
Há exatos 7 anos o mundo mudou e eu também. Me lembro da euforia com que meus amigos colegiais comemoravam o duro golpe sofrido no coração financeiro da América. Posso dizer que faço parte da geração 11 de setembro. Alguns psicologos sociais identificaram que as experiências que se adiquirem durante a adolescência e no ínicio da vida adulta são em parte formadoras da personalidade porque causam impressões profundas e duradouras. É a fase da vida em que estamos mais vulneraveis a persuação. Não é a toa que a maioria das grandes religiões instituem algum tipo de rito de passagem nessa fase da vida, trazendo os adolescentes e jovens adultos para o seio da sua boa influência, para que não sejam tragados pelas impressões mundanas. Posso dizer que o 11 de setembro me causou grande impressão. Acredito que não tenha sido a mesma causada na grande maioria dos jovens da minha idade. Aquele dia ficou marcado pra mim pela capacidade cinematografica que um ato terrorista teve de causar regojizo nos meus amigos colegiais. Como poderiam eles comemorar tal coisa? Ver a felicidade com que se identificavam com os talibãs, seus novos herois, era algo que me causava uma certa perplexidade, mesmo que de forma ainda embrionária. A impressão que aquele evento ocorrido no inicio da minha vida adulta causou é que algo de errado se passava comigo e com meus colegas. Porque?
3 comentários:
Rapaz, é tanta dor no mundo q chega dá uma tristeza.
Pra mim são tão vis os que objetificam o ser humano quanto os que o tornam uma figura completamente abstrata. É ai q mora a importância do afeto, do amor.
Eu me lembro que em 11 de setembro de 2001 eu estava na aula de História. A diretora entrou na sala, falou algo no ouvido do professor, que depois nos contou que "a Terceira Guerra mundial poderá começar". A aula estava acabando, eu fui correndo ao Shopping Barra para ver TV. Estava totalmente perplexo, nem sei se meus amigos comemoraram. Fiquei profundamente triste, triste mesmo. Até medo eu senti. Fui para casa e não desgrudei mais da TV. Quando vi o outro avião se chocando eu chorei. Acho que foi um choro profético, um choro por aquela desgraça, um choro até pelo mundo que depois desse dia nunca mais se tornou o mesmo.
Eu estava no meio de uma aula quando o primeiro avião bateu. Algum colega foi avisado pelo celular e a turma se mandou para o centro acadêmico onde tinha uma TV.
Enquanto todos olhavam meio perplexos aquelas imagens da CNN, enquanto comentaristas comentavam como era um acidente terrível, o segundo avião aparece e se choca ao vivo com o prédio.
Quase todo mundo comemorou.
Este foi, talvez, um dos momentos em que em mais senti ódio em minha vida. Não gritei nem xinguei ninguém. Me arrependo.
Aquilo me marcou. Ali vi como um monte de idéias erradas, quando não questionadas, são capazes de fazer gente de bem, educada, comemorar a morte de milhares de inocentes.
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