sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Enquete sobre caça amadora

Em conexão com o post anterior, escrevo para informar que o site do IBAMA está promovendo uma enquete sobre caça amadora.

Um dos argumentos utilizados pelos anti-caça é que se trata de uma atividade sem "finalidade social", nada mais absurdo, pois, isso levaria a proibir diversas atividades particulares que as pessoas praticam a todo instante desde a criação do mundo.

Estamos vendo a estrutura jurídica do Brasil, por um lado, se voltando contra os cidadãos de bem e, de outro lado, cada vez mais liberal para os reais criminosos. Os marxistas, que são contrários a existência de Estados, tomam o poder apenas para fazer uma espécie de autodemolição do mesmo.

Acesse o link abaixo e vote a favor da caça amadora.

http://www.ibama.gov.br/2008/10/enquete-voce-e-contra-ou-a-favor-a-caca-amadora/

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Para ONG, não há diferença ontológica entre pessoas e animais

A ONG ASSOCIAÇÃO ANIMAL, uma organização não-governamental de “defesa dos direitos fundamentais dos animais não-humanos”, está chocada com o bom senso.

Em uma entrevista ao semanário Sol, o deputado português Paulo Rangel (PSD) criticou o direito dos animais e a tentativa de os igualarem aos seres-humanos.

No blog da ONG, está escrito que o parlamentar revelou uma visão “medieval” e “um assustador trogloditismo pré-científico, racionalmente oco, socialmente atávico e politicamente irresponsável”.

Até mesmo a afirmação de que há uma separação ontológica entre os animais e as pessoas não deixou de receber os protestos caducos da tal ONG.

Segue algumas frases de Paulo Rangel, tão conexas com a realidade, que escandalizaram a ONG:
- “Não faz sentido haver um Dia do Cão.”

- “Também não [faz sentido haver um Dia dos Animais]”.

- “Um cão nunca deixa de ser um cão. Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.”

- “Os animais merecem protecção mas não são titulares de direitos.”

- “Não são eles que têm esse direito [de ser bem tratados e protegidos]. Nós é que temos essa obrigação.”

- “Para mim essa é uma concepção errada [a de que os animais devem ter direitos]. Acho que só as pessoas devem ser titulares de direitos.”

- “Os animais [também sofrem], mas não sofrem como nós.”

- “A caça ou as touradas, enquanto tradições com determinadas características e determinados limites, são toleráveis. Fazem parte da Cultura.”

- “Muitas tradições não acabaram e estas [caça e touradas] são daquelas que para mim não devem acabar.”

- “Faço uma separação ontológica entre as pessoas e os animais.”

- “Num contexto cultural devidamente integrado, certas tradições [como a caça e as touradas] – ainda que possam chocar algumas pessoas – são admissíveis. É a minha posição.”

- “Não sou contra [a exibição de touradas na RTP].”

- “Desde que devidamente contextualizado [a transmissão de touradas pela RTP, televisão do Estado, expondo as crianças à violência contra os animais], não vejo nisso qualquer problema.”

- “A menos que esteja em causa a extinção de espécies, não acho mal [utilização de peles para confecção de vestuário].”

- “A dignidade humana é um valor superior ao da dignidade dos animais. O Homem é ontologicamente diferente dos restantes animais.”

Após apresentada esta relação dos depoimentos “chocantes” do deputado, a ONG pergunta: “Como é possível alguém poder pensar desta maneira nos dias de hoje?

O Blog oficial da Associação Animal conclama seus aderentes a enviarem e-mails de protestos para o deputado.

Já o Blog “O Povo”, em oposição à ONG, pede “a todos os humanos que se reconhecem ontologicamente diferentes dos outros animais, que também se manifestem, enviando um e-mail de apoio ao bom senso de Paulo Rangel para os seguintes endereços: psd@psd.pt e gp_psd@psd.parlamento.pt"

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

OS QUE NÃO FORAM CONSULTADOS

por Gustavo Corção
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Ouvi hoje contar o caso de um acrobata americano que teve uma idéia. "Brain wave". Uma idéia nova para seu programa de televisão. É assim: em pé no rebordo do telhado de um arranha-céu ele faz cabriolas, não com seu próprio corpo, mas com o corpo de uma criancinha de meses que ele atira para o ar, apanha, equilibra, muda de mão e passa entre as pernas. Como se vê, o espetáculo deve ter sido excitante e gostoso para os pupilas cansadas de outros espetáculos mais rotineiros.

Essa história lembrou-me outra. Estavam duas ou três senhoras de nossa melhor sociedade, dessas que tomam chá de chapéu, a discutir o caso de um desabusado cirurgião (também da melhor sociedade) que provocara um aborto sem consultar ninguém. Dizia, então, uma das senhoras, a do chapéu de lilás: "Eu acho que a família deve ser consultada..." A dama de chapéu cor-de-amora foi mais precisa: "Eu acho que compete à mãe, exclusivamente, resolver o caso". E estava a conversa neste ponto quando um amigo meu, tímido e gago, que nunca consegue ser ouvido por ninguém, sugeriu que quem devia ser consultada era a criança. E é a ausência dessa consulta que me horrorizou na história do acrobata. Por muito menos zangou-se um dia Jack London, numa tourada, porque os touros e cavalos não eram ouvidos. Mas ninguém ouviu a reflexão de meu amigo. Como ninguém ouve a misteriosa linguagem com que os embriões de dois a três meses declaram categoricamente que querem viver. Como também cada dia menos se ouve a linguagem, já menos mistificada, das crianças de dois ou três anos que são energicamente contrárias ao divórcio. O fato é esse: na ginástica, no aborto e no divórcio, há pessoas, personagens, pessoas humanas, vivas, que estão envolvidas e que não são ouvidas.

"Ora, direis, ouvir crianças... certo perdeste o siso!", dirá algum leitor que ainda se lembre dos esplendores do nosso parnaso. Como é possível ouvir um embrião? Como se pode ponderar o que diz uma criança de dois anos?

Digo-te eu, leitor, que foste tu que perdeste o siso. E acrescento: o mundo está como está, e o nosso Brasil chegou onde sabemos que chegou, porque as pessoas (a começar pelas da melhor sociedade) não têm mais ouvidos para ouvir e entender a linguagem dos fetos. Fuzilam-se inocentes, aos milhões, sem remorsos, dada a circunstância supersônica de seus protestos. Vou explicar-te, amigo, mais uma vez, como se pode ouvir o que não fala, e consultar o que não tem a idade da razão. É muito simples: ouvindo e consultando a lei que está gravada na natureza das coisas, a lei que qualquer consciência desobstruída de chás e chapéus pode ouvir e consultar. Uma boa lavadeira, uma honesta cozinheira, sem procurar psicólogos e sociólogos, têm ouvidos para a voz da Inocência perfeita, para a voz que condena o aborto, o divórcio, e outras acrobacias feitas com carne de gente.

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Por falar em aborto, ouvi dizer que na Suíça tornou-se legal. Não sei detalhes. Não sei em circunstâncias, pelos quatro cantões da Suíça, tornou-se admissível matar a criança que teve a impertinência de brotar num ventre de moça. Imagino que os suíços, que são reconhecidamente um povo ordeiro e asseado, e sobretudo muito deferente com os turistas, tenham descoberto excelentes razões para assassinar pequeninos suíços. Uma das razões que imagino seria a seguinte: mata-se a criança excedente pelo bem da pátria e da família. Um pouco como se queima o café, para valorizá-lo. De uma senhora, que tem um Pontiac verde-claro, já ouvi dizer que se justifica "não guardar" para manter o "padrão de vida". Não se guarda a criança para guardar-se o Pontiac. Outra senhora, um pouco menos desvairada, alega que fuzila a criança não nascida em benefício das outras já nascidas. Esses argumentos chegaram aos ouvidos de meu amigo Álvaro Tavares que sugere uma emenda para a teoria dessa senhora que mata um filho em benefício dos outros: admitido que se deva matar um para benefício da família e da sociedade, devemos deixar a criança nascer, e, mais tarde, num conselho de família, escolher a criança mais feia, ou mais bronca na tabuada, ou mais birrenta na mesa, e então executá-la para o maior bem da família e da pátria.

Concordo inteiramente com essa emenda apresentada pelo meu amigo Álvaro Tavares. Em nome da psicologia, da sociologia e da eugenia, acho precipitada a pena de morte que recai sobre a "criança desconhecida". O mundo, entre seus momentos de prolongado desvario, já teve a idéia de honrar o soldado desconhecido; mas nos seus piores momentos ainda não teve a idéia de fuzilar um criminoso desconhecido. E muito menos um desconhecido inocente. Aprovo pois a emenda e aqui acrescento o meu pesponto. Em lugar do conselho de família, eu sugiro que consultem um psicotécnico.

Voltando aos suíços, confesso que não me espantei demais com a notícia. Tenho desconfiança desses países muito ordeiros, muito arrumados. Tenho horror a hotéis. Só me espanto com uma incoerência que vejo nessa lei dos suíços: se a religião daquele pitoresco país é o turismo, se tratam tão bem os que chegam das Américas, porque diacho maltratam assim o pequenino turista que ingressa num dos quatro cantões pela mais antiga das portas?
(Dez Anos. Rio de Janeiro, AGIR, 1957.)
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DEM ajuda a derrotar PT em Salvador

Por Reinaldo Azevedo

Recomendo aos leitores que tenham calma. O fato de o novo PCB — Partido dos Comentaristas Brasileiros — cantarem a vitória do PT e a derrota do DEM não tem a menor importância. Não tem porque, como a gente vê, o povo, quando quer, insiste em fazer o contrário do que eles prevêem. Lutar contra os fatos é desmoralizar-se. Perguntem-lhes se não trocariam, caso fossem da direção do PT, as seis capitais em que o partido venceu no primeiro turno por uma única onde venceu o DEM. E não foi uma vitória qualquer: o desempenho de Gilberto Kassab na cidade é inédito. Já escrevi aqui e reitero: se mantiver a boa gestão, estamos falando de um novo líder no estado e no Brasil.

Mas o DEM não atrapalhou os planos do PT apenas em São Paulo. Também em Salvador, o apoio do partido foi fundamental para a reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB. O ministro Geddel Vieira Lima é um dos vencedores na cidade? Claro que sim. É o coronel do partido no Estado e adversário histórico do chamado carlismo. Mas não viu empecilhos em fazer um acordo com o deputado ACM Neto (DEM-BA), derrotado no primeiro turno e dono de importantíssimo 28% dos votos. E eles foram, tudo indica, inteiramente transferidos para João Henrique: dos 30% que obteve no primeiro turno, saltou, no segundo, para 58,44%.

Parece que os votos do carlismo em Salvador, menores do que já foram — herdeiros de ACM se dividem hoje em várias legendas —, continuam, no entanto, fiéis à liderança. Quem, para variar, fez bobagem foi o PSDB do estado, que preferiu se juntar ao petista, agora derrotado, Walter Pinheiro (41,56%). O candidato tucano, Antonio Imbassahy (outra cria de ACM), e o dono da legenda no Estado, Jutahy Jr. escolheram o candidato que viria a ser derrotado. É...

O fato é que, circunstancialmente unidos, mas, de fato, adversários desde sempre, Geddel e ACM Neto, herdeiro político de ACM, deram uma tunda na terceira força que se tenta construir na Bahia. O governador Jaques Wagner tem hoje, dado o resultado das urnas, menos influência do que tinha ontem.

Perdeu de novo.



por Luciana Lachance

O problema com o PT de Salvador é pessoal. Na eleição anterior para prefeito, tínhamos César Borges [antigo PFL], Pelegrino [PT] e um improvável João Henrique do PDT na disputa. Ninguém queria César Borges, pois ele representava demais ACM (e nisso Imbassahy terminou mais ileso). Parecia que o que estava em jogo era a aversão a César Borges – ACM, ou seja, era o momento em que Pelegrino teria a vitória certa, já que era o nome mais forte dentre os concorrentes. Se, por um lado, as pessoas não estavam muito certas sobre o que queriam, sabiam muito bem que não iriam votar no homem que largou o Senado pelo município por ordem de Antônio Carlos Magalhães. E por que Pelegrino não assumiu a disputa? Por que ele simplesmente não aproveitou a situação e ganhou a liderança? Por que um vereador apagado como João Henrique, com um discurso de fantasia [vale-transporte para desempregados], e cara de ressaca saiu na frente e ganhou a eleição de lavada? O que esse cara tinha feito além de encher o saco na Câmara de Vereadores com aquela história de estacionamento gratuito nos shoppings? Ora, João Henrique ganhou porque ninguém ia com a cara de Pelegrino. E essa aversão aos candidatos do PT que concorrem à prefeitura foi comprovada na eleição 2008. Pois Pinheiro [PT] só entrou na briga porque teve a grande sacada de isolar-se numa arena com João Henrique [que mudou para o PMDB no meio do mandato]: os dois se engalfinharam desde o início, tornando a disputa só deles, restando para o eleitor tomar partido de algum lado. E quando tudo o que o PT tinha que enfrentar era uma administração duvidosa, o que acontece? Perde de novo. Alguns perguntam: por que? Por que se os comícios estavam lotados, se as estrelas do partido estavam coladas em carros, camisas e testas das pessoas da rua? E eu respondo: porque Pinheiro é igualmente antipático, eis a explicação. Sei que pessoas irão desenvolver teorias muito melhores, a partir de pesquisas e estudos realmente sérios e que irão mencionar o “racha” do PT municipal nessa eleição; que alguns dirão que é porque Lula não veio, que a culpa é do ministro Geddel, que os camelôs é que deram a vitória a João Henrique, mas eu discordo. A única explicação possível para Pelegrino ter perdido a eleição de 2004 e Pinheiro ter perdido esta, é que suas respectivas caras combinadas com a moldura vermelha do PT são igualmente intragáveis. Talvez essa hipótese não possa ser confirmada com números, mas todas as vezes em que eu olho para os panfletos de Pinheiro, ou quando eu vejo as propagandas em que ele está fazendo seu discurso, eu penso: não dá com essa cara.

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Tomei a liberdade de publicar o comentário de Pedro Ravazzano deste texto, quase um outro texto, um complemento:

Exatamente! Pinheiro tinha um ranço muito forte. Sua figura não era carismática, não agregava. Ao contrário, João com sua cara de bobo-irônico gerava mais confiança do que os olhos esbugalhados e a fala minuciosamente construída do candidato petista.O mais engraçado foi que Pinheiro teve o apoio da maioria da classe média e dos cidadãos com ensino superior, enquanto João era soberano em Cajazeiras e no Subúrbio Ferroviário, ou seja, o Partido das massas só movimentava a burguesia. Isso não é de estranhar! A classe média proletarizada vota no PT acreditando no discurso popular que nem o povo carente, que seria o mais beneficiado, acredita.O PT de Salvador queria ganhar pelo susto. Para isso colocava nas ruas seu exército de idiotas úteis, os doutrinados e iludidos, assim como ligou o ON dos movimentos sociais controlados direta e indiretamente pelo Partido. Agora, depois da eleição, o Governador que só anda sóbrio veio dizer que a vitória de João também é a vitória da base governista. Que o fato do PMDB e do PT terem ido juntos ao segundo turno comprovava o poder do lulismo. Ora, me bata um abacate. Só na cabeça alcoolizada de alguém que acompanhou a campanha para isso ser verdade. O PT e o PMDB vão nutrir seqüelas até 2010. Essa campanha foi desgastante, dura, muito agressiva. Não tem como a vitória de João ser a vitória do governo. Ao contrário, nas atuais circunstâncias a vitória de João é o início da derrota de Wagner em 2010, o início do período do geddelismo (bem melhor que o wagnerismo), o início da doce, e venenosa, aliança PMDB - Democratas!

sábado, 25 de outubro de 2008

Acarajé Conservador?

Eu ainda fico perplexo com a total falta de honestidade dessa gente “progressista” e “moderna” (Coloco entre aspas porque esse povo representa o que de mais torpe existe na modernidade, rechaçando os seus melhores frutos). O nome do nosso blog tem causado boa impressão em grande parte dos leitores. Todos acharam engraçado e pertinente, ainda mais por se tratar do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador – BA.

De fato, acarajé é uma comida com origens religiosas, especificamente na adoração do orixá Iansã. Àkàrà quer dizer bola de fogo, adicionando o sufixo je, que quer dizer comer, nasce, por fim, o acarajé, ou “comer bola de fogo”.

Um conservador, enquanto tal, defende a Tradição, os antigos costumes que trazem com eles um legado e aprendizado, a continuidade das instituições sociais, assim como a defesa da mais genuína Liberdade e Democracia. O acarajé é um velho hábito alimentício herdado dos nossos antepassados, uma grande, e gostosa, herança deixada por um povo que, querendo ou não seus atuais descendentes, ajudou a formar o Brasil, é um elemento cultural que, junto com outras tradições, ajudava a desenvolver o ethos baiano, não essa caricatura atual, mas o espírito da Bahia quando ainda havia uma produção intelectual de grande destaque nacional, com heranças no movimento monárquico ou um republicanismo sincero e bem fundamentado, tudo arrematado por uma filosofia liberal ou pela teologia católica.

Em suma, o Acarajé é sim conservador, o Acarajé deve sim ser conservado. Não obstante, como a cultura negra foi seqüestrada pelos adeptos de movimentos sociais, o candomblé foi supervalorizado pelos descendentes dos africanos, essa herança negra, que já se encontrava em alto estágio de fusão com o legado europeu, passou a vivenciar um verdadeiro apartheid cultural.

Se nós fôssemos de Minas Gerais, provavelmente nosso blog se chamaria “Pãozinho de Queijo Conservador”, em São Paulo poderia se chamar “Pizza Conservadora” ou “Bauru Conservador”, mas somos baianos, estamos na Bahia, e nada melhor do que reverenciar nosso legado cultural.

Pouco nos importa se o Acarajé era, inicialmente, uma comida ritualística. Primeiramente não somos puritanos. Tenho certeza que muitos aqui até comeriam com gosto um delicioso prato de bozó (rsrsrs). Em segundo lugar, a Europa é rica nessas heranças pagãs que foram cristianizadas, a priori, ou perderam as bases religiosas sacrificiais. O fato de achar uma contradição um Acarajé Conservador mostra, mais uma vez, como esse pessoal apenas favorece o isolacionismo cultural negro, e, como de fato se comprova, o atraso e letargia do continente africano, que fica a mercê de ONGs socializantes, doações de Fundações abortistas e, principalmente, refém do (falso) Aquecimento Global.

Pedro Ravazzano

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tragédias em Série

Em que medida somos influenciaveis? Quando estudamos o comportamento humano e suas relações com o grupo, essa é uma pergunta que elicia muitos debates. De um lado a noção de que somos senhores plenos de nós mesmos, capazes de medir com precisão cada ação externa que nos desafia e agir diante dela com serenidade e firmeza tal qual nos ensina Aristoteles na sua justa medida. Na outra mão do debate, encontramos a idéia de que somos altamente influenciaveis, e que somos manipulados a todo o tempo ou pelo ambiente (reducionismo externo do behaviorismo) ou por processos inconscientes formatados na nossa primeira infância (reducionismo interno da psicanálise). Sem querer entrar neste debate, ou propor o clichê básico das ciências humanas como solução, qual seja, "é uma relação dialética onde temos certa dose de controle mas somos também influenciáveis", quero apenas refletir sobre umas poucas evidências científicas a luz de alguns acontecimentos recentes. Passado o caso Lindemberg começam agora a surgir casos similares de crimes passionais. A primeira pergunta que surge é: esses casos estão surgindo agora ou a mídia está cavando esses casos, que sempre ocorreram, e aproveitando a onda do caso famoso para fazer reportagens? É possível que assim seja. E, então, me vem a memória as crianças que cairam da janela após o caso Isabela, a série de crianças abandonadas em rios e lagoas anos atrás. Ainda mais recente foi o caso de policiais matando pessoas inocentes em seus carros, foram bem uns três casos em todo Brasil, numa mesma semana... A lista é grande, e pode ser que seja um viés da mídia, adimitamos até, uma coincidência. Mas existe um entrave nesta argumentação. Quando um avião cai, não há como não ser noticiado, a mídia não pode "esconder", nem manipular a divulgação dessas tragédias. E podem reparar que um avião nunca cai sozinho. Um grande tragédia de avião é sempre seguida de outras tragédias, como no caso recente do avião espanhol em Madrid, que foi seguido de outras quedas ao redor do globo. Como explicar? A divulgação de acidentes de avião pode influênciar o desempenho dos pilotos? Em que medida somos senhores absolutos de nossas ações? Existe uma série de estudos em psicologia social, mostrando que nós somos muito mais influenciaveis do que supomos ou gostariamos de ser, como nas famosas estratégias de manipulação utilizadas por vendedores e profissionais da retórica. No entanto ainda sobram muitas interrogações acerca da medida exata das diversas influências á que uma pessoa esta sujeita, sobretudo da mídia. Não estou certificando que divulgação de tragédias pela mídia é pressuposto para tragédias subsequentes, mas a mera possibilidade de que seja, é condição suficiente para que exista uma cobertura mais discreta. Que eufemismo. Essas tragédias são trasmitidas como verdadeiras novelas, jornalismo tornou-se fofoca globalizada. Qual a importância dessas reportagens? E eu com isso?