"O gnosticismo é uma proliferação de heresias que, apesar de sua diversidade, tem alguns pontos em comum. O termo é muito ambíguo, porque não todas as escolas englobadas sobre essa denominação se qualificaram como gnósticas, porque ignoramos todas as influências que os doutores gnósticos experimentaram e as fontes primeiras de onde sacaram suas idéias. Sem embargo, o termo é tradicional e ademais, no fundo, todas as seitas gnósticas tem muitos contatos, surgidos de necessidades análogas e seguindo uma direção paralela.
(...) Não se trata de um simples saber e de uma ciência a secas, senão de conhecer a Deus, ver-lo, possui-lo. Mas esse conhecer, ver e possuir não se adquire pela dialética nem pela fé. A princípio se trata, pois, de um conhecimento místico.
[Com o contato com a filosofia, especialmente a platônica, os doutores gnósticos se aproximaram das religiões orientais, reflexo da necessidade de confeccionar um sistema religioso], a dialética filosófica foi portanto substituída por uma mitologia abstrata e sentimental, artificialmente criada, onde entra a astrologia e magia. (...) O gnosticismo, diz-se, é a "helenização do cristianismo levada ao ponto mais alto" (Harnack) (...) Existe também uma gnose cristã completamente ortodoxa, gnose que aceita a influência da filosofia, especialmente de Platão e do neoplatonismo, em tudo aquilo que não era oposto aos dogmas cristãos.
[Ao falar de Clemente de Alexandria, o autor comenta] A gnose não contradiz a fé; não solamente a sustenta e esclarece em alguns pontos, senão que a eleva a uma esfera mais alta; do domínio da autoridade ao domínio da ciência lúcida e da adesão íntima, espiritual, que emana do amor de Deus. A fé e a gnose estão unidas entre si porque as duas extraem seu conteúdo da Sagrada Escritura; a fé é conhecimento breve e compendioso das coisas necessárias; a gnose é demonstração das coisas tomadas pela fé; daí que uma seja estado elemental e preparatória da outra."
Luis M. de Cadiz (Pe. Antonio Ulquiano-Murga) em Historia de la Literatura Patristica (1954).
Tradução: Pedro Ravazzano
(...) Não se trata de um simples saber e de uma ciência a secas, senão de conhecer a Deus, ver-lo, possui-lo. Mas esse conhecer, ver e possuir não se adquire pela dialética nem pela fé. A princípio se trata, pois, de um conhecimento místico.
[Com o contato com a filosofia, especialmente a platônica, os doutores gnósticos se aproximaram das religiões orientais, reflexo da necessidade de confeccionar um sistema religioso], a dialética filosófica foi portanto substituída por uma mitologia abstrata e sentimental, artificialmente criada, onde entra a astrologia e magia. (...) O gnosticismo, diz-se, é a "helenização do cristianismo levada ao ponto mais alto" (Harnack) (...) Existe também uma gnose cristã completamente ortodoxa, gnose que aceita a influência da filosofia, especialmente de Platão e do neoplatonismo, em tudo aquilo que não era oposto aos dogmas cristãos.
[Ao falar de Clemente de Alexandria, o autor comenta] A gnose não contradiz a fé; não solamente a sustenta e esclarece em alguns pontos, senão que a eleva a uma esfera mais alta; do domínio da autoridade ao domínio da ciência lúcida e da adesão íntima, espiritual, que emana do amor de Deus. A fé e a gnose estão unidas entre si porque as duas extraem seu conteúdo da Sagrada Escritura; a fé é conhecimento breve e compendioso das coisas necessárias; a gnose é demonstração das coisas tomadas pela fé; daí que uma seja estado elemental e preparatória da outra."
Luis M. de Cadiz (Pe. Antonio Ulquiano-Murga) em Historia de la Literatura Patristica (1954).
Tradução: Pedro Ravazzano
Um comentário:
Já tinha lido isso na comunidade da gente, confesso que não entendo muito bem de gnose; se você pudesse explicar mais ou menos isso de "a gnose não contradiz a fé", eu agradeceria!
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