quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo!


Nós, do blog Acarajé Conservador, membros do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador, desejamos a todos nossos leitores, os acarajezeiros, um feliz 2009! Que o próximo ano seja de muita saúde, prosperidade e, de verdadeira, felicidade! Que em 2009 se acenda o fogo Contra-Revolucionário. Quem sabe, hein?!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ontem genocidas, hoje heróis

Pedro Ravazzano
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Hitler matou seis milhões de judeus ao longo da Segunda Guerra Mundial. A URSS, em apenas um ano, matou sete milhões de ucranianos de fome. A China maoísta, aproximadamente, aniquilou sessenta e cinco milhões de chineses. A Cuba castrista assassinou vinte mil pessoas e gerou o exílio de dois milhões de habitantes, homens e mulheres que buscavam a liberdade. A pergunta que fica é; por que o nazismo foi radicalmente execrado da vida social e política moderna ao mesmo tempo em que o comunismo genocida, além de valorizado, passou a ser popularizado por meio de um marketing bem feito e pela conversão de assassinos em heróis?


Talvez esse questionamento gere a ira de neonazistas. Realmente, um jovem seguidor de Hitler deve fazer essa pergunta frequentemente, até poderia ir além ao chamar o regime hitlerista de “nazismo real”, distinto dos verdadeiros princípios do nacional-socialismo. Não obstante, o problema não é a condenação de Hitler, mas a não condenação de outros assassinos que marcaram e marcam a história da humanidade.

A banalização da morte de milhões de pessoas, onde carrascos se tornam exemplos para a juventude e baluartes da vanguarda, apenas comprova a decadência moral, ética, espiritual, da sociedade moderna. Um marxista não-totalitário, o que até pode ser difícil de encontrar dentro de uma perspectiva ortodoxa, já que a marxologia atual constata o caráter violento intrínseco a hermenêutica das obras de Karl Marx, deveria ter a obrigação de rechaçar a defesa desses regimes genocidas. Os malabarismos teóricos e práticos usados para justificar mortes em série e extermínios em massa apenas constatam a banalização da vida, o esvaecimento da dignidade humana que ocorre entre os homens que se encontram submersos na cegueira ideológica.

Essa popularização de figuras como Che e Mao só é possível, na sociedade atual, porque reina, de forma pujante, um relativismo feroz e aniquilador. É muito engraçado ver artistas famosos, cantores, milionários e esbanjadores, batendo palmas e elogiando líderes que eram defensores incontestes da morte de inimigos políticos, ou seja, qualquer cidadão que defendesse a liberdade ou fosse visto como influência do imperialismo, seja por meio da música americana, cinema europeu, religião etc. Tudo era compreendido como ferramenta de alienação; superestruturas que sustentavam o sistema capitalista, daí a radical necessidade de destruir os pilares fundamentais da civilização ocidental; a fé cristã, o direito romano e a filosofia grega; as peças basilares que juntas definiam a identidade do homem do Ocidente, sem elas, ou por meio do início de uma guerra contra elas, os indivíduos não mais se reconheciam.

Hoje o mundo se escandaliza com Guantánamo, por acaso alguém se importa com a prisão de La Cabaña, chefiada por Guevara, onde quatrocentos cubanos foram assassinados sem julgamento, onde o único crime cometido, quando havia alguma acusação, era o de se opor ao regime castrista? O bom senso nos obrigaria a fazer uma radical oposição as duas realidades, ambas representantes da banalização da vida, os dois casos retratando o descaso, a profanação da dignidade do ser humano. Entretanto, infelizmente, ao mesmo tempo em que a mass media, a casta artística e jornalistica, governantes e políticos, incitam e estimulam a oposição caricata ao governo Bush, essas mesmas estruturas são as responsáveis por alimentar os devaneios de milhares de homens e mulheres que, enebriados com a massificação socialista, esquecem ou pouco se importam com as mortes e os extermínios em massa. Tudo isso ao mesmo tempo em que, ironicamente, protestam contra o Presidente dos EUA que mantém uma prisão desumana em solo cubano. Ora, Guevara e outros assassinos comunistas se encontravam num estágio superior, eles não escondiam o grau de importância que davam a essas mortes políticas; “fuzilamento, sim, temos fuzilado, fuzilamos e continuaremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta de morte”, dizia Che na Assembleia da ONU. O mais “engraçado” foi quando questionado sobre duas mil mortes que havia sido diretamente responsável, respondeu que todos eram agentes da CIA. Realmente, quem não saberia que camponeses, trabalhadores, padres, freiras, pastores, comerciantes e estudantes na verdade, por debaixo das aparências, eram espiões bem treinados da Inteligência Americana?!

Essa conversão, a transformação de assassinos em heróis, só se sustenta por meio de um processo de decadência. Quando a sociedade ocidental passa a não mais se importar com a verdade, quando começa a reinar um sentimentalismo exacerbado e, para piorar, ocorre o triunfo de doutrinas políticas massificantes, estatólatras, invadindo a mídia, a arte e corrompendo a educação básica, os homens passam a ser formados com uma concepção obtusa a respeito da realidade. Antíteses claras e óbvios paradoxos são defendidos sem qualquer preocupação intelectual; não há um mínimo senso de responsabilidade. A defesa dos absurdos – elogiar um Che genocida e criticar Bush militarista, ou se dizer católico, que acredita na ressurreição, e espírita, que é reencarnacionista -, não incomoda, não gera desconforto intelectual.

De forma sucinta podemos dizer que os homens modernos não mais se sentem responsáveis com a Verdade, desse modo abrem espaço para o triunfo não só da mentira, mas das falácias e das contradições.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Aprendendo a ser consumidor

É fato que os consumidores exercem uma função muito mais relevante no Livre Mercado do que em qualquer outro sistema. Numa economia onde não há uma forte regulação e a estatolatria as escolhas dos indivíduos, a praxeologia, a ação humana, são artifícios determinantes no aprimoramento das estruturas do Mercado. Desse modo, as empresas melhoram, modificam seus princípios, se adaptam as condições impostas pelos consumidores. Não obstante, no nosso país, os consumidores não sabem agir como consumidores. Isso mesmo! Em terras brasileiras dois fatores atrapalham a construção de um pensamento liberal; em primeiro lugar a inércia dos indivíduos e, em segundo lugar, a falta de competitividade, um déficit no espírito concorrencial, principalmente devido as grandes empresas estatais e a monopolização do Estado em diversos setores.

Agora me lembro de uma história interessante! Enquanto todo o mundo fazia embargo aos produtos franceses, o motivo não me recordo, acho que era por causa da guerra na Argélia, no Brasil apenas um homem segurava um cartaz na porta da Embaixada da França. Esse caso é bastante interessante, ele exemplifica a incapacidade, dos consumidores brasileiros, de compreender que o poder da escolha, que a preferência individual é o fator determinante na saúde empresarial. Essa é a ferramenta que decreta falências e solidifica marcas e companhias; o melhor selo de qualidade.

Os consumidores brasileiros reclamam vigorosamente dos serviços, mas poucos são os que trocam de empresas. Ademais, esbarram em outro problema; as Estatais e setores monopolizados pelo Estado. O que irá fazer alguém que acha o serviço dos Correios terrível? Infelizmente as empresas privadas são super taxadas - isso quando não existe um total e completo controle estatal no setor que impede o desenvolvimento da iniciativa privada -, para que não haja concorrência. A mesma coisa em setores como luz, água, saneamento básico, em regiões onde não houve privatização. Nesses casos as críticas dos consumidores não conseguem ultrapassar a burocracia, a péssima qualidade de atendimento, a letargia e inércia estatal.

As escolhas dos consumidores guiam a lapidação mercadológica, servem como a base de sustentação de um darwinismo econômico onde apenas os mais fortes sobrevivem, e quem seriam esses? Aqueles que conseguem conquistar, seja por meio de uma publicidade bem feita ou através de produtos e serviços com qualidades insuperáveis, a confiança dos consumidores. Entretanto, enquanto as pessoas continuarem sem saber a força exercida pelas suas escolhas nas estruturas de Mercado, ou seja, o terrível vício da apatia, persistirá existindo empresas que prestam serviços de péssima qualidade e ofertam produtos duvidosos.

Pedro Ravazzano

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um caso incomum – as idiossincrasias de um ateu conservador (Parte I)

por Fabrício Oliveira

História de sete anos numa escola religiosa – ou, Tudo começa quando somos pequeninos...


Como a maioria dentre nós, fui batizado na Igreja Católica Apostólica Romana e fiz, com gosto, catequese na Paróquia de Brotas, onde moro a quase quinze anos, desde que minha família voltou para Salvador, depois de morarmos em Seabra. Após terminar a 4ª série na Gente Miúda, tivemos de procurar uma escola que oferecesse ensino ginasial, como se chamava o da 5ª a 8ª série. Uma das opções foi o Colégio Nossa Senhora da Conceição, possibilidade que me empolgava bastante, mas que não se cumpriu. As outras duas, que foram efetivamente as alternativas dentre as quais eu escolhi, foram o IECB (onde hoje funciona o EEMBA) e a Escola Santa Maria Eufrásia, anexa ao Instituto Bom Pastor. A primeira, a laica, próxima à minha residência, oferecia aulas de natação, o que não me atraía pouco. Eu amava piscina, amava água – me encantava ver água nos programas esportivos, só bem depois que o futebol se tornaria mais interessante aos meus olhos; era sinônimo de alegria para mim, poucas coisas representavam tão bem os sentimentos de conforto e prazer, e visitamos a escola para conhecê-la. A segunda, a religiosa, católica, “escola de freira”, mais longe de minha casa, era, porém, uma perspectiva muito, mas muito fascinante para mim; eu teria aulas de religião e me prepararia para a Primeira Eucaristia, a se realizar no final do ano. Eu era uma criança, mas, no fim das contas, esta opção foi a que mais me seduziu: aquela primeira perdeu, e escolhi, com convicção, estudar na ESME: o desejo de religião, de fé, significava muito mais. Teria aulas de religião! Faria a Primeira Comunhão! Sem ter uma consciência clara da doutrina, obedecia eu naquela circunstância, entretanto, obedecia eu naquele momento da infância, ao primeiro mandamento. Será que me dei conta disso? Acho que não, mas a minha escolha foi a que relatei, foi por Deus, foi por conhecê-Lo, por segui-Lo.

Tive de responder a um questionário – achava tratar-se de um teste para ter o privilégio de estudar lá – e algum tempo depois soube que ia me matricular. Como estava contente e satisfeito! A empolgação estava em tudo, na observação da lista de material escolar (sempre gostei disso), nas compras, em tudo que se relacionava à escola. Quanto tempo durou a lua-de-mel? Não sei ao certo, mas nos anos seguintes o desejo do divórcio iria crescer cada vez mais, mas não foi concedido; o que era escolha do livre-arbítrio e alegria se tornaria sentimentos de impotência, decepção, frustração, e a escolha deu lugar à imposição – não só a imposição de permanecer naquele ambiente, mas até a imposição de suportar quieto as violências que lá abundavam. Eu era cristão, e não Cristo! Se se me dá um tapa na cara, o meu desejo é de trucidar o ...desgraçado. Explico: lugares como escolas são espaços de hostilidades. Alunos procuram colegas que tenham características que possam servir de matéria para chacotas, e se divertem à custa do sofrimento alheio. Não é por que a escola é “religiosa” que vai ser diferente, e os alunos se guiarão pelo amor ao próximo. Bom, eu transbordava os limites da ingenuidade, facilitando os engodos e ataques contra mim. Meu temperamento me levava a perdoar facilmente, mesmo quando eu sentia que a ofensa viria de novo amanhã. No meu caso, o que era tão diferente em mim? Eu era (era?) bastante distraído, do tipo que viaja horrores ao ponto de não saber o que o professor esteve falando à sua frente, e um católico inocente demais – que melhor para um lobo do que um cordeiro inocente? Explico mais uma vez. Aqueles meninos de quinta, de sexta série, levavam pornografia para a escola (espero que estejam conseguindo imaginar o clima de imbecilidade que imperava) e eu, recusando-me a olhá-las, tornei-me um tipo ridículo na Escola Sta. Mª Eufrásia, sendo chamado de “viado”, dentre a enorme variedade de agressões que já foram dirigidas contra mim naquele lugar. Nunca fui bom em me aproximar das meninas, e lá tive a oportunidade de aprimorar essa incapacidade – que melhor para aumentar a timidez do que ser o otário da turma, e qual garota vai querer alguma coisa com o otário da turma? Elas devem querer um cara mais esperto, capaz, “miseravão” (soube na própria escola de rapazes brasileiros que transaram com namoradas, filmaram o ato sem que elas soubessem, e que colocaram o vídeo na internet mostrando aos amigos como eles são demais, à custa da imagem das meninas.) Para que menino besta? Sempre fui o besta, bobão, lerdão, conforme já fui informado tantas vezes. Desenvolvi um sentimento de afeição às meninas, via nelas vítimas inocentes de homens, mas não vou comentar esse ponto. Tenho de avançar no artigo.

Fiz a Primeira Eucaristia na 5ª série, mas não senti nada de muito forte na cerimônia – até me distraí muito durante ela. Não que eu tivesse alguma dúvida quanto a Deus; apenas me culpei pela minha falta de compenetração. Na oitava série, no entanto, tive uma grave crise em minha fé. Os pensamentos intensos e constantes a que me dedicava – razão de eu ser considerado do “mundo da lua”, de ser “Da Lua”, naquele contexto que expliquei -, em contraponto com o ensino horrendo de religião que eu tive naquela escola religiosa, me levaram a dúvidas que não conseguia sanar e me traziam grande sofrimento. Não conseguia conciliar a idéia de Deus com a de infinito [1], comecei a imaginar a morte eterna – o que se tornaria motivo de terror, pânico e desespero solitário para mim, e perdi, enfim, a fé. E no seu vácuo, irrompeu o medo, a desesperança, a tristeza pela idéia de que meu avô que morrera dois anos antes poderia ter morrido pela infinitude dos tempos. Era um conjunto de pensamentos e sentimentos novos que não constituíam uma concepção de Universo, era um proto-ateísmo, involuntário, desengajado, introspectivo, que não se apresentava como ateísmo. Mas o sofrimento que esta disposição de espírito me trazia fez com que eu voltasse a me apegar com a fé. Evidentemente, esse nova situação era muito frágil e transitória, bastando apenas as primeiras semanas do ano letivo seguinte pa ra que ela evoluísse e se tornasse uma segunda etapa de minha descrença: era, agora, o ateísmo enquanto tal, consciente de sua condição e que não desejava ser outra coisa. Isso foi no começo do 1º ano do Ensino Médio, e completará portanto oito anos em fevereiro ou março próximos. Tornei-me um “ateu clássico” – iluminista, cientificista, combatente da fé e que me envolvia em polêmicas com meus amigos religiosos procurando derrubar sua posição – justamente a coisa que não imaginava me tornar e que combatia em casa (em minha família há católicos, espíritas e ateus); a palavra “ateu” antes me gerava repulsa, e pensar que havia me tornado um me provocava uma sensação estranha devido à memória daquela repulsa que permanecia em minha mente na forma de uma impressão, de um hábito mental. Eu era algo que estava acostumado a condenar, e só com o tempo fui adequando minhas atitudes externas e internas à minha nova visão das coisas. Foi também o último ano de ensino religioso obrigatório na escola.

Há uma coisa que me esqueci de relatar. Tornei-me comunista na 6ª série. Sei, impressionante a precocidade, mas pelo menos desde a 4ª eu já repetia algumas coisas que meu pai falava. Ele foi militante do PCdoB na época em que estudava na UCSAL, durante a ditadura militar, não na sua fase mais dura mas na que sucede o Gal. Médici e que já caminhava para a abertura. Foi diretor, (alguma coisa assim) do DA de Biologia, sendo colega de curso de Moema Gramacho, atual prefeita de Lauro de Freitas, e que na época nem era envolvida com militância, segundo ele me disse. Nesse ponto, eu procurei segui-lo. Não, eu não via incompatibilidade nenhuma com o catolicismo, muito pelo contrário, achava que era uma luta por justiça e que Jesus me ajudaria nela. Encontrei na biblioteca uma coleção de livretos ao estilo “Primeiros Passos” mas que visava também o público mais jovem, a “Pergunte ao José”, e li, dentre os inúmeros exemplares que li dessa série, os volumes “Comunismo”, “Socialismo” e “Capitalismo”, além de “Poder”, “Política” e “Feminismo”. O Manifesto Comunista de Marx e Engels eu só leria todo seis anos depois, no primeiro semestre da faculdade, mas eu já torcia pelo PT e sonhava com a eleição de Lula, e tinha aversão pela TFP (da qual a única coisa que eu sabia é que era uma organização católica de Direita que combatia a reforma agrária, chefiada por Plinio Corrêa de Oliveira, também um nome que soava muito mal aos meus ouvidos; foi o que eu pude extrair lendo o livro de História de Cotrim) desde aqueles tempos de imberbe. Isso na 6ª série! Da homossexualidade eu não simpatizava não, isso aí teria de esperar a faculdade mesmo, que é onde eu adquiriria uma nova opinião e me tornaria um quase “politicamente correto”, não fosse o fato de eu ter certos problemas com a política de cotas. Eu havia avançado mais para a esquerda.

Em 2003, fiz vestibular para História na UFBA, ingressando no curso no ano seguinte. Esse período ficará para a continuação, na qual eu abordarei o que considero minha terceira etapa ateísta, e minha visão atual sobre sua relação com outros assuntos que nos interessam, como religião e conservadorismo. Mas, por ora, quero justificar a feitura desses artigos.

Justificativa

Não desejo parecer pretensioso por estar tratando de minha pessoa; sei que é muito mais importante falar de Guénon, Ortega Y Gasset, Aristóteles, Confúcio, dos escolásticos, ou de Washington e demais Pais Fundadores, ou de tantos outros que deram contribuições inestimáveis à Civilização, coisa que ela ainda espera de mim. Tampouco posso me comparar a Sto. Agostinho para supor que posso imitá-lo escrevendo confissões com o valor que teve a dele. Sei qual é o meu lugar. Porém, além de minha falta de competência para tratar de tão elevados pensadores, posso alegar uma razão positiva para compartilhar convosco a minha insignificância. Ao relatar-vos essa minha trajetória intelectual, não pretendo tratar em primeiro plano de mim mesmo, mas de assuntos que me preocupam e que são de interesse muito mais geral: creio que interessam a todos os que lêem esse blog, e até a muitos mais, que não o lêem. Li em Olavo de Carvalho textos escritos de acordo com esse método, o de abordar coisas pequenas para discutir as grandes; não que eu tenha primeiramente observado tal uso em seus escritos – ele mesmo defendeu a utilização que faz de tal procedimento, sem o qual certamente não haveria Imbecil Coletivo nenhum, assim como muitas outras coisas que ele escreveu. Ademais, creio que pode interessar aos mais próximos, aos amigos ou aos que lidam pessoalmente comigo saber um pouco mais sobre mim; e mesmo para quem não me conhece, ou nem o deseja, ou seja lá o que for, o presente tipo de relato não carece de utilidade. É só pensar que ao ler ficção, se lê sobre gente que nem existe, apesar das mensagens e informações verdadeiras que hajam nas obras de tal gênero. O leitor tem a opção de encarar esse texto como um artigo com um personagem! Espero, com tudo isto, ter despertado ou mantido o interesse de tantos quantos tenham lido (ou até, só examinado) esse post, ou, pelo menos, do máximo possível dentre esses.
Aguardem o prosseguimento desse escrito.

[1] O problema era o seguinte: quantos seres vivos poderiam existir? Se fosse possível permitir a reprodução dos seres vivos, que existem aos bilhões, indefinidamente, o processo jamais terminaria, e sempre haveriam seres por surgir. Não conseguia, então, imaginar a possibilidade, a capacidade de Deus de dar origem a toda a vida que poderia existir, pois sempre faltaria uma infinidade dela por nascer. Se Deus é conformado com isso, então ele não é tão misericordioso assim – e sim, aliás, cruel; eu, por sofrer com isso, teria muito mais misericórdia. Pior ainda era tentar imaginar que o conjunto infinito de potenciais seres a existir existisse com inteligência, como era o justo para mim. Então passei a pensar e sentir a vida – a vida como categoria absoluta sobre a qual me debrucei nesse raciocínio filosófico - como algo precário.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Nazismo e Comunismo: Os Cavaleiros do Apocalipse disseram ‘Amém’!

O nazismo e o comunismo, diferentemente do que muitos pensam, têm uma mesma força propulsora; ambos os regimes são ateus, socialistas, dialéticos e totalitários. Tanto os nacional-socialistas, quanto os bolcheviques, acreditavam numa força revolucionária, numa redenção social através das ações políticas, no surgimento do Novo Homem livre dos grilhões da opressão impostos pela burguesia. Não concordavam com a natureza do jeito que ela era; teriam eles a missão de recriar a figura do homem, moldá-la para instituir uma sociedade próspera e justa. Além do mais, tanto alemães e soviéticos, defendiam a estatização de toda a produção, o controle econômico, a restrição das liberdades individuais em nome de um bem maior.

No caso dos nazistas a burguesia era, essencialmente, identificada com o povo judaico; a luta de classes se tornara luta de raças na Alemanha. Um ponto importante a ser explicado é a noção do polilogismo. O polilogismo nazista afirmava que a mente era condicionada pela raça. A inferioridade do não-ariano era resultado da sua natural incapacidade - sua mente era limitada e o induzia a imundice intrínseca a sua existência - de compreender a verdadeira realidade, realidade essa que era conhecida em sua plenitude pelos arianos. De onde o nazismo tirou essa idéia? Do comunismo. O comunismo fazia a mesma análise polilógica, só que ao invés de raças eram classes. A burguesia só reproduzia opressão e alienação porque era condicionada a criar desigualdades e representar os interesses do Capital. Ambos os regimes não refutavam idéias, mas pessoas. O mais engraçado era que Hitler tinha sangue judeu e Marx era burguês, filho de um advogado, descendente de importantes rabinos, casado com uma baronesa, primo do fundador de uma das maiores Companhias do mundo; a Philips, e amigo de um industrial! Enfim, o mesmo polilogismo, a mesma superstição não-científica que apenas justificava, de um lado, o racismo e, do outro, o imaginário de que o proletariado tinha a incumbência de realizar a revolução redentora, aquela que criaria o Novo Homem e libertaria as mentes.

O nazismo não se enxergava como um sistema totalitário e genocida, mas sim como uma ferramenta de evolução social, se baseando em compreensões biológicas e antropológicas totalmente submersas na alienação ideológica. Se o nazismo é condenado, hoje em dia, por seu histórico genocida porque neonazistas não podem afirmar que se tratava de um "nazismo real" e continuar a sustentar suas falácias? Os comunistas não mataram 100 milhões e mesmo assim não conseguem continuar na vida política moderna por meio desses malabarismos teóricos?

A esquerda européia apoiou Hitler, isso é fato. Bernard Shaw, socialista britânico de grande destaque, foi além ao defender o extermínio em massa - "Eu apelo aos químicos descobrir um "gás humano" que matará instantaneamente e sem dor. Que seja mortal, mas humano, não cruel". A URSS incitou os partidos comunistas para que impedissem os movimentos de resistência anti-nazista na Europa ocidental. Ademais, estimulou a aliança com os invasores alemães; "É reconfortante ver prisioneiros-trabalhadores falando com soldados alemães como amigos. Nas ruas ou nos cafés de esquina. Muito bem, camaradas, continuem assim! Mesmo que isto desagrade a classe média a irmandade dos homens não permanecerá para sempre na nossa esperança, irá transformar-se numa realidade viva" - Partido Comunista Francês. Não podemos negar que, posteriormente, muitos socialistas se opuseram ao nazismo, entretanto, vale lembrar, os motivos não era nada humanitários, simplesmente a ideologia nazista era exageradamente nacionalista, a luta, para os seguidores do nacional-socialismo, não era de classes, mas de raças. Burgueses não eram eliminados por serem burgueses, a burguesia não tinha cor, raça, religião, a burguesia era judaica, alemã, eslava, católica, protestante. O erro nazista não era o extermínio em massa, mas transformar a Luta de Classes em Luta de Raças, darwinismo social.

Não obstante, a aversão de nacional-socialistas e soviéticos a raças e etnias sempre foi muito clara. Marx chegara a dizer que "As classes e as raças, fracas demais para conduzir as novas condições da vida, devem deixar de existir. Elas devem perecer no holocausto revolucionário". Engels ainda completou ao afirmar que alguns povos eram “lixo racial”, o extermínio dessas etnias era necessário já que se tratavam de culturas que estavam dois estágios atrás na luta histórica, o que tornava impossível trazê-los ao nível revolucionário; bascos, bretões, escoceses e sérvios. Além disso, tanto Marx quanto Engels, odiavam eslavos, viam como povos imundos e, talvez pela herança germânica, nutriam uma tenra oposição a Polônia.

O nazismo, na verdade, aprendeu com o comunismo. Vejamos. Em um ano a URSS matou 7 milhões de ucranianos de fome, uma fome estrategicamente construída por meio do confisco de grãos, fechamento de fronteiras, isolamento das cidades. Enquanto milhões morriam na província rebelde a exportação de alimentos crescia; o Ocidente consumia os grãos produzidos pelos homens fadados a morrer, muitos, inclusive, sendo enterrados vivos; “a terra se mexia”. A primeira carnificina, o primeiro extermínio em massa da Segunda Guerra, começou com os soviéticos fuzilando reservistas poloneses. Ainda é pertinente lembrar das quotas estipuladas pelo comando central da URSS; cada chefe da polícia tinha um número de mortos a cumprir; 2 mil, 3 mil, 7 mil. O mais assustador era que todos queriam o aumento das quotas; todos queriam mais mortes. O famoso Kruschev pediu para que se ampliasse a sua de 8 mil para 17 mil! Quanta humanidade! Heróico Soljenitsin que nos descreveu com maestria essa triste realidade soviética; mortes aleatórias, deportações sem motivo, extermínio banais.

A política de terror, que depois tornou célebre a SS, já havia sido instituída décadas antes pela NKVD e pela KGB, por Lênin - "Enforquem ao menos 100 kulaks, executem os reféns, façam de uma tal maneira que num raio de quilômetros as pessoas vejam e trema". Quando os nazistas ainda construíam intelectualmente a sua ideologia nacional e socialista, na União Soviética homens e mulheres eram mortos, torturados, sucumbiam de fome, eram enterrados em valas comuns. Ademais, a NKVD ajudou na estruturação da SS, inclusive os “famosos” campos de concentração da Alemanha Nazista foram copiados baseando-se nos já rodados Gulags soviéticos. O intercâmbio entre ambas as polícias sempre foi muito forte.

A aliança com a Alemanha custou a vida de muitos judeus russos que foram perseguidos e presos, inclusive o Ministro Soviético Litvinov, que era israelita, foi destituído do cargo; sua figura era imprópria, impedia a amistosa relação entre ambos os regimes. Ainda é pertinente frisar que os judeus que fugiram da Alemanha Nazista, acreditando que a URSS era inimiga do fascismo, foram reunidos pelo exército vermelho e mandados de volta para a Gestapo como um gesto de amizade. Quanta delicadeza; "A Alemanha e a Rússia [bolchevista] se completam de maneira maravilhosa. Elas são feitas verdadeiramente uma para a outra" - Hitler

Nazistas e soviéticos mantinham uma aliança muito estreita, não só política, mas ideológica. Ambos os regimes acreditavam na necessidade do Novo Homem, entretanto, nazistas embebiam sua fundamentação ideológica no caráter nacional, daí “nacional-socialistas”; “o Nacional Socialismo é um socialismo em devir” (Hitler); acreditavam na Alemanha como propulsora e motor da sociedade renovada, evoluída e transformada - "Nós temos que criar o Novo Homem! E uma nova forma de vida deve surgir" - Hitler. Dr. Goebells, então Ministro da Propaganda Nazista, disse “O movimento nacional-socialista [nazista] tem um só mestre: o marxismo”, ainda foi além ao falar que Hitler e Lênin deveriam ser comparados e que o embalsamado líder soviético só ficava atrás do genocida alemão quando se tratava de “grandes homens”. De acordo com ele a diferença entre o nazismo e o comunismo era muito pequena. Tamanha simpatia foi retribuída pelo Primeiro-Ministro Soviético, Molotov, que se encontrou com Hitler, no início das incursões militares de ambos os países, para tratar do mundo pós-guerra, dos territórios do interesse da URSS. Molotov alertou o Ocidente para não lutar contra a ideologia nazista, falando que se levantar contra o nazismo era uma atitude criminosa. Hitler já dizia; “Aliás, existem entre nós [nazistas] e os bolchevistas mais pontos comuns do que há divergências”

Nazistas e comunistas dividiram a Europa! Enquanto a Alemanha invadia a Bélgica, Luxemburgo e a França, a URSS tomava a Polônia, Lituânia, Estônia, Letônia e Finlândia. O bombardeamento de Helsinque custou a expulsão da União Soviética da Liga das Nações. Só restou ao regime comunista um aliado; Hitler. Esse aliança decretou o destino do continente. A URSS ajudou diretamente na invasão nazista da Noruega, cedendo bases navais; "A amizade entre a URSS e a Alemanha Nazista foi selada por sangue" - Stálin. Além disso a URSS se tornara a principal mantenedora da máquina de guerra nazista, exportando para a Alemanha ferro, combustível, material de construção, grãos - enquanto seu povo morria de fome, literalmente.

A Alemanha ainda fazia limpeza étnica nos países invadidos. A URSS mantinha a mesma estratégia genocida nos Bálcãs, expulsando lituanos, estonianos e letões, todos mandados para a Sibéria onde morriam de tanto trabalhar; “O trabalho é um honra”, dizia a frase de boas-vindas nos Gulags.

Roosevelt considerava a URSS uma potência do Eixo, na verdade a aliança dos soviéticos com os alemães era tão clara que os grandes líderes mundiais não pensavam duas vezes ao constatar esse pacto comuno-nazista. Entretanto, ao mesmo tempo em que a União Soviética invadia países com nomes estranhos e em regiões longínquas, o exército de Hitler marchava sobre as nações do Ocidente; Hitler era um inimigo presente, Stálin um problema futuro. Enquanto os comunistas massacravam ucranianos, poloneses, tártaros, lituanos, russos etc, as nações do Oeste, no máximo, estampavam nas capas dos jornais fotos de crianças raquíticas e de corpos em valas, nada de protestos, embargos, intervenção armada, caminhadas, artistas compondo letras ou fazendo festivais de músicas em defesa da liberdade. Já Hitler se lançou contra as grandes cidades européias; ele precisava ser detido. A URSS apenas se adaptou as novas necessidades, se antes a aliança com Hitler era sinal de espólios territoriais no futuro, a traição e o levante anti-nazista, pelos soviéticos, apenas adiantaria o triunfo bolchevique em grande parte da Europa. Isso foi o que, de fato, ocorreu; a União Soviética declarou guerra a Alemanha Nazista e, com a derrota de Hitler, estendeu a fronteira da sua influência, fincando a Foice e Martelo até o centro da Europa! Graças a política britânica, todos os crimes, extermínios e genocídios cometidos pelos soviéticos entraram na conta da vitória aliada, eram justificados e defendidos, mesmo que essas mortes tenham sido antes da guerra e unicamente de civis inocentes!

Enquanto o mundo chora, cria memoriais, estátuas em honra aos mortos pelo regime nazista, as vítimas dos comunistas soviéticos continuam anônimas, perdidas em valas comuns, desconhecidas e na sombra de uma ideologia que ainda apaixona. Essas silenciosas mortes são esquecidas em nome da honra da Rússia moderna; os arquivos são escondidos e destruídos. O nazismo foi criminalizado por ter matado, ao longo da Segunda Guerra, seis milhões de judeus; só num ano a URSS matou de fome sete milhões de ucranianos! Por que ainda temos que ver a Foice e Martelo sendo ostentada com orgulho nas camisas e estampas de jovens no Ocidente? Por qual motivo a ideologia marxista, que alimentou Hitler – “Eu aprendi muito do marxismo, e eu não sonho esconder isso” – e Lênin, continua sendo tão bem aceita mesmo carregando milhões de corpos? A Verdade deve triunfar!

Quem precisa dos Cavaleiros do Apocalipse - Peste, Guerra, Fome e Morte - quando ainda perdura no mundo a utopia comunista?

Pedro Ravazzano

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O texto usa como fonte livros de Pipes, Soljenitsin, Besançon, Carr, Wilson, Von Mises, Hayek etc, e o documentário The Soviet Story.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pedro, a Pedra

É sabido que os cismáticos nutrem uma tenra aversão ao catolicismo romano, provavelmente porque reconhecem, por dentro, que a Igreja encabeçada por Roma tem aquilo que eles nunca terão; a integralidade da fé cristã. Com isso, muitos bizantinos ressentidos se lançam numa cruzada, por mais latina e católica que ela seja, em combate a pureza da Esposa de Cristo.

Aqui mesmo eu publiquei [Veritatis Splendor] uma tradução livre que fiz de ditos de Santos e Patriarcas Orientais que endossam o papado e sua supremacia, soando bem diferente da primazia de honra que os cismáticos tanto defendem. Será que algum bizantino teria a coragem de lançar anátemas a São Máximo o Confessor, um dos Padres mais exaltados pelos orientais, por ter dito que “sem medo, mas com toda a confiança sagrada e conveniente, aqueles ministros (os Papas) são da rocha realmente firme e imóvel, que é da Igreja mais grandiosa e Apostólica de Roma." (Santo. Maximus, em JB Mansi editor Amplissima Collectio Conciliorum, volume 10), ou então a São Teodoro Estudita, chefe do mais importante Mosteiro de Constantinopla, que escrevendo a São Leão Magno disse; “oh mais divina Cabeça das Cabeças, o Chefe Pastor da Igreja do Céu." (Santo. Theodore, Reserve I, Epístola 23)”. O que não faltam são citações que confirmam a universalidade e supremacia de Roma, mas que combatidas de maneira mesquinha por ardilosos religiosos orientais, fomentou o cisma. Fócio, que é santo lá por aquelas bandas, e um dos grandes responsáveis pela queda dos bizantinos, escreveu ao Papa; “Se mandares venerar o meu nome numa só igreja de Roma, eu me comprometo a mandar venerar o teu em todo o universo’’, provavelmente não sabia que essa sua presunção nada cristã o daria a “santidade” e a alcunha de “o Grande”. Realmente, só se for padroeiro da picaretagem.

Os cismáticos deformam a promessa de Cristo feita a São Pedro. Eles a interpretam dizendo que a Pedra não era Pedro, mas sim sua fé. Um grande erro, Pedro é a Pedra, só que esta procede de Cristo. Pedro não é pedra por si só, mas em função de Cristo e de sua fé ortodoxa, a qual sempre está no Príncipe dos Apóstolos, a fim de que confirme seus irmãos.

Falar que Cristo é Rocha, que Pedro é feito pedra em função da fé em Cristo não tira em nada o entendimento que Pedro é a pedra sobre a qual é edificada a Igreja, em função de Cristo e não de si mesmo. Alguns chegam ao extremo, utilizando teses protestantes para afirmar que o termo usado por Nosso Senhor para designar Simão não era o mesmo que Ele utilizou para chamar a Pedra.

São João Crisóstomo, considerado pelos cismáticos o maior Padre da Igreja, ajuda a colocar um ponto final nessa questão. Ele diz:

Jesus disse [a Pedro] ‘Alimenta minhas ovelhas’. "Por que Jesus não leva em conta os demais Apóstolos e fala do rebanho somente a Pedro? "Porque ele foi escolhido entre os Apóstolos, ele foi a boca de seus discípulos, o líder do coro. Foi por essa razão que Paulo foi procurar a Pedro antes que os demais. E também o Senhor fez isso para demonstrar que ele devia ter confiança uma vez que a negação de Pedro havia sido perdoada. Jesus lhe confia o governo sobre seus irmãos... Se alguém perguntar "Por que então foi Santiago quem recebeu a Sé de Jerusalém?", eu lhe responderia que Pedro foi constituído mestre não de uma Sé, mas do mundo todo” (Homilia 88 (87) in Joannem, I. Cf. Orígenes, “In epis. Ad Rom.”, 5, 10; Efrém da Síria “Humn. In B. Petr.”, en “Bibl.Orient. Assema.)

Eles poderiam rebater citando por exemplo São Cipriano de Cartago, que disse; “Este Trono de Pedro é mantido por todo episcopado, de modo que cada bispo é sucessor de Pedro” (mesmo santo que escreveu; "A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal" (Cipriano, +258, Epístola 55,14), o que confirma o fato de que é a interpretação obtusa dos cismáticos que deforma o conteúdo patrístico), ora, aí eles entram num erro de interpretação. São João Crisóstomo é claro, ele se refere especificamente a Pedro e a promessa feita por Cristo, frisando a relevância do Príncipe dos Apóstolos perante os outros irmãos. Tão ilustre Padre grego ainda salienta a supremacia de Pedro e a universalidade de seu primado, que mesmo não se localizando em Jerusalém, Sé Apostólica chamada de "Mãe de todas as Igrejas", tem sua maestria fincada em todo o mundo.

Foi a falta de humildade de certos religiosos orientais que deu início ao cisma do oriente, e hoje, o mesmo déficit persiste em estender suas influências nas mentes cismáticas.

Pedro Ravazzano

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sadistas e Castristas

A Ilha de Fidel, literalmente de Fidel, é quase uma sucursal do paraíso. Por lá reina um princípio social que incita a formação de homens e mulheres conscientes e imunes a influência do materialismo capitalista. Cuba conseguiu criar um sistema de distribuição de renda, construiu redes de ensino e de saúde que dão inveja aos países neoliberais. O regime de Havana instaurou a democracia popular, a partilha, a dignidade do homem. "200 milhões de crianças no mundo dormem hoje nas ruas. Nenhuma é cubana.”

Voltando ao mundo real, sabemos que os domínios da família Castro não são nada parecidos com esse paraíso que pintam por aí. Existe a Cuba dos livros didáticos, da doutrinação marxista nas escolas, dos professores comunistas dos Colégios, e a Cuba verdadeira e, para piorar, a Cuba dos cubanos, os maiores prejudicados com o regime ditatorial, genocida e perseguidor das mais essenciais liberdades individuais.

Primeiramente, é importante frisar, a defesa do regime cubano só se sustenta, hoje em dia, pelo simples fato de que a manutenção desse Estado totalitário impede o conhecimento da real profundidade do alto grau de baixeza moral que chega o governo de Havana. Ademais, vale lembrar, Cuba sempre esteve embebida numa mística comunista muito particular. Se o marxismo pede, essencialmente, a fé na revolução como ferramenta de redenção social e o surgimento do Novo Homem como objeto fundamental, Cuba aparece como a terra prometida do esquerdismo latino-americano. Che e, com menos relevância, Castro, representam os arautos dos ideais marxistas de sociedade. A ascensão desses dois jovens, num período marcado pela bipolarização mundial e pela estruturação de células comunistas nas nações, só foi possível porque havia sim a possibilidade da concretização do sonho socialista, em princípio. Tanto é que, atualmente, os aspirantes a ditadores; Chavez, Morales e Correa, não conseguem movimentar as massas unicamente pela paixão – não vale a utilização dos aparelhos estatais.

Com a queda da URSS, a abertura dos arquivos do regime de Moscou, os comunistas rapidamente se blindaram, afirmaram que o totalitarismo soviético representava o socialismo real, distante dos verdadeiros princípios marxistas – é estranho uma doutrina política e filosófica tão racional lançar mão desse discurso tão idealista, Marx provavelmente se remexeria no túmulo. Todos queriam se distanciar da poça de sangue deixada por Lênin e Stálin, mesmo que ainda tentassem salvar a memória do primeiro. Aquele passado de treinamento em Moscou, as viagens para a Albânia, o financiamento da China maoísta, tudo isso foi rapidamente, imediatamente, esquecido. Se até ontem lutavam pela instauração do regime comunista, pelo triunfo revolucionário, hoje já falavam de democracia e liberdade.

Com Cuba isso não ocorreu. A América Latina sempre esteve enebriada com o discurso excessivamente utópico a respeito da ilha. A formação de tantas gerações sob essa mentalidade ilusória de um país justo e socialmente equilibrado foi essencial para a criação do mito cubano. Ninguém se importava com o fato de que a dita saúde de Cuba só se mantinha graças ao apoio soviético e que desde a década de 80, com a queda brutal da entrada de divisas no país, todos os serviços públicos entraram em franco declínio. Os fatos não importavam, Cuba tinha, tinha que ter, uma excelente saúde.

O regime cubano conseguiu a fantástica proeza de gerar o exílio e fuga de 2 milhões de cidadãos, cerca de 20% da população do país. Além disso o totalitarismo castrista matou entre 15 e 17 mil pessoas. Os terroristas que combatiam a nossa ditadura, que mesmo sendo exageradamente menos destrutiva que a cubana ainda era uma ditadura, eram treinados em Havana e diziam lutar pela liberdade da nossa nação ao mesmo tempo em que eram financiados por um país que matava, fuzilava e torturava. Quando o Brasil já debatia a Lei de Anistia, em Cuba 20 mil pessoas se encontravam no cárcere, inimigos políticos. Em 1997, depois de anos do regime militar, esquerdistas chiques ainda super-valorizavam a ditadura de Cuba enquanto 2500 homens e mulheres estavam presos. O crime? Criticar o regime, defender seus direitos fundamentais, lutar pela liberdade!

A luta contra a nossa ditadura foi financiada pelo sangue dos cubanos mortos no paredão, dos cubanos expulsos da ilha e daqueles que morriam nas prisões e nas ruas. O bom senso obrigaria qualquer pessoa sincera e submissa a verdade a se opor tanto ao nosso regime militar com suas 500 vítimas, mais desaparecidos e torturados, assim como nutrir uma radical aversão ao regime cubano com seus 17 mil mortos, mais desaparecidos e torturados. O daqui foi derrubado, não tanto pela ação armada esquerdista, que matava, roubava e seqüestrava, mas também pela própria aspiração social de democracia. Em Cuba ainda persiste a ditadura sangrenta e cruel e, para piorar, ainda persiste os louvores e incensamentos do totalitarismo. Uma pena, até onde chega o idealismo marxista? (Peço licença ao barbudo para colocar sua doutrina ao lado da filosofia que tanto criticava, mas essa é a única forma de denominar todos aqueles que, submersos na ideologia utópica, não enxergam o terror instaurado)

Além do mais, vale lembrar que Fidel e Che vinham de famílias abastadas e financeiramente estáveis, ainda descendiam da mais alta nobreza espanhola. Ambos não eram bem quistos pelo Partido Comunista Cubano, tanto que muitas das primeiras vítimas de Fidel eram membros do PCC. Ademais, mesmo com críticas ao governo de Fulgêncio Batista, devemos recordar que mestiços e negros estavam maciçamente inseridos na máquina estatal, diferentemente da concentração de poder na mão de uma elite branca, tradicionalmente rica e com gostos finos e requintados, como se viu no governo comunista.

Pobre Cuba, sua desgraça apenas estimula as mentes pervertidas dos jovens e incita os velhos sonhos arqueológicos dos saudosistas do fervor revolucionário!

Pedro Ravazzano