quarta-feira, 29 de outubro de 2008

OS QUE NÃO FORAM CONSULTADOS

por Gustavo Corção
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Ouvi hoje contar o caso de um acrobata americano que teve uma idéia. "Brain wave". Uma idéia nova para seu programa de televisão. É assim: em pé no rebordo do telhado de um arranha-céu ele faz cabriolas, não com seu próprio corpo, mas com o corpo de uma criancinha de meses que ele atira para o ar, apanha, equilibra, muda de mão e passa entre as pernas. Como se vê, o espetáculo deve ter sido excitante e gostoso para os pupilas cansadas de outros espetáculos mais rotineiros.

Essa história lembrou-me outra. Estavam duas ou três senhoras de nossa melhor sociedade, dessas que tomam chá de chapéu, a discutir o caso de um desabusado cirurgião (também da melhor sociedade) que provocara um aborto sem consultar ninguém. Dizia, então, uma das senhoras, a do chapéu de lilás: "Eu acho que a família deve ser consultada..." A dama de chapéu cor-de-amora foi mais precisa: "Eu acho que compete à mãe, exclusivamente, resolver o caso". E estava a conversa neste ponto quando um amigo meu, tímido e gago, que nunca consegue ser ouvido por ninguém, sugeriu que quem devia ser consultada era a criança. E é a ausência dessa consulta que me horrorizou na história do acrobata. Por muito menos zangou-se um dia Jack London, numa tourada, porque os touros e cavalos não eram ouvidos. Mas ninguém ouviu a reflexão de meu amigo. Como ninguém ouve a misteriosa linguagem com que os embriões de dois a três meses declaram categoricamente que querem viver. Como também cada dia menos se ouve a linguagem, já menos mistificada, das crianças de dois ou três anos que são energicamente contrárias ao divórcio. O fato é esse: na ginástica, no aborto e no divórcio, há pessoas, personagens, pessoas humanas, vivas, que estão envolvidas e que não são ouvidas.

"Ora, direis, ouvir crianças... certo perdeste o siso!", dirá algum leitor que ainda se lembre dos esplendores do nosso parnaso. Como é possível ouvir um embrião? Como se pode ponderar o que diz uma criança de dois anos?

Digo-te eu, leitor, que foste tu que perdeste o siso. E acrescento: o mundo está como está, e o nosso Brasil chegou onde sabemos que chegou, porque as pessoas (a começar pelas da melhor sociedade) não têm mais ouvidos para ouvir e entender a linguagem dos fetos. Fuzilam-se inocentes, aos milhões, sem remorsos, dada a circunstância supersônica de seus protestos. Vou explicar-te, amigo, mais uma vez, como se pode ouvir o que não fala, e consultar o que não tem a idade da razão. É muito simples: ouvindo e consultando a lei que está gravada na natureza das coisas, a lei que qualquer consciência desobstruída de chás e chapéus pode ouvir e consultar. Uma boa lavadeira, uma honesta cozinheira, sem procurar psicólogos e sociólogos, têm ouvidos para a voz da Inocência perfeita, para a voz que condena o aborto, o divórcio, e outras acrobacias feitas com carne de gente.

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Por falar em aborto, ouvi dizer que na Suíça tornou-se legal. Não sei detalhes. Não sei em circunstâncias, pelos quatro cantões da Suíça, tornou-se admissível matar a criança que teve a impertinência de brotar num ventre de moça. Imagino que os suíços, que são reconhecidamente um povo ordeiro e asseado, e sobretudo muito deferente com os turistas, tenham descoberto excelentes razões para assassinar pequeninos suíços. Uma das razões que imagino seria a seguinte: mata-se a criança excedente pelo bem da pátria e da família. Um pouco como se queima o café, para valorizá-lo. De uma senhora, que tem um Pontiac verde-claro, já ouvi dizer que se justifica "não guardar" para manter o "padrão de vida". Não se guarda a criança para guardar-se o Pontiac. Outra senhora, um pouco menos desvairada, alega que fuzila a criança não nascida em benefício das outras já nascidas. Esses argumentos chegaram aos ouvidos de meu amigo Álvaro Tavares que sugere uma emenda para a teoria dessa senhora que mata um filho em benefício dos outros: admitido que se deva matar um para benefício da família e da sociedade, devemos deixar a criança nascer, e, mais tarde, num conselho de família, escolher a criança mais feia, ou mais bronca na tabuada, ou mais birrenta na mesa, e então executá-la para o maior bem da família e da pátria.

Concordo inteiramente com essa emenda apresentada pelo meu amigo Álvaro Tavares. Em nome da psicologia, da sociologia e da eugenia, acho precipitada a pena de morte que recai sobre a "criança desconhecida". O mundo, entre seus momentos de prolongado desvario, já teve a idéia de honrar o soldado desconhecido; mas nos seus piores momentos ainda não teve a idéia de fuzilar um criminoso desconhecido. E muito menos um desconhecido inocente. Aprovo pois a emenda e aqui acrescento o meu pesponto. Em lugar do conselho de família, eu sugiro que consultem um psicotécnico.

Voltando aos suíços, confesso que não me espantei demais com a notícia. Tenho desconfiança desses países muito ordeiros, muito arrumados. Tenho horror a hotéis. Só me espanto com uma incoerência que vejo nessa lei dos suíços: se a religião daquele pitoresco país é o turismo, se tratam tão bem os que chegam das Américas, porque diacho maltratam assim o pequenino turista que ingressa num dos quatro cantões pela mais antiga das portas?
(Dez Anos. Rio de Janeiro, AGIR, 1957.)
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DEM ajuda a derrotar PT em Salvador

Por Reinaldo Azevedo

Recomendo aos leitores que tenham calma. O fato de o novo PCB — Partido dos Comentaristas Brasileiros — cantarem a vitória do PT e a derrota do DEM não tem a menor importância. Não tem porque, como a gente vê, o povo, quando quer, insiste em fazer o contrário do que eles prevêem. Lutar contra os fatos é desmoralizar-se. Perguntem-lhes se não trocariam, caso fossem da direção do PT, as seis capitais em que o partido venceu no primeiro turno por uma única onde venceu o DEM. E não foi uma vitória qualquer: o desempenho de Gilberto Kassab na cidade é inédito. Já escrevi aqui e reitero: se mantiver a boa gestão, estamos falando de um novo líder no estado e no Brasil.

Mas o DEM não atrapalhou os planos do PT apenas em São Paulo. Também em Salvador, o apoio do partido foi fundamental para a reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB. O ministro Geddel Vieira Lima é um dos vencedores na cidade? Claro que sim. É o coronel do partido no Estado e adversário histórico do chamado carlismo. Mas não viu empecilhos em fazer um acordo com o deputado ACM Neto (DEM-BA), derrotado no primeiro turno e dono de importantíssimo 28% dos votos. E eles foram, tudo indica, inteiramente transferidos para João Henrique: dos 30% que obteve no primeiro turno, saltou, no segundo, para 58,44%.

Parece que os votos do carlismo em Salvador, menores do que já foram — herdeiros de ACM se dividem hoje em várias legendas —, continuam, no entanto, fiéis à liderança. Quem, para variar, fez bobagem foi o PSDB do estado, que preferiu se juntar ao petista, agora derrotado, Walter Pinheiro (41,56%). O candidato tucano, Antonio Imbassahy (outra cria de ACM), e o dono da legenda no Estado, Jutahy Jr. escolheram o candidato que viria a ser derrotado. É...

O fato é que, circunstancialmente unidos, mas, de fato, adversários desde sempre, Geddel e ACM Neto, herdeiro político de ACM, deram uma tunda na terceira força que se tenta construir na Bahia. O governador Jaques Wagner tem hoje, dado o resultado das urnas, menos influência do que tinha ontem.

Perdeu de novo.



por Luciana Lachance

O problema com o PT de Salvador é pessoal. Na eleição anterior para prefeito, tínhamos César Borges [antigo PFL], Pelegrino [PT] e um improvável João Henrique do PDT na disputa. Ninguém queria César Borges, pois ele representava demais ACM (e nisso Imbassahy terminou mais ileso). Parecia que o que estava em jogo era a aversão a César Borges – ACM, ou seja, era o momento em que Pelegrino teria a vitória certa, já que era o nome mais forte dentre os concorrentes. Se, por um lado, as pessoas não estavam muito certas sobre o que queriam, sabiam muito bem que não iriam votar no homem que largou o Senado pelo município por ordem de Antônio Carlos Magalhães. E por que Pelegrino não assumiu a disputa? Por que ele simplesmente não aproveitou a situação e ganhou a liderança? Por que um vereador apagado como João Henrique, com um discurso de fantasia [vale-transporte para desempregados], e cara de ressaca saiu na frente e ganhou a eleição de lavada? O que esse cara tinha feito além de encher o saco na Câmara de Vereadores com aquela história de estacionamento gratuito nos shoppings? Ora, João Henrique ganhou porque ninguém ia com a cara de Pelegrino. E essa aversão aos candidatos do PT que concorrem à prefeitura foi comprovada na eleição 2008. Pois Pinheiro [PT] só entrou na briga porque teve a grande sacada de isolar-se numa arena com João Henrique [que mudou para o PMDB no meio do mandato]: os dois se engalfinharam desde o início, tornando a disputa só deles, restando para o eleitor tomar partido de algum lado. E quando tudo o que o PT tinha que enfrentar era uma administração duvidosa, o que acontece? Perde de novo. Alguns perguntam: por que? Por que se os comícios estavam lotados, se as estrelas do partido estavam coladas em carros, camisas e testas das pessoas da rua? E eu respondo: porque Pinheiro é igualmente antipático, eis a explicação. Sei que pessoas irão desenvolver teorias muito melhores, a partir de pesquisas e estudos realmente sérios e que irão mencionar o “racha” do PT municipal nessa eleição; que alguns dirão que é porque Lula não veio, que a culpa é do ministro Geddel, que os camelôs é que deram a vitória a João Henrique, mas eu discordo. A única explicação possível para Pelegrino ter perdido a eleição de 2004 e Pinheiro ter perdido esta, é que suas respectivas caras combinadas com a moldura vermelha do PT são igualmente intragáveis. Talvez essa hipótese não possa ser confirmada com números, mas todas as vezes em que eu olho para os panfletos de Pinheiro, ou quando eu vejo as propagandas em que ele está fazendo seu discurso, eu penso: não dá com essa cara.

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Tomei a liberdade de publicar o comentário de Pedro Ravazzano deste texto, quase um outro texto, um complemento:

Exatamente! Pinheiro tinha um ranço muito forte. Sua figura não era carismática, não agregava. Ao contrário, João com sua cara de bobo-irônico gerava mais confiança do que os olhos esbugalhados e a fala minuciosamente construída do candidato petista.O mais engraçado foi que Pinheiro teve o apoio da maioria da classe média e dos cidadãos com ensino superior, enquanto João era soberano em Cajazeiras e no Subúrbio Ferroviário, ou seja, o Partido das massas só movimentava a burguesia. Isso não é de estranhar! A classe média proletarizada vota no PT acreditando no discurso popular que nem o povo carente, que seria o mais beneficiado, acredita.O PT de Salvador queria ganhar pelo susto. Para isso colocava nas ruas seu exército de idiotas úteis, os doutrinados e iludidos, assim como ligou o ON dos movimentos sociais controlados direta e indiretamente pelo Partido. Agora, depois da eleição, o Governador que só anda sóbrio veio dizer que a vitória de João também é a vitória da base governista. Que o fato do PMDB e do PT terem ido juntos ao segundo turno comprovava o poder do lulismo. Ora, me bata um abacate. Só na cabeça alcoolizada de alguém que acompanhou a campanha para isso ser verdade. O PT e o PMDB vão nutrir seqüelas até 2010. Essa campanha foi desgastante, dura, muito agressiva. Não tem como a vitória de João ser a vitória do governo. Ao contrário, nas atuais circunstâncias a vitória de João é o início da derrota de Wagner em 2010, o início do período do geddelismo (bem melhor que o wagnerismo), o início da doce, e venenosa, aliança PMDB - Democratas!

sábado, 25 de outubro de 2008

Acarajé Conservador?

Eu ainda fico perplexo com a total falta de honestidade dessa gente “progressista” e “moderna” (Coloco entre aspas porque esse povo representa o que de mais torpe existe na modernidade, rechaçando os seus melhores frutos). O nome do nosso blog tem causado boa impressão em grande parte dos leitores. Todos acharam engraçado e pertinente, ainda mais por se tratar do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador – BA.

De fato, acarajé é uma comida com origens religiosas, especificamente na adoração do orixá Iansã. Àkàrà quer dizer bola de fogo, adicionando o sufixo je, que quer dizer comer, nasce, por fim, o acarajé, ou “comer bola de fogo”.

Um conservador, enquanto tal, defende a Tradição, os antigos costumes que trazem com eles um legado e aprendizado, a continuidade das instituições sociais, assim como a defesa da mais genuína Liberdade e Democracia. O acarajé é um velho hábito alimentício herdado dos nossos antepassados, uma grande, e gostosa, herança deixada por um povo que, querendo ou não seus atuais descendentes, ajudou a formar o Brasil, é um elemento cultural que, junto com outras tradições, ajudava a desenvolver o ethos baiano, não essa caricatura atual, mas o espírito da Bahia quando ainda havia uma produção intelectual de grande destaque nacional, com heranças no movimento monárquico ou um republicanismo sincero e bem fundamentado, tudo arrematado por uma filosofia liberal ou pela teologia católica.

Em suma, o Acarajé é sim conservador, o Acarajé deve sim ser conservado. Não obstante, como a cultura negra foi seqüestrada pelos adeptos de movimentos sociais, o candomblé foi supervalorizado pelos descendentes dos africanos, essa herança negra, que já se encontrava em alto estágio de fusão com o legado europeu, passou a vivenciar um verdadeiro apartheid cultural.

Se nós fôssemos de Minas Gerais, provavelmente nosso blog se chamaria “Pãozinho de Queijo Conservador”, em São Paulo poderia se chamar “Pizza Conservadora” ou “Bauru Conservador”, mas somos baianos, estamos na Bahia, e nada melhor do que reverenciar nosso legado cultural.

Pouco nos importa se o Acarajé era, inicialmente, uma comida ritualística. Primeiramente não somos puritanos. Tenho certeza que muitos aqui até comeriam com gosto um delicioso prato de bozó (rsrsrs). Em segundo lugar, a Europa é rica nessas heranças pagãs que foram cristianizadas, a priori, ou perderam as bases religiosas sacrificiais. O fato de achar uma contradição um Acarajé Conservador mostra, mais uma vez, como esse pessoal apenas favorece o isolacionismo cultural negro, e, como de fato se comprova, o atraso e letargia do continente africano, que fica a mercê de ONGs socializantes, doações de Fundações abortistas e, principalmente, refém do (falso) Aquecimento Global.

Pedro Ravazzano

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tragédias em Série

Em que medida somos influenciaveis? Quando estudamos o comportamento humano e suas relações com o grupo, essa é uma pergunta que elicia muitos debates. De um lado a noção de que somos senhores plenos de nós mesmos, capazes de medir com precisão cada ação externa que nos desafia e agir diante dela com serenidade e firmeza tal qual nos ensina Aristoteles na sua justa medida. Na outra mão do debate, encontramos a idéia de que somos altamente influenciaveis, e que somos manipulados a todo o tempo ou pelo ambiente (reducionismo externo do behaviorismo) ou por processos inconscientes formatados na nossa primeira infância (reducionismo interno da psicanálise). Sem querer entrar neste debate, ou propor o clichê básico das ciências humanas como solução, qual seja, "é uma relação dialética onde temos certa dose de controle mas somos também influenciáveis", quero apenas refletir sobre umas poucas evidências científicas a luz de alguns acontecimentos recentes. Passado o caso Lindemberg começam agora a surgir casos similares de crimes passionais. A primeira pergunta que surge é: esses casos estão surgindo agora ou a mídia está cavando esses casos, que sempre ocorreram, e aproveitando a onda do caso famoso para fazer reportagens? É possível que assim seja. E, então, me vem a memória as crianças que cairam da janela após o caso Isabela, a série de crianças abandonadas em rios e lagoas anos atrás. Ainda mais recente foi o caso de policiais matando pessoas inocentes em seus carros, foram bem uns três casos em todo Brasil, numa mesma semana... A lista é grande, e pode ser que seja um viés da mídia, adimitamos até, uma coincidência. Mas existe um entrave nesta argumentação. Quando um avião cai, não há como não ser noticiado, a mídia não pode "esconder", nem manipular a divulgação dessas tragédias. E podem reparar que um avião nunca cai sozinho. Um grande tragédia de avião é sempre seguida de outras tragédias, como no caso recente do avião espanhol em Madrid, que foi seguido de outras quedas ao redor do globo. Como explicar? A divulgação de acidentes de avião pode influênciar o desempenho dos pilotos? Em que medida somos senhores absolutos de nossas ações? Existe uma série de estudos em psicologia social, mostrando que nós somos muito mais influenciaveis do que supomos ou gostariamos de ser, como nas famosas estratégias de manipulação utilizadas por vendedores e profissionais da retórica. No entanto ainda sobram muitas interrogações acerca da medida exata das diversas influências á que uma pessoa esta sujeita, sobretudo da mídia. Não estou certificando que divulgação de tragédias pela mídia é pressuposto para tragédias subsequentes, mas a mera possibilidade de que seja, é condição suficiente para que exista uma cobertura mais discreta. Que eufemismo. Essas tragédias são trasmitidas como verdadeiras novelas, jornalismo tornou-se fofoca globalizada. Qual a importância dessas reportagens? E eu com isso?

A MÁFIA VERDE, precedido por uma reflexão sobre o Acarajé Conservador

por Luciana Lachance
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Este artigo é para atender ao pedido de alguns amigos meus, que me enviaram e-mails desde a segunda até ontem pela manhã, para que eu transcrevesse uma parte dos textos que denunciam A Máfia Verde, juntamente com algum comentário meu sobre estas questões. Uma segunda parte [Considerações sobre o veganismo] está postada abaixo e foi escrita por Vladimir Lachance. Quem acompanha o blog sabe o quanto tem sido de interesse o texto de Vladimir “I Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal: A arte de desconhecer” - minha caixa de mensagens do hotmail está lotada com comentários a respeito, inclusive recebi um com o título “A arte de Deturpar”, da autoria de Túlio Xavier, e não conheço quem me mandou isso. O texto, aliás, tenta ser bem explicadinho, e isso é justificado logo no início pelo autor, que se dirige àqueles que ainda não se converteram à causa vegan ¹. O pregador se define como um “vegan ativista que só come acarajé de candomblé”, o que eu acho ótimo, uma vez que o candomblé sacrifica animais; imagino o cara comendo esse acarajé depois de, sei lá, ver uma galinha ou um bode sendo mutilado. Para alguém soi-disant ativista, encontramos aqui um paradoxo, pois certamente o autor virá em defesa do candomblé, arrumando rapidamente uma desculpa para o sacrifício animal dentro dele – não por se tratar de uma religião, mas por se tratar de uma religião afro-brasileira; nesse sentido, o militante de hoje tenta levantar as bandeiras, simultaneamente, de causas como o veganismo, o homossexualismo, feminismo e movimento negro. É precisamente por isso que encontramos esse tipo de problema no texto de Túlio (condenação brusca da violência contra os animais, seguida de vinculação com uma religião que os sacrificam): não existe nenhuma lealdade, e, portanto, ele nunca poderá ser verdadeiramente um revolucionário. E isso o atrapalha quando ele tenta fazer uma denúncia, pois procura conscientizar as pessoas do sofrimento desnecessário imposto aos pobres bichos, ao mesmo tempo em que se orgulha de compartilhar com o candomblé. Aí está o limite de seu ativismo vegan: ele termina quando o terreiro chega – mas conheço vegans que não têm esses limites, e continuam sofrendo pelo bode morto no ritual, da mesma maneira como choram pelos elefantes torturados no circo. O homem moderno em estado de revolta tornou-se praticamente inútil para qualquer propósito da revolta. Rebelando-se contra tudo, ele perdeu o direito de rebelar-se contra qualquer coisa específica.² Túlio quase se esquece de “responder” o texto sobre o congresso, com pedantismos do nível de "(...) o que mostra total falta de ignorância do [Vladimir Lachance] sobre o tema”.³ Foi a única coisa com a qual eu concordei: realmente, é muita falta de ignorância mesmo. Este blog tem causado muita polêmica, e eu atribuo isso ao fato de que tanto as pessoas conservadoras, quanto as não-conservadoras se interessam por ele; a situação é de certo modo tão glorificante para mim, que sou colaboradora, que as pessoas que lêem passam para os amigos, comentam, acham um absurdo, fingem que não lêem – e isso foi particularmente engraçado: ver uma pessoa dizer que “nem lê o Acarajé Conservador”, que só leu uma vez de nada, mas poder saber que esta é precisamente uma daquelas pessoas que lêem, repassam, copiam e colam trechos dos nossos posts. Isso é apenas uma amostra do nosso primeiro trimestre, e embora saibamos que este formato não é para sempre, como boa parte desses projetos não o é (sabe-se lá qual será a melhor ferramenta de comunicação daqui há 10 anos), levar uma pessoa a mentir de forma despretensiosa, apenas para não dar o braço a torcer que acompanha o Acarajé, é (depois de engraçadíssimo) uma daquelas máximas do egocentrismo humano: eu não me apaixono, eu não vejo novela, eu nunca votei no Lula, eu odeio Che Guevara, e eu não leio o Acarajé Conservador.

Para a minha surpresa, há mais pessoas interessadas no conservadorismo do que se imagina. A maioria das pessoas que luta contra uma posição conservadora ou tradicional não sabe muito bem o que atinge; essa “direita” é tão abstratamente diluída no discurso esquerdista que se torna o que o termo “neofascista” se tornou nos últimos tempos: algo completamente esvaziado, sem qualquer significado real, que pode representar tanto uma pessoa que, contemporaneamente, segue o pensamento de Mussolini, quanto [e mais frequentemente] qualquer um que discorde de uma posição ou não endosse o politicamente correto. O conservador é, nessa abstração, algo desconhecido, é o sujeito rico e de terno e gravata cujo objetivo é dominar todas as pessoas passíveis de exploração. Nesse contexto, tudo é arquétipo: para as feministas, o inimigo é o homem opressor ou a sociedade cujo falo gigante penetra os espaços abertos [perdoem a ambigüidade]; para um militante do movimento negro, em primeira instância, qualquer um é racista, e vemos frequentemente essa “feridinha” ser aberta, de maneira totalmente deslocada: quantos de vocês discutiam um tema (por exemplo, a exploração ou não exploração das baleias) e foram acusados, quase que amigavelmente, de não se preocuparem com a questão dos afro-descendentes? Como você pode simplesmente jogar xadrez com uma pessoa quando ela está usando as regras do Ludo? Como alguém quer ser levado a sério num debate quando se está falando de política e grita “Panquecas!”? Poderia Alice responder por que um corvo se parece com uma escrivaninha?

Vou dar um exemplo da tamanha abstração que muitas vezes acompanha as posições anti-conservadoras: qualquer pessoa que discuta politicamente e pretensamente de forma embasada a questão do aborto, sabe da existência do Dr. Nathanson e de sua luta pela legalização da prática nos Eua, e do depoimento do mesmo sobre como se deu esse processo, etc, etc. Uma pessoa leiga, e que certamente possui seu posicionamento quanto a isso, talvez não saiba, mas aqueles que de forma organizada discutem a questão, seja dentro de um movimento pró-vida, ou de uma organização feminista pró-aborto, devem conhecer esse depoimento. Não necessariamente devem concordar com ele, ou acreditar mesmo ser verdade que esse doutor, tão empenhado outrora em legalizar o aborto, hoje diga que manipulou os dados de pesquisa para que o projeto de lei passasse. Mas o que é inconcebível, na minha opinião, é que uma pessoa possua ou participe de um grupo pró-aborto e tenha um total desconhecimento sobre quem é Nathanson, e isto não apenas porquê a sua figura é essencial para compreender o processo de legalização do aborto no mundo, mas porque isso mostra, claramente, que pessoas estão tomando posicionamentos ferrenhos sobre uma questão que nem sequer estão por dentro; mostra que há toneladas de militantes prontos para nos convencer de que a legalização do aborto é uma questão de saúde pública, um direito da mulher e por aí vai, mas que não se deram nem ao trabalho de saber o que existe do lado de fora da caverna, estão olhando as sombras e nos apontando monstros.
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Notas

¹ O aviso de Túlio no início do texto “A arte de Deturpar” é este: “Para alguns o veganismo soa como algo extremista, uma verdadeira pregação de pessoas radicais desesperadas por atenção. Para outras aparenta ter uma certa coerência, mas ainda assim se constitui em um discurso irreal e impraticável. É para essas pessoas que se destina o presente texto

² G. K. Chesterton no capítulo “O suicídio do pensamento” de seu livro Ortodoxia. O autor inspirou todo o parágrafo.

³ Citação do texto de Túlio: “Até porque o mínimo de conhecimento sobre o funcionamento da ALF descartaria essa possibilidade, o que mostra total falta de ignorância do autor sobre o tema, e pior ainda, a total indisposição (pra não dizer coisa pior) em pesquisar antes de escrever sobre o que não sabe”.

Agora sabemos, no entanto, que dá pra se dizer coisa pior.
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Segue comentário meu, para os amigos já citados, assim como para todos, por extensão, sobre as questões ecológicas mundiais, que têm sido o foco de interesse de uma parcela das pessoas que visita o Acarajé Conservador. Em seguida, transcrevo algumas citações de links que já foram disponibilizados aqui.

A Máfia Verde

Estou convencida de que existe uma conspiração ecológica no mundo. Não é apenas o paroxismo da propaganda verde do século XX, onde as pessoas sensíveis vinham nos oferecer sementes de girassóis e se amarravam simbolicamente em árvores, mas trata-se de um verdadeiro culto á natureza, em que a velhinha de xale foi sinistramente substituída por uma garota andrógina de vinte e poucos anos e a árvore perdeu o lugar para o personal computer. O Greenpeace foi desmoralizado, a WWF Brasil censura livros que denunciam a indústria da ecologia (ver o livro A Máfia Verde, Lyndon La Rouche) e o aquecimento global está na moda, mas é igualmente uma farsa (veja o documentário A farsa do aquecimento global). Aos poucos essas ONGs e manifestos em favor da causa verde são desmascarados, a exemplo do Grupo PETA (Pessoas pelo tratamento ético com os animais), que hoje sabemos exercer a conduta ética de exterminar mais de 80% dos animais que acolheram nos últimos dez anos (Segundo o site Peta Kills Animals, dos 22.896 animais que o PETA acolheu entre os anos de 1998 e 2007, 19.215 foram assassinados pelo grupo). Há ainda a batalha travada entre o Greenpeace e Charles Lagrave: ele denuncia as mentiras contadas pelo grupo, a lavagem de dinheiro, e que embora no momento de sua fundação o Greenpeace fosse uma organização mais ou menos séria, após o enfraquecimento do comunismo no mundo a entidade passou a ser o alvo dos militantes, que se infiltraram e acentuaram cada vez mais o caráter polítco-ideológico do movimento. Há vinte anos, a militância juvenil era em sua maioria adepta do discurso comunista panfletário; hoje, não há mais sentido e é até mesmo ridículo ver alguém vestindo a camisa da foice e do martelo (é caricato demais), no entanto, a ideologia comunista se diluiu de tal maneira que permeia os campos de praticamente todos os chamados “discursos de minoria” (A revolução cultural de Gramsci já previa tudo isso, como ele escreve nos seus cadernos do cárcere). Os militantes de hoje são politicamente corretos, são cheios de boas intenções e querem salvar os bichos, as mulheres, os homossexuais e os negros; só não querem salvar as crianças porque são a favor do aborto. Os partidos comunistas do nosso país [PT, PCdoB e PSTU] querem combater “principalmente a homofobia capitalista”, enquanto em todos os países comunistas os homossexuais foram fuzilados, como ainda o são em Cuba, na China, na Coréia do Norte.
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Comunismo, Ecologia e o Paraíso na Terra
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As promessas do comunismo convergem para uma sociedade igualitária, em que a classe burguesa será extinta, a propriedade privada desaparecerá e será estabelecido o “paraíso na terra”. O presidente da Cruz Verde Internacional, Gorbatchev, afirma que a ecologia é um veículo revolucionário, e não por acaso esse mesmo Gorbatchev foi secretário geral do comitê central do partido comunista da URSS. Vou colocar aqui algumas citações de textos que ajudam a esclarecer as ligações entre o desaparecimento do comunismo, a militância ecológica e o socialismo sempre presente. As pessoas que nos escreveram parecem ignorar que existe um debate extenso sobre o assunto, e ficam até mesmo surpresas de ver alguém fazer tal analogia. Sugiro que estas pessoas, assim como eu fiz no passado, passem a investigar mais essas questões, para que não sejam simplesmente massa de manobra, acreditando na velha cartilha de que “ricos e doutores” não fazem parte da ideologia socialista, quando é exatamente o que ocorre. Muitas pessoas comentaram que não é possível uma ligação da ideologia vegan com o socialismo. Túlio, no seu texto A arte de deturpar, diz que qualquer um que afirma esta ligação é medíocre, apenas porque acha a questão extremamente nova, julgando que foi pela primeira vez formulada no Acarajé Conservador. Era de se esperar que ele pelo menos conhecesse os argumentos e dissesse não concordar com eles, mas ficou claro que ele se viu diante de uma novidade, resolvendo a questão dizendo que a ligação do veganismo com o socialismo seria improvável porque “Muitos dos próprios palestrantes são advogados ou professores e doutores universitários, e com certeza muitos deles não gostariam de voltar a um passado utópico de socialistas e comunistas” [sic]. De qualquer forma, ele mostrou também no texto que conhece o Google, de modo que poderá recorrer a ele para buscar novos horizontes [Duro vai ser se ele pretender dar outra resposta como se já soubesse da coisa toda]. O filósofo Olavo de Carvalho, em introdução à tradução da conferência de Pascal Bernardin [de 1999] sobre A Face Oculta do Mundialismo Verde, afirmou:

Desde o fim do comunismo, o socialismo bate em retirada ao conceder mais espaço aos mecanismos que deixam uma maior margem de liberdade aos comportamentos individuais. Contudo, a ameaça não desapareceu. Embora não se trate de grandes leis históricas que fariam do Proletariado o instrumento e o veículo do Progresso, trata-se da Ecologia – mais precisamente, das elites científicas e ecológicas que se autodenominaram os messias dos novos tempos – que pretendem impor seus objetivos como elementos reguladores da liberdade dos indivíduos”.¹

A conferência de Pascal Bernardin é uma síntese do seu trabalho minucioso sobre a ligação entre o socialismo e ativismo ecológico. Na transcrição da conferência, ele define a perestroika (termo que significa reestruturação), cujo mentor foi Antonio Gramsci: “A revolução ecológica formará a ossatura das revoluções — ideológica, religiosa, ética e cultural — veiculadas pela ditadura pedagógica. As idéias de Gramsci são portanto indispensáveis para toda compreensão do mundialismo e da perestroika”.

Confesso que apenas as citações não são suficientes para compreender toda a questão e a leitura dos textos sugeridos, e de outros textos mais, é importante. Estas citações são apenas para fins de demonstração, para instigar a curiosidade das pessoas. Ele termina a conferência dizendo que o objetivo de sua obra é “descrever a etapa atual da Revolução, que deve desembocar na edificação do Império ecológico, da Cidade terrestre; e mostrar como esta, querendo se elevar até o céu, busca realizar neste mundo a Cidade celeste”. ²

Notas

¹ O texto completo está em http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm

² Outras leituras e sites:
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/empeco.htm
http://www.petakillsanimals.com/

Considerações sobre o veganismo.

Vladimir Lachance
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Já que o texto do I Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal levou algumas pessoas a tecerem considerações interessantes acerca do assunto, sinto a necessidade de escrever uma defesa de como penso o vegetarianismo – veganismo, ou qualquer ramificação do tipo – e suas implicações. Como Luciana Lachance mencionou, um texto da autoria de Túlio Xavier chegou às nossas mãos, e o título da “réplica” apresentada por ele foi: “A arte de deturpar”, onde dizia que aquilo que presenciei não havia acontecido de tal forma, mas ele só poderia saber disso se não tivesse aparecido apenas no momento das perguntas; durante o período em que os trabalhos foram apresentados, ele passou a maior parte do lado de fora da sala, conversando. Como ele mesmo não se fez presente, foi incapaz de refutar os pontos que não tem certeza se realmente aconteceram, de maneira que sua ressalva defendia o congresso como um todo, cheio de “doutores, mestres, e graduandos”, impossíveis de serem medíocres, em sua opinião, graças ao “santo” diploma, como se isso fosse atestado de competência ou legitimidade. Peço a Túlio maior atenção aos links que recomendei no texto anterior, pois o site é de um filósofo brasileiro que não tem formação acadêmica alguma, mas que é o melhor filósofo brasileiro vivo, na minha opinião, e de muitos outros; aí também ele poderá encontrar “de onde eu tirei” que o veganismo “é uma ideologia a serviço de um socialismo absoluto e universal”. O ato em si de não comer alimentos de origem animal não torna ninguém melhor ou pior, nem eu me incomodaria com a dieta de quem quer que seja, a menos que eu fosse um nutricionista. Não há problema algum em São Francisco de Assis ter decidido que não devia comer nada que viesse de animais, assim como também não há nada de errado em São João Batista comer gafanhotos. O problema é transformar uma escolha dessas numa ideologia que pretende ser mais que uma simples decisão de não colocar na boca um pedaço de carne, e transformar quem o faz em algoz.

Olhar um pouco para essa discussão é importante, até porque eu não sou a única pessoa que faz criticas ao movimento. Fui vegetariano por quase um ano, e o que me incomodava constantemente era a incoerência do discurso verde, o fato de que o veganismo não se sustenta. Túlio defende que “veganismo e ativismo são coisas diferentes, dizer o contrário é papo furado, qualquer pessoa pode ser, e muitas são, vegans sem serem ativistas políticas”. Segundo sua própria definição o vegetariano é aquele que não come nenhum derivado de animal, ao passo que vegan surgiu como contraponto a vegetariano, pois além de compartilhar a mesma dieta “abstêm-se do consumo de qualquer coisa que implicou ou implique em sofrimento a animais – carnes, ovos, leite, mel, lã, couro, produtos testados em animai, rodeios, etc”. Ora, se o vegan não é apenas aquele que decide adotar certa postura alimentar, mas quem, através das ações pretende eliminar a exploração animal como um todo, este é o momento em que se torna muito tênue a linha que separaria o veganismo do ativismo político. Alguém cujo paladar é bastante peculiar pode não se interessar por nenhum alimento de origem animal, mas considero política a decisão de se abster destes, tendo em vista uma posição pretensamente moral (defesa dos animais). Quando um vegan decide não comprar um determinado produto porque a empresa faz teste em animais, esta conduta é necessariamente política. Acho que Túlio confundiu o termo ativista político com terrorista. O ativismo, qualquer que seja, é uma forma de engajamento, e os vegans são engajados - eles defendem a causa que abraçaram. A definição de vegan, aliás, como alguém que se abstêm do consumo de qualquer coisa que implique sofrimento aos animais acaba se esgotando, uma vez que é impossível ao ser humano atingir tal plenitude: Túlio teria que abrir mão do próprio computador em que digitou esta resposta. Levando isso em conta, talvez os vegetarianos estejam em melhor situação.

Meu texto sobre o congresso também foi discutido na lista de e-mails “Veg-Brasil”, e lá não foi encarado como um manifesto anti-vegetariano, e nem as pessoas se sentiram ofendidas por ele, pelo contrário, os vegetarianos de lá concluíram que o congresso deveria ter sido mesmo “borocochô”, para usar um termo do membro Claudiney Morais (vejam os comentários aqui). As pessoas desta lista conseguiram fazer a diferenciação entre o quão caricato um congresso pode ser e o que poderia ser algo contra elas enquanto indivíduos. A julgar pela frase de Túlio no texto - “É praticamente impossível viver sob o sol capitalista sem infligir dano ao mundo em que vivemos”-, nós já sabemos para quem as barracas com camisas de Che Guevara foram montadas no evento. Seu discurso didático o levou a um reducionismo simplório da palavra radical remetendo seu significado apenas a etimologia, propondo que hoje o termo seja interpretado como era antes de Cristo: algo como ir à raiz, “que busca a origem do problema”. Partindo do pressuposto que radical realmente significa apenas isso, podemos representar a raiz da civilização ocidental remontando às origens do Cristianismo. Nesse sentido, posso ser radical, posto que busco ir até esta raiz para regá-la a fim de que ela se expanda e possa se firmar, mantendo a árvore, que é o Ocidente, de pé. Já radicais como Túlio querem ir até a raiz para cortá-la, como se se tratasse da origem do problema, sem perceber que cortando a raiz ele derruba a árvore inteira. Túlio ignora o próprio didatismo ao afirmar que “Gandhi era radicalmente contra a violência”. E não é mesmo necessário que eu faça uma biografia do movimento vegan – como ele nasceu, se desenvolveu, etc. -, mesmo porque eu não preciso ir na raiz deste problema, pois como ensina Nosso Senhor: é conhecendo os frutos que se conhece a árvore.

Para Koji e Dona, que deixaram comentários no meu texto anterior, espero ter esclarecido alguns pontos com o que expus acima. Agradeço as contribuições, e considerei suas opiniões pessoais sobre o congresso – na verdade cada pessoa pode ter interpretado de uma maneira diferente e aquela foi a minha. Para Edu, que também deixou um comentário, sugiro a leitura do texto: Patrulha Ideológica, pois sua mensagem tem alguns pontos parecidos. O texto de Luciana acima do meu, aliás, poderia ajudá-lo quando ele se refere às preocupações de negros, brancos, mulheres, empregados, patrões.

* Quando estava na cozinha começando a elaborar este texto ocorreu um fato engraçado: na sala, uma criança, vizinha daqui, fazia o dever de casa e lia para minha sogra a Declaração Universal dos Direitos dos Animais presente no seu livro didático. Pedi o livro para averiguar uma suspeita: pois bem, minha suspeita foi confirmada quando, ao olhar o índice do livro, descobri que essa criança estava aprendendo primeiro que os animais tinham direitos, para só depois vir a descobrir que ela também tinha algum.