padre, ao defender a "hermenêutica da continuidade", a ortodoxa compreensão dos documentos, enxerga como natural o resgate dessas tradições que foram perdidas, de certo modo, pelo triunfo da "hermenêutica da ruptura", afinal, essa ótica indecorosa e destrutiva criou um novo "ethos" na catolicidade; um espírito de constante mudança, um relativismo doentio que de tão radical não consegue nem mesmo se manter por um raciocínio lógico.

Voltando ao pronunciamento Papal! Fica mais do que óbvio que o Santo Padre procura, por meio dessa aproximação com a FSSPX, levar aos Bispos a compreensão da piedosa interpretação conciliar, como fez com outros grupos que saíram da própria Fraternidade. Vejam, D. Fellay disse em entrevista que "Nós concebemos ecumenismo como um retorno à unidade da Verdade." Ora, onde a Igreja se distancia disso? Em qualquer pronunciamento papal, quando não é interpretado com artimanha, é de fácil percepção o fundamento ortodoxo dos diálogos ecumênicos, sem qualquer faceta irenista. O próprio Card. Kasper, aquele mesmo, disse, na Conferência pelo 40° aniversário da Unitatis Redintegratio , que "Os princípios católicos do ecumenismo, enunciados pelo Concílio Vaticano II e mais tarde pelo Papa João Paulo II, são clara e inequivocadamente opostos a um irenismo e a um relativismo que tendem a banalizar tudo (...) A Igreja Católica reivindica para si mesma, tanto no presente como no passado, o direito de ser a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, em que se encontra toda a plenitude dos instrumentos de salvação"

O Santo Padre, com toda a sua sabedoria, retirou as excomunhões para que, a partir daí, houvesse um saudável e fraterno diálogo com os Bispos, desarmados e obedientes, sem nenhum triunfalismo de "nós somos a Tradição". S. Santidade, vigoroso defensor do Concílio, não deixará que um ponto tão relevante do Magistério atual seja deixado de lado, como um mero complemento doutrinal. O Papa procurará, por meio do doce pastoreio, levar toda a Fraternidade a união total e completa, onde há reconhecimento, não só formal, da autoridade Papal e respeito e obediência aos ensinamentos do Vaticano II.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Igreja Católica por Lord Macauly

Imagem de São Pedro, com as chaves, que se encontra na Catedral Luterana de Helsinque

O trecho que vamos ler a seguir foi escrito por Lord Macauly, protestante, historiador, político, foi Ministro da Grã-Bretanha.

“Não há nem nem houve jamais sobre a terra nenhuma obra de sabedoria política e humana que tanto mereça ser estudada como a Igreja católico-romana. A história desta Igreja liga entre si as duas grandes fases da cultura humana. Não se manteve nenhuma outra instituição que faz voltar nossos olhos para tempos em que do Pantheon se erguia a fumaça dos holocaustos, e em girafas e tigres eram levados ao anfiteatro.

As casas reais mais soberbas são de ontem se comparadas com os papas. Quem mais se lhe aproxima, quanto à idade, é a república de Veneza; mas esta república era nova, comparada com o papado; ela passou; enquanto continua existindo papado, não como ruína, mas sempre vivo e na plenitude de seu vigor.


A Igreja católica sempre prossegue enviando seus mensageiros para os pontos mais extremos do orbe, tão zelosos como aqueles que outrora, com Agostinho, desembarcaram na praia de Kent.
Enfrenta reis inimigos ainda com o mesmo espírito com que enfrentou a Átila.

A Igreja assistiu ao início de todos os regimes e de todas as instituições que o nosso mundo conhece, e não estamos absolutamente certos de que ela não assistirá também ao desmoronamento de todos eles.
Ela já era grande e respeitada quando ainda nenhum pé anglo-saxão pisara terra britânica. Ela o era antes que os francos transpusessem o Reno, quando em Antioquia ainda florescia a eloqüência helênica e nos templos de Mekka ainda se adoravam ídolos pagãos.

E ela, provavelmente, ainda continuará de pé na sua força em nada enfraquecida quando, um dia, um viajante da Nova Zelândia, no meio de uma solidão completa, se postar sobre uma das pilastras quebradas da ponte do Tâmisa [Tower Bridge, em Londres], afim de esboçar as ruínas da catedral de São Paulo [Catedral Anglicana, sede do Bispo de Londres]”

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

História do Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria

Diego Ferracini

O Pequeno Ofício não pode ser considerado uma das primeiras versões breves do Breviário, mas pode ser considerado o mais utilizado e o mais popu
lar. Até o Concílio Vaticano II foi a oração litúrgica de inúmeras comunidades religiosas, principalmente as de vida apostólica e algumas ordens terceiras (Carmelitas, Franciscanos, Dominicanos, Agostinianos e etc.), também os oblatos beneditinos, algumas abadias e conventos e com certeza inúmeros cristãos leigos.

Seu surgimento oficial deu-se na Alta Idade Média quando foi incluído no Livro das Horas e após ocorreu sua expansão como forma de combate a Reforma, antes do CVII todas as edições do Breviário Romano, Monástico, Carmelita e Dominicano possuíam uma versão do Pequeno Ofício; alguns lugares mantiveram formas próprias como a Diocese de Braga em Portugal.

Para alguns existiria um Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria na Abadia Beneditina de Monte Cassino, elaborada pelo Papa Zacarias (741-752). Sua origem pode ser anterior, mas sua origem será sempre monástica.

Em muitos mosteiros foram sendo acrescentados pequenos ofícios ao Breviário, em parte pelo fato dos irmãos de coro disponibilizarem de maior tempo (os irmãos "conversos" ou "leigos" ficavam responsáveis pelos trabalhos manuais e outras atividades) e pelo costume de se rezar por inúmeras intenções (mortos, benfeitores, guerras e etc.). Assim surgem os ofícios da Bem-Aventurada Virgem Maria e o da Santa Cruz.
Em 1095 o Papa Urbano II no Concílio de Clermont convidou os cristãos a organizarem uma cruzada e aos clérigos que adicionassem o Pequeno Ofício da Virgem Maria ao Breviário, é a primeira vez que o Pequeno Ofício é citado por um papa e colocado em destaque, tal obrigação permaneceu até 1568 depois do Concílio de Trento.

Não existiu uma somente uma única versão do Pequ
eno Ofício, cada localidade ou comunidade possuía seu uso próprio, surgiram assim os usos de "Sarum", “Paris, “Cartuxa”, “Carmelo”, “Citeuax”, “Braga” e obviamente “Roma”“. É comprovada a existência de um outro Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria entre as Irmãs do Santíssimo Salvador - Brigitinas (Santa Brígida), com a diferença de que era um Ofício completo e com obrigação de ser cantado sempre no coro pelas monjas.

Importante dizer que alguns institutos nunca utilizara
m o nome "Pequeno Ofício", mas somente Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria. Em 1568 São Pio V aboliu inúmeras outras formas e permaneceu somente o modelo romano até o CVII, ele também liberou os clérigos da obrigação de rezá-lo, mesmo que algumas ordens tenham mantido a tradição. Entre os leigos ocorreu o oposto, inúmeros "Pequenos" foram impressos em "Primários" (pequenos livros devocionais) e passaram a fazer parte das orações diárias de muitos cristãos.

As novas comunidades religiosas que surgiam passavam a adotar o Pequeno Ofício, na maioria das ordens contemplativas as monjas com votos solenes possuíam obrigação de rezá-lo. As Monjas da Visitação fundadas por São Francisco de Sales rezavam o Pequeno Ofício, Beneditinas e Dominicanas alemãs que chegaram à América no século XIX tentaram manter o espírito contemplativo diante das inúmeras tarefas (hospitais e escolas) rezando o Ofício durante certo tempo.As Irmãs do Santíssimo Salvador ainda possuem sua própria versão do Ofício e algumas comunidades que faziam uso do Breviário no início (Irmãs Escolares de Nossa Senhora, Irmãs Carmelitas Corpus Christi) diante do intensivo trabalho exigido adotaram o Pequeno Ofício também.

Embora, muito utilizado e popular, o Ofício possuía como inconveniente o fato de ser incompleto não abrangendo todo o Ano Litúrgico, tentou-se ajustá-lo com três tempos, mas o Ofício permanecia o mesmo todos os dias. Durante o século XX para alguns religiosos uma renovação litúrgica e motivadora era necessária, em 1953 Pe. Augusto Bea SJ (futuro cardeal) preparou uma versão que chamou “ampliada”, ampliou os tempo de três para seis e adicionou vinte e oito festas com antífonas e orações próprias. O sumo pontífice Pio XII incentivou o uso desta versão, mesmo assim outras versões possuíam permissão de uso.

Para as comunidades que desejavam expressar mais claramente seu amor a Santíssima Virgem e desejavam uma variedade maior no Ofício do que o proposto na edição “ampliada” do Pe. Bea, em 1955 a Congregação para os Religiosos incentivou a utilização de um novo Pequeno Ofício de Bem-Aventurada Virgem Maria elaborado pelos Monges da Abadia de En Calcat (França). Tal versão possuía o Saltério dividido em suas semanas, todo o Ano Litúrgico, um ciclo santoral e uma grande inovação: leituras diárias.

A Constituição sobre Liturgia do Concílio Vaticano II acrescentou uma nova dimensão ao Pequeno Ofício, sendo ele rezado com obrigatoriedade ou por devoção, o fiel tomava parte na oração litúrgica da Igreja da mesma forma com os que rezavam o Breviário.

No entanto, em 1966 os religiosos e leigos foram encorajados a usarem o Breviário ao menos na parte da manhã e a tarde, começou assim o desaparecimento do Pequeno Ofício. Na versão conciliar do Breviário publicada em 1973 não constava o Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria. Alguns institutos adotaram o novo Breviário com o Pequeno Ofício em forma de devoção particular (Carmelitas Descalços).

Na Ordem de São Bruno (cartuxos) por tradição os monges rezam o Pequeno Ofício em suas celas, os Cistercienses o rezavam no coro em complemento ao Breviário.

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Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Matutinum

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Laudes

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Primam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Tertiam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Sextam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Nonam

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Vesperas

Officium Parvum Beatæ Mariæ Virginis - Ad Completorium

Veni Creator Spiritus

sábado, 24 de janeiro de 2009

D. Fellay pede, o Papa ouve; a excomunhão foi retirada!

Eu fiquei profundamente feliz com a retirada da excomunhão aos Bispos da SSPX, é uma importante etapa para que a Igreja busque o triunfo da "hermenêutica da continuidade" afinal, quer queiramos ou não, a Fraternidade, com sua organização e estrutura, ao dialogar com o Papa, prometendo obediência ao Santo Padre, buscará, sob o pastoreiro do Vigário de Cristo, conhecer e defender, de forma clara e sincera, a Tradição, sem que para isso tenha que rejeitar ou diminuir ensinamentos tão belos e profundos.

Não obstante, alguns pontos devem ser esclarecidos. Na carta escrita por D. Fellay ele diz: "Graças a este gesto, os católicos do mundo inteiro unidos à Tradição não serão mais injustamente estigmatizados e condenados por ter mantido a Fé de seus pais. A Tradição católica não está mais excomungada". Assumo que não gostei do tom utilizado pelo Bispo, Sucessor dos Apóstolos de fato. Seu prenunciamento tende a concluir que a SSPX era a guardiã da Tradição, como se a fé dos nossos pais não mais existisse junto a Igreja pós-conciliar, na Roma de João Paulo II e Bento XVI. SSPX não é sinônimo de "Tradição católica", os Bispos da SSPX não estão mais excomungados, mas a Tradição sempre existiu na Sé de Pedro! Vale ainda frisar que é comum encontrar pronunciamentos de membros da Fraternidade, inclusive Bispos, defendendo a nulidade da excomunhão, ou seja, como conciliar essa atitude com o pedido para que a pena fosse retirada? Ou é nula ou, de fato existiu, e precisa ser levantada. Ademais, dentro dessa visão quase apocalíptica - SSPX como única bastiã da Tradição -, havia, logicamente, estado de necessidade, entretanto, para qualquer católico fiel ao Santo Padre, a ortodoxia doutrinária e a fé pura e integral sempre estiveram presentes no papado, antes ou depois do Vaticano II.

Me entristece saber que a SSPX, ao longo dos anos, criou um séqüito de críticos profissionais ao Vaticano II, alguns chegando ao ponto de relacionar o Santo Padre com a condenação do Concílio, logo Bento XVI, um dos seus grandes entusiastas. A SSPX tem uma enorme importância, assim como a FSSP, IBP etc, que é ajudar no triunfo da correta hermenêutica conciliar, como busca o Papa! Essa é a forma sadia e ortodoxa de resgatar as tradições perdidas, e não por meio da destruição.

Ninguém desmerece o grande acontecimento, ao contrário, a retirada das excomunhões é um passo muito importante para o restabelecimento do espírito cristão na nossa Civilização. Com isso o Papa ganha mais um forte braço nessa luta. Entretanto, esse diálogo não se faz pela condenação do Vaticano II - a não ser que o Papa afirme que nas centenas de vezes que defendeu o Concílio na verdade esteve enganado e que o Concílio não só era falível como, de fato, errou - mas sim pela busca de uma correta interpretação dos seus documentos, sem rompimento com a Igreja pré-conciliar.

Ademais, o que deve ser levado em conta, e o que temos defendido, é que a retirada da excomunhão não serve como um atestado de ortodoxia e fidelidade para a SSPX, é um grande passo, isso é inconteste, mas o primeiro passo em caminho a uma união total e completa, sem restrições, sem diferenças, sem sequer uma vírgula a mais ou a menos!

O mesmo Papa que retirou a excomunhão em Janeiro aprovou a Canção Nova em Novembro! A FSSPX não se reconhece como filha da mesma Igreja da Canção Nova, daí a importância do diálogo; se por um lado grandes grupos precisam captar o espírito de fidelidade aos ensinamentos tradicionais, litúrgicos e doutrinários, o que se perdeu com a "hermenêutica da ruptura", do outro lado rad-trads necessitam se submeter humildemente ao Magistério e ao Papa, sem interpretações pessoais e conclusões próprias, se aliando a "hermenêutica da continuidade". Tudo isso para que assim, por meio dessas positivas transformações pensadas pelo Papa, vejamos um dia Mons. Jonas e D. Fellay celebrando juntos a Santa Missa, mostrando a glória da Igreja Una e Católica!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Caminho da Conversão - Parte I: Infância:Deísmo, Morte:Fé

Vladimir Lachance

Passei minha infância inteira como pagão. Meus pais haviam decidido não batizar nenhum dos seus filhos no Catolicismo, pois acreditavam não ser correto impor uma religião a qualquer pessoa que fosse. Em parte acho que isso ocorreu por influência do comunismo, que tanto meu pai quanto minha mãe apoiavam. Nessa época não era exatamente um ateísmo, mas um deísmo inocente – se assim podemos chamar – que vivia; que fazia aparecer de vez em quando um Deus comandante do mundo, mas que eu não fazia idéia de como descrever, nem sabia por que havia nos criado, ou criado o mundo e as demais coisas. Minha mãe foi criada no Catolicismo. Morava na cidade de Nazaré das Farinhas – na infância e começo da adolescência -, onde fazia parte do grupo de jovens da paróquia, participando do coral, dos grupos de evangelização; e quando vinha a Salvador passear ficava hospedada em um convento do qual não sei o nome. Por esse motivo tive algum conhecimento de quem era Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Virgem Maria, e algumas figuras importantes do Cristianismo. Meu pai também foi chegou a freqüentar a Igreja Católica, mas me parece – não sei muito sobre essa época – que nunca foi muito assíduo, era um católico relaxado. Minha mãe se afastou do Catolicismo quando veio morar em Salvador, deixando a religião, mas como a maioria das pessoas continuando a crer num Deus Criador de todas as coisas, em alguns santos católicos, na Virgem Maria, etc. Não me lembro se tive contato com uma Igreja na minha infância: esforço-me para lembrar se quando pequeno, pelo menos até os 12 anos, entrei numa igreja. Acho que não. Minha avó, mãe da minha mãe, era uma mulher católica, que não perdia as missas de domingo. Ela morou em Nazaré das Farinhas quase a vida toda, mas depois se mudou para Salvador também. Mesmo morando num bairro afastado nunca perdia as Missas de Domingo. Ela praticamente atravessava a cidade para ir à Missa: não porque não houvesse igrejas próximas à sua casa, mas porque dava preferência a uma que era celebrada no Centro da cidade. Com o passar dos anos, quando a idade foi avançando ela deu para roubar imagens de santos das igrejas, mas acho que não chegou a se constituir um sacrilégio propriamente dito, visto que ela estava com a saúde mental um pouco abalada. Pouco tempo depois morreu.

* * *
Minha infância foi de deísmo inocente até os oito anos, quando meus pais conheceram uma religião de doutrina espírita que surgiu na Amazônia. Quando passamos a freqüentar esta religião as coisas mudaram um pouco de figura: o deísmo se tornou mais elaborado, e tive um pouco mais de contato com o cristianismo, pois esta religião segue alguns preceitos bíblicos, mas não só. Meus pais começaram a nos explicar – tenho quatro irmãos – as doutrinas desta religião, dentre elas a doutrina da reencarnação, da Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao mesmo tempo aceitando à doutrinas advindas de diversas outras crenças, como budismo, hinduísmo, teosofia, etc. Era uma espécie de: “todas as religiões estão certas, e o deus de todas elas é o mesmo”.

Participei desta crença por cerca de sete anos. Foi nesta época que minha avó, mãe de minha mãe, morreu. Em 2001, 2002, já não sei exatamente. Foi um momento de muita dor para mim e para toda a família. Contava treze ou catorze anos; creio que estava na aula quando soube. Ela esteve hospitalizada por um tempo, devido a uma espécie de derrame – achei que não seria nada demais, mas a situação dela piorou bruscamente e pouco tempo depois morreu. Tive uma sensação bem esquisita quando me contaram: um misto de incredulidade e medo, um medo tremendo. Uma mistura que nos faz sorrir sem saber por que, e logo depois apagar o sorriso, meio sem graça por tê-lo colocado no rosto - foi a primeira vez que senti isso: não sabia como me comportar. Não sabia se ficava sério, se demonstrava tristeza, ou se, como alguns adultos me recomendaram na época, tentava ficar o mais natural possível, pois segundo eles era algo comum e que deveríamos encarar com tranquilidade. Bom, foi um misto de tudo isso. Quando saí da aula e voltei pra casa fiquei bem sério, pensando na morte. Pensando onde estaria minha avó, o que acontecia quando alguém morria, se era certo cremar um corpo ou não (acho que minha tia tinha pensado na idéia, ou talvez eu mesmo tenha pensado). Depois quando soube que tinha que ir ao enterro – não imaginava que ia ter que estar lá -, a vontade de rir voltou, com toda força. Fiquei imaginando como seria, pois nunca havia ido a um enterro; achei que seria uma coisa bem soturna, num lugar escuro, do cheiro esquisito... Fiquei pensando em tudo isso enquanto aguardava as ordens de minha mãe para me arrumar.

* * *
O enterro foi no período da tarde. Quando chegamos lá havia poucas pessoas na sala do velório, no próprio cemitério (do Campo Santo). As idéias anteriores foram se adequando à realidade: vi que não era nada daquilo que pensava. Era um lugar silencioso, bem iluminado, tranqüilo e muito bonito, cheio de estátuas e imagens. Ficamos um tempo, só eu, minha família e poucos parentes. No começo agi “naturalmente” – como haviam me ensinado -, tentando levar aquilo como algo comum, sem demonstrar muita tristeza, bem sério. Mas, depois de um tempo, movido por um impulso de ver mais uma vez a minha avó decidi ir ao caixão, olhar o seu rosto. Me deparei com o seu rosto sereno, de olhos fechados, com as mãos cruzadas, e o corpo coberto de flores. Senti um estremecimento terrível e me afastei; sentei num dos bancos dentro da sala, e lá fiquei por um longo período, me sentindo com um pé no mundo e outro fora dele – onde exatamente, não sabia -, quando entrou o padre e começou uma cerimônia. Eu não fazia idéia do que era, mas imaginava que fosse algo para rezar pela alma da pessoa morta, para que ela pudesse ir para o céu. Foram rezadas muitas orações – eu não sabia nenhuma delas -, o Pai Nosso foi repetido várias vezes, mas eu não sabia rezá-lo. Nem imaginava que era a oração ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo! Fiquei bastante constrangido por não saber de nada que acontecia lá, e por não saber fazer uma oração. Até aí não havia caído uma lágrima de meus olhos: existiam tantas emoções se confundindo que não havia sequer tempo suficiente para entender cada uma delas. Só quando o caixão foi levado ao túmulo que a “ficha começou a cair”: minha avó estava indo embora deste mundo, nunca mais a veria aqui; só ficaria a lembrança, misturada a tantas outras lembranças que carregamos na vida... foi um peso monstruoso que senti. Minha avó, que me chamava de “passarinho” quando ia à minha casa. Que carregava um cesto na cabeça com biscoito, mortadela, frutas, para levar à nossa casa, dizendo: “meus netos não vão passar fome não” (não lembro se na época passávamos por uma situação financeira difícil ou se era só mania de avó de achar que os netos estão mal alimentados). Ela não estaria mais aqui, entre nós. Que terrível! Ela, que fazia uma verdadeira festa quando os quatro netos iam visitá-la: ela tinha uma dessas barraquinhas azuis “tipo lanchonete” em frente à casa. Quando íamos lá ela comprova vários pacotes de bala, pirulitos, doces variados e colocava em potes e nos dava, para arrumarmos na barraquinha e ficar vendendo. O nosso próprio negócio! Era bem especial. Na casa tinha um quintal bem grande (para meus olhos de criança) com um pé de acerola enorme; às vezes passávamos horas arrancando acerolas: meus irmãos para comer, e eu mais pelo prazer de participar – sempre achei acerola bem azeda, ruim mesmo. No fundo da casa tinha outra área aberta, onde minha avó criava galinhas. Lembro que tinha medo delas, assim como tinha medo dos cachorros... Era nessa casa que tinha um contato um pouco mais próximo com o Catolicismo, mesmo sem o saber. Minha avó tinha imagens de santos, mas não era exatamente isso que fazia do lugar um lugar cristão. Era outra coisa, que na verdade até hoje não sei explicar muito bem. Tentarei aqui, mas tenho plena certeza de que não vou muito longe; e não vou por que se trata de um mistério, algo que por mais que expliquemos vai ficar sem explicação em algum ponto. Era como se alguma coisa fizesse a casa cheirar diferente – ainda consigo reconhecê-lo -, deixando um clima agradável, com uma paz única. Não sabia exatamente o que era isso, mas hoje tenho plena certeza que era o amor Cristão guardando a casa.

Minha avó foi para mim o primeiro contato com o Catolicismo, com a fé, mesmo que eu só viesse a perceber isso depois de sua morte. Primeiro com a sua presença, com a sua pessoa – em corpo e alma; e depois com a sua ausência, quando sua alma deixou este mundo: quando vi a cerimônia no seu velório, pois foi quando vi pela primeira vez uma celebração católica.

* * *
Algum tempo depois da morte de minha avó, estava passeando com minha mãe e um de meus irmãos pelo centro de Salvador (nós morávamos em Lauro de Freitas, uma cidade da região metropolitana de Salvador), quando de repente senti uma vontade, e disse a minha mãe: “Quero um terço!”. Minha mãe me olhou meio espantada e perguntou: “Pra que você quer um terço?”, e eu simplesmente respondi: “Pra rezar.”. Depois dessa resposta ela riu e não perguntou mais nada; disse que poderíamos comprar nas Paulinas – uma loja católica. Quando chegamos lá escolhi um terço de madeira bem bonito e a moça que estava nos atendendo recomendou que comprássemos também um guia de orações. Compramos. Ao voltarmos pra casa fui tentar rezar: peguei meu terço, meu guia de orações e li uma oração que havia lá. Li a mesma oração algumas vezes e depois fui dormir. Fiz isso por alguns dias, mas depois me senti desestimulado a fazer de novo: não tinha ligação alguma com a Igreja Católica, nunca havia ido a uma missa (só na cerimônia que ocorreu no velório – que não foi uma missa), não entendia nada daquilo tudo. Simplesmente me pareceu que não tinha sentido algum, e ninguém em minha família falou nada, nem quando comecei e nem quando parei – era algo indiferente a eles. Lembro bem que após rezar me sentia bem, aliviado, mas não sabia porque, e logo isso parou de acontecer. Nas últimas vezes que fiz essas orações já não me sentia bem, mas me forçando a fazê-las por que achava que já que tinha começado devia continuar. Mas pouco tempo depois parei sem me dá conta.

A igreja, a loja, o pedido

Olhando para este fato agora, percebo que o pedido não foi tão repentino assim: foi bem perto da morte de minha avó. É provável que a proximidade de sua morte tenha me deixado mais perto da fé sem que na época me desse conta disso. Lembro mais: a loja ficava bem perto da igreja em que ela ia assistir missa todos os domingos do ano; e foi perto bem dessa igreja que fiz o pedido. Descobri isso há cerca de dois meses, quando encontrei minha tia na praça onde fica essa igreja, e ela me contou. Na hora em que ela contava não liguei o pedido à igreja e à loja. Só agora percebo a ligação de todos esses pontos, e estou aqui rindo. Que alegria sinto em perceber que todos estes fatos estão ligados à figura de minha querida avó: a igreja, a loja, o pedido.

Conclusão da Parte I

Assim termina a primeira parte deste relato: estava com catorze anos, participando da crença espírita junto com minha família, pensando na morte de minha querida avó, procurando minha fé, procurando Deus.

Tinha chegado à porta da Igreja, mas no momento de entrar desisti.

Continua...